segunda-feira, 26 de novembro de 2012

os animais são outros

Classificam na lei um "animal" como uma coisa. Um homem arrasta um cão atado ao pára-choques do carro e deve levar uma multa de 500 euros porque "o estado nestes casos costuma aplicar a coima mínima".

As leis são um reflexo da sensibilidade moral dos povos. A lei actual representa o que os portugueses pensam dos animais? Tenho dúvidas. Esta ideia é católica, a da separação entre homem e do resto dos seres vivos que têm um papel utilitário. Qualquer pessoa que prive com gatos ou cães, tende a colocar de parte estas concepções de homens vs. resto da natureza. Reconhece nos animais exactamente os mesmos sentimentos que no homem: amor, medo, ciúme, alegria, tristeza, capacidade de sonhar... A lei é desfasada e anacrónica daquilo que é o sentimento de moral actual, como são tantos outros dogmas da igreja nos quais muitos católicos, especialmente os mais jovens, não se revêem. Neste momento, a lei considera que um tipo que arraste um cão atado ao carro pela estrada comete um crime inferior a não ter um chip numa matrícula electrónica. Num estado americano como Washington um tipo pode ir parar à cadeia 6 anos por maltratar de propósito um animal. Até quando vamos continuar a ter leis de idade média?

20 comentários:

Maria Costa disse...

Não consigo perceber que em pleno século 21 não se altere uma lei como esta.Estou aqui a olhar para os meus gatos e a pensar o que faria se alguém lhes fizesse mal.Será que nunca viram um animal sofrer? Um animal contente? A brincar? Com cíumes? Amuado? Apenas não falam...como nós.

Maria D Roque disse...

Há animais racionais e animais irracionais, que são as bestas que cometem crimes deste tipo. Não lhes pode assistir qualquer tipo de razão ...

Vareta disse...

Pois sim. Mas onde é que traças a fronteira? Em termos éticos, um cão vale mais que uma aranha porquê? E os ratos? Até são mamíferos e tudo, se é esse o critério. Vamos por afectos? Ou ilegalizamos o Dum Dum?

Desbocado disse...

A justiça em geral é uma vergonha....

DESBOCADO!

Izzie disse...

Queres que te explique porque é que em Portugal não há nenhuma lei que puna a crueldade sobre animais? Tourada. É a pura verdade. Porque quem espeta bandarilhas num animal para gáudio de tantos cairia logo na previsão, e não podíamos deixar que isso acontecesse, né, olha a tradição. É chocante, é ultrajante, mas é o estado das coisas e da civilização que temos.

kiss me disse...

Tenho quase a certeza que se soubesse quem fez isso, muito boa gente faria justiça pelas próprias mãos. Assim um enxertozito de porrada, como quem não quer a coisa....

Tolan disse...

Vareta, isso é uma discussão muito teórica. A lei está cheia de linhas traçadas. O aborto legal até às xis semanas, a diferença entre um crime passional, um premeditado, a classificação de um determinado monumento como património da humanidade etc. etc.

Tolan disse...

um tipo que é capaz de fazer mal a animais por sadismo tem mais probabilidades de fazer o mesmo a seres humanos. Basta ver as biografias de psicopatas que começam por fazer experiências com gatos e cães. Os assassinos do martelo de Dnepropetrovsk são um exemplo, as primeiras "brincadeiras" foram com gatos. Quanto ao tipo que atou um cão a um carro, será maior a probabilidade de ser alguém violento e impulsivo ou de ser um tipo compreensivo e carinhoso? "beijinhos querida, até logo meninos, estudem e portem-se bem, o pai vai só acorrentar o cão ao carro e arrastá-lo pelas ruas, até logo! beijos!"

Maria D Roque disse...

Bem, nas séries e filmes, na ficção portanto, todos os profilers traçam o perfil psicológico dos serial killers como sendo pessoas com N +1 problemas, que começaram sempre por matar e torturar animais. Em assim sendo, eu a este tipo prendia-o e deitava a chave fora. E falar nas touradas, bullseye !!

