Nos momentos mais difíceis da minha vida,
em que as nuvens nos olhos não me deixam ver o sol,
o meu coração está magoado de fúria e amor perdido,
o meu ego é reduzido a cinzas,
a noite escura não termina nunca,
a lâmina da navalha roça os pulsos
os pés balançam no vazio de um abismo
cheio de ecos de risos
de uma rapariga bonita
que me esqueceu
ou que eu esqueci
e não quero mais
viver
e perco toda
a esperança..
há uma música...
que surge sempre...
e me fala ao coração...
e me reconforta...
e fala comigo com uma voz
sábia e amiga...
e me diz...
está tudo bem...
vais safar-te.
LOCOMOTION! :D ALL ABOARD!!!1!!
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
33% da vida do Autor
powerpoint
copy paste :D
copy
paste :D
download excel? :\
yes! :D click
save, open?...
open!:D
save... *click*
insert chart :P
click click click click the night away
select font
click click
drag and drop copy paste
paste paste :D
group ungroup select... ALL!! ALL! AHAHAHAHAHA :D
ahh..
ah...
humpf... a música só durou 2:18... :(
*pausa*
fumar.
-_- meditar.
Open blogger
um coelho na autoestrada
encadeado pela luz
dos teus olhos
é como um
coelho
numa autoestrada
encadeado
pela luz etc.
e assim
sucessivamente
post?
post, está fabuloso, genial -_-
*fim de pausa*
play again? :)
:) yes! :D
copy paste :D
copy
paste :P
download excel? :\
yes! :D CLICK
(...)
«Líderes europeus discutem hoje desemprego»
- Oh hi! It must be terrible to be unemployed, don't you think?
- Hello, how are you? Yes, i suppose so. Not in the first months i guess, I would certainly welcome a good long vacation.
- I know what you mean, I've been dreaming of this trip to Patagonia for years, I never seem to get the time do it.
- I have hobbies, I love gardening and colecting old coins, I would be busy. It's important to keep busy when you are unemployed, depression can get to you.
- En españa tenemos muchitos desempleados e vamos ahora fornecir un kit de desempleo, que tiene el dominó, ele barajo de quiartas para jogar la sueca, muchos sudoku...
- Yes, indeed. What did this piig say?
- I have no idea, i took off the translation headphones, they hurt my ears.
domingo, 29 de janeiro de 2012
exemplo de post padrão dos blogues #214: pedaço de letra e video de música lamechas
Um exemplo típico deste tipo de post será algo do género:
-------------------------------------------------------------------
I tell my love to wreck it all
Cut out all the ropes and let me fall
-------------------------------------------------------------------
Para além de Bon Iver, podem utilizar-se músicas de Cat Power, Smiths, Lana Del Rey, Elliott Smith etc.
Significado:
Este tipo de post é normalmente utilizado quando o blogger passou por uma experiência no campo amoroso, positiva, mista ou negativa e pretende, com economia de meios, partilhar isso e surtir um efeito do tipo "pena", "compreensão", "paixão", "sedução" etc. Simultaneamente, visa colher a empatia de todos os leitores pela sua sensibilidade, vida agitada e bom gosto musical.
Meios:
Geralmente trata-se de uma música depressiva e melancólica, com uma letra que o mesmo pensa ser representativa dos seus sentimentos únicos e, como tal, o coloca no mesmo plano elevado que o artista que a compôs, colhendo por osmose as qualidades do mesmo. Por vezes torna-se extremamente complicado seleccionar um verso em específico e então posta-se a letra toda.
Resultado:
Nulo. No caso de vidas agitadas, leitores podem atribuir-se a si próprios o papel de destinatários quando não são. Quanto aos outros - considerando que se trata de um blogue lido por mais do que uma pessoa - não clicam no vídeo ou ouvem a música porque não lhes apetece interromper a leitura dos blogues e ficar a atrofiar 4 ou 5 minutos. Passam rapidamente ao próximo blogue com um sentimento de irritação. No caso de letras que transmitem um sentimento de experiência amorosa do tipo positivo a irritação é máxima. No caso da mesma transmitir uma experiência amorosa do tipo sofrido ou negativo, o blogger só demonstra não ter auto-estima e é constrangedor e embaraçoso.
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I tell my love to wreck it all
Cut out all the ropes and let me fall
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Para além de Bon Iver, podem utilizar-se músicas de Cat Power, Smiths, Lana Del Rey, Elliott Smith etc.
Significado:
Este tipo de post é normalmente utilizado quando o blogger passou por uma experiência no campo amoroso, positiva, mista ou negativa e pretende, com economia de meios, partilhar isso e surtir um efeito do tipo "pena", "compreensão", "paixão", "sedução" etc. Simultaneamente, visa colher a empatia de todos os leitores pela sua sensibilidade, vida agitada e bom gosto musical.
Meios:
Geralmente trata-se de uma música depressiva e melancólica, com uma letra que o mesmo pensa ser representativa dos seus sentimentos únicos e, como tal, o coloca no mesmo plano elevado que o artista que a compôs, colhendo por osmose as qualidades do mesmo. Por vezes torna-se extremamente complicado seleccionar um verso em específico e então posta-se a letra toda.
Resultado:
Nulo. No caso de vidas agitadas, leitores podem atribuir-se a si próprios o papel de destinatários quando não são. Quanto aos outros - considerando que se trata de um blogue lido por mais do que uma pessoa - não clicam no vídeo ou ouvem a música porque não lhes apetece interromper a leitura dos blogues e ficar a atrofiar 4 ou 5 minutos. Passam rapidamente ao próximo blogue com um sentimento de irritação. No caso de letras que transmitem um sentimento de experiência amorosa do tipo positivo a irritação é máxima. No caso da mesma transmitir uma experiência amorosa do tipo sofrido ou negativo, o blogger só demonstra não ter auto-estima e é constrangedor e embaraçoso.
sábado, 28 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
o autor mandou-me dizer que saiu o nº5 da "zine mais linda do mundo".
