quarta-feira, 22 de maio de 2013

as raparigas não gostam de magia

A propósito deste post do Mak, lembrei-me que também eu passei pela fase magia quando era criança. O meu pai, que tinha um sentido de humor um pouco retorcido, dizia-me que eu conseguia mover objectos se me concentrasse muito neles, o que lhe garantia um pouco de sossego enquanto eu ficava especado a tentar mover um dedal de costura ou um copo de água horas a fio, só com o poder da minha mente. Para garantir que eu não me desencorajava, às vezes dizia-me "epá, isso mexeu agora mesmo" e eu "mentira, não mexeu nada" e ele "mexeu mexeu, foi só um bocadinho mas eu vi" e depois continuava a ler o jornal e a fumar o seu cachimbo sossegado.

Depois deram-me um livro com truques de magia. Alguns eram bons e outros péssimos. Os péssimos, para mim, envolviam mentir. Coisas como dizer "isto é um aro normal, sólido" e o aro não ser sólido ou "vou escolher uma pessoa ao calhas" e ter combinado com alguém... não suportava esse tipo de truques em que o mágico mente. Os meus preferidos eram truques honestos que podiam ser feitos de improviso em qualquer ocasião em que fossem úteis, como num encontro romântico por exemplo. Só fiz isso uma vez. Acho que foi o primeiro encontro a que fui na vida, no Movies do Monumental, que para mim na altura era o cúmulo do requinte. O encontro não estava a correr muito bem porque ela não sabia quem eram os Pixies. Não sei o que me deu, mas tive como que uma ideia brilhante e recordei um truque de magia da minha infância. Quando ela foi ao WC retocar a maquilhagem, eu masquei e colei uma pastilha na parte de baixo do tampo da mesa do restaurante, depois colei uma moeda de cinquenta escudos à pastilha, mas não demasiado colada, apenas ao de leve, para se desprender facilmente. Quando ela voltou, eu mostrei-lhe outra moeda de cinquenta escudos e disse "e agora o el grande Tolan vai passar esta moeda pela mesa!" e pousei a moeda no tampo da mesa, mais ou menos por cima da moeda colada por baixo do tampo, tapei-a com o guardanapo e disse "abracadabra" e dei uma palmada forte no guardanapo, suficientemente forte para, com o impacto, fazer tremer a mesa e desprender a moeda de cinquenta escudos colada na parte de baixo do tampo. Tadaaa! A moeda atravessou a mesa, caiu no chão e rolou pela alcatifa do movies, por entre os pés das pessoas. Tive de me levantar e, quase de gatas, recuperar a moeda. O jantar continuou normalmente. Ela nem quis saber como é que eu fiz o truque. Começou a falar de outra coisa, depois de uns momentos de silêncio pesado. E eu, durante o jantar todo, não pude usar o guardanapo que estava a tapar a moeda número dois e fiquei o tempo todo atrofiar com a hipótese de ter a boca suja de molho.

13 comentários:

Rosa Cueca disse...

Isto agora lembra-me o Uri Geller, esse sex symbol que dobra colheres.
Contudo, desde petiz, que a mim ninguém me engana, sempre achei que a única coisa que ele conseguia mexer com o poder da mente, era mesmo o órgão reprodutor.

a.i. disse...

Tolan, sabes que as moedas de cinquenta cêntimos só apareceram em 2001/2002. Não terá sido uma moeda de cinquenta escudos?

Tolan disse...

deve ter sido, isto foi em 1998.

Tolan disse...

já corrigi.

Maria D Roque disse...

Há um programa de TV ( com o mágico encapuçado) onde eles mostram como se fazem todos os truques... alguns são TÃO simples, que sentimos de imediato crescer um par de orelhas de burro... é como tudo, desde que o movimento da mão seja mais rápido do que o do olho ( não soa lá muito bem ...) Olha, ainda bem que aquela tua magia correu, digamos, menos bem... se lhe tomasses os gosto e desses em David Copperfield, só valia por teres leitoras mais magras, de tanto vomitarem pelas esquinas desta blogosfera...

a.i. disse...

mas olha que é mentira que raparigas não gostem de magia (ou melhor, talvez só ESSAS raparigas que deixam o rapaz sozinho para irem retocar a maquilhagem)
:D
(desculpa ter estragado a piada com a história dos cêntimos)

Mak, o Mau disse...

Tolan, o mágico, não teria pejo em fazer com que as moedas de 50 cêntimos não só passassem através da mesa, como através do tempo.

Por isso vai lá e põe 50 cêntimos de novo, que escudos estragam um pouco o truque.


E olha que a doutrina divide-se, há quem defenda que a magia é coisa que sustenta muita relação entre homens e mulheres... (e não falo de truques de levitação)

a.i. disse...

O Mak, sabe , e quem sabe, sabe, lá diz o reclame.

Mas esse truque era mais do que magia, era divinação, não me consta que nos kits de magia para criança viessem cursos rápidos de iniciação aos auspícios ;)

Tolan disse...

mau, agora meti escudos e fica escudos :P

Isa disse...

olha, isso não é verdade, eu gosto muito do Luis de Matos, viu? :p

Tolan disse...

O historial de Luís de Matos no que respeita a namoradas diz-me que realmente elas gostam muito de mágicos. Mas pronto, é preciso ser mágico a sério, não é cá com moedinhas e truques parvos.

Anónimo disse...

ehehe o Tolan no engate.
R.

Jorge Salema disse...

Muito bom. E o teu escrúpulo em não ficar sujo enterneceu-me.