quarta-feira, 17 de agosto de 2011
não sei se foi dos carneiros que contei
Mas tive um sonho intenso e para não o esquecer tomo nota dele aqui. Estava num apartamento antigo, na cidade de X, onde vivi a adolescência. À parte uma mobília velha e minimalista, a casa estava praticamente vazia. Era sábado. Estava acompanhado pela Y, pelos vistos tinha conseguido levá-la para casa e íamos ter sexo. Era noite e víamos um filme em DVD. Ela tentava criar um ambiente romântico para conferir um pouco de dignidade aquilo tudo. Sentia-me deprimido porque ela dizia coisas como "às vezes as pessoas recusam-se a ver um filme em alemão, eu não tenho problema nenhum com isso" e eu perguntava-lhe "com que espécie de pessoas é que tu te dás?" e depois sentia-me mal. Não havia bebida em casa, nem sequer frigorífico. Então lembrei-me que era Sábado e que podia dar-se o caso da minha mãe aparecer naquele apartamento, para ver obras ou o seu estado, antes de o alugar. Afastei-me da Y e fui para o escritório virado a oeste e quando olhei para o telemóvel, estava a fazer uma chamada há meia hora pelo menos, e ouvia a voz da minha mãe preocupada.
- Estou?
- Filhe? És tu? Ah merde, estava preocupade! Não quer vir jantar connosque?
- Com quem? Onde estás?
- Em X, com a A, B,C. Anda!
- Não, não, estou com alguém aqui no apartamento.
- Ah... estou a passar aqui na porte em baixo agora mesme, ainda bem que tu avise.
- Eu vou aí abaixo cumprimentar.
Desci as escadas a correr, esquecendo-me da Y.
Estava a chover torrencialmente. Então a minha mãe disse-me que no carro tinha a última carta que o meu pai escreveu e perguntou-me se eu a queria ler. Hesitei mas disse que sim. Abriu a bagageira (era o velho peugeot 504 da minha infância). À volta do carro estavam pessoas da minha infância, em silêncio. Abriu uma pasta, tinha muitos papéis confusos e deu-me uma folha amachucada.
Tentei ler mas tinha dificuldades em focar. Algumas palavras estavam escritas a lápis, outras a tinta negra. As frases eram curtas e só conseguia ler pedaços, palavras, não conseguia entender o sentido e atribuí a confusão ao seu estado no fim. Mas conseguia perceber o sentimento, no início era uma raiva grande, estava cheia de expressões como "o caralho!" como quem está fodido com a desilusão de descobrir no fim que o enganaram em criança com as promessas de que a vida é uma coisa e afinal é outra. Depois explicava porque tinha fugido e comprara uma casa pequena numa aldeia, ia recomeçar. A carta era paranóide e disconexa, cheia de raiva e de autorecriminações que nunca na vida o ouvira fazer, coisas como "fiz tudo mal" ou "falhei". Anexada à carta estava uma fotografia dessa casa, recortada de uma foto maior. Ele dizia que não tinha sido ele a tirar foto mas sim uma equipa de filmagens a escolher locais, por coincidência, e que ele lhes pediu a foto que por acaso era da casa dele. A meio da leitura da carta uma gigantesca nave espacial pairou no ar num monte em frente ao carro e começou a explodir, a desfazer-se (os meus sonhos têm sempre um cunho do Michael Bay). Ignorei-a completamente, continuando a ler a carta. Tinha esquemas complicados da casa e do jardim, com rabiscos a lápis a desenhar árvores. E acabava com um desenho de uma casota engraçada, muito naif, parecida com a do snoopy, com uma bola de futebol e um baloiço ao pé e dizia "a casa para o meu filho XXXXX" e eu colapsei numa espécie de choro-uivo durante muito tempo. A minha mãe desculpava-me às pessoas "está a ler uma carte que o pai escreveu". Despedi-me, voltei para casa à chuva e quando estava a subir as escadas de volta ao apartamento, acordei. Faltavam três minutos para o despertador tocar.
Bom dia!
- Estou?
- Filhe? És tu? Ah merde, estava preocupade! Não quer vir jantar connosque?
- Com quem? Onde estás?
- Em X, com a A, B,C. Anda!
- Não, não, estou com alguém aqui no apartamento.
- Ah... estou a passar aqui na porte em baixo agora mesme, ainda bem que tu avise.
- Eu vou aí abaixo cumprimentar.
Desci as escadas a correr, esquecendo-me da Y.
Estava a chover torrencialmente. Então a minha mãe disse-me que no carro tinha a última carta que o meu pai escreveu e perguntou-me se eu a queria ler. Hesitei mas disse que sim. Abriu a bagageira (era o velho peugeot 504 da minha infância). À volta do carro estavam pessoas da minha infância, em silêncio. Abriu uma pasta, tinha muitos papéis confusos e deu-me uma folha amachucada.