Download gratuito aqui O Autor mandou-me dizer para ir depressa, antes que a SOPA e a PIPA mandem abaixo o mediafire.
O Autor também me mandou agradecer à Maria Sousa e ao Nuno Abrantes e à R. pela crítica e revisão.
Pronto, dás-me as cervejas agora? Ah, e para que conste não foste tu que criaste o monstro, não foste tu que ganhaste o bilf, é patético, os outros com prémios literários e tu como não tens nada para exibir no currículo metes aquilo e ainda falas no "romance"....
não devia ser esta a intenção da musica, mas quando oiço...
... penso no Cais do Sodré e nos bares de alterne com luzes neon rosa e azul e com más stripers e prostitutas ao colo velhos de charuto na boca e toda gente tão feia e uma pessoa dilui-se num copo de whiksy de contrabando e está tudo bem.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
profissões de escritor #1
Pedi aos meus fãs no facebook que me sugerissem profissões daquelas que ficam bem na nota biográfica de um escritor na contracapa de uns livros. Deram-me umas quantas. Dado que sou muito influenciável e só sei escrever sobre o que sei, suponho que minha escrita em cada uma das profissões seria algo do género:
Sugestão:Ser como o Jack London
A minha casa está a precisar de reparações, o peso do nevão de ontem foi demais no toldo tenda decathlon e o Dentuço roeu uma das cordas e ainda mijou em cima do saco cama que estava a secar. Não lhe levei a mal, estávamos ambos bastante bêbedos, não lhe devia ter misturado Jack Daniels no pedigree pal. É um bom local esta clareira na floresta, mas para arranjar bebida tenho de fazer doze quilómetros pela neve até à estalagem. O pior de tudo são os turistas no natal e fim de ano. A Serra da Estrela torna-se inóspita e perigosa. Descem as encostas sentados em sacos de plástico e pneus. Almoçam em grupos de dez ou vinte pessoas, com Toni Carreira nos carros vermelhos estacionados com as portas abertas. Eu e o Dentuço ficamos a observá-los, escondidos, à espera de um oportunidade para roubar uma lancheira ou um pack de sagres.
Sugestão: Acompanhante de mulheres carentes de sexo e emoções
Achei enternecedor que Sónia não soubesse porque viera ter comigo e atribuísse a esse súbito impulso a necessidade de “conversar com alguém”. Não estava a mentir, estava mesmo convencida disso, apesar do vestido azul e do perfume traírem o esforço de esconder o desejo de me ter dentro dela. Falou-me de poesia, de como o marido não entendia poesia e não percebia a beleza das coisas e que eu era diferente. Pobre coitado, imaginei-o perplexo, de controlo remoto na mão, a não perceber porque ela não o deixava ver o futebol em paz e o aborrecia com poesia. Deixei-a acreditar na fantasia, enternecido. Era melhor para ambos conferir um pouco de dignidade a tudo. Servi-nos champanhe. Bebeu como uma flor seca num deserto de amor.
Sugestão: Sindicalista
Hoje, o patrão ofereceu-me um café na reunião de negociação de direito a não sermos despedidos na eventualidade da empresa falir por catástrofe natural e/ou holocausto nuclear. A sua reluzente nespresso nova, a contrastar com o negrume de fuligem e óleo que cobre o meus camaradas, os seus corpos explorados, o seu futuro, os seus filhos. As mãos dele, leitosas e finas, mãos de burguês, delicadas, habituadas a passar cheques e assinar documentos que são sentenças da nossa dignidade... Estendeu-me o copo fumegante, com um sorriso hipócrita. Recusei, não sou subornável, disse-lhe isso na cara e abandonei a reunião. Greve!
Sugestão: recepcionista num consultório de ginecologia
Não sei o que se passa comigo, devo ter qualquer coisa de errado, não consigo arranjar namorada Sou solteiro, tenho um emprego aborrecido mas honesto e as únicas pessoas que vejo são as pacientes que vêm ao consultório de ginecologia. Acho normal meter alguma conversa e tentar conhecê-las. Primeiro imagino como são, só pela conversa ao telefone a marcar a consulta com o Doutor. E depois vejo se são iguais ao que eu imaginava quando aparecem na consulta. É um jogo divertido e tornei-me bastante bom nele, apesar de ser surpreendido de quando em vez. Antes fazia-lhes perguntas ao telefone, se eram altas ou baixas, morenas ou loiras, mas acabavam por cancelar a consulta ou simplesmente desligavam-me o telefone na cara e o Doutor começou a estranhar a ausência de marcações. Mas aqui, no consultório, não entendo. Vê-se logo que sou uma pessoa simpática e honesta, não compreendo porque não me respondem ou aparentam incómodo quando, ao saírem da consulta, lhes pergunto se posso ser útil em alguma coisa em particular ou se querem jantar comigo.
(continua)
Sugestão:Ser como o Jack London
A minha casa está a precisar de reparações, o peso do nevão de ontem foi demais no toldo tenda decathlon e o Dentuço roeu uma das cordas e ainda mijou em cima do saco cama que estava a secar. Não lhe levei a mal, estávamos ambos bastante bêbedos, não lhe devia ter misturado Jack Daniels no pedigree pal. É um bom local esta clareira na floresta, mas para arranjar bebida tenho de fazer doze quilómetros pela neve até à estalagem. O pior de tudo são os turistas no natal e fim de ano. A Serra da Estrela torna-se inóspita e perigosa. Descem as encostas sentados em sacos de plástico e pneus. Almoçam em grupos de dez ou vinte pessoas, com Toni Carreira nos carros vermelhos estacionados com as portas abertas. Eu e o Dentuço ficamos a observá-los, escondidos, à espera de um oportunidade para roubar uma lancheira ou um pack de sagres.
