- Bem-vindo, espero que você se dê bem aqui no salão. Então é assim fofo, daqui a 10 minutinhos abrimos e se prepare querido, hoje é sábado, tem toda a tiazoca que vem arranjar o cabelo…
- Desculpe Ednilson, mas deve haver um equívoco. Este é o salão de cabeleireiro Ednilsus Stylus?
- Sim querido! Tem cartaz ali na porta bobão.
- Mas existe mesmo?
- Como assim? Gente, isso existe desde 1997. O Manuel Maria e a Bárbara são nossos clientes. Isso aí é fino viu?
- O quê? Quando respondi ao anúncio de emprego pensei que… pensei que não existia no plano físico isto é, não duvido que no plano metafisico a empresa esteja devidamente credenciada mas chegar aqui e ver... e ver que isto existe.... desculpe, constitui choque.
- Ué? Como eu cortava o cabelo à Agata ou à Luciana e ao Djaló? Pela Internet? Chega de bate-papo, você tem de se preparar.
- Oiça, eu não tenho experiência em trabalhar em sítios que… existem fisicamente, no plano real… Pensei que tinha deixado isso claro no meu curriculo. Até incluí a minha passagem pelo centro de coordenação de estudos culturais associativos & dissociativos de pedopsicologia aplicada, para que não houvesse dúvidas...
- Você acha que a gente leu seu curricúlo? Minha nossa, você só vai lavar cabelo e falou para nós que tinha duas mãos, o último candidato que veio cá tinha um gancho de ferro em vez da mão esquerda, ainda trabalhou aqui umas horas mas depois do segundo acidente tivemos de o botar fora, não tinha jeito.
- Mas diga-me que por enquanto não há condições e que tenho de aguardar serenamente por um despacho, uma coordenação, um desbloqueio de fundos... estou a hiperventilar.. hiiii hiii
- A sua farda está ali no cacifo, venha vou mostra pra você onde estão os produtos e os xampus…
- Wow, wow, espere, tenho de me sentar um pouco, hiii hiii estou a cabeça a andar a roda… hiiii gasp cof hiiii
- Eu preparo um chazinho de tília pra você, relaxe. Tome sua farda.
- A farda… A farda não me serve! Eu não posso trabalhar sem farda! Veja, demasiado apertada! AH-HA!
- Oh, que bobagem, dei pra você o S, tome, tem aqui o L.
- Não! Oh santo Foucault , não, não, hiiii hiiii não! As torneiras... hiiin... já há agua? E há água quente? não pode haver já água quente, em 2003 no gabinete de coordenação das técnicas coordenativas coordenadoras dos coordenadores culturais demoraram quatro meses só para termos a cabine de chuveiro no gabinete e depois
- Oi, o Jorge Jesus, depressa, prepare o xampu extra volume sensation hidration silky effect para cabelos loiros e se lembre, seja meigo, ele fica bravo fácil!
quinta-feira, 10 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
vodka
Custa-me compreender porque motivo mudam de opinião sobre mim se eu sou sempre a mesma pessoa desde que me lembro de ser. Com a morte, as opiniões sobre nós também mudam, perdoam-nos as coisas, fazem-nos elogios fúnebres, o que é um pouco inútil se pensarmos bem, os elogios fúnebres deviam ser feitos em vida, acho que deviam encenar funerais, a pessoa deitava-se num caixão e ouvia os amigos e família a falarem bem dela e depois levantava-se revigorada e toda gente ia para os copos bem disposta.
Quando era puto, antes de adormecer, por vezes imaginava o meu funeral e toda gente a chorar, incluindo o meu cão, a minha mãe, o meu pai, a Inês, a Cristina, a Paula e a Sílvia e a Luísa. E toda gente muito triste e comovia-me de tal forma com essa imagem que por vezes chorava na cama até ensopar a almofada, sem me aperceber que, na vida real, era o único que o fazia por mim, que se comovia por mim - situação que aliás se mantém, num loop de narcisismo que vou tentando controlar e fazer render com a aspiração de escritor.
A minha cadela irrompia pelo quarto adentro e focinhava-me com o nariz húmido e snifs snifs, arrancava-me da letargia e lambia-me a cara e a boca. Depois subia para cima da cama. Gostava de sentir o peso dela, quente, em cima dos lençóis, aos meus pés e o som do seu ressonar pacífico, entre-cortado por suspiros, adormecia-me em paz, eu era apenas um puto com um sabor e um cheiro que lhe era agradável e que por vezes lhe passava enchidos e cartilagens de porco do cozido à portuguesa por debaixo da mesa sem o Dono Grande ver.
Uma boa música, durmam bem (bom dia para a maior parte de vocês)
Quando era puto, antes de adormecer, por vezes imaginava o meu funeral e toda gente a chorar, incluindo o meu cão, a minha mãe, o meu pai, a Inês, a Cristina, a Paula e a Sílvia e a Luísa. E toda gente muito triste e comovia-me de tal forma com essa imagem que por vezes chorava na cama até ensopar a almofada, sem me aperceber que, na vida real, era o único que o fazia por mim, que se comovia por mim - situação que aliás se mantém, num loop de narcisismo que vou tentando controlar e fazer render com a aspiração de escritor.
A minha cadela irrompia pelo quarto adentro e focinhava-me com o nariz húmido e snifs snifs, arrancava-me da letargia e lambia-me a cara e a boca. Depois subia para cima da cama. Gostava de sentir o peso dela, quente, em cima dos lençóis, aos meus pés e o som do seu ressonar pacífico, entre-cortado por suspiros, adormecia-me em paz, eu era apenas um puto com um sabor e um cheiro que lhe era agradável e que por vezes lhe passava enchidos e cartilagens de porco do cozido à portuguesa por debaixo da mesa sem o Dono Grande ver.
