quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Pessoas que perderam o emprego e tiveram de arranjar outro: O ministro das finanças que agora é Vidente

─ Posso entrar senhor Professor Gasparanga?
─ Entre. Entre minha senhora. Não tenha receio, de mim.
─ Está muito escuro, não o vejo… onde está?  Aiiii que susto!
─ Trata-se apenas. De uma lanterna. Acesa. Debaixo do queixo. Efeito curioso. Não acha?
─ Ai, ai! O  meu coração! Com o turbante e tudo, assustou-me, sou uma senhora de idade e tenho muito medo, ai tanto medo que eu tenho destas coisas dos espíritos, cruz credo…
─ O que a traz aqui. Ao meu. Humilde. Gabinete... ?
─ Ai professor Gasparanga, tenho tanto medo de morrer ai Jesus Cristo, Deus me livre, não ando bem, o coração anda fraco, tensão alta, fico muito cansada e os médicos não sabem o que é.
─ Deixe-me só introduzir. Os dados. No modelo.
─ Isso é um computador? Mas você não usa bola de cristal, sangue de galinha, búzios?
─ Minha senhora. Tenho ampla experiência de Estudos Espíritas, Regressões Metafísicas, Previsões Fantasmagóricas, Exorcismo Fiscal, Macro e Micro Macumba e Cartomancia Econométrica. Se há coisa que sei fazer. É prever o que. Lhe vai. Acontecer. Ah. Ah ah.
─ Pronto, se o senhor  o diz...
─ Ah AH AH MUAHAAAHAHAHA! AHAHAHAAHHA!
 ─ Credo, estou toda arrepiada, pare de rir assim! 
─ As minhas. Desculpas. Tenho boas. Notícias.
─ Graças a Deus, diga, diga!
─A senhora não vai ter. Problemas de. Coração.
─ Graças a Deus, meu querido Deus, Pai Nosso santificado seja o vosso nome!
─ Vai perder peso.
─ Isso é bom não é senhor Gasparanga? O médico diz que eu realmente devia comer menos mas...
─ Não se. Preocupe. Com o seu. Peso.
─ Mas vou ter de fazer daquelas dietas da tv shop?
─ Não será necessário. O cancro será uma medida eficaz.
 ─ Ai que desgraça minha nossa Senhora! Que horror! Vou ter cancro?!
 ─ É uma medida para perder peso. E resolver o problema da tensão alta. Isso não a deixa. Satisfeita?
─ Não! Que horror! Ai que grande desgraça!
─ Que curioso. Essas gotas de água. Que estão a escorrer. Dos seus olhos. 
─ Quanto tempo tenho?
─ Peço que veja o gráfico 6.2. Pode ver que de acordo com as previsões a sua linha. De vida é interrompida... em Fevereiro de 2013.
─ Já?! Não há tratamentos?
─ Tomei a liberdade. De consultar. A sua declaração. De rendimentos. Não há tratamento. Para si. A não ser... Aspirinas. Genéricas. Canja de galinha. Muito obrigado. São cem euros. Pela consulta.
─ Nem pense que lhe vou pagar! Só me deu más notícias! Não pode fazer um feitiço!? Uma macumba qualquer? Que raio de feiticeiro é você! Cancro! É horrível, horrível!
─ Vejo que não existe. Consenso. Lamento muito pois a medida do cancro. Resolveria o  problema do peso. E evitaria problemas de saúde. Depois de Fevereiro de 2013. Posso sugerir-lhe então... um desastre de automóvel? Temos o dia 23 de Dezembro livre. A caminho da consoada com o seu marido. Em Chaves. Um camião. Sem travões. Disponível para saltar o separador central e vir direito ao vosso Seat Ibiza.
 ─ Não!! Cruz Cedo! Que horror! E matava-me a mim e ao meu marido!?
─ O seu marido sobreviveria.
 ─ Sim?
 ─ Por mais três anos. A cirrose hepática do alcoolismo. Provocado pelo desgosto e a depressão, agravada pelo contexto... da paraplegia. Acabaria por lhe resolver o problema. Do alcoolismo.

iuhuu, senhores sindicalistas do Metropolitano....

Adivinhem quem é que não vai ficar incomodado com mais uma... (bocejo)... greve?

está na hora de encher os pneus à bina!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

está de volta


«Comissão Executiva da CGTP discute greve geral»



