quinta-feira, 6 de setembro de 2012

sinfonia de destruição

O dia começou estranho. Vim fumar à porta do hotel e reparei em 4 metaleiros ali sentados no chão numa esquina. Achei esquisito. Pensei que fossem uma banda e iam ensaiar num sítio qualquer ali perto. Um tinha um blusão de megadeth, botas de biqueira de aço e chapéu de cowboy. Voltei para cima, trabalhar no powerpoint. Depois vesti o fato e desci quando o motorista chegou. Em vez de 4 metaleiros eram uns 12 agora. Pensei que fosse uma festa de anos de um metaleiro e que fossem todos ao Mac comer happy meals ou algo do género. O dia passou, andei de um lado para o outro, ainda deu para fazer compras na óscar freire recebendo por e-mail fotos e referências dos modelos específicos de havaianas que as irmãs da Plaft desejavam possuir (ah, o consumismo...) Trabalhei à tarde no hotel do presidente, acho que bebi cafés a mais. Depois do trabalho e de comer um hamburguer de 15 euros que diziam que era bestial e não era, o motorista levou-me até ao meu hotel. Na rua do hotel, o caos. Já não eram 12 metaleiros. Eram milhares. Estou-vos a dizer, nunca vi tanto metaleiro junto. E eram jovens. Já fui a um concerto de Alice Cooper no Atlântico e aquilo eram velhadas enchouriçados nos blusões a cheirar a naftalina. Ali eram putos, o metal está vivo em São Paulo. T-shirts de slayer, megadeth, metallica, motorhead, bancas a vender bandeiras e merchandising... Percebi que era um concerto de Megadeth pela proporção de coisas de Megadeth nas bancas e na vestimenta dos jovens. Grades na rua, seguranças, o recinto devia ser mesmo ali. Eu ia a fumar com a janela entre-aberta, no banco de trás e metaleiros gritavam "bilhete, bilhete" e contemplavam-me no vidro fumado do carro preto. Com ódio e desdém... Eu simbolizava o mal. Exactamente como neste video de Megadeth: O carro teve de apitar para conseguir entrar para a frente do hotel, o segurança ameaçador do hotel ajudou um bocado ao ameaçar de porrada um que não queria sair de frente do carro e depois eu saí, de blazer e calcinha à beto, a tirar as comprinhas óscar freire da mala de trás, perante o olhar cínico e desaprovador de 50 metalheads de cerveja na mão. Senti-me mal. Eu até sabia tocar o Symphony for Destruction todo. E tenho o cd. Estive para lhes explicar isso. Ainda hesitei. Mas não, achei melhor subir e escrever este post, sossegado. Amanhã acordo cedo. Eu sei, estou a agir como um robot. Mas é assim vocês pegam num homem mortal, estão a ver? Tipo eu. E põem-no em controlo. Vêem-no tornar-se num deus e cabeças a rolar. A rolar, a rolaaaaaAAaaaaar...

5 comentários:

Isa disse...

tudo está vivo e acontece em São Paulo, isso é uma das coisas fascinantes desta cidade. tudo, tudo o que quiseres fazer, ver, estudar, tem. e de qualidade.

Olha, descobri hoje que a h3 chegou aqui. num shopping, nao me lembro da última vez que entrei num shopping.

prá proxima vai à havaianas da Augusta :p
Bjo

Peter of Pan disse...

Só não te envio um olhar desaprovador porque dizes que sabes tocar a Symphony of Destruction e tens o Countdown. Mas nunca me apareças à frente vestido de beto quando eu for entrar para um concerto de metalada.

Tiago disse...

been there, done that. não tem piada ser um rebelde vestido de consultor... quando um "metaleiro" me olha de lado apetece-me sempre perguntar quantas músicas de Metallica é que sabe tocar... aquela coisa de medir comprimentos de $#%".

Maria D Roque disse...

Parece a história do rei vai nu... a roupa importa porque ????

Xuxi disse...

lindo caralho!
o teu melhor post