Tolan e Plaft unidos, jamais serão vencidos.
sábado, 22 de setembro de 2012
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
eu também
Amigos liberais, uni-vos. Com a nossa força e união podemos vencer. Se todos os liberais portugueses estiverem motivados e partirem para uma jornada de luta, podemos chegar a ser seis, talvez sete manifestantes e fazer a diferença. Façam papers! Redijam muitos textos nos vossos blogues! Conquistem mulheres de esquerda e convertam-nas às leis da oferta e da procura!
Sei que os ambientes de intervenção cívica, para além de serem pouco dados à reflexão e estarem cheios de afirmações pouco sustentadas em papers, estão cheios de pessoas "de extrema esquerda". Exige-se de nós tolerância e um bom repelente de pulgas antes de uma concentração física.
Sabemos que único problema dos Ches é o dinheiro do contribuinte estar a ser canalizado para empresas financeiras que, para eles, representam o Grande Satã. Sabemos que já não encontram qualquer problema na decisão do recém eleito governo francês de impedir os planos da Peugeot Citroen de fechar uma fábrica em virtude das pessoas comprarem menos carros porque, nesses casos, o dinheiro utilizado para salvar empresas e pagar juros dos seus financiamentos ao grande satã do capital já não provém dos contribuintes ou das reformas ou dos medicamentos das crianças, mas sim da entidade abstracta "Estado".
Mas temos de ter estômago e alinhar ao lado destes desgraçados que, de qualquer forma, nunca terão poder pois todas as decisões seriam tomadas por um comité de tomada de decisões e todos os cargos de responsabilidade seriam partilhados a cinco (uma mulher, um homem, um(a) homossexual, um minoritário étnico e um sociólogo). Temos de esconder o sorriso de prazer quando um leva com um cacetete mesmo no meio das fuças enroladas no lenço arafat ali ao nosso lado e evitar pensar "ora aí está um bom uso dos meus impostos".
Temos de estar do lado certo da história.
- 12 mil milhões de euros disponibilizados à banca pelo estado.
- 8 mil milhões empenhados pelo Estado, directamente ou através da CGD, no BPN.
- 450 milhões de euros pagos até agora no processo do BPP.
- Bancos ganham mais de cinco mil milhões de euros com a valorização dos títulos de dívida pública portuguesa (aqui)
- 34,4 mil milhões de juros a pagar a à Troika num programa de ajustamento apressado, que se parece resumir a um aumento de brutal de impostos e do peso do estado e que vai redundar num desastre ao estilo Grego.
Tomei a liberdade de desenvolver o logo do nosso movimento, pois temos de aprender com a extrema esquerda a fazer estas coisas:
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
a alternativa
Não sei se era irónica mas parece-me que a Rita Maria , assim como muitos portugueses, insiste na diabolização da Troika. A Troika é meramente um intermediário entre estados soberanos que decidiram recorrer a ajuda financeira, mediante programas de ajustamento, estados que foram democraticamente eleitos, no caso português, por 85% do eleitorado. E compreende-se. À data das eleições, o cenário conservador de privilegiar a manutenção do euro parecia menos negativo. Ainda ontem o ministro das finanças alemão teceu rasgados elogios a Vítor Gaspar. Junto do eleitorado médio português, que é essencialmente conservador, há a ideia de que pelo menos enquanto os alemães tiverem confiança em nós, pertencemos a outro clube que não o grego e o nosso futuro é bem menos indefinido do que se estivéssemos isolados. Enquanto estivermos no programa de ajustamento, avaliados pela troika, sujeitos a regras europeias de limites de dívida, temos pelo menos "um rumo" e esse rumo, mesmo que catastrófico, não depende das decisões dos executantes que elegemos e nos quais não confiamos agora.
A Grécia não está propriamente à venda. A Grécia é, como Portugal, um país hipotecado e agora cobram a hipoteca. Independentemente do caminho a escolher, ele vai implicar uma recessão forte, seja pela diminuição dos rendimentos, seja pela desvalorização brutal da moeda num cenário de saída do euro, cenário que implica uma perda de poder de compra difícil de prever mas que alguns situam como sendo superior a 30% (para além de custos impossíveis de contabilizar como perder as vantagens da moeda única e de estarmos integrados num bloco europeu).
O problema é essencialmente a ausência de um caminho alternativo. A extrema esquerda continua a ter problemas que a impedem de ser uma alternativa elegível para governo. Tem cisões e fracturas que, aos olhos do eleitorado, parecem tão surreais como as religiosas ou étnicas no Iraque. Mas é com estes que podemos contar agora e, numa clara demonstração de inteligência colectiva do portugueses, subiram muito nas sondagens. Isso é positivo - pode parecer que não depois do que eu disse - porque eles defendem uma alternativa e isso ajuda na negociação. O primeiro passo implica a construção de uma hipótese alternativa e de coesão em torno dessa hipótese.
Neste momento, PS, PSD e CDS pedem-nos que escolhamos entre A e A: pagar a dívida e ficar no euro ou ficar no euro e pagar a dívida. O que se discute é ar. Se não é a tsu, é o IVA, se não é IVA, é o IRS, o IMI, se não são impostos, são maternidades, professores, reformas. Quando temos um líder do maior partido de oposição que diz que a RTP não pode ser posta em causa, estamos conversados.
É necessário um plano B. Mesmo que o B não venha a ser implementado, ele tem de existir e ser minimamente quantificado e debatido, para, inclusive, melhorar as condições do cenário A numa negociação. Esse B é, evidentemente, o não pagamento da dívida pública. O racional para isso é simples:
Beneficiámos dessa dívida, é um facto, mas sempre sem a noção do custo porque fomos sucessivamente enganados e nunca tivemos informação completa. Os políticos focam o seu discurso no agora, mentem, desenham cenários optimistas, ocultam a verdade, ou porque é impossível conhecer o futuro ou simplesmente por calculismo e demagogia criminosa. Em todo o caso, não é plausível que um país e as gerações futuras vivam na miséria porque foram governados por miseráveis. Um país não é uma empresa ou um privado. Se perdoaram (e bem) as indemnizações de guerra à Alemanha depois da II Guerra Mundial, o motivo é exactamente o mesmo. Faz sentido colocar de joelhos, numa humilhação total, o povo grego? E a seguir somos nós?
Parte da solução é penalizar quem forneceu o dinheiro, obedecendo às boas regras de mercado liberais. A verdade é que a hipótese de não pagar a dívida é uma espécie de assunto tabu. Não vi, em lado nenhum, esse cenário devidamente quantificado e discutido. O que sabemos é que a Grécia está prestes a mergulhar numa recessão ao estilo grande depressão seguindo a cartilha recessiva da austeridade. É empírico, não é um cenário.
Dizem-nos "se não pagarmos, vamos estar anos sem nos conseguir financiar nos mercados" e nós respondemos: ainda bem. Porque isso vai obrigar à mudança do paradigma económico português para a poupança. Pode arrasar o nosso poder de compra de bens importados, mas pode beneficiar os sectores exportadores devido à desvalorização cambial e fazer o país focar-se nos sectores onde tem vantagens competitivas naturais. Porque mesmo que atire o nosso desenvolvimento para níveis do paleolítico, vai criar um sistema em que a banca e a promiscuidade do estado com esta diminui e a partir daí temos a oportunidade de um novo começo, mais sustentado. Porque o próprio Euro é um monstro e os instrumentos como eurobonds ou compra de dívida por parte do BCE apenas adiam e geram um problema maior, atirando dívida para cima de dívida (como, aliás, boa parte dos alemães consideram). Porque existe o risco do euro acabar de qualquer forma quando a crise chegar a Itália, Espanha e França ou da próxima vez que um tribunal constitucional alemão recusar mais empréstimos à europa do sul. Porque com o aumento de impostos estamos a aumentar ainda mais o peso do estado na economia quando essa foi uma das causas da situação actual. Porque a banca vai pensar melhor antes de emprestar dinheiro ao próximo José Sócrates que nós, inevitavelmente, vamos eleger.
Se o cenário de Portugal não pagar as dívidas e sair do euro preocupar assim tanto os credores, o nosso governo, o BCE, a União Europeia, Merkl, então vamos conversar e ajustar o programa de resgate para algo que não nos mergulhe num apocalipse grego. Nós valemos mais do que o peso da nossa dívida no PIB europeu. O que acontecer aqui pode acontecer, por exemplo, em Espanha ou Itália, como um exemplo a seguir. E é nessa altura que negociamos, não com a faca e o queijo na mão, mas pelo menos com um pedacinho de queijo e um canivete. Não como "bons alunos" elogiados pelas próprias pessoas e instituições contra quem nos manifestamos uns dias antes, não como exemplos de "civismo" e de "dignidade", como se fossemos umas crianças com birra e o nosso protesto inconsequente e eles os nossos pais condescendentes, mas como um povo soberano que tem o poder de recusar um destino e o poder de criar outro.
A Grécia não está propriamente à venda. A Grécia é, como Portugal, um país hipotecado e agora cobram a hipoteca. Independentemente do caminho a escolher, ele vai implicar uma recessão forte, seja pela diminuição dos rendimentos, seja pela desvalorização brutal da moeda num cenário de saída do euro, cenário que implica uma perda de poder de compra difícil de prever mas que alguns situam como sendo superior a 30% (para além de custos impossíveis de contabilizar como perder as vantagens da moeda única e de estarmos integrados num bloco europeu).
O problema é essencialmente a ausência de um caminho alternativo. A extrema esquerda continua a ter problemas que a impedem de ser uma alternativa elegível para governo. Tem cisões e fracturas que, aos olhos do eleitorado, parecem tão surreais como as religiosas ou étnicas no Iraque. Mas é com estes que podemos contar agora e, numa clara demonstração de inteligência colectiva do portugueses, subiram muito nas sondagens. Isso é positivo - pode parecer que não depois do que eu disse - porque eles defendem uma alternativa e isso ajuda na negociação. O primeiro passo implica a construção de uma hipótese alternativa e de coesão em torno dessa hipótese.
