Hoje, ao registar o euromilhões como outro português qualquer que espera que o seu destino se resolva por magia e com a consciência de matemático ferida no seu orgulho (estou a pagar uma exorbitância pelo valor esperado), lembrei-me de como tudo começou há uns anos.
Para me motivar a deixar de fumar, decidi que o dinheiro que pusesse de parte, jogava-o no euromilhões. O raciocínio era: "vou trocar a probabilidade de ter cancro pela probabilidade ganhar o euro milhões". Para compensar a falta de tabaco comecei a beber mais.
Depois seguiram-se as contas e a compreensão de que o euro milhões era uma aposta estúpida e que mais valia jogar um jogo de casino onde os ganhos, mesmo que inferiores, têm um valor esperado superior e dão odds mais favoráveis.
Meti-me no black jack e torrei dinheiro até mais não num curto espaço de tempo, especialmente porque ficava confiante devido à bebida em excesso nas sessões de jogo. Depois foi o poker onde a coisa encaixou melhor, uma experiência zen que durou dois anos, mas que me deu cabo da vida, não fazia mais nada, deixei de escrever e tudo e só via cartas à frente.
Depois desisti do poker e voltei a fumar. Agora estou a jogar no euromilhões outra vez. E a fumar. E a beber demais. O que se segue?
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
conselho sentimental para manter as namoradas felizes e apaixonadas #2 - a coleira com gps
Uma das manifestações de amor que as mulheres mais prezam é querermos saber sempre onde estão, a toda a hora. Existem muitos mitos sobre isto, nomeadamente, o de que relações desse tipo "as sufocam" e que "não gostam de homens ciumentos". Onde é que já ouviu isto? Dizem todas o mesmo. Contudo, as mulheres gostam de atenção e quanto mais, melhor. Acresce que muitas tendem a fugir quando são soltas na rua e só voltam quando têm fome ou frio.
Aquilo que era apenas uma fantasia típica da Guerra das Estrelas é hoje uma realidade comum e acessível. Graças à tecnologia dos satélites e aos avanços na miniaturização de componentes electrónicos, podemos hoje oferecer uma coleira gps à nossa mais que tudo e, no conforto do escritório ou de casa, no iPhone ou no PC, monitorizar a toda a hora a sua localização.
Há muitos modelos de coleiras com gps: Spot Lite GPS Locator, Garmin Dog Tracking Collar ou British Dog Net são alguns dos sites onde as podem adquirir. São vendidas como sendo para "cães" ou "gatos" devido a questões éticas e alguns preconceitos. Contudo, dado que são animais com uma circunferência do pescoço semelhante à de uma mulher, não vem daí qualquer problema.
São bastante discretas e há modelos esteticamente interessantes, tendo em conta o inevitável compromisso entre dimensão, alcance e autonomia dos modelos. Tentei encontrar uma fotografia de uma mulher com uma destas coleiras mas, por um motivo que me escapa, não encontrei nenhuma nos sites que pesquisei.
Deixo aqui algumas imagens para referência, é praticamente a mesma coisa, é só imaginar a vossa mais que tudo com uma destas.
Aqui num discreto preto, numa prática bolsinha. Toda contente :)
Aqui num sortido de cores a lembrar as criações da Swatch, bem modernas. Uhh, ela parece um bocadinho amuada nesta foto, será que é porque já não pode escapar-se para ir às compras? ;)
PS: Já sei o que estão a pensar, mas não, os discretos implantes de chips subcutâneos ainda não permitem a localização por gps. Em breve será certamente possível, mas acredito que as coleiras não vão sair de moda. Também vaticinaram o mesmo para os óculos com o advento das lentes de contacto e nunca estiveram tão in...
Aquilo que era apenas uma fantasia típica da Guerra das Estrelas é hoje uma realidade comum e acessível. Graças à tecnologia dos satélites e aos avanços na miniaturização de componentes electrónicos, podemos hoje oferecer uma coleira gps à nossa mais que tudo e, no conforto do escritório ou de casa, no iPhone ou no PC, monitorizar a toda a hora a sua localização.
Há muitos modelos de coleiras com gps: Spot Lite GPS Locator, Garmin Dog Tracking Collar ou British Dog Net são alguns dos sites onde as podem adquirir. São vendidas como sendo para "cães" ou "gatos" devido a questões éticas e alguns preconceitos. Contudo, dado que são animais com uma circunferência do pescoço semelhante à de uma mulher, não vem daí qualquer problema.
São bastante discretas e há modelos esteticamente interessantes, tendo em conta o inevitável compromisso entre dimensão, alcance e autonomia dos modelos. Tentei encontrar uma fotografia de uma mulher com uma destas coleiras mas, por um motivo que me escapa, não encontrei nenhuma nos sites que pesquisei.
Deixo aqui algumas imagens para referência, é praticamente a mesma coisa, é só imaginar a vossa mais que tudo com uma destas.
Aqui num discreto preto, numa prática bolsinha. Toda contente :)
Aqui num sortido de cores a lembrar as criações da Swatch, bem modernas. Uhh, ela parece um bocadinho amuada nesta foto, será que é porque já não pode escapar-se para ir às compras? ;)
PS: Já sei o que estão a pensar, mas não, os discretos implantes de chips subcutâneos ainda não permitem a localização por gps. Em breve será certamente possível, mas acredito que as coleiras não vão sair de moda. Também vaticinaram o mesmo para os óculos com o advento das lentes de contacto e nunca estiveram tão in...
terça-feira, 7 de agosto de 2012
é pena é a foto não apanhar o cheiro a vinagre
A minha mesa (vintage, anos 50, adquirida na Casa Almada) tansformada em laboratório de tratamento de fósseis. Aquela era a minha escova de dentes. A minha vodka, não sei o que está ali a fazer. "Tudo em nome da ciência", assegurou-me a Plaft. Então está bem.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
fósseis
Descobri ontem que a Plaft tem uma pancada por fósseis. Foi por acaso, íamos a passear no campo ao pé da minha casa de infância na aldeia quando eu agarrei num e lhe disse "olha, uma concha com 400 milhões de anos". Ela quase que chorou de emoção porque quando era criança queria ser "fossóloga" (discutimos o termo correcto o resto da tarde) e em Lisboa não havia fósseis. Ainda fiz uma piada sobre militantes do PCP mas ela ignorou, entrou em modo Calvin Há Tesouros Por Toda Parte. O passeio, que prometia ser romântico, contemplativo e naturalista (vi um belíssimo falcão logo no início), transformou-se numa caça ao fóssil, olhos postos no chão o tempo todo.