- Temos de fazer algo contra estas políticas de direita. Precisamos de inverter o rumo das políticas do grande capital.
- Temos de alterar o rumo destas políticas.
- O problema é a política deste governo que continua a implementar políticas de direita.
- Muito bem camaradas, já fizémos o diagnóstico da situação. Agora temos de encontrar a solução.
- Jornadas de luta.
- Que tal uma greve?
- Geral ou particular?
- Geral era melhor.
- Quanto mais geral melhor.
-Muito bem. Greve geral então. Contactem as secções sindicais da Carris, CP , Metro, Transtejo, tudo o que seja transportes. O povo está do nosso lado contra estas políticas de direita. Temos de o ajudar a fazer greve.
- Camarada, das outras vezes só o povo sem viatura própria conseguiu participar na greve. Os que tinham viatura própria privada conseguiram deslocar-se aos locais de trabalho e não puderam participar da jornada de luta contra estas políticas.
- Bloqueia-se as principais artérias de Lisboa e Porto. Alugamos uns autocarros ou usamos os da carris, estacionamos no meio da 2ª circular, eixo NS, Ponte 25 de Abril, Ponte do Freixo, Circumvalação…
- Camarada, algumas pessoas deslocam-se a pé para o trabalho, oprimidos pelo grande capital. Não podem participar da greve nem com as estradas bloqueadas e os transportes parad…
- Partam-lhes as pernas caralho! FODA-SE! Tenho de pensar em tudo!? O que foi? O que é? Desembucha!
- Camarada, há pessoas que fazem teletrabalho. Podem trabalhar a partir de casa com recurso às tecnologias de informação e comunicação.
- Temos de as ajudar a fazer greve também! Irra! Como?
- Podíamos desligar a internet.
- Camarada, já tentámos isso no passado, mas eu falei com o meu sobrinho que percebe dessas coisas do Internet e ele disse-me que não dava para desligar a Internet.
- Então desligamos a electricidade ao país todo, problema resolvido.
- Grande ideia! Parece-me bem. É uma questão da secção dos trabalhadores da energia se mobilizarem. Contactem o líder da secção da EDP.
- Camarada, desde que a EDP foi vendida aos chineses, a secção sindical foi extinta.
- Extinta? Ah, foi extinta porque se tornou desnecessária, certamente. Os nossos camaradas chineses  atenderam a todas as reivindicações da comissão de trabalhadores!
- Não. Foi mesmo extinta. Ninguém sabe o paradeiro deles.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pessoas que perderam o emprego e tiveramde arranjar outro: o Consultor do Governo e ex-quadro do FMI que agora é baby sitter



- E pronto, tem tudo o que precisa, os nossos números de telefone estão no post it. A comida deles  está nos tupperwares no frigorífico, lembre-se,  às 22 o Tomás tem de estar na cama. A Mariana deita-se… bem, deita-se quando quiser. Nós voltamos tarde.
- Não se preocupem, tenho ampla experiência.
- Tem mesmo a certeza? Olhe que o Tomás é muito pequenino ainda e a Mariana está naquela idade complicada… Nos últimos meses já experimentámos três babysitters e desistiram todos.
- Eu meto-os na ordem.  Se vocês não conseguem é porque são ignorantes. Se fossem meus alunos eu fugia de casa e preferia ir para um orfanato.
- É só que o seu currículo não me parece muito apropriado a…
-Minha senhora, eu fiz baby sitting de um primeiro ministro formado numa jota, tenho mais do que experiência necessária.

- Oh querida, anda, o espectáculo está quase a começar, vamos chegar atrasados.
-Eu sei amor, mas é a primeira vez que os deixamos sozinhos com um homem, custa-me… e ele é muito diferente das outras candidatas.
- Querida, as outras falharam. E viste o curriculo dele? FMI, conselheiro de privatizações, conselheiro de ministro… Faz bem aos nossos filhos uma boa influência neo-liberal sem ter de pagar uma fortuna para os meter nos colégios da Opus Dei. Anda, vamos…

(momentos depois)

