quarta-feira, 29 de maio de 2013

Prémio Camões

(...) Mia Couto se aplica com capricho numa ficção irritantemente mediana, à altura de um leitor cujo perfil retrata um sujeito apto a, graças à tolerância da mobilidade social, “acessar” essas obras belamente sumariadas pelos suplementos culturais. Ao mesmo tempo, apesar da advertência do editor, reputando Mia Couto como “um dos maiores nomes da literatura africana de língua portuguesa”, algo do estilo do moçambicano entra na conta inflacionária do literário em tom pastel ou bege, que tem como maior virtude a de combinar com o que quer que se encontre na sala do cidadão cultivado e humanista de classe média alta. Por sua vez, mesmo a poesia ― um pouco cansada, talvez, de se mostrar sempre intratável ―, e que até há pouco era “preservada” de tais circunstâncias, já agora começa a se sentir enfronhada e prestigiada nos debates onde as coisas são decididas, naturalmente, jamais levando em consideração os seus interesses. Mas isso é irrelevante, o que importa é cair dentro. (...)
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PS: atenção, há opiniões positivas:

Pela originalidade do seu estilo e pela densidade dos seus argumentos, a obra de Mia Couto impôs-se desde muito cedo no mundo de língua portuguesa - Aníbal Cavaco Silva
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9 comentários:

hierra disse...

Sinceramente, não sou apreciadora. Não gosto mesmo. No entanto, entre os escritores africanos, gosto do Agualusa!

Rita Maria disse...

E eu que estava aqui pronta a reconsiderá-lo, face ao coro unânime de aprovações...mas não, afinal a memória não me falha, um escritor beige é justamente aquilo que recordo. Olha que prático.

Tolan disse...

Eu acho-o de uma sensaborrice pegada, mas o problema foi que me impingiram o Mia Couto nas aulas de português, naquela espécie de cabaz de natal que é o paternalismo multicultural ocidental colonial politicamente correcto. A sério, as porcarias que que tive de ler na escola, vistas hoje em retrospectiva, parecem-se com abusos intelectuais praticados por pedófilos nos ministérios da educação.

Matilde disse...

Graças a Deus que não estudei em Portugal.
Não conheço esse escritor nem tenho grande desejo de conhecer, baseada em alguns extractos das suas obras que vão sendo dadas ao conhecimento público, pois o meu tempo não dá para o desperdício.
O presidente disse o mesmo que eu diria se estivesse no lugar dele... em calhando. :)

Matilde.

Rita Maria disse...

Toda a gente sabe que, entre os que são bons e que nos estragam e os que são medíocres e nos impingem, gostar de literatura depois de passar pelo Ensino Secundário é um acto de resistência.

(não obstante existirem professores melhores que salvam um bocadinho da honra do convento)

Anónimo disse...

Aos 7 anos já lia Pacheco. Li o Idiota aos 8.
Nunca li e não conheço o Mia Couto e sempre pensei que fosse uma tipa.
Mais ou menos como o Saramago. Ainda hoje penso que ele era um operário da Lisnave e batia na mulher.
R.

Maria D Roque disse...

No meu tempo de Liceu ter que ler autores portugueses e ingleses deu-nos uma bagagem literária que muitos universitários não tê. Depois de 74, como nas demais coisas do Pais, passou-se do 80 ao 0,8... Penso que o Mia Couto, que já li, como a outros tantos, Ganhou o PC por ser das antigas colónias.... Temos continentais melhores e piores....

André disse...

O Cadavérico Silva elogiou? Se alguma vontade tivesse de ler o Mia Couto, que nunca li, tê-la-ia perdido toda... Nos tempos da Universidade tinha umas colegas que andavam excitadíssimas com o Mia Couto, mas como eram as mesmas pessoas que tinham uma pequena estante de livros com todas as obras de Paulo Coelho, Augusto Cury, e Daniel Sampaio, nunca lhe peguei: a estatística é como a política, pode enganar mas não mente. Nunca me enganou...

Tolan disse...

o Cavaco elogiou num contexto oficia, mas não foi responsável pela escolha, ele não lê ficção de certeza.