quarta-feira, 11 de maio de 2011

feira do livro, diálogos e toneladas de livros

Uma das coisas que gosto na feira do livro é de ver quem são os leitores, quem são as pessoas que compram tal e tal livro, quais os clichés.

Alguns diálogos ouvidos de relance:

- Estas traduções são muito boas, são do Filipe e da Nina Guerra, leva este.
- O Crime e Castigo? Não é muito pesado?
- Não, lê-se bem, a sério. Leva.
- Não sei... parece um bocado difícil...

(nota: passei exactamente pelo mesmo, isto de tentar convencer alguém a ler Dostoiévski, não sei porquê, há um tipo de leitores que olha com notável desconfiança qualquer coisa que se assemelhe a boa literatura e que não tenha capas com pétalas e chaves e desertos)

Intelectual, aos gritos, para a senhora a atender:
- Quero o Era do Vazio... é do Guies Lipovetsky, mas já deve saber isso com certeza. Eu sei que é um livro um pouco datado e tal, enfim, discorre sobre as novas relações sociais caracterizadas pela redução da violência e a transformação das suas manifestações em... obrigado, quanto é?

Intelectual com pinta de anarquista, folheia um livro numa editora refundida e às tantas vira-se para o pobre senhor solitário da banca:
- Pois... publicaram isto com estes desenhos... eu bem avisei o António, mas o António está-se a cagar. Para fazer estes bonecos pagavam-me a mim. É o costume, há pessoas que estão nestas coisas é para ganhar dinheiro com livros. Não fazem as coisas por amor à arte... é só aldrabões!
- Pois.
- É só aldrabões... olha para isto, está aqui uma rica coisa... pff...
- Pois é.


Eu ontem foi os 4 volumes do guerra e paz de Tolstoi, O Adolescente e o Coração Fraco e Outras Histórias de Dostoiévski, os três volumes da trilogia americana de John Dos Passos, a obra completa de um autor que agora não me lembra o nome mas que é incontornável etc. Depois para literatura juvenil, os contos de Oscar Wilde, uma farturinha, contos de Christian Andersen, Alice Do Outro Lado do Espelho de Lewis Carrol, as aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain e o Trópico de Câncer do Henry Miller. Sei que os devia ter comprado em inglês mas um dia tenho um filho português.

E uma série deles que também são incontornáveis mas que não me lembro do nome, só sei que não os consegui contornar. A ver se nos próximos dias trato do resto. Gosto depois de empilhar as aquisições da feira em cima de uma mesa e ficar a olhar para elas, como se fossem o meu tesourinho. Ainda tenho alguns livros da feira do ano passado que não li, mas isso é apenas um detalhe.

7 comentários:

Efémera disse...

Também eu sou culpada em relação a ainda ter livros da feira do ano passado por ler e mesmo assim ir comprar outros este ano. É que há promoções tão boas, e a vontade para ler certos livros vai variando muito. Mas há alguns que este ano não me escapam.

Ps. Fiquei a pensar sobre ires engordurar os livros novinhos com as tuas manápulas sujas das farturas. Espero que não seja verdade :3

Anónimo disse...

Por curiosidade: falamos de que preços? Novos? Usados? Alguma "banca" preferida?

hierra disse...

eu tb ainda tenho livros por ler da feira do livro do ano passado!

Maat disse...

comigo acontece o mesmo. uma pessoa deixa-se levar. porque é mais barato, porque está na feira do livro e tem mesmo de comprar livros, porque quer e pode no fundo, e acaba para vir para casa com uma saca cheia.
ano passado comprei 6 mas só ainda não li o idiota do dostoievsky (mas já comecei). de resto, já mamei os dois saramagos (comprados antes dele morrer e numa super promoção), um do miguel torga, aquele dos 90 clássicos para pessoas com pressa e outro qualquer que não me recordo de momento. só na tenda da leya derreti uns bons euros.
estou ansiosa que comece a deste ano. ainda por cima agora desde que saiu do pavilhão rosa mota é ao ar livre e é muito mais apetecível.

Tolan disse...

livros novos, normalmente, não percebo nada de livros antigos... bancas preferidas tem mais a ver com o catálogo, a priori não tenho nada decidido, mas posso dizer que normalmente é a Presença, Assírio & Alvim, Relógio D'Água, Teorema... também gosto da Tinta da China e antes gostava das da Cavalo de Ferro que não vi lá na feira este ano.

Diego Armés disse...

Se precisares de ajuda para dar conta das "sobras", eu agradeço contribuições temporárias para a minha biblioteca. Esgotei tudo. Já ando a ler a Fang Fang, vê lá tu...

Anónimo disse...

... Henry Miller juvenil logo a seguir ao Tom Sawyer?... :p