terça-feira, 4 de setembro de 2012

portugueses pelo mundo

Lembrei-me de uma coisa que queria ter escrito há algum tempo, a propósito do programa Portugueses No Mundo, um programa de rádio da Antena 1 que me irrita solenemente e para o qual a Luna foi entrevistada. Eu oiço a Antena 1 praticamente todos os dias e não entendo o conceito de serviço público daquele programa em concreto. A Luna até foi bastante crítica e realista, mas de resto, todos os dias levamos com o caso de um jovem hiper-feliz porque deixou este charco e está em Sidney, Nova Iorque, Jerusalém, Londres, Timbuktu, Amesterdão ou Toronto, a ter uma carreira fantástica e cheia de oportunidades que não há em Portugal e que só tem saudades dos amigos, da família, do tempo e da comida. Tudo bem. Qual é o ponto do programa no sentido de serviço público? Apoiar a sugestão de Pedro Passos Coelho para que os jovens, formados com dinheiro português, emigrem e contribuam para riqueza dos outros países? Deprimir os jovens (e os portugueses em geral) que ficam neste esterco ou que não têm qualificações para aquelas carreiras? Estão praticamente só a entrevistar elites, pessoas com formação no estrangeiro, engenheiros, cientistas... o emigrante português, mesmo o jovem, é isso? Se calhar deviam focar a atenção em jovens de talento que voltaram, ou nos que se conseguem safar em Portugal (sem pertencer a uma jota) ou nos motivos pelos quais eles não se conseguem safar em Portugal. Esse ponto é o que interessa aos jovens que emigraram porque a maior parte gostaria de voltar, em condições iguais ou mesmo um pouco piores. Esse é o problema a resolver ou não? Que Jerusalém, São Francisco e Bruxelas têm empregos e carreiras já sabemos, especialmente se entrevistarmos jovens talentosos que têm empregos e carreiras e não a doméstica e o mecânico que vivem num subúrbio miserável de Paris.

30 comentários:

Jibóia Cega disse...

Esse programa podia ser de um canal que presta serviço público ou não. Por essa ordem de ideias temos obrigação de discutir a utilidade de qualquer programa da grelha dos canais enquanto prestadores de serviço público.

Em relação à tua sugestão, já existe um programa parecido da RTP: "Viagem ao centro da minha terra" que fala de todo o tipo de pessoas e suas ocupações em vilarejos "perdidos" por esse Portugal.

Xuxi disse...

Estou em perfeito acordo com este post

Me, My Shit and I disse...

Concordo.
Mas em boa verdade 90% dos programas culturais/educativos/informativos são tendenciosos.

De certa forma compreendo, o intuito será mostrar os casos de sucesso e provar q é possível vingar lá fora. (embora p mim tb n seja novidade q, p quem é bom, num mercado mais justo e com mais oportunidades as coisas sejam sp fáceis qb)

Mas sim, tb seria interessante confrontar isso com as centenas de casos com um "final menos feliz". E mostrar q mm vingando as coisas n são sp um mar de rosas.

André disse...

Passava um programa na RTP1, não sei se ainda passa, que penso que tem o mesmo título. Um amigo meu (licenciado) foi contactado para uma possével colaboração/entrevista - mas desistiram quando descobriram que só trabalhava na recepção de um hotel em Barcelona - nada que ver com a sua área de formação... Na verdade, a maioria das pessoas com qualificações que emigrou nem sequer está a trabalhar naquilo para que tem formação. Só seleccionam os bem-sucedidos... e, acreditem, é uma minoria. Sei bem - que também sou licenciado e emigrante - e conheço tantos nessa situação. Pelo programa parece que se chega a um lugar, e pronto: «aqui tens o lugar que te estava destinado» - fadado, quero dizer...

Enfim, hoje em dia o meu amigo já não está em Barcelona. Foi para Macau. Continua a ser licenciado. E continua a trabalhar na recepção de um hotel - mas agora é o responsável por 400 pessoas! [Não sei se assim, mesmo não trabalhando na sua área de formação, já poderia ser entrvistado?]

D.S. disse...

