sexta-feira, 7 de setembro de 2012

nunca mais

Eu já desconfiava que ia ser duro, mas acabei de passar pelas 6 horas mais “O Estrangeiro” do Camus ou “O Processo” de Kafka da minha vida num auditório de uma multinacional fixe. Entre esse momento e o agora meteu-se uma garrafa de vinho chileno manhoso a 25 euros (qualidade de vida em São Paulo = dinheiro) a debitar ao cliente no restaurante deprimente, por isso este texto vai sair sincero. Uma apresentação para um board de 30 pessoas de uma multinacional que vieram para um linchamento, por acaso o meu. Os olhos frios, cinzentos, da tipa do anel de brilhantes que me interrompeu a cada 10 segundos com uma observação impaciente, os suspiros de impaciência... Nesses momentos (a nível profissional só tive uns 2 ou 3 destes mas nenhum desta magnitude nem de perto nem de longe) o meu organismo faz um split entre alma e corpo. O meu corpo físico permanece ali, sentado, de fato e gravata, diz que sim com a cabeça, não riposta, toma notas e é subserviente às críticas que se auto-estimulam (um atira a primeira pedra, depois os outros atiram com mais à vontade). A minha mente regressa à infância. Lembro-me do meu cão. Lembro-me das ondas do verão, do pato com laranja que comi na tia rosa, dos meus amigos, da minha Plafty, da playstation, do bom livro que estou a ler (o John dos Passos é um deus, tema para outro post). O meu corpo físico é uma entidade abstracta e neutra que ali está no palanque, não tenho medo, sou imortal, a minha alma é intocável e eterna e minha e só pode ser atingida pelas pessoas que amo.


Escrevo isto ao som de helicopteros a sobrevar o hotel. Foda-se. O horizonte castrado por arranha céus disformes. Executivos com pressa.Vou ficar com stress pós traumático?

 Já percebi qual é o problema de Portugal. O problema (supondo que a maior parte dos meus leitores vive em Portugal) é que vocês não levam a “carreira” e o “dinheiro” tão a sério como noutros sítios tipo este aqui ou alemanha. Vocês são moles. Vocês gostam de um fim de tarde à beira tejo ou Douro. Vocês ficam felizes com a merda de um apartamentozeco, ir à praia, os amigos, ter um puto, uma vidazeca, namorar, beber um vinhinho, umas cervejas e comer uns caracóis, a pança cheia, ver a bola, ir ao café, beber um copo e vocês, meus filhos da mãe, dão-se por contentes com isso.

Quando aterrei aqui, vi as favelas a arder do avião. Pensei que fosse uma queimada de pneus ou uma merda do tipo. Não, eram as favelas, a arder, vi no jornal

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

tás triste porquê?


Isto és tu  num Lamborghini Aventador LP700-4 com uma pintura preto mate que acentua as formas angulares agressivas e futuristas do invólucro de 700 cavalos.

O Messi anda num Maserati Stradale branco tipo citroen de gama alta. 450 cavalos. lol ;).

Aqui o Iniesta a fazer publicidade a um carro arredondado e de vidro, um audi 7. Muito bonito, ali com o vidro todo não é? hahah


Isto aqui és tu a dizer "tchau aí" com imenso estilo. 

Aqui o teu rival Messi num anúncio da Termoteb que ele usa e o pai também.



E aqui Iniesta, o """"""melhor jogador do mundo""""", num gesto natural de se aconchegar mais na roupinha e puxar a gola para cima.



Aqui és tu com a tua namorada. Não sei se é a última, é difícil manter o registo actualizado. É bom que olhes para ela com essa cara de parvo.


Messi com a sua namorada, num casamento com leitão e pirâmide de camarão ali para os lados de Queluz. Dizem que ela é simpática.

Aqui o Iniesta e a sua mulher que olha para ele de lado e está a pensar se o dinheiro que o Iniesta ganha compensa o esforço de dormir com um cadáver.



Estás triste porquê?

