quarta-feira, 31 de julho de 2013

dicas para andar de bicicleta na cidade

Tinha escrito este post mais ou menos pela altura que escrevi este sobre escolher bicicletas, mas nunca cheguei terminá-lo. A leitura deste post do Mak, onde se apresenta um colarinho estilo airbag para substituir capacetes, fez-me repescar o tema e terminar o post.

Estas dicas são baseadas na minha experiência pessoal de commute em Lisboa, nas suas avenidas mais movimentadas, ao longo de quase 10 anos com intervalos pelo meio, e em estudos disponíveis. Por semana, faço cerca de 40km em Lisboa e neste momento, infelizmente, não faço nem 1 metro em ciclovia ou junto ao rio. Desde que comecei, muita coisa mudou entretanto. Existem muito mais ciclistas do que há 10 anos, o que aumenta a segurança de todos. O civismo também foi evoluindo.

Por ordem importância dou estas dicas:
  1.  Cuidado com os cruzamentos. Nos EUA, 90% dos acidentes fatais ocorre em cruzamentos ou perto de cruzamentos. Eu, pecador, confesso que passo vermelhos, mas só vermelhos em rectas (ex: passadeiras e não há peões) ou em cruzamentos pequenos sem movimento, depois de verificar várias vezes se há carros. Paradoxalmente, isto torna-me a viagem mais segura (ok, e rápida), porque deixo os carros para trás, em vez de ser forçado a fazer arranques no meio deles quando o semáforo abre para o verde. Contudo: nunca em avenidas largas e nunca com carros a vir e dando sempre prioridade a peões (eles não ouvem bicicletas a vir). E isto é uma coisa a que assisto todos os dias: ciclistas que se atiram para um cruzamento com carros a vir, às vezes dos dois lados, esperando uma aberta para se meterem.  
  2. Cuidado com as saídas para a direita. Como circulamos à direita e normalmente perto da berma (a uma distância suficientemente afastada para não levar com uma porta que se abra de repente), estamos quase sempre na faixa que permite viragens à direita. Antes de uma saída, chego a ocupar o centro da faixa momentaneamente. O objectivo é impedir que um carro "vire para cima de mim" e ter a maior visibilidade possível. . Este video de Londres, aos 35 segundos, exemplifica este tipo de acidente aqui sem consequências (como é no UK é encostado à esquerda). No video, notem que o ciclista estava num blind spot da carrinha. Apesar do condutor ter sido condenado por descuido, aquilo é um péssimo design de ciclovia porque força o ciclista a ficar na berma naquela situação e de facto o gajo do camião tem a vida bem dificultada.
  3. Atenção à vossa visibilidade.  Por um lado luzes. E não custa nada usar uma luz uma roupa com um material visível à noite ou em tempo de chuva. Mas a visibilidade não fica só por aqui. É preciso ter experiência de condutor para perceber o que nós, enquanto condutores, vemos e não vemos. Por exemplo, em andamento, é mais seguro furar pelo meio de 2 filas do que ir entre a berma e a fila da direita. Nenhum condutor se lembra de olhar pelo espelho da direita para virar à direita ou para estacionar de repente em espinha num lugar subitamente disponível. Ou para uma porta abrir para um passageiro sair a correr. Se há um acesso à estrada onde estão a circular, tentem ocupar o meio da faixa para garantir que um condutor vos veja ao entrar. Se estão a fazer razia na berma, ele só vos vê quando tiver o focinho do carro atravessado à vossa frente. Cuidado com autocarros e camiões, enfim, pensem se o tipo que vai ao volante vos viu antes de se porem em situação de serem entalados A proporção de acidentes com veículos grandes é superior por causa disto, a bicicleta, quando está ao nível da cabine do condutor e perto dela, não é visível (conforme acidente no video acima).
  4. Usar capacete. Pela minha observação, a maioria dos ciclistas de Lisboa não usa capacete. De acordo com o americano Insurance Institute for Highway Safety em 2010, 70% dos ciclistas mortos na estrada não tinha capacete, 15% tinham capacete e sobre 15% não existem dados. Só em NY, 97% dos mortos não tinham capacete e em 2007 a nível nacional, 95% dos mortos não tinha capacete. É claro que estas estatísticas só por si não dizem muito: se há muito mais ciclistas sem capacete (como sucede em Lisboa) a comparação pode estar enviesada. O ideal era comparar a % de acidentes fatais vs acidentes não fatais em ciclistas com capacete e sem capacete. Mas o facto de que 74% - 80% das mortes resulta de traumas na cabeça é esclarecedor. 
Com os pontos 1, 2 ,3 e 4 cobrimos praticamente todos os motivos de acidentes graves. A propósito, mais 20% dos mortos de bicicleta nos EUA vinham alcoolizados. Pois é. Só me aconteceu uma vez, depois de uma sessão de cervejas com o maradona e o casanova creio que na ler devagar, em 2010 ou coisa parecida. Ainda me lembro, porque me custou mesmo muito pedalar para casa. Mas "estudos recentes" (embora em contextos muito diferentes de Lisboa e com amostras ridículas) dizem que a maior parte dos acidentes são culpa do condutor. Desconfio um pouco desta conclusão. Aliás, o estudo que linkei é tão imbecil que se baseia em filmagens feitas por ciclistas. Ora bem, se dão uma câmara a um ciclista para ele filmar a sua actividade na estrada e analisar a causa dos acidentes, está tudo dito sobre o enviesamento no comportamento (e no perfil) daquele ciclista em particular.