Neste momento, PS, PSD e CDS pedem-nos que escolhamos entre A e A: pagar a dívida e ficar no euro ou ficar no euro e pagar a dívida. O que se discute é ar. Se não é a tsu, é o IVA, se não é IVA, é o IRS, o IMI, se não são impostos, são maternidades, professores, reformas. Quando temos um líder do maior partido de oposição que diz que a RTP não pode ser posta em causa, estamos conversados.
É necessário um plano B. Mesmo que o B não venha a ser implementado, ele tem de existir e ser minimamente quantificado e debatido, para, inclusive, melhorar as condições do cenário A numa negociação. Esse B é, evidentemente, o não pagamento da dívida pública. O racional para isso é simples:
Um povo não pode ser responsabilizado pela dívida contraída pelos seus governantes.
Beneficiámos dessa dívida, é um facto, mas sempre sem a noção do custo porque fomos sucessivamente enganados e nunca tivemos informação completa. Os políticos focam o seu discurso no agora, mentem, desenham cenários optimistas, ocultam a verdade, ou porque é impossível conhecer o futuro ou simplesmente por calculismo e demagogia criminosa. Em todo o caso, não é plausível que um país e as gerações futuras vivam na miséria porque foram governados por miseráveis. Um país não é uma empresa ou um privado. Se perdoaram (e bem) as indemnizações de guerra à Alemanha depois da II Guerra Mundial, o motivo é exactamente o mesmo. Faz sentido colocar de joelhos, numa humilhação total, o povo grego? E a seguir somos nós?
Parte da solução é penalizar quem forneceu o dinheiro, obedecendo às boas regras de mercado liberais. A verdade é que a hipótese de não pagar a dívida é uma espécie de assunto tabu. Não vi, em lado nenhum, esse cenário devidamente quantificado e discutido. O que sabemos é que a Grécia está prestes a mergulhar numa recessão ao estilo grande depressão seguindo a cartilha recessiva da austeridade. É empírico, não é um cenário.
Dizem-nos "se não pagarmos, vamos estar anos sem nos conseguir financiar nos mercados" e nós respondemos: ainda bem. Porque isso vai obrigar à mudança do paradigma económico português para a poupança. Pode arrasar o nosso poder de compra de bens importados, mas pode beneficiar os sectores exportadores devido à desvalorização cambial e fazer o país focar-se nos sectores onde tem vantagens competitivas naturais. Porque mesmo que atire o nosso desenvolvimento para níveis do paleolítico, vai criar um sistema em que a banca e a promiscuidade do estado com esta diminui e a partir daí temos a oportunidade de um novo começo, mais sustentado. Porque o próprio Euro é um monstro e os instrumentos como eurobonds ou compra de dívida por parte do BCE apenas adiam e geram um problema maior, atirando dívida para cima de dívida (como, aliás, boa parte dos alemães consideram). Porque existe o risco do euro acabar de qualquer forma quando a crise chegar a Itália, Espanha e França ou da próxima vez que um tribunal constitucional alemão recusar mais empréstimos à europa do sul. Porque com o aumento de impostos estamos a aumentar ainda mais o peso do estado na economia quando essa foi uma das causas da situação actual. Porque a banca vai pensar melhor antes de emprestar dinheiro ao próximo José Sócrates que nós, inevitavelmente, vamos eleger.
Se o cenário de Portugal não pagar as dívidas e sair do euro preocupar assim tanto os credores, o nosso governo, o BCE, a União Europeia, Merkl, então vamos conversar e ajustar o programa de resgate para algo que não nos mergulhe num apocalipse grego. Nós valemos mais do que o peso da nossa dívida no PIB europeu. O que acontecer aqui pode acontecer, por exemplo, em Espanha ou Itália, como um exemplo a seguir. E é nessa altura que negociamos, não com a faca e o queijo na mão, mas pelo menos com um pedacinho de queijo e um canivete. Não como "bons alunos" elogiados pelas próprias pessoas e instituições contra quem nos manifestamos uns dias antes, não como exemplos de "civismo" e de "dignidade", como se fossemos umas crianças com birra e o nosso protesto inconsequente e eles os nossos pais condescendentes, mas como um povo soberano que tem o poder de recusar um destino e o poder de criar outro.
é o momento por a tocar o walk like an egyptian lá em marte
Curiosity descobre rocha com forma de pirâmide
Não estão fascinados com isto? Provavelmente não porque Portugal é um país onde os jovens tiram cursos ranhosos e depois queixam-se de que não têm emprego e esperam que o estado vos arranje um, por isso, é compreensível que a ciência não vos diga nada. Encontraram uma rocha em forma de pirâmide, big deal, um pisa papéis marciano ou um brinquedo daqueles dos bebés marcianos que são aquelas formas geométricas que se metem nos buracos. Ainda se fosse um iPad ou um iPhone, talvez vos suscitasse alguma curiosidade de saber qual era o modelo. Que desgraça. Que desgraça de país. O Pacheco Pereira tem toda a razão.
Então talvez achem mais piada a esta frase do texto jornalístico que acompanha a fotografia :)
«A estranha rocha, de 25 centímetros de altura por 40 de largura, será a primeira análise de forma cruzada, ou seja que permita o cruzamento de dados. A Curiosity encontra-se agora a meio do caminho desde que... »
Não é gira? Primeiro, parece ter sido escrita por um disléxico ressacado e induz um curioso efeito de desorientação no leitor, mas o mais engraçado é a explicação La Paliciana bruscamente interrompida, a ver se o leitor passa cima dela sem prestar muita atenção. A primeira analise cruzada, ou seja, que permite o cruzamento de dados. Como nós, quando éramos putos e não sabíamos responder a uma pergunta num teste:
*efeito ondulado de flashback, sala de aulas, 7ºA, exame de história*
«Explica por palavras tuas, o que caracteriza o período do Renascimento e como se difere do período anterior, o Obscurantismo.»
Tolanito: «O Renascimento foi o período em que renasceram coisas. Essas coisas já tinham nascido antes do Renascimento, no período do Nascimento mas depois do Nascimento veio o Obscurantismo, um período em ficou tudo muito obscuro. As pessoas andavam tristes e sem vontade de fazer nada, andavam às apalpadelas na obscuridão e sofriam de raquitismo porque não sintetizavam vitamina D. Depois foi o Renascimento e foi uma grande alegria com as coisas a Renascerem por todo o lado.»
Não estão fascinados com isto? Provavelmente não porque Portugal é um país onde os jovens tiram cursos ranhosos e depois queixam-se de que não têm emprego e esperam que o estado vos arranje um, por isso, é compreensível que a ciência não vos diga nada. Encontraram uma rocha em forma de pirâmide, big deal, um pisa papéis marciano ou um brinquedo daqueles dos bebés marcianos que são aquelas formas geométricas que se metem nos buracos. Ainda se fosse um iPad ou um iPhone, talvez vos suscitasse alguma curiosidade de saber qual era o modelo. Que desgraça. Que desgraça de país. O Pacheco Pereira tem toda a razão.
Então talvez achem mais piada a esta frase do texto jornalístico que acompanha a fotografia :)
«A estranha rocha, de 25 centímetros de altura por 40 de largura, será a primeira análise de forma cruzada, ou seja que permita o cruzamento de dados. A Curiosity encontra-se agora a meio do caminho desde que... »
Não é gira? Primeiro, parece ter sido escrita por um disléxico ressacado e induz um curioso efeito de desorientação no leitor, mas o mais engraçado é a explicação La Paliciana bruscamente interrompida, a ver se o leitor passa cima dela sem prestar muita atenção. A primeira analise cruzada, ou seja, que permite o cruzamento de dados. Como nós, quando éramos putos e não sabíamos responder a uma pergunta num teste:
*efeito ondulado de flashback, sala de aulas, 7ºA, exame de história*
«Explica por palavras tuas, o que caracteriza o período do Renascimento e como se difere do período anterior, o Obscurantismo.»
Tolanito: «O Renascimento foi o período em que renasceram coisas. Essas coisas já tinham nascido antes do Renascimento, no período do Nascimento mas depois do Nascimento veio o Obscurantismo, um período em ficou tudo muito obscuro. As pessoas andavam tristes e sem vontade de fazer nada, andavam às apalpadelas na obscuridão e sofriam de raquitismo porque não sintetizavam vitamina D. Depois foi o Renascimento e foi uma grande alegria com as coisas a Renascerem por todo o lado.»
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
dois mil e quinhentos milhões de dólares
A Nasa pôs o robot Curiosity a tocar uma música dos Black Eyed Peas em Marte, tentando desta forma atrair os marcianos da margem sul. Só posso imaginar a My Humps em altos berros na desértica paisagem marciana enquanto os geeks da Nasa o controlam, em delírio:
what you gon'do with all that junk? all that junk inside your trunk?
*Sala de controlo em coro*: SCIENCE!
My hump, my hump, my hump, my hump, my hump,
*robot inicia uma série de movimentos sexys*
My hump, my hump, my hump, my lovely little lumps
Spendin' all your money on me and spending time on me.
Spendin' all your money on me, up on me, on me
what you gon'do with all that junk? all that junk inside your trunk?
*Sala de controlo em coro*: SCIENCE!
My hump, my hump, my hump, my hump, my hump,
*robot inicia uma série de movimentos sexys*
My hump, my hump, my hump, my lovely little lumps
Spendin' all your money on me and spending time on me.
Spendin' all your money on me, up on me, on me
maminhas à mostra
Recentemente um jornal francês publicou as fotos da Kate Middleton em topless e o casal real ficou chateado e processou o jornal. Eu compreendo o aborrecimento. A Kate já fazia um implante real. Não é a dimensão que está em causa, maminhas pequenas podem ser extremamente apelativas, mas sim o serem small e saggy, que são duas tags que não existem de forma combinada nos portais de pornografia, nem mesmo nos mais sórdidos.
