sexta-feira, 14 de junho de 2013

jogging

Tenho acordado cedo demais ultimamente (hoje foi às 6). Não sei exactamente o que se passa, ansiedade talvez. Há muita coisa a acontecer-me ao mesmo tempo. Lisboa é amistosa de manhã muito cedo, com o sol a nascer. Lembra-me viagens de avião, só em dias de viagem de avião às 8 da manhã é que uma pessoa acorda a estas horas para apanhar o táxi. Tenho ido correr e vou a ouvir música e a minha própria respiração nos ouvidos. Está fresco, o sol desponta por entre os prédios e não há quase ninguém nas ruas. Surpreende-me a quantidade de homens esquisitos que deambulam pelos parques ou ficam sentados em bancos de jardim, como fantasmas de reformados no limbo. Um jovem passa por mim a correr, em sofrimento. Pela forma como corre, percebo que também é tanso, ainda mais do que eu. Já aprendi a lição, depois da primeira tentativa de corrida me ter deixado quase de cama e sem conseguir levantar-me de um sofá, só porque fui ultrapassado por um gajo e duas raparigas atléticas e me armei em galgo atrás do coelho. Agora vamos com calma. O relógio garmin vibra de cada vez que estou a ir depressa demais ou devagar demais, mantendo-me na heart zone 2. Sou ultrapassado por um velhote que deve ter para cima de 60 anos, sem exagero nenhum. Tento copiar-lhe a passada elástica, curta e simples, mas deixo de o ver poucos minutos depois. Não sinto qualquer humilhação, apenas altruísmo e generosidade, são corredores como eu que permitem que estes velhotes se sintam bem e depois digam às esposas: ainda hoje ultrapassei dois miúdos eheh aqui o velhote está em forma. Entretanto ultrapasso o primeiro tipo que vi, o tanso. Está quase estendido no chão, a hiperventilar. Minutos depois faço o cooldown e uns alongamentos.  Aprendi a lição, aprendi a lição. Tomo banho, dou um beijo à Plaft que, muito grávida, consegue ajeitar-se melhor na cama de casal deserta, recorrendo a uma infraestrutura muito complexa de almofadas a apoiar a barriga, as pernas e ainda em igloo por cima da cabeça para evitar luminosidades. Vou de bicicleta. O trânsito pesado ainda não chegou a Lisboa, há muito espaço e é sempre a descer.

4 comentários:

Mak, o Mau disse...

Nice routine.

E cada um corre por si e o pior que pode fazer é correr pela passada dos outros.

M D Roque disse...

Mens dana in corpórea sano. :)

DN disse...

tb faço igloo com as almofadas na cama para evitar a luz ahah

correr é duro, mas com o hábito vamos lá. uff!

R. disse...

De manhã cedo e ao final do dia/noite, são as minhas alturas preferidas para correr pela cidade. E vale a pena.

R.