sinfonia de destruição

O dia começou estranho. Vim fumar à porta do hotel e reparei em 4 metaleiros ali sentados no chão numa esquina. Achei esquisito. Pensei que fossem uma banda e iam ensaiar num sítio qualquer ali perto. Um tinha um blusão de megadeth, botas de biqueira de aço e chapéu de cowboy. Voltei para cima, trabalhar no powerpoint. Depois vesti o fato e desci quando o motorista chegou. Em vez de 4 metaleiros eram uns 12 agora. Pensei que fosse uma festa de anos de um metaleiro e que fossem todos ao Mac comer happy meals ou algo do género. O dia passou, andei de um lado para o outro, ainda deu para fazer compras na óscar freire recebendo por e-mail fotos e referências dos modelos específicos de havaianas que as irmãs da Plaft desejavam possuir (ah, o consumismo...) Trabalhei à tarde no hotel do presidente, acho que bebi cafés a mais. Depois do trabalho e de comer um hamburguer de 15 euros que diziam que era bestial e não era, o motorista levou-me até ao meu hotel. Na rua do hotel, o caos. Já não eram 12 metaleiros. Eram milhares. Estou-vos a dizer, nunca vi tanto metaleiro junto. E eram jovens. Já fui a um concerto de Alice Cooper no Atlântico e aquilo eram velhadas enchouriçados nos blusões a cheirar a naftalina. Ali eram putos, o metal está vivo em São Paulo. T-shirts de slayer, megadeth, metallica, motorhead, bancas a vender bandeiras e merchandising... Percebi que era um concerto de Megadeth pela proporção de coisas de Megadeth nas bancas e na vestimenta dos jovens. Grades na rua, seguranças, o recinto devia ser mesmo ali. Eu ia a fumar com a janela entre-aberta, no banco de trás e metaleiros gritavam "bilhete, bilhete" e contemplavam-me no vidro fumado do carro preto. Com ódio e desdém... Eu simbolizava o mal. Exactamente como neste video de Megadeth: O carro teve de apitar para conseguir entrar para a frente do hotel, o segurança ameaçador do hotel ajudou um bocado ao ameaçar de porrada um que não queria sair de frente do carro e depois eu saí, de blazer e calcinha à beto, a tirar as comprinhas óscar freire da mala de trás, perante o olhar cínico e desaprovador de 50 metalheads de cerveja na mão. Senti-me mal. Eu até sabia tocar o Symphony for Destruction todo. E tenho o cd. Estive para lhes explicar isso. Ainda hesitei. Mas não, achei melhor subir e escrever este post, sossegado. Amanhã acordo cedo. Eu sei, estou a agir como um robot. Mas é assim vocês pegam num homem mortal, estão a ver? Tipo eu. E põem-no em controlo. Vêem-no tornar-se num deus e cabeças a rolar. A rolar, a rolaaaaaAAaaaaar...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

portugueses pelo mundo

Lembrei-me de uma coisa que queria ter escrito há algum tempo, a propósito do programa Portugueses No Mundo, um programa de rádio da Antena 1 que me irrita solenemente e para o qual a Luna foi entrevistada. Eu oiço a Antena 1 praticamente todos os dias e não entendo o conceito de serviço público daquele programa em concreto. A Luna até foi bastante crítica e realista, mas de resto, todos os dias levamos com o caso de um jovem hiper-feliz porque deixou este charco e está em Sidney, Nova Iorque, Jerusalém, Londres, Timbuktu, Amesterdão ou Toronto, a ter uma carreira fantástica e cheia de oportunidades que não há em Portugal e que só tem saudades dos amigos, da família, do tempo e da comida. Tudo bem. Qual é o ponto do programa no sentido de serviço público? Apoiar a sugestão de Pedro Passos Coelho para que os jovens, formados com dinheiro português, emigrem e contribuam para riqueza dos outros países? Deprimir os jovens (e os portugueses em geral) que ficam neste esterco ou que não têm qualificações para aquelas carreiras? Estão praticamente só a entrevistar elites, pessoas com formação no estrangeiro, engenheiros, cientistas... o emigrante português, mesmo o jovem, é isso? Se calhar deviam focar a atenção em jovens de talento que voltaram, ou nos que se conseguem safar em Portugal (sem pertencer a uma jota) ou nos motivos pelos quais eles não se conseguem safar em Portugal. Esse ponto é o que interessa aos jovens que emigraram porque a maior parte gostaria de voltar, em condições iguais ou mesmo um pouco piores. Esse é o problema a resolver ou não? Que Jerusalém, São Francisco e Bruxelas têm empregos e carreiras já sabemos, especialmente se entrevistarmos jovens talentosos que têm empregos e carreiras e não a doméstica e o mecânico que vivem num subúrbio miserável de Paris.