Cá em casa isso reacendeu uma polémica conjugal, visto que a Plaft só está bem é de maminhas à mostra, especialmente na praia ou a meio de uma discussão em que me está a tentar convencer a ir a uma manifestação comunista. São maminhas dignas da categoria big naturals. Se em casa não há problema porque eu cedo sempre a argumentação de peso, na praia a coisa é diferente. Não são praias de nudismo, são praias cheias de gente, famílias, matarros a jogar à bola, pessoas com geladeiras e sogras vestidas de preto debaixo de um chapéu de sol, putos de 7 anos que ficam embasbacados e subitamente desinteressados do castelinho de areia que o pai entretanto parou de construir porque também se distraiu com qualquer coisa até a esposa se intrometer à frente de mãos na anca e a bater o pé... raios, até os cães abanam a cauda e arfam de uma maneira suspeita.
Eu vou ali a fazer músculo, todo direito, a encolher a barriga, altamente descontraído portanto. Ajuda-me pensar que as pessoas acham que ela é estrangeira e que eu sou uma espécie de Zezé Camarinha com a minha bifa. Pelo sim pelo não, orbito em torno dela à laia de biombo satélite e abro muito os braços enquanto falo para tapar o mais possível
Já lhe expliquei que maminhas nunca são neutras para um homem. Nunca. Não é por descontextualizar mamas ao passá-las para uma praia que elas se tornam "pele" como um braço ou uma orelha. O bikini é apenas um truque para podermos ver mulheres em roupa interior. O exame de palpação mamária está para os médicos heterossexuais como o exame à próstata para os médicos homossexuais. Mamas são mamas, independentemente do contexto, do momento, do local, da temperatur... bom, da temperatura não que eu já fiz a experiência com o ar condicionado do BM no máximo e tivemos de esperar no carro um bom quarto de hora até voltarem ao normal para podermos assistir à missa do casamento de um amigo, mas de tudo o resto sim.
Só me safo é nas praias da zona oeste que só têm dois modos: nevoeiro ou vento. O nevoeiro torna inútil qualquer exposição da epiderme. O vento garante uma dolorosa esfoliação moral, remetendo a Plaft a uma espécie de burka improvisada com toalhas e t-shirts, toda encolhida no pequeno covil do chapéu de sol semi-enterrado que eu preparei com alegre diligência. Nesses momento eu sorrio, indiferente à areia que se me infiltra nos dentes e risca os ray-ban e comento"está um rico dia de praia, um dia como deve ser".
Cá em casa isso reacendeu uma polémica conjugal, visto que a Plaft só está bem é de maminhas à mostra, especialmente na praia ou a meio de uma discussão em que me está a tentar convencer a ir a uma manifestação comunista. São maminhas dignas da categoria big naturals. Se em casa não há problema porque eu cedo sempre a argumentação de peso, na praia a coisa é diferente. Não são praias de nudismo, são praias cheias de gente, famílias, matarros a jogar à bola, pessoas com geladeiras e sogras vestidas de preto debaixo de um chapéu de sol, putos de 7 anos que ficam embasbacados e subitamente desinteressados do castelinho de areia que o pai entretanto parou de construir porque também se distraiu com qualquer coisa até a esposa se intrometer à frente de mãos na anca e a bater o pé... raios, até os cães abanam a cauda e arfam de uma maneira suspeita.
Eu vou ali a fazer músculo, todo direito, a encolher a barriga, altamente descontraído portanto. Ajuda-me pensar que as pessoas acham que ela é estrangeira e que eu sou uma espécie de Zezé Camarinha com a minha bifa. Pelo sim pelo não, orbito em torno dela à laia de biombo satélite e abro muito os braços enquanto falo para tapar o mais possível
Já lhe expliquei que maminhas nunca são neutras para um homem. Nunca. Não é por descontextualizar mamas ao passá-las para uma praia que elas se tornam "pele" como um braço ou uma orelha. O bikini é apenas um truque para podermos ver mulheres em roupa interior. O exame de palpação mamária está para os médicos heterossexuais como o exame à próstata para os médicos homossexuais. Mamas são mamas, independentemente do contexto, do momento, do local, da temperatur... bom, da temperatura não que eu já fiz a experiência com o ar condicionado do BM no máximo e tivemos de esperar no carro um bom quarto de hora até voltarem ao normal para podermos assistir à missa do casamento de um amigo, mas de tudo o resto sim.
Só me safo é nas praias da zona oeste que só têm dois modos: nevoeiro ou vento. O nevoeiro torna inútil qualquer exposição da epiderme. O vento garante uma dolorosa esfoliação moral, remetendo a Plaft a uma espécie de burka improvisada com toalhas e t-shirts, toda encolhida no pequeno covil do chapéu de sol semi-enterrado que eu preparei com alegre diligência. Nesses momento eu sorrio, indiferente à areia que se me infiltra nos dentes e risca os ray-ban e comento"está um rico dia de praia, um dia como deve ser".
"as mulheres não têm opiniões, têm sentimentos e impressões"
Descobri que a forma de uma pessoa se safar com qualquer afirmação é colocá-la entre aspas. Dá a sensação que foi outra pessoa que disse aquilo, já repararam? Os jornalistas utilizam muito este truque e ainda o combinam com outro, o clássico da fonte próxima. Há sempre uma fonte próxima do Governo, do líder da oposição, de um gajo importante, quando na verdade a fonte próxima é mais uma espécie de amigo imaginário do jornalista. Se eu fosse jornalista divertia-me muito.
Fonte próxima do executivo de Passos Coelho considerou as palavras de Paulo Portas "uma grande filha da putice"
ou
Fonte próxima de Miguel Relvas assegura que este "padece de iliteracia grave" e acrescenta que "é a secretária que tem de lhe ler e redigir toda a documentação"
Mas depois há contradições, como a do alegado. O alegado é uma espécie de cepticismo militante do jornalismo. O jornalista não acredita em nada assim de mão beijada, a não ser nas fontes próximas entre aspas. Um homem foi encontrado morto, crivado de balas, trata-se de um alegado homicídio (pode ser apenas alguém muito desastrado).
Para além deste truque, há outro que é chegar a uma constatação e querer escrevê-la no blogue, ver que ela é eventualmente polémica e pode suscitar reacções adversas, não ter como explicá-la sem se enterrar ainda mais e então disfarçar com um texto sobre merdas que não têm nada a ver.
Fonte próxima do executivo de Passos Coelho considerou as palavras de Paulo Portas "uma grande filha da putice"
ou
Fonte próxima de Miguel Relvas assegura que este "padece de iliteracia grave" e acrescenta que "é a secretária que tem de lhe ler e redigir toda a documentação"
Mas depois há contradições, como a do alegado. O alegado é uma espécie de cepticismo militante do jornalismo. O jornalista não acredita em nada assim de mão beijada, a não ser nas fontes próximas entre aspas. Um homem foi encontrado morto, crivado de balas, trata-se de um alegado homicídio (pode ser apenas alguém muito desastrado).
Para além deste truque, há outro que é chegar a uma constatação e querer escrevê-la no blogue, ver que ela é eventualmente polémica e pode suscitar reacções adversas, não ter como explicá-la sem se enterrar ainda mais e então disfarçar com um texto sobre merdas que não têm nada a ver.
entretanto, nas catacumbas do Palácio de Belém
- Já está, Igor! Já lhe coloquei a nova baterria! E eshta é de lithium, mais leve, mais durradourra!
- Muito biem Doutor Von Pretzel, pode sier quie diesta fiorma os piortuguieses non voltem a disconfiari que ele morrieu há mais de diez anios...
- Não deshconfiam Igor, mash nao deviamos ter deixado tanto tempo passarr até trocar o baterria. Acho queh tamben rrresolvi o prroblema dos olhos que piscam frreneticamente quando fica em currto cirrcuito em frrente aos jorrnalistas. Ajuda-me a veshti-lo. E depois vai chamarr a Maria, diz-lhe que ele está pronto e que já o pode virr buscarr.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
o direito à indignação também se conquista
O jovem português do século XXI não é uma vítima. O jovem deve revolucionar, fazer, destronar, destruir, criar, eleger, candidatar, questionar, pensar, agir. Deixemos as jotas entregues aos jotas. Temos de criar dois novos partidos:
Um de esquerda, talvez fundado no movimento do Rui Tavares e por ele liderado e que teria potencial para absorver a parte boa do BE e do PS e um partido liberal, mas um a sério, feito de gajos muito competentes nas diversas merdas e com um manifesto muito claro e racional e que contratasse alguns ex-militantes do PCP só para organizar as coisas como deve ser, tipo mercenários profissionais.
Um de esquerda, talvez fundado no movimento do Rui Tavares e por ele liderado e que teria potencial para absorver a parte boa do BE e do PS e um partido liberal, mas um a sério, feito de gajos muito competentes nas diversas merdas e com um manifesto muito claro e racional e que contratasse alguns ex-militantes do PCP só para organizar as coisas como deve ser, tipo mercenários profissionais.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
coelhos a dar beijinhos
Estava aqui a pensar com os meus dois neurónios funcionais que não ficaram em coma devido a ausência de nicotina: então e os coelhos, dão beijinhos? Eu nunca vi e tive coelhos numa coelheira quando era pequeno. Os cães dão beijos e os gatos também, que eu já vi. Mas coelhos, nunca vi. Existe aquele estigma do "reproduzem-se como coelhos" ou do "f**** como coelhos" então fica a sensação que os coelhos só querem aquilo e nem há preliminares tipo beijinhos ou conversa fiada do género "amo-te" ou "és especial para mim" ou flores. É só chegar ali a um canto da coelheira e zuca zuca zuca já está. Acho que isso acontece porque os coelhos não têm planeamento familiar no veterinário e de cada vez que há zuca zuca são logo oito ou nove gémeos e então quando fazem o amor estão apreensivos e sem vontade de grande romantismo.
