domingo, 15 de janeiro de 2012

pasteis de Belém e teologia


Quando foi nomeado, um amigo meu próximo ficou em estado de choque com o erro de casting. Para me convencer, começou por reduzir a cinzas o seu percurso académico. O tipo dava aulas numa "universidade lá fora" (medíocre), os seus escritos e artigos sobre economia eram meras enumerações de factos e evidências, sem uma visão consistente e definida. Mas o golpe que me convenceu foi a citação de bocados do Diário de um Deus Criacionista. O livro, para além de mal escrito e banal, é obra de um hamster deslumbrado, convencido não só da sua inteligência como da originalidade das suas ideias desenvolvidas na rodinha na sua gaiola. Ao contrário do meu amigo, que leva a economia e os destinos do país a sério, eu fiquei muito entusiasmado com o que viria ai: uma personagem digna do Eça, materializada no mundo "real" e debaixo de holofotes, sob pressão. O potencial cómico disto era enorme. Até vinha do estrangeiro e cheio de modernidades americanas (canadianas, enfim, foi o que se arranjou). As personagens do Eça não nos instigam ódio, pelo contrário, até sentimos alguma ternura. Não se pode achar o Álvaro má pessoa ou mal intencionado ou enervante como outros erros de casting (Fernando Nobre) ou aquelas pessoas que não entendemos bem a necessidade de existirem no nosso televisor (Miguel Relvas). Começou tudo muito bem com o seu pedido para que o tratassem por Álvaro, o primeiro sinal de modernidade e progresso civilizacional. Também foi gira aquela ideia da rede de abastecimentos low cost, a revolução nos transportes, a insistência nuns obscuros efeitos do fim da TSU, o fim da crise em 2012... Infelizmente, Passos percebeu o erro de casting (ou explicaram-lhe) e retiraram ao Álvaro a possibilidade de me entreter regularmente. Chegámos ao ponto de ver  um Ministro dos Negócios Estrangeiros (Paulo Portas) anunciar uma nova linha de crédito para as PME. Todas as semanas tiram ao Álvaro um dossier, uma pasta e remetem-no para uma semi-obscuridade que, junto de um grupo de imbecis fiéis, lhe dá uma aura de seriedade e trabalho: "ele não aparece porque está a estudar as coisas e a trabalhar, é uma pessoa séria e não está para mediatismos". A pessoa séria e que não está para mediatismos, há dias teve um momento alto, quando falou no pastel de belém. Podia ser uma metáfora de Cavaco Silva, mas não, referia-se mesmo às natas, ao pastel de nata. O risível não é o exemplo em si, que não seria mau se fosse inserido num discurso que abordasse os problemas estruturais que dificultam o empreendorismo e as soluções que um Ministério da Economia iria apresentar para potenciar o mesmo. Afinal de contras, estava a falar para empresários no papel de ministro da economia. Mas perante uma plateia de empresários incrédulos, Álvaro, intrépido e em modo entrepreneur Donald Trump style, expõe o seu plano de domínio mundial com um franchise de pastéis de nata e traça o paralelismo com o frango ao piripiri do Nandos, porque aquilo está cheio de estrangeiros a fazer fila todos os dias, eles adoram aquilo! Chega ali, dá uma ideia aos empresários, todo contente, e vai-se embora :) Veni vidi vici! É muito bom. Gostava que lhe dessem a pasta da cultura. Seria delicioso vê-lo sugerir a uma plateia de intelectuais que se "franchisasse" o conceito de sucesso do Shakespeare em 97 minutos em peças como Becket em 60 minutos, Tcheckov em 75 minutos ou Brecht em 45 minutos. Fica aqui a sugestão, tenho muitas saudades de Santana Lopes e dos seus violinos de Chopin, quando era secretário de estado da cultura no governo do pastelão de belém.

sábado, 14 de janeiro de 2012

bola

É oficial, desde o Benfica de Erickson que não me lembro de ver um Benfica a jogar o que este Benfica 2011 / 2012 joga. Quando o Setúbal marcou o 1-0 aos 6' só pensei "big mistake, não deviam provocá-los tão cedo" e o 4-1 final pecou por escasso. Consegui visualizar sportinguistas e portistas a bater palminhas lá em casa e a fazer zapping uns momentos depois, mal humorados. Já fiquei entusiasmado noutras épocas, particularmente na primeira época de Jorge Jesus. Aliás, fiquei talvez mais entusiasmado do que agora, mas era ingénuo e vinha de muito tempo sem um campeonato ganho de forma cabal. Fomos humilhados na Champions e pelo FCP em todos os jogos decisivos e não foi por acaso.

