quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ponto de situação sobre as editoras, envio do romance e apelo

Está tudo a correr bem nisto do envio a editoras.  Aliás, antes de enviar o romance, já recebia convites de editoras e fabricantes de brindes diversos que, por módicas quantias, me aliciaram para negócios muito favoráveis para o meu lado em edições de autor ou pfd on-line. Como sou generoso e me preocupo sinceramente com o sucesso do mundo editorial, prefiro doar a maior parte dos royalties a uma editora do que ser guloso e ficar com todos os lucros para mim. Um ex-amigo disse-me assim aqui há dias: olha e se nenhuma te quiser? Já pensaste nisso? Não vais desanimar pois não? Se calhar não é desta, se calhar vai mesmo ter de ser edição de autor e prepara-te e beca beca beca...

Não percebi o que me queria dizer com aquela conversa, mas de qualquer modo não lhe levei a mal. Existe uma enorme disputa entre as maiores editoras portuguesas (e algumas estrangeiras) para ficarem com os direitos do meu romance, pelo menos, as que já o receberam e contam nos seus quadros com pessoas que sabem ler português. Isto, infelizmente, excluiu a Shinchosha/Tsai Fong Books que edita o Mishima em japonês e que me mandou este gif animado de um Pikachu em resposta.
 

Deduzo o interesse das editoras pelo facto de todas as moradas de e-mail serem válidas até agora, o que podia não ser o caso. Nenhum veio devolvido com a mensagem "undelivered: the recipient e-mail does not exist", técnica que eu utilizaria se fosse editor e recebesse o que eles recebem todos os dias.

Bom sinal, portanto. Por norma, a reacção à recepção do documento word contendo o romance está a ser um profundo silêncio, para ser mais preciso, uma ausência de resposta (sim, podiam enviar-me silêncio num e-mail em branco por exemplo). Interpreto isso como sendo prova de uma enorme reverência e timidez. Afinal de contas, como me sentira se Dostoiévski ou Cervantes me enviasse um draft de romance para eu avaliar? Semanas de choque, sem dúvida. Muitas semanas. Talvez meses ou uma vida inteira até.

Houve duas excepções, para além do Pikachu. Um que dizia apenas "reenvie a fulano xis, o responsável pela edição". Isto foi alguém que, para além de estar preocupado com eu não ter tempo a perder com palavras, simplesmente não quer ter a responsabilidade de decidir, pois isso iria catapultá-lo para os livros de história literária para os próximos séculos e os editores são discretos e humildes, para além de simpáticos e afáveis, inteligentes, enfim, um sem número de qualidades  profissionais, humanas... Creio até que nesta fase se destacam de todos os outros seres humanos na excelência com que praticam a actividade de ser humano em geral.

A outra exepção ao silêncio, foi um aviso de que demoravam 2 a 3 meses a dar resposta porque todos os dias recebem dezenas de romances muito inferiores ao meu. Enfim, não disseram isso de serem muito inferiores ao meu porque não querem destruir os sonhos de pessoas que gostam tanto de livros que às tantas metem na cabeça que também os querem fazer para mostrar como é que se faz. Mas recebem muitos. É uma coisa que confesso que não fazia ideia e que uma amiga do mundo da edição me confirmou. As editoras recebem dezenas e dezenas de manuscritos por dia e chegam a ter na pilha do unread mais de cem.

Gostava, por isso, de lançar aqui um pequeno apelo aos aspirantes a escritor: por favor não enviem mais coisas às editoras até eu receber a minha resposta. Não só estão a causar um engarrafamento no worfklow da minha consagração e a irritar e cansar editores, tornando-os menos predispostos a identificar um enorme talento, como também não vale a pena de certeza porque vocês são muito  maus. Nunca se adia demais uma rejeição. E em todo caso, mais vale preparar-se para ela. Até eu, vejam bem. Aliás, no caso improvável de uma das quarenta e três editoras e o centro de fotocópias do Colombo me rejeitar o romance, eu próprio responderei a esse improvável e-mail com um lacónico "message ignored: the writer e-mail does not care :P :P :P and peixoto sucks :P :P"

25 comentários:

a.i. disse...

Tolan, esse silêncio só pode querer dizer uma coisa: as editoras não lêem o Tolan ou então não sabem que o Autor (desse livro que escreveste) e o Tolan são uma e a mesma pessoa. Não desfazendo das qualidade literárias que o teu livro terá, tens de fazer alguma coisa para mudar esse estado de desconhecimento, talvez? (penso que é assim que outras pessoas conseguem editar livros -é revelando o seu nome e associando-o a um blog com muitos leitores).

Tolan disse...

Hmm... blogues com muito leitores... o meu só tem 600, 700... podia associar o meu nome ao Arrumadinho, mas acho que não seria credível. Vou falar com o Rogério Casanova ou com o maradona que praticamente já nem usa o blogue. Se calhar não se importam se eu disser que sou eles. Aliás, vou associar aos dois e ao tolan também, digo que sou eles. Se calhar nem falo com eles antes, faço isso... discretamente...

a.i. disse...

também acho que não seria credível associares-te ao Arrumadinho. Alguém escreve como tu escreves (i.e. muito bem, com imensa piada, um raciocínio escorreito, sem usar repetições nem qualquer outro bordão de escrita) nunca poderia ser identificado com o Arrumadinho.
O que eu queria dizer era que se as editoras fossem leitoras do Tolan (e soubessem que escreveste um livro) iam querer logo editá-lo.

