terça-feira, 15 de janeiro de 2013

marca de um produtor

Quando agregamos uma série de discos de artistas diferentes, produzidos pelo mesmo grande produtor, notamos uma coerência. Essa coerência é da exclusiva responsabilidade do produtor, a sua trade mark digamos assim. Pode revelar-se pela escolha de certos arranjos, sintetizadores, efeitos... Alguns são tão pros que todos os artistas das grandes discográficas de uma era querem trabalhar com ele. A responsabilidade é muita, não há margem para amadorismos e então procuram exclusivamente o melhor. Contudo, o produtor tem também de oferecer algo que soe novo. Isto é extremamente importante na pop, ainda hoje. O som tem de ser diferente do som que existia antes, mais moderno, de alguma forma. Como consequência, esses produtores acabam por contribuir para definir boa parte do som de uma determinada era. Um exemplo é Nile Rogers, um gajo que é frequentemente incluído em qualquer discussão de produtores como um dos 10 melhores de sempre.

O caso de David Bowie é paradigmático, pois dá a sensação que David Bowie, um artista extremamente inteligente, em constante mutação e um magnífico produtor também, pediu a Niles Rogers para lhe fazer um disco... à Niles Rogers. E ele produziu-lhe o álbum Let's Dance, o que mais vendeu na carreira de David Bowie. Sucedeu o mesmo com os Duran Duran, o single The Reflex de 1984 (uma canção que eu por acaso abomino e por isso não colo aqui) também foi o que mais vendeu na carreira naquela banda.

Deixo aqui quatro exemplos de músicas / discos que ele produziu. Apesar de serem artistas de estilos muito diferentes, há uma marca própria do Niles Rogers, algo que lembra um som  funk / soul, com sintetizadores e guitarras a fazerem ataques muito curtos e sincopados. Por exemplo, o Upside Down da Diana Ross e o Let's Dance do David Bowie têm praticamente o mesmo efeito de delay nos sintetizadores de cordas / guitarras e acabam por ter essencialmente a mesma base rítmica.

Diana Ross - Upside Down (1980)


David Bowie - Let's Dance (1983)


Madonna - Like a Virgin (1984)
 

E por fim, o primeiro álbum a solo do Mick Jagger, o She's The Boss, onde podemos observar a voz de Mick Jagger descontextualizada dos Rolling Stones e metida em canções produzidas pelo Niles Rogers. Pessoalmente, não acho o efeito muito positivo, mas foi um grande sucesso de vendas na mesma.

 Para além destes, produziu INXS (Original Sin), Depeche Mode (Route 66), Grace Jones (Inside Story), The B52's (Cosmic Thing)...

5 comentários:

Anónimo disse...

Grande ouvido Tolan! Os sons que referiste são, para mim, os sons característicos dos anos 80.

Anónimo disse...


Continua assim e daqui a nada estás a dar uma de Patrick Bateman.

António Machado disse...

deixar o clássico "Chic" de fora desta posta é esquecimento... ou desconhecimento?

Tolan disse...

não foi nem uma coisa nem outra. Tinha de escolher umas músicas e achei que o Chic destoava das outras. Devo dizer que estava a consultar uma lista de cenas que ele tinha produzido, não tenho estas coisas na cabeça. Só sabia a do Let's Dance e a Inside Out.

Pedro Faria disse...

Excelente!! ;)