(a Plaft acabou de vir ao escritório perguntar o que é que eu estava a escrever e eu respondi "literatura a sério desta vez, juro" e ela respondeu "tenho fome")
(a Plaft acabou de vir ao escritório perguntar o que é que eu estava a escrever e eu respondi "literatura a sério desta vez, juro" e ela respondeu "tenho fome")
Plaft & Tolan em privação de nicotina há vários dias
- O que foi?
- O que foi o quê?
- Nada, chegaste a casa com uma cara... ok...
- Eu? Eu chego a casa e tu olhas para mim dessa maneira...
- De que maneira? Tu é que chegas a casa e ficas assim.
- Eu? Eu vinha bem disposto, mas mal entrei começas logo "o que foi, o que foi"...
- Tenho fome.
(...)
- Vou surfar. Fica a dormir.
- Que horas são?
- 7:30. Dorme.
- Ai, não é preciso falares assim.
- É melhor dormires, depois ficas cheia de sono.
- Tenho fome.
(...)
- Vou correr.
- Vais correr? Porquê?
- Não sei, na rua, aqui à volta do bairro, vou correr. Não corro desde o 9º ano.
- Espera Plaft, calça uns ténis e veste uma roupa desportiva qualquer...
- Hã?
- Não vás correr de havaianas, calça uns ténis.
- Ah. Sim. Onde?
- Nos pés.
- Hã?
(...)
- Puf puf puf
- estás bem?
- Puf puf puf
- Não te sentes no sofá toda transpirada.
- corri muito Puf puf... imaginei que... puf puf... estava a ser perseguida por um cigarro e ele.. puf puf puf
(...)
- Tenho calor.
- Tenho sono.
- Eu disse-te.
- Tenho fome.
- Eu tenho sede.
- Há sumos.
- Não vi sumos nenhuns.
- Há sumos no supermercado. Vai comprar.
(...)
- O que foi o quê?
- Nada, chegaste a casa com uma cara... ok...
- Eu? Eu chego a casa e tu olhas para mim dessa maneira...
- De que maneira? Tu é que chegas a casa e ficas assim.
- Eu? Eu vinha bem disposto, mas mal entrei começas logo "o que foi, o que foi"...
- Tenho fome.
(...)
- Vou surfar. Fica a dormir.
- Que horas são?
- 7:30. Dorme.
- Ai, não é preciso falares assim.
- É melhor dormires, depois ficas cheia de sono.
- Tenho fome.
(...)
- Vou correr.
- Vais correr? Porquê?
- Não sei, na rua, aqui à volta do bairro, vou correr. Não corro desde o 9º ano.
- Espera Plaft, calça uns ténis e veste uma roupa desportiva qualquer...
- Hã?
- Não vás correr de havaianas, calça uns ténis.
- Ah. Sim. Onde?
- Nos pés.
- Hã?
(...)
- Puf puf puf
- estás bem?
- Puf puf puf
- Não te sentes no sofá toda transpirada.
- corri muito Puf puf... imaginei que... puf puf... estava a ser perseguida por um cigarro e ele.. puf puf puf
(...)
- Tenho calor.
- Tenho sono.
- Eu disse-te.
- Tenho fome.
- Eu tenho sede.
- Há sumos.
- Não vi sumos nenhuns.
- Há sumos no supermercado. Vai comprar.
(...)
não fica bem a mesma coisa
estou a deixar de fumar :(
(...)
Limpei o sangue seco da boca com as costas da mão e encostei-me debaixo da varanda. Dali podia vigiar o clube de strip e esperar Natasha. Ainda tinha o ouvido direito a tinir da pancada e metade do cérebro em curto-circuito. Os filhos da mãe da máfia russa tinham de usar armamento mais pesado se queriam ver-se livres de mim. Chovia torrencialmente. Tirei uma cenoura do bolso, descasquei-a e comi um bocadinho, enquanto esperava. Tinha frio e os pés gelados.
(...)
Natasha riu-se e fez sinal ao empregado para mais duas vodkas puras. Abriu a pequena mala de mão tigresse e estendeu-me um Chupa-Chups.
-Chupa-Chups?
- Não. Só cenouras. Ou aipo.
- Hmm. Gosto de um homem quie siabe o que quier.
Natasha roeu um pouco do chupa-chups e encostou-se no sofá, absorta nos seus pensamentos, no perigo que ambos corríamos. Eu descasquei mais uma cenoura e esperei pelas vodkas.
(...)
(...)
Limpei o sangue seco da boca com as costas da mão e encostei-me debaixo da varanda. Dali podia vigiar o clube de strip e esperar Natasha. Ainda tinha o ouvido direito a tinir da pancada e metade do cérebro em curto-circuito. Os filhos da mãe da máfia russa tinham de usar armamento mais pesado se queriam ver-se livres de mim. Chovia torrencialmente. Tirei uma cenoura do bolso, descasquei-a e comi um bocadinho, enquanto esperava. Tinha frio e os pés gelados.
(...)
Natasha riu-se e fez sinal ao empregado para mais duas vodkas puras. Abriu a pequena mala de mão tigresse e estendeu-me um Chupa-Chups.
-Chupa-Chups?
- Não. Só cenouras. Ou aipo.
- Hmm. Gosto de um homem quie siabe o que quier.
Natasha roeu um pouco do chupa-chups e encostou-se no sofá, absorta nos seus pensamentos, no perigo que ambos corríamos. Eu descasquei mais uma cenoura e esperei pelas vodkas.
(...)
domingo, 16 de setembro de 2012
avante camaradas
Ainda tentei explicar à Plaft, por argumentos racionais, por que não iria à manifestação. E quando dei por mim, estava na concentração de Peniche, a gritar "O Povo Unido, Jamais Será Vencido" com cerca de uma centena de pessoas. Isto foi pequenino aqui, mas talvez por isso a presença de mais 2 tenha feito alguma diferença, especialmente jovens (havia muito poucos, estava um bom dia de praia). A Plaft estava radiante. Os discursos de comunistas à civil sucediam-se, improvisados, no meio da pequena praça. Dignidade. Liberdade. Lutar. Resistir. Senti-me numa recriação histórica. Aplaudia, repetia e gritava "Basta!" e pensava "como é que eu cheguei aqui?" um bocadinho perplexo. Mas confirmei o que pensava. O foco da raiva não é o "exterior", as pessoas sabem que os problemas estão cá dentro, pelo que "que se lixe a troika" não fez grande sentido e a iniciativa original foi um mero pretexto, calhou ser a primeira. E precisamos dos comunas nas ruas.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
o que pode fazer um liberal?
Só a extrema esquerda (PCP, BE) tem credibilidade para organizar protestos e propor alternativas à Troika
neste contexto. Eu sou liberal como sabem e - como certamente não sabem - não existe qualquer réstia de liberalismo nem neste governo nem em qualquer outro que existiu no passado. Estou isolado, eu e meia dúzia de pessoas que lêem livros e estudam coisas. Estou habituado, isto é como gostar de Smiths e crescer numa vila de província all over again.
É como viver em ditadura. Se os resistentes são os comunistas, não é tempo para me preocupar com detalhes da organização da sociedade do futuro, mas sim com os do presente. Quando for para derrotar os comunistas nas eleições democráticas, cá estarei. Até lá, são meus aliados. Sou liberal e desde o início da crise financeira a recapitalização de bancos deveria ter sido reduzida ao mínimo e as coisas deviam colapsar saudavelmente. O novo sistema financeiro seria mais robusto, mais avesso ao risco e teria premiado os bancos mais cautelosos. .
Não me esqueço que, quando foi o crime (esse sim um saque) da privatização do BPN, só BE e PCP protestaram de forma assertiva. O negócio do BPN transitou suavemente de um governo do PS para outro do PSD / CDS com a benção do Rei, perdão, do Papa, perdão, do Presidente da República que ainda foi a tempo de retirar as magras poupanças e o beneplácito supervisor a garantir que não houve falha de supervisão. Por outro lado, PS, CDS e PSD concordaram com o bailout de bancos como o BCP ou o BPI injectando capital pago pelos nossos impostos, abdicando da justa nacionalização, salvando os accionistas privados e garantindo-lhes os ganhos futuros, enquanto nós receberemos em troca uns juros miseráveis.
E no meio disto, uma manifestação de reacção a umas medidas. Identifico-me com parte do manifesto do Que se Lixe A Troika que serve de base à manifestação de amanhã, 15 de Setembro, é assim emotivo e bonito, parabéns aos autores.
Contudo, não me consigo identificar com dois pontos fundamentais desta manifestação do que se lixe a Troika, para além do naming pueril e estúpido que vem sendo hábito nas manifestações deste tipo.
O primeiro é escamotear que o Estado como o conhecemos, e cujo desaparecimento é lamentado no manifesto, existiu em grande parte devido a financiamento externo e que esse financiamento foi excessivo.
Os alemães levam esta merda a sério. Impuseram 3% de déficit no tratado porque logo na altura houve economistas alemães que avisaram que isto podia dar merda. E o que fizemos nós, os gregos, os espanhóis? Aldrabámos. Nunca percebemos bem a necessidade essas coisas dos limites de endividamento. Escondemos os deficits reais com malabarismos de transferências de fundos de pensões, PPPs, não inclusão de obras do Metropolitano como despesa pública, buracos como o da Madeira eram desconhecidos etc.
Tudo isto denota que nem um só governante português alguma vez compreendeu o objectivo de um limite ao endividamento, mas tão só interpretou o limite como uma espécie de regra burocrática que um gajo pode contornar e fazer o jeitinho para ser eleito, precisamente porque parecia garantir o tal Estado Social e a ilusão de progresso, o mesmo que agora tantos portugueses lamentam como perdido. Nunca o tivemos, pelo menos, não o tivemos ao nível que temos hoje e nenhuma solução vai fugir a isso. Emprestaram-nos um. A crédito e a prazo.
E depois damos com estes cartazes.