o fantasma

A viagem de avião passou rápido, li o 1919 do John dos Passos e vi aquele último do Tim Burton, aquele do Jonhy Depp vampiro naquela casa. É uma bela merda, eu tinha razão e nem o meio xanax que tomei melhorou o filme. Dormi confuso e sonhei com coisas de trabalho. Cheguei ao aeroporto e esperei muito tempo pelas malas, o que desfez o meu golpe de génio de viajante experimentado que foi descer as escadas normais a correr evitando as escadas normais para chegar o mais depressa possível à fila da verificação dos passaportes. Fumei dois cigarros de seguida cá fora e apanhei um taxi, foi a primeira vez que fiz a viagem de taxi, normalmente vem um choffer buscar-me ao aeroporto. É a crise. Vinha bastante relaxado, o xanax. O taxi tinha uma pequena televisão lcd sintonizada num programa sobre crime em S.Paulo, acho que se chamava  A Cidade Alerta. O apresentador defendia castração química para o ginecologista que hoje mesmo tinha sido preso por abusar da mãe e da filha numa consulta, a tv faz freeze na cara dele e o apresentador diz "olha aí a cara dele" e diz o nome e depois espetam-lhe um microfone à frente da cara e ele diz que algumas mulheres brasileiras confundem perguntas profissionais e clínicas com assédio, depois um bando de meia dúzia de menores de idade sai de uma carrinha da polícia, algemados, e o apresentador defende prisão perpétua, depois imagens de videovigilância mostram um tipo a entrar num banco e dar dois tiros num segurança e a tentar pegar fogo à agência, e nisto tudo o taxista descontraído muda de faixa como um carro de fórmula um e nem parece atento ao pequeno lcd com as imagens que passam em câmara lenta. Ambulâncias em todos os sentidos fazem-me sentir "dentro do filme". Nuvens cinzentas confusas adensam-se no céu da interminável orla de São Paulo. O túnel João Paulo II. O túnel Ayrton Senna. Prédios esconços e decrépitos, arranha-céus espelhados, cidade fungo gigante, cinzento, carros, tudo parado, luzes vermelhas de faróis, motas a apitar. O hotel em que estou é bastante deprimente. O quarto é para não-fumadores, como de costume, e quando abro a janela entra um vendaval dos diabos, agravado por me encontrar num 9º andar, ia queimando uma das cortinas sintéticas com a ponta do cigarro. No prédio em frente, também com 15 ou mais andares, pessoas trabalham e um tipo numa secretária olha para mim. Temo que me possa denunciar ao hotel por estar a fumar. Jantei filet mignon e uma caipirinha no restaurante deserto e iluminado por uma luz branca tremelicante. Chão de azulejo frio, televisão com volume alto. Leio, leio, leio, é o mesmo livro que estava a ler em Lisboa, é indiferente onde estou, penso. Uma hóspede brasileira entrou depois de mim e foi sentar-se exactamente na ponta oposta da sala. Pediu um sumo de frutas e passou o jantar de olhos fixos na novela que passava numa tv cheia de estática enquanto esperava pelo jantar. Li quase metade do 1919, cenas da primeira guerra mundial. Lá fora a piscina do hotel, uma coisa do tamanho de um jacuzzi generoso, a superfície da água encrespada pelo vento, os arranha-céus e as gruas iluminadas por causa dos helicópteros, distorcidas no reflexo. Depois de jantar fui fumar um cigarro em frente ao hotel, enquanto pensei na semelhança entre certas passagens do Adeus às Armas do Hemingway e do 1919 do John dos Passos (1ª guerra, itália, condutores de ambulâncias), sendo que o do John dos Passos é literatura de outro calibre, mete o Hemingway num bolso, mete o Lobo Antunes num bolso (também faz daquelas brincadeiras impressionistas à Faulkner Som e a Fúria etc.), mete o Burroughs num bolso (também faz textos aleatórios com recortes de imprensa misturados) e isto tudo em frente a postes com 500 fios cada um a simbolizar o vigor desordenado do progresso brasileiro, indiferente ao humano e essas pieguices.. O vento a arrastar folhas. Um jovem de mochila de passo acelerado. Duas brasileiras de cabelo oxigenado, com passo ainda mais acelerado. Um carro sai de uma garagem de um condomínio, vidros à prova de bala. O quarto tem fogão sem exaustor, microondas, um frigorífico enorme cheio de cerveja. Estou a 8000km de mim mas a poucos dias de acabar com isto.

domingo, 2 de setembro de 2012

é que não está mais para aquilo

"O PS não está para mais austeridade", afirma António José Seguro

São sempre tão assertivos nestas alturas.

A tirada mais delirante é esta: O Governo não pode vender a TAP, a ANA ou os Estaleiros Navais de Viana do Castelo como se fossem propriedade sua. Tal como não pode dispor da RTP a seu bel-prazer, porque está em causa o serviço público de radio e televisão, a política da língua, a ligação às comunidades portuguesas, a afirmação de Portugal e a estratégia de internacionalização da economia portuguesa", afirmou.

Ena. Tanta coisa que depende da RTP. Não fazia ideia. É realmente muito importante então continuar a investir para garantir que continuamos no caminho certo da afirmação da língua e da internacionalização da economia como até agora. Nunca me ocorreu sintonizar uma televisão na RTP1 quando estou em reuniões em S.Paulo e Rio, mas devia tê-lo feito, pois teria vendido certamente mais projectos. Talvez pudessem introduzir conteúdos de promoção da economia portuguesa nos programas que têm audiência, uma espécie de product placement subtil.

«Compre um barco ao estaleiro de viana e dê uma de graça nesta moça bacana!»