Tive de a levar a todos os jazigos de fósseis que eu conhecia ali na zona. Não foi complicado porque estão nos caminhos sujeitos a erosão, especialmente no topo de montes ou então na berma de campos cultivados, atirados para lá pelos agricultores quando limpam os terrenos revolvidos pelas máquinas.
Quando era puto encontrava fósseis muito grandes, sempre conchas e como não entendia a questão do mar ter coberto toda a terra, achava que eram restos de ameijoas à bulhão pato de tribos pré-históricas. Encontrámos vários e a Plaft está neste momento a passar pela fase fossóloga que deve durar cerca de uma semana.
Num manifesto excesso de confiança na amplitude de aptidões e conhecimentos dos meus leitores, queria apelar a paleontólogos, geólogos e fossólogos que nos ajudem a perceber o que encontrámos e como podemos isolá-los das pedras onde estão. Podemos usar vinagre, por exemplo, para dissolver o calcário das pedras que os envolvem?
Isto aqui é um molde de fóssil ou o próprio fóssil? E porque é que há duas camadas tão distintas de material nesta pedra
Aqui é uma conchinha pequena. Como limpar e realçar isto?
Esta está inteira, só que está enfiada numa rocha. Como tirá-la de lá?
Tive de a levar a todos os jazigos de fósseis que eu conhecia ali na zona. Não foi complicado porque estão nos caminhos sujeitos a erosão, especialmente no topo de montes ou então na berma de campos cultivados, atirados para lá pelos agricultores quando limpam os terrenos revolvidos pelas máquinas.
Quando era puto encontrava fósseis muito grandes, sempre conchas e como não entendia a questão do mar ter coberto toda a terra, achava que eram restos de ameijoas à bulhão pato de tribos pré-históricas. Encontrámos vários e a Plaft está neste momento a passar pela fase fossóloga que deve durar cerca de uma semana.
Num manifesto excesso de confiança na amplitude de aptidões e conhecimentos dos meus leitores, queria apelar a paleontólogos, geólogos e fossólogos que nos ajudem a perceber o que encontrámos e como podemos isolá-los das pedras onde estão. Podemos usar vinagre, por exemplo, para dissolver o calcário das pedras que os envolvem?
Isto aqui é um molde de fóssil ou o próprio fóssil? E porque é que há duas camadas tão distintas de material nesta pedra
Aqui é uma conchinha pequena. Como limpar e realçar isto?
Esta está inteira, só que está enfiada numa rocha. Como tirá-la de lá?
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
brutal
Parece que há um senhor chamado Ty Segall que tem uma série de discos que eu não conhecia. Ouvi uma faixa dele (Mary Ann) enquanto bebia o café no copo de plástico e vou e digo assim cá para mim: "brutal". Desapertei um pouco o nó da gravata e voltei a ouvir. "Brutal".
Enviei a faixa ao meu amigo Nuno que é o que gosta deste tipo de rock porque é programador de cenas financeiras em SQL e ele vai e faz reply "brutal", assim, com ponto de final e tudo. A partir daqui arrisco-me sempre a levar com o "já conhecia, a banda xis é melhor" mas com o Nuno isso não acontece. O Nuno não tem por hábito andar a farejar coisas porque já sabe que eu faço isso por ele e quando lhe mostro uma banda nova ele ouve lá nos seus headphones manhosos no open space onde programa e depois diz se gosta ou se não gosta. Há coisas que eu já sei que ele não vai gostar e às vezes são muito boas mas mesmo assim mando-lhe, ele diz "não me disse muito" e depois chateio-me com ele, porque é para isso que ele serve. Já sou amigo dele vai fazer 25 anos e ainda me está atravessado ele ter dito que os Thundercats dele eram mais fixes que os meus GI Joes. Mas ok. Uns preferem uns brinquedos que o pai trouxe do canadá e que consistiam num carro enorme com misseis e umas patas nas rodas e nuns bonecos com cabeça de gato em vez do realismo e dos detalhes dos GI Joe, mas tudo bem. Temos de aprender a viver com as diferenças um do outro, nomeadamente, sendo insensíveis ao ponto de vista do outro.
Um fim de semana muito brutal é o que vos desejo.
conselho sentimental #1
O departamento de marketing do Autor continua a reclamar contra o facto do meu blogue (ele diz "nosso") estar posicionado para o target feminino, classes A/B, 20-35 anos, urbano/aspiracional, que é como quem diz, "blogue de gajas". Eu já lhe expliquei que lutar contra isso é como pendurar um letreiro a dizer Liquidação Total - 80% Descontos no blogue.
Contudo, concordo com ele numa coisa: devemos ter mais conteúdos direccionados para um target masculino mais amplo. Posta de parte a hipótese de colocar uma foto de uma senhora com fartos seios de 2 em 2 posts devido a critérios editoriais, pensei que podia ser boa ideia partilhar com os homens a minha grande experiência e sabedoria sobre mulheres. Ao longo de muitos posts (um ou dois) vou dar dicas sobre a psicologia das mulheres, os seus habitats, os seus instintos e comportamentos, os hábitos de reprodução e nidificação, como domesticar as que são um bocado para o selvagem, aprender a diferenciar espécies etc. Sei que pareço altruísta, mas é-me indiferente, porque eu encontrei a Plaft e quero que os meus amigos homens sejam felizes também.
Ok, primeira dica:
Descubram um complexo que ela tenha e façam piadas sobre ele. Isto à primeira vista parece um bocadinho contraproducente. Mas a ideia é simples e prática. Se ela tem um complexo com um defeito qualquer (baixa demais, maminhas pequenas, orelhas saídas, pele com manchas, pés para dentro, gordura excessiva, cabelo espigado, olhos estrábicos, estrias no rabo, pescoço curto, dentes tortos, lábios finos etc, vocês sabem como elas são, todas têm um problema) então gozem com o defeito, sempre. Por exemplo, se ela tiver as maminhas pequenas e muitos complexos com isso, vocês estão na cama às escuras e começam a apalpá-la e dizem "epá! quem é este gajo na minha cama!!!!" e acendem a luz e tal, no gozo. Ou então, se for um pouco gordinha e estiverem na praia a nadar no mar todos românticos, digam "nunca tinha nadado com uma baleia". Se for baixa demais, metam-se ao pé dela a olhar em frente e quando a ouvirem falar, não respondam, olhem em volta a ver de onde vem a voz, intrigados.
