terça-feira, 9 de outubro de 2012

the doors, a banda mais subvalorizada de sempre

Gosto de meter "de sempre" em tudo o que faço ou digo. "Gostas deste esparguete com camarão que fiz? Não é o melhor esparguete com camarão de SEMPRE?" Ok. Ao contrário de tantas outras bandas da época, os The Doors suscitam em muita gente musicalmente erudita uma reacção alérgica. O problema é fácil de identificar. Os The Doors tiveram um pico brutal com o filme de Oliver Stone e na década de noventa foram quase tão mainstream (do ponto de vista cultural) como os Nirvana, Pearl Jam ou Guns N'Roses. Em vez de terem uma  repescagem crítica aquando da edição de um qualquer álbum perdido ou de uma colectânea, os The Doors entraram pelas rádios comerciais adentro sem dó nem piedade. Toda gente tocava o light my fire na guitarra e a imagem do Jim Morrison encarnada num Val Kilmer histriónico e imbecil foi um ícone da época. Também havia um bom fit entre a música / look dos The Doors e a cultura dos 90, o Jim do Stone era um ganda maluco, bué da fixe e rebelde, tipo drogas e rock, mas bué de sensível e poeta. As imagens que ficaram foram as da maluquice em palco, de mostrar a pilinha para a plateia, de andar sempre em tronco nu com calças de cabedal apertadas ou de ser apanhado no elevador com duas gajas hippies. E isto tudo criou (compreensivelmente) um certo preconceito junto de pessoas de bem que às vezes se esquecem que o Apocalypse Now que veneram não era aquilo sem o The End. Não vou perder tempo, que não tenho agora, a explicar porque motivo os The Doors devem ser reavaliados cuidadosamente.
 

10 comentários:

Maria D Roque disse...

Os Doors são incontornáveis. Eu sou suspeita porque faço parte dos dinossauros DAQUELA época, ... ouvir Doors não é só trautear a música,... não acredito que possa haver quem nã goste ! ... but again, people are strange...

Johnny Guitar disse...

«por que», cacete.

(eu até tinha os dois lp's que gravaram sem o Morrison)

anouc disse...

Aaaaah, saudades daquele Val Kilmer giro comó caraças. Agora parece um barril de azeitonas.


Anyways... Doors é bom. É pra lá de bom. Ainda me lembro dos tempos em que a malta se fechava no quarto a fumar e a beber vodka, enquanto ouvia a Riders on The Storm... e ninguém conseguia sair de lá, porque o fumo do incenso era tão denso que ninguém dava com a porta.

Oh... good times.

Bruxa disse...

Os Doors foram a minha banda da adolescência, quando todos ouviam Nirvana. Há 15 anos atrás,portanto. Tenho 33.
Eu fui daquelas malucas que tinham todos os livros de poesia dele. Sabia as letras todas. Fui à campa dele e tudo!!

Anónimo disse...

Eu largava a minha pretinha e casava-me contigo. «pessoas de bem que às vezes se esquecem que o Apocalypse Now que veneram não era aquilo sem o The End.»
Às vezes vai ao centro das coisas. Ao núcleo.
R.

stantans disse...

já eu acho que eles são extremamente sobrevalorizados

R. disse...

Estou como a stantans. Bleh.

R. (não o R.)

Beatrix Kiddo disse...

certíssimo

e os fãs de Doors escrevem "before you slip into unconsciousness I'd like to have another kiss" em guardanapos durante jantares regados

foi bom ter lido isso que disseste do Apocalypse now, teve aquele efeito tipo 'eu sempre achei isto mas não o sabia'...

A Bomboca Mais Gostosa disse...

gosto tannttooo! :)
E gosto do teu blog :)

Anónimo disse...

O Jim Morrison era mesmo histriónico e se calhar um bocado imbecil, mas era um baritno como há poucos na música popular. Os Doors, no sentido estritamente musical (liricamente são medíocres), são de facto muito bons. Eram um conjunto músicos notável. O primeiro e principalmente o ultimo disco são verdadeiras obras-primas. Quem não perceber isto é porque não percebe um caralho de música.