quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

mudança de paradigma

Fiquei sensibilizado com os comentários e as chamadas de atenção de leitoras atentas e sensíveis a estas questões. Também registei que outras levam isto na brincadeira, o que me deixou confuso quanto à definição de "mulherio". Reflecti um bocado no que estou a fazer e detectei alguns problemas éticos, digamos assim.

Não é justo um homem querer treinar uma namorada como se fosse um cão. A própria ideia em si é um bocado imbecil. Uma mulher, afinal de contas, é um ser humano como as pessoas, mesmo a minha namorada que gosta de U2 e ainda ontem conseguiu electrocutar-se pelo menos duas vezes na torradeira ao usar uma faca para desprender uma fatia de panrico. Consegui sempre ensinar muitos truques a todas as cadelas que tive, como sentar, dar a pata, deitar e rolar. Menos à Virgínia Woof, que era um pouco lenta. Mas às outras, consegui. O método reside na repetição de coisas e na recompensa quando fazem algo bem: um bocadinho de pão com manteiga, um biscoito, uma festa, um bocado de queijo etc. E com as namoradas, independentemente do problema ético, também consegui melhorá-las de alguma forma, excepto uma que também era um pouco lenta e achava o Being John Malkovitch "confuso". O método é o mesmo, apenas mudam as recompensas na maior parte dos casos. Por acaso esta adora queijo. É que adora a porra do queijo, sou capaz de a pôr a ler o Guerra e Paz à custa de queijo.

No fundo, o problema é semelhante ao wakeboarding, aquela simulação de afogamento que a CIA aplica aos suspeitos de terrorismo para que confessem o 11 de Setembro. É eticamente discutível, sou o primeiro a concordar e pode dar-se o caso de ter montes de gente a confessar o 11 de Setembro e a entupir os tribunais que já estão entupidos que chegue. Mas disperso-me...

Então decidi adoptar uma estratégia diferente. Em vez de forçar as coisas, como fiz ontem quando disse que o meo estava avariado (desliguei o cabo hdmi) e que só podíamos ver ou o Morangos Silvestres e ela viu até ficar com sono, comer queijo e querer ir para a cama para eu lhe dar sexo antes de eu ler, vou pensar em formas que ela pense que a ideia vem dela. Um pouco como psicologia invertida. No espião que veio do frio, um excelente livro já agora, as coisas são montadas assim, como no esquadrão classe A (este vocês conhecem) . Cria-se um cenário de tal forma credível e subtil que elas são levadas a acreditar que os impulsos que têm são resultado da sua própria força de vontade e discernimento.

12 comentários:

Sara disse...

psicologia invertida, essa grande aliada de qualquer ser inteligente...

continuo a achar que és o maior, Tolan... então, depois de saber que tinhas uma cadela chamada Virgina Woof, estou de quatro... :D

Tulipa Negra disse...

Está tudo muito certo, quanto ao método não tenho nada a apontar, na verdade qualquer mulher o usa para educar os homens, mas há que lembrar um facto importantíssimo: o "Esquadrão Classe A" ("The A Team", no original) teve uma primeira tradução muito melhor, na minha modesta opinião, numa versão legendada e não dobrada em português do Brasil. Chamava-se "Soldados da Fortuna".

Miguel disse...

Eu acho bem que tentes construir a tua namorada. Evidentemente que não vais conseguir, porque toda a gente é o que é até morrer (a espaços podemos ser isto ou aquilo, por razões que nos levam a isso, mas a nossa natureza ganha sempre a longo prazo), mas ainda assim acho bem. Demonstra empenho, esperança, dedicação. Serás um tipo rico no dia em que conseguires encontrar alguém a quem não queiras mudar nada - ou melhor, alguém com cujas características saibas viver e ser feliz.

castadiva disse...

Atendendo às características, peculiares diga-se, da pequena em causa, já pensou num método mais radical, uma coisa à Kubrick? tipo Laranja Mecânica?

Anónimo disse...

O queijo sempre será um meio passo para chegar a um bom vinho.

Ega

Beatrix Kiddo disse...

blá blá blá Morangos Silvestres blá blá blá

eheh brincadeira

inspirado nisto:
Madame Viola: Johnny, I sense that you are thinking that you are a man about town, a shoe-in with the ladies, whose sole purpose is to bother woman.
Johnny Bravo: Could you say that again, cause all I heared was "blah blah blah woman"

Anónimo disse...

sr tolan, mudança de paradigma era pôr as lentes da sua namorada. sério, vá lá, escreva aí as mesmas situações mas do ponto de vista da reperiga. ah pois, um desafio.


m.ª, aquela do mulherio :)

um antigo amigo da gaja disse...

vocês são todos uns incréus.
eu já tive uma namorada assim e eduquei-a à base do método exposto. resultou tão bem que no final ela deixou-me por um gajo melhor, que lhe podia ensinar coisas novas.

esse sim é o final adequado para uma boa educação! fizeste a licenciatura, está na altura de tirares o doutoramento.

ai saudades...

Tulipa disse...

Boa sorte! Se não resultar, ainda tens o método antigo do chicote :)

Pinkk Candy disse...

ainda não conseguiste foi treinar nenhuma, essa é que é essa. aS namoradaS devem ter fugido todaS!

Cat disse...

Essa técnica é a que nós mulheres usamos com vocês homens. E depois ficam todos inchados a achar que sim senhora são muito espertos.
Esquece isso de "educares" a tua namorada. Ela é como é, ou gostas ou não. Gostas dela? Se a resposta é "gosto mas..." esquece.

Isabel disse...

Talvez eu ande muito enganada e tenhas mesmo esta namorada, mas encalhei logo ali na electrocussão na torradeira. Esta gaja não existe! Não é possível.