Outras dicas:
  1.  Estudem o percurso e improvisem. Se é commute diário, vão ter tempo e oportunidades para estudar o que se passa. Experimentem variantes. Todos os meus percursos se foram tornando progressivamente mais rápidos e seguros com pequenos ajustes e improvisos. Às vezes há uma rua paralela mais segura. Outras, podemos simplesmente deixar a estrada e circular uns metros pelo passeio para passar um cruzamento perigoso. Por exemplo, eu passava a Praça de Espanha sempre pelas passadeiras de peões porque os carros faziam o final da avenida de berna demasiado depressa para eu poder virar na direcção a Sete Rios (tinha de ocupar as 2 faixas da esquerda, as rápidas e havia muitos carros que iam na 3ª faixa a meterem-se à força na saída).
  2.  Percam o medo de "levar com um carro por trás". Isto é o maior medo do principiante quando na realidade este tipo de acidente é muito mais raro que outros (há estatísticas que apontam para os 3.8% do total de acidentes de bicicleta). 
  3. Estejam preparados para os taxistas. Às vezes tudo parece muito bem, estamos calmamente a pedalar a uma distância segura da berma, os carros passam, o mundo é bonito, e de repente VRRRrrMM uma razia. Três em quatro vezes, trata-se de um taxista. Há excepções, como é óbvio, mas os taxistas têm em geral baixo civismo, e isso reflecte-se na forma como lidam com todos outros condutores, incluindo bicicletas.
  4. Civismo. Sejam assim uma espécie de emblema de goodwill e civismo. Existem muitos condutores que são extremamente atenciosos e a maior parte tem civismo. Chego a sentir algum respeito por vezes, na forma como não me ultrapassam quando vêm que preciso de mudar de faixa quando há um tipo estacionado em 2ª fila na minha faixa. Não há guerra nenhuma. Aproveitem para facilitar a passagem de um carro numa rua estreita longa, saiam da estrada se vem um eléctrico atrás. Numa palavra: facilitem. Isto cria o comportamento recíproco por parte dos condutores. Não me identifico minimamente com a guerra ideológica contra os carros.
  5. Nos carris do eléctrico, caso tenham pneus finos, muito cuidado. Os carris devem ser passados na perpendicular ou quase, ou podem causar quedas feias. Em chuva são extremamente escorregadios. As opções são ocupar o lado esquerdo do carril (centro das 2 faixas) ou então ir na faixa da direita muito devagar, pois quanto mais próximo da berma, mas se habilitam a levar com portas e peões. Por regra de civismo saio sempre da estrada se vem um eléctrico e deixo-o passar.
  6.  Não andem com fones. Desculpem, mas andar em avenidas movimentadas com headphones a ouvir música consegue ser quase tão estúpido como fazer isso sem capacete e tentar furar um cruzamento com carros a vir. E não é que vejo isto todas as semanas, pelo menos uma vez?

sexta-feira, 19 de julho de 2013

clube de luta

Pois é, o Autor agora até já posta videos com o Vimeo. Que grande hipster me saíste. Deves pensar que és bom demais para os 240p do youtube. Fui eu que descobri os growlers ou os man man. Ainda não percebi como vai ser a nossa relação e suspeito que tu também não, mas recuso-me a ficar com os restos. Já me lerpaste o goodreads. Queres os meus quase 1000 fãs no facebook? Optaste pelo wordpress, armado em fino. O blogger não dá? Qual é o problema do blogger? Andaste com o blogger 10 anos e agora deu-te para achar que nãaaao, tem de ser diferente, o blogger não é bom que chegue para mim... O que vem a seguir? Uma conta no instagram? Lol. Humpf, também posso.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

estas férias de futebol estão a saber-me mesmo bem






(e só por alto e sem querer vi que o Benfica na pré-época conseguiu conceder um empate nos descontos quando vencia por 3-1 aos 90 a um clube francês qualquer)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

comunicado oficial

O Autor pediu-me para anunciar que também vai brincar aos blogues. O que será de mim, Tolan, ainda não sei. Não estou exactamente tranquilo com o meu futuro, mas já vi isto acontecer no passado e ele depois voltou a delegar num heterónimo a sua própria terapia, o trabalho sujo todo. Veremos. Para já, parece estar a copiar-me o estilo em muitas coisas, o que até me deixa lisonjeado.