Tentei ler mas tinha dificuldades em focar. Algumas palavras estavam escritas a lápis, outras a tinta negra. As frases eram curtas e só conseguia ler pedaços, palavras, não conseguia entender o sentido e atribuí a confusão ao seu estado no fim. Mas conseguia perceber o sentimento, no início era uma raiva grande, estava cheia de expressões como "o caralho!" como quem está fodido com a desilusão de descobrir no fim que o enganaram em criança com as promessas de que a vida é uma coisa e afinal é outra. Depois explicava porque tinha fugido e comprara uma casa pequena numa aldeia, ia recomeçar. A carta era paranóide e disconexa, cheia de raiva e de autorecriminações que nunca na vida o ouvira fazer, coisas como "fiz tudo mal" ou "falhei". Anexada à carta estava uma fotografia dessa casa, recortada de uma foto maior. Ele dizia que não tinha sido ele a tirar foto mas sim uma equipa de filmagens a escolher locais, por coincidência, e que ele lhes pediu a foto que por acaso era da casa dele. A meio da leitura da carta uma gigantesca nave espacial pairou no ar num monte em frente ao carro e começou a explodir, a desfazer-se (os meus sonhos têm sempre um cunho do Michael Bay). Ignorei-a completamente, continuando a ler a carta. Tinha esquemas complicados da casa e do jardim, com rabiscos a lápis a desenhar árvores. E acabava com um desenho de uma casota engraçada, muito naif, parecida com a do snoopy, com uma bola de futebol e um baloiço ao pé e dizia "a casa para o meu filho XXXXX" e eu colapsei numa espécie de choro-uivo durante muito tempo. A minha mãe desculpava-me às pessoas "está a ler uma carte que o pai escreveu". Despedi-me, voltei para casa à chuva e quando estava a subir as escadas de volta ao apartamento, acordei. Faltavam três minutos para o despertador tocar.
Bom dia!
terça-feira, 16 de agosto de 2011
o boogaloo triste
James Brown, o verdadeiro "rei", está entretido a dançar o boogaloo em directo na tv nacional em 1965, completamente na dele, apenas a ser awsome em cada molécula, e eu a beber a minha cerveja e a menear a cabeça, quando somos interrompidos aos 0:32 pelo apresentador branquelas que pede ao James Brown para dançar o boogaloo como um homem feliz e o James pergunta se pode antes dançar o boogaloo como se estivesse triste. E realmente, ele dança um boogaloo triste, um paradoxo portanto, que ele resolve com mestria. Tiro notas mentais, mas somos interrompidos de novo pelo apresentador branquelas que lhe diz "allright that's enough" e que lhe pede para ensinar aos jovens figurantes, todos brancos e mui fremosos, como se dança o boogaloo e eles imitam-no.
debater, manual
Primeiro, muitas opiniões são herdadas. É preciso passar todas as opiniões para um campo neutro e depois daí ir fazendo a filtragem. Se opiniões herdadas resistem a testes, não há problema. Apesar de existir quem tenha paciência didáctica, eu não a tenho.
Segundo, temos de ter sempre predisposição para ouvir e questionar aquilo em que acreditamos, com base em factos e argumentação racional. Passar de comunista a liberal ou vice-versa, com base num argumento ou facto novo, deve ser sempre uma hipótese, pois só ela credibiliza a opinião actual face a pessoas que pensam de maneira diferente.
Terceiro, não misturem boas intenções com as soluções e os meios. O provérbio "de boas intenções está o inferno cheio" é uma excelente máxima. Torna-se muito cansativo discutir com pessoas que se julgam donas de uma superioridade moral e ética quando, no fundo, querem o mesmo que qualquer pessoa. Normalmente esta superioridade ética está fundada em preconceitos herdados e não em opiniões baseadas na observação, no estudo e na procura de soluções para os problemas.
Quarto, o facto de pertencerem a algo que tenha "nome" e que represente uma forma comum de pensar (como ser de esquerda, direita, católico, ateu, anarquista, ecologista etc.) deve resultar de um acaso. Por acaso, as vossas opiniões que passaram pelo crivo do ponto um, dois e três, calham em ser parecidas com a de um grupo de gente que tem um nome abstracto para o denominar. Não é isso que vos vai atribuir mais ou menos razão. O oposto diminui a razão, porque alguém que quer pertencer a um grupo que considera moralmente superior, tem tendência a procurar argumentos e factos de forma enviesada para justificar a sua escolha irracional ou herdada e fazer oposição a grupos que cristalizem posições adversas à sua.
Segundo, temos de ter sempre predisposição para ouvir e questionar aquilo em que acreditamos, com base em factos e argumentação racional. Passar de comunista a liberal ou vice-versa, com base num argumento ou facto novo, deve ser sempre uma hipótese, pois só ela credibiliza a opinião actual face a pessoas que pensam de maneira diferente.
Terceiro, não misturem boas intenções com as soluções e os meios. O provérbio "de boas intenções está o inferno cheio" é uma excelente máxima. Torna-se muito cansativo discutir com pessoas que se julgam donas de uma superioridade moral e ética quando, no fundo, querem o mesmo que qualquer pessoa. Normalmente esta superioridade ética está fundada em preconceitos herdados e não em opiniões baseadas na observação, no estudo e na procura de soluções para os problemas.
Quarto, o facto de pertencerem a algo que tenha "nome" e que represente uma forma comum de pensar (como ser de esquerda, direita, católico, ateu, anarquista, ecologista etc.) deve resultar de um acaso. Por acaso, as vossas opiniões que passaram pelo crivo do ponto um, dois e três, calham em ser parecidas com a de um grupo de gente que tem um nome abstracto para o denominar. Não é isso que vos vai atribuir mais ou menos razão. O oposto diminui a razão, porque alguém que quer pertencer a um grupo que considera moralmente superior, tem tendência a procurar argumentos e factos de forma enviesada para justificar a sua escolha irracional ou herdada e fazer oposição a grupos que cristalizem posições adversas à sua.