Coisas assim, subtis. Poder brincar com as coisas é muito bom porque elas deixam de ter o complexo. Digamos que o complexo existe porque há ali uma dúvida "serei feia?". E é a dúvida que gera a angústia toda e a incerteza. Com estas brincadeiras ela vai convencer-se de que é verdade, fica com a autoestima nos níveis adequadamente baixos e muito agradecida por vocês gostarem dela apesar de tudo.
Contudo, concordo com ele numa coisa: devemos ter mais conteúdos direccionados para um target masculino mais amplo. Posta de parte a hipótese de colocar uma foto de uma senhora com fartos seios de 2 em 2 posts devido a critérios editoriais, pensei que podia ser boa ideia partilhar com os homens a minha grande experiência e sabedoria sobre mulheres. Ao longo de muitos posts (um ou dois) vou dar dicas sobre a psicologia das mulheres, os seus habitats, os seus instintos e comportamentos, os hábitos de reprodução e nidificação, como domesticar as que são um bocado para o selvagem, aprender a diferenciar espécies etc. Sei que pareço altruísta, mas é-me indiferente, porque eu encontrei a Plaft e quero que os meus amigos homens sejam felizes também.
Ok, primeira dica:
Descubram um complexo que ela tenha e façam piadas sobre ele. Isto à primeira vista parece um bocadinho contraproducente. Mas a ideia é simples e prática. Se ela tem um complexo com um defeito qualquer (baixa demais, maminhas pequenas, orelhas saídas, pele com manchas, pés para dentro, gordura excessiva, cabelo espigado, olhos estrábicos, estrias no rabo, pescoço curto, dentes tortos, lábios finos etc, vocês sabem como elas são, todas têm um problema) então gozem com o defeito, sempre. Por exemplo, se ela tiver as maminhas pequenas e muitos complexos com isso, vocês estão na cama às escuras e começam a apalpá-la e dizem "epá! quem é este gajo na minha cama!!!!" e acendem a luz e tal, no gozo. Ou então, se for um pouco gordinha e estiverem na praia a nadar no mar todos românticos, digam "nunca tinha nadado com uma baleia". Se for baixa demais, metam-se ao pé dela a olhar em frente e quando a ouvirem falar, não respondam, olhem em volta a ver de onde vem a voz, intrigados.
Coisas assim, subtis. Poder brincar com as coisas é muito bom porque elas deixam de ter o complexo. Digamos que o complexo existe porque há ali uma dúvida "serei feia?". E é a dúvida que gera a angústia toda e a incerteza. Com estas brincadeiras ela vai convencer-se de que é verdade, fica com a autoestima nos níveis adequadamente baixos e muito agradecida por vocês gostarem dela apesar de tudo.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
para tirar as dúvidas, façam a experiência
O meu post abaixo parece ter gerado algumas reacções de cepticismo. Faço o apelo a todos os homens que lêem este blogue (4, contando comigo): peçam as vossas namoradas em casamento, só por experiência. Mas façam isso como deve ser, modo arcaico, assim romântico e inesperado, fogo de artifício a surgir de repente no horizonte no exacto momento em que lhe oferecem o anel, ou uma flash mob a dançar Frank Sinatra, seja o que for, sejam originais e criativos e românticos. Peçam-nas em casamento com o anel e tudo. Podem pedir o anel emprestado a algum familiar, uma avó ou isso (no dia seguinte devolvem). É só mesmo para verem a reacção. Era giro se filmassem metessem no youtube. E depois venham cá contar e ver se não tinha razão, se ela não se desmanchou a chorar e não ficou toda em choque e corada e não se sente a mulher mais feliz do mundo por uns minutos enquanto vos abraça e diz "sim". Depois tenham é algum tacto para explicar que era um teste, uma brincadeira ou isso. Ela em princípio não vai levar a mal, se tiver sentido de humor. Se não tiver, também não é mulher para vocês.
"raparigas modernas", yeah right
Não se deixem enganar, são todas saídas de um romance da Jane Austen. Se dizem que acham um anel de noivado piroso, isso é meramente um desafio para encontrarem um que não o seja. Se desvalorizam ou rejeitam o conceito de casamento, é só para aumentar o índice de dificuldade e fazer um teste. Se defendem o direito ao trabalho e a querer ter uma carreira, o que estão a deixar implícito é que adoravam ter um homem forte e poderoso para poderem estar sossegadas a cuidar dos filhos e a dedicar-se à pintura, piano ou decoração.
A maior parte das vezes não se apercebem disto e estão convictas de que são modernas. Estão naquilo que eu chamo de "estado de hibernação feminista". O mundo está cada vez mais repleto de ursas num rigoroso inverno de sibéria de romantismo. E saem da hibernação de duas formas, ou a bem ou a mal. A bem, é quando são surpreendidas pela própria reacção de agrado (ou mesmo euforia) por serem alvo de uma atitude romântica ou quando se apaixonam para lá da própria sanidade mental. É como se regredissem ao estado em que faziam vestidos para as bonecas e sonhavam com o príncipe encantado.
A mal, é quando, aos 30 e poucos, a cuidar dos dois filhos do ex-companheiro que assumiu outra orientação sexual a meio de uma sessão de swing com um casal poligâmico, passam por uma loja de vestidos de noiva. Olham para um vestido e para o próprio reflexo translúcido no vidro da montra, sobreposto ao manequim sem rosto e choram. Amargamente.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
músicas boas e músicas más
O "sucesso invertido" dos Miúda com o Eu jogo ténis lembra-me um pouco um mix entre o Nyan Cat e um gps com voz portuguesa. Não sei se isso é necessariamente mau, sinceramente, estou a tentar decidir ainda. A linguagem pop deve permitir todo o absurdo. Nem todos, como muito bem diz a Plaft - que rapidamente gravou o seu próprio cover da música do Jogo Ténis no seu iphone e no caso dela, come feijoada e a feijoada tem feijão, arroz e feijão - podem ser o Rui Reininho e safar-se com o non-sense e gostar das pulgas dos cães. Somos levados a crer que nos Miúda não existe a auto-consciência de um Jarvis Cocker que nunca said he was deep but he is profoundly shallow.
