quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

antes era capaz de escrever sobre livros e agora já não sou

Olá. Este livro é o Ada Ou Ardor. Ada é o nome de uma miúda e não de uma pomada contra queimaduras solares. Ah. ah.

Este é o Nabokov, que foi quem escreveu o livro Ada ou Ardor, o Lolita, o Convite para uma Decapitação e o Dom e até um sobre Gogol, tudo livros que o Tolan já leu, porque é uma pessoa muito culta.

A bem da verdade, ainda estou a ler o Ada ou Ardor. O senhor Nabokov também era borboletófilo ou borboletífero (não é o nome científico correcto, mas é um do género, para designar uma pessoa que estuda borboletas). Também era sinestésico, que são aquelas pessoas que confundem visão com som e som com visão e que por isso acham muito ambíguo o título do álbum Sound and Vision do David Bowie. Os livros do senhor Nabokov do género deste Ada ou o Ardor, pautam-se por um certo desprezo intelectual pelo leitor. Nunca sei se estou a gostar do que leio ou a ser insultado, provavelmente ambos. Ele mistura coisas, entendem? Não, não entendem. Como é que eu hei de explicar isto... É como uma criança prodígio emancipada e com muitas coisas na cabeça. Às vezes ele consegue escrever assim umas frases que nunca existiram antes, mas não sei até que ponto o propósito dessas frases, que no conjunto formam um romance, não é precisamente o de ser uma coisa que nunca existiu antes. Às vezes dá vontade de o abanar e exigir "sê normal pá, o que é que queres dizer? porque não o dizes? Porque tens de inventar nomes de continentes e palavras inexistentes e falar tanto de borboletas?" só que isto da literatura não é a mesma coisa que comunicação, como aprendemos na escolas, nem sequer comunicação unilateral, do estilo, só o autor é que comunica connosco. Este é um daqueles autores que tente a remeter o leitor para um papel de observador enquanto ele vai fazendo as suas coisas. Isto é patente nos diálogos de narradores, os amantes Ada e Van, que se interpelam um ao outro e dão a sensação de estarem a escrever um para o outro, na presença um do outro, num jogo que é secreto e com regras próprias, como acontece entre amantes dignos desse nome. E pronto.

Vocês podem não acreditar nisto, mas só agora li esta citação:

"uma obra-prima de ficção é um mundo original e, como tal, não é plausível de encaixar no mundo do leitor" - Nabokov

Eish. Tungas.

4 comentários:

Espiral disse...

Percebo perfeitamente.

O livro dele "Fogo Pálido" é totalmente assim.

Leste esse?

Tolan disse...

Não, ainda não.

David disse...

Lepidopterology, é assim que se diz. Sei isto porque estava na wikipedia a ver quem é um gajo chamado Ribas que o sporting comprou.

Cuca disse...

Esse é, na minha opinião, o melhor livro do Nabokov.