- Então vocês é que são isso das crianças? Sim senhor, parecem-me um bocado inúteis. Se fossem meus alunos, privatizava-os aos ciganos. Tu é que és a Mariana? Queres ser o quê quando fores grande?
-…
- Tens boas notas? Se não tiveres é melhor emigrares. Escolhe cursos de letras escolhe. Depois queixa-te.
-…
- Pronto, não queres falar. E tu, tu aí com o carrinho para trás e para frente para trás e para a frente, que tarefa inútil é essa?
- Vrrrmm…
-  O que é que tu queres? Queres meter o carrinho aqui na ponta da carpete ou ali no soalho?
- Vrrrmm… Vrrum bip bip
- Dá cá isso!
- Deixe o Tomás, ele tá só a brincar.
- Olha afinal sabes falar.
- Tou a tentar ver televisão. Tipo, cale-se, duh!?
- Mas o que é que o teu irmão está a fazer com o carrinho para trás e para a frente? É deficiente?
- Está a brincar aos carrinhos.
- A brincar? A brincar... A brincar... não sei o que é, nunca ouvi falar. E tu, estás a ver o quê? Passa para cá o comando, vai começar o especial informativo na bloomberg. O que é isto? 
 - MTV, tipo duh?
- Aquela miúda está grávida? Mas tem a tua idade!
- Yah, é o teen mom.
- Dá cá o comando.
- Não.
- Não? Não estou a entender. Dei-te uma ordem e sou adulto. Tu és uma criança e obedeces. Dá cá o comando.
- What the fuck? Tás-te a passar?
- Se fosses minha aluna estavas já com um sopapo. Dá cá isso!
- Não mandas em mim…
- Que ultraje é este?!  Olha que eu tenho contactos com um chefe de segurança de Ministro que te metia na ordem! Aliás, vou já ligar para ele agora mesm…
- Colo! Colinho! Gugu!
- O que é que este quer?
- Quer colo. O pai dá-lhe colo. Se não lhe der colo vai desatar a chorar e não consigo ver o Teen Mom.
- Está todo pegajoso, eu não mexo naquilo.
-BuaaaahHHHH!!!!
- O que é que ele tem?!?
- Está a chorar. Dê-lhe colo.
- Epá, chora praí à vontade, és piegas como os portugueses! Não aguentas uma tsuzinha é, meu piegas? Se fosses meu aluno emigravas daqui para fora já
-BUAAAAAHAAAAAAAAAHHH
- O que é isto!?! Meu Deus, está aos berros! É insuportável!
- DÊ-LHE COLO JÁ!
- Pronto, pronto, colo, tás contente? Não pára de chorar! Porquê?
- BUAAAAAAHHHH!!!
- Ya, é a fralda, está muito apertada.
- A fralda?  Está apertada?
- Tem de lhe tirar a fralda para ele se sentir mais à vontade e segurá-lo ao colo.
- Tens a certeza? 
- BUAAAAHHHHHHHHHH!
- Pronto, pronto, vamos tirar a fralda.  Pronto.
 - Agora meta-o assim ao colo e espere um bocado.
- Calou-se. Boa, obrigado por me ajudares. 
- Espere só aí um bocadinho que eu vou buscar o iPhone, quero apanhar isto.
 - Apanhar o quê? Estás a filmar-me porqu... ARGH! Está a mijar para cima de mim!!!!
- ahahahaahahahah !
- Segura nele! SEGURA! O meu fato!!!
- *click* ahah youtube e facebook here we go... isto vai ser um sucesso...

(horas depois)

- Mariana! Ainda estás acordada?
- Ya. Já deitei o Tomás e vou-me deitar agora.
- Onde está o babysitter?
-  Está a babar-se em frente ao baby tv a pensar que está a ver o bloomberg. Tipo, vê borboletas e diz "vende, vende" e depois aparece um hipopótamo e diz "compra, compra" lol Acho que é melhor arranjarem outro, este tá todo queimado.

boas notícias para a literatura portuguesa

O grande génio Tolan (eu) passa a ter disponíveis +50 minutos diários de transportes públicos para ler, aumentando assim a motivação para e escrever e os índices de qualidade dos textos. O carro alemão ficará confortavelmente estacionado durante a semana. A trilogia do John Dos Passos que o Tolan está a ler há quase dois meses, no novo contexto, seria lida em apenas três semanas.



Tolan passará a contar com quatro momentos diários de leitura, sendo dois deles obrigatórios, ao contrário da leitura ao almoço ou da leitura na cama antes de dormir. Quanto à leitura ao almoço, ela implica ser acusado de "não gostar de pessoas". Não é um custo muito elevado, apesar da acusação de alguns colegas ser incorrecta. Tolan é um artista. É um introvertido que recarrega as baterias com o som do murmúrio refrescante do riacho da sua própria imaginação ou da imaginação de pessoas como o John Dos Passos. Sobre a segunda, continuar atento a qualquer livro enquanto Plaft tira o soutien e veste uma das t-shirts de dormir, com a língua de fora como ela faz quando uma operação exige concentração ou destreza, é prova de uma enorme insensibilidade estética. Tolan suspende qualquer actividade intelectual e limita-se a contemplar, satisfeito por existir no agora. É inútil, após tal espectáculo, continuar a ler porque fica acometido de dislexia.

domingo, 30 de setembro de 2012

com cgtp, quem ganha é você

Definitivamente, retiro tudo o que disse sobre a capacidade da CGTP de organizar manifestações e meti o pé na argola ao criticar o movimento cívico do "Que se lixe a Troika". A cena do gajo da UGT dizer que não iam à manifestação porque "a casamentos e batizados, só vai quem é convidado" já me tinha posto de pé atrás quanto a estas merdas, mas valores mais elevados se levantaram. Se é certo que a generalidade das pessoas não era da CGTP, também é certo que a organização profissional da CGTP transforma a manifestação numa coisa tão espontânea como a festa do PSD-Maneira Chão da Lagoa. O sistema de som que instalaram pela praça do comércio tinha um volume tão estridente que era mesmo responsável por enormes clareiras de gente que não queria ficar surda a ouvir músicas revolucionárias, mais próprias da melancolia de um historical reanactment do 25 de Abril do que de um protesto sincero. Barracas a vender vinho e cerveja e um espírito de passeio turístico da terceira idade da província ao mosteiro dos Jerónimos.

