terça-feira, 19 de julho de 2011

o fim do Guerra e Paz

Como qualquer grande obra que se preze, o Guerra e Paz tem dificuldades em lidar seu próprio fim. Na parte final, que é uma migalha em termos de dimensão, o Tolstói comete o crime que já vinha ameaçando cometer. Acho que é a partir do II volume que começa a fazer introduções aos capítulos com ensaios sobre história e as relações de causa-efeito. Insurge-se muito contra os historiadores porque estes simplificam infantilmente (e desonestamente) a história, cristalizando-a em acontecimentos chave e personalidades importantes, conforme as suas próprias vontades.


Isto é um tema que pelos vistos diz muito ao Tolstói porque nas últimas páginas ele mete-se com ensaios atrás de ensaios, repetindo à exaustão a mesma ideia. Via-se que ele estava ressabiado com isto. Acho que escreveu o Guerra e Paz porque em 1860 discutiu no café com um gajo que ateimou que não, que a história era decidida em acontecimentos pontuais e pela mão dos poderosos e com outro que dizia precisamente o oposto, que os poderosos eram a expressão da vontade do colectivo, e o Tolstói, está-se mesmo a ver, bufava de indignação porque ninguém sabia nada, ninguém podia achar que era assim ou assado e como estava tudo bebedo e ninguém o ouvia como deve ser, foi e escreveu um romance de mais de 1000 páginas só para veres que é para aprenderes e apareceu no café em 1865 com o livro na mão.

E não é que pelas 900 páginas uma pessoa não tivesse percebido essa intenção, até porque há vários ensaios ali pelo meio. Ele escreve os ensaios directamente, como Tolstói, dirigidos ao leitor. O Dostoiévski ou o Thomas Mann usavam uma técnica muito mais desonesta, tinham uma coisa chamada "personagem" e essa personagem dizia coisas em debates, exprimia ideias. E havia personagens que tinham ideias opostas e então discutiam. Ora, ao Tolstói, claramente, não interessa mentir e criar personagens que, como bonecos de ventríloco, andem praí a tecer grandes considerações sobre a história porque é uma coisa que pessoas que a estão a viver, não comentam assim por aí além. Por exemplo, dois judeus a caminho da câmara de gás não discutem se estão ali porque Hitler o quis ou porque os soldados o levam a cabo ou se foi o povo alemão que o determinou.


Com este epílogo gigante ele demonstra abertamente que não se apercebeu do que tinha acabado de escrever, o que explica, em boa parte, porque acabou por desistir de escrever. Ele irritou-se com aquilo. No fim acaba com a farsa e dá uma lição como quem diz "o que eu queria dizer era isto, nestas 900 páginas, estão a ver?" Só que aquilo que ele disse não era bem aquilo que ele pensava que estava a dizer. Lembra-me o gajo que ficou milionário ao criar o primeiro processador de texto no início dos anos 80. Era um estudante desses dos MITs e tal que, para escrever a sua fabulosa tese de mestrado que lhe daria prestígio e sucesso, criou um programa para poder escrever a tese: o primeiro processador de texto.

7 comentários:

Lima disse...

Qual é teu interesse em andares constantemente a falares de quem não gostas?
Já pensas-te que poderá ser as outras pessoas que falem a cerca da tua pessoa e não de quem comentas aqui que comece a falar de ti por falar, por que talvez há pessoas que gostem de mais de saber e fazer comentários acerca de ti e seja de quem for, e por arrasto ou pressão a guerra e paz responde aquilo que lhe interessa, ou porque é questionada ou indirectamente puxam a conversa para obterem resposta, e já que querem conversa nós damos(resta saber se somos tão sinceros a comentar quanto são connosco) Que interessantes são estes textos,é isso e os esquemas rogabofe-moteliano. Sinceramente qual o interesse em tanto comentário ofensivo e repugnante acerca de uma pessoa que não existe o mínimo interesse e é tão desprezível para si, sr. <Tolan.
Talvez o melhor seria em vez de escrever ser directo e honesto com as pessoas com quem lida e que não gosta, e falar o que tem a falar directamente com as próprias pessoas de quem comenta, em vez de comentar com os outros acerca dessas personagens quem não lhe interessa para nada, não é verdade? E deixava de fazer esquemas e trocadilhos parvos, que como deve compreender os outros também não gostam de ouvir, pois são humanos e são de carne e osso, e como diz o ditado: Quem não se sente não é filho de boa gente...Ninguém gosta de ser mal tratado, e existem valores que não se compram na esquina, ou se têm ou não se tem, e háatitudes que se toma que parece tudo menos acções de adultos, parece impossível e é incrédulo como existe pessoas que conseguem ser tão mal intencionados e desrespeitarem ao máximo os outros, perdendo a noção da realidade e bom senso.

Tolan disse...

o artista é um bom artista, não habia necexexidade, hum?

Anónimo disse...

Tolan, e se falasses da gaja que engataste na reunião?

A malta quer é saber disso pá!

Chata disse...

Agora são béu béus cutxi cutxi? O departamento de marketing tem umas jogadas muito agressivas...

ana disse...

o que eu já ri com este non sense dos cãezinhos e gatinhos que não têm nada a ver com nada!!! Mas é um bom isco para as meninas lá isso é :)

Anónimo disse...

Raios, Tolan, pára lá com os canitos! Uma pessoa aqui a tentar cultivar-se e toda a gente a meter-se com ela por causa dos bichos. Tenho uma reputação a manter, pá!

Rita Maria disse...

Ia dizer uma coisa, mas fiquei confusa. Espero que tenhas sido tu a escrever estes anónimos todos.