Sugestão: Acompanhante de mulheres carentes de sexo e emoções
Achei enternecedor que Sónia não soubesse porque viera ter comigo e atribuísse a esse súbito impulso a necessidade de “conversar com alguém”. Não estava a mentir, estava mesmo convencida disso, apesar do vestido azul e do perfume traírem o esforço de esconder o desejo de me ter dentro dela. Falou-me de poesia, de como o marido não entendia poesia e não percebia a beleza das coisas e que eu era diferente. Pobre coitado, imaginei-o perplexo, de controlo remoto na mão, a não perceber porque ela não o deixava ver o futebol em paz e o aborrecia com poesia. Deixei-a acreditar na fantasia, enternecido. Era melhor para ambos conferir um pouco de dignidade a tudo. Servi-nos champanhe. Bebeu como uma flor seca num deserto de amor.
Sugestão: Sindicalista
Hoje, o patrão ofereceu-me um café na reunião de negociação de direito a não sermos despedidos na eventualidade da empresa falir por catástrofe natural e/ou holocausto nuclear. A sua reluzente nespresso nova, a contrastar com o negrume de fuligem e óleo que cobre o meus camaradas, os seus corpos explorados, o seu futuro, os seus filhos. As mãos dele, leitosas e finas, mãos de burguês, delicadas, habituadas a passar cheques e assinar documentos que são sentenças da nossa dignidade... Estendeu-me o copo fumegante, com um sorriso hipócrita. Recusei, não sou subornável, disse-lhe isso na cara e abandonei a reunião. Greve!
Sugestão: recepcionista num consultório de ginecologia
Não sei o que se passa comigo, devo ter qualquer coisa de errado, não consigo arranjar namorada Sou solteiro, tenho um emprego aborrecido mas honesto e as únicas pessoas que vejo são as pacientes que vêm ao consultório de ginecologia. Acho normal meter alguma conversa e tentar conhecê-las. Primeiro imagino como são, só pela conversa ao telefone a marcar a consulta com o Doutor. E depois vejo se são iguais ao que eu imaginava quando aparecem na consulta. É um jogo divertido e tornei-me bastante bom nele, apesar de ser surpreendido de quando em vez. Antes fazia-lhes perguntas ao telefone, se eram altas ou baixas, morenas ou loiras, mas acabavam por cancelar a consulta ou simplesmente desligavam-me o telefone na cara e o Doutor começou a estranhar a ausência de marcações. Mas aqui, no consultório, não entendo. Vê-se logo que sou uma pessoa simpática e honesta, não compreendo porque não me respondem ou aparentam incómodo quando, ao saírem da consulta, lhes pergunto se posso ser útil em alguma coisa em particular ou se querem jantar comigo.
(continua)
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
nota-se aqui um padrão
Depois da publicação na Salazar, segue-se a publicação de um conto do Autor na revista A Sul de Nenhum Norte, uma publicação que é a escolha de Adolfo Luxúria Canibal. O nº5 deve sair amanhã ou quinta. O Autor está em pulgas. Literalmente, porque no fim de semana deixou que a Julieta se roçasse nele depois de rebolar (ela) no feno.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
ADD
Estou a gostar muito deste livro sobre escrever ficção do John Gardner, aquilo de me chatear com as tais fontes de autoridade foi só por embirrar, aprendi a fazer isso com os meus pais desde pequeno. Não me está a ensinar nada, mas é muito útil para angariar argumentos para depois poder embirrar com os aspirantes a escritor sem ser com argumentos básicos como "não és uma pessoa interessante, nunca vais escrever nada de jeito se não te divorciares e renegares os teus filhos e fores alcoólico". Gosto muito da parte em que sublinha que uma das funções essenciais da ficção é entreter e ter interesse e até me deu vontade de chorar quando falou em comics e no Howard The Duck, classificando essas coisas como artisticamente mais elevadas que exercícios estéreis muito bem elaborados mas chatas como tudo e que só servem para se masturbarem uns aos outros em conferências e lançamentos de livros (esta parte fui eu que acrescentei). Há décadas que não me canso de explicar que o Howard The Duck (4.2 em 10 no IMDB) ou jogos como o Grand Theft Auto - Vice City são obras primas da humanidade, mas nem é por isso. Há obras que claramente ambicionam a criar impacto por um efeito estético e formal. Era capaz de colocar o Ada Ou Ardor do Nabokov nesse campeonato. Só que o Nabokov é o Nabokov e perdôo-lhe aquela primeira parte cheia de barreiras a um leitor como eu, pouco resistente e com ADD induzido por videogames e lolcats. Ao comum dos mortais é preferível concentrar-se numa história sobre um pato que vem do espaço e conseguir fazer a coisa com estilo disso (não é fácil). Ou sobre, essencialmente, nada de especial. O falhanço é aborrecer, o falhanço é aborrecer. Não há desculpa para não arrancar um "foda-se!" de alguém, não falamos de números aqui, os números são irrelevantes e enganadores, mas tem de haver alguém assim fixe que diga "foda-se!" (no bom sentido) ou então estamos a fazer uma coisa mal. Rio-me muito (na verdade enervo-me muito) quando dizem que levo o meu blogue muito a sério ou quando tenho de ficar calado quando a minha mãe diz aos amigos distintos e respeitáveis, todos pessoas com idade e que coleccionam arte sacra, pintam, tocam cravinho e fazem coisas na gulbenkian, que eu escrevo e tenho um blogue. Mete-me sempre em alhadas tremendas e eu disfarço e digo que é só um hobbie (nem sequer digo hobbit) e que a minha mãe é um pouco maluca, não tenho blogue nenhum e ela diz no seu sotaque belga "sim filhe, tu tenj'um blóg"mas à 3ª cotovelada cala-se. E depois, interrompendo o silêncio que se forma porque toda gente pensa "coitada, é mãe dele", a minha mãe começa a falar no pêlo que a Lucy larga pela casa e todos falam de forma entusiasmada dos respectivos cães e gatos e nas respectivas consequências da posse dos respectivos animais e transformam-se em patetas e imitam os seus animais, às vezes ladram e tudo e esquecem-me. Mas eu estou atento, a observar, posso parecer um palerma agarrado ao vinho do Porto com 20 anos, mas não sou. Já não me lembro onde queria chegar quando comecei este post mas não me apetece rever.
