quinta-feira, 12 de abril de 2012

sou um génio querida, mas ninguém o sabe a não ser eu

Já percebi a cena, há dois tipos de escritores. Bem, há muitos tipos de escritores que estão distribuídos numa espécie de eixo. Ou em vários eixos. É complicado. Bolas. Estava entusiasmado como que ia dizer e agora estraguei tudo, de há uns tempos para cá comecei a preocupar-me sempre que fazia uma generalização e a conter-me para não dizer disparates. Mas ok. Respira.



Entretanto pensei melhor e já não concordo com o que ia dizer, pensei melhor. Ia dizer que havia o tal eixo e os dois tipos de escritores nos extremos desse eixo. Um dos extremos é o que eu chamaria do perfeccionista enconado e no outro extremo, o génio que cospe textos. Penso que por esta descrição já adivinharam de qual dos extremos eu estou mais próximo, escuso de o dizer, a minha humildade impede-me. Mas o ponto não era esse. Não sei qual era o ponto. Isto ultimamente anda mal, esqueço-me do propósito dos textos a meio dos mesmos.



Ah! Ia dizer que, para o génio que cospe textos, as coisas às vezes saem más, péssimas. Se calhar por cada coisa boa, há 3 ou 4 más, ou mais. O génio que cospe textos é assim mesmo porque não leva as coisas assim tão a sério quanto os leitores parecem levar. A única coisa que lhe resta é fazer outra e outra e outra e esperar acertar mais uma vez porque ele é muito auto-crítico o que parece paradoxal mas é verdade, verdadinha, ele anda pela casa (estou só a dizer, a imaginar) de braços erguidos para o ar e a dizer "MEu DEus sou uma merda, uma fraude, um flop!" e fica prostrado no sofá uns minutos até o microondas acabar de aquecer a sopa de cebola que a Plaft fez. No processo, se tiver os genes certos, ele melhora e o mau dele melhora, é uma espécie de chão abaixo do qual ele não cai e que depois tem felizes oscilações para cima que o vão perseguir para o resto da vida e funcionar como maldições. Sim, maldições. Os leitores, insensíveis e bem intencionados, dizem-lhe "aquele que tu fizeste há 2 anos, aquele texto, foi o melhor de sempre" e os olhos do génio que cospe textos ficam marejados de lágrimas porque entretanto ele escreveu mais 200 textos. O leitor é um ingrato e um insensível porque, depois de experimentar o melhor do génio que cospe textos, não quer outra coisa, habitua-se, espera aquilo sempre como um drogado a quem deram uma vez heroína pura de elevada qualidade por engano em vez de estar misturada com gesso como é costume e vira-lhe as costas e vai a correr para outro dealer e o génio que cospe textos sabe que só lhe resta fazer outro e depois outro e outro a ver se alicia os filhos da puta de drogados que todos os leitores são.

Já para não falar naqueles "leitores" que estão sempre à espera que o génio tropece para o insultar e apanhar em falso, tipo aqueles pseudo-adeptos de futebol que odeiam o Cristiano Ronaldo porque embirram com ele por ele ser un chico guapo, rico e talientioso e que depois quando ele marca um livre e um golo de fora da área como neste último contra o Atlético, dizem "bah, nunca mais faz outra igual". Foda-se.

E era isto :) Estou mais calmo.


35 comentários:

Isa disse...

:D

Tiago BM disse...

É o que dá ser um génio...

POC disse...

@Tiago BM, touché.

@Tolan, o Azeiteiro? É o melhor do mundo. Mas é um azeiteiro, muitas vezes arrogante, prepotente e convencido. E isto dentro de campo, com colegas e adversários. Para não falar em piretes no meio do Estádio da Luz.
Dizia eu, é o melhor do mundo. Porque Messi é doutro planeta.

(são muito diferentes, grandíssimos, um mais trabalho, o outro abençoado e mais bonito de se ver jogar)

Tolan disse...

POC, arrogante, prepotente e convencido... não estou a entender... qual é o lado negativo disso? :) É um jogador de futebol por amor de Deus, não é um presidente da AMI que se candidata a PR.

Vareta disse...

Pois...


Não percebi.

tata disse...

Não podia estar mais de acordo... pobre pipoco... génio apedrejado!

Anónimo disse...

Narcisista.
E é mau.
Porque nunca te li um conto ou um texto com princípio, meio e fim. Com personagens e vida, para além daquilo que és tu. Com referências Históricas, com saber temporal.
És o típico narcisista que só existe uma vez e só é lido numa faixa etária dos 11 aos 28.
Em suma. És pasta. Falta-te a camisa de linho e uns textos sobre os mil anos da tua solidão, num país tropical.
Lixo.

tata disse...

o que tem a faixa dos 28? é labrega?