O Benfica de 2011/2012 faz esse Benfica campeão parecer um adolescente explosivo e sôfrego. Neste Benfica, há jogadas e detalhes tácticos que me comovem às lágrimas, fico com um nó na garganta. Há um leque de jogadores de topo, banco, soluções tácticas, variações de intensidade de jogo consoante as exigências do adversário e as circunstâncias. Há solidez mental. E fico feliz por o Aimar ter uma equipa que o mereça na fase final da sua carreira. A maturidade vem de, nas últimas duas épocas, termos uma equipa que em momentos decisivos se descaracterizava e isso poder voltar a acontecer.

No crescimento do Benfica, para além de peças novas magníficas, como Witsel, Artur, Garay, Bruno Cesar, Nolito ou Gaitan, e num acréscimo de mística, vejo o crescimento de Jorge Jesus que é hoje radicalmente diferente do que era há 3 anos: muito mais comedido, seguro e experiente a lidar com a adversidade e as expectativas. Jesus é a personificação do Benfica e tudo lhe é perdoado, mesmo frases engraçadas  como "somos livres de sonhar até onde nos deixarem" a propósito da Champions. Por mim, era o nosso Ferguson.

E a propósito de bola, que no meu blogue é um tema esporádico, o http://227218.blogspot.com/ do Diego fez um ano ontem e merece os parabéns, pela escrita, digna de um Aimar.

inimputável

Tribunal ordenou que fossem feitos novos testes psiquiátricos a Breivik, depois do primerio concluir que o autor dos atentados de Oslo e Utoya era psicótico e por isso inimputável. - DN

Este caso de Breivik é interessante porque é um problema filosófico colocado na prática. É impossível traçar uma linha objectiva entre a realidade e o mundo percebido de cada um, pelo que seríamos todos inimputáveis até um certo ponto. Um tipo como o Rei Ghob foi já considerado lúcido e consciente dos seus actos por peritagens. Já Breivik, que parece de outro campeonato, é considerado inimputável. Notem que a própria existência de uma segunda peritagem no caso de Breivik revela bem a ambiguidade do processo de avaliar se uma pessoa é ou não responsável pelos seus actos. Os advogados de defesa de assassinos como o Renato Teixeira, tentam sempre ir por essa via, do episódio psicótico, do "não estava consciente do que estava a fazer". O exemplo das confissões de oficiais nazis nas Entrevista de Nuremberga a um psiquiatra americano, já me tinham demonstrado esse paradoxo. A maior parte dos oficiais não se considerava responsável (ou imputável) porque "seguiam ordens" ou "não sabiam a verdade" ou "estavam a ajudar o povo alemão". Outros eram perseguidos por demónios ou queriam evitar a verdade (Goring suicidou-se). Mas penso que só um, pelo que me lembro, admitia que merecia morrer. E fazia pena. E é muito estranho ver alguém que se conforma com uma pena, que a considera justa, ser efectivamente condenado. Não estou a dizer que seja justo ou injusto, digo apenas que me causa estranheza e mal estar. De facto, causa-me menos estranheza a execução de um criminoso psicótico sem remorsos, como Breivik, do que de um consciente dos seus actos e cheio de remorsos, porque no segundo reconheço um humano e uma consciência que irá sofrer um castigo. Há episódios de Budha que vão neste sentido: o perdão ao criminoso que tem consciência plena do acto que cometeu. E o perdão é imediato. A Bíblia também tem uma cena qualquer que tenta aproximar-se disso, com aquilo do bom e do mau ladrão pregados ao lado de Cristo, só que morrem os três, crucificados no fim, para efeitos práticos. Imagino que as prisões estejam cheias de tipos que, volvidos anos de cativeiro, não se reconhecem minimamente no homem que cometeu os crimes que os puseram ali, dando a sensação de se estar a condenar "outra pessoa". Lynch, um budista, explora este aspecto no Lost Highway, quando um protagonista substitui inexplicavelmente outro que estava na cadeia ou nas outras transmutações de espaço e tempo que ocorrem ao longo do filme (o músico jazz assassinou a própria mulher e ouve-se a si mesmo do futuro a falar com ele no presente, etc.). Nem me parece certo que a pena de cadeia ou a proximidade da morte por execução seja necessária para um processo de mudança. Um caso exemplar foi o de George Wright, velhote pacato e afável a viver em Sintra, cuidando dos seus passatempos, décadas depois de ter sido um violento criminoso. Onde traçar a linha da prescrição de um crime? Um dia, um ano, dez anos, uma vida?