Ou ranchos folclóricos. Também é bom e promove o pastel de nata. Meu Deus.
Fascina-me o conceito de que as empresas públicas não são propriedade de ninguém e de que estão numa espécie de limbo existencial quando subsistem com milhares de milhões de euros pagos por todos os portugueses, mesmo os mais pobres. Independentemente do debate sobre empresa A ou B, é absurdo considerar como incondicional a existência dessas empresas quando mais de 12 empresas  abrem falência por dia. Qual é a diferença entre uma dessas empresas e um "estaleiro naval" ou uma "Tap". É o quê? É a bandeirinha portuguesa na asa do avião e o aviador de farda? É a imagem romântica e mística dos construtores navais que faz pensar nos filmes do Eisenstein e que ficam tão bem nos documentários realistas a exibir em Cannes? Apoios sociais aos mais carenciados, saúde, educação, reformas, subsídios de desemprego e justiça, seriam as vacas sagradas a manter. Mas fazer barcos? Uma companhia aérea? Uma estação de televisão que passa merda 95% do tempo e tem 20% de share médio precisamente quando passa a mesma merda das privadas? Porquê?

sábado, 1 de setembro de 2012

depois das fotos, o video

Nenhum animal foi ferido nas filmagens. Excepto talvez na última onda em que arrisquei ficar com os calções pelos joelhos para fazer bodysurf pelo tubo adentro. Há qualquer coisa de lúbrico naquilo.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

electrónica

Ainda há momentos em conversa telefónica foi a vez de um amigo desempenhar o papel habitualmente reservado para a minha mãe, ao dissuadir-me do plano de aproveitar a crise para enveredar pela escrita a tempo inteiro no final deste ano, um plano evidentemente estúpido. A Plaft, diga-se, acredita em planos estúpidos e apoia-me. Vive com pouco ela. Massa com margarina e tem ali um pitéu. Remexe nos caixotes à procura de coisas que se aproveitem. Rouba fruta na mercearia da rua. Dá moedas de cinco cêntimos aos arrumadores. Remenda os sapatos e a roupa com corda furtada de estendais alheios. Fazemos compras nas feiras dos ciganos onde ela regateia 5 pares de peúgos por 3 euros em vez de 4. Fugiu de casa aos 16 anos e sabe quais são os sítios onde se dorme melhor ao relento e sabe aprisionar pequenos animais domésticos como cães e gatos, mas não é para os comer, é para os domesticar e ensinar a roubar carteiras a turistas no metro. Temos um pequeno bando de 4 gatos, 3 cães e um guaxinim que vinha num contentor de milho dos EUA e que encontrámos no cais do sodré, perdido. À noite eles voltam para nossa casa, tocam à campainha e despejam os objectos furtados para dentro de um saquinho do pão, depois vão dormir para o jardim, jogar às cartas e beber hidromel. Ela diz que está tudo bem e que vai correr tudo bem e que podemos criar dois filhos assim na boa e que ter um carro alemão não é importante e que ter os luxos que temos, como electricidade e gás não significam nada. Ela é de esquerda, mas ainda assim é uma mulher e as mulheres costumam reagir muito mal a descidas de nível de vida do parceiro, apesar de estarem convencidas que não. Os tipos não se atiram lá dos arranha-céus em wall street porque deixam de ter dinheiro para cerveja e futebol, acreditem. Pensam é na esposa que ainda na véspera andava pela casa de fita métrica na mão e a ver onde podia instalar o novo sofá italiano que é necessário ter. Eu tento encarar a opção pobreza como uma coisa literária, tipo, uma experiência realista, do povo, essas coisas. Isso dava-me mais credibilidade. Este post chama-se "electrónica" porque eu ia escrever sobre outra coisa que já não me lembro o que era.

marte tem bolinhas brancas!


...e um letreiro enorme a dizer 100 m!
Foto no site da Nasa.