"Recebi um SMS da minha mãe a perguntar se eu estava vivo. VOU AQUI Respondi 'não' e adormeci no sofá."
Para me orientar na revisão do romance e nas 270 páginas escrevo "VOU AQUI" quando acabo de rever e depois no dia seguinte faço um "FIND VOU AQUI" e pimbas, é directo. O problema é que às vezes escrevo vários VOU AQUI e esqueço-me e salto de página para página. Isto a ser revisto por alguém com espírito poético pode acabar por conter alguns VOU AQUI inesperados a meio de frases. O revisor poético pode interpretar os VOU AQUI como um marca de estilo, uma espécie de síndrome de tourette literário e deixá-los passar.
"a reforma não chega para pagar as minhas despesas"
Já lá estive, embora com um salário mais modesto. O primeiro passo é admitir que se tem um problema. Pressupondo que ele não vai a casinos (pelo menos legais) devido à exposição pública, e que o problema é específico do jogo online, a maior parte dos sites de jogo permitem que uma pessoa se possa banir por um período superior a 6 meses. E aquilo funciona mesmo bem, pelo menos na bwin e betclick funcionou. Coragem.
o livro é este (e custou-me uns 2 euros na feira do livro)
(e não, não é uma metáfora de nada, é até bastante literal)
o tema de coisas inesperadas em Marte é bastante recorrente.
o tema de coisas inesperadas em Marte é bastante recorrente.
A Confraria do Vinho
Acabei de ler A Confraria do Vinho do John Fante e fiquei muito satisfeito e comovido. O Fante é um escritor que não sabe bem o que está a fazer e como eu também não sei muito bem criticar, o melhor é ficarmos assim. Obrigado, senhor Fante.
sábado, 21 de janeiro de 2012
autoridade
Estou a ler o Art of Fiction - Notes on Craft For Young Writers do John Gardner. No género parece-me bom, talvez o melhor que li. Ciclicamente (3 em 3 anos mais ou menos) faço isto a mim próprio, pego em livros relacionados com "escrita" e digo que vou ser humilde e à 2ª ou 3ª página já estou a abanar a cabeça. Apesar de sóbrio, académico e com uma visão crítica fundamentada (neste falam de Joyce, Dante, Steinbeck, Homero, Hemingway, Lowry ou Becket e não de obscuros autores), não deixa de conter as naturais contradições inerentes a qualquer livro que se proponha a ajudar a criar arte melhor, contradições que o próprio John Gardner reconhece. Por exemplo, John Gardner faz a apologia da Universidade como a melhor incubadora para um grande escritor quando, uma ou duas páginas antes, reconhece que os escritores costumam detestar o academismo e que as universidades raramente produzem um grande escritor. Também diz que a grande a autoridade do escritor vem de duas coisas(vou traduzir rapidamente): "a sua sanidade humana; isto é, a confiança nele como juiz das coisas, uma estabilidade baseada na soma das complexas qualidades do seu carácter e personalidade (sabedoria, generosidade, compaixão, força ou vontade) a que nós reagimos, como reagimos ao que é melhor nos nossos amigos, com instantâneo reconhecimento e admiração, dizendo, "sim, tens razão, é assim mesmo que é" e "a confiança absoluta nos seus próprios julgamentos estéticos e instintos".
Bom, se a segunda afirmação não me deixa qualquer dúvida, a primeira encerra várias contradições. Não pelos escritores clássicos cuja autoridade se encaixa perfeitamente nestas duas fontes - penso por exemplo em Dostoiévski, de longe o homem com maior autoridade humana que jamais pisou o planeta terra - mas nas excepções, aquelas em que o artista está absolutamente encerrado num universo próprio. Evitando abordar a poesia e os seus frequentes "não tens razão, isso não é nada assim" que me provoca, posso citar o Estrangeiro de Camus. As obras primas Fome, de Knut Hamsum ou toda a trilogia de Becket (Molloy, Malone, Watt) são desprovidas de sabedoria, generosidade, força ou vontade. As personagens de Kafka também nos enclausuram num pesadelo, em que todas, incluindo (e especialmente) o protagonista, agem de forma contra-intuitiva, cobarde, autista e insondável, não existindo da parte do narrador qualquer ajuda, o que contribui para a angústia do leitor. Nestas obras o papel da compaixão, generosidade, força ou vontade é todo deixado ao leitor, se lhe apetecer nutrir tais sentimentos e exibir essas qualidades. Frequentemente, não as tem, e as críticas negativas, prisões, cemitérios e arquivos de censura ficam cheias de Danil Harms, Luiz Pachecos, Gogóis e Jonathan Swifts. Não pretendo exagerar o sentido da afirmação de John Gardner, apenas a levei ao extremo. Pensar assim pode explicar a sua apreciação da obra As Vinhas da Ira de Steinbeck, uma obra que considera medíocre porque é simplista e só mostra um dos lados das coisas e não lhe arrancou nenhum "tens razão, é mesmo assim".