Para concluir, e porque não gosto de deixar problemas em aberto e prefiro sempre dar uma solução mesmo que seja temporária e errada, a vantagem da punição, para além de um efeito dissuasor, é sobretudo a de repor um equilíbrio na nossa percepção de bem e mal. Estar no sofá a ver o telejornal, com a família, e pensar "a justiça foi feita" ajuda à digestão e a um sono tranquilo. A sensação de que um criminoso é punido e a justiça é feita é benéfica se a generalidade da sociedade o considerar como tal. A justiça é inteiramente relativa e enquanto for considerada relativa, é um mal menor.

O mal maior advém dos que lhe atribuem um carácter absoluto que só pode vir de inspiração divina, como é o caso dos fundamentalistas islâmicos a caminho de impor a sharia no Egipto depois da "primavera árabe", ou dos cristãos americanos que defendem a pena de morte com base no bíblico olho por olho, dente por dente.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

apelo aos especialistas de portunhol dos jornais desportivos...

...parem, por favor, de traduzir "ilusión" por ilusão.

"ilusión" naquele contexto será sonho ou esperança e não "ilusão". Vejam se entendem isto de uma vez por todas por amor de Deus. Sinónimos de ilusão: alucinação alucinamento delírio desvairamento desvairo desvario devaneio ilusão oura tresvariar visão aparência ar aspecto disfarce exterioridade fachada ficção

O sentido de frases como «Vou com a ilusão de jogar e conquistar o meu lugar» vinca Matías Rodríguez é um tanto ou quanto estranho, não?

Fazem dos jogadores que falam castelhano uns gajos bestialmente deprimidos e muito pouco confiantes, cheios de ilusões que eles próprios identificam.

adaptação

Não suporto a subjugação. Custa-me que um presidente da república fale para “os portugueses” convencido que está a falar para mim e que aquela encenação da bandeira e do hino me diz alguma coisa e que lhe confere autoridade. A revista às tropas, a hóstia, o congresso do partido, os comunistas todos a entoar a internacional, os católicos na missa, ajoelhados e o padre a ler um livro escrito para entorpecer as massas, o juiz pomposamente vestido de toga num pedestal, o jubilar de um professor, o colar da ordem , a árvore de natal e o presépio, a ordem do grão duque do raio que os parta, os trajes académicos e a bênção das fitas… O progresso é a destruição das encenações, é assim que vejo a minha utopia, sem religião, sem nacionalidade, sem nada que valha a pena viver ou morrer por, assim à John Lennon. Uma utopia é uma utopia e a minha não foge à regra: é impossível de atingir. Porque para se atingir, precisaria de existir um grupo mais forte que os outros que se lhe iriam opor e isso tornava-te igual a eles, se querias seguir o John Lennon ias parar a hippie e vestir aquelas roupas e fazer aqueles rituais e seres um imbecil como eles. Mesmo a anarquia envolve-se em rituais e símbolos que os identificam como anarquistas. A única forma de criares um grupo forte é pelo ritual e pela encenação. Não se cria um exército, nem se ganham votos ou poder de outra forma. Por isso, homens puramente livres estão condenados a vaguear como fantasmas entre os escravos que são mais ferozes e violentos do que eles ou então dares em doido. Para não seres um fantasma ou não dares em doido, adere a rituais inofensivos, que é o que faço, ao Benfica, a vestir o fato quando vou a clientes, à árvore de Natal, às prendas no aniversário, ao arroz atirado para cima dos noivos no casamento, não faz mal, sê um deles, aceita o que não mexe assim tanto contigo e não é assim tão grave e até te pode divertir, é a única coisa que interessa. Se algo de grave se passar, algo que te impeça de seres livre, então adere ao grupo que combate isso da forma mais eficaz até venceres, depois adere a outro grupo que combata esse grupo, muda, adapta-te.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