terça-feira, 9 de julho de 2013

nota 2, telejornais

Deixei de ver telejornais há cerca de ano e meio. Parece-me que os telejornais conseguem ser mais imbecis, sensacionalistas e aleatórios que as minhas divagações no youtube às 2 da manhã depois de chegar com os copos a casa. É o puto chinoca que ficou preso numa varanda, é a velha que tem humidades na parede e a casa está em risco de derrocada, são 20-30 minutos de futebol (eu que gosto mesmo de futebol tenho vergonha) e com o futebol a ser puxado para todo lado (juro que assisti a uma peça de 5 minutos sobre a opinião de Pinto da Costa sobre a crise governamental). O cúmulo da decadência, o uso de imagens do youtube, com a definição nos 240p. E o centro de saúde da santa terrinha que tem velhos a madrugar para ter as senhas porque ainda não instalaram a merda do sistema de marcação de telefone? Não era sempre assim antes, com os correspondentes. Ainda sou do tempo em que havia jornalistas nos sítios e depois falavam em directo com eles pelo telefone e aparecia uma foto tipo passe deles no canto superior esquerdo, por cima de um mapa a dizer Washington ou Bruxelas ou Moscovo. Ou então apareciam em directo, com a bela da Torre Eiffel ou Capitólio ou a Praça Vermelha, lá atrás. E o jornalista falava, muitas vezes com o uma pronúncia esquisita e o pivot fazia perguntas, mas o som demorava imenso a chegar lá e o correspondente calava-se a meio da frase entusiasmado, agarrado ao auricular e dizia "desculpa, não ouvi a tua pergunta podes repetir" e o pivot perguntava de novo, só que o som demorava imenso tempo a chegar e o correspondente recomeçava a falar e depois era interrompido pela pergunta idiota do pivot e ficávamos nisto. Depois perdia a ligação por satélite ou o auricular caía do ouvido e eles desistiam. Não raras vezes, cortavam a imagem com eles ainda a falar. Bem, contado assim até parece que não eram grande coisa, mas eram muito melhores do que agora, os telejornais.

nota 1

Aguento bem tempo quente, não tenho chiliques ou quebras de tensão, mas detesto-o. Gosto de um dia de Verão bem quente, mas só se for compensado com um fim de tarde agradável e uma noite fresca, arejada, com vento de oeste ou de norte, a trazer mar. Não suporto noites quentes em que o ar não corre, mesmo que se abram todas as janelas. Não suporto dias quentes em sucessão interminável porque a casa começa a aquecer ao ponto de ficar indiferente ao ténue arrefecimento nocturno.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Game of Troikas

- Não Paulisandre, não vás! Anda cá! Sabes que não resisto quando usas a 'piruca' ruiva.
- Larga-me, Staniscoelho. Conta dessas a outra. Fica com a tua Lady Albuquerque, essa sopeira...

- Ela não significa nada para mim!
 - Então estás a usá-la como pensas que me podes usar a mim!
- Não vás, Paulisandre, sem ti não conseguimos aplacar os Mercados do Norte! Fica!
- Não fico, Staniscoelho.
- Ainda agora recebi mais um corvo da Merkl.
 - Pensasses nisso antes de libertar o Whitewalker Gaspar das suas funções!
-  Paulisandre, para onde quer que ele fosse, apareciam os wildlings comunas com forquilhas e archotes para o linchar... Nunca o devíamos ter invocado.
- Vê lá se te ralaste quando nomeaste aquele orco hand of the king!
- Lord Relvas?
- Lorde? Não me faças rir! Esse arraçado de orco e de porca!
- Paulisandre, só ele conseguia unir todos os lords das autarquias PSD de Westeros para combater os  wildlings de esquerda.
- E a que preço? Staniscoelho, se queres que fique, teremos de derramar o sangue do Lord of Pastel the Nate. E deixas-me a mim ser hand of the king.
- O Lord Álvaro Davos é um inocente. Está sossegado na masmorra desde que fui eleito!
- Staniscoelho, sabes bem que os Wargs Especialistas dos Mercados prevêem a subida das taxas de juro se houver eleições e que...
*Ruu ruu*
- Olha Paulisandre, um pombo correio.
- Um pombo... só pode ser do Hodor Silva, só ele continua a usar pombos em vez de corvos, como se estivesse no século XX. O que diz?
- "Hodor".
- Ora foda-se.

domingo, 30 de junho de 2013

desisto

E quase no fim da 4ª série, a 1813ª inconsistência absurda num argumento que se arrasta, à 39ª cena de Jesse Pinkman a fazer a cara de escolha difícil / momento de tensão / mato o Walter não mato...

 

... desisto de ver o Breaking Bad. Teve os seus bons momentos, mas em nenhum deles entrou o actor que faz de Pinkman e cujo único dom de representação parece consistir em, nos momentos mais dramáticos, esvaziar os pulmões, ficar todo vermelho e babar-se enquanto grita com voz de def, com com pausas entre as palavras, com um indicador espetado ou uma pistola na mão, a marcar cada sílaba.

A actriz que faz de Skyler tem a mesma boca de charroco indisposto da season 1...

...à season 4.

 Pelo menos, dou-lhe o mérito de conseguir unanimidade entre o nosso gosto (meu & Plaft) e o público que também a parece detestar, a julgar pelos comentários nas interwebs. Curiosamente, percebe-se pelo texto que a intenção dos argumentistas não era fazer uma personagem unidimensional e detestável e que havia mesmo vontade de lhe conferir complexidade, riqueza, ambiguidades, momentos de comédia, momentos dramáticos e que era suposto, a certa altura na temporada, ser credível que o Walter White gostasse dela e a aturasse. Mas isto é só um detalhe. O argumento parece ser escrito por pessoas limitadas e com princípio de alzheimer. Desde o início da série que desconfiei da premissa. Um tipo tem uma doença terminal e por isso escolhe fazer droga. É infantil e irritou-me. Boas séries, bons argumentos (weeds, dexter, madmen etc.), não precisam de uma justificação radical para um "breaking bad" até porque o mundo está cheio de pessoas exactamente iguais a nós que cometem crimes sem motivo nenhum especial. Aliás, é completamente inverosímil no mau sentido, mas não importa, porque a certa altura o cancro é simplesmente varrido para fora da série. Linhas narrativas são pura e simplesmente esquecidas, não de propósito, mas simplesmente porque não conseguem lidar com mais de duas ideias por episódio.Assim, se o foco é um negócio de droga, o cancro do White, o facto de ter tido uma filha bebé, a relação com a Skyler, tudo se eclipsa e esfuma misteriosamente, apenas para ressurgir quando não for credível ou quando interromper uma parte interessante. 