Anónimo disse...

«Até quando vamos continuar a ter leis de idade média?»
Na Idade Média a América ainda não tinha sido descoberta. É natural que não se ouça dizer sobre as leis Americanas "que lei da Idade Média". Pelo que acho natural haver esse anacronismo.
E eu sou o verdadeiro R.
Tolan, mete lá ordem no boteco que anda aí um paniló a copiar-me a identidade!
R.

Anónimo disse...

E estás a ficar gay. Um post sobre animaizinhos! A sério?
A semana passada louvava-te. Esta semana, estás em crise de genialidade.
Pareces mesmo um designer da alta costura, cheio de idiossincrasias e alto e baixos.
R.

Tolan disse...

Crise de genialidade... hmm... acho que posso viver com essa crítica de não ser sempre 100% genial... sim, acho que posso...

Anónimo disse...

Gostar de animais ou defender os animais é ser gay? Vou ali e já venho.

Anónimo disse...

Gostar de animais não tem nada que ver com "legislar" sobre animais. Legislar sobre animais a meu ver é como legislar sobre o véu.
Há outros freios para lá da Lei.
R.

Anónimo disse...

Tolan, escreve na tua cabeça o conselho que te dou; O MUNDO OU NADA!
R.

Vareta disse...

Por causa de fugirmos de tantas discussões "muito teóricas" é que estamos neste regabofe prático...

Vareta disse...

É muito fácil traçar linhas em legislação que se aplica a "humanos", mas a legislação sobre "animais" começa logo por um enorme problema: qual a definição de "animal"? E não estou a ser um picuinhas da etimologia - a questão é muitíssimo importante, ainda mais se nos perguntarmos porque é que nos exceptuamos dessa definição. Ou seja: tem menos a ver com "protecção dos animais" do que com metafísica e com a possibilidade ou impossibilidade da ética - e com a possibilidade ou impossibilidade de se ter uma "posição" seja sobre o que for.

Tolan disse...

Achas fácil traçar linhas na legislação sobre os humanos? Não acho nada. Basta ver as gigantescas diferenças na lei para o mesmo "crime" em países diferentes, culturas diferentes, épocas diferentes... alguns nem são crimes num país e no outro dão direito a pena capital como adultério ou homossexualidade. No caso dos animais poderias considerar duas coisas. Por um lado a complexidade / consciência do seu sistema nervoso que é exactamente o mesmo princípio que, à luz da lei, separa um embrião com umas células de um feto com 5 meses ou a diferença entre alguém em morte cerebral, a quem se pode desligar a máquina e alguém consciente. Assim resolvias o problema utópico da formiga vs cão ou mosquito que tanto preocupa os católicos. Por outro lado, incluías a questão da intencionalidade / motivo. Uma coisa será matar um porco para alimentação, outra diferente será matar um porco por diversão, ritual ou crueldade. É, aliás, este ponto que escapa aos defensores da tourada quando acusam os que são contra a tourada e que não são vegetarianos de incoerência.

Lili C. disse...

Isso é ridículo. Há, na ideia da separação do Estado e da Igreja, tanta hipocrisia ( ok muitas vezes por enraizamento) por falta de reflexão intelectual séria que aparecem estas situações que só dão nojo.

Vareta disse...

Estamos, portanto, a falar de eugenismo em animais? Uns são complexos, outros são simples - e os simples que se lixem? E quererias um princípio desses consagrado na lei?

Já agora, comprar um perú para o Natal não é, de certa forma, participar de uma morte ritualística?

Não penses com isto que eu estou a vender o evangelho vegan - porque esse padece exactamente da mesma falta de discussão: porque é que hão-de ser os nossos standards e parâmetros a definir que os vegetais "valem menos", que a sua existência tem menos valor que a dos animais? E não tem nada a ver com religião, tem a ver com o facto de aceitarmos "hierarquias teóricas" sem as questionarmos.