bom gosto

Infelizmente ao longo da nossa curta vida existem várias ocasiões em que o nosso progresso depende da avaliação de uma pessoa numa posição decisiva. Seja numa entrevista de emprego, num casting, na avaliação de um draft de romance, no Ìdolos, numa universidade de esquerda num curso pouco científico em que a avaliação de uma resposta depende do critério subjectivo do professor etc., em inúmeras situações ficamos suspenso no sim ou não de outrém. É uma coisa extremamente violenta para pessoas com o meu carácter. Lembro-me de uma vez que uns headunters me telefonaram (ligavam-me muito há 3 ou 4 anos, entretanto deixaram) e participei num processo de selecção. Fiz testes, aquelas merdas, eram uns 20 candidatos, no fim fiquei só eu e outro gajo. Eu tinha emprego, mas queria sair, mesmo que fosse pelo mesmo. Nisto tive a entrevista na empresa, uma multinacional em portugal. A Chefa lá do sítio entrevistou-me. Na entrevista fez questão de mencionar que "ali se trabalhava muito, era raro o dia em que saía antes das 8 ou das 9" e eu teria de ser responsável por uma equipa de pessoas que teria de manter na linha tipo tropa. Eu já era responsável tpor uma equipa de pessoas mas faz-me muita confusão quando me pedem autorização para férias ou para sair mais cedo porque sinceramente odeio autoridade, minha e dos outros, e odeio o conceito de "ter de reportar a alguém". Acho que numa organização real as pessoas só devem ser avaliadas pelos resultados. Até podem ficar em casa um mês inteiro, não me fazia diferença, desde que as merdas aparecessem feitas quando fossem precisas. Até acho uma violência a merda de ter de ir para um local físico trabalhar se isso não for necessário, mas isso sou eu, enfim, trabalhei num sítio em que 5 minutos de atraso ao picar o ponto implicavam meses de assédio do departamento de RH a ameaçar com um corte de 5 minutos de salário caso eu não desse uma justificação mais satisfatória do que "adormeci, atrasei-me" apesar de eu insistir com eles que podiam descontar os tais 5 minutos, era na boa, e fiquei traumatizado. Bom, a entrevista. Eu fiquei convencido que me iam aceitar e queria rejeitar a oferta. Epá, queria. Aquilo era muito mau. As flores sintéticas, o escritório zen, a gaja bitch com tailleur anos 90, eu ia sofrer ali, eu sabia que sim, estava melhor quieto. O meu nível era vastamente superior à da posição que me ofereciam, um lugar sem margem para a criatividade e génio de uma pessoa como eu que não pode estar amarrada a procedimentos burocráticos. Eu expliquei-lhes que lhes desenvolvia e alargava a oferta, que os fazia subir na cadeia de valor de meros providers de informação para consultoria à séria, mas eles queriam era pão pão queijo queijo, uma coisa pragmática, controlo, accounting, etc. Mas convenci-me que queria entrar para lhes dizer que não queria entrar. Para minha surpresa ligaram-me e disseram-me que não me tinham escolhido. Fiquei fodido e nunca mais concorri a nada.

lista de nomes de maçons

Estou um bocado em estado de choque. O nome do gajo do café que me serve a sandes de ovo e o sumol de ananás todos os dias faz parte da loja do GOL (Grande Oriente Lusitano). Ele realmente anda de avental, mas nunca pensei que fosse uma pessoa importante, com connections. Amanhã quem o trata por senhor sou eu, que isto nunca se sabe o dia de amanhã e quem é que nos dá um carro alemão novo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

champions

Grupo G
Barcelona
 Benfica
Spartak de Moscovo
Celtic

Um grupo acessível ao Benfica. O Celtic pode causar algumas dificuldades se os jogadores atrapalharem a manobra ofensiva do Benfica ocupando bem o terreno de jogo. Um jogador do Celtic de pé não ocupa muito espaço, mas deitado pode ocupar uma área maior e creio que será essa a sua táctica aquando das transições ofensivas lideradas por Aimar, com Rodrigo, Nolito e Salvio em desmarcação rápida.

O Spartak de Moscovo é da rússia e está tudo dito. Ou quase tudo. É uma equipa especialmente forte a jogar debaixo de neve. Contudo, não deve nevar no Estádio da Luz (em princípio) pelo que não virá daí grande vantagem posicional e técnicotáctica. Por outro lado, se a temperatura estiver acima dos 20 graus, a equipa russa fica muito mole e alguns jogadores podem chegar a derreter. O perigo é jogar numa temperatura entre 17 e 20 graus, nesse caso os pupilos de Jorge Jesus não podem ter veleidades.

 O Barcelona tem um equipamento alternativo com um degradé de laranja para amarelo, semelhante ao efeito que se obtém se deixarmos uma lata de fanta exposta a elementos durante muito tempo. É uma reminiscência  de qualquer coisa que não devia ter sido reminisçada. A UEFA autorizou, apesar dos jogos da pré-época terem demonstrado que o equipamento provoca epilepsia a jogadores fotossensíveis. É uma questão do Jorge Jesus fazer o teste de fotossensibilidade aos seus jogadores e escolher um leque de opções bem opcionadas e fazer a preparação do embate com latas de Fanta à mercê de elementos.

Nota, Iniesta acabou de ser escolhido melhor jogador de 2011/2012 pela UEFA. Parece que indecisos entre Messi e Ronaldo, optaram pela escolha que daria menos chatices e confusão.

