terça-feira, 11 de dezembro de 2012

caridadezinha

Da primeira vez ainda se podia passar cartão à Isabel Jonet, mas agora à 2ª,... Há pessoas que precisam da pobreza como bombeiros precisam de fogos a arder e médicos precisam de doentes no consultório. Há até garagens que furam pneus e riscam carros para ter negócio no dia seguinte. Estamos feitos, primeiro foi o Fernando Nobre a gerar a onda do "nunca mais dou dinheiro à AMI", agora é a do "nunca mais ajudo o Banco Alimentar". Que grandes ursos. A única coisa que se lhes exigia é que pelo menos parecessem menos detestáveis que os piores políticos. Nem isso conseguem. Crescem e fazem-se em microcosmos. Sim, podem lidar com a miséria e a pobreza. Mas nunca lidam com a coisa fantástica que é o polimento da crítica, da discussão, do confronto impiedoso, do escrutínio público. É por isso que um deputado subitamente parece uma pessoa razoável ao lado do Nobre. É uma coisa polida à pancada, um deputado. Um Nobre é uma coisa que de repente salta cá para fora e descobre com irritação que ninguém o respeita como dentro da caixinha de onde saiu. Conhece-se bem o género 'Isabel Jonet'. O prazer que retiram de aplicar o bem, não se imagina. O estatuto social que ganham no meio em que se movem, é uma coisa que dá gosto ver. Então agora, quando podem ajudar a classe média em decadência, a coisa melhora, dá para meter junto no saco do pacote de arroz o discurso moralista do eu bem avisei que tu eras pobrezinho, vê lá se poupas agora e te remetes à tua condição. Com o aumento da pobreza e a evidente falência do estado social, Jonet ainda lhe junta uma crítica ideológica à "solidariedade" que ela cola ao Estado. É normal, à medida que engrossa a fila do banco alimentar, o poleiro fica mais alto, pedem-lhe a opinião, dá entrevistas, coisa impensável num país com bons indicadores económicos em que a pobreza é um ruído de fundo. É "mais fria", a solidariedade do Estado, diz Jonet. Preferem os climas quentes, este tipo de aves. Preferem os sentimentos, compreende-se. O Estado existe porque todos (enfim, quase todos) pagamos impostos. É desagradável pagar impostos. É impessoal. Uma pessoa quando dá 1 euro de esmola sente-se bem, mas quando dá 750 euros por mês de IRS, sente-se mal. É um facto. Pagamos por coerção, ao fim e ao cabo. Mas somos pessoas quentes, nós, caramba. Pode ser uma coisa "fria", os impostos, mas sempre é uma grande fatia do rendimento de quem os paga e uma pequena fatia disso dava para imensas latas de atum e pacotes de arroz, não a usassem para coisas altamente discutíveis para as quais valia a pena dirigir críticas.

30 comentários:

Izzie disse...

De uma pessoa de classe média que prefere pagar impostos a, ainda por cima disso, ser preciso dar €1 ou uma lata de atum a um pobrezinho, palmas de pé para este post. Na última campanha engoli os maus sentimentos e contribuí, porque posso, e há muita gente a passar mal. Mas ou esta vaquinha sai do presépio, ou agora é que nunca mais dou nada.

(já agora, outro dia vi mais um contributo desta fulana, a tentar evangelizar a classe média, de novo, e pá, já chega. ela que fale do que sabe, dispensam-se as moralidades de merda.)

nAnonima disse...

abomino a palavra caridade. essa dependência católica feliz entre os riquinhos e os pobrezinho...

Anónimo disse...

Um pobre agradece....
Um cidadão tem direitos...

binary solo disse...

nao acho q se deva condenar o trabalho do Banco Alimentar por causa do que ela diz. O Banco e muito mais que Isabel Jonet. Esse talvez seja o problema. E o dela tambem, que agora ate ja se pinta para aparecer na tv. Da-se tempo de antena a quem de facto nao merece. mas boa malha escreveste aqui tolan.

