quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

as coisas que eu não consigo entender...



... a crítica violenta e radical à artista plástica Joana Vasconcelos. Não consigo. Já vi vários exemplos, o último foi este texto do Capitão. Não consigo perceber a base para este tipo de juízos. Os artistas plásticos movem-se no território do branding, do buzz, da marca pessoal, da imagem, do hype, das tendências, da moda, da novidade, da originalidade... O que faz aquele tipo que expõe cadáveres embalsamados cortados às postas e que é um sucesso em todo o mundo? O que é arte? Se fosse português, como seria a nossa percepção do trabalho dele?

Exceptuando casos sobejamente conhecidos, sempre tive a ideia de que as artes plásticas portuguesas não tinham qualquer expressão nas bienais, mostras e feiras internacionais onde essas coisas são avaliadas como na lota do peixe. É assim que funciona, o mercado. Tem sempre uma componente especulativa...

O que não é subjectivo são 1,6 milhões de visitantes. A mostra de Joana Vasconcelos foi a mais visitada no Palácio Versalhes desde 1960. A partir do momento em que ela faz uma exposição com tanto sucesso em Paris, para mim, está arrumado o caso. Não se metem 1,6 milhões de estrangeiros num museu com subsídios, favores, cunhas, críticos....

O sucesso dela abre portas a outros artistas portugueses e estimula o meio, coloca (ainda mais) a arte contemporânea portuguesa no radar e mesmo Portugal como um sítio onde se fazem coisas.

Quanto à minha opinião sobre o trabalho da Joana Vasconcelos, sempre subjectiva, acho-o bom. Despretensioso, irónico, coerente, engraçado... e com muito valor do ponto de vista de "fabrico manual", uma merda que eu, que sou um ignorante, valorizo, do tipo, ver que uma cena deu trabalho a fazer por oposição a uma que é só um cubo branco de plástico ou uma cama por fazer (true story).




37 comentários:

AnaLu disse...

Não podia concordar mais. Em Portugal movi-me num meio em que a crítica à J.V. era constante e sempre ligada a argumentos super intelectualizados, quando para mim as artes plásticas também envolvem uma componente importante de imediatismo e que se prende com a estética e a capacidade de gerar impacto e questões no público, que quanto a mim é uma coisa perfeitamente conseguida no trabalho dela. A partir do momento em que a artista ganha algum destaque as críticas disparam, é assim um pouco por todo o lado, embora seja uma tendência mais acentuada em Portugal. Há uma parte deste tipo de reacção que eu compreendo e que tem a ver com o facto de em Portugal se gerarem hypes enormes em torno de duas ou três figuras de relevo de cada área. A comunicação social (e estou a generalizar) passa a promovê-los como se fossem aqueles os únicos iluminados e não existisse mais ninguém a fazer coisas interessantes. Passa a haver uma espécie de discurso fechado e glorificante em torno de umas quantas figuras, ignorando-se tudo o resto, até surgir novo hype. Isto, para além de injusto faz disparar as críticas, como é evidente. Mas a J.V. "não tem culpa" disto. Falta de solidez e coerência no seu trabalho é coisa de que não a podem acusar.

Anónimo disse...

o trabalho é imenso, a mulher segundo consta, é sombria.

mas um não deve invalidar o outro

Sara Maurício disse...

Concordo inteiramente com o teu post. Eu tb adoro o trabalho dela sobretudo por não ser demasiado abstrato (o que para mim é quase sempre algo incompreensível) e também por recuperar certos lavores tradicionais Portugueses.Já agora aproveito para te felicitar pelo rebento, muitos parabéns aos Papás. Eu fui Mãe pela 1ª vez a 28 Dezembro e é maravilhoso!Vais passar por alguns momentos mais bizarros e alguns stresses, mas verás que vale a pena.Beijinhos

R. disse...

A crítica de quem não gosta é muitas vezes desprovida de qualquer argumentação. Não gosto e pronto. Inveja, o não ser o centro das atenções, os joguinhos de bastidores.

