segunda-feira, 19 de julho de 2010

paleolítico

Gosto muito de situações que me remetem para aquele período do Paleolítico, há uns 200 mil anos, quando temos de resolver um problema prático e não temos a ferramenta moderna para o fazer.

Por exemplo, o meu saca-rolhas desapareceu misteriosamente. É um objecto simples, de metal, tem um abre-caricas, um ferrinho pontiagudo em espiral para furar e duas asinhas de lado para fazer alavanca e retirar a rolha. Parece que o saca-rolhas foi inventado algures no final do século XVII, é uma coisa simples, mas na hora de abrir uma garrafa de vinho tinto, é mais útil que o portátil HP intel centrino2 com placa nvidia hd de 2009 que uso para fazer este post. Por outro lado, seria impossível fazer este post com o saca-rolhas.

O problema de abrir garrafas sem saca-rolhas não é novidade para mim e experimentei vários métodos. Um deles envolve martelar a rolha para dentro da garrafa, o que tem vários inconvenientes. Para além do barulho, a rolha bloqueia parcialmente o gargalo enquanto a garrafa não está meio vazia e sai muito vinho em repuxo quando se dá a martelada final, o que pode criar padrões interessantes na bancada da cozinha, tecto e roupa que estivermos a usar (tenho várias t-shirts com nódoas de vinho o que é bastante sexy). Outro método envolve desfazer a rolha, escavá-la com uma faca. Este é muito mau, deixa o vinho cheio de pedaços de rolha e requer paciência chinesa. Outro método envolve uma espada de samurai afiada, pontaria e perícia e alguém que se predisponha a segurar na garrafa, agachado, enquanto se dá o golpe que deve corar o gargalo de uma só vez, sem o partir, porque beber um pedaço de vidro pode ser fatal. O último que funcionou e que me parece o melhor, é pegar num ferro de espetadas e enfiar aquilo com a ajuda de um martelo. Se o ferro estiver bem espetado, a rolha fica-lhe agarrada e quando se puxa, vem atrás. O problema é puxar sem a ajuda das alavancas do prático saca-rolhas. Como o meu ferro de espetadas tem uma forma de gancho numa das pontas, é prender um cordão ao gancho, enrolar à volta do pulso e puxar com força. Resulta e naqueles momentos sinto uma espécie de adrenalina primitiva.

1 comentário:

Elsa disse...

Liga ao Macgyver, pode ser que ele te ajude.
Ou começa a beber vinho do Lidl, daquele que vem em pacotes com abertura fácil :)