nada de nada



A maior parte das pessoas não percebe nada de nada e não sabe o que diz. As raras ocasiões em que  uma pessoa em particular percebe algo de qualquer coisa não compensam os benefícios de assumir que ninguém percebe nada de nada como ponto prévio a qualquer interacção humana. Assumir isto dá-nos a autoconfiança e assertividade necessárias à sobrevivência. E sobretudo, dá menos trabalho. Na primeira sessão de terapia desabafei isto e o parvalhão do psiquiatra vai e diz-me que isso podia ser um leve sintoma de delírio, indicador de esquizofrenia, porque era uma crença não baseada em factos e podia envolver uma interpretação errada da realidade. Mas o gajo, evidentemente, não percebia nada de nada e nunca mais lá voltei. Isto foi foi há 10-15 anos. No outro dia estou a estacionar o carro ao pé de Belém e quem é que eu vejo a arrumar carros, com um ar todo maltrapilho? Adivinhem lá, quem era? Um gajo que eu conhecia de vista da universidade, o M. É uma tragédia, a droga. A minha mãe foi drogada em antidepressivos. só por um mês, depois do meu pai morrer. O médico deu-lhe uns compridos que a faziam não só ficar muito bem disposta como cheia de energia. Ontem ao almoço diz-me "resolvi todos os problemes, andava sempre bem disposte, um maravilhe". Mas depois acrescentou "mas cause habituacion, a tie Michelle tome quase un par jour" e nunca mais tomou nenhum. Mas guardou todos os que sobraram, não se livrou deles, ficaram lá numa caixinha. Eu disse-lhe assim "maman, vou agora ter uma semana de cão, muito stress, vou ao brasil lá por causa daquele projecto, não me dás um desses que sobrou não?" e ela fez mesmo aquela cara que o Bilbo fez quando o Gandalf lhe pediu para ele dar o Anel ao Frodo e disse "non, non, são meus"


Orcos

A Plaft está a ler o Tolkien de uma ponta à outra. Depois do Hobbit, agarrou-se à trilogia do Senhor dos Anéis e todas as noites discutimos os acontecimentos na Terra Média. Sabe-me bem recordar aquele que foi um dos autores que mais me marcou. Ainda hoje um hobbit meu é dividir as pessoas em elfos, orcos, hobbits, anões, humanos... A Plaft é claramente uma elfa, até pela questão das orelhas que às vezes espreitam do cabelo e de um aspecto céltico. Eu sou descendente de hobbits, pois gosto mesmo muito da minha toca e de estar sossegado com as minhas coisas e acumulo muitos mathoms - o nome que os hobbits dão a tudo o que têm e não serve para nada mas de que não se conseguem livrar. Os adeptos do FCP, por exemplo, descendem de orcos criados a partir da melhor lama de Mordor.


Eu gostava muito de viver num mundo daqueles, cheio de magias e feitiços, coisas fantásticas, mistérios, fantasia. Acredito que para Tolkien, a imersão nesse mundo era total. Nos seus apontamentos, esquemas, contos inacabados, desenhos, obra, sente-se que aquilo advém de uma espécie de Universo completo do qual vão emanando coisas que ele se dá ao trabalho de colocar  no papel, como um viajante que conta algo de real, avistado num país distante, arrancado a memórias que só a esforço se tornam concretas, como quando somos assoberbados por informação e não a sabemos processar facilmente. Tentaram encontrar um paralelismo entre o Senhor dos Anéis e a II Grande Guerra mas o próprio Tolkien rejeita essa interpretação e, de facto, se fossemos a fazer o paralelismo, víamos que até existe no Senhor dos Anéis uma cultura da raça pura, uma apologia da importância da descendência, própria destes contos e deste imaginário, desde os genuínos herdeiros de reis guerreiros a elfos de raças mais ou menos puras consoante o seu isolamento.

 Há uma mitologia própria, ecos do passado nas canções, na poesia, na linguagem. Imaginem que os portugueses nunca tinham existido e que era um americano, chamado Esah de Keiroz (imigrande judeu polaco) que os inventava para se entreter, escrevendo os Maias, o Primo Basílio e assim, baseado em lendas de um povo que, no passado, tinha descoberto metade do mundo e vencido o Adamastor e que tinha a capacidade de, por um lado, criticar o próprio país de forma impiedosa e, por outro, rebentar em festa patriótica nas ocasiões especiais e devisivas, como os concertos de rock quando o cantor estrangeiro diz "obrigado, love portugal" ou em mundiais de futebol. Gostava muito de criar o meu próprio universo fantasioso assim, como quem faz um puzzle mágico, imerso num mundo paralelo, a fumar cachimbo na casinha do jardim, indiferente às bombas que chovem do céu, como o Tolkien.

E vocês são uma miséria. Não tem nada a ver com o post, mas apeteceu-me dizê-lo.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