Parece-me neste caso que a senhora passa bem mesmo com tudo o que lhe atiram para cima. Até porque como referiste, 1.6 milhões de visitantes não são número para desprezar.

Que outros se destaquem como ela.

R.

São João disse...

Nem tanto ao mar nem tanto à terra, vá. Não é uma merda mas também não é uma maravilha. A Joana Vasconcelos tem uma arte fácil e por isso acessível a muita gente e isso faz confusão às elites. A obra dela já foi bem mais interessante tanto do ponto de vista icónico como social (isto se valorizares o papel social do artista). Também já foi mais irónico, parece que agora utiliza mais trocadilhos visuais que propriamente a ironia. Os argumentos do Mário Moura no The Ressabiator parecem-me mais interessantes que os do Capitão Paddock (sobretudo a conversa descenessária d a gorda: ya é uma gaja gorda, o Cabrita Reis também é gordo e ninguém o chama de gordo, yada yada yada bocejo...)

Anónimo disse...

Quem ganhou notoriedade em Paris não foi a arte, foi a modelo: a minha peludinha orelhuda Dacha.
Gaf

VerDesperto disse...

Nem mais! Concordo em absoluto com o teu post!

Anónimo disse...

Tolan. Estás a colocar as coisas de forma incorreta. A questão é o financiamento dessa Arte; 170 mil exclusivos via Orçamento/impostos para um cacilheiro.
A exposição no Versalhes custou 2,5 milhões, pagos via quê?
Discutir a obra e o gosto é uma coisa. Pensar nas coisas é outra. Por mim que sejam artistas. Não compreendo é porque tudo passa pelo Orçamento.
R.

Tolan disse...

São João, não estou a atirá-la para confins da terra ou do mar. Já tinha lido esse texto do ressabiator, ontem por acaso. Só estou a dizer que não é de certeza tanto "à terra" assim. Que questionem artistas obscuros que apenas por critérios de subjectividade oficial (exemplo: subsídios e apoios do estado) tenham expressividade, entendo. Não me parece o caso dela, agora.

AnaLu, concordo contigo. Temos uma espécie de azedume face aos nossos símbolos, do Cristiano Ronaldo ao Saramago e também somos campeões e ter um orgulho nacional parolo em torno dessas mesmas pessoas, como se tivéssemos um complexo qualquer.

Sara, sim, essa é outra característica do trabalho dela e confronta-nos com a prisão dos nossos clichés... Eu convivo com isso com a minha família belga por exemplo. Quando vêm cá a Portugal, o que querem eles? Azulejos, muito gostam eles de azulejos. Ouvir fado. Andar de eléctrico. Comprar coisas de Fernando Pessoa. Comprar um tapete de arraiolos. Ver casas caiadas com azul à volta da janela... Em vez de encarar isso como algo de redutor, permite-me ver a nossa cultura de fora. Para nós, portugueses, é verdade que uma artista como a Joana será sempre menos "exótica" do que para um estrangeiro, mas nós também papamos estas coisas quando vêm de fora e aí já parece uma coisa sofisticada e cosmopolita.

Sister V. disse...

Eu gosto do trabalho da Joana Vasconcelos. Gosto do José Luís Peixoto e também gosto do Tolan. Raios, até eu fico confusa como os meus gostos!

Tolan disse...

R., o financiamento foi misto, privado e público. Se a exposição fosse um fracasso ou reservada a elites, acho que se abria espaço para discussão. Dos 2,5 milhões de euros, sei que pelo menos 1 milhão foi de privados, mas não sei ao certo os valores. Sendo um sucesso de público no estrangeiro, não vejo isso como um desperdício monumental. O estádio de Leiria custou quase 20 milhões de euros por exemplo e está em liquidação. Aquela campanha imbecil de promoção de portugal pelo fotógrafo Nick Night e o outro, o Steve Klein, custou 18,5 milhões de euros em 2 anos. É preciso ter noção das proporções e dos resultados práticos.