Confesso que com o tempo deixei de conseguir ouvir blues, nick cave, radiohead, tom waits, jeff buckley e toda uma série de música alternativa de que gostava. Não a considero má, longe disso, mas não a consigo ouvir, não sei porquê. Oiço coisas muito alternativas, mais alternativas do que as que um taxista experiente num dia de chuva em Lisboa consegue debitar antes de começar a corrida.
Sem contar com o filho autista da minha empregada, nunca consegui partilhar com ninguém o meu interesse por coisas como Konigsforst #5 de Gas.
Mas também comecei a ouvir coisas coisas como Skrillex ou Black Eyed Peas e oiço mais a rádio cidade que a radar. Das duas uma, ou estou a sair do armário, ou então a maturidade musical em mim significa a insensibilidade a certas emoções que antes pedia emprestadas à música. Ai tu bebes e gostas de bares decadentes, Tom Waits? Grande coisa, tenho 3 ressacas por semana pelo menos e vou trabalhar num escritório. Com Powerpoint e Excel. Tens dúvidas existenciais, Tom Yorke? Resolve lá isso por ti, eu tenho um mês para entregar os relatórios a uma big corporation daquelas com departamentos de marketing agressivos e há um problema nos prazos de pagamento porque um fornecedor quer o dinheiro já mas nós só lhes podemos pagar depois do cliente nos pagar a nós o que sucede lá para outubro e até lá são capazes de nos responsabilizar por 4% de juro mensal num montante de 180 mil euros para pagar aos fornecedores deles e a culpa foi minha por isso cala-te com a grande crise que é acordar a chupar um limão (wtf?!), toma um xanax que isso passa.
Gosto muito deste carro.
É tudo relativo. Há coisas impreterivelmente más, como a versão que o Miguel Ângelo dos Delfins fez da música do Morrissey intitulada "Ontem sonhei que alguém me amava" link aqui - CUIDADO, NÃO RECOMENDADO A PESSOAS SENSÍVEIS OU FACILMENTE IMPRESSIONÁVEIS. Mas mesmo as coisas más, têm a sua utilidade. Para além de relativizarem a maldade de coisas um pouco menos más, podem servir diversos propósitos. A música Ontei Sonhei que Alguém me Amava, segundo um relatório da CIA exposto pela wikileaks, é utilizada em Guantanamo para legalizar as simulações de afogamento (wakeboarding) e melhorar a eficácia da tortura. Os guardas e agentes da CIA têm tampões nos ouvidos e metem a Ontem Sonhei Que Alguém Me Amava a tocar. Quando a cabeça do suspeito é submergida à força, ele fica sem ar e pensa que se vai afogar, o que é incorrecto do ponto de vista de direitos humanos. Em compensação, o suspeito deixa de conseguir ouvir a Ontem Sonhei Que Alguém Me Amava de forma tão nítida (só se ouve o baixo e o bombo) o que significa que lhe estão a prestar um favor humanitário. Quando o puxam de volta à superfície ele pode respirar (outro favor humanitário) mas em compensação pode ouvir melhor a música Ontem Sonhei Que Alguém Me Amava, ficando assim numa situação legal do tipo "gato com uma torrada com manteiga presa às costas que fica suspenso no ar porque os gatos caem sempre em pé e as torradas caem sempre com o lado com manteiga para baixo", enfim, não sei ao certo o termo jurídico exacto.
Confesso que com o tempo deixei de conseguir ouvir blues, nick cave, radiohead, tom waits, jeff buckley e toda uma série de música alternativa de que gostava. Não a considero má, longe disso, mas não a consigo ouvir, não sei porquê. Oiço coisas muito alternativas, mais alternativas do que as que um taxista experiente num dia de chuva em Lisboa consegue debitar antes de começar a corrida.
Sem contar com o filho autista da minha empregada, nunca consegui partilhar com ninguém o meu interesse por coisas como Konigsforst #5 de Gas.
Mas também comecei a ouvir coisas coisas como Skrillex ou Black Eyed Peas e oiço mais a rádio cidade que a radar. Das duas uma, ou estou a sair do armário, ou então a maturidade musical em mim significa a insensibilidade a certas emoções que antes pedia emprestadas à música. Ai tu bebes e gostas de bares decadentes, Tom Waits? Grande coisa, tenho 3 ressacas por semana pelo menos e vou trabalhar num escritório. Com Powerpoint e Excel. Tens dúvidas existenciais, Tom Yorke? Resolve lá isso por ti, eu tenho um mês para entregar os relatórios a uma big corporation daquelas com departamentos de marketing agressivos e há um problema nos prazos de pagamento porque um fornecedor quer o dinheiro já mas nós só lhes podemos pagar depois do cliente nos pagar a nós o que sucede lá para outubro e até lá são capazes de nos responsabilizar por 4% de juro mensal num montante de 180 mil euros para pagar aos fornecedores deles e a culpa foi minha por isso cala-te com a grande crise que é acordar a chupar um limão (wtf?!), toma um xanax que isso passa.
Gosto muito deste carro.
