quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

fazer render a loucura

É tudo muito simples, na realidade. Há dois tipos de artistas, os maus e os loucos. Se é verdade que nem todos os loucos são bons artistas, é no entanto um dado adquirido que é impossível ser-se genial sendo mentalmente lúcido.

Se têm a ambição de não serem maus artistas, devem conseguir aperfeiçar a loucura até ao ponto certo, mesmo ali rés vés Campo de Ourique antes de não poder usufruir dos benefícios de ser um grande artista derivado ao facto de, por exemplo, morrer.

Duas boas dicas

1- Isolem-se o mais possível. Não há melhor alimento para todo o tipo de psicopatias. Os outros tendem a normalizar-nos e a relativizar tudo. E isso é mau. Façam uma lista do que não gostam em cada pessoa que vos conhece ou possíveis ameaças e memorizem-na. Estaline e Hitler faziam-o e ficaram na história. O senhor Horácio Mendes e a Dona Josefina Matias não (e ninguém sabem quem são). Se isto for difícil, leiam todos os comentários de todas as notícias dos jornais online e convençam-se de que as pessoas são assim e que o mundo é assim.

2- Evitem ter animais de estimação, especialmente cães. Um cão absorve mau karma como uma esponja e devolve amor puro e nós não queremos isso. O Van Gogh cortaria uma orelha se, ao chegar a casa nesse dia, o simpático Cachorragio lhe lambesse a cara? O Fernando Pessoa acreditaria mesmo ter personalidades múltiplas se o seu Cãomões o identificasse sempre como o dono?

Há mais dicas, muitas mais, aceitam-se sugestões.

9 comentários:

Joana Pinto Coelho disse...

Adorei o Cãomões :)

Tolan disse...

Também pensei no Placão.

Maria disse...

Fumar droga também ajuda!
Há quem fique meio "apanhado" se tiver predisposição para isso.E depois nada feito.
Se o Fernando Pessoa tivesse tido um "cãomões" (só para avisar que isto já revela um grave grau de falta de lucidez, já que não se utilizam duas vezes na mesma palavra o "til") dizia eu, se o "Cãomões" existisse, talvez o cão também tivesse nomes diferentes associados a cada personalidade, ou então era como os peixinhos, "Olha um cão novo!!De quem é?" a cada 10 segundos.

Andorinha disse...

Num te ofendas, que tu és mouro e levas estas coisas a peito, mas o que eu pensei mesmo pra cá comigo (q sou nortenha e nota-se): tou fodida!

Andorinha disse...

PS: tou fodida, nunca vou conseguir fazer render a loucura!

LN disse...

Olha pah, tu és um blogger que merece ser comentado, e cá vai:
é verdade tudo o que dizes, eu, na condição de artista ex-louco (e era mesmo muito bom no proveito), confirmo. O artista é só aquele gajo que reconhece que isto é tudo uma grande loucura, e torna o seu corpo todo mistério...; deuses, gravidades, sóis, ideias, evoluções, karmas, linguagem, consciência, memória, tempo, leis e coisas assim muito indeterminadas. Ele resiste, por tudo, àquela merda do Deus que dá sentido a tudo e não precisas de te inquietar mais mais, Ama-o e tá tudo bem, imbecil, dizem... (podes anotar esta dica, extensivamente). Prefere esculpir-se de transcendência e preparar um caminho (qualquer um, mas é sublime, posso dizer). Depois há os interventivos ao nível do mundo real e prático, e talvez sejam os melhores. Os úteis. Ou os humanistas, também muito bons, e que se devem preservar como património às gerações de futuro, que estão irremiavelmente fodidas mas, a paz, quando se sente, é para todos.

O artista (falo mesmo de artistas, não de wannabes de Duchamp, vendedores de palavras impressas e gatinhos idênticos) é só o gajo que menos sabe para onde ir, e então não vai a lado nenhum a não ser à sua obsessiva mina de exploração introspectiva, para depois chegar à luz do dia, doente, cansado, molhado em sonhos de vórtex, e portanto quer que alguém lhe acompanhe a doença porque acabou de descobrir com muito esforço as quinta-essências do cosmos, pretendendo que os outros, que é só sexo e som baril, não o façam no mesmo nível de qualidade, ou, até, nem o façam mesmo.

Não se levem muito a sério. O suficiente chega. E também dá para ser artista e trabalhar na arte, pois ninguém sabe o que é a arte. Fala-se muito, mas, na realidade, ninguém sabe. É a necessidade do divino (criar) que a realidade de nós tem, e pronto. A arte é bonita e muito respeitável, por isso.

De um ex-louco,
atenciosamente.

Isabel disse...

Aqui na cidade há um espaço de convívio, a conhecida casa de pasto, que dá pelo nome “Os Artistas” e que, realmente, é frequentada por pseudo-artistas. De fugir, digo eu. Aquilo é um antro de gente esquisita! E olha que até sou uma pessoa muito dada às artes. Sim, a grande maioria é um pouco alucinada.

A Alemanha Ganhou a Guerra disse...

Fazer juramentos como "Não vou falar durante uma semana" põe os teus amigos a trabalhar contra a tua normalidade ao te catalogarem de louco.

anouc disse...

Eu conheço o Horácio Mendes e a Dona Josefina Matias. Dei-te cabo da teoria. Lamento imenso.