Do cast, destaca-se Dean Norris (agente Schrader), o único que consegue tornar interessante qualquer cena em que entre. Bryan Cranston (Walter White) é um excelente actor, mas acaba também por ser o mais fustigado pelos problemas de argumento e realização que o incluem em cenas que se arrastam e repetem:  whalter white descobre uma tramóia e tenta convencer um jesse hostil, walter white tenta falar com skyler e ela não lhe fala, walter white tem crise de nervos, walter white coloca os óculos com as mãos a tremer, walter white implora a alguém qualquer coisa etc.

Ah, não podia deixar de referir uma cena que para mim foi uma espécie de apogeu do tipo de descuido e amadorismo da série: quase nenhum dos actores que fazem de mexicanos dos cartéis sabe falar espanhol, mesmo nos papéis importantes. Nos EUA, onde os hispânicos são mais que as mães, é obra! Falam todos como se tivessem acabado de ouvir aquelas cassetes de aprendizagem no carro a caminho das filmagens.

Compreendo inteiramente que a série seja um sucesso. Exceptuando a season 1, nenhuma das três seasons seguintes é dolorosa de ver e há mesmo alguns episódios muito bons. O facto é que a vi até quase ao fim da season 4, embora o tenha feito sempre na esperança que melhorasse (o Jesse e a Skyler levassem um tiro nos cornos). É verdade que por vezes maus actores e maus argumentistas também produzem coisas originais porque "têm lata" e não me refiro a uma lata competente como a que foi necessária para aquela cena sangrenta do Game of Thrones (um exemplo de argumento à prova de bala). Refiro-me a uma lata que vem da incompetência e falta de noção. Tanto lhes pode dar para coisas brilhantes como o advogado Saul Goodman (outro grande actor) como para disparates  como aquele desastre aéreo /acto de Deus sobre a cidade. Contudo, o motivo pelo qual esta série é tão bem cotada pelo público e por grande parte da crítica, permanece para mim um mistério que nunca se dissipou.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

estou a atravessar uma crise de meia idade

Se Deus Nosso Senhor me der saúde, ainda este ano, promessa Fátima style.



Fascina-me, neste percurso, a ligação continua entre a paisagem da minha terra, onde há vinhas, pomares, fósseis, pinhais, campos de trigo, serras e moinhos, águias, falcões, cães e coelhos, até Lisboa, furando sucessivos anéis de subúrbios, pelo labirinto dos acessos não-via-rápidas nos últimos 20km, até chegar ao centro da capital. É uma reconfiguração da geografia mental.



terça-feira, 25 de junho de 2013

selecção da selecção

Da longa lista da Loudwire para as melhores músicas de rock e metal de 2013 (até agora) escolho estas duas. Ainda hei de ouvir isto com o Heart Rate Monitor ligado e ver o que acontece...

Rock: Clutch - Earth Rocker (cocaína em formato musical)



Metal: Kylesa - Unspoken (épico, muito épico e muito bom em qualquer género)


frangarias e portugalidade

Entre os maiores mistérios da portugalidade (termo recorrente no marketing desde o início da crise em 2008) conta-se a atracção pelas longas filas de espera na aquisição de bens alimentares preparados, como sejam gelados, frangos assados ou caracóis. É algo que nem eu, nem a Plaft, após observação empírica repetida em condições controladas, conseguimos entender. Não vou abordar em grande profundidade o caso da Conchanata, uma gelataria da Avenida de Igreja. Tem filas de espera de 30-60 minutos ou mais, mas é verdade que não há outra gelataria nas imediações. É um típico fenómeno de portugalidade como a Santini. Nem vou abordar muito o caso da tasca do pai do Paulo Bento que tem objectivamente dos melhores caracóis da zona, mas que é preciso reservar mesas (até para comer caracóis às 16:00 num sábado) enquanto que há 30 estabelecimentos com caracóis na zona com o bónus de não terem fotografias e posters do Paulo Bento em todas as paredes.

O grande case study que podia figurar num MBA de Harvard, é o das "frangarias". Na  mesma Avenida da Igreja, três frangarias como eu lhes chamo, lado a lado. Vendem frangos assados, sobretudo. Uma delas, a mais pequena, o Rio de Mel, tem uma fila de gente rua fora que oscila entre os 30 e os 50 minutos, chegando facilmente aos 60 minutos às sextas feiras e sábados. Os carros, estacionados em 2º fila na avenida, dão a entender que a clientela vem de várias zonas de Lisboa, atraída como formigas para o rio de Mel (um nome assaz contra-intuitivo para uma frangaria). As outras duas frangarias, a Churasqueira do Manel e a das pretinhas (não sei o nome, mas tem pretinhas e senhoras de idade a atender) estão normalmente quase desertas, ao ponto de sentirmos vergonha alheia.