Havia mais energia na pequena multidão em frente ao palácio de belém ou no micro ajuntamento de Peniche no dia 16 de Setembro do que naqueles milhares de protestantes amestrados entre os quais, para meu pavor, estavam uns com bandeiras da RTP. Quando acabaram os discursos da praxe e a musiquinha, debandada geral ainda nem eram 5 e meia da tarde, que isto de horas extraordinárias é só para os escravos do capitalismo.
Tenho a certeza que todos voltaram para casa felizes com mais uma "jornada de luta", como eles chamam a estas merdas, sem nunca se questionarem porque raio andam há três décadas em "jornadas de luta" só com vitórias morais.
 Notas positivas, para além da adesão de muita gente livre e da malta nova que não se cansou de gritar até desaguar no Terreiro do Paço (onde qualquer esboço de cântico esbarrava na wall of sound das cantorias venezuelanas do Janita Salomé e na indiferença dos verdadeiros donos da manifestação que não estavam cá para desordens ao planeado pelo comité da respectiva secção distrital) saliento um movimento interessante, o MAS (http://www.mas.org.pt/) que defende a união das esquerdas, ao qual eu e a Plaft nos juntámos, mas só depois de conferir cuidadosamente que o manifesto que nos entregaram não colidia com as minhas convicções liberais de direita.

o povo unido


(umas semanas depois...)
 




As pessoas de direita identificarão certamente o restaurante pelo brasão no serviço de loiça. Mas vamos começar pelo princípio.

A Plaft fez umas análises ao sangue e está com os neutrofitólios em baixos. Como só tem consulta com o médico daqui a uma semana, foi ver à net o que aquilo era e concluiu que tinha leucemia. Estava num estado muito depressivo quando cheguei a casa. Eu ainda disse umas piadas para tentar contrariar o seu estado de espírito ("tens leucemia porque és uma gata, se fosses uma cachorra tinhas leuceladra") mas sem efeito.
 

Gosto de aproveitar quando está assim vulnerável para a ir moldando a pouco e pouco numa pessoa de direita, mais capacitada a ser mãe e esposa e a reclamar menos. O facto de estar a morrer não quer dizer nada, um ou dois anos a trabalhar como alguém de direita e ainda me deixa uma herança decente em vez de caixotes com coisas que ela própria fez para feiras de artesanato.

Foi então que lhe falei da alegria que é ser de direita liberal, do conforto que há em não termos de pensar nos outros, de como nos liberta da culpa do prazer de viver e de querer tudo agora e que ela ainda ia a tempo. Era urgente para mim animar a Plaft. Quando a Plaft está assim tristonha eu não consigo ficar indiferente e sinto-me afectado, triste, ansioso. Lixa-me completamente uma boa noite de Playstation sossegado, não há nada a fazer, é preciso animá-la, devolver-lhe o sorriso de criança para poder jogar em paz.

Decidi  dar mais uma experiência de direita à Plaft antes dela morrer. Eu próprio também precisava de um bom reforço do meu sistema imuno-ideológico antes de ir com ela à manifestação de hoje convocada pela CGTP e, num impulso, convidei-a para jantar num sítio assim fixe. Às vezes levo o meu entusiasmo um pouco longe demais. Mas nunca pensei que ela aceitasse, uma vez que o dito restaurante tem muita talha dourada e isso costuma repelir pessoas de esquerda, algo que os responsáveis pela decoração de igrejas sabem há muito tempo. Para além disso, tem muitos espelhos que, como se sabe, não reflectem comunistas, pelo que, se um por acaso resistir à talha dourada, é rapidamente detectado pelo serviço e levado para a cozinha para ser transformado em bife tártaro.

Enquanto a Plaft se preparava, consultei o meu saldo bancário para confirmar que tinha o suficiente. É que tenho a tv cabo em débito directo e... e depois pensei "que se lixe a troika!". A merda do slogan entrou-me na cabeça e tenho dado por mim a fazer as coisas mais estúpidas enquanto penso "que se lixe a troika!" Faço chichi, não lavo as mãos e penso "que se lixe a troika!". Mudo de faixa sem pisca: "que se lixe a troika!" etc. Reservei mesa para dois e fomos no BMW que não é meu e foi comprado a crédito por uma empresa que também não é minha e que está endividada por causa da crise e despediu 80% dos trabalhadores nos últimos dois anos. E ainda dizem que os portugueses vivem acima das suas possibilidades... Já era tempo de eu ter a minha empresa e o meu BMW e nunca seria um touring mas sim um M4 no mínimo. E não despedia ninguém porque só contratava estagiários à rasca.


 


Quando a Plaft entrou no salão fincou-me as unhas no braço e contraiu-se toda: 'odeio esta gente toda, tens noção?' disse-me, ao passar os olhos pela sala composta por pessoas de mais de 50 anos, todas estrangeiras (brasileiros, espanhóis). Observei que ela e os empregados eram os únicos portugueses ali, uma vez que eu próprio não sou português, pelo que a afirmação dela era um pouco xenófoba e nada adequada aos pergaminhos da mítica tolerância da esquerda.

Se ela parecia um bocadinho acanhada, eu, como é evidente, senti-me extremamente à vontade. Nós, as pessoas de direita, nascemos e crescemos rodeados de empregados, talha dourada, espelhos (para vermos o quão belos somos), toalhas de alvo linho e copos de cristal onde bebemos o nesquick ofertado por amas africanas bem educadas. Não iria certamente ter dificuldades em compreender o menu que o empregado me estendeu.