Tolan disse...

Gaf, estás a brincar, é a Dacha ali em crochet? :D

São João disse...

Esquecendo tudo o resto, tenta fazer uma analogia: a Joana Vasconcelos está para a arte assim como XXXX está para a literatura. Punhas o nome de quem?

Tolan disse...

São João, não consigo transpor isso para a literatura porque são territórios um bocado diferentes e de facto não consigo pensar num só. Acho que o mais próximo seria na música pop por exemplo, sei lá, uma cantora de fado toda modernaça que fosse para o fado o mesmo que os Gotan Project foram para o tango (sendo que acho que eles são de frança, nem são argentinos) ou aquele bailarino, o joaquim cortez, para o flamenco... tinha de ser uma coisa pop.

Anónimo disse...

Justamente. Seja o Estádio de Leiria ou outra obra qualquer. Tem de existir essa mentalidade. Sobre os resultados não sei. Apenas sei que existiu eco na imprensa. Quanto ao resto não sei. Deixei de apreciar Arte algures na vida. Acho que foi quando chorei num filme qualquer do Stallone. Apenas queria referir que em Portugal continuamos sem espaço para colocar o "custo/benefício" seja da Arte (porque EXISTE!) seja na Bola, na Igreja, na saúde ou neste caso nas editoras :)
R.

pássaro viajeiro disse...

Bom-dia.
Não vou discutir orçamentos, se bem que esses 2.5 milhões me pareça algo muito duvidoso por exagerado, mas nada a que já não esteja habituado, enfim; e opinar sobre a arte da JV, que neste caso até podia ser de qualquer outro ou outra e dizer que não distingo ali arte alguma.
Vejo uma gaja apertadissíma numa peça de vestuário única, a passear um caniche numa sala vazia e nua.
Mas como nunca fui de precipitadamente me basear em decisões alicerçadas numa primeira análise tomadas sobre o joelho, olhei melhor e se na verdade a minha opinião se manteve inalterável, reparei que a peça de vestuário lhe aperta muito as mamas, o que é de todo desaconselhável a bem da saúde feminina.
Contudo, fique claro que não digo que não é arte. É sim senhor! Para quem diz que é, por que não? Aliás, 1 milhão e 600 mil visitantes quer dizer alguma coisa. Tanta que até me fez duvidar de mim próprio e voltar à contemplação da obra, e após profunda meditação, concluí que posso ser o único a andar ao contrário do mundo, mas ando a meu gosto. Não gosto. Peça muito apertada, desenhos bizarros, tonalidade desagradável e mamas muito apertadas, como já referi.
Quanto à opinião do "Capitão" é como a minha. Vale o que vale, isto é; nada.
Só não tinha o direito de ser malcriado nem insultar tanto a artista, quanto os portugueses em geral

Tolan disse...

:)) ela tem muitas obras, tirei a primeira foto da net quase ao caso

Maya disse...

Concordo contigo na parte em que consideras que a arte dela é despretenciosa, sim, é acessível. É uma montra de Portugal. Por outro lado, faz-te pensar? Que sensações experimentas quando a vês?

Contudo, e pode parecer um paradoxo, acho a artista bastante pretenciosa, muito full of herself. Concedo que faz cenas fixes pelo país e blá blá blá, mas ... bem, há ali qq coisa que não bate. Olha, está como a Isabel Jonet para o BA, não bate a cara com a careta.

Não sei se me fiz entender, é que entretanto também fiquei confusa (acontece) e também estou com pressa.

Maria Costa disse...

Porque é que tudo que é português para uma grande maioria, é mau? Mau é o Cavaco, Passos, Relvas, Gaspar, Portas e companhia. Todos embalsamados e expostos numa exposição bem longe daqui, de preferência numa zona de canibais, isso sim é que era bom.