o artista não é na realidade um artista

É verdadeiramente cretino isto que te vou dizer, mas é totalmente verdade: o meu leitor ideal é uma mulher. Eu tenho de escrever "para seduzir" e só tenho piada nessas fases porque estou motivado a isso. Se não é para que miúdas interessantes se apaixonem por mim, perco completamente a pica. Eu comecei a escrever por causa disso, mas não foi consciente, na altura não identifiquei o que era. Mas digo-te, não é por dinheiro pelo menos, nem sequer por estatuto ou por fama ou vaidade. Por outro lado não é também por amor à arte ou raio que o parta. Não sei o que estou a fazer. Se me apaixono e tenho assim uma namorada, uma vida boa, hei, meto a escrita de lado, não me apetece, não preciso dela entendes? E então desisti de ter namoros porque gosto de escrever porque quero ter a namorada que não tive aos 15 anos e é um ciclo vicioso. Infelizmente, o Autor não segue a mesma vida. O Autor tem assim uma miúda e está todo embeiçado, já vi no que aquilo vai dar. Ela vem cá a casa e ele esconde-me os cheetos e as garrafas vazias de cerveja, a roupa espalhada pelo chão, o volante da playstation e fecha-me no roupeiro. Oiço-lhe a voz grave a debitar piadas e risos femininos. Espero que ele consiga de vez em quando ter problemas graves com ela, arranjar uma discussão forte, umas separações e escreva alguma coisa de jeito. Não sou eu que escrevo os romances, é ele. Mas os romances demoram mais tempo a escrever e é preciso ele estar mesmo ali no ponto certo do anhanço meets raiva meets amem-me! meets suicídio, enfim, é uma questão de esperar. Ele já me disse que conta comigo, que tenho de ser eu a fazer tudo e ele só assina, pediu-me por favor por favor por favor, só quer ser uma pessoa normal, ter filhos, o bmw, esse tipo de coisas, não quer estoirar tudo sempre e tem-me trazido malgas de cheetos e cerveja boa quando ela não vem. Vou pensar no caso dele. Há uma casa no jardim (temos um jardim). Se calhar mando-o fazer obras e instalar lá uma secretária e uma cadeira, para eu poder trabalhar enquanto ele brinca aos casalinhos e aos planos de viagens a nova iorque e discutem nomes de filhos. Às vezes sinto que em Auschwitz teria um ambiente mais propício à criatividade.

Tomem:

globalização, o verdadeiro significado

Este automóvel é um jaguar xj de 2007, aqui assim ao pé da ponte 25 de Abril, todo bonito:


Aqui, o presidente da Tata compra a jaguar land rover em 2008. Há um inglês na foto. Suicidou-se poucos dias depois.


O presidente da Tata tem uma visão inovadora para o ramo automóvel...

... depois do motor de combustão interna, a Tata apresentou o carro de combustão espontânea.

.. entretanto, isto é um jaguar xj de 2011.


as pessoas até nem são assim tão complexas

Nabokov, entrevistado no programa Apostrophes, em francês, com legendas em espanhol: 4 mil views.



Nyan cat:
60 milhões de views.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A minha forma de entender física quântica

 Sou uma pessoa curiosa e informada e às vezes farto-me dos livros de divulgação científica que usam bonecos com vaquinhas a levar choques em cercas eléctricas para explicar a teoria da relatividade e tento ir à real stuff e pesquiso papers. Contudo, os meus conhecimentos de física quântica ficam-se pelos bonecos das vaquinhas e a minha interpretação dos papers é sempre um bocadinho livre.