Uma boa música, durmam bem (bom dia para a maior parte de vocês)
terça-feira, 8 de março de 2011
John Galliano
O caso John Galliano é paradigmático do Big Brother que veio dos social media e da profusão de telemóveis com câmera de filmar. Para mim, isto resumia-se a achar o John Galliano um palhaço, como o Mel Gibson ou o Michael Richards (Kramer). Os famosos têm tendência a ter sobre si as objectivas todas e aquilo que connosco seria resolvido em privado (exemplo: seríamos julgados por ofensas verbais etc.) no caso deles, transformam-se em manifestos públicos, mesmo num país que acabou de publicar uma sondagem em que Marine Le Pen surge à frente. Até o pobre David Hasselhoff, com uma bebedeira descomunal, rastejando pelo chão da casa, filmado em privado pela filha e colocado no youtube, tem de pedir desculpas públicas ao mundo e é considerado um mau exemplo etc.
Percebo que Galliano seja despedido, o posto dele precisa de uma imagem pública decente, é bom para o negócio. E percebo que seja julgado por ofensas racistas. Tudo dentro da lei. O que mexe comigo é a hipocrisia do linchamento global. Ele é um estilista, faz trapinhos excêntricos, enfrasca-se e tem maus vinhos e ideias políticas tão superficiais como o corte de cabelo. Mas quando algo é tão evidente assim (e associado a alcoolismo) eu não me comovo particularmente. Natalie Portman era representante de um perfume da Dior, isto diz bem do 'pouco impacto' que o antisemitismo de Galliano tinha na própria casa.
Há poucos meios mais fascistas que alguns mundos da moda, particularmente o da alta costura excêntrica e niilista. Exige uma cultura de superficialidade absoluta que se leva a sério. Desde o uso de modelos menores e anoréticas que estabelecem padrões pouco naturais para a beleza, passando pela fronteira difusa com a prostituição e pornografia e pela promiscuidade como ferramenta de ascensão (exemplo Renato Seabra), acabando no culto do luxo inacessível, volátil e descartável a cada estação, tudo polvilhado de cocaína, é um mundo feito de selecção e eugenia, de elitismo supremo. Deixa para trás uma lixeira de corpos que deixam de servir a máquina assim que surge o primeiro sinal de idade. Não é uma eugenia ou racismo mais 'real' o impor de um padrão inacessível e exclusivo para o próprio corpo humano, algo que segrega e descarta pessoas porque são fisicamente inadequadas? Mas nós gostamos e compramos. A moda em si não me causa repulsa, o lado artístico, experimental e estético. Até o acho fascinante, no mesmo sentido em que acho fascinante a tecnologia e estratégia militar. Percebo que para criar aquilo seja necessário um monstro que não é bonito. Por cada Galliano deve haver uma dúzia de monstros de um tipo ou outro, no mundo da moda. Não sejamos hipócritas, só isso.
elementar
(...)Ora, como se sabe, as massas em geral, e o povo em particular, é pouco mais do que analfabeto. E entregar o poder decisório nas mãos deste mesmo povo, facilmente influenciável por ondas mediáticas de efémera duração, destituído de conhecimentos específicos sobre a matérias, e por vezes sem um pensamento lógico-racional sedimentado, é conferir logo à partida ao concurso, seja ele de culinária, seja ele de música, um final no mínimo desprimoroso.
As escolhas, no que toca a assuntos artísticos ou criativos, têm de ser feitas, se a coisa é para ser levada minimamente a sério, por gente que perceba daquilo. No fundo, as escolhas às elites. E isto faz ainda mais sentido quando as escolhas dizem directamente respeito à representatividade artística do país num contexto internacional, onde o achincalhamento e o vexame facilmente podem surgir. (...)
Mas vem isto a propósito da celeuma que está a provocar a votação pública que elegeu a canção “A luta é alegria”, com letra de Jel e música de Vasco Duarte, como vencedora, no passado sábado, do Festival RTP da Canção (e que vai ao Festival da Eurovisão 2011, em Dusseldorf, na Alemanha, em Maio, representar Portugal). É tudo tão ridículo que alguém já se encarregou de criar petições online e grupos no Facebook a pedir a suspensão e o afastamento da música vencedora. Só por causa disto, o Jel até terá todo o meu apoio (apesar de não apreciar o género politicamente incorrecto pelo politicamente incorrecto que o artista explora). Pelo menos, e ao contrário de que se viu em outros anos, este parece ter noção da figura triste que irá fazer. E a isso, parecendo que não, tem de se reconhecer algum valor. Ega, no Metafísica do Esquecimento.
As escolhas, no que toca a assuntos artísticos ou criativos, têm de ser feitas, se a coisa é para ser levada minimamente a sério, por gente que perceba daquilo. No fundo, as escolhas às elites. E isto faz ainda mais sentido quando as escolhas dizem directamente respeito à representatividade artística do país num contexto internacional, onde o achincalhamento e o vexame facilmente podem surgir. (...)
Mas vem isto a propósito da celeuma que está a provocar a votação pública que elegeu a canção “A luta é alegria”, com letra de Jel e música de Vasco Duarte, como vencedora, no passado sábado, do Festival RTP da Canção (e que vai ao Festival da Eurovisão 2011, em Dusseldorf, na Alemanha, em Maio, representar Portugal). É tudo tão ridículo que alguém já se encarregou de criar petições online e grupos no Facebook a pedir a suspensão e o afastamento da música vencedora. Só por causa disto, o Jel até terá todo o meu apoio (apesar de não apreciar o género politicamente incorrecto pelo politicamente incorrecto que o artista explora). Pelo menos, e ao contrário de que se viu em outros anos, este parece ter noção da figura triste que irá fazer. E a isso, parecendo que não, tem de se reconhecer algum valor. Ega, no Metafísica do Esquecimento.
segunda-feira, 7 de março de 2011
onomatopeias
A BD não é um fenómeno português. Os nossos críticos literários não percebem um splosh de BD. É possível que críticos literários portugueses nem saibam quem foi Alan Moore e da BD europeia só terão umas luzes (a belga é a melhor, já agora). Até as séries de comics do "Tio Patinhas" eram traduções brasileiras. Mas ao menos tínhamos isso. Diria que boa parte do atraso dos portugueses e do desemprego e do deficit, prende-se com a falta de BD. Isso está a mudar, mas vem tarde. Um reflexo disto é o problema das onomatopeias. As onomatopeias devem ser uma linguagem universal e se atentarmos nos comics anglo-saxónicos ou francófonas, elas são praticamente iguais!