Tolan disse...

Anónimo, ontem fui convidado para mais uma revista de contos toda séria e tudo. Inchaaa porco! :D

Anónimo disse...

tata, a faixa dos 28 não é labrega. É a faixa dos 28. É como a fase de Kurt Cobain ou de Bukowski. Assim como fazer uma lista e escolher os dez melhores escritores.
Há quem fale mal de Deus e venda bem. Há fulanos que escrevem bem mas nunca dão o salto. E é neste que o cavalheiro "Tolan" se encontra.
Escreve bem. Sem dúvida. Mas o narcisismo consome-se e acaba por ficar datado. Nenhum adulto com mais de 35 anos (e responsabilidade) lê Bukowski. É letra morta. Assim como nenhum adulto com mais de 35 anos vai ler o Tolan. Letra morta. E assim o Tolan vai ser como um Sean Penn da escrita. Muito bom, mas ninguém lhe liga, porque a leitura é sempre leviana.

Resposta ao Tolan: Tu tens uma fotografia do David Lynch num perfil do Blog. Indicas os livros que estás a ler e fazes listas dos (teus) melhores escritores...

Não te tira o dom da escrita, que o tens.
Mas que é garotice, é.

kiss me disse...

Eh lá. A minha mãe e o meu namorado, ambos com mais de 35 anos, lêem o Tolan. Bamos lá ber as generalizações!!

tata disse...

Anonimo, estou divinamente agradecida pela explicação. Graças a Deus para tenho 28 anos e ainda posso ler o tolan, pena que a partir de dezembro terei de deixar de o fazer correndo o risco de parecer..... infantil? Pressuponho então que o anonimo esteja nos 28 já a roçar os 29, preparando a leitura que virá e a que morrerá certo? É que parece conhecer perfeitamente o que critica.

Anónimo disse...

Pois eu acho que o tolan escreve mal, ponto. Não tem vocabulário e a descrição de situações é pobre. Tem alguma graça, alguma imaginação, mas falta-lhe a substancia. Precisa de ler e escrever muito mais, talvez assim consiga escrever algo com profundidade.

R. disse...

Anónimo,
muito pelo contrário. Tenho acompanhado e acho que ele joga bem nas palavras. Já ter ou não ter vocabulário não é condição necessária para ser escritor. Serve para impressionar. E descrever situações não faz um livro. E ele tem graça. Tem imaginação. Já substância ele tem, mas serve exclusivamente para um público mais infanto-juvenil. Duvido que consiga criar uma personagem marcante. Uma situação intemporal. Algo único.
Tanto quanto li dele, foram meros arrotos artísticos, alguns meritórios e com qualidade. Mas não o contrataria para nada. Nem esperaria um bom livro.

Tolan disse...

Há tempos, uns anos, soube por uma 3ª pessoa, que um dos meus leitores, um rapaz novito tinha colado um texto meu na parede do quarto, um texto que era palerma mas sincero: “conselhos para que te cases e sejas feliz”. Porque aquilo mexeu com ele. Escrevo para esse puto e o que há nos corações sinceros de todas as idades, especialmente no meu e que eu quero preservar de ficar assim igual a vocês, Deus me livre.

Também escrevo para que a Plaft se apaixone por mim. Aliás, ela apaixonou-se por mim pela minha escrita em primeiro lugar, o que prova que atingi o meu objectivo do ponto de vista crítico. Agora tenho de a manter encantada e fazer rir e chorar ou estou lixado. Vocês ou todos os críticos do mundo não valem nada comparado com um suspiro de desaprovação da Plaft ou aquele ar de embaraço dela quando tem de me dizer que não gostou muito de uma coisa que fiz.

De resto, querem que não tenha narcisismo, mas eu vejo dois tipos muito sérios (mas que não percebem nada!) a debater entre eles porque motivo vou ser um flop no meu próprio blogue, que seguem diariamente e que eu já sei à priori que vão a aparecer mal carregar no botão do "olhem para mim vou ser escritor ksss kss ataca ataca!" Parecem aqueles dois velhos dos marretas, irra.

Anónimo disse...

Ter vocabulário serve para ser elegante e preciso a descrever situações, só é exibicionismo se for usado por parvos. A qualidade da escrita é muito prejudicada por um fraco domínio da língua.
No caso de Tolan isso sente-se muito, basta ler os contos mais compridos.