Num apontamento à parte, no outro dia explicava a alguém porque considero o humorista Bruno Nogueira incomparavelmente superior a Ricardo Araújo Pereira e o argumento que usei foi precisamente este. No primeiro, reconheço a autoridade do talento, do universo estético próprio e de nos mostrar "tens razão, não é nada assim que as coisas são" (basta pensar no enorme desafio que nos foi colocado pela reavaliação humorística de pessoas que nos habituamos a desprezar como o Roberto Leal, o Marco ou a Luciana Abreu). Ao segundo, reconheço um profissional talentoso que se leva a sério e de vez em quando resvala para as oportunidades de arrancar "tens razão, é assim mesmo que é", mesmo que o exercício não constitua qualquer desafio artístico (ironizar sobre um cartaz do PNR, desconstruir Marcelo Rebelo de Sousa no referendo do aborto, satirizar Santana Lopes etc.)
Bom, se a segunda afirmação não me deixa qualquer dúvida, a primeira encerra várias contradições. Não pelos escritores clássicos cuja autoridade se encaixa perfeitamente nestas duas fontes - penso por exemplo em Dostoiévski, de longe o homem com maior autoridade humana que jamais pisou o planeta terra - mas nas excepções, aquelas em que o artista está absolutamente encerrado num universo próprio. Evitando abordar a poesia e os seus frequentes "não tens razão, isso não é nada assim" que me provoca, posso citar o Estrangeiro de Camus. As obras primas Fome, de Knut Hamsum ou toda a trilogia de Becket (Molloy, Malone, Watt) são desprovidas de sabedoria, generosidade, força ou vontade. As personagens de Kafka também nos enclausuram num pesadelo, em que todas, incluindo (e especialmente) o protagonista, agem de forma contra-intuitiva, cobarde, autista e insondável, não existindo da parte do narrador qualquer ajuda, o que contribui para a angústia do leitor. Nestas obras o papel da compaixão, generosidade, força ou vontade é todo deixado ao leitor, se lhe apetecer nutrir tais sentimentos e exibir essas qualidades. Frequentemente, não as tem, e as críticas negativas, prisões, cemitérios e arquivos de censura ficam cheias de Danil Harms, Luiz Pachecos, Gogóis e Jonathan Swifts. Não pretendo exagerar o sentido da afirmação de John Gardner, apenas a levei ao extremo. Pensar assim pode explicar a sua apreciação da obra As Vinhas da Ira de Steinbeck, uma obra que considera medíocre porque é simplista e só mostra um dos lados das coisas e não lhe arrancou nenhum "tens razão, é mesmo assim".
Num apontamento à parte, no outro dia explicava a alguém porque considero o humorista Bruno Nogueira incomparavelmente superior a Ricardo Araújo Pereira e o argumento que usei foi precisamente este. No primeiro, reconheço a autoridade do talento, do universo estético próprio e de nos mostrar "tens razão, não é nada assim que as coisas são" (basta pensar no enorme desafio que nos foi colocado pela reavaliação humorística de pessoas que nos habituamos a desprezar como o Roberto Leal, o Marco ou a Luciana Abreu). Ao segundo, reconheço um profissional talentoso que se leva a sério e de vez em quando resvala para as oportunidades de arrancar "tens razão, é assim mesmo que é", mesmo que o exercício não constitua qualquer desafio artístico (ironizar sobre um cartaz do PNR, desconstruir Marcelo Rebelo de Sousa no referendo do aborto, satirizar Santana Lopes etc.)
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
porque demoro 2 anos a fazer a merda de um romance
Raramente consigo escrever algo de jeito mais de 30 minutos, fico todo entusiasmado, afasto-me do portátil e começo a fazer a dança das zebras felizes e imagino-me no câmara clara a seduzir a Paula Moura Pinheiro a dizer coisas como "o Gonçalo Tavares? não tem humanidade, é uma máquina, uma inteligência artificial, mil vezes alguém estúpido com alma e sem medo do erro... Paula, Paula, Paula, os teus olhos... pensei que soubesse distinguir um mau escritor de um bom escritor, com esses olhos felinos... felídeos... Não sentes nada? Descontrai, não precisas de fazer o papel da senhora entrevistadora toda séria e mandona. Posso fazer eu perguntas? Pode-se fumar aqui?" e depois de me passar a fantasia vou jogar ps3 e beber mais um bocadinho e dormir e sonhar comigo a pegar num globo de ouro da sic como o lobo antunes e, francamente, no dia a seguir sou capaz de nem pegar num livro ou de nem me aproximar do computador.
holoceno
«Na escala de tempo geológico, o Holoceno ou Holocénico é a época do período Quaternário da era Cenozoica do éon Fanerozoico que se iniciou há cerca de 11,5 mil anos e se estende até o presente.»