As nossas onomatopeias são só nossas e são miseráveis e ainda por cima limitadas a um alfabeto que não inclui letras fundamentais como W, K ou Y. Pensem em como usamos o 'wow' na linguagem informal. Um wow não é muito mais certeiro que um 'hein' ou 'uau' ou seja lá que raio for que se diz em vez de dizer 'wow'?
Um cão, para um português, faz ão ão, quando não béu béu. Que merda é esta comparada com um lógico woof? Os meus cães nunca fizeram ão ão ou béu béu, sempre ouvi woof. O som 'arf' não existe, apesar de termos o 'arfar'. E qual o equivalente para o shlep shlep do cão a lamber-nos a manteiga da torrada quando estamos distraídos?
E o miau para um gato? Os gatos fazem meaow. Miau é demasiado fechado e curto. A ideia é poder esticar e encolher o meaow com a vogal certa. Gato tímido faz 'meeeaow'. Gato impaciente faz 'meaaaaaaaow'. Gato com o cio faz MEAAAaaAOOOOOOOOOOOOOOOOOoow.
E alguém neste país, a não ser o Cláudio Ramos, grita "ai" quando dá uma martelada no dedo? O clássico 'foda-se' é bem mais realista. É muito melhor o clássico 'eeeyouch' utilizado pelo Jim Davies no Garfield por exemplo. E temos ainda o 'aarrgh', é o som que eu faço quando ligo a TV e o Cavaco Silva aparece de repente. Existe o aaarrgh em Português? Pode-se escrever? Juro que não sei as regras disso.
O som de uma explosão é 'boom' e não 'bum', porra. Que explosão faz 'bum'? Bum é curto e fechado. Boom tem prolongamento e o duplo 'o' dá-lhe a ressonância aérea própria e visualiza-se a bola de fogo a erguer-se na estação de gasolina. Como o moo da vaca, em vez do mu. Moo é mais redondo e prolongado e fofinho. Mu é uma vaca que quer pregar um susto a outra vaca.
Vaca 1: 'Mu!'
Vaca 2: 'Ai!'
Uma ambulância portuguesa faz tinóni.
Por amor de Deus....Tinóni. Acham que os carros se desviam com tinónis? Acham que vão lá com tinónis? Em BD podemos escrever weeeoooeee ou eeeoooeeeooo. O que quero dizer, no fundo, é que as onomatopeias devem ser livres. Splash, crack, kabuum, boing, clank, woosh, swiissh, grrrr... no rules!
As nossas onomatopeias são só nossas e são miseráveis e ainda por cima limitadas a um alfabeto que não inclui letras fundamentais como W, K ou Y. Pensem em como usamos o 'wow' na linguagem informal. Um wow não é muito mais certeiro que um 'hein' ou 'uau' ou seja lá que raio for que se diz em vez de dizer 'wow'?
Um cão, para um português, faz ão ão, quando não béu béu. Que merda é esta comparada com um lógico woof? Os meus cães nunca fizeram ão ão ou béu béu, sempre ouvi woof. O som 'arf' não existe, apesar de termos o 'arfar'. E qual o equivalente para o shlep shlep do cão a lamber-nos a manteiga da torrada quando estamos distraídos?
E o miau para um gato? Os gatos fazem meaow. Miau é demasiado fechado e curto. A ideia é poder esticar e encolher o meaow com a vogal certa. Gato tímido faz 'meeeaow'. Gato impaciente faz 'meaaaaaaaow'. Gato com o cio faz MEAAAaaAOOOOOOOOOOOOOOOOOoow.
E alguém neste país, a não ser o Cláudio Ramos, grita "ai" quando dá uma martelada no dedo? O clássico 'foda-se' é bem mais realista. É muito melhor o clássico 'eeeyouch' utilizado pelo Jim Davies no Garfield por exemplo. E temos ainda o 'aarrgh', é o som que eu faço quando ligo a TV e o Cavaco Silva aparece de repente. Existe o aaarrgh em Português? Pode-se escrever? Juro que não sei as regras disso.
O som de uma explosão é 'boom' e não 'bum', porra. Que explosão faz 'bum'? Bum é curto e fechado. Boom tem prolongamento e o duplo 'o' dá-lhe a ressonância aérea própria e visualiza-se a bola de fogo a erguer-se na estação de gasolina. Como o moo da vaca, em vez do mu. Moo é mais redondo e prolongado e fofinho. Mu é uma vaca que quer pregar um susto a outra vaca.
Vaca 1: 'Mu!'
Vaca 2: 'Ai!'
Uma ambulância portuguesa faz tinóni.
Por amor de Deus....Tinóni. Acham que os carros se desviam com tinónis? Acham que vão lá com tinónis? Em BD podemos escrever weeeoooeee ou eeeoooeeeooo. O que quero dizer, no fundo, é que as onomatopeias devem ser livres. Splash, crack, kabuum, boing, clank, woosh, swiissh, grrrr... no rules!
se quiserem apanhar miúdas do género assim com pinta alternativa
Passo 1: escolher uma música e video daqueles que as miúdas com pinta gostam, como este por exemplo:
Passo 2: montar a amardilha, com recurso a um cestinho e um pau atado a um cordel. Sítios bons para colocar a armadilha são a fnac do chiado, a lx factory, o jamaica, a universidade nova (a da av. de berna) ou a de belas artes e esse tipo de sítios que elas gostam.
Passo 3: colocar o video a tocar num MacBook e colocar o MacBook debaixo do cestinho. Escondam-se, segurando no cordel.
Passo 4: é só esperar!