Sendo o frango assado uma comida fast food típica portuguesa, seria de esperar que o factor "tempo" teria um coeficiente de importância maior na função de utilidade. Afinal de contas, espera-se uma hora pelo pato com laranja da Tia Rosinha em Agosto, ali pelos lados da Galé, no sudoeste alentejano. É um pato que vem tostadinho e tenro do forno, com batatinhas redondas, com um arrozinho de miúdos coberto com uma camadinha de ovo e o estabelecimento sofre naturalmente um choque desorganizativo pela sazonalidade a que é sujeito. A isto soma-se o facto de serem alentejanos. Mas uma pessoa espera de bom grado, sentada, com vinho e um queijo. O tempo de espera, conjugado pela observação de outros patos a serem servidos em mesas ao nosso lado, a ansiedade de se terem esquecido de nós no meio do caos ou de outras pessoas serem servidas primeiro, aguça o apetite e confere à chegada das travessas do pato assado com laranja um carácter de milagre inesperado, como um paciente que recupera de um coma quando nada o fazia esperar. Mas esperar uma eternidade, em pé, depois de um dia de trabalho, com carro em 2ª fila, por um frango assado com batatas de pacote, é algo que, enfim, escapa à minha compreensão.

O critério geográfico, normalmente fundamental na escolha de fast food ou supermercados, não entra na avaliação, uma vez que, como expliquei, estão as três coladas uma às outras, do mesmo lado da rua e tudo. Será a qualidade? Analisemos. O rio de Mel e a frangaria das pretinhas têm os dois assadores de carvão. A do Manel tem assador a gás. Parecendo que não, a diferença no sabor nota-se, mesmo em blind tests com a Plaft, mas existe um empate técnico entre a qualidade do frango das pretinhas e do Rio de Mel. O frango da grelha do Manel não é tão bom.

A frangaria das pretinhas pauta-se por uma desorganização na fila de espera, em parte devido ao diâmetro alargado do balcão de vidro e inox onde estão exibidos espécimes de charcutaria usualmente associados a churrasqueiras (chouriços, azeitonas, queijos), em parte devido ao ambiente descontraído e familiar que lá se vive. O Rio de Mel não padece deste problema porque é tão estreito que se forma naturalmente uma fila única compacta. A pressão da fila de espera que se estende pela rua e o cansaço da espera também não dão azo a que os clientes confraternizem em alegre chocarrice ou que alguém se atreva a furar a fila. A grelha do Manel é lenta no serviço, derivado a não ter pressão para ser mais rápida, mas acaba por ser a mais rápida de todas, devido à clientela diminuta e de espírito prático (na qual eu me incluo). Se é verdade que o frango da grelha do Manel não é tão bom e que até se poderia compreender o monopólio do Rio de Mel caso o mercado fosse dividido entre estes dois players, entre o Rio de Mel e a das pretinhas não há justificação racional para tal disparidade de quota de mercado, mesmo em consumidores que atribuam grande importância ao sabor de um frango assado e ao processo de churrascagem do mesmo.
A disparidade advém de dois critérios emocionais. O primeiro é obviamente, o racismo. Apesar de haver bastantes ciganos em Alvalade, devido a existir um bairro social nas imediações, a verdade é que Alvalade tem muitos idosos e idosas, é das únicas freguesias PSD em qualquer eleição, é uma das zonas com maior poder de compra e instrução académica, tudo factores que explicam uma natural confiança em mãos brancas, portuguesas, no manejo de frango. Aliás, creio que o tipo do assador das pretinhas é um ucraniano, mas não tenho a certeza porque nunca o ouvi falar.

O outro aspecto é a reputação do local. O mass market português é amplamente atraído por fenómenos como "o Júlio dos caracóis é o que tem os melhores caracóis de Lisboa" ou "restaurante Capa Negra tem as melhores francesinhas" ou "a Santini, que tem os melhores gelados" e, como tal, não se importa de esperar e pagar pelo nutrimento referenciado e hiper-valorizado. Na ausência de informação, como em fazendo turismo, o português sente-se naturalmente atraído pelo nutrimento que estiver mais protegido por uma fila compacta e longa. O mesmo se verifica em fenómenos como a escolha do local para estender uma toalha na praia. O português confia na recomendação de outro português, por vezes, infelizmente, na nossa própria recomendação involuntária. Ao estendermos uma toalha na praia, mesmo que seja uma com um areal extenso, desocupado, aparentemente convidativo de forma indiferenciada, estamos a transmitir um sinal de recomendação a famílias portuguesas que tenham filhos com bolas de futebol.

Claro que os portugueses não são todos iguais, isto é o mainstream, o mass market... Nas franjas do mercado, no nicho, tal como na música pop rock, existem os hipsters dos frangos, dos caracóis, das francesinhas ou dos gelados. São aquelas pessoas irritantes que conhecem sempre um sítio recôndito e castiço que é muito melhor do que o sítio onde nós vamos, onde todos vão, um sítio que até pode parecer desleixado e com uma clientela de neo-realismo social (avisam eles), mas  onde os nutrimentos são muito melhores.