Esse programa, tal como o Portugueses pelo Mundo da RTP, serve para mostrar aos portugueses que nós portugueses conseguimos ser tão bons como os outros (leia-se: estrangeiros). Um dos grandes mal do nosso povo é o eterno complexo de inferioridade. Acho que é uma grande lição. E depois claro que é muito interessante ver que há portugueses nos mais surpreendentes cantos do mundo como Singapura ou Havana.

Se formos pelo ordem de ideias do post então porquê passar notícias de outros lados do mundo se o que interessa é saber e resolver a situação do país? Ou porquê passar documentários sobre a Índia ou as Caraíbas ou o Pacífico? Está-se a encorajar as pessoas a passar férias no estrangeiro, vamos é mostrar só Portugal para que passarem férias cá dentro.

Para mim é serviço público pelo abre-horizontes que é e por me dar uma coisa que eu não conseguiria obter em mais lado nenhum; o que é o oposto de passarem um filme ou uma série.

Maria D Roque disse...

Porque é que não entrevistam os idiotas que vão à procura do Eldourado e amachucam, , muitos em troca de casa e pocket money para comer todos os dias, depois de promessas de contratos milionários - estou a falar da Arabia Saudita e de futebol- e só conseguem regressar a Portugal, com uma mão à frente e a outra atrás, porque o consulado conseguiu documentos provisórios e pagou o bilhete de avião...

Tolan disse...

DS, se ficas reconfortada com essa perspectiva, ok. Eu admito que também fico orgulhoso pelo Mourinho e o CR7. Mas a mim preocupa-me e entristece-me que Portugal não tenha condições para oferecer emprego e carreira aos jovens e que, ainda por cima numa estação pública, se faça uma apologia dessa situação ao espetar nos ouvidos do pessoal que vai a caminho do trabalho a convicção de que o melhor mesmo é ir embora. O programa só reforça essa constatação, mesmo que o seu objectivo seja criar um retrato idílico, ingénuo e sensaborão. Já basta um primeiro ministro que nos sugere emigrar, o que também só reforça que lá nas cúpulas do poder ninguém tem propriamente um plano ou uma estratégia para inverter esta situação.

Tolan disse...


Mas vamos colocar isto em perspectiva, é só um programa de rádio (a declaração do PM é bem pior e mais significativa). E sou optimista ao ponto de considerar que tal como os emigrantes do passado trouxeram os telhados pretos e os azulejos exteriores e até chalés para Portugal, a nova geração um dia volta (ou parte dela) com um know-how e uma mentalidade diferente e coisas podem mudar. Tenho essa fé, talvez utópica, mas tenho :)

Desbocado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andorinha disse...

Tolan, eu nao ouvi a entrevista da Ana e so vi o Portugueses pelo mundo em Amesterdao pelo que nao posso falar sobre o conteudo do programa em geral, mas posso-te dizer q: em Amst tb entrevistaram pessoas nao licenciadas mas q encontraram uma ocupacao diferente; na Holanda ha imensa (mesmo mta) gente sem curso nemhum e que trabalha normalmente em qq empresa, alias, eu sou a unica formada na minha equipa e somos mais de 25

Isa disse...

Tens o link pra entrevista da Luna? gostava de ouvir.
Bjo

Andorinha disse...