a verdade
Uma das coisas que mais me aborrece nos filmes é quando usam truques desonestos para criar twists. Acabei de ver um assim, o Alta Tensão, filme francês de terror. O filme seria aceitável sem o básico truque inspirado no Fight Club / Sixth Sense: aquilo do "o que vês não é a realidade". Ou seja, estamos na cabeça de uma personagem do filme e aquilo que vemos não é a realidade.
Não é este o psicopata, este senhor nem sequer existe.
Este senhor existe na cabeça desta lesbiana, ela é que é a psicopata.
É giro uma vez, pronto, está feito. Chega. Não que tenha algum problema com uma filmagem subjectiva à mente de uma personagem, como na Repulsa de Polanski ou o Spider do Cronenberg. O que acho idiota é que o espectador não saiba disso e que isso sirva de base a um twist: "ah, afinal não era ele o psicopata, era a lésbica e estamos a ver o filme pela mente da lésbica obcecada pela Alex". Não me lembro de Hitchcock alguma vez ter recorrido a estes atalhos para criar twists nos argumentos. Que mal tinha o Alta Tensão ser só um filme de um psicopata dos bons e dos antigos?
Além disso são filmes que envelhecem muito mal, tira-se aquele truque ao Fight Club ou ao Sixth Sense e o filme perde 90% do interesse. Não consigo compreender o que está na cabeça de um argumentista para cometer um erro tão patético quando não há um único clássico que faça estes malabarismos. Nem vai haver.
SPOILER ALERT
Se calhar devia colocar o spoiler alert no início do post. Mas o filme já tem uns anos, por isso, que se lixe.
Não é este o psicopata, este senhor nem sequer existe.
Este senhor existe na cabeça desta lesbiana, ela é que é a psicopata.
É giro uma vez, pronto, está feito. Chega. Não que tenha algum problema com uma filmagem subjectiva à mente de uma personagem, como na Repulsa de Polanski ou o Spider do Cronenberg. O que acho idiota é que o espectador não saiba disso e que isso sirva de base a um twist: "ah, afinal não era ele o psicopata, era a lésbica e estamos a ver o filme pela mente da lésbica obcecada pela Alex". Não me lembro de Hitchcock alguma vez ter recorrido a estes atalhos para criar twists nos argumentos. Que mal tinha o Alta Tensão ser só um filme de um psicopata dos bons e dos antigos?
Além disso são filmes que envelhecem muito mal, tira-se aquele truque ao Fight Club ou ao Sixth Sense e o filme perde 90% do interesse. Não consigo compreender o que está na cabeça de um argumentista para cometer um erro tão patético quando não há um único clássico que faça estes malabarismos. Nem vai haver.
SPOILER ALERT
Se calhar devia colocar o spoiler alert no início do post. Mas o filme já tem uns anos, por isso, que se lixe.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
há pais que confiam na catequese para isto mas comigo foi mais assim
Tolan aprende a reconhecer e a defender-se dos perigos do dia a dia.
Enquanto os pais assistem a mais um episódio do Dallas, Tolan compra preservativos.
Não é muito discreto.
Tolan tem a sua primeira namorada. E na escola ainda acham que ele é geek :D
Tolan vai à disco dançar e ensaia os passos que o tornarão famoso e quebrarão a coluna cervical à S. em dois sítios.
Tolan aprende qual a função de divesos objectos.
Tolan, a ir buscar frango since 1985.
Tolan depressa sente uma afinidade com o universo de Charles Bukowski e afoga as mágoas.
Enquanto os pais vêem um episódio de Uma Casa na Pradaria na tv da sala, Tolan joga sossegado.
"Não fiques em casa o dia todo a jogar!" diz a mãe. Tolan não compreende tal repreensão, pois ele estava precisamente na praia e ao ar livre.
Enquanto os pais assistem a mais um episódio do Dallas, Tolan compra preservativos.
Não é muito discreto.
Tolan tem a sua primeira namorada. E na escola ainda acham que ele é geek :D
Tolan vai à disco dançar e ensaia os passos que o tornarão famoso e quebrarão a coluna cervical à S. em dois sítios.
Tolan aprende qual a função de divesos objectos.
Tolan, a ir buscar frango since 1985.
Tolan depressa sente uma afinidade com o universo de Charles Bukowski e afoga as mágoas.
Enquanto os pais vêem um episódio de Uma Casa na Pradaria na tv da sala, Tolan joga sossegado.
"Não fiques em casa o dia todo a jogar!" diz a mãe. Tolan não compreende tal repreensão, pois ele estava precisamente na praia e ao ar livre.
domingo, 14 de agosto de 2011
o mundo interior
Encontro-me a ler o Viagens de Gulliver do senhor Jonathan Swift (ainda).
Quando Gulliver viaja, leva consigo a sociedade e o pensar ocidental, nomeadamente o inglês, e coloca-o em confronto com mundos diferentes mas que são emanações absurdas do mundo inglês do século XVIII. Assim, também há cortes, leis, cidades, ciência, arte, exércitos etc. nesses novos mundos. Não são mundos "selvagens" e "inocentes" como os que se desbravavam na época e cujas questões fundamentais que suscitam são retratadas, por exemplo, no maravilhoso Robinson Crusoe do Daffoe, também mais ou menos da mesma época.
