sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Medium

A série que me sai sempre na rifa à hora de jantar é a Médium.


Não me importo de ver a Medium. A Patricia Arquette tem pelo menos dois bons argumentos como actriz. E tem o lado positivo dos episódios serem independentes uns dos outros e de terem sempre exactamente o mesmo formato, pelo que se perdemos um bocadinho, conseguimos adivinhar o que aconteceu e se sairmos a meio, sabemos como vai acabar.  Também aprecio a forma como o marido reage aos sonhos e pressentimentos dela. A forma como, após 7 anos de série, continua a fazer o papel do céptico razoável e sensato, a aturar aquela chanfrada que o acorda constantemente com visões do inferno... Desconfio que a Plaft encara aquilo como pedagogia para mim, para me ir educando. A Plaft às vezes sonha comigo e acorda toda zangada porque eu fiz não sei o quê num sonho e dou comigo  a desculpar-me, bestialmente arrependido. Bem, mas voltando à Allison, a gaja sonha que se farta com coisas que aconteceram ou vão acontecer, e os diálogos com o marido Joe são sempre assim:

Allison DuBois acorda angustiada e ofegante, depois de sequência de sonho com um crime.
Joe, o marido, acende a luz, fazendo o seu ar estremunhado #43.
- O que foi querida?
- Tive um sonho...
- São 3 da manhã, dorme.
- Foi o Jack. O Jack matou a a Samantha. Com o candelabro. Na cozinha.
- Vá querida, isso foi um sonho... Tenho de ir por as miúdas à escola amanhã.
- Não, estou a dizer-te, foi o Jack. Tenho de ligar para o ministério público.
- E vais dizer-lhes o quê?  Não tens provas. Foi só um sonho. Sossega querida.

 E depois segue-se o diálogo com o procurador público que faz sempre o papel de resignado ao sistema.
- Allison, não posso simplesmente prendê-lo sem provas.
- Mas ele vai matar outra vez!
- O advogado dele já está na sala ao lado a redigir um acordo. Lamento, Allison.
*grande plano de cara de Allison angustiada*

Depois segue-se o sonho definitivo, aquele que lhe diz quem cometeu o crime, onde está o corpo e as provas e depois a polícia vai lá e confirma-se. Quando o próprio acto de sonhar é um problema narrativo, por exemplo, não dá para esticar o episódio mais 5 minutos para meter a Allison a dormir e meter a cena padrão da conversa com o marido estremunhado, ela vê coisas acordada, é muito mais rápido e prático. Deve ser genial ser argumentista daquilo. Cria-se mistério aleatório até 9/10 do episódio e no último 1/10 despacham aquilo numa penada com um sonho mais concreto, a tempo de ir ao squash. E o engraçado é que resulta!

3 comentários:

anouc disse...

Também curtia experimentar squash.


Palmier Encoberto disse...

Essa série deve ser muito boa (nunca vi, snif)é que " O Jack matou a a Samantha. Com o candelabro. Na cozinha" é exactamente como no Cluedo. E eu ADORAVA jogar Cluedo...

Maria D Roque disse...

Medium ao princípio era giro, mas depois começaram os clichés do costume das séries sobre gajos com PESs e outros "dons"... apesar de não ser uma tipa arrumadinha, fico-me pelo Dexter... identifico-me muito com ele... Faz-me falta o cinismo e o pragmatismo das primeiras temporadas do House...