Estou a escrever no telemvl e isto ta cheio de erros q nao consegui apagar, mil desculpas.
Continuando: eu repito inumeras vezes q nao e' facil emigrar, mas na holanda so nao trabalha quem nao quer. Ha mtas areas a que se dedicar q nao exigem pessoas formadas ou q se fores formado tas contratado na mesma pra mudares os lencois das camas. E conheco mto boa gente q o faz e tem canudo. A diferenca e' q se fores bom a varrer escadas podes concorrer a outra coisa melhor, aqui uma telefonista pode chegar a directora de marketing em ano e meio. Se das ao litro es recompensado.
Last but not the least: ha 4 anos e pico q ca estou e so conheci um portugues da nossa geracao q nao era formado e dizem as mas linguas q eu sou a gaja q mais tugas na holanda conhece, ou seja, sou pior q o Ze dos Plasticos. E posso ter mtos defeitos mas nao sou elitista. Esta vaga do ministro (e' assim q lhe chamo) veio na sua maioria de Nov 2011 pra ca. Sao mtoooos! E ninguem estava em PT a passar fome mas todos, um por um, estavam fartos de serem estagiarios aos 30 anos, de reciboa verdes ou pura e simplesmente aborrecidos pq leem a vida dos amigos ca fora e acham a deles um tedio.
O q esta malta nao sabe, e nao sei como versar um programa sobre isso, e' q 'a falta de almocos de familia e amigos de sempre, sobra-nos tempo a mais q enchemos q nem chouricos a fazer tudo aquilo pra q nos desafiam. E assim se lambem programas de duas horas de musica experimental q nos traumatizam mas q dao bons posts no FB ou no blog.
Em Portugal vive-se bem mas nao se tem qualidade de vida q nao e' guito, e' tempo livre. A minha empresa nao me contrata de volta pra PT nao e' pq nao haja um cargo a minha altura, e' pq os clientes q tem estao tesos e como tal a minha empresa (e a tua) nao pode dispender mais verbas e vai fazendo o q pode com a prata da casa q trabalha 12 horas pra nao perder o emprego. E eu nao quero voltar a trabalhar 12 horas tb, nem sequer 10, logo nao volto.
Como e' q se faz um programa a explicar a gentinha e pessoinhas aquilo q disseste tao bem no teu post da entevista da gaja vestida de fato? E isto ja dava 4 posts e doi-me os dedos do telemvl.
Resumindo: entendo-te, mas nao consigo ver o q e' q acabar com um programa como o Ppmundo poderia
Fazer pelas mentalidades doa chefea de PT q acham q so se trabalha bem se estiverea debaixo d'olho e ate as 10 da noite. Tb nao tou a ver como se fazem reportagens sobre isto,mas be my guest
Saudacoes emigras!

Isa disse...

porque pra ver desgraça já nos bastam os telejornais todos os dias; porque te mostra que há lugares onde podes ser mais feliz; porque te mostra que o mundo pode ser teu; porque o objetivo não é dizer que é difícil, isso ja tu deves saber, nao é desencorajar, é encorajar quem tem vontade de sair e de procurar uma vida melhor, que nao tem necessariamente a ver com o saldo bancário, mas sim a ver contigo, com uma satisfação pessoal, tua, não do mundo/para o mundo.

o meu irmão mais novo foi entrevistado pra esse programa mas na rtp, ele foi pra lá estudar, foi um investimento que fez nele próprio. e deu uma entrevista bem gira, ele é meio palhaço... mas eu tenho o maior orgulho nele, pq faz o que gosta, é artista e seguiu o coraçãozinho dele, nao deixando de ser profissa, mas, lá está, nao é rico, nem desiste...

qto à frase do passos, não me pronuncio. acho até que ja me pronunciei, agora me lembro, aqui:
http://ecaequeeessa.blogspot.com.br/2012/07/reinventemo-nos.html

quanto a ti, só te digo uma vez, vai escrever!
bjo

Isa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isa disse...

olha aí, chama-se manuel duarte, o miúdo :p

http://www.youtube.com/watch?v=MH997uiQTdo

tinha-me esquecido do link, porra...

Sãozinha disse...

Como costumo dizer, fiquei cá, agora levem comigo. Mas olho para estes programas e penso...e se? E sejam quais sejam as motivações, o ir já é motivo de orgulho pessoal.

Tolan disse...

Eu nunca censurei os que emigram. Acho muito bem que cada um escolha o seu caminho e tenha o sucesso que merece. E sem dúvida que muitos têm de o fazer. Já aqui escrevi sobre mim, sobre essa opção que está muitas vezes em aberto. Mas num programa, acho que é mais útil o foco nos problemas e nas soluções para criar empregos e vidas aqui. Mudar isto aqui, pensar nisso, discutir isso, ver o que está a funcionar mal, dar ânimo às pessoas para que não desistam e tentem fazer coisas disto. Estamos a passar um mau bocado. Parece-me imbecil encherem-nos os ouvidos com "lá fora é que se está bem" todos os dias.