Gulliver é como um diapasão da nossa identidade, vemos as coisas pelos olhos dele: os outros mundos parecem absurdos e desproporcionados e ele, por comparação, ora é um gigante que vence batalhas sozinho, ora é um ser pequenino e desprezível explorado numa feira de curiosidades.
O mecanismo de Swift é subtil e contém uma poderosa auto-ironia à sociedade inglesa, pois Gulliver, que é um inglês civilizado, humanista e justo e profundamente convicto da superioridade da sua nação e cultura, é sucessivamente desarmado pelas circunstâncias e pelo contexto que varia com as suas viagens. O seu sistema de valores vai sendo desmistificado, seja directamente, quando o Rei da terra dos gigantes faz uma mordaz crítica à sociedade descrita por Gulliver, seja pela caricatura, quando reconhecemos nos mundos descritos por Gulliver, o nosso próprio país e os seus defeitos, levados a um extremo absurdo. Por exemplo, uma nação que é governada por pessoas obcecadas por números e que os analisam e contabilizam à exaustão mas que, por outro lado, são cegas e surdas à realidade próxima que os rodeia (sendo necessários "batedores" que lhes dão pancadinhas nos olhos e nos ouvidos para que oiçam e vejam quando alguém fala com eles) não é mais do que uma caricatura de uma característica nossa (ocidental). O que é curioso é que apesar destes sucessivos choques, nada em Gulliver indica que ele pense de forma diferente ou que as viagens o transformem. Apenas aparenta ser louco quando conta as suas histórias a pessoas do seu país.
O retrato satírico que ele faz da Inglaterra de 1726 podia perfeitamente ser aplicado ao Portugal de 2011, com alguns ajustes.E a forma de Gulliver analisar e descrever estas sociedades estranhas, é muito semelhante à nossa, quando comentamos a actualidade de países que nos são estranhos e distantes ou de fenómenos que não conhecemos, mesmo dentro do nosso país. Esta é talvez a última conclusão que se retira do As Viagens de Gulliver. O único referencial, absoluto, somos nós, na nossa solidão e mundo interior e tudo o resto é potencialmente absurdo ou moralmente errado se destoar do nosso mundo interior.
O Jonathan Swift é este senhor ó:
lua cheia
Ela diz-me agora que eu estou bêbado, para não ir escrever, porque só vou fazer figura de parvo. Ela diz que está "fodida dos cornos" e que parece a Amy Whinehouse naquela figura e parece genuinamente preocupada com isso. Saí à rua há pouco e as tascas já estavam fechadas, apenas o restaurante fino da avenida estava com gente lá dentro, embora tivesse a placa austera do FECHADO na porta. Bati à porta e, mantendo-me sóbrio e angélico, perguntei se podia comprar cerveja. O empregado disse que sim e comprei muita cerveja. Quando ia para casa com o saco de plástico cheio de cerveja passei por um carro estacionado com dois alcoólicos a sério, costumo vê-los na minha rua, ali a beber e a fumar e a falar de coisas que os entusiasmam muito porque estão sempre a gesticular a falar muito assertivos. Estavam dentro do carro a beber e a fumar. Está lua cheia e sopra uma brisa muito agradável, gosto quando à noite arrefece e não está aquela estufa do dia. Em casa ela está deitada no sofá à espera da cerveja, provavelmente adormeceu a ver o biggest loser.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
A família fantasma
Tenho imaginado uma família que não existe. Uma mulher e dois filhos, um rapaz e uma rapariga. E um gato. Podiam ser reais acho eu, mas não são, seja porque numa ou noutra ocasião eu fugi a sete pés do compromisso, seja porque noutra fugiram de mim, é assim que as coisas funcionam, não há drama nisso. Dou-lhes características, especialmente defeitos que me irritam ou aborrecem e me fazem sair de casa à noite para não os aturar ou fechar-me dentro do escritório a tocar guitarra mas que no fundo me fazem gostar muito deles. Estão a tornar-se verosímeis ao ponto de achar que um dia se vão fartar de mim. Ela vai pedir-me o divórcio e depois ficar com a custódia deles e deixar-me o gato, a que eu sou alérgico. Tenho medo de os tornar demasiado reais, especialmente ela. Ontem apercebi-me disso quando fiquei excitado a meio de uma cena que imaginei quando estava no meu jardim com a palmeira, a fumar um cigarro à noite. Ela vinha de robe para o jardim, sentava-se de pernas cruzadas no meio das ervas selvagens. Ouviam-se grilos e as ervas sussurram com o vento e depois ela começa a baloiçar lentamente, como se estivesse a ouvir uma música e vejo-lhe um bocadinho do seio nu, pelo robe entreaberto. E eu sinto-me muito longe dela apesar de estar ali ao pé. Não consigo ouvir a música. Ela está triste e deve ser por causa de mim. Apesar de não lhe conseguir ver a cara de forma definida, é a mulher mais bonita que já vi.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Conto infantil: o Don Ursan
Era uma vez um urso chamado Don Ursan. O Don Ursan era muito conquistador e muito falador, estava sempre a dar uma flor e a piscar os olhos e a dobrar as orelhas às fêmeas da floresta.