Anónimo disse...

Eu não percebi um duodécimo do texto. Mas é aquele assunto mais que mastigado. Há até gente que aproveita para falar na Igreja Católica e criticar a América e o Bush filho. Esta gente (inclusive tu Tolan) não mete uma coisa na cabeça; A "Igreja" faz e fez muito mais que o Bloco de Esquerda. Se desconfio da Igreja? Desconfio. Mas não confio no Bloco nem confio no PCP. E não confio no Estado. Se aqui a caridade é um problema, isso passa. Com o tempo, isso passa.
R.

Anónimo disse...

Muitos bloquistas e muita classe média fazia voluntariado no Banco Alimentar. Os próprios sempre tiveram essa atitude de caridadezinha. Agora que o Estado está a apertar com eles, já é caridadezinha e a Isabel Jonet um monstro. Hipócritas.
Confio muito mais em quem promete o céu, do que quem promete o céu na Terra.
R.

Anónimo disse...

E o Sérgio Cravos esparramachou um texto teu no Arrastão...
Fiquei magoado :(
R.

tata disse...

Infelizmente, na altura que se levantou aquela onde antijonet por causa daquela entrevista, repugnou-me profundamente a mesquinhez desta gente que em vez de pensar na vida se põe a criticar segundos e terceiros sentidos das palavras de outras pessoas. Outras pessoas essas que, independentemente do estauto adquirido com a sua função, dedicaram a sua vida a solidarieda ou caridade, para mim é a mesma coisa. Porque como dizes, já não é um ruido de fundo, isto de ser pobre, isto de precisar de pacotes de arroz para dar aos filhos. Mas agora tenho de reconhecer que se calhar a senhora fazia melhor em recolher alimentos, como sempre fez e tão bem, e manter a boca calada. Contrate uma RP que lhe faça essa caridade.

Tolan disse...

binary, os representantes de uma ONG têm o papel de embaixadores. Se são convidados para falar sobre temas como fome, caridade, etc. fazem-no como representantes institucionais da ONG, quer queiram quer não.

Anónimo disse...

Tolan. Não sei a que "mendigos" te referes. Mas cuidado com o assunto. Atualmente um sem abrigo é o quê? Uma pessoa que dorme na rua? Ou uma pessoa que recebe alimentação e roupa dos grupos vários que vão a St. Apolónia? Ou uma pessoa que vai à metadona e dorme na albergaria da estrada de Chelas e em Xabregas? Ou é uma pessoa que recebe o RSI?
Não confundas as coisas. O Estádio de Leiria empregou gente. É o chamado investimento público. O que tem isso que ver com o trabalho do Banco Alimentar?
Desculpa fazer atestado de causa, mas eu sou de Chelas, cresci efetivamente com todo o tipo de pobreza, criminalidade, exclusão e carência. Um familiar meu muito chegado fez gestão das albergarias em Lisboa.
Se é caridade? É! Se o Estado tenta acorrer a tudo e cria deformidades enormes? Cria. Basta ver o programa (socialista) da metadona e as reformas de 200€. Agora não sei o que tem isso que ver com os sem abrigo que falas. Não acredito na caridade do Estado. Acredito na vontade das pessoas, com rosto e forma. Muitos destes caramelos que andam pelo Arrastão gostariam de ser a Isabel Jonet. De ter a caridadezinha dela, de poder usar isso. Sucede é que subiram à classe média justamente porque o Estado torrou € onde não devia e agora tem de cortar. E agora não aceitam que haja alguém a fazer "caridade".
Repito, hipócritas.
R.

Anónimo disse...

Entretanto apagaste o teu comentário...
R.

Tolan disse...

rais parta, pois apaguei, mas foi antes de ler o teu!

Bels disse...

Mais um grande texto. Parece que há muita gente que confunde caridade com estado social...

Anónimo disse...