Isa disse...

eu entendi, Tolas. Mas talvez um programa não seja o espaço indicado para fazer o que falas, apesar de também achar que é preciso e é urgente, aliás...
Bjo, fica bonzinho.

Luna disse...

Bem, eu acho que embora tenhas razão numa parte do que dizes, porque talvez as perguntas feitas nem sempre sejam as mais importantes - o que num programa de 5 min também é difícil - a ideia é mostrar as diferenças culturais e as dificuldades que quem emigra tem de ultrapassar, o que é melhor ou pior que em portugal - e sim, temos saudades dos amigos, da família, da comida e do tempo - e que ninguém emigra só por emigrar, e quais as razões por que o fez. E talvez este ponto nao seja desenvolvido o suficiente, mas é sempre uma das perguntas respondidas.

Su disse...

Eu já estou na minha quarta experiência no estranegeiro, entre trabalho e estudos. Posso dizer com toda a propriedade que esse programa que irrita profundamente. Ninguém é melhor ou pior porque vai ou fica. E se é para alguém ser melhor, eu arriscaria dizer que até é o tipo que fica em Portugal. Porque os que são MESMO bons em Portugal, não têm assim tantas dificuldades em arranjar emprego.
Posto isto e não sendo eu dada a teorias da conspiração, isto é de facto uma forma de estimular a emigração por parte do governo (não se vêem estes programas na sic ou na tvi). Eu estou agora a fazer o INOVContacto e não vos passa pela cabeça a lavagem cerebral que nós recebemos para ficar nos nossos países de destino.

mago disse...

O que a Andorinha diz nos seus comentarios esta' "spot on".

Esta' agora a fazer um ano que vim para Sydney, e ja' fui entrevistado para o programa da RTP (acho que ainda nao passou ai'). Tentei ir dando uma ideia equilibrada do que e' vir viver para o outro lado do mundo mas nao fiquei muito convencido com a orientacao que a conversa foi tomando, e sinceramente acho que a minha parte vai ser vendida como tu dizes (vivo em Bondi Beach, comecei a fazer surf aqui, etc). Coisas como "chove mais em Sydney do que em Londres" nao devem ser muito apelativas... Mas ainda assim acho que estes programas sao importantes para abrir as ideias da malta que ai' esta'.

Nao acho que a ideia seja so' mostrar o quao bem se esta' fora de Portugal, ainda que, mais uma vez, a Andorinha tenha descrito a coisa na perfeicao: "Em Portugal vive-se bem mas nao se tem qualidade de vida". Mas acho que, mais do que isso, este tipo de programa pode ser um "empurrao" importante para alguma malta que tem a ideia de ter uma experiencia no estrangeiro e que acaba por nao se mexer - nao fazes ideia da quantidade de pessoal que, quando anunciei que vinha para Sydney, me dizia sempre o mesmo: "que inveja", "adorava", "tambem quero ver se consigo ir", etc. Mas depois quem e' que se mexe realmente para isso? Quem e' que vai mesmo atras da oportunidade? No meu caso, que e' simples na medida do possivel (fiz transferencia de escritorio numa multinacional de consultoria), andei uns 3 anos a insistir, trabalhar, esforcar-me para a coisa acontecer. E o que e' que a maioria da malta que "adorava" vir para Sydney faz para isso? Pois.

Acho que tudo o que contribuir para uma mudanca deste tipo de mentalidades, seja na atitude "go-get" daquilo que verdadeiramente queres, seja depois pelas realidades com que contactas quando estas fora do teu pais e da tua zona de conforto e que contribuem para expandir / alterar a forma como encaras qualquer desafio (pessoal ou profissional), sao essenciais para uma mudanca profunda no Portugal futuro. E nesse aspecto, acho que e' de continuar com este tipo de programas, resistindo na medida do possivel `a "cor-de-rosarizacao" das historias mostradas.