Capt. Paddock disse...

Tolan, é só trocar o nome "Joana Vasconcelos" por "José Luís Peixoto", por exemplo.

Anónimo disse...

Tolan, é tal qual, até na cor. Um cruzamento de cocker com qualquer outra coisa (ninguém sabe quem foi o pai).
GAF

disse...

quanto ao exagero da crítica, as críticas surgem a quem sobe à ribalta, e é só. não é uma cena portuguesa, é humano, talvez a tua perspectiva seja a de uma pessoa informada e portanto chegam-te mais críticas ao ouvido.

agora quanto à arte da JV, é de facto uma bela merda, copiada de coisas que qualquer artista plástico conhece, feita para pasmar e não para pensar. a manufactura que dizes ver ali, não é dela, tem uma horda de pessoal a trabalhar para ela pago com dinheiro que vem de algum lado, não sei nem me interessa de onde. também não foi o Miguel Ângelo que andou a talhar capitéis no capitólio. a ideia é dela, bastaria isso.

a arte, implica pensar. pensar para executar uma peça, pensar ao observá-la acabada. naquelas peças não há nenhum destes dois pólos. são básicas. há carros alegóricos no carnaval de torres que são pensados para provocar a mesma reacção, só que com políticos semi-nus. são ideias que se tem nos copos com os amigos.

mas nada disto significa que não haja espaço para ela no plano artístico nacional. claramente há. mas um artista que se dedica pouco ao conceito e tem sucesso, incomoda aqueles que se dedicam muito e tem visibilidade zero, que também te digo, a maioria deles serão nulidades completas. (a cama por fazer era da C.Botelho? se for, essa não é uma nulidade, tem bons sets, mas esse de facto é uma bosta incompreensível)

PS. Paris é a segunda cidade com mais portugueses no mundo, I'm just saying.

RCA disse...

Não, não e não... não me provoca, não me suscita qualquer reflexão e esteticamente não me agrada. No máximo é-me indiferente, pelo que para mim não é arte, é decoração.

Prezado disse...

Bem, quando referes a arte como espaço de "branding, do buzz, da marca pessoal, da imagem, do hype, das tendências, da moda, da novidade, da originalidade..." parece que estás a falar de marketing ou de publicidade ou de (argh) empreendedorismo. A arte PODE ser tudo isso mas não tem de ser nada disso. Especialmente no caso da J.V., que não faz nada de brutalmente original nem novo. Ela não é uma pioneira. É apenas alguém bem colocado e que faz umas peças que não ofendem, que fazem pensar mas não muito, uma ironiazinha simples, light. Junte-se isso ao alto patrocínio do Portas e temos uma exposição em Versalhes com milhões de visitantes.
A arte de fundo - pelo menos para mim - não é isto. Isto é assim tipo ir ao McDonalds, nem aquece nem arrefece, come-se.
Também podia resumir isto dizendo que acho tudo uma merda, mas assim a discussão acabava.

Tolan disse...

foda-se, eu não fiz este post porque adoro a Joana Vasconcelos.

Espontaneamente, faria, como já fiz, um post sobre a Graça Morais, Júlio Pomar, Vieira da Silva e outros artistas que me dizem algo... A questão é que achei completamente deslocados e injustificados vários (não foram nem 1 nem 2) posts e comentários aos referidos posts a cascar na Joana Vasconcelos por motivos absurdos, até o facto dela ser gorda...

Prezado, tu és português. Acho que temos de perceber todos que certas merdas para nós perdem, porque são portuguesas. Ah, ya, renda de bilros, croché... para um franciu, é provável que seja a primeira vez que contacte com essas coisas.

Uma vez em quioto no japão, assisti a uma exposição de um gajo que fazia chaleiras e chávenas de chá com barro.