Tolan, vamos esquecer o Nobre e a Jone. Porque eu acredito piamente que isto não se trata da Jonet nem do Nobre. Um e outro não servem para divulgar mensagens. Principalmente nesta situação de aperto e crispação social. Agora, «a caridade é um sintoma de que algo de fundo precisa de ser corrigido» isto é do mais bolchevique que pode existir. Isto é querer o céu na terra. A igualdade na terra. Com maior ou menor taxa, a probreza e o desemprego são uma constante na sociedade atual. Seja na Finlândia, seja na Alemanha. Onde queres chegar com o Estádio de Leiria? Queres escrever que o Estado investiu onde não devia e sem proporção? Apesar de socialista, corrupto e hiperatrofiado, o Estado Português conseguiu num espaço relativamente rápido, retirar milhares de pessoas das barracas em Lisboa. Atualmente o problema do Estado é justamente esse, a má atribuição de renda, o crescimento ingovernável de défice. E tu estás a dizer-me que deve ser o Estado a garantir na mesma a "solidariedade"...
Dou-te um exemplo que dei em cima. O Estado apoiou na década de 90 a discriminalização da heroína e com pacatez criou milhares de viciados. Hoje, torra 1500€ (ou mais) nos programas da metadona, sem que haja estudos que garantam o custo/benefício, reincidências e sucessos de tratamentos. Entretanto, um velho (independentemente de ter poupado ou não) recebe uma pensão mínima de 200€.
Isto é o que o Estado faz. E ainda queres mais estado a monopolizar a "caridade"?
R.

Isa disse...

R. I love u!

Cuca disse...

Parece-me que aqueles que recebem não estão especialmente interessados em saber se o nome que se dá àquilo que os faz receber é caridade ou solidariedade. Parece-me também que esta não é boa altura para desmotivar esses gestos. Sejam movidos por caridade ou por solidariedade.

Cuca disse...

E, R., o estado não descriminalizou a heroína nem criou toxicodependentes. Distinguiu, e bem, o consumo do tráfico por razões sociais e de politica criminal.

Anónimo disse...

Cuca... deixemos de lado as preciosidades da lei. Conhece porventura o famoso Casal Ventoso. Serafina, Quinta do Lavrado etc. Se os conhece sabe que a droga era vendida a céu aberto. Hoje, ainda se vende cocaína a céu aberto em muitos bairros sociais. Sabe o que isso é? Distribuição de renda. Se acha que distinguiu bem, é porque não lhe interessa a atual política de re-inserção, a má distribuição de renda (com buracos enormes no pequeno tráfico) e os custos que o Estado terá no tratamento destes casos no futuro (ou não).
Quanto ao assunto da caridade ou da solidariedade, até acho que o Estado aloque recursos em casos de pobreza extrema, através de fundações, acordos com a Igreja etc.
R.

disse...

ainda não entendi como é possível que continue a ser argumentada uma ideologia (é só disso que se trata) que implica uma hierarquização social agressiva que lance os pobres para a inevitabilidade da sua condição. num país de novos-ricos como o nosso, já que os ricos são muito poucos, só pode ser um caso prático do "não queiras servir a quem serviu", ou por consequência, da falta de educação cívica e de noções básicas de dignidade humana.

a Isabel Jonet é apenas um macaco a quem deram um microfone e agora não o devolve.

Funcho disse...

solidariedade
(solidário + -edade)
s. f.
1. Qualidade do que é solidário.
2. Dependência mútua.
3. Reciprocidade de obrigações e interesses.
4. Direito de reclamar só para si o que se deve a todos.

caridade
s. f.
1. Boa disposição do ânimo para com todas as criaturas.
2. Qualquer manifestação dessa disposição.
3. Pena que se sente pelos sofrimentos alheios.
4. Esmola.
5. [Irónico] Dano, ofensa.
irmã da caridade: religiosa sem clausura que se dedica ao tratamento de doentes pobres.

in http://www.priberam.pt/dlpo/

Maria D Roque disse...

