sexta-feira, 30 de novembro de 2012

um truque literário

Tenho alguma relutância em partilhar os meus truques, enfim, nisto da escrita há muito de magia, muito de encenação e é preciso dar margem ao leitor para nos imaginar como mais lhe convém. Então cá vai: quando escrevo para o romance  - neste momento trabalho no 2º - tenho em cima da secretária estes dois peluches que comprei no IKEA:
Trata-se do Raposo Extremoso e o Raposinho Rebelde. Se no primeiro romance, que se encontra em apreciação editorial, eu tinha essencialmente uma Plaft imaginária em mente com quem queria  mitigar a minha terrível solidão e desespero existencial que me impelia para um inexorável suicídio lento pelo alcoolismo, neste aqui o público é mais amplo, quer em número, quer em termos de faixa etária. Os mais atentos podem observar que se tratam de raposas. De facto, são raposas, a observação dos mais atentos não é incorrecta. Escolhi estes dois porque vinham juntos e porque após uma breve troca de impressões houve alguma empatia no que respeita a cores favoritas e ao melhor disco dos Beatles (azul, white album). E por cada peluche, há um euro que vai para educar crianças pela fundação do IKEA, o que pode ajudar às vendas pois crianças mais educadas podem ler-me quando forem adultas e eu já for velho e não tiver reforma devido à falência do estado social. É portanto, um investimento. Desenganem-se os que pensam que o livro é um livro infantil. Não há nada de infantil em raposas, podia ter escolhido focas ou pinguins por exemplo, se a ambição fosse essa. Trata-se também de um passo intermédio para um dia eventualmente escrever para "homens". Para já, são os dois do sexo masculino, isso é um avanço. Ao mesmo tempo, não comprometemos totalmente o sexo feminino. É bastante fácil prever que a Plaft ficará curiosa ao observar o Raposo Extremoso a ler o primeiro draft ao Raposinho Rebelde, os dois ora a esfregar a pança de rir, ora a ensopar a pelúcia de  lágrimas amargas de raposa. O golpe decisivo serão os momentos em que o Raposo vai tapar os olhos ao Raposinho e a passar à frente no texto, olhando para mim com ar meio censurador, meio cúmplice e lambão.

11 comentários:

disse...

dir-se-ia que estás obviamente enganado, que o melhor é o Sgt. Peppers, mas isso diria quem entende por boa música o harmonioso tilintar de instrumentos como se fossem windchimes (curioso o sucesso destes, até comigo) e o trabalho de estúdio dos génios, acho que foste tu quem ainda há semanas falou do Nevermind, (isto já retirando do plano aquelas pessoas que gostam de som e não de música, aqueles que investem em cabos de ouro e depois ouvem Enigma, mas que também têm opinião sobre a discografia dos Beatles). na verdade concordo contigo, o Sgt Peppers sofre do monopólio do irritante génio dos rouxinóis McCartney, isso torna credível que tenha lançado para uma depressão o Brian Wilson. o White Album é mesmo o melhor, para mim porque se distinguem claramente os dois génios, de uma música para outra, e dentro destas, e porque não há nenhum álbum com hegemonia do Lennon e a sua capacidade de ter impacto (se calhar porque a sua arte se esgota no contraponto). assim provavelmente a presença partilhada do McCartney até o torna melhor. ainda por cima é duplo. caralho pá, vou ouvir isso agora. acerca de truques literários, tenho pouco para dizer.

Maria D Roque disse...

"Trata-se também de um passo intermédio para um dia eventualmente escrever para "homens". Para já, são os dois do sexo masculino, isso é um avanço."... quer dizer que por enquanto só escreves para as bichas, as raposinhas, certo ?

AM disse...

o melhor é o Revolver
até as raposinhas sabem

Tolan disse...

é o 2º melhor. É difícil escolher entre um e outro, só que o White Album consegue captar mais a essência de tudo o que é Beatles ao ter o lado ambicioso / conceptual que está no Sgt Peppers mas também com música decente que, como muito bem diz o Zé, é coisa difícil de encontrar na maluqueira do Peppers.

AM disse...

o sgt. peppers não tem música "decente"!!!???
isso vindo de quem posta verónicas...

Tolan disse...

estamos a falar do standard Beatles. Claro que tem, claro que sim.

Tolan disse...

Só acho que é um disco demasiado datado. É interessante por isso, sem dúvida, mas quando passam quase 50 anos, o aspecto do experimentalismo perde relevância. Sobram grandes músicas (que tem) mas o efeito original dilui-se... muitas daquelas ideias foram trabalhadas e refinadas depois, inclusive, por eles, nos albuns seguintes. Na minha cabeça, o Sgt Peppers é o disco mais importante da pop, mas não necessariamente o melhor.

Maria D Roque disse...

Não sou uma autoridade da matéria como V. Exas., mas na minha humilde opinião , o melhor álbum dos Beatles é sem dúvida o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band- ponto.

Tolan disse...

Maria, se não és uma autoridade na matéria como eu, o Zé e o AM que temos o certificado "Autoridade Em Matérias Diversas, incluindo Música Popular", a tua opinião, sempre bem vinda, não tem sustentação e credibilidade. Mesmo assim, obrigado.

Maria D Roque disse...

Obrigada, mestre, obrigada !!! ;D

Bárbara Sá disse...

Boa tarde, desculpe contacta-lo por esta razão. .. hoje é o aniversário da minha filha. A coisa que ela mais queria são exatamente estes peluches. O problema é que foram descontinuados :(
Não consigo arranjar em lado nenhum.
Não poderia vender-me os seus? Por favor :)