Na Grécia assistimos a isto. Ficamos com o orgulho patriótico ferido e inchamos tipo peixe balão e a culpa é externa. São os especuladores, são os judeus do FMI, é a malvada da Merkl, é o contribuinte alemão que está a financiar a nossa dívida e que aceitou desbloquear mais de 190 mil milhões de euros para o BCE: eles têm a culpa. Nós, portugueses, somos umas vítimas, agora queremos as nossas vidas, quando ainda há meses tínhamos um consenso de 85% de votos nos partidos que assinaram o acordo da Troika, aquilo soava ao mesmo tipo de mama que tivemos com os fundos comunitários.
Dia 29 de Setembro há uma manifestação mais a sério, convocada pela CGTP.
A CGTP-IN convoca Jornada de Luta para Lisboa / Terreiro do Paço - Dia 29 SET, 15.00 H
para "Acabar com esta política e com este governo antes que este governo e esta política acabem com o país".
A política não funciona nem para o propósito que tem: pagar a dívida, reduzir o déficit. É útil demonstrar aos líderes europeus, à troika, ao fmi, aos alemães, que existe uma reacção à austeridade e que há um consenso contra a lógica económica dessa solução. O Governo é miserável e incompetente. Não tem credibilidade, não inspira confiança, desde o fundamental da ausência de estratégia até ao mais acessório e anedótico, como cantar o chamava-se Nini vestia de organdi horas depois de anunciar medidas draconianas. Está tudo bem. Talvez vá a essa então e aturarei estoicamente os previsíveis gritos anti-Merkl como aturo os mongas no estádio da luz a assobiar o Cardozo.
É como viver em ditadura. Se os resistentes são os comunistas, não é tempo para me preocupar com detalhes da organização da sociedade do futuro, mas sim com os do presente. Quando for para derrotar os comunistas nas eleições democráticas, cá estarei. Até lá, são meus aliados. Sou liberal e desde o início da crise financeira a recapitalização de bancos deveria ter sido reduzida ao mínimo e as coisas deviam colapsar saudavelmente. O novo sistema financeiro seria mais robusto, mais avesso ao risco e teria premiado os bancos mais cautelosos. .
Não me esqueço que, quando foi o crime (esse sim um saque) da privatização do BPN, só BE e PCP protestaram de forma assertiva. O negócio do BPN transitou suavemente de um governo do PS para outro do PSD / CDS com a benção do Rei, perdão, do Papa, perdão, do Presidente da República que ainda foi a tempo de retirar as magras poupanças e o beneplácito supervisor a garantir que não houve falha de supervisão. Por outro lado, PS, CDS e PSD concordaram com o bailout de bancos como o BCP ou o BPI injectando capital pago pelos nossos impostos, abdicando da justa nacionalização, salvando os accionistas privados e garantindo-lhes os ganhos futuros, enquanto nós receberemos em troca uns juros miseráveis.
E no meio disto, uma manifestação de reacção a umas medidas. Identifico-me com parte do manifesto do Que se Lixe A Troika que serve de base à manifestação de amanhã, 15 de Setembro, é assim emotivo e bonito, parabéns aos autores.
Contudo, não me consigo identificar com dois pontos fundamentais desta manifestação do que se lixe a Troika, para além do naming pueril e estúpido que vem sendo hábito nas manifestações deste tipo.
O primeiro é escamotear que o Estado como o conhecemos, e cujo desaparecimento é lamentado no manifesto, existiu em grande parte devido a financiamento externo e que esse financiamento foi excessivo.
Os alemães levam esta merda a sério. Impuseram 3% de déficit no tratado porque logo na altura houve economistas alemães que avisaram que isto podia dar merda. E o que fizemos nós, os gregos, os espanhóis? Aldrabámos. Nunca percebemos bem a necessidade essas coisas dos limites de endividamento. Escondemos os deficits reais com malabarismos de transferências de fundos de pensões, PPPs, não inclusão de obras do Metropolitano como despesa pública, buracos como o da Madeira eram desconhecidos etc.
Tudo isto denota que nem um só governante português alguma vez compreendeu o objectivo de um limite ao endividamento, mas tão só interpretou o limite como uma espécie de regra burocrática que um gajo pode contornar e fazer o jeitinho para ser eleito, precisamente porque parecia garantir o tal Estado Social e a ilusão de progresso, o mesmo que agora tantos portugueses lamentam como perdido. Nunca o tivemos, pelo menos, não o tivemos ao nível que temos hoje e nenhuma solução vai fugir a isso. Emprestaram-nos um. A crédito e a prazo.
E depois damos com estes cartazes.
Na Grécia assistimos a isto. Ficamos com o orgulho patriótico ferido e inchamos tipo peixe balão e a culpa é externa. São os especuladores, são os judeus do FMI, é a malvada da Merkl, é o contribuinte alemão que está a financiar a nossa dívida e que aceitou desbloquear mais de 190 mil milhões de euros para o BCE: eles têm a culpa. Nós, portugueses, somos umas vítimas, agora queremos as nossas vidas, quando ainda há meses tínhamos um consenso de 85% de votos nos partidos que assinaram o acordo da Troika, aquilo soava ao mesmo tipo de mama que tivemos com os fundos comunitários.
Dia 29 de Setembro há uma manifestação mais a sério, convocada pela CGTP.
A CGTP-IN convoca Jornada de Luta para Lisboa / Terreiro do Paço - Dia 29 SET, 15.00 H
para "Acabar com esta política e com este governo antes que este governo e esta política acabem com o país".
A política não funciona nem para o propósito que tem: pagar a dívida, reduzir o déficit. É útil demonstrar aos líderes europeus, à troika, ao fmi, aos alemães, que existe uma reacção à austeridade e que há um consenso contra a lógica económica dessa solução. O Governo é miserável e incompetente. Não tem credibilidade, não inspira confiança, desde o fundamental da ausência de estratégia até ao mais acessório e anedótico, como cantar o chamava-se Nini vestia de organdi horas depois de anunciar medidas draconianas. Está tudo bem. Talvez vá a essa então e aturarei estoicamente os previsíveis gritos anti-Merkl como aturo os mongas no estádio da luz a assobiar o Cardozo.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Jogo: adivinhem quem é o ex!
Depois de ver a Katie Holmes, após a seraração de Tom Cruise, dizer: «Quero um homem mais alto que eu. Gosto de ser alta, mas sair com
alguém mais baixo... Apenas quero estar com alguém mais alto que eu"» pus-me aqui a pensar no que diriam outras ex (reais ou imaginárias) e criei este jogo.
Vocês só têm de adivinhar quem é o ex namorado ou ex marido :)
Ex Namorado / Marido 1
Quero um homem com mais bolas de ouro. Gosto de jogadores de futebol, mas sair com alguém que perdeu para os dois baixinhos... Apenas quero estar com alguém que seja o melhor jogador do mundo
Ex Namorado / Marido 2
Quero um homem que não me ameace de morte. Gosto de músicos portugueses, mas sair com alguém que ... Apenas quero estar com alguém que não me espanque e aponte pistolas."
Ex Namorado / Marido 3
Quero um homem que goste um pouco menos de crianças. Gosto de crianças, mas sair com alguém que ... Apenas quero estar com alguém que não me apareça a PJ à porta.
Ex Namorado / Marido 4
Quero um homem que seja bom escritor. Gosto escritores, mas sair com alguém que escreve um livro chamado "Livro"... Apenas quero estar com alguém que tenha noção.
Ex Namorado / Marido 5
Quero um blogger de sucesso e dinâmico. Gosto de ser um casal de bloggers, mas sair com alguém que se entusiasma assim por roupa da pull&bear.. Apenas quero estar com um homem.
Ex Namorado / Marido 6
Quero um homem que seja rico. Gosto de homens com algum dinheiro e colecções de arte mas sair com alguém que... Apenas quero estar com alguém que não tenha comprado tanta acção do BCP.
Ex Namorado / Marido 7
Quero um homem que goste de outro tipo de fruta. Gosto de homens que se preocupem com a saúde dos árbitros mas sair com alguém que... Apenas quero estar com alguém que não me pegue nenhuma doença.
Ex Namorado / Marido 8
Quero um homem branco, de fato. Gosto de homens brancos, de fato, mas sair com alguém que... Apenas quero estar com alguém que não esteja sempre a ouvir na rua "vai roubar prá estrada seu filha da puta!"
(mais um)
Ex Namorado / Marido 9
Quero um homem com estudos. Gosto de homens instruídos, mas sair com alguém que... Apenas quero estar com alguém que não esteja sempre a ouvir na rua "vai estudar ó Relvas"
Vocês só têm de adivinhar quem é o ex namorado ou ex marido :)
Ex Namorado / Marido 1
Quero um homem com mais bolas de ouro. Gosto de jogadores de futebol, mas sair com alguém que perdeu para os dois baixinhos... Apenas quero estar com alguém que seja o melhor jogador do mundo
Ex Namorado / Marido 2
Quero um homem que não me ameace de morte. Gosto de músicos portugueses, mas sair com alguém que ... Apenas quero estar com alguém que não me espanque e aponte pistolas."
Ex Namorado / Marido 3
Quero um homem que goste um pouco menos de crianças. Gosto de crianças, mas sair com alguém que ... Apenas quero estar com alguém que não me apareça a PJ à porta.
Ex Namorado / Marido 4
Quero um homem que seja bom escritor. Gosto escritores, mas sair com alguém que escreve um livro chamado "Livro"... Apenas quero estar com alguém que tenha noção.
Ex Namorado / Marido 5
Quero um blogger de sucesso e dinâmico. Gosto de ser um casal de bloggers, mas sair com alguém que se entusiasma assim por roupa da pull&bear.. Apenas quero estar com um homem.
Ex Namorado / Marido 6
Quero um homem que seja rico. Gosto de homens com algum dinheiro e colecções de arte mas sair com alguém que... Apenas quero estar com alguém que não tenha comprado tanta acção do BCP.
Ex Namorado / Marido 7
Quero um homem que goste de outro tipo de fruta. Gosto de homens que se preocupem com a saúde dos árbitros mas sair com alguém que... Apenas quero estar com alguém que não me pegue nenhuma doença.