Passo 2: montar a amardilha, com recurso a um cestinho e um pau atado a um cordel. Sítios bons para colocar a armadilha são a fnac do chiado, a lx factory, o jamaica, a universidade nova (a da av. de berna) ou a de belas artes e esse tipo de sítios que elas gostam.
Passo 3: colocar o video a tocar num MacBook e colocar o MacBook debaixo do cestinho. Escondam-se, segurando no cordel.
Passo 4: é só esperar!
entre o céu e o inferno
é carregar-se no play e, na leitura do texto, imaginar a voz do narrador como sendo grave e profunda
Querida,
Eu sei que tu eu e eu não fomos felizes a maior parte do tempo mas tivemos os nossos momentos, como daquela vez em que eu encontrei uma nota de cinco euros boa, ou quando, ao contemplares em silêncio as estrelas, eu te explicava o que era cada constelação e os nomes das respectivas estrelas, distância em anos luz, idade, objectos do catálogo Messier que podiam ser vistos no seu enquadramento com a ajuda de um telescopio dobsoniano de 10" pelo menos e tu mandavas-me calar, que só querias ver o céu e os seus mistérios e eu pensava que estavas a brincar e continuava a explicar-te que as diferenças de cor das estrelas se devem à temperatura mas também ao efeito de doppler. Mas sempre foste assim, ignorante, como um cão que lambe uma tomada eléctrica e apanha um choque e fica com o pêlo todo em pé e a fumegar ou as pessoas que votam na eurovisão. Quando te conheci, os teus olhos tristes contemplavam o infinito à procura de algo, sonhadores, hesitantes, mas depois de começares a usar as lentes de contacto certas, também isso desapareceu. O nosso mundo ruiu como um castelo de areia à beira mar, construído por uma criança com um pai estúpido que não percebeu que a distância ideal tem de ser relativa à preia-mar e qualquer tabela de marés tem a informação disponível e até há relógios com as marés. É assim o mundo, feito de castelos de areia à beira mar, condenados a desaparecer à passagem das ondas do tempo porque foram construídos por crianças com pais que não supervisionam os locais de construção dos seus castelos. Tu hoje, em momentos de meditação solene pensas 'que atrasada mental que fui, fónix, lol XD *facepalm*' e tens razão e nunca deixarás de ser atrasada mental porque não há cura para isso, não acredites nas cenas da IURD. Eu às vezes à noite monto o tabuleiro do jogo do Monopólio e depois coloco os meus peluches a jogar comigo e jogam melhor do que tu jogavas. A zebra ganha sempre e é dona das melhores avenidas de Lisboa.
Querida,
Eu sei que tu eu e eu não fomos felizes a maior parte do tempo mas tivemos os nossos momentos, como daquela vez em que eu encontrei uma nota de cinco euros boa, ou quando, ao contemplares em silêncio as estrelas, eu te explicava o que era cada constelação e os nomes das respectivas estrelas, distância em anos luz, idade, objectos do catálogo Messier que podiam ser vistos no seu enquadramento com a ajuda de um telescopio dobsoniano de 10" pelo menos e tu mandavas-me calar, que só querias ver o céu e os seus mistérios e eu pensava que estavas a brincar e continuava a explicar-te que as diferenças de cor das estrelas se devem à temperatura mas também ao efeito de doppler. Mas sempre foste assim, ignorante, como um cão que lambe uma tomada eléctrica e apanha um choque e fica com o pêlo todo em pé e a fumegar ou as pessoas que votam na eurovisão. Quando te conheci, os teus olhos tristes contemplavam o infinito à procura de algo, sonhadores, hesitantes, mas depois de começares a usar as lentes de contacto certas, também isso desapareceu. O nosso mundo ruiu como um castelo de areia à beira mar, construído por uma criança com um pai estúpido que não percebeu que a distância ideal tem de ser relativa à preia-mar e qualquer tabela de marés tem a informação disponível e até há relógios com as marés. É assim o mundo, feito de castelos de areia à beira mar, condenados a desaparecer à passagem das ondas do tempo porque foram construídos por crianças com pais que não supervisionam os locais de construção dos seus castelos. Tu hoje, em momentos de meditação solene pensas 'que atrasada mental que fui, fónix, lol XD *facepalm*' e tens razão e nunca deixarás de ser atrasada mental porque não há cura para isso, não acredites nas cenas da IURD. Eu às vezes à noite monto o tabuleiro do jogo do Monopólio e depois coloco os meus peluches a jogar comigo e jogam melhor do que tu jogavas. A zebra ganha sempre e é dona das melhores avenidas de Lisboa.
Cavaco Silva
Sempre me intriguei sobre esta questão sobre a qual me vou de seguida debruçar. Sei que as mulheres fazem chichi juntas e não se importam. Também já ouvi falar de casais em que se partilha a casa de banho com à vontade, como ela fazer chichi e ele estar a gargarejar com o elixir e conversarem sobre as compras que têm de fazer no Pingo Doce.
É uma realidade a que tento escapar sempre, uma vez que sou extraordináriamente púdico nessas coisas e a favor de casas de banho separadas (se possível, andares separados ou mesmo casas separadas).
O problema é que o destino acaba por me colocar em situações como balneários públicos, daqueles com cabines de chuveiro, com portas mínimas para outros poderem ver os nossos pés e a cabeça. Nesses chuveiros o português parece que gosta de escarrar de 2 em 2 minutos, soltar grunhidos de satisfação como um porquinho peludo a chafurdar na lama, entusiasmado pelo excelente reverb natural do balneário e assoar-se nas mãos com vigor. A ensaboar-se, só se ouvem schlock schlocks de partes íntimas a serem vigorosamente esfregadas e manuseadas.
E nas casas de banho públicas não é diferente. Quando eu era puto tinha bexiga tímida e era complicado fazer chichi nos urinóis assim ao lado de desconhecidos. O problema é que quando eles sacam da cena para fora fazem "Hrrrm", cospem, metem-se em bicos de pés, tossem outra vez, pigarreiam, cospem, e depois sacodem-na de maneira a toda gente num raio de 10 metros, incluindo pessoas de costas, perceberem que a estão a sacudir.