marte



Isto aqui em cima foi uma fotografia que tirei nas minhas férias em marte, com a GoPro... mentira ;) Esta não fui eu. É uma foto tirada pelo fotógrafo da sonda Curiosity, um pequeno japonês com um fato isotérmico e uma botija de oxigénio e que come bolachas nutritivas do Celeiro. Podem ver mais fotos aqui no site da Nasa mas eu sei que vocês se estão nas tintas para estas coisas, querem é serviço público de concursos com o Fernando Mendes na televisão porque são de esquerda. Esta foto lembra-me Santo António dos Cavaleiros, ali ao pé de Loures. Só falta mesmo dois prédios altos, assim lá ao fundo e alguns pretinhos a brincar à bola com a cabeça da última vítima de carjacking. A propósito de carjacking, só para os anónimos que andam por aqui se roerem todos, tiraram-me o carro, é verdade, mas deram-me um novo, duas vezes melhor em todos os aspectos. É duas vezes mais recente, tem ainda mais cavalagem, um computador a bordo, navegação por gps, sensores de estacionamento daqueles que aparece um boneco do carro e uma cena tipo radar, espelho retrovisor que escurece automaticamente assim que leva com faróis à noite, sincronização com o iPhone que também vou receber, leitor de compact disc, rádio com os nomes das rádios numa lista etc. etc. e muito mais. Já tem dois riscos, um na porta e outro ao pé do símbolo da marca alemã. E porquê? Porque há pessoas de esquerda, nas ruas, que andam com o canivete de descascar batatas e maçãs apanhadas no caixote do lixo do pingo doce e que ficam fodidas quando vêem um carro daqueles, ainda por cima bem estacionado em cima dos passeios que o povo utiliza e riscam. Risquem à vontade. Eu gosto daqueles riscos, são cicatrizes de personalidade, digamos assim. Só quando nos sentimos alvo de inveja podemos ter a certeza de que estamos melhor que alguém. Dizem que nos Ferraris até cospem, mesmo pessoas mais à direita e tudo, que têm carros como o que eu agora tenho mas não têm Ferraris e ficam aborrecidas com isso. Marte é bonito. Gosto de ver fotos de Marte, é uma questão de aproveitar antes de um autarca marciano ir para lá fazer prédios e dos ciganos marcianos montarem barracas à volta dos prédios e de marcianos de esquerda riscarem as sondas da Nasa que lá aterrarem. Gosto de pensar que existem sítios que, não importa o que aconteça aqui, continuam na mesma. Há vento em Marte, levanta poeira e tudo e ninguém vê isso.

antes de ir dormir

estou mesmo a cair de sono e ia agora lavar os dentes e dormir, a plaft não está em casa de maneiras que não tenho nenhum motivo válido para ir para a cama e por isso pensei "não, não vou jogar magic, vou escrever qualquer coisa para "eles".
é enternecedor eu pensar em vocês no meu dia a dia.  "eles"...

Quase mil anónimos que aqui vêm e depois eu imagino como é que vocês são. E é mais ou menos assim:

São pessoas que estão à procura de qualquer coisa. Sentem-se sozinhos. Pelo menos, uma parte de vós sente-se sozinha e incompreendida. Sofreram desgostos, tiveram alegrias. Os risos sinceros  dissolvem-se num silêncio melancólico em que ninguém repara. Oh, como seria bom encontrar alguém que vos compreendesse etc. Vocês são pessoas especiais,  com necessidades especiais. Eu sou o wc com aquela sanita que tem aquelas barras de lado, o wc a que uma pessoa recorre quando há fila no wc normal do colombo e depois faz pontaria às barras e deixa aquilo a pingar e vai-se embora apressadamente para a fnac comprar livros com o cartão da fnac antes que venha uma pessoa especial usar o wc especial. Rápidos e silenciosos. Como um ninja. Vou dormir.

lição

Vocês não disseram nada sobre as fotos que tirei (na realidade são stills de filmagens que fiz) e demonstraram enorme desconsideração pelo perigo a que me submeti para as fazer e partilhar com vocês, urbanodepressivos, que nunca viram o interior de uma onda a não ser em fotos do género que ignoraram também quando as viram e assim sucessivamente. Tudo bem. Continuem assim, a ir aos centros comerciais e a ver televisão e a ser de esquerda ou direita. Entretanto li o Paralelo 42 do John dos Passos. É muito bom. É o primeiro volume de uma trilogia e vou ler o resto. Depois logo faço a minha crítica apurada. Cometi o erro de ver um telejornal, talvez o primeiro dos últimos 6 meses, e apanhei aquilo da privatização mista da RTP proposta pelo relvas e prontamente contrariada pelo Seguro que, ao melhor estilo cacique argentino, diz que nacionaliza aquela merda logo a seguir. Grande macho latino. Não devia ter visto o telejornal, sou como um lobisomem, vejo estas merdas e é tipo lua cheia quando saímos do lux às 5 da manhã, transformo-me em taxista palrador. Há pessoas, mesmo jornais de suposta referência que dizem que a RTP dá lucro e tudo, quando custou ao estado mais de 3.8 mil milhões de euros nos últimos 10 anos e recebe a maior parte das receitas de impostos e taxas na factura de electricidade pagas por nós. É que é daquelas coisas que eu... eu... Este governo é uma espécie de sandes mista de merda e queijo. Não deixa de ser de merda, apesar do queijo. O Seguro é só merda mesmo, mas não interessa, nunca ganhará uma eleição, com aquela cara de palonço manhoso. Não volto a ver telejornais. Só terei notícias de Portugal quando me baterem à porta para me prenderem por chamar palonço manhoso a alguém da política e assim. Filhos da puta. Mudando de tema, no outro dia apanhei uma tão grande que, ao sair do lux, não sei que merda fiz mas disse ao taxista para me deixar um quarteirão antes da minha casa porque já estava farto de o ouvir a chamar pelo Salazar. Nisto desoriento-me e começo a andar na direcção exactamente oposta à minha casa. Não vos sei explicar o que foram as duas horas que demorei até encontrar o caminho. A Plaft diz que eu lhe liguei e ela tentou falar comigo e depois eu terei enviado um sms a dizer "estou a ver o santo antónio". Andei por descampados, bairros sociais, fui perseguido pelo segurança de um hospital (não estou a gozar, eu não fiz mal nenhum, apenas me limitei a saltar um muro que me parecia estar entre mim e a minha casa e depois sai um gajo de um casinhoto num portão a dizer "hei, hei lá" e eu reagi como os pretos no COPS e desatei a correr), pedi informações a taxistas e esqueci-me delas segundos depois andei, andei, o sol a nascer, e eu não reconhecia a cidade, as ruas, não fazia puto de ideia de onde estava, por fim desisti e chamei um táxi de novo e o gajo diz-me "foda-se, isso é já ali atrás", andámos 1 minuto e era já ali atrás. Cheguei a casa já de dia e quase chorei ao meter a chave na porta. Que isto vos sirva de lição.

