sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O que fazer dele?

Considero o primeiro e o segundo volume de crónicas o melhor que ele fez, geniais, têm o Lobo Antunes em toda a sua amplitude, o sentido de humor e tudo, a inteligência. Gostei muito do Fado Alexandrino e de outro, O que farei quando tudo arde. Um dado relevante que acrescento é que na altura em que conseguia ler um calhamaço do Lobo Antunes e gostar, eu lia em transportes públicos, passava 3 horas por dia enfiado na merda de um autocarro e no metro e tinha tempo para me acondicionar devidamente.

Depois não gostei do Memória de Elefante. Depois, tentei ler mais uns e fui tendo cada vez mais dificuldade em gostar. Não consegui ler o Arquipélago da Insónia, nem o Cus de Judas nem o Que Cavalos São Aqueles etc e suspeito que não tem a ver com os livros em particular, mas com o que há de comum em todos os livros do Lobo Antunes. Começo a ler e depois à 4ª ou 5ª página só me vem uma palavra à cabeça: "mais 400 páginas disto? não, obrigado". Como é que um autor que eu colocava nos píncaros absolutos do génio na prosa, no espaço de 3 anos, me provoca agora esta reacção de impaciência?

7 comentários:

Maat disse...

É assim, eu nunca consegui gostar dele. Já tentei, mas não consigo.
Lembro-me que a minha prof de Literatura Portuguesa nos falou d' As Naus e na altura achei que ia gostar. Comprei e não passei da segunda página.
Li o primeiro capítulo do Que farei quando tudo arde e não passei daí.
O Cus de Judas acho que nem sequer tentei ler, tal já era a desilusão.
Já me disseram que as primeiras obras dele são muito boas e que convém começar por essas, mas acho que não lhe vou dar mais nenhuma oportunidade.

binary solo disse...

é dar tempo. 4 anos. foi o que fiz depois de ter consumido em barda os livros do homem. agora voltei ao inicio da obra e é voltar a descobrir genialidade do inicio da carreira. confesso que estes ultimos é napron e bibelots a mais.

Tolan disse...

Sim, provavelmente. Eu li Lobo Antunes num determinado contexto, pode ser disso.

DCSdeC disse...

Ora bem, como dizer isto?
Eu tenho uma adoração/veneração/obcessão pelo senhor. O Memória de Elefante e o Que Cavalos... são dos meus livros preferidos, porque por alguma razão bizarra identifiquei-me: afinal eu também sou um médico psiquiatra vindo da guerra que perdeu a mulher e o seu amor; e já li o Que Cavalos... há para aí um ano e ainda penso nele. Aliás, a minha melhor apresentação oral em Português foi com este livro. Além de que gosto imenso da escrita dele, que me fez perceber mesmo como a nossa língua é bonita quando bem usada.
Para ler Lobo Antunes é preciso mente aberta e paciência, porque pelo meio de todas aquelas palavras e imagens que ele cria desenvolvem-se narrativas incriveis e extremamente interessantes.São histórias de emoções e sentimentos com que ele constroi as suas personagens. E fa-lo maravilhosamente bem, eu acho...

mim disse...

Li o Auto dos Danados quando era miúda e gostei muito. Tinha para aí uns 14 anos. Depois li ainda uns quantos (lembro-me de ainda ter gostado da Morte de Carlos Gardel) e por volta do Manual dos Inquisidores comecei a irritar-me porque o desconforto e o esforço na leitura se tornaram maiores que o prazer. A partir daí tornou-se insuportável (nos romances) e eu fiquei furiosa porque antes gostava muito.
As crónicas sim, são doces e prazenteiras. :)

Rita F. disse...

Concordo, porque tive uma reaccao muitissimo parecida quando li Nao Entres Tao Depressa...
No entanto, agora que estou a voltar a ler os Danados, apercebo me de que, apesar de certas coisas na escrita de que ja nao gosto, continua a ser um livro tremendo. Como alguem ja aqui disse, os primeiros livros devem mesmo ser os melhores, e as cronicas imbativeis.

Beatrix Kiddo disse...

só li crónicas dele