É uma realidade a que tento escapar sempre, uma vez que sou extraordináriamente púdico nessas coisas e a favor de casas de banho separadas (se possível, andares separados ou mesmo casas separadas).
O problema é que o destino acaba por me colocar em situações como balneários públicos, daqueles com cabines de chuveiro, com portas mínimas para outros poderem ver os nossos pés e a cabeça. Nesses chuveiros o português parece que gosta de escarrar de 2 em 2 minutos, soltar grunhidos de satisfação como um porquinho peludo a chafurdar na lama, entusiasmado pelo excelente reverb natural do balneário e assoar-se nas mãos com vigor. A ensaboar-se, só se ouvem schlock schlocks de partes íntimas a serem vigorosamente esfregadas e manuseadas.
E nas casas de banho públicas não é diferente. Quando eu era puto tinha bexiga tímida e era complicado fazer chichi nos urinóis assim ao lado de desconhecidos. O problema é que quando eles sacam da cena para fora fazem "Hrrrm", cospem, metem-se em bicos de pés, tossem outra vez, pigarreiam, cospem, e depois sacodem-na de maneira a toda gente num raio de 10 metros, incluindo pessoas de costas, perceberem que a estão a sacudir.
domingo, 6 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
flogging
Afinal o Portrait Of An Artist As a Young Man do Joyce está quase a ser canja. As excepções são termos em inglês que não compreendo. A maior parte é irrelevante, suspeito que são termos que o próprio Joyce inventa, como as pessoas que dizem stander em vez de stand ou sutiões em vez de soutiens. Anos e anos de phones fizeram de mim um ser um pouco duro de ouvido, o que me leva a não compreender boa parte do que me dizem a não ser que faça um grande esforço (o que é raro) para compreender. Limito-me a dizer que "sim" e "hum hmm" e, paradoxalmente, até passo por um bom ouvinte. Acho a minha atitude condenável mas menos irritante do que estar sempre a pedir para repetir o que acabaram de dizer. Onde é que eu ia... ah, Joyce. Por vezes há termos que são importantes na história porque aparecem centenas de vezes na mesma página. O de hoje foi "flogged". Pensei na banda, os Flogged of Seaguls e nos Pink Flogged e nos Flogged of our Fathers do Clint Eastwood, po vezes por aproximação vamos lá, mas não fazia sentido nenhum. Pelo contexto, tentei adivinhar o que significava flogged. A cena em questão passa-se num colégio católico opressivo e uns putos portaram-se mal, fizeram uma traquinice, e os padres dão-lhes a escolher serem "flogged" ou expulsos do colégio. A maior parte prefere ser expulsa mas um deles prefere o "flogging". Nisto, fala-se do miúdo ter de baixar as calcinhas e por-se de bruços com o rabo à mostra e depois o padre zás, flogga-o. Pensei logo que me tinha calhado mais um daqueles livros paniscas à Sandor Marai, afinal de contas, aquilo é um colégio católico e sabemos bem a propensão que os padres católicos têm para essas coisas menos próprias quando vêem um rapazinho de rabinho para o ar. Na linha seguinte falam em 20 floggs e eu 'porra, 20, coitado do puto nunca mais se vai poder sentar' mas outro miúdo acrescenta que o padre talvez não o flogge com a força toda. Entretanto não li mais porque tenho de ir ali grelhar umas espetadinhas de peru e está a dar o Porto Guimarães por isso não sei, amanhã vejo, mas era bom que o Guimarães floggasse o Porto, que é uma coisa má de certeza, é.
sexta-feira, 4 de março de 2011
o cinema e as classes
Não me revejo nesta análise da minha amiga Rita do Rua da Abadia. Ela diz «certos filmes que não pecam necessariamente por pouco multiculturalismo - pecam fundamentalmente por uma hegemonia notória ao nível de estilos de vida ou classe social. Não estamos apenas a falar de filmes exclusivamente compostos por actores brancos, destinados provavelmente a um público branco; estamos a falar de filmes compostos por actores não só brancos, como também lourinhos, de olhos claros, anglo-protestantes, os típicos "wasps" de alta burguesia»
A Rita que também escreve bem diz no seu Inferno Cheio, em reacção ao texto da outra Rita:: É uma espécie de regra geral do cinema de entretenimento: Se quero contar uma história sobre o amor, a amizade, os homens ou o melhor condimento para pizza, escolho brancos ricos e educados. Acho que nem sequer é para assinalar a distinção de classe, é mais uma espécie de tabula rasa narrativa.
Bom, penso que a Rita 2 está mais próxima do que considero ser a origem da questão digamos assim. Mas deixando de parte os maus filmes, pensemos no melhor realizador de sempre, Alfred Hitchcock. Hitchcock usou sempre a classe alta nos seus filmes. São ricos, elas são loiras, movem-se em hotéis, paquetes, andam de avião e não fazem nada. As suas vidas "materiais" são sempre uma incógnita, mas o dinheiro não existe como restrição narrativa. Se é preciso um taxi, há taxi, um avião para Timbuktu, apanha-se, um fato novo em Nova Iorque, compra-se. Há whisky, charutos, ópera, carros rápidos e casacos de pele.
Eu gosto.
Os castings de Hitchcock também eram cirúrgicos. Para além da sua obsessão por loiras, ele queria uma espécie de homem "limpo", a tal tabula rasa narrativa de que fala a Rita 2, que depois é lançada num remoínho de thriller e caos.
James Stewart e Kim Novak
Cary Grant e Grace Kelly
Gregory Peck e Ingrid Bergman
Os homens e mulheres de Hitchock correspondem a um ideal clássico, ao equivalente dos príncipes e princesas das fábulas. Recordo-me de ver uma entrevista ao realizador em que ele justifica o uso da classe alta porque "fascina as pessoas", nomeadamente, o grosso dos espectadores.