"Olá, tudo bem? Toma uma flor *wink* Toma uma flor *wink* Olá tudo bem? Flor. " dizia o Don Ursan. Um dia o Don Ursan lanchou pão com tulicreme e bebeu um leite com chocolate ucal e foi à danceteria. Chegou lá e havia duas gémeas a dançar! Depressa se pôs a conquistar!



"Olá, toma uma flor. Olá toma uma flor *wink*", disse o Don Ursan.
"Olá, obrigada." disse a Carina, que era a gémea da esquerda.
"Olá, obrigada." disse a Vânia, que era a gémea da direita. Eram ambas da margem sul do rio do bosque e vinham muito aperaltadas.
A festa estava muito animada e o Don Ursan já quase não tinha flores para oferta. Eis quando chega o Axel Pixel, o melhor bailarino da floresta.

"what's up" disse o Axel Pixel em estrangeiro.
O Don Ursan ficou muito arreliado, porque o Axel Pixel era mesmo muito dotado e depressa as Gémeas foram dançar com ele.



"Wuhuuu!" disse a Carina.
"Yeaah!" disse o Axel Pixel.
"Wuuuhhuuu!" disse a Vânia.
A situação era desesperante. O Don Ursan afastou-se cabisbaixo, mas depressa encontrou outra rapariga interessante, a dançar o twist.