Ex Namorado / Marido 8
Quero um homem branco, de fato. Gosto de homens brancos, de fato, mas sair com alguém que... Apenas quero estar com alguém que não esteja sempre a ouvir na rua "vai roubar prá estrada seu filha da puta!"
(mais um)
Ex Namorado / Marido 9
Quero um homem com estudos. Gosto de homens instruídos, mas sair com alguém que... Apenas quero estar com alguém que não esteja sempre a ouvir na rua "vai estudar ó Relvas"
até a mim me doeu :\
«Quero um homem mais alto que eu. Gosto de ser alta, mas sair com alguém mais baixo... Apenas quero estar com alguém mais alto que eu"» - Katie Holmes, após a separação de Tom Cruise.
agora sim, tudo faz sentido
Esqueçam o meu texto, o chefe da Troika não é alemão (seus racistas). Chama-se Abebe Selassie e é preto. Ah, podia ser fixe e tal, um preto, o Passos trazia a mulher para as reuniões, com uns tuperwares cheios de fubá de mandioca, um saco cheio de óculos escuros ray ban, a coisa resolvia-se...
...mas o Abebe Selassie é etíope.
Vi uma vez num videoclip com o Bono dos U2 que a Etiópia está para austeridade como a Grécia para a democracia. São o berço da austeridade. Aquilo lá é assim, educam-nos desde pequenos a conviver com ela, a ser amigos dela. Um ocidental é fraco, vai embuchado de hamburguers para a grelha da partida da maratona e perde sempre para os etíopes. Nós antes ganhávamos as maratonas, quando tínhamos austeridade. Carlos Lopes 84, Rosa Mota 88... O primeiro McDonald's em Portugal abriu em 91 e nunca mais ganhámos nenhuma, o Carlos Lopes parecia um texugo, coitado. Um etíope no fmi é uma espécie de robocop do grande capital. Aposto que foi raptado em criança de um campo de refugiados e levado para uma base secreta do FMI, tipo a Mila Jovovitch no Resident Evil, onde foi treinado por um holograma da Margaret Tatcher. Estamos lixados. Podem manifestar-se à vontade: enquanto os ossos não saírem das costelas e as nossas crianças não forem cabeçudas, os impostos vão aumentar, é assim que eles pensam.
...mas o Abebe Selassie é etíope.
Vi uma vez num videoclip com o Bono dos U2 que a Etiópia está para austeridade como a Grécia para a democracia. São o berço da austeridade. Aquilo lá é assim, educam-nos desde pequenos a conviver com ela, a ser amigos dela. Um ocidental é fraco, vai embuchado de hamburguers para a grelha da partida da maratona e perde sempre para os etíopes. Nós antes ganhávamos as maratonas, quando tínhamos austeridade. Carlos Lopes 84, Rosa Mota 88... O primeiro McDonald's em Portugal abriu em 91 e nunca mais ganhámos nenhuma, o Carlos Lopes parecia um texugo, coitado. Um etíope no fmi é uma espécie de robocop do grande capital. Aposto que foi raptado em criança de um campo de refugiados e levado para uma base secreta do FMI, tipo a Mila Jovovitch no Resident Evil, onde foi treinado por um holograma da Margaret Tatcher. Estamos lixados. Podem manifestar-se à vontade: enquanto os ossos não saírem das costelas e as nossas crianças não forem cabeçudas, os impostos vão aumentar, é assim que eles pensam.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
maldição do voraz erudito radical
Então não consigo?. Vou tentar.
As coisas dividem-se em aborrecido / divertido.
Mas comecemos pelo princípio.
Algumas crianças, por via do acaso, normalmente influências paternas ou inclinação genética, começam a desenvolver a curiosidade. Esse espírito de curiosidade faz com que classifiquem coisas novas, estranhas e provocadoras como divertidas e coisas repetitivas e fáceis ou simplesmente más como aborrecidas.
Começam a desenvolver o espírito crítico para distinguir as duas e os dois campos vão evoluindo. Há obras que nos parecem fenomenais aos 16 anos e aos 25 são lixo, um bocado como os ministros que elegemos, ao fim de uns meses de governo.
Em casos raros, os seres humanos continuam com curiosidade após o período de juventude, mas maior parte das pessoas perde a curiosidade quando começa a ter intercurso sexual. Felizmente, não foi esse o meu caso ou o teu. És claramente, como eu, um virgem tardio, que perdeu muito tempo e muita energia a pensar em merdas em vez de apalpar mamas.
Em qualquer caso, quando somos mais cultos temos de nos esforçar para encontrar o divertido e a quantidade de coisas aborrecidas aumenta exponencialmente, o que também é uma maldição. Um dos sintomas dessa maldição, a que eu chamo "a maldição do voraz erudito radical", é o despontar de uma frieza emocional perante coisas formalmente mais primitivas e imperfeitas, mas belas como uma flor na primavera. Se achaste a cena da flor pindérica, então cuidado, é um sintoma de maldição do voraz erudito radical.
Grande parte da literatura americana pós-Melville, até meados do século XX, que tu desconsideras, tem exactamente as mesmas características que a literatura russa do século XIX que admiras, excepto dar-se o caso da primeira antecipar cronologicamente a segunda e ser evidentemente clássica e canônica, algo que a segunda nunca poderá ser. Seria o mesmo que admitir que pode vir aí uma banda mais importante que os Beatles.
Também partilham a característica de serem periféricas. Os monumentos egrégios estão em Inglaterra, Itália, França ou Alemanha, as nações dos filósofos, dos poetas, do saber acumulado. Os russos do século XIX e os americanos até meados do século XX têm uma enorme lata. São punks virtuosos que tiveram acesso a guitarras eléctricas sem consciência do solfejo. A arte é visceral e tem uma execução simples, mas primorosa (excepto em Dostoievsky em muitos casos, mas não obstante o resto compensa largamente - cuidado com a maldição do voraz erudito radical). Não exibem a erudição que tinham. Vivem num mundo que está em transformação, rude, grotesco, provinciano, violento, em convulsão social, com distinções radicais de classes, onde as grandes questões ainda se colocam e perante as quais estão isolados enquanto seres pensantes e não amparados por estruturas ancestrais como nos países berços da cultura. Têm de pensar em termos claros e precisos.
Tudo isto contribui para lhes acerbar a solidão e angústia existencial que é impossível de existir num escritor parisiense ou inglês que passou a tarde num bistrot a beber chocolat chaud (não se bebe chocolat chaud no bistrot mas rima) e que obriga, como Céline, a encontrá-la noutras paragens. É isso que me afasta de Proust ou Nabokov, só para citar dois. São gajos que atrofiam com coisas como a grande angústia que é encontrar a metáfora perfeita, o parágrafo mais elegante para descrever um rosto feminino, quando o que eu quero saber é se aquela cabra vai levar o herói ao suicídio, ao duelo ou ao homicídio, à boa maneira russa.
Concedo que nunca li frases tão elegantes, espontâneas e originais que conseguissem provocar imagens mentais tão complexas e ricas como as de Nabokov, mas estão ao serviço de algo que é manifestamente pouco canídeo, demasiado intelectual. Admito que sou indiferente a páginas com descrições de morfologia de borboletas, por exemplo.
Tu falas-me Melville e eu contraponho com outro contemporâneo dele, o Mark Twain. A partir daí é fácil perceber o resto, a bifurcação. Melville instiga-me um sentimento de respeito, reverência e indiferença no íntimo, como a que sente José Sócrates por filosofia por exemplo. Tal como ele, eu também me inscrevo no curso de Melville e leio a sua obra para depois não ser desconsiderado pelos vorazes eruditos radicais a quem tento explicar que Bukowski é bom. Mas é-me estéril do ponto de vista de reacções e emoções que me provoca, nomeadamente, criativas. Twain dá-me vontade de correr atrás de coelhos e levantar as saias às raparigas.
A partir desta bifurcação é fácil entender onde vamos parar os dois nos EUA, no século XX e porque motivo eu gosto até do pior (Kerouac, Hemingway...), do melhor (Salinger, Capote...) e do humano imperfeito (Bukowski, Fante...). Cuidado pois, com a maldição do voraz erudito radical, especialmente a sua variante anglófila.
Tenho a perfeita consciência que perdi o foco do texto a meio mas estou um bocado cansado agora, vou jantar. Quero também dar os parabéns aos admiradores de Garcia Marquez, Paul Auster, Philip Roth ou Valter Hugo Mãe que conseguiram chegar ao fim deste texto sem se sentirem sub-liminarmente insultados, como era natural que se sentissem.
As coisas dividem-se em aborrecido / divertido.
Mas comecemos pelo princípio.
Algumas crianças, por via do acaso, normalmente influências paternas ou inclinação genética, começam a desenvolver a curiosidade. Esse espírito de curiosidade faz com que classifiquem coisas novas, estranhas e provocadoras como divertidas e coisas repetitivas e fáceis ou simplesmente más como aborrecidas.
Começam a desenvolver o espírito crítico para distinguir as duas e os dois campos vão evoluindo. Há obras que nos parecem fenomenais aos 16 anos e aos 25 são lixo, um bocado como os ministros que elegemos, ao fim de uns meses de governo.
Em casos raros, os seres humanos continuam com curiosidade após o período de juventude, mas maior parte das pessoas perde a curiosidade quando começa a ter intercurso sexual. Felizmente, não foi esse o meu caso ou o teu. És claramente, como eu, um virgem tardio, que perdeu muito tempo e muita energia a pensar em merdas em vez de apalpar mamas.
Em qualquer caso, quando somos mais cultos temos de nos esforçar para encontrar o divertido e a quantidade de coisas aborrecidas aumenta exponencialmente, o que também é uma maldição. Um dos sintomas dessa maldição, a que eu chamo "a maldição do voraz erudito radical", é o despontar de uma frieza emocional perante coisas formalmente mais primitivas e imperfeitas, mas belas como uma flor na primavera. Se achaste a cena da flor pindérica, então cuidado, é um sintoma de maldição do voraz erudito radical.