É tudo relativo. Há coisas impreterivelmente más, como a versão que o Miguel Ângelo dos Delfins fez da música do Morrissey intitulada "Ontem sonhei que alguém me amava" link aqui - CUIDADO, NÃO RECOMENDADO A PESSOAS SENSÍVEIS OU FACILMENTE IMPRESSIONÁVEIS. Mas mesmo as coisas más, têm a sua utilidade. Para além de relativizarem a maldade de coisas um pouco menos más, podem servir diversos propósitos. A música Ontei Sonhei que Alguém me Amava, segundo um relatório da CIA exposto pela wikileaks, é utilizada em Guantanamo para legalizar as simulações de afogamento (wakeboarding) e melhorar a eficácia da tortura. Os guardas e agentes da CIA têm tampões nos ouvidos e metem a Ontem Sonhei Que Alguém Me Amava a tocar. Quando a cabeça do suspeito é submergida à força, ele fica sem ar e pensa que se vai afogar, o que é incorrecto do ponto de vista de direitos humanos. Em compensação, o suspeito deixa de conseguir ouvir a Ontem Sonhei Que Alguém Me Amava de forma tão nítida (só se ouve o baixo e o bombo) o que significa que lhe estão a prestar um favor humanitário. Quando o puxam de volta à superfície ele pode respirar (outro favor humanitário) mas em compensação pode ouvir melhor a música Ontem Sonhei Que Alguém Me Amava, ficando assim numa situação legal do tipo "gato com uma torrada com manteiga presa às costas que fica suspenso no ar porque os gatos caem sempre em pé e as torradas caem sempre com o lado com manteiga para baixo", enfim, não sei ao certo o termo jurídico exacto.
terça-feira, 31 de julho de 2012
tensão e clímax
Gosto muito dos romances do século XIX em que a corte era assumida desde início. Não havia conversa ente uma Natacha e um Romanovitch sobre a música de Schubert e o direito de Napoleão a ser Imperador que não fosse enquadrada no contexto de se estar a preparar uma proposta de casamento. Há quem diga que isso tira parte do encanto da coisa, ser tão explícito e formal. Eu gosto de histórias assim, tem de haver tensão e um clímax. Não uma sucessão de etapas previsíveis. Hoje em dia é preciso acender a própria fogueira em que nos vamos imolar, ninguém faz isso por nós.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos
Acabei de assistir à cerimónia oficial de início dos jogos olímpicos de Londres, realizada por Danny Boyle. A Plaft está sentada no chão, num canto da sala, apática, a abraçar os joelhos flectidos contra o peito, balançando-se numa mímica autista. Tentei falar com ela para confirmar a minha impressão, mas foi como se não me conseguisse ouvir… os olhos permaneceram fixos num ponto invisível para lá de mim, do mundo. Estou também um pouco confuso e em choque e talvez fosse bom dormir umas horas, apanhar ar, ver o Tejo, antes de escrever. Gosto de ver o Tejo. Relaxa-me. Gosto do sorriso das crianças, dos velhinhos a jogar dominó no jardim, os cafés, o bulício da normalidade conforta-me. Mas por outro lado, pensei que escrevendo agora, conseguia captar com mais intensidade a avalanche de sentimentos ambíguos que me preenche a alma. Tentei evocar outros momentos da minha vida em que me senti assim, para colocar as coisas em perspectiva. Lembro-me de uma matança do porco a que assisti por engano aos 8 anos (“tás a anhar ó quê? Tamos a atá-lo qu’ele muita traquinas, é só na brincadeira” disseram-me eles). Lembro-me também de ver o segundo avião a chocar com o wtc em directo. Recordo-me de uma crónica da Laurinda Alves na Xis, sobre ser boa pessoa. Sim, creio que na vida tive muitos momentos em que aquilo a que assistia era mais do que conseguia processar. Eu tinha dito à Plaft que a cerimónia dos jogos olímpicos de Pequim tinha sido estrondosa e que esta, apesar do orçamento menor e dos vestidos da rainha de Inglaterra, podia ser engraçada. Ela nunca tinha assistido a nenhuma. Olhando para ela agora (continua no canto da sala), penso que terá sido a última cerimónia que vai ver na vida. Talvez… talvez a última coisa que tenha visto na vida.
Vou abster-me de comentar todos os segmentos em concreto, os detalhes, porque ainda é demasiado cedo para me recordar de tudo com nitidez e posso precisar de hipnose regressiva. Lembro-me da rainha de inglaterra e de dois cães e do Beckham num barco no Thames. E de ver o Mike Oldfield a tocar vários instrumentos. E da JK Rowling a ler uma coisa com uns monstros e de aparecer a Mary Poppins. Muitos aleijados também, como num video promocional do pirilampo mágico.
Por vezes, quando é tarde e estou no youtube entorpecido por falta de sono, stress, café e álcool, chego àquela parte… da internet… do youtube... Vocês sabem a que me refiro… clicamos naquele video do fail do programa de metereologia em que a gravata do tipo tem a mesma cor do fundo de croma e fica invisível e depois clicamos no outro do anúncio dos anos 40 a elogiar os benefícios do tabaco e depois no outro com os acidentes mais aparatosos do rally da corsega e depois no outro com o genérico do bay watch e depois outro com o nipple slip da Mariah Carrey nos grammys e passado um bocado estamos a ver um documentário chileno sobre chá verde e três horas depois, a meio de um vídeo de um concurso japonês em que uma apresentadora com orelhas de coelhinha inflige pancadas fortes com um taco de cricket nos genitais dos concorrentes masculinos, sentimos a consciência suficientemente aniquilada para dormir? E dormimos como mortos?
Boa noite, Danny Boyle.
Por vezes, quando é tarde e estou no youtube entorpecido por falta de sono, stress, café e álcool, chego àquela parte… da internet… do youtube... Vocês sabem a que me refiro… clicamos naquele video do fail do programa de metereologia em que a gravata do tipo tem a mesma cor do fundo de croma e fica invisível e depois clicamos no outro do anúncio dos anos 40 a elogiar os benefícios do tabaco e depois no outro com os acidentes mais aparatosos do rally da corsega e depois no outro com o genérico do bay watch e depois outro com o nipple slip da Mariah Carrey nos grammys e passado um bocado estamos a ver um documentário chileno sobre chá verde e três horas depois, a meio de um vídeo de um concurso japonês em que uma apresentadora com orelhas de coelhinha inflige pancadas fortes com um taco de cricket nos genitais dos concorrentes masculinos, sentimos a consciência suficientemente aniquilada para dormir? E dormimos como mortos?
Boa noite, Danny Boyle.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
banda sonora para o verão 2012
video não-oficial para a faixa "Follow" dos DIIV (pronuncia-se Dive) do lp de estreia "Oshin"(2012)
Pela foto dá para ver que os os Diiv são putos extremamente hipsters, mas vendo as coisas pelo lado positivo, as camisolas XXL de lã que a minha avó me tricotava e que eram depois alargadas para XXXXL pelo meu cão, voltaram a estar in... yes...