Anónimo disse...

Ó tolan eu de crítico não tenho nada, sei pouco para isso. Acho lindo é que te considerem ou consideres um excelente escritor. Qualquer pessoa com conhecimento de causa te apontará as falhas óbvias que tens. Se queres mesmo saber o que vales agarra nos contos que tens e leva a alguém a quem confiras credibilidade e não te conheça. Eu não me bato, nem me canso mais um minuto a tentar (bem intencionado, até) explicar algumas das tuas falhas.

Enquanto blogger acho que tens piada, textos que gosto e o tempo que aqui perco dou-o por bem passado. Mas como tu bem saberás, ser um bom escritor e ser um bom blogger são duas coisas bem distintas. Podes estar feliz por ser um bom blogger são poucos que o conseguem. Não te arrelies à primeira, pareces uma miss piggy com a mania que é estrela.

R. disse...

Este anónimo não é o primeiro.
Eu sou o anónimo que o Tolan primeiro respondeu.
Mas subscrevo o que este anónimo referiu: «Enquanto blogger acho que tens piada, textos que gosto e o tempo que aqui perco dou-o por bem passado.»
Subscrevo. Tens jeito para isso. Escreves uns textos giros, tens vocabulário, imaginação etc.
O narcisismo não é "mau" ou "bom". O narcisismo é um grande impeditivo quando se quer escrever um livro.
«Vocês ou todos os críticos do mundo»
Não sou crítico. E não quero comparar contigo. Não sei escrever o que tu escreves.
Sei ler. E sei o que as pessoas gostam de ler.
Sou editor.
E repito, estás muito bom para um público infanto-juvenil. Talvez para uma sessão de fotos como o Peixoto. Ou podias mentir (como muitos) e dizer que passaste na Guerra do Ultra-mar, assim ganhavas gravitas. Ou podes ser genial e falar mal de Deus.
Cumprimentos,
.

Anónimo disse...

Um dia roubo-te o lanche ó Tolan!

Tolan disse...

eu acredito que mesmo atingindo aquilo que eu consideraria o meu potencial máximo, dentro de 10, 15 anos, mesmo assim nunca iria ser bem apreciado por um certo tipo de leitor porque vejo isso acontecer com escritores que adoro. E vejo tipos que são conceituados de que não gosto nem um bocadinho.

Anónimo disse...

Tolan,
Garcia Marquez é o efeito multiplicador. Bom ou mau, é Garcia Marquez. Vende. Tão só.
Pouco acrescenta.
Gonçalo Tavares é um caso distinto. Tem pontas por onde pegar, mas nada do que escreveu se pode considerar "original", ou marcante.
Só o título é que fica; Jerusalém.
Não consegue atingir o que um escritor maior consegue. É como ver um Batman daqueles bons. Sabes que temporalmente o viste. É o Batman. Mas nada te marca. Não consegues assimilar nada do que vês. Um escritor tem o dever de criar um "Taxi Driver". Além de entreter, criar, apontar. Algo que marque. Que te dê guia.
Nenhum desses três que assinalaste conseguiu criar uma personagem que te acompanhe para a vida. Seja transversal.
Exemplo.
Li Steinbeck quando tinha vinte e poucos.
Passaram quinze anos.
Lembro-me nitidamente das personagens. Do tema. Ficou.
E é aí que reside o dever do escritor. Pegar nesse narcisismo e criar.
E voltamos ao tema.
És capaz de criar assim? Afastar o narcisismo e criar para outrem? Deixar uma marca nas pessoas? (não vale emoções)
Cumprimentos,
.

Anónimo disse...

Correcção.
O Gonçalo Tavares criou aqueles números do "Bairro" creio.
Original sim.

bulletproof disse...

O José António Saraiva decidiu comentar o Tolan! :-o

trollofthenorth disse...

Foda-se. O que para aqui vai. Sempre achei que um editor, é, na sua essência, um escritor falhado.

Se estiver errado, não se dêem por favor ao trabalho de me corrigir. Prefiro viver assim com esta ilusão.

Tolan disse...

Anónimo, eu para explicar certas coisas tenho de revelar processos e considerações que prefiro que sejam invisíveis e minhas porque uma pessoa tem de escolher de que lado está no meio disto tudo :)

Pipoco Mais Salgado disse...

Meu caro Tolan, antes de mais quero aqui deixar-lhe um tremendo stroke positivo, em verdade lhe digo, sei de fonte certa que o Ruben Patrick aprecia o que o meu caro escreve.