Higgs boson coupling behavior at large top quark coupling in the standard model
Comportamento sexual do bosão de Higgs com grandes casais de topo de quarks modelo standard


We consider the U(1)×SU(2)×SU(3) gauge theory and use the one-loop renormalization group equation for the Higgs coupling λ as a function of ε=gt2/g12 desconfio logo quando alguém começa uma frase com "we consider"... we consider... We quem? As coisas são ou não são, se é preciso ele começar uma teoria todo com um "consideramos que" está aberto o caminho à bandalheira. The behavior of the function x(ε)=λ(ε)/g12 at large ε is studied. temos aqui um marrão com os trabalhos de casa em dia. We estimate upper bounds on both Higgs boson (mH) and top quark (mt) masses which depend upon the embedding scales Λ on which a nonstandard new physics appears. nem tenho aquele V ao contrário no teclado... como é que se faz aquilo? Insert symbol... Λ :) Win! Thus, for Λ=1 TeV one finds mH123 GeV at mt=180 GeV. espera, espera, faz lá essa continha à minha frente na calculadora In our picture the Higgs particle should not be much heavier than 0.3 TeV. eu penso sempre o mesmo antes de pegar numa miúda ao colo à cena macho romântico, ah e tal, não deve pesar mais de 0.3TeV mas depois vai-se a ver e pesam mais que um leitão, lixei as costas umas poucas de vezes e ainda por cima tinha de fingir que estava tudo bem If we expect that the new physics has to appear in the 1 TeV region, our model gives roughly the same upper bound on the Higgs boson mass in the range of the top quark mass between 180 GeV and 200 GeV o problema meu amigo, são as expectativas... sabes lá se vai aparecer na região 1 TeV ou região Norte Centro Searching for the physical Higgs boson at the CERN LHC (the ATLAS program) would allow us to indicate where the new unexpected physics has to be natural. Hmm. Eu apostava que é natural.




Depois de ler umas coisas destas, estou preparado para qualquer diálogo sobre o tema:

- Então Tolan, viste ontem a notícia sobre aquilo do CERN? Da origem do universo e do bosão de Higgs? Como tu és todo dessas cenas...
- Não precisei de ver a notícia... eu já sabia disso. Eu já sabia que o universo tinha começado num bang antes de ser big.
- Então explica lá.
- Então, é assim... o bosão de Higgs precisa de quarks....  Muitos quarks e dos grandes. De topo. Há outros quarks que são os pequeninos e mais de baixo. Esse não interessam. Depois há a questão da massa do bosão. Há uns assim magrinhos e outros mais pesados. Estou a usar esta linguagem simples porque se não usar esta linguagem não me faço entender ok?
- Ok.
- Bom. Os bosões podem aparecer numa região especial que é acima de meia dúzia de tevs, mais coisas menos coisa e quando isso acontece, as leis da física tornam-se inesperadas e os quarks desaparecem e começa um universo.
- Mas o que era aquela notícia do CERN? O acelerador de partículas, o colisacionad... colisonad...
- Colisionador de Hadron. É porque ocorrem colisões de Hadrons entendes? No CERN fazem as experiências com os Hadrons. Porque os bosões são lixados de encontrar percebes? É preciso um túnel muito grande tipo pista de atletismo. Depois deixam assim um rastinho de quarks no chão do túnel e o Hadron vai por ali a correr muito rápido a comer os quarks como o pacman e PIMBA, vai de frente com uma parede e explode e parte-se em bocadinhos: os bosões. E tira-se uma fotografia tipo raio xis à procura dos bosões, só que até agora nunca conseguiram apanhar nenhum.

novidade

A novidade fascina-nos, mesmo que não sirva para nada. Termos um objecto que nunca existiu antes e que faz coisas nunca feitas, nem que seja jogar ao angry birds num ipad com ecrã maior que o do iphone, dá uma sensação de pioneirismo, de viver no limite da evolução humana, de ser um privilegiado à face do planeta terra. Ter a novidade antes dos outros também é importante uma vez que dá status. Mas a busca pela novidade por vezes causa uma decadência estética. Não é, de todo, o caso da Apple. Digo isto para aqueles que pensam que este post ia ser mais um sobre o meu desprezo pelo Steve Jobs. Não senhor. Mas a novidade pode deixar de ser melhor, para passar apenas a ser diferente. A roupa made in china é cada vez mais descartável por princípio, a regra é usar e deitar fora. Mas há coisas que são melhores de ano para ano. As televisões, por exemplo. Melhores e mais baratas e mais económicas. Já os automóveis, tendem a ser melhores do ponto de vista tecnológico mas por vezes são simplesmente feios. Os poetas continuam a não servir absolutamente para nada, pelo que nem sequer podemos falar de evolução. Estava a tentar lembrar-me de experiências recentes em que me senti humilde e em transe perante uma experiência de novidade com qualidade estética (sem contar com algumas jogadas do Benfica 2011/2012).