Infelizmente, não conseguia reconhecer nenhum prato, expliquei à Plaft que deviam ter mudado o menu recentemente. Algumas coisas tinham nomes familiares. Ali conseguia ler "bacalhau", ali "pipoca", ali do outro lado "salmonete" e acolá "lavagante". Então escolhi perto de uma dúzia de pratos com muita convicção. 

Enquanto esperámos pela comida disse à Plaft: "tens consciência que o Eça de Queiroz muito provavelmente jantou aqui, nesta mesma mesa?" e ela disse-me "o Cavaco Silva também" e ficou o assunto arrumado.


Todos os pratos eram apresentados de acordo com o ritual das pessoas de direita. A empregada, muito simpática, pousava o prato e explicava o que estávamos a comer:  foie gras com unagui, compota de ruibarbo, mirin e sansho. Bom apetite, espero que gostem *vénia*, deixando a Plaft muito intrigada com tudo aquilo e eu perfeitamente à vontade porque se há coisa que me farto de comer é sandes de unagui, mirin e sansho a dar com um pau.

Enquanto a Plaft comia, de olhos semi-cerrados em grande sofrimento de pessoa de esquerda que está a ser exorcizada da esquerdice, confortei-a, explicando-lhe que ser de direita elimina aquele sentimento bilioso de ódiozinho ao mundo típico das pessoazinhas de esquerda que estão sempre assim com os bracinhos muito esticadinhos para cima de mãozinhas fechaditas, parecem uns anõezinhos a resmungar e a choramingar... 

Talvez um bacalhau com crosta de tremoço em cama de tomate e rolo de gelatina de cerveja a fizesse mudar de ideias quanto à manifestação de hoje.



Não fez. O problema era o ar de bacalhau, talvez um pouco redundante. Os salmonetes sobre pedra de sal com choco, algas e cenas diversas iam de certeza fazê-la compreender a necessidade de evitar participar num acontecimento que a CGTP iria capitalizar para si, dividindo a esquerda num sectarismo inaceitável numa altura em que todos temos de estar unidos pelo liberalismo que recusa a intervenção estatal em bancos e assume como natural a falência de estados e banca como...


Vacilou por momentos. Pude ver nos seus olhos aquele brilho, aquele lampejo de felicidade de alguém que subitamente entende a libertação quando comeu um pouco do salmonente. Mas depressa regressou ao modo de irredutível de esquerda quando lhe disse, com a melhor das intenções, que naquele momento me recordou uma ex-namorada minha da JSD, pela expressão feliz do olhar despreocupado, sem consciência da morte e do infortúnio dos outros. Aí a Plaft enervou-se. Disse que estava a gostar do jantar mas que também não era preciso exagerar, não passava de algo que se comprava com dinheiro e que as coisas importantes na vida não se compram. Discordei, disse-lhe que uma criança, até uma criança pobre, precisa de comer e a comida custa dinheiro. Qual é o problema, perguntei-lhe, de comer uma refeição que custa o mesmo que a alimentação diária de uma criança pobre?


A Plaft disse que eu devia estar doido, uma criança pobre nem num mês comia o valor daquela refeição. Expliquei-lhe que os meus cálculos incluíam pequeno almoço, almoço, lanche, jantar e ceia, com direito a repetir. Foi talvez o momento menos feliz da noite, porque discutimos um bocado. No meu entender, aquela refeição era um excelente exemplo de austeridade. Comparemos as doses servidas neste sítio humilde, com as travessas a transbordar em qualquer restaurante onde vocês vão. A opulência do povo que se enche de favas, batatas, arroz, couve, travessas a transbordar, enquanto que as pessoas de direita se contentam com um bocadinho de gelatina de coentro, um favo de mel e uma perna de mular prensada com foie gras e polen e para disfarçar enfeitam os pratos.


Ficámos um pouco amuados um com o outro. Uma hipótese de ponto de encontro foi o tártaro com ovo de codorniz e o tutano, ela chorou de prazer e eu também, porque imaginei que aquela carne era o Arménio Carlos. Aliás, hoje quando vi o Arménio Carlos a discursar, fiquei um pouco desapontado.



Comecei a aperceber-me que, com toda a comida e vinhos, a Plaft começou a esquecer-se de que ia morrer e a ficar bem disposta. Quando chegaram as sobremesas expliquei-lhe que uma diferença fundamental entre a esquerda e a direita é que a esquerda aguarda um novo mundo, o do povo unido que jamais será vencido, o mundo da igualdade, como os católicos aguardam a ressurreição e o regresso de Jesus Cristo e que isso implica considerar o momento actual como transitório porque a luta continua e continua e continua...


.... e continua, enquanto que as pessoas de direita aceitam o mundo como ele é e tiram dele o melhor partido possível. As pessoas de esquerda, em vez de aceitarem a humanidade, julgam e julgam, como anões aborrecidos que dão pequenos saltos a exigir e a exigir, a pedinchar e a choramingar, por favor, vá lá, vá lá... "Como tu quando queres sexo?" observou a Plaf e aí eu calei-me desisti. Não valia a pena.