Caridade, solidariedade, protagonismo, demagogia...

Desbocado disse...

A Mulher está maluca, coitadinha... Concordo contigo Tolan

DESBOCADO!

purpurina disse...

não será antes "Da primeira vez ainda se podia NÃO passar cartão à Isabel Jonet (...)"?

não passar cartão = ignorar, não dar importância

ou percebi mal o sentido da frase?


[podes apagar o comentário, não acrescenta nada à discussão]

Anónimo disse...

foda-se.

o que nos define melhor, as nossas motivações ou as nossas acções?

um gajo que dá um tiro numa pessoa e a mata torna-se automaticamente um assassino?

uma pessoa que passa a vida oferecer comida aos outros é automaticamente bondosa e caridosa?

parece-me evidente que a senhora jonet é motivada por tudo menos pela "caridade" se a entendermos como "fazer bem ao próximo". eu diria que a senhora faz política e não caridade, na medida em que ela acredita que a sua acção ajuda a promover um determinado tipo de organização social que ela acredita ser o melhor. no fundo, o que a senhora diz nesta entrevista ao I e o que disse na SIC, é a famosa frase "vivemos acima das nossas possibilidades" trocada por miúdos. a punição inerente a esta frase está bem personificada em jonet que nos diz o que devíamos ter feito e não fizemos. só falta andar com uma régua para bater na mão dos outrora remediados que agora têm de recorrer ao banco alimentar.

contudo, a sua acção resulta efectivamente na melhoria, pelo menos momentânea, da vida de algumas pessoas e acho que só mesmo alguém muito parvo se pode atirar contra o banco alimentar.

resumindo, acho que andamos todos a perder tempo com quem não merece. existem por aí tantas jonetes, algumas tão perto de nós, que se torna contraproducente concentrar-mo-nos apenas numa.

e toma lá os meus 5 tostões!!!

Tolan disse...

Eu não me atiro ao banco alimentar. Acho até enervante (e digo isso no post) que os lideres de ONGs como a AMI ou o Banco Alimentar não estejam à altura do exigido e perturbem as instituições que dirigem ao confundir a sua vaidade ou ambição pessoal com o cargo que desempenham. Sim, há Jonets próximas, mas quando a Jonet fala na condição de presidente do Banco Alimentar, está a representar o Banco Alimentar. É apenas normal que as pessoas, ao não se reverem nela, possam contribuir para outra ONG ou, caso após caso, comecem a desconfiar das ONG e prefiram dar directamente, sem passar pela ONG. Já fiz um importante trabalho pro bono para uma dessas organizações e hoje pensaria duas vezes. O que aborrece é exactamente o que tu dizes, é instrumentalizar a crescente importância do Banco Alimentar para travar uma guerrinha ideológica e implicitamente defender a substituição do Estado Social pelas esmolas.

Anónimo disse...

Portanto Tolan, preferes ter o Estado a regulamentar e a distribuir. Isto não está muito longe do calvinismo e do jacobinismo. Mas agora trocas a instituição.
Quanto aos comentários e análises da pessoa "Jonet" só me ocorre um revanchismo de classe muito Português. Nada de novo. Muito típico na classe média em Portugal.
R.

Anónimo disse...

O Banco Alimentar não é a Isabel Jonet. Tal como a Santa Casa não é o Santana Lopes. Quem quer ajudar ajuda. Quem não quer, não dá e vai à manifestação beber cerveja na happy hour. Dê por onde der, esta escumalha da classe média vai ser saneada. Nunca souberam ser terranentes e agora andam a grasnar. Bah.
R.

Anónimo disse...

O R é fraco, revela o mau ajustamento do modelo.

Anónimo disse...

Podia também dizer-se que o R é quadrado. E que o R-quadrado é fraco.

Anónimo disse...

jonet pá amiga de cascais:

- ricáaaa, o meu pobezinho é mais pobezinho quseu, não sei se tá ver quidáaa!