Tendo em conta o target do meu blogue, vocês, são hipsters de que género alimentício / estabelecimento?

quinta-feira, 20 de junho de 2013

coração

Gosto de comer manteiga de amendoim e correr a seguir, cada colherada são 2 quilómetros a correr com o relógio garmin e o heart rate monitor ao peito. Gosto muito de ver os gráficos dos batimentos do meu coração durante e depois dos treinos. O coração existe e bate bate, mas é invisível, não se dá por ele e só se dá pela falta dele alguns segundos como o Feher e o Gandolfini, mas depois já não se dá pela falta de nada por isso não é como o "ar que respiramos" que é invisível mas que mesmo assim dá para dar pela falta dois minutos (eu aguento 2 minutos) até começar a ficar roxo e pensar "ena pá, a falta que o ar me faz".

Nunca liguei nenhuma a recordações e fotografias, mas tenho pena de não ter usado o Heart Rate Monitor em certos momentos da minha vida para ter agora o gráfico e perceber o impacto desse momento, por exemplo, quando percebi que não me tinha esquecido de onde tinha arrumado o meu Ford Escort mas que mo tinham roubado.

Este gráfico aqui é de um treino de intervalos, 5 minutos na zona 4 e 2 de recuperação na zona 2 x 4, mas podia ser o gráfico do meu coração neste final de época do Benfica:


Não sei como as pessoas podem fazer coisas sem monitorizar o que se passa com o coração delas, já nem digo em tempo real, mas pelo menos a posteriori no computador, à noite, a beber um chávena de chá de camomila, depois do banho. Podiam ter uma perspectiva diferente da importância de certos assuntos, em função do coração bater mais ou menos. Também tenho um gel de banho que é o Sport e que é um gel para cabelo e pele e só ponho esse gel que tem um cheiro um pouco a perfume de supermercado nos banhos após os treinos, é como um prémio.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

serviço privado


Quando um filme navega por entre os série B, não pode contar nem com os media, nem com a distribuição, nem com o hype, nem com um bom push de marketing, muito menos com o gosto do público. Tem de contar com o quê? Com os bloggers e as suas relações de confiança com os respectivos leitores? E ambicionar ser um fenómeno de culto no longo prazo? A minha contribuição é esta.
Beijinhos.


terça-feira, 18 de junho de 2013

esperemos que encontrem o servidor dele :(

A única coisa que ficamos a saber quando clicamos no http://atumacaco.blogspot.pt/ é que ocorreu um problema e o servidor não foi encontrado :(

 Deixo aqui um pequeno isco para atuns macacos, quem sabe...

 (update: já percebi que o problema é da blogger ou da minha ligação à internet e que deve estar tudo bem com o Atum Macaco e a intenção é que conta)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

diário de Vitor Gaspar (em formato bloco de notas quadriculado)

Segunda Feira, 17 de Junho de 2013

 You should reach the limits of virtue, before you cross the border of death.
Tyrtaeus, poeta de esparta.

Dormi 7 horas. 
Peso: 72.3kg. 

Tempo de percurso casa-trabalho: 24 minutos e 12 segundos. O senhor Artur voltou a optar por percurso pela Infante D. Henrique.  Resultado: dispêndio estimado de mais 4% de tempo útil. Motivo: obras no Cais do Sodré. Lamentável apego a velhos hábitos. Indagar junto de Fatinha quanto custa reestruturar o senhor Artur e ver se já está amortizado.

O senhor Artur fuma. Pela tosse desta manhã, podemos estar na iminência de um encargo substancial em quimioterapia. Pedir à Fatinha se o plano de saúde de Artur faz hedging disso. Em caso afirmativo, alterar lei. Em caso de resistência à alteração à lei, alterar lei que regula resistências a alterações de leis.

Nem de propósito, Fatinha diz que hoje houve greve de professores porque tinha um filho que ia fazer exame de português. Não li nada sobre isso no Ecomonist. E nem sabia que havia exames de português. Para quê? Indagar se é mesmo necessário. Gostava de ser informado destas coisas a tempo. 

Não sabia que Fatinha tinha filhos e já está comigo há 3 anos neste gabinete. Indagar se Fatinha planeia ter mais filhos e ponderar ter outra administrativa. Portfolio insurance.

FENPROF diz que 90% dos professores fizeram greve. Ministério diz que 70% dos alunos fizeram exame. Se com10% de professores, 70% dos alunos fizeram exame, pela regra de três simples, dá que com 14,3% do total de professores, 100% dos alunos faziam exame. Logo, mais de 85% dos professores são excedentários. Almoçar com Nuno Crato e apresentar-lhe proposta. Alternativa mais dura: despedir os 90% de professores que fizeram greve e 30% dos alunos. 