POC disse...

Estou mais naquela de estarem todos pasmados com a qualidade. Ainda nem chegaram à fase do "belisca-me".

Abraço de sorte.

Tolan disse...

obrigado a.i., é muito melhor quando tu escreves essas coisas a propósito de mim, poupa-me a trabalheira de criar contas no google e fazer logins e logouts. Não que alguma vez tenha feito isso.

mas a sério, eles recebem mesmo enormes quantidades de coisas para ler, não estava a brincar na parte do demorar tempo.

Bolacha disse...

Acredito que o processo vai demorar bastante tempo porque os tipos vão querer ler várias vezes o manuscrito não só por causa dos procedimentos habituais como também para ter a certeza de que tamanha obra existe e está nas suas mãos - se estiver muito enganada, conheço um sítio no Campo Pequeno que faz fotocópias mais baratas que no Colombo. Também acredito que vais corrigir o “Pikashu” para “Pikachu” de modo a que eu consiga dormir bem esta noite. :)

a.i. disse...

hahaha, é por essa dos logins e logouts que nunca ninguém iria acreditar que o tolan pudesse ser o mesmo que o arrumadinho. Só alguém que não se leva demasiado a sério pode fazer piadas assim.

Izzy disse...

800 rejeicoes, oi-to-cen-tas!

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Tolan disse...

AHHH! escreve-se Pikachu! Então isso explica o e-mail que me enviaram depois quando eu respondi "oh, i love pikashu, my book is all about pikashus":

悪魔人ダボ pikachu! :( 此奴煩い

Anónimo disse...

"Aqui à dias Tolan"???? Não me admira que não te editem...

Tolan disse...

Outra coisa, já agora, também é errado colocar vários pontos de interrogação e exclamação, tipo "????" ou "!!!!"

Acredita que se vê muito disso em e-mails e textos profissionais, há pessoas que pensam que um ponto de exclamação ou de interrogação não chega e dá um efeito mesmo muito feio de bronco hiper-expansivo e ressentido, um estilo que caracteriza os comentários on-line da imprensa portuguesa, isso e o caps lock. Um exemplo:


"Mais impostos????? DEVIAM ERA IR TODOS PRESOS!!!! Há com cada um!!!!"


repara que o senhor do comentário escreveu "há" como deve ser e no entanto a impressão que deixa não é positiva.


Por exemplo, no teu caso, o que tu querias na verdade era um '?!', pois o ?! transmite a impressão de espanto interrogativo e exclamação. Aprendi que a fórmula correcta é ?! e não !? como eu fazia sempre. Foi a Plaft que me explicou isto.

Tolan disse...

quanto ao "à" é um lapso, imperdoável, mas um lapso, como se pode ver pela profusão de "hás" e de "às" bem aplicados que caracteriza a minha obra. É graças à ajuda que grammar nazis como tu e a Plaft que ao longo de 10 anos reduzi o volume de erros graves de 4 ou 5 por post para 1 ou 2.

Maat disse...

e se quisermos ser mesmo picuinhas 'é graças à ajuda de grammar nazis como tu e a Plaft que...' :)

Anónimo disse...

Anonimal pergunta:

e se todas as 47 quizerem publicar o teu coiso? vais ter que rejeitar 46. logo 46 que nunca mais te irão publicar. quando a que tu escolheres for à falência o que irás fazer?
obrigado!

Anónimo disse...

Anonimal diz:
"Quizer" é forma antiga. Atualmente, o correto é "quiser", com "s".

só para o caso de alguém ficar abespinhado. até porque escritor que é escritor usa letra pequena e não usa virgulas nem cenas assim.

W-er9er disse...

Tens de enviá-lo em papel A4. Não garante nada, mas é melhor que um documento digital. A Chiado Editora, edita.

Ou edita pelo euedito.com.

gajo sensato q lê os cláçicos disse...

a progressão literata é geométrica
não aritmética.
se ontem existiam 2 kerouacs e 4 millers, hoje existem 8 kerouacs e 64 millers. por isso cada vez menos brotam à flor do papel.

e já agora disse...

The town and the city, primeiro esforço de kerouac, antes da drogaria, foi brutalmente rejeitado, e editado passados 5 anos de escrito.

Tolan disse...

anonimal, o meu coração saltou uma batida, pensei que tinha escrito quizer no post -_- um erro que eu fiz durante anos e que os grammar nazis nunca me corrigiram foi "obcessão". Na minha ingenuidade, se o correcto era obcecado, então era obcessão e não obsessão. Isto foi um erro que me obsessionou muito tempo.

Tolan disse...

W-er9er, também me disseram o contrário.

anonimal, quando a primeira for à falência, monto um projecto alternativo editorial para disfarçar as edições de autor. Crio uma editora para mim.

Peppy Miller disse...

vá, vai tudo correr bem :)

Palmier Encoberto disse...

Tolan... então?! Basta que nos dês indicação e nós inundamos as 47 editoras com e-mails, a solicitar, de forma absolutamente desesperada, romances que versem, precisamente, sobre o tema do teu livro!

Maria D Roque disse...

"Esperar é ainda uma ocupação. Terrível é não ter nada que esperar."

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