Quando se vive a infância no campo, e especialmente nos anos 80, num Portugal ainda rural, vive-se nas estações puras, nos efeitos extremos do frio, do calor, da escuridão e da luz. A nossa vida é sincronizada com a natureza e imita a dos bichos, quer queiramos quer não, nem que seja porque a EDP demora 2 dias a restabelecer a energia depois de uma trovoada. Depois do campo fui viver a adolescência na cidade de província e convivi com o campo só aos fins de semana. Depois da adolescência, vieram as luzes de Lisboa a cintilar e o campo tornou-se uma memória, a natureza uma abstracção que se resume a escolhas de peças de roupa a mais ou menos e a regular o ar condicionado ou, no bairro alto, entre beber na rua ou dentro de um bar. Hoje o campo para mim resume-se a uma pista de BTT na melhor das hipóteses. O mais normal é ficar a olhar para ele e sentir impaciência. Se levo as cadelas da minha mãe a passear e perco de vista as casas do casal, e fico imerso em vinhas, campos de trigo, pinhais, pomares, a charneca, sinto-me impaciente em vez de me sentir pacífico e relaxado, como seria de supor. Toda aquela quietude e as memórias associadas a cada pedra, árvore, que ano após ano continuam ali, a vinha onde cortei um dedo nas vindimas e achei um coelho morto, a árvore de onde caí ao construir uma casa, o rio onde o amigo se estampou de bicicleta, a oliveira carbonizada pelo raio... É um sítio de onde se veio e onde não há futuro. Já o mar, é outra história, faz-me sentir bem, porque, para além de ser imprevisível e mutável, é um horizonte e o desconhecido.
Quando se vive a infância no campo, e especialmente nos anos 80, num Portugal ainda rural, vive-se nas estações puras, nos efeitos extremos do frio, do calor, da escuridão e da luz. A nossa vida é sincronizada com a natureza e imita a dos bichos, quer queiramos quer não, nem que seja porque a EDP demora 2 dias a restabelecer a energia depois de uma trovoada. Depois do campo fui viver a adolescência na cidade de província e convivi com o campo só aos fins de semana. Depois da adolescência, vieram as luzes de Lisboa a cintilar e o campo tornou-se uma memória, a natureza uma abstracção que se resume a escolhas de peças de roupa a mais ou menos e a regular o ar condicionado ou, no bairro alto, entre beber na rua ou dentro de um bar. Hoje o campo para mim resume-se a uma pista de BTT na melhor das hipóteses. O mais normal é ficar a olhar para ele e sentir impaciência. Se levo as cadelas da minha mãe a passear e perco de vista as casas do casal, e fico imerso em vinhas, campos de trigo, pinhais, pomares, a charneca, sinto-me impaciente em vez de me sentir pacífico e relaxado, como seria de supor. Toda aquela quietude e as memórias associadas a cada pedra, árvore, que ano após ano continuam ali, a vinha onde cortei um dedo nas vindimas e achei um coelho morto, a árvore de onde caí ao construir uma casa, o rio onde o amigo se estampou de bicicleta, a oliveira carbonizada pelo raio... É um sítio de onde se veio e onde não há futuro. Já o mar, é outra história, faz-me sentir bem, porque, para além de ser imprevisível e mutável, é um horizonte e o desconhecido.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
carta ao autor
Querido Autor,
tenho reparado que continuas como sempre na tua vida de escravo de nada. Obrigas-nos a acordar cedo demais e consegues sair da cama apesar de eu te prender a ela com o poder da preguiça ou da erecção matinal ou das fantasias eróticas. Nem a diferença térmica te consegue demover de arrastares o corpo aquecido da toca para o ar gelado da manhã ao 6º ou 7º snooze consecutivo e de tomares banho e de te esfregares todo atrás das orelhas e fazeres a barba imberbe em frente a um espelho embaciado. Escolhes a roupa a pensar nos outros, nada mudou, antes era a tua mãe que a escolhia. Se for dia de reunião é um fato, se o presidente estiver na empresa é o uniforme beto. Mas as calças de ganga, ténis e t-shirt é só se souberes de ante-mão que não há reuniões. Traste. Adorei aquela vez em que foste chamado para uma reunião surpresa com o presidente daquela empresa e tiveste de aparecer com a t-shirt dos sonic youth e os ténis vans depois de implorares para não te chamarem! Ah! AH! Isso, esconde-te cobarde!
E o trânsito, o trânsito que desaparece 10 minutos depois mas que tens de enfrentar porque 10 minutos depois chegas atrasado. Atrasado a quê? À tua cova? E ouves as notícias e o trânsito e é a mesma merda todos os dias e tu ouves e depois desligas o rádio e falas sozinho, berras, cantas, imitas vozes, imaginas poemas e porquê? Porque ninguém te está a ouvir dentro do carro alemão de 300 cavalos meu cobarde. Ouve o que eu te digo: vais morrer e quando tu morreres eu morro também porque infelizmente estamos ligados. Adorava ver-me livre de ti, adorava, porque é que foste tu a nascer e não eu?
Pensa no pai meu idiota. O velho preocupou-se toda a vida, preocupações, preocupações, preocupações, tu eras uma delas meu traste e no fim deixaste-o ir sozinho com umas pazadas de terra em cima e ficaste com a herança, a poupança de uma vida de abnegação e que tu estoiraste em jogo, brinquedos que ele não te dava no natal, jantares finos e, a única coisa de jeito, mulheres.
Lembras-te do Garoto, o cão maluco, o primeiro que tivémos? De como mordia toda gente e era um terror? Lembras-te da sensação de privilégio que era andar na rua com ele e dos teus amigos fugirem todos quando ele andava à solta, de como te sentias um Deus porque ele não te mordia a ti? E lembras-te a da perplexidade que sentiste quando ele te rasgou e arrancou a unha do indicador da mão direita e o pai que o quis matar logo ali mas não matou logo ali e só matou uns anos depois com a injecção de pentotal? Lembras-te do corpo dele embrulhado no seu velho cobertor, a ser pousado na cova ao pé da laranjeira do quintal e de como juraste que te ias vingar “das pessoas em geral por existirem”? Pensa nisso antes de voltares a vestires um fato e a certificares-te que o nó da gravata está bom e que não se nota a mancha de vinho se abotoares o casaco.