sábado, 11 de agosto de 2012

"aldeia olímpica"

Sempre que falam na "aldeia olímpica" vem-me à cabeça a imagem de uma aldeia rural cheia de atletas que dormem em casebres rústicos. Acordam cedinho. As ágeis ginastas fazem renda de bilros, os lançadores de martelo e peso ferram cavalos e partem pedras para os muros das propriedades, os atiradores de arco vão caçar perdizes, os maratonistas puxam os arados nos campos, os nadadores disputam peixe no rio com os ursos e os velocistas jamaicanos são cães pastores. O sino de bronze toca a repique e todos vão para a igrejinha no centro da aldeia olímpica. Chegou o representante do comité olímpico que convoca os atletas para a grande carroça que os vai levar ao local de competição. Os convocados pousam as alfaias e os géneros agrícolas, vestem o fato de treino e sobem para a carroça e depois aparecem nos respectivos locais de competição.

Paulo Coelho e James Joyce

Paulo Coelho diz que o Ulysses do James Joyce fez mal à literatura: Writers go wrong, according to Coelho, when they focus on form, not content. "Today writers want to impress other writers," he told the paper. "One of the books that caused great harm was James Joyce's Ulysses, which is pure style. There is nothing there. Stripped down, Ulysses is a twit."

Estas declarações causaram grande agitação porque vieram de Paulo Coelho, o que as torna ofensivas em vez de meramente polémicas. É um bocadinho o mesmo que o Tony Carreira considerar que o David Bowie "foi mau para a música porque as letras dele não fazem sentido" ou o Michael Bay considerar que o cinema de Ingmar Bergman "não tem explosões que chegue".

Paulo Coelho, por seu lado, fez muito mal à humanidade ao contribuir para fenómeno do misticismo fast-food new age que, nestes tempos de decadência da ortodoxia religiosa, encontrou terreno fértil.

No entanto, eu entendo o que ele diz de Joyce. Eu próprio já escrevi palermices do género e o Bukowski também. Já tentei ler o Ulysses duas vezes e o Portrait Do Artista Enquanto Chavalo uma vez. E desisti sempre por desinteresse. Não gosto de meta-literatura, mesmo da boa. Ainda ontem desisti de ler E Se Numa Noite de Inverno Um Viajante de Italo Calvino e já ia a meio. Cansei-me. É um daqueles romances experimentais em que cada capítulo é um exercício de estilo de um género de romance. Tal como o Ulysses, também vem com uma espécie de esquema na primeira página a explicar a obra.

Mudei para o Victoria de Knut Hamsun, com as suas histórias simples de filhos de moleiros que vivem na floresta imersos num delírio de fantasia e se apaixonam por uma menina da cidade que vem acompanhada de rapazes da cidade muito arrogantes e maus e há cavernas e espíritos e ursos.


 Não sei se sonhei com isto, mas acho que li em qualquer lado que o Joyce deixou de escrever para se dedicar à carpintaria e teria desvalorizado o que escreveu, descobrindo beleza maior nas histórias infantis e nas canções e poemas populares. Não confio na minha memória. Posso ter sido muito bem eu a escrever isto e agora julgo que o li em qualquer lado. Tenho tendência a imaginar factos que vão de encontro à maneira de como eu gostava que as coisas fossem. Por exemplo, acreditei durante muito tempo que o hino de portugal dizia "nação valente e mortal", uma versão certamente mais do agrado do Michael Bay também.