Pela foto dá para ver que os os Diiv são putos extremamente hipsters, mas vendo as coisas pelo lado positivo, as camisolas XXL de lã que a minha avó me tricotava e que eram depois alargadas para XXXXL pelo meu cão, voltaram a estar in... yes...
quarta-feira, 25 de julho de 2012
common people
O Jarvis Cocker, numa entrevista muito fixe com o Steve Merchant que eu pus ali no meu facebook, diz que depois de cair de uma janela para impressionar uma miúda (todos fizemos algo parecido) e de ficar dois meses no hospital a recuperar numa cadeira de rodas reflectindo no sentido da vida, percebeu que os temas para a sua música estavam mesmo ali debaixo do nariz, na vida das "common people" dos subúrbios.
E agora, para as pessoas de esquerda que lêem este blogue, se clicarem aqui habilitam-se a ganhar um iPad igual ao das pessoas de direita.
E agora, para as pessoas de esquerda que lêem este blogue, se clicarem aqui habilitam-se a ganhar um iPad igual ao das pessoas de direita.
meu querido mês de Agosto
Os meus verões tendem a ser iguais de há uns anos para cá. Os escritórios esvaziam de tudo o que tem crias e responsabilidades familiares enquanto eu fico até Setembro pelo menos. Agosto é sagrado. Dizer a um português para não ir para o
Algarve em Agosto deve ser o mesmo que dizer a um pinguim da antárctica para não marchar. As visitas no blogue caem a pique e fica apenas um resíduo de utilizadores de iPhone e iPad e outros que não tenham responsabilidades familiares. Não desgosto da situação. Durante este período Lisboa fica deserta, o trânsito é rarefeito embora enervante devido às pessoas que conduzem em modo "férias": braço de fora, carro cheio de tralha e/ou crianças, 30 à hora, apatia perante um semáforo verde aberto etc. Também é aborrecido quando todos os cafés e restaurantes de um determinado raio geográfico da cidade fecham todos ao mesmo tempo. Gosto da experiência de testar o que será Lisboa no início de 2014 quando sairmos do euro. Infelizmente este ano as coisas tenderão a ser mais complicadas para o meu lado, a nível de trabalho, pois é o fim de um projecto meu muito importante para uma multinacional localizada numa grande cidade do hemisfério sul que está em pleno período de trabalho, muito activa, e que nos últimos meses me tem enviado pelo menos um e-mail por dia com pedidos que vão desde o "é absolutamente necessário reduzir o prazo da etapa 4 de 15 dias para 2" ao "enviem-nos isso de novo mas agora queremos isso em azul, de trás para a frente e em mandarim". Quando for lá, logo nos primeiros dias de setembro, vou ter três apresentações para três equipas de marketing diferentes, hostis e encarniçadas, daquelas que levam o mundo do trabalho global a sério e não são de todo ursos feiticeiros. A minha motivação também é excelente. Entre layoffs, despedimentos, atraso nos salários e cortes de custos (já nem tenho café de borla) é extremamente provável que a empresa feche em breve. As chaves do carro alemão vão ser devolvidas no fim deste mês. Perguntaram-me se queria comprar o remanescente do leasing. Apesar de achar excelente a ideia de adquirir um reluzente bólide alemão para me reconfortar no desemprego, recusei. Se ficar livre vou ter tempo para mim, desde que resista às oportunidades de emprego e empreendedorismo que não faltam a quem tenha um mindset neoliberal. Mas não queria. Só preciso de um computador, uns tostões para comida e cerveja. Livros já eu tenho, pois acumulei um belo espólio de coisas que ainda não li. São os meus sonhos. Queria começar outra coisa e atirar para o lixo o passado, tirar estas roupas. Gostava de descer até um chão simples, mesmo que modesto e inóspito, e poder ser um urso feiticeiro real ou um pinguim concreto em vez de viver no surrealismo do mundo dos negócios.
terça-feira, 24 de julho de 2012
sou um urso feiticeiro
muahahahaahahh!
Às vezes tento sobreviver aos dias de trabalho stressante, criando um mundo alternativo de fantasia em que sou outra pessoa, neste caso, um urso feiticeiro que foi apanhado numa terrível maldição que o obriga a fingir que é um ser humano que é consultor e faz powerpoints. Então tem de representar o dia todo e observar como os outros agem e imitá-los, enquanto não descobre forma de quebrar o feitiço. É um jogo divertido, embora crie alguns problemas de relacionamento profissional visto que o urso feiticeiro não percebe nada do que faz, só percebe de mel (há muitos tipos de mel), frutos silvestres, florestas, tocas, salmão etc. Também percebe de feitiços mas são feitiços um bocado inúteis nesta situação porque não há aqui salmões vivos sequer. Enfim. Preciso de dormir também.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
«há muitos licenciados a esconder habilitações para arranjar trabalho» - Público
«...mais uma entre muitos recém-licenciados e mestres que têm de omitir habilitações e criar várias versões do curriculum vitae (CV), de forma a garantir que a chamem mais depressa para entrevistas de trabalho...»
«Já me aconteceu numa entrevista dizer que sou licenciada e, do outro lado, responderem-me: "Que pena... se tivesse só o 12.º ano ficava mais baratinha.»
«já foi preterida por ter mais formação do que as pessoas que seriam suas superiores hierárquicas ou colegas»
«já foi mesmo aconselhada por uma empresa de recursos humanos a reduzir o currículo. A mensagem que lhe passaram foi: "Tem de tirar coisas do seu CV".»
- Público
«Já me aconteceu numa entrevista dizer que sou licenciada e, do outro lado, responderem-me: "Que pena... se tivesse só o 12.º ano ficava mais baratinha.»
«já foi preterida por ter mais formação do que as pessoas que seriam suas superiores hierárquicas ou colegas»
«já foi mesmo aconselhada por uma empresa de recursos humanos a reduzir o currículo. A mensagem que lhe passaram foi: "Tem de tirar coisas do seu CV".»
- Público
quarta-feira, 18 de julho de 2012
lá por sermos geeks, não significa que não f**amos com regularidade
Volta e meia oiço a boca. A última vez foi quando abri no escritório, todo excitado, a caixa do Mansions of Madness (inspirado na obra de Lovecraft) e comentei para os curiosos à minha volta: - Vou fartar-me de jogar com a Plaft esta noite! Muaahah vou ser o keeper e mandar-lhe zombies e shoggoths para cima e levá-la à loucura com trauma cards!