Junta-te a mim. Anda. Estou farto de ser um fantasma e flutuar por cima de ti, um adereço que te confere a ilusão de seres mais do que alguém que acaba com pazadas de terra em cima e de que tens futuro. Começa hoje. Ou vais esperar? Achas que és imortal?
ao poeta Rui Costa (1972-2012)
tenho reparado que continuas como sempre na tua vida de escravo de nada. Obrigas-nos a acordar cedo demais e consegues sair da cama apesar de eu te prender a ela com o poder da preguiça ou da erecção matinal ou das fantasias eróticas. Nem a diferença térmica te consegue demover de arrastares o corpo aquecido da toca para o ar gelado da manhã ao 6º ou 7º snooze consecutivo e de tomares banho e de te esfregares todo atrás das orelhas e fazeres a barba imberbe em frente a um espelho embaciado. Escolhes a roupa a pensar nos outros, nada mudou, antes era a tua mãe que a escolhia. Se for dia de reunião é um fato, se o presidente estiver na empresa é o uniforme beto. Mas as calças de ganga, ténis e t-shirt é só se souberes de ante-mão que não há reuniões. Traste. Adorei aquela vez em que foste chamado para uma reunião surpresa com o presidente daquela empresa e tiveste de aparecer com a t-shirt dos sonic youth e os ténis vans depois de implorares para não te chamarem! Ah! AH! Isso, esconde-te cobarde!
E o trânsito, o trânsito que desaparece 10 minutos depois mas que tens de enfrentar porque 10 minutos depois chegas atrasado. Atrasado a quê? À tua cova? E ouves as notícias e o trânsito e é a mesma merda todos os dias e tu ouves e depois desligas o rádio e falas sozinho, berras, cantas, imitas vozes, imaginas poemas e porquê? Porque ninguém te está a ouvir dentro do carro alemão de 300 cavalos meu cobarde. Ouve o que eu te digo: vais morrer e quando tu morreres eu morro também porque infelizmente estamos ligados. Adorava ver-me livre de ti, adorava, porque é que foste tu a nascer e não eu?
Pensa no pai meu idiota. O velho preocupou-se toda a vida, preocupações, preocupações, preocupações, tu eras uma delas meu traste e no fim deixaste-o ir sozinho com umas pazadas de terra em cima e ficaste com a herança, a poupança de uma vida de abnegação e que tu estoiraste em jogo, brinquedos que ele não te dava no natal, jantares finos e, a única coisa de jeito, mulheres.
Lembras-te do Garoto, o cão maluco, o primeiro que tivémos? De como mordia toda gente e era um terror? Lembras-te da sensação de privilégio que era andar na rua com ele e dos teus amigos fugirem todos quando ele andava à solta, de como te sentias um Deus porque ele não te mordia a ti? E lembras-te a da perplexidade que sentiste quando ele te rasgou e arrancou a unha do indicador da mão direita e o pai que o quis matar logo ali mas não matou logo ali e só matou uns anos depois com a injecção de pentotal? Lembras-te do corpo dele embrulhado no seu velho cobertor, a ser pousado na cova ao pé da laranjeira do quintal e de como juraste que te ias vingar “das pessoas em geral por existirem”? Pensa nisso antes de voltares a vestires um fato e a certificares-te que o nó da gravata está bom e que não se nota a mancha de vinho se abotoares o casaco.
Junta-te a mim. Anda. Estou farto de ser um fantasma e flutuar por cima de ti, um adereço que te confere a ilusão de seres mais do que alguém que acaba com pazadas de terra em cima e de que tens futuro. Começa hoje. Ou vais esperar? Achas que és imortal?
ao poeta Rui Costa (1972-2012)
qual é o escritor que te mudou a vida?
«Quem é que me tinha lixado os miolos e escondido os livros, ignorando-os e desprezando-os? O meu velhote. A sua ignorância, a aflição que era viver com ele, os seus sermões, as suas ameaças, a sua ganância. A opressão e o jogo. Os Natais sem dinheiro. A roupinha para a formatura. Dívidas e mais dívidas. Deixámos de falar. Uma vez até nos cruzámos ao atravessar a linha de comboio. Deu mais uns passos, parou e começou a rir. Virei-me e ele apontou para mim e continuou a rir. Fingia ler um livro e ria-se. Não era a brincar. Era raiva, desilusão e desprezo.