Ja' agora, emigrar para mim e' um conceito demasiado forte, pelo menos eu encaro esta minha vinda como parte de uma mobilidade global, uma oportunidade que a nossa geracao pode e deve aproveitar - e' dificil explicar isto `a geracao dos nossos pais, por exemplo. E' apenas o elevar a uma escala maior (em termos de distancia e de tempo) das tuas experiencias no Brasil. Sei que vou voltar, e que nao vai levar tempos absurdos ate' voltar...

E ja' agora, so' para acrescentar que estou neste momento em contagem decrescente (a horas) para apanhar o aviao de volta a Lisboa pela primeira vez desde que ca' estou. E e' mais uma experiencia a juntar a todas as outras.

Abraco.

RCA disse...

Obviamente concordo que estes programas são facciosos e não apresentam de manewira alguma a realidade da esmagadora maioria dos que emigram. Ou nem conseguem emigrar, como os que ficaram à espera dos autocarros para a Holanda.

Mas dizer que o país devia isto e aquilo, que devia haver emprego para os jovens, pois havia e que os jovens não deveriam ter de emigrar e que até voltavam para Portugal mesmo a ganhar menos, é porreiro e um gajo até se fica a sentir bem.

Acontece que nós acabamos de sair duma tanga, em que o estado fazia de conta que ainda podia imprimir dinheiro e gastava-o como se não houvesse amanhã. Ele era hospitais, escolas novas ou recuperadas, autoestradas e o que mais fosse preciso. Esse é um conceito muito querido da esquerda, que sempre que pode aparece a dizer que não aumenta impostos e que toda a gente vai ter uma casa, um emprego e educação. Estranhamente nunca aparece a dizer como paga isso tudo. Ou aparece. Não se paga a dívida externa.

Para mim a realidade é simples, somos um país de 10 milhões de habitantes, uma grande parte deles a viver perto do limiar da pobreza ou sem grande desafogo. É difícil ter empresas, não chega falar da PT, EDP, EFACEC, YDreams e outras, como exemplo que é possível ser bem sucedido cá e lá fora. A maioria vê-se e deseja-se para ser bem sucedida. Por isso, numa economia em que chineses, coreanos, indianos... conseguem fazer quase tudo bem e barato, vai ser mesmo difícil mostrar como é bom ser jovem em Portugal. E não vejo que em 10 ou 20 anos se consiga fazer grande coisa de diferente. Está quase a fazer 20 anos que foi apresentado o relatório Porter e sobre isso não há nada para mostrar.

Espero que não tenha ficado implícito que penso se deva incentivar a emigração dos jovens. Mas porque é que os que são capazes não hão-de tentar viver o pleno das suas capacidades onde lhes proporcionam condições? Vamos condenar toda a gente à mesma mediocridade? Vamos reapossar-nos de Angola, Moçambique... ou até mesmo do Brasil? Assim deixam de ser emigrantes, passam a ser colonos! Soa melhor?

marocas disse...

A ideia deste programa, do programa da RTP e também do Primeiro Ministro, é tentar mostrar às pessoas que a noção de fronteirismo vai, com o tempo, deixando de fazer sentido. Isto é o planeta Terra, por isso acho muito bem que o serviço público de rádio/televisão e que o próprio governo me tentem meter isso na cabeça.

Agora, escolherem o neurocientista em Harvard em vez do empregado de mesa do "Zé-Tó - Portuguese Tasca" em Newark é outro assunto e aí concordo contigo.
Uma vez em Stockwell tive num restaurante português em que ao entrar (eram 15:30) perguntamos:
- Ainda se pode almoçar?
(empregado de mesa) - Pode-se e deve-se amigo!
Isto não é bonito?
Ou então (ao levar duas canecas de Sagres para a sala do restaurante) - Para quem é que são as meias de leite?

Só para dizer que adoro mais os portugueses que estão lá fora do que os que estão cá dentro. Entenderam que isto é um planeta e que as oportunudades estão em todo o lado. Seja aqui ou na Jamaica.

Tolan disse...