Quanto ao resto, isto são só blogs e um homem faz disto o que quer, isto dos blogs é uma belíssima ferramenta para um homem se divertir, porque escrever pode ser tremendamente divertido, em calhando há quem se divirta a ler o que um homem escreveu, acho que se chama a isto química, temos então uma bela forma de todos se divertirem e ninguém se magoar, com a vantagem adicional que é, em ninguém se divertindo, um homem pode acabar com isso de escrever no blog e está o assunto arrumado, com a interessante nuance que é o leitor também poder deixar de se divertir e vai à sua vida e lê outros blogs ou então vai jantar a um sítio com vista de mar, o que, parecendo que não, também é bastante divertido, não desfazendo.

Resumindo, meu caro, temos que será talvez o terceiro melhor tipo a escrever em blogs, o que é bastante razoável, isto para além de eu gostar de cá vir e bastas vezes ficar a pensar que sim senhores, isto é em bom.

o anão gigante disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
o anão gigante disse...

Ora, sim senhor, fizeste-a bonita, despertaste a ira de um editor que sabe ler e escreve "Ultra-mar".

(espero que tenha sentido de humor)

Subscrevo o discurso laudatório do camarada Pipoco Mais Salgado, e deixo-os a ambos disputarem os lugares cimeiros de escrevedores para o público infantil e juvenil - so to speak.

Como sabes jogo na liga das mulheres menstruados e homens com pretensões artísticas. Não somos competidores, mas camaradas de armas.

Enfim.

Tolan disse...

:')

Pipoco Mais Salgado disse...

Meu caro Anão, é exactamente como diz, mas ainda lhe proporciono informação adicional e lhe digo que isto de escrever em blogs serve essencialmente para descansar dos nervos. No meu caso em particular é como ver filmes do Chuck Norris, serve para um homem descansar o cérebro depois de estar todo o santo dia a decidir coisas e a ter que debitar opiniões e a ter que estar sempre a ver se os cenários de futuros sempre se realizam no presente. Em tendo um blog, um homem descansa e escreve coisas simples, que não dão muito trabalho e que até as dos blogs de roupa percebem numa segunda leituraa, sem que despreze um certo sentido estético que faça soar as campaínhas de sim senhores, o rapaz escreve em linguagem simples, mas alto lá, uma vez por outra lá remete para um nível mais elevado, subliminar, mostrando que podia estar mais além, assim lhe apetecesse.

Tiago BM disse...

Mr. Genius não te preocupes com os ditos sábios Anónimos, só servem para chatear e mandar abaixo, provavelmente rivais desta modesta casa.
Para eles umas palavras de aconchego:
Caríssimos, o vocabulário não é o que dita se um texto é bom ou mau, isso só serve para avaliar o nosso 'range' nas avaliações de uma língua não materna. Que eu saiba, ninguém vos pediu que viessem ler isto, vocês são livres de ler o que querem tal como nós, os bloggers, somos livres de escrever o que bem entendemos. Se o Arq. Saraiva fala de elevadores porque não posso eu falar de escadas rolantes? Se vocês não gostam da escrita do Tolan o que raio estão aqui a fazer?

Desculpem lá o mega comentário, hoje estou inspirado.

Anónimo disse...

Aos cavalheiros mais desonestos.
Sendo o blog aberto, sendo o texto uma ironia (ou não) das capacidades do respetivo em relação à escrita e eu gostando de o ler, não vejo o porquê de não poder criticar. A célebre resposta: «Que eu saiba, ninguém vos pediu que viessem ler isto» é muito típica do "quem diz é quem é".
Tolan é um bom blogger. Não é isso que está em causa. É a pretensão de bom escritor. Não tem obra publicada. Expõe listas de escritores como um adolescente faz uma playlist e tem leitores que usam do "quem diz é quem é".
E não mandei abaixo o ilustre Tolan. Mas no fundo ele sabe que um Musil não se faz a escrever blogs ou com truques de letras. É só isso.
Ele vai continuar a ter barriga e a ser imberbe. Vai achar sempre que Deus não existe e provavelmente nunca visitou um bordel de chinesas no Martim Moniz.
Manuel Alegre também está muito além, contudo tem dívidas na mercearia e mente quando fala sobre guerra.
Tenho dito.

Anónimo disse...

Ultramar.
A todos as minhas desculpas. Confirmei agora mesmo no wikipedia.

Anónimo disse...

Outra questão,
O Pipoco Mais Salgado tem pinta.
Um bacalhau.

O Tímido disse...

FODA-SE!!!!Tanta putaria.... bom bom bom bom bom