quarta-feira, 12 de junho de 2013

a ver se nos entendemos


A classificação de 1 bolinha no goodreads ao Nome de Guerra pretende dizer apenas "didn't liked it" e é o único ponto negativo da escala de 1 a 5. O 2 já é um "it's ok". Mas não é it's ok, foda-se, visto que o atirei para o lado mais ou menos a meio. O início é muito bom, mas quando o romance fica refém da história de amor entre o jovem e a prostituta, cai numa banalidade e em clichés que talvez não o fossem tanto há 100 anos no contexto português. Histórias de putas e jovens enconados é coisa que não falta na literatura, do Céline ao John Fante, passando por Dostoiévski e Maupassant no seu Boule de Suif, enfim, os frances e americanos adoram isso, putas, e escritor que é escritor tem obrigatoriamente de abordar esse tema, porque todos os escritores foram jovens enconados. Aliás, acho que o Gonçalo Tavares poderia ser um grande escritor se fosse às putas e experimentasse beber álcool e relaxasse um bocado. Depois, há qualquer coisa que me difícil de digerir: a inclusão de aforismos (sem um Lord Henry para os tornar credíveis e relevantes), os discursos e reflexões filosóficas intelectuais... Apontei o mesmo problema no L'Age de Raison do Sartre ou na Aparição do Virgílio Ferreira: sentimos que o romance é instrumentalizado e esquematizado para transmitir uma ideia e infelizmente o autor até consegue fazê-lo e no processo sinto-me instrumentalizado, como se me estivessem a dar uma aula e a usar uma história para escorregar melhor. O Sá Carneiro até pode escrever pior com o seu uso histérico das reticências e aquele tom um tanto ou quanto bichano poeta, mas não finge nada, quando ele nos interrompe um romance como no Incesto para uma tirada pessoal sobre o suicídio e que os suicidas não são cobardes, é porque não resiste a falar nisso (depois até se matou, o homem, bravo, é credível). Resumindo, o Almada escreve muitíssimo bem, e pensa muitíssimo bem, o romance é bom, mas contextualizado em 2013 e no âmbito da literatura mundial, enfim, considero-o uma perda de tempo. Dito isto, gosto muito do Almada Negreiros pintor, o escritor mal conheço ainda e o poeta, zero, não conheço nada.  Li-o e vou ler mais porque gosto muito muito muito dos futuristas. Abraços e beijinhos.

12 comentários:

Anónimo disse...

Concordo consigo acerca da Aparição, apesar de ainda assim ser uma obra que me é muito querida. Mário de Sá-Carneiro é top e injustamente menos reconhecido. Almada Negreiros conheço pouco mas é "um maluco" do sistema (convenhamos que também a Fernando Pessoa são exacerbadas as qualidades "Ai os heterónimos, genial", desde quando o poeta tem de escrever acerca de si próprio, a sua realidade e sempre da mesma maneira? Foi um grande poeta, sim, mas não exageremos...).

C.A.

Anónimo disse...

"e escritor que é escritor tem obrigatoriamente de abordar esse tema, porque todos os escritores foram jovens enconados. Aliás, acho que o Gonçalo Tavares poderia ser um grande escritor se fosse às putas e experimentasse beber álcool e relaxasse um bocado"

antes de mais nada quero dizer que nada me move contra as putas em geral.

mas, tolan, achas mesmo que um escritor, para o ser, deverá ser um cliché ambulante?

achas que um escritor deve tratar as suas experiências de vida como mercadorias? um litro de alcool por dia, cinco putas por semana, e depois relaxar e escrever?

é que nada é mais artificial e planeado do que o "relaxamento". o descanso está tão calendarizado como o trabalho, nos tempos que correm. a arte não surgiu na mente dos homens das cavernas quando estavam a descansar, surgiu durante a caçada, ao assistir a morte de um ente querido. e estas coisas não se planeiam e depois delas ocorrerem não se descansa. que se fodam os relaxados.

achas que o bukowski, que tanto aprecias, escrevias os seus textos em perfeito estado de nirvana, depois de se encharcar em alcool? tenho as minhas dúvidas. basta ir a wikipedia, repositório de todo o conhecimento humano (lol) para ficarmos a saber que bukowski era espancado pelos pai em pequenito, e que nos primeiros anos da sua adolescência descobriu o alcool descrevendo-o como "This [alcohol] is going to help me for a very long time"

há ali muito medo e muita angustia. muita "undeserved pain".

como disse anteriormente, que se fodam os relaxados.


divaguei e nem cheguei ao cerne do teu post. mas é que acho que é nestas pequenas frases soltas que estão as ideia que valem a pena discutir.

nunca li almada negreiros por isso não posso opinar sobre a sua obra.

Plaft, Sílvia disse...