Era uma merda básica. O gajo fazia cenas imperfeitas, estranhas, tinha 90 e tal anos... Para os japoneses ali, era uma coisa interessante. Para mim, era mágico. Eu sabia lá que os japoneses tinham aquela forma de fazer chávenas de chá e bules, com barro, poroso, como corais, de formas naturais e imperfeitas... estava a tomar contacto com uma merda que no japão até podia ser tradicional, mas que para mim tinha um impacto novo.

Tolan disse...

Paddock, o que é que o Peixoto tem a ver com a Portugalidade da Vasconcelos? A literatura não tem puto a ver. Se queres um termo de comparação (estúpido porque é outra escala e tempo) tens o Fernando Pessoa no sentido de portugalidade renda de bilros... aquilo que os estrangeiros procuram. Conheço alguém que tem uma livraria perto do Chiado e o que ele mais vende é Fernando Pessoa e até em inglês, para turista.

Em todo o caso, se soubesse que o Peixoto é lido e respeitado lá fora, óptimo para ele. Porque isto aqui, é um pardieiro asfixiante de merda e se um gajo conseguir depender o menos possível disto, bom para ele.

Anónimo disse...

Saramago também é respeitado lá fora. Don Dellilo também é respeitado cá dentro. E ninguém respeita o João Baião!
Tolan, como pudeste DUVIDAR de mim no Paddock?

Prezado disse...

Eu também chamei a gorda de gorda, mas isso foi só para a insultar, não foi nada de pessoal.
Confesso que não pensei na expressão das próprias técnicas usadas nas "esculturas". Foi preconceito meu: escultura é outra coisa, mais antiga e académica. Mas siga. Sim, a exibição da habilidade só por ela também tem valor, mas lá está, parece-me pouco. Superficial.
E o crochet, pá, deve ter nascido num arrabalde de Paris. Das mãos de uma tuga. :D

Capt. Paddock disse...

Tolan, o que eu disse da Vasconcelos é (mais ou menos) o que tu dizes do Peixoto.

Acho - opinião paddoquiana - que o bric-a-brac da Vasconcelos está para as artes plásticas como os livrinhos do Peixoto para a literatura: com algumas variações, dadas as especificidades das suas "artes", não passam de embustes pré-fabricados.

Por isso sugeri substituires o nome de uma pelo nome do outro, que o resultado seria o mesmo.

Para te mostrar que a tua incompreensão perante as alfinetadas (sem piada oculta) que dei na Vasconcelos é capaz de ser igual à de muita gente que não compreende porque dás (damos) paulada num escritor que escreve coisas tão "giras" como o Peixoto.

E era apenas este exercício que te estava a propor.

Anónimo disse...

atenssão a uma coisa a Joana não é gorda de comer, aquilo deve ser genético, um desarranjo na tiroide

A Bruta disse...

Anónimo disse...
atenssão a uma coisa a Joana não é gorda de comer, aquilo deve ser genético, um desarranjo na tiroide

21 de Fevereiro de 2013 à0 02:54

(loooll...)

Bom, eu acho que a frase que dá título a este post faz todo o sentido quando se olha para a imagem que o sucede. Eu também não consigo entender... Não sei se estão vivos... mas tenho pena dos cães. O gajo que vem lá atrás, de naperon preto é assustador. Fico desarranjada da tiróide só de olhar.

"atenssão a uma coisa a Joana não é gorda de comer"

Tomaaaa, vai buscar.

Isto é que são palavras pertinentes sobre as quais peço um minuto de silêncio e reflexão, para que possamos, todos juntos, debatê-las em ácido sulfúrico.

Maria disse...