Depois aconteceu. Numa noite em que a chuva batia no telhado da cozinha, um grande espírito entrou para sempre na minha vida. Tinha o livro nas mãos e tremia enquanto ele me falava do Homem e do mundo, do amor e da sabedoria, da dor e da culpa e eu soube, naquela altura, que nunca mais seria o mesmo. O espírito chamava-se Fyodor Mikhailovich Dostoyevsky. Ele percebia mais de pais e filhos do que qualquer outra pessoa no mundo, e de irmãos e irmãs, padres e vagabundos, culpa e inocência. O Dostoyevsky mudou-me. O Idiota, Os Possessos, Os Irmãos Karamazov, O Jogador. Virou-me do avesso. Descobri que podia respirar e ver horizontes até então invisíveis. O ódio que eu sentia pelo meu pai derreteu. Eu amava o meu pai, aquele pobre, sofredor, um destroço assombrado» - John Fante, A Confraria do Vinho
Depois aconteceu. Numa noite em que a chuva batia no telhado da cozinha, um grande espírito entrou para sempre na minha vida. Tinha o livro nas mãos e tremia enquanto ele me falava do Homem e do mundo, do amor e da sabedoria, da dor e da culpa e eu soube, naquela altura, que nunca mais seria o mesmo. O espírito chamava-se Fyodor Mikhailovich Dostoyevsky. Ele percebia mais de pais e filhos do que qualquer outra pessoa no mundo, e de irmãos e irmãs, padres e vagabundos, culpa e inocência. O Dostoyevsky mudou-me. O Idiota, Os Possessos, Os Irmãos Karamazov, O Jogador. Virou-me do avesso. Descobri que podia respirar e ver horizontes até então invisíveis. O ódio que eu sentia pelo meu pai derreteu. Eu amava o meu pai, aquele pobre, sofredor, um destroço assombrado» - John Fante, A Confraria do Vinho
e ao som do my heart will go on em pan pipe
Campo de girassóis substitui poses agressivas
túnel de acesso ao balneário EM ALVALADE - Record
Um campo de girassóis, com borboletas de diversas cores, a esvoaçarem num céu azul-celeste. Esta é a imagem que os adversários do Sporting vão reter a partir de hoje, à medida que percorrem o túnel em direção à cabina que lhes está destinada no Estádio José Alvalade.
O Sporting cumpre assim a solicitação da UEFA, que, após a polémica gerada pela notícia de um jornal diário – na qual eram reveladas fotos de adeptos em poses violentas –, sugeriu aos leões que as mesmas fossem tapadas nos encontros a contar para as competições europeias.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
isto é relevante - SOPA
O congresso americano anda às voltas há tempos com a SOPA e a PIPA, dois projectos de lei destinados a atacar a pirataria on-line. Wikipedia, google e muitos outros websites já fizeram blackouts de protesto hoje. Se os projectos do congresso americano forem aprovados, a internet como a conhecemos acabou. Por exemplo, este vosso blogue, acabou. Aliás, os blogues deixam de fazer sentido. O próprio facebook pode terminar, a wikipedia não sobrevive, nem o youtube como o conhecemos.
Um video:
Os críticos da lei, obviamente, não são a favor da pirataria, mas sim contra os efeitos altamente discutíveis e gravosos que isso terá, pois a lei é tão aberta a abuso que significa o fim da liberdade de expressão em todo o mundo pela internet e a morte da livre iniciativa. O verdadeiro motivo da lei não é o fim da pirataria exactamente, mas o fim da concorrência de redes alternativas. Eles sabem que não é possível pela solução tecnológica apresentada (bloqueio de DNS) acabar com a pirataria. O que pretendem é censura pura e simples.
E não, não tem nada a ver com política, mas sim censura económica. As grandes corporações funcionam com marketing de massas, pago. O que significa é o controlo total sobre as formas legítimas de marketing pago. Significa que alguém não pode, como eu fiz, fazer um post sobre o Ada Ou Ardor do Nabokov porque não existe blogger e que portanto o único canal que interessa é o canal pago pela editora. Isto significa que maior editora / software house etc. terá o mesmo poder dentro da Internet que já tem fora dela (televisão, publicidade, paga, montra da fnac etc.) O motivo é evidente: eliminar concorrência. Qualquer indústria ou negócio que precise de canais livres para se dar a conhecer e distribuir pela internet sofrerá um duro revés e pode acabar. Business Angels, dispostos a investir em startups de software por exemplo, dizem que isto pode acabar com esses investimentos devido ao risco de um grande bloquear os canais de distribuição e divulgação desses negócios.
O fim da liberdade de expressão de ideias políticas e opiniões é um mero efeito secundário, mas mais grave ainda. Isto é tão absurdo e radical que me custa a acreditar que passe. Mas pode passar.
Petição online em:
http://americancensorship.org/
(existe uma caixa para cidadãos não americanos no fundo da página)
Um video:
Os críticos da lei, obviamente, não são a favor da pirataria, mas sim contra os efeitos altamente discutíveis e gravosos que isso terá, pois a lei é tão aberta a abuso que significa o fim da liberdade de expressão em todo o mundo pela internet e a morte da livre iniciativa. O verdadeiro motivo da lei não é o fim da pirataria exactamente, mas o fim da concorrência de redes alternativas. Eles sabem que não é possível pela solução tecnológica apresentada (bloqueio de DNS) acabar com a pirataria. O que pretendem é censura pura e simples.
E não, não tem nada a ver com política, mas sim censura económica. As grandes corporações funcionam com marketing de massas, pago. O que significa é o controlo total sobre as formas legítimas de marketing pago. Significa que alguém não pode, como eu fiz, fazer um post sobre o Ada Ou Ardor do Nabokov porque não existe blogger e que portanto o único canal que interessa é o canal pago pela editora. Isto significa que maior editora / software house etc. terá o mesmo poder dentro da Internet que já tem fora dela (televisão, publicidade, paga, montra da fnac etc.) O motivo é evidente: eliminar concorrência. Qualquer indústria ou negócio que precise de canais livres para se dar a conhecer e distribuir pela internet sofrerá um duro revés e pode acabar. Business Angels, dispostos a investir em startups de software por exemplo, dizem que isto pode acabar com esses investimentos devido ao risco de um grande bloquear os canais de distribuição e divulgação desses negócios.
O fim da liberdade de expressão de ideias políticas e opiniões é um mero efeito secundário, mas mais grave ainda. Isto é tão absurdo e radical que me custa a acreditar que passe. Mas pode passar.
Petição online em:
http://americancensorship.org/
(existe uma caixa para cidadãos não americanos no fundo da página)
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