Depois Hitchcok lança o inferno sobre as suas marionetas, elas são envolvidas em pesadelos. E há algo de sádico também, nos instintos do público. Masoquista e sádico, em ver os seres perfeitos como joguetes do destino cruel e a voltarem para casa felizes de não se meterem naquelas aventuras perigosas.
Com esta técnica, o Hitchcock consegue depois subverter os clichés. Ele abraça os estereótipos de uma novela normal, mas a novela transforma-se em thriller e pesadelo.
O bom cinema está cheio disto. A boa literatura também. Há muito mais "clássicos" de um e outro meio que recorrem à aristocracia das epócas do que aos "miseráveis" ou um realismo politizado. É só enumerá-los, a começar pela Ilíada e Odisseia.
A Rita que também escreve bem diz no seu Inferno Cheio, em reacção ao texto da outra Rita:: É uma espécie de regra geral do cinema de entretenimento: Se quero contar uma história sobre o amor, a amizade, os homens ou o melhor condimento para pizza, escolho brancos ricos e educados. Acho que nem sequer é para assinalar a distinção de classe, é mais uma espécie de tabula rasa narrativa.
Bom, penso que a Rita 2 está mais próxima do que considero ser a origem da questão digamos assim. Mas deixando de parte os maus filmes, pensemos no melhor realizador de sempre, Alfred Hitchcock. Hitchcock usou sempre a classe alta nos seus filmes. São ricos, elas são loiras, movem-se em hotéis, paquetes, andam de avião e não fazem nada. As suas vidas "materiais" são sempre uma incógnita, mas o dinheiro não existe como restrição narrativa. Se é preciso um taxi, há taxi, um avião para Timbuktu, apanha-se, um fato novo em Nova Iorque, compra-se. Há whisky, charutos, ópera, carros rápidos e casacos de pele.
Eu gosto.
Os castings de Hitchcock também eram cirúrgicos. Para além da sua obsessão por loiras, ele queria uma espécie de homem "limpo", a tal tabula rasa narrativa de que fala a Rita 2, que depois é lançada num remoínho de thriller e caos.
James Stewart e Kim Novak
Cary Grant e Grace Kelly
Gregory Peck e Ingrid Bergman
Os homens e mulheres de Hitchock correspondem a um ideal clássico, ao equivalente dos príncipes e princesas das fábulas. Recordo-me de ver uma entrevista ao realizador em que ele justifica o uso da classe alta porque "fascina as pessoas", nomeadamente, o grosso dos espectadores.
Depois Hitchcok lança o inferno sobre as suas marionetas, elas são envolvidas em pesadelos. E há algo de sádico também, nos instintos do público. Masoquista e sádico, em ver os seres perfeitos como joguetes do destino cruel e a voltarem para casa felizes de não se meterem naquelas aventuras perigosas.
Com esta técnica, o Hitchcock consegue depois subverter os clichés. Ele abraça os estereótipos de uma novela normal, mas a novela transforma-se em thriller e pesadelo.
O bom cinema está cheio disto. A boa literatura também. Há muito mais "clássicos" de um e outro meio que recorrem à aristocracia das epócas do que aos "miseráveis" ou um realismo politizado. É só enumerá-los, a começar pela Ilíada e Odisseia.
BILFs, ou vocês não percebem mas estão a ser manipuladas
When you make a film, are you setting out to frighten men or women, or both?
Women – because 80% of the audience in the cinema are women. Because, you see, even if the house if 50:50 – half men, half women – a good percentage of the men... have said to his girl, being “on the make” of course, “what do you want to see, dear”? So that’s where her influence comes as well. So, men have very little to do with the choice of the film. (aqui).
quinta-feira, 3 de março de 2011
meditar sobre isto, antes de escrever
"Any asshole can chase a skirt, art takes discipline."
— Charles Bukowski
— Charles Bukowski
Se não foram os judeus, quem foi que matou Jesus?
O Papa Bento XVI ilibou totalmente o povo judeu da morte de Jesus Cristo. Quando se tem dinheiro para bons advogados, como é o caso do povo judeu, especialmente o americano liberal da finança, o mesmo que esteve por detrás do 11 de Setembro, é fácil ganhar qualquer caso, nem que tenham de arrastar o processo dois milénios. Mas era preciso a prova final e essa Bento XVI, pelos vistos consegui-a, recorrendo a avançadas técnicas forenses de reconhecimento de ADN, a cães medium - aqueles usados no caso Maddie e que cheiram pessoas mortas, em vez de as verem, como o miúdo do sexto sentido ou de as ouvirem falar, como a Alexandra Solnado - e a reconstruções da cena do crime, encenadas com a ajuda do Mel Gibson.
A questão é que se não foram os judeus, alguém teve de ser. Há sectores radicais da igreja que consideram que foram os comunistas e por isso coloquei aqui a fotografia de um suspeito. Mas em termos cronológicos parece complicado dar credibilidade a esta hipótese, uma vez que os comunistas só foram descongelados do bloco de gelo ártico em meados do século XIX, um erro que o explorador polar norueguês Roald Amundsen lamenta com a seguinte entrada no seu diário 'Oh meu Deus, devíamos ter descongelado o mamute... este Stalin já me matou dois esquimós e bebe-nos a vodka toda...'
Contudo, o maior consenso no Vaticano, na opinião de Bento XVI em particular, e na comunidade científica criacionista, é o de que terão sido homossexuais os responsáveis pela morte de Jesus e que foi o lobby gay instalado, que tinha em Herodes e em Tibério Cláudio Nero César importantes figuras de proa, a montar a acusação a partir de escutas ilegais.