Uma vez, foi quando passei no Hotel Unique em São Paulo, do arquitecto Ruy Ohtake, todo ele magnífico, a lembrar um barco, carregado de detalhes surpreendentes mas esteticamente válidos e elegantes...


...com quartos que não cheguei a ver mas que parecem divertidos até para andar de skate nos intervalos dos powerpoints...



... mas o que me levou às lágrimas foi o Bar, uma parede de prateleiras gigante a subir por ali acima, cheia de garrafas translúcidas, coloridas, brilhantes como esmeraldas, rubis e diamantes... Parecia que Deus e o Diabo se tinham juntado para desenhar um sítio onde pudessem confraternizar e ignorar os meros mortais, até porque as garrafas, a maior parte delas, estavam completamente fora do alcance do barman, estavam ali apenas como jóias inacessíveis e mágicas!

(felizmente, o barman tinha todas as bebidas necessárias para bloodymarys acessíveis debaixo do balcão)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Carta aberta à pessoa que comprou o Porsche Panamera e o tinha em frente ao Pingo Doce de Alcântara

Hoje de manhã vi o teu Porsche Panamera e fiquei deprimido. Só o tinha visto em fotos e como tal, alimentava a esperança que não passasse de um sonho mau.


Vê-lo ali materializado à porta de um Pingo-Doce, foi uma coisa perturbadora. Não entendo porque fizeste essa escolha de viatura auto-motora. Uma viatura dessas começa nos 97 000 euros e na versão S vai aos 143 0000 euros, versão que tu não adquiriste, talvez numa réstia de bom senso. Tudo isto contradiz a minha fé inabalável no capitalismo como ambiente propício a uma justa selecção natural. Se tens um orçamento a rondar os 100 mil euros para viatura e eu não, submeto-me à evidência que és mais forte do que eu. Mas no capítulo do bom gosto, nessa escolha de carro aproximas-se das escolhas de indumentária do Manuel Luís Goucha. E todos sabemos que o bom gosto é essencial para a sobrevivência na selva de hoje. Bom, pensando no Cristiano Ronaldo, se calhar não é. Mas devia ser. Com esse rico dinheirinho, há tanto carro bonito que podias comprar e ainda te sobrava para comprar uma VW Passat carrinha de 2007 para as idas ao Pingo Doce. Não se vai de Porsche ao Pingo-Doce, por Deus. E não vi, mas digo-te já que não se têm cadeiras de bebé no banco de trás de um Porsche a não ser que se seja divorciado.

Sem mais,

Tolan




A Porsche decaiu muito nos últimos anos e vai continuar o caminho de ser uma VW premium. O Jeremy Clarkson explica porquê:

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

In Aufruhr

Olá, estes são os Extrawelt. São alemães como a Angela Merkl e o Goethe (famoso pelo instituto).


Fazem música electrónica do género minimal para depois por a tocar nas fábricas e nos escritórios e motivar as pessoas a produzir mais. Fazem-no desde 1970 e é a razão do seu sucesso. Também usam a música como estimulante para conduzir na autobahn a 250km num carro alemão. Os alemães não são de grandes festas. Muito pouco efusivos. O instrumento preferido é o rato do computador e improvisar significa rodar um botão de filtro para a esquerda em vez de ser para a direita. Penso que podem exercer uma boa influência junto de nós, portugueses indisciplinados e com tendência para ter "sentimentos".




(agora um truque muito giro, no youtube podem escolher a definição do video não é? 240p, 360p, 480p, 720p e mesmo HD a 1080p... mas o que não sabiam é que isso tem influência no som. Não sabiam pois não? É verdade, a 240p ou 360p isso tem uma bitrate nojenta de 64kbs que, felizmente, já nem se encontra nos mp3. 128kbps é o mínimo. De 720p para cima já tem uma variable bit rate que pode ir até aos 240kbps. Dado que este video (e outros do género) são só uma imagem estática, não perdem nada em escolher ver em HD. Se não conseguem perceber a diferença de som, então sugiro que oiçam a rádio cidade online por exemplo, é mais adequado aos vossos ouvidos embrutecidos)