A globalização verdadeira é estar baseado em Portugal e trabalhar no mundo inteiro. Não é ir de trouxa às costas para outro país à procura de emprego. E vocês estão sempre a falar no individual. Eu estou a falar do país. Volto a dizer, acho muito bem que emigrem, bolas. Acho que é a situação actual é péssima para o PAÍS. Uma coisa é as pessoas emigrarem porque não há cá nada, empregos etc. Outra é fazer disso um desígnio nacional, abdicando e desistindo de fazer com haja aqui oportunidades e isto melhore. Só isso.

Isa disse...

fónix, tive de ir ver o que quer dizer distopia...

nao discuto SP contigo nem fodendo. aliás, nos tempos que correm não discuto nada com ninguém.

quanto ao resto, e todos percebemos a tua ideia, do coletivo e nao do individual, estava a pensar escrever um post a responder-te, quanto às soluções e tal. nao sei se sabes mas eu, e uma amiga paulistana, temos as soluções para todos os problemas da civilização ocidental, só que tenho mais que fazer, coisas assim tipo urgentes, nomeadamente resolver a minha vidinha, e nao sei se quanto tiver tempo a coisa ainda se justificará. seja como for, depois de 25 comentários, tu próprio já terás pensado numa série de soluções para os problemas que se aprensentam. pq é mt bonito isto do temos que, mas de boas intenções... olha, pergunta à Rita Maria :|
Bjs

mago disse...

Agora e a minha vez de comentar a partir do telemovel, e como para alem disso estou a responder do aeroporto nao vou conseguir elaborar muito...

Estive a tentar (ja e a 3a vez que apago e recomeco este paragrafo) mas nao consigo encontrar maneira de te explicar condignamente a diferenca ao nivel do estilo e qualidade de vida. Pode ser do vinho do lounge, nao sei, mas fazemos assim: 5f vou jantar e beber uns copos com o Diego e mais uma malta de blogs benfiquistas, se quiseres juntas-te a tertulia e tento explicar-me melhor.

De qualquer maneira, e com todo o respeito, um bom exemplo de raciocinio provinciano e achar que a emigracao se resume a trazer a trouxa as costas e vir a procura de um emprego melhor. E digo isto ao mesmo tempo que reforco que nao me considero emigrante.

Ja em relacao ao vinho bom e barato, tens toda a razao do mundo :) Ate doi ver os precos de entrada dos vinhos aqui.

E pronto, esta na hora de embarcar. E para que nao restem duvidas: Portugal e do caralho sim senhor, e so de pensar que daqui a pouco menos de 30h estou de volta a Lisboa... Bom, era isto. Abraco.

Isa disse...

Entretanto não precisei de escrever um post, mas apenas uma frase: a mudança é do individual pro coletivo, não o contrário. Bjo

AnaLu disse...

Percebo perfeitamente onde queres chegar. Concordo que sim, os jovens portugueses precisarão mais, nesta altura, de exemplos inspiradores vindos de dentro do que de relatos do "admirável mundo novo" dos que vivem lá fora. Não se trata de questionar a utilidade de um portugueses pelo mundo mas sim de alargar o espectro das possibilidades e sobretudo focarmo-nos naquilo em que nós precisamos mesmo de nos desenvolver enquanto colectivo. Debater problemas, procurar soluções, explorar casos concretos de gente activa e interessante. Porque a verdade é que o "abandonar a choça" é o único discurso instituído (e o dicurso único parece ser mal-geral em Pt) e parece ser a única solução de futuro que as pessoas conseguem imaginar para os jovens portugueses e isso enerva. Porque todas as solução únicas (e dadas como milagrosas) enervam. E como se não fossem as pessoas a fazer da "choça" aquilo que ela é. Não há no país uma cultura de acção sobre as circunstâncias no sentido de as modificar, mas sim um abandono, uma desistência totais (daí a solução da emigração, que - e contra mim falo - num certo sentido também é uma forma de desistência). Segundo entendi é a essa desistência, a essa desesperança que te referes neste post e sim, um programa sobre os portugueses em portugal seria serviço público, sem dúvida nenhuma.

Tolan disse...

Obrigado AnaLu!

É isso, é o que ela disse aqui em cima.

Tolan disse...

Obrigado AnaLu!

É isso, é o que ela disse aqui em cima.