quinta-feira, 12 de julho de 2012

à primeira vista

«Ter sido presidente da assembleia geral de uma Associação de Folclore foi um dos aspetos valorizados na experiência profissional do ministro. Currículo valeu-lhe 160 dos 180 créditos necessários para concluir a licenciatura na Lusófona.» - Expresso


Em janeiro já tinha escrito um aparte sobre Relvas, caracterizando-o como uma daquelas «pessoas que não entendemos bem a necessidade de existirem no nosso televisor».

A expressão facial de Relvas e muito especialmente o olhar, traduz uma enorme tensão / contenção de quem tem intenções férreas e um pragmatismo a toda prova. Uma espécie de desprezo, desprezo por obstáculos aos planos simples cogitados na sua mente em funil, que pensa numa coisa de cada vez. Esta tensão acabou por traí-lo ao ser libertada no caso da jornalista do Público. O facto de ter surgido do nada como número 2 de um governo, quando não se lhe conheciam quaisquer capacidades para lá de usar um telefone, conhecer pessoas, ter um curso na Lusófona e ser presidente de coisas como associação de folclore, é raro e próprio de alguém sem sede de protagonismo público, uma vez que uma maior discrição evita chamar a atenção para coisas menos positivas do passado, como, aliás, tem vindo a acontecer. Os olhos pequeninos são frios e inexpressivos, o que traduz a falta do que se pode chamar de "calor humano" e sentido de humor. O cabelo curto e a escolha de fatos, tudo austero e sem uma marca de vaidade assumida acentuam ainda mais o pragmatismo e a ausência de "alma". A forma do rosto, larga e quadrada, o queixo agressivo, a cabeça atarracada nos ombros, revelam origens humildes ou rurais, uma espécie de labrego com um fato e gravata que lida com o mundo da política como lidaria com uma negociação de ração para porcos, assim com uns esquemas pelo meio. E é isto, um número 2 de um governo português, em 2012.

7 comentários:

a.i. disse...

a mim o que me faz impressão é como é que os próprios gajos "amigos" dele não o botam fora, a má imagem que estes falatórios e escandalecos dão...por muito menos fizeram isso ao henrique chaves no tempo do governo do santana lopes

Anónimo disse...

http://jmountswritteninblood.com/2012/02/08/goodfellas/14051976_ori/
I.Punk

Tolan disse...

é parecido, mas esse nesse filme é mais simpático :D

"AM I A JOKE? AM I A FUCKING JOKE TO YOU? DO I MAKE YOU LAUGH? YOU MEAN, LIKE A CLOWN?"

melhor cena de sempre de mafiosos.

hierra disse...

Muito bom, então aquela parte do labrego de fato e gravata...

Anónimo disse...

bem, eu tenho há pouco tempo um colega que apresenta no seu curriculum uma participação, durante anos, num grupo juvenil, daqueles que cantavam e dançavam e tal. Devo ficar preocupada? Até onde é que é possível uma alma com esta experiência chegar? Lá muito sério não é ele não.

Anónimo disse...

Discordo de que ele tenha aparecido do nada - ele anda há muito tempo a preparar caminho. Eu já oiço o nome dele desde os 90 e nos últimos anos ouvia com muito mais regularidade. Também discordo de que ele não tenha ambição - a mim, parece-me ser um dos traços mais evidentes dele, ambição desmedida sem olhar a meios. De resto, está muito bom.

Tolan disse...

Eu não disse que ele não era ambicioso, disse que ele até tinha uma mente em funil do estilo focado numa coisa e nada o poder fazer parar. Mas acho-o discreto, tipo sneaky. Pensei na comparação com Santana Lopes ou Sócrates que não perdiam uma oportunidade para aparecer e eram muito vaidosos.