É inevitável ouvir o comentário seguinte.
- Há coisas melhores para fazerem, não?
Não sei como é a vida dos outros casais que vivem juntos, mas pelos comentários que oiço, imagino que seja romance, sexo e vida social (ou tudo ao mesmo tempo) 365 dias por ano. Eu sei que levar a Plaft à loucura e ao suicídio pelo intermédio de cartas num jogo de terror é algo que muitos outros casais considerariam pouco romântico e até algo mórbido. Concedo.
Mas nenhuma destas actividades implica uma maior ou menor quantidade de sexy time do que qualquer outra actividade como ver tv ou ir ao shopping.
Aliás, já estamos a pensar em cenários para o Mansions Of Madness (dá para desenvolver os próprios cenários) que envolvam sexo real para criar uma envolvência maior. Deixo aqui o rascunho de um deles, chama-se "The House of The Lesbian Witches".
Este é o intrépido Aschan Pete e entra na mansão com a guitarra e o Bobby.
O Pete quer apenas um sítio para passar a noite e tocar umas do unplugged dos nirvana. Chega lá e dá com um bando de bruxas mal encaradas. Elas não querem nada com o Pete porque são lésbicas e mostram-lhe as mamas para gozarem com ele 'querias disto não é? toma toma, não é para ti muahahahah' e lançam-lhe trauma cards que dão impotência por um turno.
O Pete tem de as encontrar pela casa, com a ajuda do Bobby e de cada vez que encontra uma, deve fazer um teste de destreza e ir-lhe à cona (se estiver na mesma casa) ou, se estiver a uma casa de distância fazer um teste de pontaria e vir-se para as mamas delas. A lésbica fica curada e passa a fazer parte do exército do Pete.
De cada vez que uma bruxa é convertida em boazona, subsitui-se pelo boneco da Jenny Barnes que é especialista a fazer broches ao Pete para lhe restabelecer a energia e dar-lhe tesão para depois o ajudar a converter mais bruxas lésbicas.
É uma ideia bastante básica e ainda está em desenvolvimento, a Plaft discorda do número de jogadoras necessárias e de alguns elementos.
Em retaliação está a desenvolver um cenário em que o Pete entra na House of The José Luís Peixoto Readers.
São zombies gays e o Pete tem de fugir porque eles tentam enrabá-lo e dar-lhe damage tokens no cu. Podem também dar-lhe horror tokens se lerem poesia do José Luís Peixoto a pelo menos 3 casas de distância. Se a sanidade do Pete for reduzida à zero ele fica um zombie também.
O objectivo do Pete seria destruir o próprio José Luís Peixoto, aqui representado pelo boneco mais parecido com ele que eu encontrei.
terça-feira, 17 de julho de 2012
este é praí o meu 14º texto sobre TPM mas...
... a Plaft quando está em vésperas do período chora, do nada. Mas tipo, do nada. Está muito bem e começa a chorar. E eu pergunto-lhe 'o que foi baby? estiveste a ler Schopenhauer outra vez? viste aquele programa da manhã, o da TVI? É horrível não é? A voz da gaja...' e ela diz 'não é nada disso' e eu 'é o quê então?' e ela 'não é nada' e continuam a escorrer-lhe lágrimas tímidas e perfeitas nas faces sardentas de miúda. Fica mesmo sexy assim a chorar, os olhos verdes liquefeitos em esmeraldas fluídas. Eu gosto. Dá-lhe um ar de Bibi Andersen ou outra estrela de filme do Bergman, assim sueco, em que as mulheres choram com elegância. Porque ela é actriz e então as actrizes devem ser assim, nervos à flor da pele, uma alma inflamável como éter. Surpreende-me sempre quando de repente se assoa muito, porque não imaginaria que tal ser etéreo e intangível pudesse ter muco como os meros mortais. Também é um aviso de que devo ser o mais querido e romântico possível e compreensivo e tratá-la com carinho e amor, cozinhar coisas boas, ouvi-la conversar comigo... Dali por dois dias vem o período e é bom aproveitar enquanto dá, depois é aproveitar para descansar um bocado e sair com amigos. Enfim, eu pergunto-lhe 'o que foi?' e ela dá aquelas respostas 'nada' e eu 'quem nada não se afoga ehehe' e quando ela não ri, é porque está com a TPM e o sentido de humor fica afectado.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
expliquem-me isto
Esta dúvida surge-me sempre que vejo anunciar que um veículo eléctrico é livre de emissões de CO2.
Não consigo compreender isto.
Os veículos eléctricos funcionam a electricidade, com baterias.
A electricidade tem de ser gerada. Pode ser fabricada de muitas formas, incluindo formas renováveis, mas nem sempre. Nos países da OCDE a coisa é assim:
Gás: 21,6%
Carvão: 20,4%
Biomassa: 3,4%
Hidro: 2,1%
Nuclear: 11%
Petróleo: 40,8%
Outras: 0,7%
Vou evitar falar no caso concreto de Portugal. Temos 15% de renováveis, sendo 13% hidro e a meta é chegar aos 30% em 2020. Também não vou falar nos impactos ecológicos das barragens que estão muito para além da minha parca compreensão, mas quero apenas frisar que a "emissão de CO2" não é a única coisa má para o ambiente digamos assim.
Todas aquelas fontes de energia, excepto a hidro, nuclear (que tem outros problemas...) e o "outras" geram CO2 ao produzir electricidade.
Fossil Fuel Emission Levels
- Pounds per Billion Btu of Energy Input
Muito bem. Portanto, podemos dizer que em média na OCDE 85% da energia eléctrica produzida emite CO2, sem contar com os 11% do nuclear que daria uns 95% de energia poluente.
Agora falemos de entropia. Produzir energia eléctrica com petróleo num sítio, processar e transportar essa energia eléctrica numa rede imensa cheia de dissipação, consumos ineficientes e desperdícios, carregar uma bateria normalmente mais densa e pesada que o volume equivalente de combustível e que tem um output inferior à energia que recebe e, no final, produzir movimento ou força motora, parece-me algo ineficiente e não sei se compensa o facto do motor eléctrico ser substancialmente mais eficiente que um motor a combustão a nível de utilização da energia. Por ex: o veículo também alimenta a bateria nas travagens ou descidas, algo que não acontece nos veículos a combustível em que tudo é perdido.