LET'S MAKE LOTS OF MONEY, escrito a letras pretas degulinantes sobre fundo branco_ Matthieu Laurette, artista plastico tocou na verdade. Até ele continua a fazer dinheiro com esta tela :) A joana Vasconcelos, faz parte da ecurie do François Pinault ( grupo financeiro concurrente ao Vuitton, Pinault-Printemps-Redoute proprietario ) que comprou um coraçao independente. Ora o François Pinault que finaciou as obras do Chateau de Versailles, e que tinha o seu antigo PDG e associado como director, o JJ Aillagon, que escolheu, outros artistas da ecurie que precederam a Joana Vasconcelos, tem todo o interesse a que a cota dela aumente. Conseguiu . Ela esta com o vento em popa, o Estado (nos portugueses) portugês pagou a exposiçao no chateau, e agora vamos para Veneza num cacilheiro cheia de azulejos e produtos da Vida Portuguesa! se isto nao é o Financial Art, que denunciamos ha ja uns anos, o que é ? ARt=CAPITAL=ESPECTACULO

Tolan disse...

Não sei se a Joana Vasconcelos suscita o mesmo debate que o Peixoto, porque naquele tipo de arte, que parece ser uma coisa que escapa por exemplo ao Prezado, há muita margem para se ser completamente superficial. O Jarvis Cocker diz "i never said i was deep, but I'm profoundly shallow". No caso da JV, se calhar nem é profoundly shallow (isso seria o Andy Warhol) Até pode ser apenas shallow como um anúncio a sabonete que não deixava de poder ser boa arte desde que cumprisse uma ideia estética coerente e técnica agradável e apelativa... Que a JV claramente tem. Ainda hoje li o Italo Calvino explicar porque não gosta do cinema italiano que encanta os estrangeiros... porque para ele, aquele cinema é condescendente e redutor, não acrescenta nada de novo nem provoca. É difícil olhar para nós próprios. Isto pode-se aplicar à JV dentro do contexto português. Algumas das suas técnicas e referências são tão portuguesas que para nós perdem parte da relevância... Mas para um estrangeiro, não, ele vê aquilo como algo muito mais exótico e bonito do que nós.

Na literatura, é um bocado diferente. Aquilo que mexe comigo é quando uma coisa é tomada por algo que não é. Não vi atribuírem à JV uma enorme profundidade e qualidade. Não acho que esteja no plano da Paula Rego, Júlio Pomar, Júlio Resende, Graça Morais etc. e não há mal nenhum nisso.

nAnonima disse...

não acho a JV uma pioneira, mas uma mulher de negócios inteligente...

já vi peças ao vivo (e já a vi ao vivo, pareceu-me mais uma mulher de comando do que uma artista, mas é ideia pré-concebida a minha, bem sei), gostei do colorido e do trabalho manual. havia (breves) referencias oníricas, monstros e afins, pouco mais. relaxei, soube-me bem, mas nunca mais pensei naquilo, mas isso foi o que EU vi. ao meu lado, mais de 30 chinesas deliravam e fotografavam sem parar. uma peça que as fez sorrir e falar muito (ou talvez sejam sempre assim). para elas, que ficaram ali paradas um par de horas, era arte, mexia com elas.

concluindo sem concluir nada, criticar arte é também uma arte. digo eu.

Prezado disse...

Tolan, há margem para isso quando um Warhol explora isso como território bravio, não tenho nada contra a shallowness da coisa, tenho contra o destaque desproporcionado que lhe dão. A street Art é o terreno das peças puramente visuais e aí tolero tudo, é playfull - não sendo obrigatório que o seja - e imediata e tem o valor que tem, não pertence a museus, não é highbrow por melhor que seja. Também podias ter invocado algo que me passou completamente (o Julio Pomar invoca-o ) o humor como recurso, mas ainda assim não é tão presente que seja o que a identifica.

Anónimo disse...

Em bom português para todos perceberem:

- aos maldizentes: Dor de corno é fodida!

- aos que lhe chamaram gorda: Já te deitei palha?!?! Tás feito burro p'ra quê?

- às mariazinhas-vão-com-as-outras: OOOoooLhem!!! Eu bebo água quando tenho sede, não é quando me assobiam!

Não chamaria a isto a arte do insulto, e não deixo à consideração dos "Datores".

E Viva Portugal!

Anónimo disse...

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