 
 
A esquerdice é como uma doença crónica, pode ser amenizada mas cura, não tem. Comemos a explosão de figo e framboesa em silêncio e às tantas eu devo ter dito "é pena morreres, sem saúdinha não há luta continua, a luta acaba e pronto".  Ainda nos deram moscatel de borla, devem ter topado que um de nós era pobre e apreciava receber coisas de borla.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

well, I took it away from you

In 1984, Amos and I and our friend Richard Thaler visited a Wall Street
firm. Our host, a senior investment manager, had invited us to discuss the
role of judgment biases in investing. I knew so little about finance that I did
not even know what to ask him, but I remember one exchange. “When you
sell a stock,” I asked, “who buys it?” He answered with a wave in the
vague direction of the window, indicating that he expected the buyer to be
someone else very much like him. That was odd: What made one person
buy and the other sell? What did the sellers think they knew that the buyers
did not?


Since then, my questions about the stock market have hardened into a
larger puzzle: a major industry appears to be built largely on an illusion of
skill. Billions of shares are traded every day, with many people buying
each stock and others selling it to them. It is not unusual for more than 100
million shares of a single stock to change hands in one day. Most of the
buyers and sellers know that they have the same information; they
exchange the stocks primarily because they have different opinions. The
buyers think the price is too low and likely to rise, while the sellers think the
price is high and likely to drop. The puzzle is why buyers and sellers alike
think that the current price is wrong. What makes them believe they know
more about what the price should be than the market does? For most of
them, that belief is an illusion.

(...)

Mutual funds are run by highly experienced and hardworking
professionals who buy and sell stocks to achieve the best possible results
for their clients. Nevertheless, the evidence from more than fifty years of
research is conclusive: for a large majority of fund managers, the selection
of stocks is more like rolling dice than like playing poker. Typically at least
two out of every three mutual funds underperform the overall market in any
given year.


More important, the year-to-year correlation between the outcomes of
mutual funds is very small, barely higher than zero. The successful funds in
any given year are mostly lucky; they have a good roll of the dice. There is
general agreement among researchers that nearly all stock pickers,
whether they know it or not—and few of them do—are playing a game of
chance. The subjective experience of traders is that they are making
sensible educated guesses in a situation of great uncertainty. In highly
efficient markets, however, educated guesses are no more accurate than
blind guesses.


Some years ago I had an unusual opportunity to examine the illusion of
financial skill up close. I had been invited to speak to a group of investment
advisers in a firm that provided financial advice and other services to very
wealthy clients. I asked for some data to prepare my presentation and was
granted a small treasure: a spreadsheet summarizing the investment
outcomes of some twenty-five anonymous wealth advisers, for each of
eight consecutive years. Each adviser’s scoof re for each year was his
(most of them were men) main determinant of his year-end bonus. It was a
simple matter to rank the advisers by their performance in each year and
to determine whether there were persistent differences in skill among them
and whether the same advisers consistently achieved better returns for
their clients year after year.


To answer the question, I computed correlation coefficients between the
rankings in each pair of years: year 1 with year 2, year 1 with year 3, and
so on up through year 7 with year 8. That yielded 28 correlation
coefficients, one for each pair of years. I knew the theory and was
prepared to find weak evidence of persistence of skill. Still, I was surprised
to find that the average of the 28 correlations was .01. In other words, zero.
The consistent correlations that would indicate differences in skill were not
to be found. The results resembled what you would expect from a dicerolling
contest, not a game of skill.
(...)
Our message to the executives was that, at least when it came to
building portfolios, the firm was rewarding luck as if it were skill. This
should have been shocking news to them, but it was not. There was no
sign that they disbelieved us. How could they? After all, we had analyzed
their own results, and they were sophisticated enough to see the
implications, which we politely refrained from spelling out. We all went on
calmly with our dinner, and I have no doubt that both our findings and their
implications were quickly swept under the rug and that life in the firm went
on just as before. The illusion of skill is not only an individual aberration; it
is deeply ingrained in the culture of the industry. Facts that challenge such
basic assumptions—and thereby threaten people’s livelihood and selfesteem—
are simply not absorbed. The mind does not digest them. This is
particularly true of statistical studies of performance, which provide baserate
information that people generally ignore when it clashes with their
personal impressions from experience.


The next morning, we reported the findings to the advisers, and their
response was equally bland. Their own experience of exercising careful
judgment on complex problems was far more compelling to them than an
obscure statistical fact. When we were done, one of the executives I had
dined with the previous evening drove me to the airport. He told me, with a
trace of defensiveness, “I have done very well for the firm and no one can
take that away from me.” I smiled and said nothing. But I thought, “Well, I
took it away from you this morning. If your success was due mostly to
chance, how much credit are you entitled to take for it?”


Thinking Fast and Slow, Daniel Kahneman, prémio Nobel da Economia

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

esquece Plaft, plano anulado :(

 Gigi Chao e a sua esposa.