Grande parte da literatura americana pós-Melville, até meados do século XX, que tu desconsideras, tem exactamente as mesmas características que a literatura russa do século XIX que admiras, excepto dar-se o caso da primeira antecipar cronologicamente a segunda e ser evidentemente clássica e canônica, algo que a segunda nunca poderá ser. Seria o mesmo que admitir que pode vir aí uma banda mais importante que os Beatles.
Também partilham a característica de serem periféricas. Os monumentos egrégios estão em Inglaterra, Itália, França ou Alemanha, as nações dos filósofos, dos poetas, do saber acumulado. Os russos do século XIX e os americanos até meados do século XX têm uma enorme lata. São punks virtuosos que tiveram acesso a guitarras eléctricas sem consciência do solfejo. A arte é visceral e tem uma execução simples, mas primorosa (excepto em Dostoievsky em muitos casos, mas não obstante o resto compensa largamente - cuidado com a maldição do voraz erudito radical). Não exibem a erudição que tinham. Vivem num mundo que está em transformação, rude, grotesco, provinciano, violento, em convulsão social, com distinções radicais de classes, onde as grandes questões ainda se colocam e perante as quais estão isolados enquanto seres pensantes e não amparados por estruturas ancestrais como nos países berços da cultura. Têm de pensar em termos claros e precisos.
Tudo isto contribui para lhes acerbar a solidão e angústia existencial que é impossível de existir num escritor parisiense ou inglês que passou a tarde num bistrot a beber chocolat chaud (não se bebe chocolat chaud no bistrot mas rima) e que obriga, como Céline, a encontrá-la noutras paragens. É isso que me afasta de Proust ou Nabokov, só para citar dois. São gajos que atrofiam com coisas como a grande angústia que é encontrar a metáfora perfeita, o parágrafo mais elegante para descrever um rosto feminino, quando o que eu quero saber é se aquela cabra vai levar o herói ao suicídio, ao duelo ou ao homicídio, à boa maneira russa.
Concedo que nunca li frases tão elegantes, espontâneas e originais que conseguissem provocar imagens mentais tão complexas e ricas como as de Nabokov, mas estão ao serviço de algo que é manifestamente pouco canídeo, demasiado intelectual. Admito que sou indiferente a páginas com descrições de morfologia de borboletas, por exemplo.
Tu falas-me Melville e eu contraponho com outro contemporâneo dele, o Mark Twain. A partir daí é fácil perceber o resto, a bifurcação. Melville instiga-me um sentimento de respeito, reverência e indiferença no íntimo, como a que sente José Sócrates por filosofia por exemplo. Tal como ele, eu também me inscrevo no curso de Melville e leio a sua obra para depois não ser desconsiderado pelos vorazes eruditos radicais a quem tento explicar que Bukowski é bom. Mas é-me estéril do ponto de vista de reacções e emoções que me provoca, nomeadamente, criativas. Twain dá-me vontade de correr atrás de coelhos e levantar as saias às raparigas.
A partir desta bifurcação é fácil entender onde vamos parar os dois nos EUA, no século XX e porque motivo eu gosto até do pior (Kerouac, Hemingway...), do melhor (Salinger, Capote...) e do humano imperfeito (Bukowski, Fante...). Cuidado pois, com a maldição do voraz erudito radical, especialmente a sua variante anglófila.
Tenho a perfeita consciência que perdi o foco do texto a meio mas estou um bocado cansado agora, vou jantar. Quero também dar os parabéns aos admiradores de Garcia Marquez, Paul Auster, Philip Roth ou Valter Hugo Mãe que conseguiram chegar ao fim deste texto sem se sentirem sub-liminarmente insultados, como era natural que se sentissem.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
avaliação da Troika ao Governo
- Que scheibe de indicatorres son estes? Que deficit es este merda? Non conseguen perceberr que 3% es diferrente de 5%?! Es assim tao dificil deh compreenderrr ficken ma phodam!?
- Mas eu...
- SILENTZIO! sieht Spannungen! Tu, tu aí estás com cara de parrvo, não perrcebes nada de ekonomia e és minishtro do finanças?
- Eu? Eu sou o primeiro ministro.
- Ah. Tu é que esh ele? Então quem é eshte que tá a olhar parra o relatório com carra de parvo?
- Esse é o Carlos, o nosso motorista. Carlos, traz-nos um café sim? O meu com adoçante. O Vítor Gaspar é este senhor. Ele é o ministro das Finanças, o responsável por isso tudo. Vítor, chega aqui, apresenta-te.
- Olá, muito...boa tarde... eu sou o Vitor.... Gaspar... como... está...?
- Meine Gott... John, make a note, they have mentally disabled people worrking in the goverrnment... Vamosh continuarr o reunião. Primeirro ponto da avaliação. Eshtão prontos? Preparrados!? Não vale terr cábulas. Primeirra pergunta: um hund fofinho, um cachorro, está no meio do autobahn. Vocêsh estão no vosso mercedes a 150km/h a caminho de uma reunião onde vao decidir que a idade legal para trabalharr desce para 8 anos de idade num regime fiscal especial de 100% de imposto sobre rrendimento (medida #42 a serr implementada em 2014). O que fazem?
A) Parram o carro para ajudar o cachorro?
B) Passam por cima do cachorro?
-B!
- B!
-A!
- Carlos, não deves intervir na reunião, retira-te por favor.
- Mas ó sôtor, se passar por cima do cão vai arrebentar com a grelha toda do Mercedes. O arranjo daquilo fica-lhe por uns trezentos contos...
- SILENTZIO! O motorrist tiene razão! Passarr por cima de um hund pode prejudicar o deficit devido aosh custos de arranjo do auto! Tsk tsk... falharram a primeirra. Segunda pergunta. Há um manisfestação de desagrado à nova medida de aushteridade que obriga os professores não colocados a proshtituir-se no algarve (medida #21 previshta para 2013). A polícia deve intervir com a) Balas a sério b) Balas de borracha?
- A quanto é que está a borracha Vitor?
- Acho que... acho que a... 0,3 dólares por... quilo...
- E as balas a sério, aquilo é o quê, chumbo? O chumbo é mais pesado, deve ser mais caro... B. B!
-B.
- Nein! Errado outrra vez! Exigimosh medidas permanentes de reducion de deshpesa! Eshtruturais! Balas de borracha só resolvem prroblemas temporariamente e de depoish tem de resolver uma e outra e outra vez, semprre com dinheirro do contribuinte alemão!
- Mas eu...
- SILENTZIO! sieht Spannungen! Tu, tu aí estás com cara de parrvo, não perrcebes nada de ekonomia e és minishtro do finanças?
- Eu? Eu sou o primeiro ministro.
- Ah. Tu é que esh ele? Então quem é eshte que tá a olhar parra o relatório com carra de parvo?
- Esse é o Carlos, o nosso motorista. Carlos, traz-nos um café sim? O meu com adoçante. O Vítor Gaspar é este senhor. Ele é o ministro das Finanças, o responsável por isso tudo. Vítor, chega aqui, apresenta-te.
- Olá, muito...boa tarde... eu sou o Vitor.... Gaspar... como... está...?
- Meine Gott... John, make a note, they have mentally disabled people worrking in the goverrnment... Vamosh continuarr o reunião. Primeirro ponto da avaliação. Eshtão prontos? Preparrados!? Não vale terr cábulas. Primeirra pergunta: um hund fofinho, um cachorro, está no meio do autobahn. Vocêsh estão no vosso mercedes a 150km/h a caminho de uma reunião onde vao decidir que a idade legal para trabalharr desce para 8 anos de idade num regime fiscal especial de 100% de imposto sobre rrendimento (medida #42 a serr implementada em 2014). O que fazem?
A) Parram o carro para ajudar o cachorro?
B) Passam por cima do cachorro?
-B!
- B!
-A!
- Carlos, não deves intervir na reunião, retira-te por favor.
- Mas ó sôtor, se passar por cima do cão vai arrebentar com a grelha toda do Mercedes. O arranjo daquilo fica-lhe por uns trezentos contos...
- SILENTZIO! O motorrist tiene razão! Passarr por cima de um hund pode prejudicar o deficit devido aosh custos de arranjo do auto! Tsk tsk... falharram a primeirra. Segunda pergunta. Há um manisfestação de desagrado à nova medida de aushteridade que obriga os professores não colocados a proshtituir-se no algarve (medida #21 previshta para 2013). A polícia deve intervir com a) Balas a sério b) Balas de borracha?
- A quanto é que está a borracha Vitor?
- Acho que... acho que a... 0,3 dólares por... quilo...
- E as balas a sério, aquilo é o quê, chumbo? O chumbo é mais pesado, deve ser mais caro... B. B!
-B.
- Nein! Errado outrra vez! Exigimosh medidas permanentes de reducion de deshpesa! Eshtruturais! Balas de borracha só resolvem prroblemas temporariamente e de depoish tem de resolver uma e outra e outra vez, semprre com dinheirro do contribuinte alemão!
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
grande post, foda-se
Não se preocupem que ninguém lê livros - http://elogiodaderrota.blogspot.pt/
Dostoiévski, Gogol, Friedman e Passos Coelho. Larguem mas é o facebook.
domingo, 9 de setembro de 2012
algumas soluções para a crise
A crise económica é grave. Reduzir a despesa e aumentar a receita é a única via viável, desde que constitucionalmente constitucional. Exige-se um esforço de todos para poupar naquilo que puder ser poupado (lâmpadas economizadoras etc.) Os investidores precisam de confiar no nosso país e isso só se consegue com uma relação aberta, honesta, sem sentimento de posse ou ciúme em que cada um pode ser como é e não exige ao outro que mude. O PS não está para mais austeridade e o PSD também não estará para mais austeridade quando for oposição. Uma solução era todos os partidos estarem na oposição e nenhum no governo e assim nenhum defenderia a austeridade. Caso isso fosse impossível de aplicar, o governo eleito poderia entrar em greve assim que tomasse posse. Outro problema é o desemprego elevado. Uma solução é baixar o número de desempregados. É apenas uma medida, mas há outras, como aumentar o número de empregados. Uma medida seria considerar que cada desempregado é um profissional liberal em que a profissão poderia ser "enviador de currículo". Como cada profissional liberal tem de pagar cerca de 170 euros por mês só por abrir actividade, matava-se dois coelhos de uma cajadada. Para além de reduzir o desemprego a zero, ainda se obtinha uma receita adicional.