As escutas ilegais, conforme vem referido pelo PGR de 23DC, Pintus Monteirus, consistiam no abate dos pombos correio que Jesus enviava aos seus apóstolos e na sua posterior confecção, normalmente estufadinhos e de coentrada. De castigo por o terem morto, Jesus deu-lhes a SIDA, que até então não existia por não haver relações sexuais entre negros homossexuais e macacos homossexuais mas que depois passou a haver e, muito mais tarde, entre negros homossexuais e brancos homossexuais como se veio a verificar quando apareceu o Freddy Mercury. Segundo fontes próximas do Vaticano, Bento XVI estará a preparar prova e a constituir acusação contra os homossexuais pela morte de Jesus, algo que deverá acontecer só nos próximos três ou quatro séculos, pois os homossexuais também têm bons advogados, veja-se o caso da Casa Pia que se arrasta nos tribunais sem fim à vista.
A questão é que se não foram os judeus, alguém teve de ser. Há sectores radicais da igreja que consideram que foram os comunistas e por isso coloquei aqui a fotografia de um suspeito. Mas em termos cronológicos parece complicado dar credibilidade a esta hipótese, uma vez que os comunistas só foram descongelados do bloco de gelo ártico em meados do século XIX, um erro que o explorador polar norueguês Roald Amundsen lamenta com a seguinte entrada no seu diário 'Oh meu Deus, devíamos ter descongelado o mamute... este Stalin já me matou dois esquimós e bebe-nos a vodka toda...'
Contudo, o maior consenso no Vaticano, na opinião de Bento XVI em particular, e na comunidade científica criacionista, é o de que terão sido homossexuais os responsáveis pela morte de Jesus e que foi o lobby gay instalado, que tinha em Herodes e em Tibério Cláudio Nero César importantes figuras de proa, a montar a acusação a partir de escutas ilegais.
As escutas ilegais, conforme vem referido pelo PGR de 23DC, Pintus Monteirus, consistiam no abate dos pombos correio que Jesus enviava aos seus apóstolos e na sua posterior confecção, normalmente estufadinhos e de coentrada. De castigo por o terem morto, Jesus deu-lhes a SIDA, que até então não existia por não haver relações sexuais entre negros homossexuais e macacos homossexuais mas que depois passou a haver e, muito mais tarde, entre negros homossexuais e brancos homossexuais como se veio a verificar quando apareceu o Freddy Mercury. Segundo fontes próximas do Vaticano, Bento XVI estará a preparar prova e a constituir acusação contra os homossexuais pela morte de Jesus, algo que deverá acontecer só nos próximos três ou quatro séculos, pois os homossexuais também têm bons advogados, veja-se o caso da Casa Pia que se arrasta nos tribunais sem fim à vista.
não consigo perceber a cena dos vestidos e dos penteados
Cold bitch
Querida e gira
EEerrrK
Menos EeerrrrK
Escapa...
Escapa muito mais.

Já percebi que é mau dizermos "pareces um ferrero rocher com uma peruca, não podes vestir antes uma calças de ganga e lavar o cabelo? Estavas tão gira ontem :)" ao nosso par, meia hora antes de um casamento. Estou a citar de memória. Não, não disse isto a uma betinha quando tinha 24 anos, ficando o resto da festa a pedir-lhe desculpa e aturar um mau humor insuportável.
Penso que aquilo dos vestidinhos faz ligação com uma cena da infância, um conto de fadas digamos assim, e é tipo fantasia delas e se dizemos que ficam mais giras de calças de ganga e t-shirt, ficam chateadas.
Nunca vi uma noiva com o cabelo mais bonito do que o que tem no dia a dia... Canudos e complexas construções arquitectónicas alicerçadas em laca, cenas de metal ponteagudas espetadas, uma coisa horrenda, perigosa e com aspecto de ser quimicamente agressivo para as vias respiratórias. Se eu fosse noivo de uma coisa daquelas não havia crise porque tendo em conta a minha tendência para beber uns copos, o mais provável é que ao chegar ao quarto adormecesse imediatamente, não obstante, era incapaz de ter intercurso com algo com aquele cabelo, mesmo algo que estive nu e só com aquele cabelo.
E depois pintam-se e perfumam-se, a maior parte das vezes em excesso, parecem macaquinhas que entraram pela Sephora adentro e reviraram a loja toda.
Mas já estive orgulhoso ao lado de mulheres bem vestidas, como ali a Gwyneth que está bem e elogio sinceramente isso e sinto orgulho em andar de braço dado com uma mulher que seja pelo menos, no mínimo, tão gira como a Gwynie. Desde que não me pareçam umas putas do Técnico sinto-me satisfeito. Mas é tão raro.
Querida e gira
EEerrrK
Menos EeerrrrK
Escapa...

Já percebi que é mau dizermos "pareces um ferrero rocher com uma peruca, não podes vestir antes uma calças de ganga e lavar o cabelo? Estavas tão gira ontem :)" ao nosso par, meia hora antes de um casamento. Estou a citar de memória. Não, não disse isto a uma betinha quando tinha 24 anos, ficando o resto da festa a pedir-lhe desculpa e aturar um mau humor insuportável.
Penso que aquilo dos vestidinhos faz ligação com uma cena da infância, um conto de fadas digamos assim, e é tipo fantasia delas e se dizemos que ficam mais giras de calças de ganga e t-shirt, ficam chateadas.
Nunca vi uma noiva com o cabelo mais bonito do que o que tem no dia a dia... Canudos e complexas construções arquitectónicas alicerçadas em laca, cenas de metal ponteagudas espetadas, uma coisa horrenda, perigosa e com aspecto de ser quimicamente agressivo para as vias respiratórias. Se eu fosse noivo de uma coisa daquelas não havia crise porque tendo em conta a minha tendência para beber uns copos, o mais provável é que ao chegar ao quarto adormecesse imediatamente, não obstante, era incapaz de ter intercurso com algo com aquele cabelo, mesmo algo que estive nu e só com aquele cabelo.
E depois pintam-se e perfumam-se, a maior parte das vezes em excesso, parecem macaquinhas que entraram pela Sephora adentro e reviraram a loja toda.
