quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

mais uns pais

Aconteceu finalmente. Os últimos resistentes estão a cair. Até os amigos de quem nunca esperei esta decisão, têm filhos, sem sequer me consultar. E sem ser por acidente, com a empregada brasileira ou a secretária. Não me interpretem mal, acho excelente ter crianças, mas é preciso admitir que a individualidade dos pais desaparece em boa parte, se pretendem ser bons pais, evidentemente.

No campo, é sabedoria comum que as cadelas ficam melhores para a caça depois de terem uma ninhada e com as mulheres é igual. O 'melhor para a caça' resume-se a maturidade e foco. O instinto maternal leva-as a focarem-se mais nas coisas práticas e concretas, seja um coelho a fugir, seja uma promoção o trabalho. E começam a dizer coisas como "para mim o Paulo Pedroso devia ser executado" (ouvido de uma mãe recente). Percebemos que está ali um animal com um instinto primário quando sente uma ameaça à prole. Li num livro que só usamos parte da capacidade muscular por questões ligadas a sinapses e impulsos e que em situações de stress os nossos músculos até podem levantar um automóvel ou partir ossos e é isso que vejo numa mãe a dirigir-se à última caixa de Nestum no Pingo Doce que eu por acaso até estava quase a meter no carrinho, só por curiosidade e devolvo à prateleira rapidamente.

Depois, nos gajos o que sucede é que ficam cansados e sem tempo. A energia vital esgota-se, ficam uma sombra do que foram, uns zombies a conduzir carrinhas meganes com cadeirinha de bebé e tarados por rabos de miúdas de 20 e poucos que passam na rua. É um desastre. Elas e eles crescem décadas de repente, no dia em que são pais e ficam parecidos com os meus pais em vez de serem parecidos com os meus amigos. Mas eu acho bem, acho tudo muito bem.

Eu gostava de ter filhos também, para fazer experiências pedagógicas. Deve ser interessante ter alguém impressionável e moldável ao nosso dispor. É um bocado como no jogo que estou a jogar agora, o Mass Effect 2, temos uma squad de guerreiros de elite e podemos especializá-los em certas áreas, um pode ser sniper, o outro dominar energia telepática, o outro ser especialista em armas pesadas etc. e nós damos ordens. Se eu tivesse filhos era para fazer uma squad do género. Um seria o cientista maluco, o outro o artista e depois treinava um para ser jogador de futebol e garantir-me uma reforma confortável.

O difícil é o que fazer de uma rapariga, as raparigas não servem para nada, só dão stress e quando chegam aos 19 ou 20 já querem sair à noite e falar com rapazes. Só se fosse geek e feia. Aí gostava dela porque os rapazes não gostam de raparigas feias. E eu dizia-lhe "tu és feia, não percebes? só o pai é que gosta de ti" e depois aos 30 lá arranjava um senhor rico de 40 ou 50 que me garantia a reforma. Não sei, não percebo muito de paternidade.

15 comentários:

A Chata disse...

ainda bem que não sou tua filha...

Tolan disse...

Se fosses minha filha não andavas certamente no engate nos blogues à 1 da manhã que eu não deixava.

Maria disse...

OMG

Andorinha disse...

No último casamento a que fui há umas fotos inéditas minhas: Sofia com uma criança ao colo. Eu gosto de putos, até gosto de os animar e tudo, mas essencialmente sempre gostei dos filhos dos outros. Neste último casamento a mãe da criança era o oposto do descrito no teu post. Enqto q com uma elegância fora de série, montada em tacões de 10 centímetros, se preparava pra dar o peito, disse: Sofia, dá-me daí o Mateus. Assim como quem pede um saco de batatas da esquina da despensa. E eu peguei no puto. Ela dava de mamar e dizia: tenho tantas saudades dos meus vícios. Quero a minha imperial, o meu cigarro, sair à noite... não me entendas mal, eu adoro o meu filho! mas há mais coisas na vida que trocar fraldas!
Eu fiquei entre a sentida admiração e um: assim também posso ter! E ela vai e dá-me a criança outra vez com um: segura aí! eu agarrei no Mateus como seguro na Petzi, o puto curtiu, ninguém disse coisas estúpidas tipo "tens jeitinho" nem o "estás a treinar", e por isso continuei a segurar na criança a tempo de me tirarem uma foto com ele.
Isto já vai num post, desculpa... identifiquei-me bastante contigo neste episódio e por isso te digo: há alturas em que até é fixe. Acho!

I. disse...

Eu sou como o Reininho, gosto do riso das crianças dos outros.
E os meus amigos estão muito parecidos com os meus pais, até me olham da mesma maneira que eles olhavam quando eu tinha 15 anos. Medo.

Isabel disse...

À vezes penso que quero muito ter filhos, outras vezes não consigo perceber qual o interesse de tal missão e adio mais uns anos. Nem me falem no assunto!

Pilar disse...

quando tive a minha filha a parte que mais gostava era essa: podia mandar numa pessoa a toda a hora, sem limites. passado uns tempos já não tem piadinha nenhuma, não a parte do mandar [isso ainda é fixe] mas a parte de os fazer obedecer - é chato e obriga a gritar e inventar castigos diferentes.

não aconselho. filhos são uma maçada grande, não dão jeito quando queremos sair à noite nem quando não nos apetece fazer o jantar mas tem de ser.

a parte pior é quando são pequenos e não deixam dormir [muito mau].

Pusinko disse...

Gostei do teu post e, até certo ponto identifico-me com ele.
No entanto, acho que essa vocacao imposta nao vai acontecer, especialmente se algum dia enfrentaste os teus pais para impores a tua vontade, aposta que os teus filhos assim farao. Ou deviam.
As filhas... com que idade comecaste a falar com raparigas em pequenos +/- inocentes flirts e sair à noite? Pois... é capaz que nao tenha sido aos 19/20 mas um nadinha antes. :p

A Chata disse...

Oh paizinho, não sejas mau para mim...

Beatrix Kiddo disse...

O cientista maluco, o artista e o jogador de futebol filhos do mesmo pai...gostava de encontrar um exemplo real desses

hierra disse...

que ideia de maternidade e paternidade tão sinuosa :)

Anónimo disse...

só para dizer à sofia ali de cima que quando ela disse "dá-me daí o Mateus" eu imaginei o mateus rosé e não o mateus bebé.
toda a gente sabe que não se deve beber quando se amamenta.












(se isto aparecer em duplicado, a culpa não foi minha, que detesto repetir-me)

Andorinha disse...

Não, não, é mesmo o nome da criança. Seguido ao segura aí saiu-lhe um: já só falta um mês pra deixar de dar peito e poder beber imperiais e comer caracóis. A minha amiga é fixe.

Anónimo disse...

"(...) quando chegam aos 19 ou 20 já querem sair à noite e falar com rapazes."

Estás tão enganadinho...
14 e 15, já se 'aproxima' da realidade.

Anónimo disse...

Esqueces-te de um pequeno detalhe ... a maioria das filhas faz dos pais o que quer apenas com o olhar de cãozinho perdido!
É delicioso ver o mais dificil dos homens derreter com a filha de 4 anos.
P.