Não sou bi Plaft, não conseguia entrar em cenas com eles ou sequer assistir. E tu não gostas de homens com o look aids chic. Bom, mas sexo decadente por dinheiro, estamos em crise, todos podíamos ter um preço, só que.... pinchers vestidos de pai Natal... é simplesmente demais.

Não consigo entender. Todas as mulheres gostam de se beijar e tocar umas às outras e de dinheiro. A Gigi podia ter escolhido qualquer uma. Aquilo deve ser amor.
Amor a sério.
Amor pelo que cada um é e não pelas aparências.

Lol. Dou-lhes uns meses.

são 50 milhões Plaft...


Um magnata dos transportes de Hong Kong ofereceu uma recompensa de 50 milhões de euros como "prémio de casamento", a quem conseguisse ganhar o coração da sua filha, homossexual. Chao decidiu oferecer a avultada quantia monetária depois de a filha, Gigi, ter casado com a sua namorada de há 7 anos, em França. 



 

Hello Miss Gigi Chao,

Je suis Tolan, from le Portugal and I have also sexy girlfriend to share with you and your french wife if you marry me. Tolan is very sexy and not racist, I do not mind horizontal asian vagina type. I is very romantique and culte. I has le bmw and le maison de plage au portugal. I can cook, clean, write le very nice poem and have lot of fromage and champanhe.  Plaft is very hot, ouh la la. Je parle trés bien le français. You can have sex with le french wife, with le Tolan or with le Plaft, father does not need to know. If you do not like le penis inside le vagin, I can also watch you and your french wife and Plaft have sex, I not jealous. If Plaft does not like me have sex with you and your french wife, patience, helas, but I can borrow you Plaft for you to play, if I can watch. You can also watch me and Plaft have sex. If you do not like to watch dirty high quality animal hetero sex, we can have sex in private room, we not bother you at all. We can all live together very happy in Paris, i can go out le matin and buy les baguetes et le fromage e la compote, avec mon velo.
Merci, thank you, arigato.
Tolan, with amour



todos temos o nosso motivo


terça-feira, 25 de setembro de 2012

too important to fail e eu desisto

nem o FMI é liberal

«Segundo o FMI, os resultados obtidos no estudo demonstram ainda que um «sistema [bancário] mais concentrado está associado a uma baixa probabilidade de crise bancária».

A instituição relaciona estes resultados com o conceito de «too-important-to-fail» [demasiado importante para falir], ou seja, de que perante poucos bancos num sistema bancário as autoridades tomam mais rapidamente ações para prevenir uma crise bancária. Diz ainda que os resultados são consistentes com trabalhos já feitos que apontam para o facto de a «excessiva competição poder levar à excessiva assunção de riscos» pelos bancos com o objetivo de manter elevadas rentabilidades.»


Ou seja, o "estudo" do FMI recomenda uma maior concentração de bancos para que a sua falência seja  mais catastrófica para obrigar as autoridades (contribuintes) a tomar mais rapidamente acções (injectar dinheiro dos contribuintes) para prevenir a referida falência porque ela é demasiado catastrófica para ocorrer.

Só posso agradecer, pelo menos, a vossa sinceridade e honestidade em assumir que sois uns refinados filhos da puta de chupistas do caralho que vos fodesse.

A banca, para vocês, é o único sector onde pelos vistos existe "excessiva concorrência" e "riscos excessivos". As leis de mercado para vocês só não funcionam na banca. Que credibilidade têm para exigir privatizações, fim de golden shares e abertura a capitais estrangeiros, ó meus cabrestos?

Depois de falências sucessivas assistiríamos a uma diferenciação natural, com bancos de perfil mais agressivo, capazes de emprestar aos Karagounis desta europa, e outros mais sólidos e transparentes, para onde iriam os investidores e consumidores mais avessos ao risco.

É precisamente a garantia do too important to fail que torna racionalmente desejável a tomada extrema de riscos, visto que são too important to fail e têm garantido o amparo do estado (contribuinte) a quem emprestam. E o que é "too important to fail", quantificado? Onde se traça a linha? Quantos mil milhões? E três bancos pequenos somados são equivalentes a um grandalhão?  Com que cara é que eu posso chamar filho da puta ao Seguro por dizer que a RTP é too important to fail? Que merda vaga é essa de too important to fail meus filhos da puta do caralho que vos foda? É quando o José Sócrates se vira para o Teixeira dos Santos e diz "que rico berbicacho que para aqui vai no BPN" e o Teixeira corrige "Sr. Ministro, o termo técnico é too important to fail"?

Querem favorecer os bancos maiores que controlam o mercado e impedir a entrada de novos bancos com novos modelos de negócio porque têm um risco acrescido ao não serem too important to fail como os maiores que já lá estão e que vos pagam o salário? Qual é a diferença entre vocês e uma merda de uma Ordem dos Médicos da banca, meus mafiosos? Que merda de liberalismo é esse, seus filhos da puta? Vocês percebem tanto de economia como o Mitt Romney de aviões. Vocês estão para o Friedman como o Estaline para o Marx! Vocês são uns traidores.