Mas já estive orgulhoso ao lado de mulheres bem vestidas, como ali a Gwyneth que está bem e elogio sinceramente isso e sinto orgulho em andar de braço dado com uma mulher que seja pelo menos, no mínimo, tão gira como a Gwynie. Desde que não me pareçam umas putas do Técnico sinto-me satisfeito. Mas é tão raro.
quarta-feira, 2 de março de 2011
ser cavalheiro
Neste campo não posso dar grandes conselhos porque não tive educação nisto (a minha mãe não é portuguesa e foi das malucas do maio 68, comuna etc.) portanto, tenho algumas dificuldades em compreender o que me parece um resquício pitoresco de uma época de dominação da mulher, o "não podes falar, votar, escolher o marido ou trabalhar, mas eu seguro-te aqui na mãozinha enquanto desces da carruagem, querida, para que não afocinhes aqui no meio do chão e me faças ficar mal visto aqui à frente desta gente toda"
Mas aqui em Portugal é outra coisa, é um país católico e, para além das regras formais de boa educação - e que aqui atingem píncaros do ridículo - existem cenas de cavalheirismo que eu desconheço. Não raras vezes oiço mulheres dizerem "se um homem não me faz isto e aquilo, fica logo riscado" e eu aceno que sim e que é uma desgraça não lhes fazer aquilo, mas revejo mentalmente várias ocasiões em que não fiz aquilo e mesmo assim não me aconteceu nada de mal. Se calhar, mesmo quando ficamos riscados por falta de cavalheirismo, ela não o vai dizer, na melhor das hipóteses amua e cala-se e o que eu faço nesses casos é aproveitar para descansar a cabeça um bocadinho, de maneiras que é capaz de me passar muita coisa ao lado.
Custa-me perceber esta dualidade entre um Colin Firth formal e educado em situações públicas e depois, em privado, o que querem é umas vigorosas palmadas e ser arrombadas por trás e faciais a torto e a direito e chibatadas e duplas penetrações com a ajuda de um arsenal autêntico de brinquedos sexuais que chamariam a atenção de qualquer agente da CIA à procura de weapons of mass destruction, tudo coisas que também me custou a habituar, visto que eu sou de meios termos, nem tanto ao mar nem tanto à terra digamos assim.
Mas não sou malcriado e tenho noções básicas de cavalheirismo. Por exemplo, se lhe pregarem uma rasteira ao entrar no restaurante (sem querer ou não) e ela se estatelar ao comprido, mala para um lado, sapato a saltar do pé etc. é uma boa ocasião para pedir desculpa, isso é ser cavalheiro.
Agora, se a ajudarem a levantar com um puxão no braço, seguido de palmadão no rabo e um "CÁTIA MARIA EU NÃO TE DISSE PARA NÃO CORRERES QUE IAS PARAR AO MEIO DO CHÃO!? ESTÁ SOSSEGADA!" em pleno hall do Eleven, isso não é cavalheirismo! E se depois se esquecerem da carteira e só se aperceberem disso no fim do jantar e ela tiver de pagar a conta, digam obrigado pelo menos. É fácil, no fundo é só boa educação, isso gostam elas e gostamos todos, homens, mulheres, palestinianos e chilenos (só para citar alguns povos).
E pronto, esclarecidos?
Não tem nada a ver, mas para não fazer outro post e meter esse título e chatear as pessoas que seguem este blog no facebook e nos seus blogues e isso, fica aqui mais uma faixa da minha obsessão musical da semana
Kurt Vile - Jesus Fever
Mas aqui em Portugal é outra coisa, é um país católico e, para além das regras formais de boa educação - e que aqui atingem píncaros do ridículo - existem cenas de cavalheirismo que eu desconheço. Não raras vezes oiço mulheres dizerem "se um homem não me faz isto e aquilo, fica logo riscado" e eu aceno que sim e que é uma desgraça não lhes fazer aquilo, mas revejo mentalmente várias ocasiões em que não fiz aquilo e mesmo assim não me aconteceu nada de mal. Se calhar, mesmo quando ficamos riscados por falta de cavalheirismo, ela não o vai dizer, na melhor das hipóteses amua e cala-se e o que eu faço nesses casos é aproveitar para descansar a cabeça um bocadinho, de maneiras que é capaz de me passar muita coisa ao lado.
Custa-me perceber esta dualidade entre um Colin Firth formal e educado em situações públicas e depois, em privado, o que querem é umas vigorosas palmadas e ser arrombadas por trás e faciais a torto e a direito e chibatadas e duplas penetrações com a ajuda de um arsenal autêntico de brinquedos sexuais que chamariam a atenção de qualquer agente da CIA à procura de weapons of mass destruction, tudo coisas que também me custou a habituar, visto que eu sou de meios termos, nem tanto ao mar nem tanto à terra digamos assim.
Mas não sou malcriado e tenho noções básicas de cavalheirismo. Por exemplo, se lhe pregarem uma rasteira ao entrar no restaurante (sem querer ou não) e ela se estatelar ao comprido, mala para um lado, sapato a saltar do pé etc. é uma boa ocasião para pedir desculpa, isso é ser cavalheiro.
Agora, se a ajudarem a levantar com um puxão no braço, seguido de palmadão no rabo e um "CÁTIA MARIA EU NÃO TE DISSE PARA NÃO CORRERES QUE IAS PARAR AO MEIO DO CHÃO!? ESTÁ SOSSEGADA!" em pleno hall do Eleven, isso não é cavalheirismo! E se depois se esquecerem da carteira e só se aperceberem disso no fim do jantar e ela tiver de pagar a conta, digam obrigado pelo menos. É fácil, no fundo é só boa educação, isso gostam elas e gostamos todos, homens, mulheres, palestinianos e chilenos (só para citar alguns povos).
E pronto, esclarecidos?
Não tem nada a ver, mas para não fazer outro post e meter esse título e chatear as pessoas que seguem este blog no facebook e nos seus blogues e isso, fica aqui mais uma faixa da minha obsessão musical da semana
Kurt Vile - Jesus Fever
terça-feira, 1 de março de 2011
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