"Olá, toma uma flor" disse o Don Ursan, dobrando as orelhas de forma muito atraente.
"Obrigada" disse a rapariga do vestido "mas estou acompanhada".


Muito desanimado, o Don Ursan foi para o piso de baixo. Pediu um leite ucal on the rocks ao balcão e ficou ali sentado. Era uma noite de disco na danceteria e havia muitos homens que gostam de outros homens.

"Então e a nós, não nos dás flores?" perguntaram os homens que gostam de outros homens.
"Estão é mas é malucos!" disse o Don Ursan, enquanto tentava conquistar outra senhora que, ele não sabia, mas só gostava de outras senhoras.


Nisto, disparado da outra ponta da pista de dança veio um menino que gosta de meninos, muito determinado, em direcção ao nosso urso desanimado.

"És homemfóbico? Vou-te en***r que é para aprenderes!" disse o menino determinado.
Nesse momento apareceu o Anjo Gabriel que o menino repreendeu:

"Não senhor, não podes andar por aí a en***r pessoas!" disse o Anjo Gabriel.
E lançou uma bomba nuclear na discoteca.

"Buuum" disse a bomba nuclear.
FIM

"Olá, tudo bem? Toma uma flor *wink* Toma uma flor *wink* Olá tudo bem? Flor. " dizia o Don Ursan. Um dia o Don Ursan lanchou pão com tulicreme e bebeu um leite com chocolate ucal e foi à danceteria. Chegou lá e havia duas gémeas a dançar! Depressa se pôs a conquistar!



"Olá, toma uma flor. Olá toma uma flor *wink*", disse o Don Ursan.
"Olá, obrigada." disse a Carina, que era a gémea da esquerda.
"Olá, obrigada." disse a Vânia, que era a gémea da direita. Eram ambas da margem sul do rio do bosque e vinham muito aperaltadas.
A festa estava muito animada e o Don Ursan já quase não tinha flores para oferta. Eis quando chega o Axel Pixel, o melhor bailarino da floresta.

"what's up" disse o Axel Pixel em estrangeiro.
O Don Ursan ficou muito arreliado, porque o Axel Pixel era mesmo muito dotado e depressa as Gémeas foram dançar com ele.



"Wuhuuu!" disse a Carina.
"Yeaah!" disse o Axel Pixel.
"Wuuuhhuuu!" disse a Vânia.
A situação era desesperante. O Don Ursan afastou-se cabisbaixo, mas depressa encontrou outra rapariga interessante, a dançar o twist.


"Olá, toma uma flor" disse o Don Ursan, dobrando as orelhas de forma muito atraente.
"Obrigada" disse a rapariga do vestido "mas estou acompanhada".


Muito desanimado, o Don Ursan foi para o piso de baixo. Pediu um leite ucal on the rocks ao balcão e ficou ali sentado. Era uma noite de disco na danceteria e havia muitos homens que gostam de outros homens.

"Então e a nós, não nos dás flores?" perguntaram os homens que gostam de outros homens.
"Estão é mas é malucos!" disse o Don Ursan, enquanto tentava conquistar outra senhora que, ele não sabia, mas só gostava de outras senhoras.


Nisto, disparado da outra ponta da pista de dança veio um menino que gosta de meninos, muito determinado, em direcção ao nosso urso desanimado.

"És homemfóbico? Vou-te en***r que é para aprenderes!" disse o menino determinado.
Nesse momento apareceu o Anjo Gabriel que o menino repreendeu:

"Não senhor, não podes andar por aí a en***r pessoas!" disse o Anjo Gabriel.
E lançou uma bomba nuclear na discoteca.

"Buuum" disse a bomba nuclear.
FIM
Subscrever:
Mensagens (Atom)


