como matar um escritor

É complicado ser o escritor maldito quando o Autor me borrifa com perfume só porque vem cá uma miúda a casa. O Bukowski alguma vez se borrifaria com perfumes? Sinceramente, sinto-me ridículo, todo cheiroso e lavadinho. E depois esconde-me o volante e os pedais da PS3 e o headset, tudo debaixo do sofá da sala, à pressa, junto com o resto da pizza congelada do dia anterior… quem é que ele quer enganar? Porque se dá ao trabalho? É só uma rapariga! Elas não sabem jogar Battlefield sequer :P Não sabem fazer nada de jeito e depois são emocionais e dão-nos pesos na consciência por tudo e por nada, estamos sempre a fazer tudo mal e a magoar “sentimentos” só porque nos esquecemos delas na estação de serviço. Não dá para fazer meia volta rapidamente na autoestrada, mas explicar isto a uma rapariga com tpm... Estão sempre a tentar mudar-nos, começam por dizer "gosto de ti como és" mas é só até descobrir os restos de pizza e depois "como és" transforma-se no "como eu quero que tu sejas" e percebemos que sim significa não e que talvez significa não e não significa não. Uma rapariga só atrapalha um artista. Ele uma vez pôs jazz na aparelhagem quando estavam a jantar. Como se ouvisse jazz. Tem dois cds tipo best off do jazz. Nem é de um músico em particular, é do “jazz”. E tudo porque ela lhe respondeu que "gostava de jazz" quando ele lhe perguntou "gostas de jazz?" É daquelas coisas que todos dizemos não é? Até podemos dizer "gosto mas não oiço muito". E nisto nasceu um equívoco entre os dois, ela vai continuar a falar do John Davis e do Miles Coltrane e ele embevecido a dizer "perfeitamente, perfeitamente" e eu vou ter de assistir a esse espectáculo deprimente. Enquanto isso, a grande literatura adormece, perfumada.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

um fim de semana santo para todos

escolhe artista, escolhe

...teres elevados padrões artísticos estéticos e socializantes:

Yellow Sarong dos The Scene is Now (original)

...seres audível:

Yello Sarong dos Yo La Tengo (cover)

ali, especificamente, mandam eles

Sporting forrou acesso a balneário com imagens que exaltam violência - Público
«Adeptos das claques em poses agressivas, desafiando os seguranças. Outros de cara tapada e com tochas na mão. Outro numa pose que sugere uma saudação fascista. Outro ainda com um tatuagem com a cruz de ferro (...) Paulo Pereira Cristóvão, assumiu em entrevista ao jornal do clube, em Agosto, que houve obras no estádio: “Aqui mandamos nós... somos o Sporting”, disse, na altura.»
 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

antes era capaz de escrever sobre livros e agora já não sou

Olá. Este livro é o Ada Ou Ardor. Ada é o nome de uma miúda e não de uma pomada contra queimaduras solares. Ah. ah.

Este é o Nabokov, que foi quem escreveu o livro Ada ou Ardor, o Lolita, o Convite para uma Decapitação e o Dom e até um sobre Gogol, tudo livros que o Tolan já leu, porque é uma pessoa muito culta.

A bem da verdade, ainda estou a ler o Ada ou Ardor. O senhor Nabokov também era borboletófilo ou borboletífero (não é o nome científico correcto, mas é um do género, para designar uma pessoa que estuda borboletas). Também era sinestésico, que são aquelas pessoas que confundem visão com som e som com visão e que por isso acham muito ambíguo o título do álbum Sound and Vision do David Bowie. Os livros do senhor Nabokov do género deste Ada ou o Ardor, pautam-se por um certo desprezo intelectual pelo leitor. Nunca sei se estou a gostar do que leio ou a ser insultado, provavelmente ambos. Ele mistura coisas, entendem? Não, não entendem. Como é que eu hei de explicar isto... É como uma criança prodígio emancipada e com muitas coisas na cabeça. Às vezes ele consegue escrever assim umas frases que nunca existiram antes, mas não sei até que ponto o propósito dessas frases, que no conjunto formam um romance, não é precisamente o de ser uma coisa que nunca existiu antes. Às vezes dá vontade de o abanar e exigir "sê normal pá, o que é que queres dizer? porque não o dizes? Porque tens de inventar nomes de continentes e palavras inexistentes e falar tanto de borboletas?" só que isto da literatura não é a mesma coisa que comunicação, como aprendemos na escolas, nem sequer comunicação unilateral, do estilo, só o autor é que comunica connosco. Este é um daqueles autores que tente a remeter o leitor para um papel de observador enquanto ele vai fazendo as suas coisas. Isto é patente nos diálogos de narradores, os amantes Ada e Van, que se interpelam um ao outro e dão a sensação de estarem a escrever um para o outro, na presença um do outro, num jogo que é secreto e com regras próprias, como acontece entre amantes dignos desse nome. E pronto.