Em qualquer caso, parece-me desonesto dizer que não existem emissões de CO2 quando a quase totalidade da energia que faz um veículo eléctrico funcionar é produzida com libertação de C02, a não ser que o proprietário ligue o carro a uma ficha de electricidade de um gerador eólico que tenha no quintal. Se estiver enganado, expliquem-me.
Não consigo compreender isto.
Os veículos eléctricos funcionam a electricidade, com baterias.
A electricidade tem de ser gerada. Pode ser fabricada de muitas formas, incluindo formas renováveis, mas nem sempre. Nos países da OCDE a coisa é assim:
Gás: 21,6%
Carvão: 20,4%
Biomassa: 3,4%
Hidro: 2,1%
Nuclear: 11%
Petróleo: 40,8%
Outras: 0,7%
Vou evitar falar no caso concreto de Portugal. Temos 15% de renováveis, sendo 13% hidro e a meta é chegar aos 30% em 2020. Também não vou falar nos impactos ecológicos das barragens que estão muito para além da minha parca compreensão, mas quero apenas frisar que a "emissão de CO2" não é a única coisa má para o ambiente digamos assim.
Todas aquelas fontes de energia, excepto a hidro, nuclear (que tem outros problemas...) e o "outras" geram CO2 ao produzir electricidade.
Fossil Fuel Emission Levels
- Pounds per Billion Btu of Energy Input
| Pollutant | Natural Gas | Oil | Coal |
| Carbon Dioxide | 117,000 | 164,000 | 208,000 |
Muito bem. Portanto, podemos dizer que em média na OCDE 85% da energia eléctrica produzida emite CO2, sem contar com os 11% do nuclear que daria uns 95% de energia poluente.
Agora falemos de entropia. Produzir energia eléctrica com petróleo num sítio, processar e transportar essa energia eléctrica numa rede imensa cheia de dissipação, consumos ineficientes e desperdícios, carregar uma bateria normalmente mais densa e pesada que o volume equivalente de combustível e que tem um output inferior à energia que recebe e, no final, produzir movimento ou força motora, parece-me algo ineficiente e não sei se compensa o facto do motor eléctrico ser substancialmente mais eficiente que um motor a combustão a nível de utilização da energia. Por ex: o veículo também alimenta a bateria nas travagens ou descidas, algo que não acontece nos veículos a combustível em que tudo é perdido.
Em qualquer caso, parece-me desonesto dizer que não existem emissões de CO2 quando a quase totalidade da energia que faz um veículo eléctrico funcionar é produzida com libertação de C02, a não ser que o proprietário ligue o carro a uma ficha de electricidade de um gerador eólico que tenha no quintal. Se estiver enganado, expliquem-me.
à primeira vista
«Ter sido presidente da assembleia geral de uma Associação de Folclore foi um dos aspetos valorizados na experiência profissional do ministro. Currículo valeu-lhe 160 dos 180 créditos necessários para concluir a licenciatura na Lusófona.» - Expresso
Em janeiro já tinha escrito um aparte sobre Relvas, caracterizando-o como uma daquelas «pessoas que não entendemos bem a necessidade de existirem no nosso televisor».
A expressão facial de Relvas e muito especialmente o olhar, traduz uma enorme tensão / contenção de quem tem intenções férreas e um pragmatismo a toda prova. Uma espécie de desprezo, desprezo por obstáculos aos planos simples cogitados na sua mente em funil, que pensa numa coisa de cada vez. Esta tensão acabou por traí-lo ao ser libertada no caso da jornalista do Público. O facto de ter surgido do nada como número 2 de um governo, quando não se lhe conheciam quaisquer capacidades para lá de usar um telefone, conhecer pessoas, ter um curso na Lusófona e ser presidente de coisas como associação de folclore, é raro e próprio de alguém sem sede de protagonismo público, uma vez que uma maior discrição evita chamar a atenção para coisas menos positivas do passado, como, aliás, tem vindo a acontecer. Os olhos pequeninos são frios e inexpressivos, o que traduz a falta do que se pode chamar de "calor humano" e sentido de humor. O cabelo curto e a escolha de fatos, tudo austero e sem uma marca de vaidade assumida acentuam ainda mais o pragmatismo e a ausência de "alma". A forma do rosto, larga e quadrada, o queixo agressivo, a cabeça atarracada nos ombros, revelam origens humildes ou rurais, uma espécie de labrego com um fato e gravata que lida com o mundo da política como lidaria com uma negociação de ração para porcos, assim com uns esquemas pelo meio. E é isto, um número 2 de um governo português, em 2012.
Em janeiro já tinha escrito um aparte sobre Relvas, caracterizando-o como uma daquelas «pessoas que não entendemos bem a necessidade de existirem no nosso televisor».
A expressão facial de Relvas e muito especialmente o olhar, traduz uma enorme tensão / contenção de quem tem intenções férreas e um pragmatismo a toda prova. Uma espécie de desprezo, desprezo por obstáculos aos planos simples cogitados na sua mente em funil, que pensa numa coisa de cada vez. Esta tensão acabou por traí-lo ao ser libertada no caso da jornalista do Público. O facto de ter surgido do nada como número 2 de um governo, quando não se lhe conheciam quaisquer capacidades para lá de usar um telefone, conhecer pessoas, ter um curso na Lusófona e ser presidente de coisas como associação de folclore, é raro e próprio de alguém sem sede de protagonismo público, uma vez que uma maior discrição evita chamar a atenção para coisas menos positivas do passado, como, aliás, tem vindo a acontecer. Os olhos pequeninos são frios e inexpressivos, o que traduz a falta do que se pode chamar de "calor humano" e sentido de humor. O cabelo curto e a escolha de fatos, tudo austero e sem uma marca de vaidade assumida acentuam ainda mais o pragmatismo e a ausência de "alma". A forma do rosto, larga e quadrada, o queixo agressivo, a cabeça atarracada nos ombros, revelam origens humildes ou rurais, uma espécie de labrego com um fato e gravata que lida com o mundo da política como lidaria com uma negociação de ração para porcos, assim com uns esquemas pelo meio. E é isto, um número 2 de um governo português, em 2012.
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