Os políticos dizem que Portugal sair do euro é impossível. Nesse caso é o euro que tem de sair de Portugal. É certo que fomos nós que o convidámos e agora é um bocado indelicado mostrar-lhe a porta da rua. Uma solução é tornarmos a situação desagradável para ele e deixá-lo ir embora por vontade própria, como um convidado que não sai de nossa casa e a gente já não abre mais garrafas de vinho, começa a bocejar e a ver televisão até ele, depois de uns minutos de silêncio, olhar para o relógio e dizer "bem... então vou andando para um banco suíço..." Entretanto, podemos voltar a usar o escudo como moeda nacional, utilizando para padrão algo como nozes ou pinhões ou outro fruto seco caro para a moeda não desvalorizar logo e aproveitar para vender as reservas de ouro e comprar mais nozes e pinhões. O exército teria de ser treinado para nos proteger de uma invasão de esquilos.
Numa altura destas o importante é estarmos unidos e trabalharmos em conjunto, com cada um a dar o melhor que tem. As pessoas de esquerda devem trabalhar para ajudar com greves e as pessoas de direita com cargas policiais. Todos ocupados a resolver problemas em conjunto e com boa vontade. Para evitar problemas, as palavras de ordem nas manifestações podiam ser um pouco mais cordiais, coisas como "Senhor Ministro, isso não é correcto! Estás mas é armado em esperto!" ou "Fome! Pobreza! Que grande indelicadeza!" etc. e a polícia de choque podia usar martelinhos do São João ou alho porro e os canhões atiravam vinho ou espuma para fazer uma festa, mas se usassem vinho avisavam antes para as pessoas não trazerem roupa boa para a manifestação porque o vinho deixa nódoa.
Entretanto, é preciso garantir que a banca não vai à falência porque isso seria desastroso, seria como tentar jogar monopólio sem ninguém a fazer de banca e a contar as notas mil escudos de cada vez que uma pessoa quer comprar o Rossio ou a Rua Augusta. Ficávamos todos a olhar uns para os outros "e agora?" e a encolher os ombros, aborrecidos, a olhar para os hotéis e as casinhas sem ninguém os poder comprar. Para evitar que a banca vá à falência o truque é os bancos pedirem dinheiro emprestado uns aos outros e sempre que um está a ir à falência pede dinheiro a outro e assim sucessivamente, até um dia as pessoas deixarem de dizer que o John Lennon não é nada a não ser um sonhador maluquinho e perceberem que ele não é o único, mas apenas um de todos. Em vez de deitar fora o que está estragado, pouparemos, ao reparar as coisas antigas nos estaleiros de viana. O exército estará entretido a enxotar as hordas de esquilos salteadores das avelãs da reserva nacional mas a nossa soberania será garantida pela RTP que repelirá os espanhóis com a sua programação projectada em ecrãs gigantes montados nas fronteiras.
Todas estas medidas demoram algum tempo a ser aplicadas. No entretanto, para resolver o problema no curto prazo, Cavaco Silva pode decretar que 2013 e 2014 em Portugal passam apenas a ter 1 dia e esse dia é de trabalho. Marca-se um fim de semana para aplicar essa medida e os portugueses trabalharão 48 horas no fim de semana 2013/2014 e ninguém pagará salários nesses dias e teremos um superavit de milhares por cento e a troika e os alemães ficarão rendidos à nossa genialidade para resolver problemas e entraremos logo em 2015, um ano que os economistas dizem que será de retoma e crescimento.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
road rage
Deixo-vos com uma selecção dos melhores bocados do Arrumadinho destas últimas semanas apanhei-os por acaso no outro dia quando estava naquele estado sonolento de internet browsing em que fico indeciso entre ver road rage na rússia ou quedas de cliclismo:
«Ontem ao jantar falava com alguns amigos sobre os projectos em que estou a trabalhar. Às tantas, um deles riu-se e disse-me que já tinha saudades de ouvir alguém falar com entusiasmo e motivação sobre aquilo que faz, coisa que também lhe acontece a ele, mas que é cada vez mais difícil de encontrar. Tive de concordar.»
Teve de concordar. Ele nem queria, mas tsk tsk.. a humanidade. Aqui sobre o romance que está a escrever:
Sinto-me uma espécie de Deus do mundo daquelas pessoas, com poder para decidir quem se apaixona por quem, quem morre, quem sobrevive, que é bom e mau, quem faz asneiras ou segue o caminho correcto. É um desafio que me está a preencher. Dou por mim, no carro, a pensar no destino de todos, na forma mais surpreendente e eficaz de fazer avançar a história, de como posso preencher algumas lacunas com pormenores curiosos, dando-lhes um passado, acrescentando-lhes familiares, apoiando-os em novos amigos.
Quem faz as asneiras? Quem segue o caminho correcto? As questões que atormentam Shakespeare, sempre eternas. Não perca. Aqui sobre roupa da pull&bear, até tinha fotos e preços:
O laranja é uma das minhas cores preferidas, e das que mais usei neste Verão. Fica bem com quase tudo, é alegre, tem muita vida e acho que transmite optimismo e boa-disposição. Na Pull&Bear há este mesmo modelo em muitas outras cores. É um básico, mas, como se sabe, os armários vivem da combinação de uma boa variedade de básicos com peças mais fortes. [foto de catálogo da t-shirt, com preço]
É verdade que o laranja (e o rosa já agora) transmite optimismo, porque é preciso ser optimista para o usar. Aqui um dos mais interessantes, sobre cultura e jovens:
Há dias surpreendi-me quando uma miúda de 21 anos me disse que nunca tinha visto o "Top Gun". Depois escandalizou-me quando me perguntou o que era o "Tog Gun". (...) Mais tarde, dei por mim a pensar naquilo. E mudei de ideias. Não, não é normal que se desconheçam fenómenos deste género, ou filmes importantes que marcaram décadas.(...)Claro que nem todos os miúdos são assim. Claro que haverá os que continuam a ser interessados, a ler, a entender os fenómenos, a procurar. Mas a verdade é que nove em cada dez dos que tenho conhecido não são assim. Ora aqui está uma boa razão para os que se acham à rascar poderem distinguir-se: tornem-se mais cultos, intelectualmente mais activos e vão ver que acabam por se distinguir dos outros, por sobressair, e isso poderá fazer toda a diferença quando tiverem de enfrentar uma selecção.
Claramente, aquela miúda de 21 anos não escolheu o caminho correcto, mas sim o das asneiras. E agora, para descomprimirem e relaxarem, um videozinho de road rage na Rússia.
«Ontem ao jantar falava com alguns amigos sobre os projectos em que estou a trabalhar. Às tantas, um deles riu-se e disse-me que já tinha saudades de ouvir alguém falar com entusiasmo e motivação sobre aquilo que faz, coisa que também lhe acontece a ele, mas que é cada vez mais difícil de encontrar. Tive de concordar.»
Teve de concordar. Ele nem queria, mas tsk tsk.. a humanidade. Aqui sobre o romance que está a escrever:
Sinto-me uma espécie de Deus do mundo daquelas pessoas, com poder para decidir quem se apaixona por quem, quem morre, quem sobrevive, que é bom e mau, quem faz asneiras ou segue o caminho correcto. É um desafio que me está a preencher. Dou por mim, no carro, a pensar no destino de todos, na forma mais surpreendente e eficaz de fazer avançar a história, de como posso preencher algumas lacunas com pormenores curiosos, dando-lhes um passado, acrescentando-lhes familiares, apoiando-os em novos amigos.
Quem faz as asneiras? Quem segue o caminho correcto? As questões que atormentam Shakespeare, sempre eternas. Não perca. Aqui sobre roupa da pull&bear, até tinha fotos e preços:
O laranja é uma das minhas cores preferidas, e das que mais usei neste Verão. Fica bem com quase tudo, é alegre, tem muita vida e acho que transmite optimismo e boa-disposição. Na Pull&Bear há este mesmo modelo em muitas outras cores. É um básico, mas, como se sabe, os armários vivem da combinação de uma boa variedade de básicos com peças mais fortes. [foto de catálogo da t-shirt, com preço]
É verdade que o laranja (e o rosa já agora) transmite optimismo, porque é preciso ser optimista para o usar. Aqui um dos mais interessantes, sobre cultura e jovens:
Há dias surpreendi-me quando uma miúda de 21 anos me disse que nunca tinha visto o "Top Gun". Depois escandalizou-me quando me perguntou o que era o "Tog Gun". (...) Mais tarde, dei por mim a pensar naquilo. E mudei de ideias. Não, não é normal que se desconheçam fenómenos deste género, ou filmes importantes que marcaram décadas.(...)Claro que nem todos os miúdos são assim. Claro que haverá os que continuam a ser interessados, a ler, a entender os fenómenos, a procurar. Mas a verdade é que nove em cada dez dos que tenho conhecido não são assim. Ora aqui está uma boa razão para os que se acham à rascar poderem distinguir-se: tornem-se mais cultos, intelectualmente mais activos e vão ver que acabam por se distinguir dos outros, por sobressair, e isso poderá fazer toda a diferença quando tiverem de enfrentar uma selecção.
Claramente, aquela miúda de 21 anos não escolheu o caminho correcto, mas sim o das asneiras. E agora, para descomprimirem e relaxarem, um videozinho de road rage na Rússia.
chip chip chip
Num acto de rebelião patriótica instintivo acordei às 4 da manhã no Brasil, 8 da manhã em Portugal. A esta hora ouvem-se passarinhos nesta merda, por cima do roncar surdo de um motor que começa aquecer. Passarinhos!
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