sexta-feira, 23 de março de 2012

sei tudo


As mulheres... sei tudo sobre mulheres, a Plaft não teve hipóteses. Sei como o perigo a excita e gosto de brincar com isso, gosto de a levar ao limite do desconhecido. "Onde vamos jantar, Tolan?" e eu não digo onde ela vai jantar e ela "a sério, estamos a ir para onde?" e eu não digo e queimo todos os semáforos laranja e, se não estiver demasiado fresquinho, abro as janelas do carro para o vento nos despentear de forma selvagem. Conheço-lhe as reacções, os instintos. Deixo-a fingir que controla a situação. Quando me diz "nepalês? hoje não me apetece nada nepalês" e eu "tudo bem, vamos a outro sítio então" e conduzo para outro sítio, a queimar mais semáforos, a mudar de faixa sem sequer fazer pisca e ela cheia de medo. "Estamos a ir para onde agora?" e eu digo "é surpresa" e assim sucessivamente até encontrarmos um sítio que ela goste. Não abro a porta do carro, dou a volta, ponho-me ao lado da porta e ela pensa que eu vou abrir mas eu só meto o espelho para dentro, acendo um cigarro e espero. Temos de as tratar assim ou elas fazem de nós o que querem e nenhuma mulher faz de mim o que quer, nenhuma, ouviste mãe? Não vou arrumar o quarto outra vez. Nunca mais. Ponho-as no lugar.

Depois fala dela, dos problemas, dos sonhos, do dia e eu oiço. Falo pouco, falo de trivialidades para disfarçar. Tenho demasiada dor, demasiado passado, para falar assim por toma dá lá aquela palha. Não posso. Iria assustá-la e ela não está preparada para isso. São crianças as mulheres, querem ser felizes, querem viver a fantasia do romance, do conto de fadas... ela não ia entender a profundidade de um escritor que faz flexões quando acorda de manhã para ficar suado e quente porque gosta de tomar banho de água gelada para tonificar os músculos doridos da noite de sexo selvagem e fica assim no chuveiro com o vapor a sair da pele como um cavalo puro sangue no fim de uma corrida antes de fazer a densa barba e vestir o fato italiano de 800 euros feito à medida para se preparar para o dia de negócios muito importantes. Não dá para explicar essas coisas a uma mulher.

Depois volto ao quarto antes de me ir embora, dou-lhe um beijo a cheirar a Denim e ela rosna por causa do meu cheiro másculo e da luz que vem da porta e tapa-se debaixo dos lençóis e eu sei, sei que se esconde e me insulta porque não se maquilhou e não está bonita. Elas são superficiais e inseguras, têm necessidade de projectar uma imagem.

11 comentários:

V disse...

Shut up!

Sílvia disse...

Muito gosta você de 'armar a ratoeira'. Agora é vê-las a cair que nem tordos tst tst :)

São João disse...

Vai-te a elas "mano" :P

VdeAlmeida disse...

Na generalidade, estou de acordo. Mas há por aí uns qui-pro-quos. 1º, tenho que saber onde se fazem fatos italianos por medida a 800€ porque se é assim, vou já lá mandar fazer meia dúzia.
A 2ª é aquela questão do after-shave: um homem que usa fatos italianos a usar Denim? tsc, tsc...Jo Malone, meu caro, ou no mínimo Acqua di Parma. Sejamos com Wilde, fiquemo-nos com o melhor.
E espero que não use sapatos de berloques azuis. Expus uns (juntamente com uns Prada vermelhos) aqui há uns temposno meu blog, para demonstrar o que não se deve usar. Mesmo sendo Louboutin.
Se necessitar de um nó de gravata bem feito, que não descaia do colarinho, eu exemplifico

Sherazade disse...

Tolan, quando satirizas o Emproadinho, quase que esqueço que és um gajo de direita :D!

Tolan disse...

Só para dizer que eu uso Denim porque, precisamente, é másculo e bruto. Deixei de usar o Male do Jean Paul Gaultier porque aquilo causava uma espécie de efeito Axe quando passava pelo Chiado.

VdeAlmeida disse...

O Male do Gaultier é demasiado afirmativo. E duvidoso, na minha opinião.

Tolan disse...

Nada é demasiado afirmativo para mim baby, oiço sempre um "sim".

Mesmo que as minhas mãos cheirem a massa de alho de untar o lombo de porco.

Fábia disse...

eh eh eh eh
que grande peneirento !
eh eh eh eh eh
perfume para homens que se levam a sério: A*Men Thierry Mugler

Não sei se o tom Cruise será uma boa aposta :)

Anónimo disse...

lollll o que eu me ri senhor.

O perigo que é nao saber onde é o restaurante porque nao se tem gps . A dor nas costas depois de uma sessao de sexo que se queria selvagem, a agua a ferver que acentua os problemas de circulação. A barba de meio dia que tem que ser domada devido ao excesso de pelo que todos os portugueses têm. O fato da Zara homem comprado nos saldos e a preparação mental que é necessaria para para fechar um negocio da cabo visao.

pobre da mulher que ficou a dormir no conforto da cama

um abraço
2w

Palmier Encoberto disse...

Olá :) Começei a ler o teu blog anteontem. Já me ri de lágrimas. Acontece que hoje estou acompanhada por Maman e, cada vez que me rio, Maman pergunta: O que é, o que é? E lá está, tenho de voltar ao princípio e ler alto. E agora, rimo-nos as duas. De lágrimas. O pior é Papai... Papai encontra-se agora deveras desconfiado :DDDD