Estive a ver números. O rácio professor aluno em Portugal é de 1 professor por cada 8 alunos. Em França é 1 por cada 12 e na Alemanha 1 por 15. Apresentar em Conselho de Ministros o conceito de professor de Esparta. Se 300 chegaram para infligir mais de 10 mil baixas nos persas, precisamos apenas de 1 professor de Esparta por cada 33 alunos. O rácio do México

 A Lagarde telefonou-me. É boa profissional, mas um pouco soft e com as tradicionais oscilações sentimentais das mulheres. Num dia está a ser razoável e a ver claro, no outro diz que não pode ser só austeridade. Pelo menos não é completamente histérica como a Françoise Hollande.

andar de bicicleta em Lisboa (ou pior, no Porto) #1 - Escolher a bicicleta





    (Rui Costa consegue chegar a tempo da reunião com o cliente, depois de deixar os miúdos na escola)


     Não encontrei as especificações e preço da bicicleta do Rui Costa, mas esta pode ser parecida, uma Specialized S-Works Tarmac SL4 Di2.



    6.3kg.
    8.300 euros.


    Para o empedrado e as zonas históricas, e o Rui Costa recomendamos a SPECIALIZED S-WORKS EPIC CARBON 29 XTR


    9.9KG.
    7400 euros.

    Estava a brincar. Estas nem têm descanso ou bagageira. O Rui Costa pedala com carros de apoio que lhe levam o portátil, livros ou a marmita para o almoço. Não é como nós.

    E o carbono é um material frágil, uma queda e a bina vai para o lixo. Porquê, então, começar o post  com este tipo de bicicletas? Porque vocês me irritam! Estou constantemente a encontrar pessoas que acham estranho uma bicicleta custar mais de 150 euros e depois vão de férias para o Brasil, compram iPads, pagam rendas de casa, têm filhos que precisam de ser alimentados...Comam menos bifes!

    Independentemente do que comprarem, escolham algo que tenha ou possa ter uma bagageira traseira destas (rack) e um ou dois alforges deste tipo. Essenciais também os guarda-lamas. Eu sei, não são cool, mas quando chove é que se separa o trigo do joio.


    Regularmente vejo pessoas com mochilas... As mochilas criam uma poça de suor nas costas, apertam a roupa nos ombros e impossibilitam a circulação do ar pela roupa. São desconfortáveis em tempo quente e mais pesadas do que os alforges / sacos. O Rui Costa nunca anda de mochila às costas na volta à Suiça ou no Tour, pois não? A sério, bagageira.

     Andar de bicicleta em Lisboa, se meter subidas e distâncias longas, não é fácil. Mas há boas notícias. Os holandeses podem pedalar muitos quilómetros, mas vocês, a pedalar em Lisboa, em pouco tempo ficam autênticos Lamborghinis. O Rui Costa ganhou a volta à Suiça porque muito provavelmente ia de bicicleta para a escola, lá na aldeia. Uma pessoa que pedale no Porto diariamente está certamente apta a ganhar o tour de france.  E por cada subida, há uma descida e as descidas são divertidas e quebram a monotonia.

     Quem não tem ainda bicicleta ou pensa adquirir uma nova para ir de casa para o trabalho.. esqueçam tudo que se pareça com isto...


    ou isto...

    Em mercados como o holandês desenvolveu-se uma oferta que não tem em consideração o factor vento, piso ou topografia. Mais peso por vezes significa maior conforto, robustez e estabilidade, uma vez que um quadro mais maciço absorve as vibrações e tem uma inércia maior, dando ao ciclista a sensação de estar a flutuar num barco confortável. Os selins são normalmente mais largos e confortáveis, a posição de pedalada é mais "upright", metem trezentos extras e isto é tudo muito bonito em terreno plano, mas péssimo numa cidade ventosa e acidentada como Lisboa (ou Porto) em que é útil uma posição mais desportiva. Primeiro, distribuir o peso pelos braços evita a concentração do peso todo no rabo, o que é relevante quando o piso é acidentado (os choques vão todos para a coluna) e quando percurso é longo. Segundo, para subidas ou distâncias maiores, um selim mais pequeno e rígido acaba por ser melhor, porque facilita a pedalada. E terceiro, o vento, muito vento, Lisboa é estupidamente ventosa e o aerodinamismo não é cromice.


    A decathlon tem Elops 5: pesa 20.7 kg. Notem a semelhança com o clássico acima.




    Para iniciar ciclismo de estrada ou btt, recomendo a Decathlon, mas nas urbanas acho que não têm ainda uma oferta adequada a Lisboa.
    Há modelos que nunca vi nas Decathlon de Portugal e sei que existem noutros países, por pesquisa na net. Não percebo porque a Decathlon em Portugal tem a Elops 5 que pesa 20kg, mas nunca cá vi a btwin NeWork 3:



     Pelo preço em libras, custaria 200 euros cá, o que me parece bom. Não sei o peso, mas não há de ser 20kg. Posto a foto porque isto é o tipo de "simplicidade" que me parece adequada a um commute e acessível.

     Aqui, a btwin reverside 7 deles que , a julgar pelo preço inglês, custaria cerca de 700 euros.





    É uma bicicleta que dá para touring em distâncias maiores. O nível de equipamento já seria um pouco caro e pesado demais (descanso, luz com dínamo etc). O descanso é um luxo (o Rui Costa, precisa de descanso?) e o dínamo faz mais sentido em latitudes onde há muitos dias curtos ou mau tempo, em Portugal é suficiente uma luz que se tira e põe e funciona a pilhas. Tem suspensão, o que não é exactamente um luxo, mas acrescenta kg.

    Gosto desta Treck Soho Deluxe. Foi a editor choice da bicycling.com.