OH-MEU-DEUS o Goncalo M Tavares é leitor do Tolan O_o

Tolan disse...

estava a ser irónico na questão do "escritor que é escritor" e das putas e da bebida. Não acho que o escritor tenha de abordar experiências de vida biográficas, nada disso, a não ser que seja um escritor do tipo que se escreve a si próprio e constrói uma personagem / alter ego com base nas suas experiências e na sua vida.

O Bret Easton Ellis diz que fez o Menos Que Zero só com base em tretas da televisão e todos pensaram que ele conhecia o jet set todo de LA, mas o livro também transmite essa frieza emocional e desligamento emocional de quem está a descrever bonecos a tomar drogas e a andar por aí em experiências sórdidas e cruéis. O 'biográfico' é o Bret Easton Ellis ver trash tv e o Beverly Hills 90210 e achar que mostrar um lado negro daquilo é um tema. Já o Gonçalo Tavares, quando cria cenas em que quer transmitir crueldade ou esse tipo de coisas, como no Aprender a Rezar na Era da Técnica numa cena ridícula entre um pedinte que se humilha e um cirurgião sádico, todos com nomes estrangeiros, é simplesmente falso e cliché. Ficamos conscientes que nem o Gonçalo alguma vez rastejou por uma côdea de pão, como também nunca obrigou ninguém a humilhar-se, como também não via o Beverly Hills 90210. Como pode alguém perceber " era da técnica" sem ver o Beverly Hills 90210, sem ter um relógio garmin com gps, sem jogar Call of Duty na PS3... não entendo.

Anónimo disse...

Anonimal diz:
Com muita pena minha, hoje apetece-me ser violento com vocês.

Antoine Doinel vai acompanhar o filho Alphonse, que está a aprender a tocar violino, à estação e recomenda-lhe que estude muito violino, para se tornar no melhor músico, e o filho pergunta-lhe: 'o que é que acontece se não conseguir ser o melhor? Não faz mal, vais para crítico...'

François Truffaut, Amor em Fuga

Cambada de Alphonses...

banalidade? clichés? será que já alguma vez utilizaram os serviços de uma profissional? sim... profissional. e agora é imaginar o inferno que é passar a fronteira (seja de um lado ou de outro).

passar para lá das banalidades... não é para todos. lê-lo e conseguir ver para lá das banalidades... também não.

considero que abandonar um livro a meio é como começar a correr uma maratona e desistir aos 20km por causa de uma bolha. e sentar-se no passeio a choramingar porque julgava que ia ser mais fácil. a puta da maratona não correspondeu às expectativas. ai as putas das expetactivas... e a merda dos direitos adquiridos a obras primas.

qualquer criação é uma obra prima caralho.

estou furioso com este post.

se o atiraste para o lado mais ou menos a meio com é que sabes que não tem um fim genial?

Olha que caralho.

E agora perguntas: Mas quem é que pediu uma lástima de opinião?

uh... boa pergunta!

Tolan disse...

humpf... talvez volte ao livro... podes ter razão, neste caso em concreto (há livros que logo à primeira página dá para ver, não me lixes). Em qualquer caso farto-me de mudar de classificações do goodreads. AInda hoje o donuts no café vinha mais duro e massudo e 3 ao Incesto do Sá Carneiro em vez de 2.

Vareta disse...

ímpio

Vareta disse...

"Depois, há qualquer coisa que me difícil de digerir: a inclusão de aforismos (sem um Lord Henry para os tornar credíveis e relevantes), os discursos e reflexões filosóficas intelectuais... Apontei o mesmo problema no L'Age de Raison do Sartre ou na Aparição do Virgílio Ferreira: sentimos que o romance é instrumentalizado e esquematizado para transmitir uma ideia e infelizmente o autor até consegue fazê-lo e no processo sinto-me instrumentalizado, como se me estivessem a dar uma aula e a usar uma história para escorregar melhor." - Literatura=Histórias, certo? Vai ler a Bíblia, pá.

Anónimo disse...

a literatura é muito mais que "histórias".

mas eu percebo o tolan, também não gosto de ser enganado por filósofos de pacotilha.

e o gonçalo m tavares tem um pouco disso. não partilho a opinião do tolan sobre os "livros negros" que li e adorei. mas as "breves notas" são uma "fraude". um esbulho de tempo e de dinheiro.

nada pior que sentir que estamos a receber uma lição sem a termos solicitado.

no fundo o que saramago dizia sobre cavaco: sempre que fala está dando uma lição, no entanto só o faz porque tudo o que diz é banal, é uma espécie de génio da banalidade. (se não foi isto foi parecido)

o que não falta por aí são génios da banalidade mas porque dominam um mais estilo professoral, que
é sempre tão apelativo, são logo promovidos como autores densos e profundos.

assim de repente, eu diria que lobo antunes é outro que é mestre nesse estilo. não o suporto por isso.

mas sim, literatura não se resume às histórias.

Tolan disse...

-_- vou mas é postar gatinhos.

Anónimo disse...

Seguro e infalível é postar cães a caçar passarinhos.

Anónimo disse...

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