Desvaneceram-se as minhas ténues esperanças que, com a vossa ajuda, se pudesse vencer a pseudo-social-democracia de mama na quinta pata do estado a crédito do pós 25 de Abril e introduzir reformas fundamentais para nos desenvolvermos. Aquilo das rendas e dos tribunais foi só para disfarçar, pelos vistos. Sou um ingénuo, um parvo, é a conclusão a que chego e os sinais estavam aí. Os comunas tinham razão nisto, não sabem o quanto me custa dizer isto seu filhos da puta. Sabem quantas vezes eu bati em comunistas por dizerem mal de vocês, meus cornos de merda? Nenhuma. Mas apeteceu-me, muitas vezes. Agora apetece-me bater em vocês e nos comunistas. Uma coisa de cada vez, dia 29, marquem na agenda e lembrem-se:

O povo unido, é too important to fail!



deficit e corrupção

Parece inevitável que a Grécia saia do Euro. Aposto 5 contos de reis como Portugal também vai sair. Se a escolha entre ficar e sair é complexa de avaliar do ponto de vista económico, do ponto de vista político, parece óbvia. A Europa não salvou a Grécia. A utopia nascida em tempo de vacas gordas do crédito disponível para a europa do sul esfumou-se. Em vez de se optar por um programa de ajustamento de longo prazo, com reestruturação da dívida, focado na redução do peso do estado pela via de despedimentos, cortes e privatizações, combinada com investimentos para aumento da produtividade (convergência europeia, lembram-se?) optou-se também e sobretudo pelo aumento brutal de impostos, esmagando a economia privada. E tudo para quê?

O povo grego deve ser responsabilizado pelo facto de bancos estrangeiros, nomeadamente alemães, terem emprestado dinheiro aos políticos corruptos e irresponsáveis que os governaram? Na Califórnia, uma espécie de Grécia seis vezes maior e igualmente falida, o aumento de impostos foi sucessivamente bloqueado por uma democracia que funciona, forçando cortes na despesa ou a bancarrota de cidades.

E nós? José Sócrates conseguiu duplicar a dívida pública portuguesa no seu mandato. Em Março de 2011, num cenário já de crise aguda e com eleições anunciadas, perdeu o pudor e aumentou  os limites do ajusto directo que ele próprio introduziu em 2008, escancarando ainda mais a porta à corrupção total. Foi estudar filosofia deixando um país endividado enquanto que a sua família movimenta 383 milhões de euros nas Caimão, Man e Gibraltar.

Agora temos Relvas e um governo maçónico, Passos Coelho produto das jotas, afilhado de um barão que lhe construiu um currículo de ar, Paulo Portas ministro responsável por um processo de aquisição de submarinos que, na Alemanha levou à condenação de corruptores e que em Portugal misteriosamente não teve os equivalentes corrompidos etc. etc.

Obviamente que resolver o problema da corrupção e falta de transparência em Portugal não resolve só por si o deficit, mas resolve um problema não menos importante: o da falta de legitimidade e credibilidade para exigir o que quer que seja a um país. Por isso apenas, independentemente das medidas, vale a pena ir para a rua e ignorar as expressões sedativas do "manifestações são más para a imagem do país", "o povo português é digno e sereno", "temos de demonstrar coesão", "era preciso um governo de salvação, sem eleições", "temos de recuperar a confiança dos investidores", "somos o bom aluno", "não somos a Grécia"...

A democracia pode induzir instabilidade e incerteza no curto prazo, mas o que emergir dela será mais robusto e transparente do que uma paz burocrática e neutra sobre a qual o próprio projecto europeu foi amplamente construído, com o resultado que está à vista. Agora tentam limitar o debate a um leque reduzido de opções, como se não existisse a opção de recusar o pagamento da dívida e optar pela saída do euro, nem que seja com o mero intuito de ajudar à negociação de um prazo mais alargado e de outro de tipo de medidas. Face ao exemplo grego, surge a questão: a saída do euro só é válida quando é uma inevitabilidade e um país está de rastos para lá de qualquer solução?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Martha Marcy May Marlene


Há muito tempo que não via um thriller (o género mais nobre do cinema) tão bom. Realizado e escrito por Sean Durkin, na sua estreia em longa metragem. Como dizem na imprensa especializada, fixem este nome. Um dia explicamos, eu e o Alfred, aquilo de ser o género mais nobre e exigente.


we mean business

... procura-se alguém, de preferência um engenheiro, que perceba muito de bicicletas, particularmente de motores eléctricos, com capacidade para desenvolver e inovar cenas diversas e que não se reveja na política alemã da Riese Und Muller de cobrar quase 5 mil euros por uma destas...



...mas que também acredite que a solução para uma bicicleta de 500 euros não passe por tirar qualquer réstia de dignidade ao seu utilizador:

resposta ao tolan.baranduna@gmail.com

fazer dinheiro


Love is cheap. You can buy it anywhere. Lives are cheap. It's money that's dear. You have to work days and sit up nights thinking how to make money.
John Dos Passos