    Pesa 13kg, é um exemplo de uma commuter bike perfeita. O preço deve rondar os 1.000 euros em Portugal, o que é acessível se comerem menos uns bifes. A Reverside pesa quase 17kg e esta 13kg, com travões de disco. Sim, 4kg fazem muita diferença, perguntem ao Rui Costa se ele ganhava a Volta à Suiça pela 2ª vez consecutiva se carregasse um garrafão com 4 litros de água atrás.

    Muito estilosa esta holandesa, mas queria ver as merdas a ficarem no cestinho (quanto é que aquilo pesará?!) no belo empedrado a descer...


    Esta treck deve rondar os 1300 bifes e seria a escolha do Rui Costa se ele andasse em Lisboa e se Lisboa tivesse um piso que não fosse de um país do 3º mundo. Mas há quem ande com isto que eu já vi (embora sem bagageira, porque o tuga tem a mania que é espertalhuço).


    Esta é mais barata (530 bifes), mas não deve sobreviver mais de uma semana em Lisboa se o percurso envolver empedrado, digo eu.


    Isto são bicicletas de perfil desportivo e para pisos bons. São adequadas para o Rui Costa e para quem tem um perfil desportivo, gosta de treinar durante a semana ou precisa de fazer longas distâncias.

    Aqui, outro tipo de bicicleta que eu consideraria boa para uma utilização polivalente em Lisboa com o bónus de poder andar em estradão, fazer um pouco de cicloturismo, passeios...

    Uma de montanha em alumínio, rígida, com  suspensão dianteira, pneus de estrada e uma bagageira. Excelente opção. Vejo commuters experientes com bicicletas deste tipo, adaptadas por eles próprios. Muitas vezes são bicicletas de BTT que já possuíam e que reconverteram em bicicletas de commute, como a da foto acima.

    Desdobráveis
    Recentemente tenho visto mais bicicletas desdobráveis, especialmente desde que a Decathlon  começou a vender a B'Fold.


    Não tem mudanças, nem suspensão e acho que não dá para ter bagageira. Estamos a falar de Lisboa (ou pior, Porto) e não de Paris ou Londres, mercados que certamente estão mais na mente dos engenheiros por detrás destas bicicletas e que talvez constituam 99% das vendas de bicicletas de commuting. O meu conselho e o do Rui Costa seria, caso vivam em Lisboa ou Porto, não se meterem em desdobráveis a não ser que seja mesmo necessário (e não, o critério "ocupa menos espaço, é mais prático" não conta).

    Conclusão:
    Analisem o percurso que vão fazer e pensem na compra como sendo a longo prazo, mesmo que comecem de forma gradual a reduzir os bifes. Estão a escolher algo que vos vai dar para muitos anos e no qual vão ter de confiar. É tudo uma questão de curva de utilidade.

    Boa sorte!

    Rui Costa, após mais um dia de commuting da partida à meta



    sexta-feira, 14 de junho de 2013

    e retomando uma conversa a propósito de covers muito bons...

    ...quando uma das minhas bandas pop preferidas da actualidade, os muito underrated suecos The Tough Alliance decidem re-interpretar uma das minhas musicas preferidas, o Hung up on a Dream dos The Zombies de 1968, as estrelas alinham-se, tudo faz sentido, a vida é um croissant quente, dos bons, a escorrer manteiga.

    José Rentes de Carvalho

    Pois é, pois é, ou muito me engano, ou este "O Rebate" é o melhor livro de um português que leio desde o saudoso Fado Alexandrino do António Lobo Antunes (um autor que, de resto, hoje em dia não consigo ler) e o Ano da Morte de Ricardo Reis, do Saramago. Estou muito feliz, dizer mal também cansa. Às tantas, podia pensar que o problema era meu. Sim, porque me indigna um pouco a facilidade com as pessoas assumem um "não gosto" a propósito de comidas e sabores, como se o "não gosto" fosse algo estático. "Não gosto de queijo", "não gosto de vinho", "não gosto de azeitonas"... como pode alguém viver sem gostar de queijo ou vinho ou azeitonas e ainda por cima declarar o seu referencial orgulhosamente? Como pode afirmar que no seu universo, o queijo e o vinho são coisas de que não se gosta e que nunca se vai gostar? Ultrapassa-me completamente. Eu também não gostava de vinho, hoje em dia o problema é, talvez, gostar demasiado dele. Não oiço  jazz, a não ser quando estou a cozinhar, porque me dá a sensação de ser sofisticado, relaxa-me e soa bem com o crepitar do refogado. Então quando digo a alguém "não gosto de jazz", é com uma certa mágoa e vergonha, predisposição para aprender... Uma vez ofendi um melómano ao confessar-lhe que ouvi Chet Baker pela primeira vez ao preparar um frango de caril. Mas voltando à escrita, ou neste caso, a leitura, não, pensando melhor, vou ler tudo primeiro. E ainda vou comprar o "Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia". Só não o comprei na feira porque decidimos chamar Júlia à nossa bebé e esta coisa de ver um livro em que se vão abordar os seus lindos braços, enfim, estou mesmo a ver que há ali história de amor e eu não queria cá confusões com os braços da minha filha. E também não quero que ela vá para ciências farmacêuticas. Se se chamasse "os lindos teoremas da Júlia do laboratório engenharia da Nasa", bem, aí...