Vocês podem não acreditar nisto, mas só agora li esta citação:

"uma obra-prima de ficção é um mundo original e, como tal, não é plausível de encaixar no mundo do leitor" - Nabokov

Eish. Tungas.

os comentários a jornais portugueses são de facto interessantes

(DN, 5 de Janeiro)

Utilizador Não Registado
oscar alho
05.01.2012/09:20

esperimentem googlar amadora, por imagens. é que eu estava mesmo à procura de imagens da cidade da amadora, não disto, quando quero gajas sei onde ir. e em tantas outras buscas inocentes me deparo com cenas destas. qualquer um criança ou não está sujeito a dar com pornografia na net.



Utilizador Não Registado
Amadora?
05.01.2012/09:42

Se queres ver pretos googla Africa!

ontem apanhei um bosão de Higgs com uma caixa de fósforos

bosão de Higgs é esquisito, soa-me a estado de embriaguez, uma embriaguez tão forte que uma pessoa desafia as leis da física e isso, tipo grande bosão que o Higgs apanhou ontem



ou então é um palerma: aquele Higgs, saiu-me um grande bosão!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Pingo Doce, Sabe bem pagar tão pouco

Rebentou nas mãos da Jerónimo Martins o discurso do Pingo Doce muito "tuga" e da "terrinha" e "das pessoas", com esta história de mudar a sede para a Holanda. A assinatura da marca então, é perfeita. Pôs-se a jeito.

Considero errado que empresas deslocalizem as sedes do sítio onde exercem actividade económica, em função de benefícios fiscais... mas não as posso censurar muito mais do que isso. O problema é a existência das próprias assimetrias fiscais. A prática de deslocalizar a sede é generalizada nas multinacionais.

Países como Luxemburgo, Bélgica e a Holanda têm regimes fiscais destinados a atrair sedes e capitais de multinacionais. Isto não cria apenas assimetrias entre países, mas também entre pessoas colectáveis. Não é qualquer empresa ou particular que pode fazer estes malabarismos fiscais. E isso é injusto.

Devo dizer desde já que nunca na minha vida comprei um chocolate, relógio ou canivete Suíço, não simpatizo com um país que vive das assimetrias legais e fiscais. Não gosto da Suíça desde que li livros da II Guerra Mundial, ou seja, desde os 4 anos. Não gosto de um país que tem a mania que é bom, neutro, pacífico, tolerante e ético, e depois tem os cofres cheios de dinheiro da droga e tráfico de armas e uma extrema direita efectiva que nem deixa os chamuças e os pakis terem os seus minetes sossegados lá no telhado das sinagogas deles. Mas a Suíça está fora da união monetária, tem o frango suíço e pronto, é auto-determinada e faz o que lhe apetece.

Na união monetária, contudo, parece incomportável a existência de grandes assimetrias fiscais. Para mim, como para a minha querida Angelita Merkl, não faz sentido uma união monetária sem harmonização fiscal. Por isso, tal como a Angelita meteu o Cameron mais a sua city londrina capitalista selvagem na rua, tal como disciplina os nossos "estados sociais" que na prática não sobrevivem sem a mama do endividamento, espero que vergaste ferozmente a Holanda, a Bélgica e o Luxemburgo. E se isto for uma utopia, ok, saímos do euro e cada um pode ser uma suíça ou uma venezuela, consoante a autodeterminação dos respectivos povos e exércitos.

finalmente os videojogos têm o tratamento romântico e poético que merecem

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

flannery o'connor

Através da Cavalo de Ferro descobri este blogue brasileiro sobre a Flannery O´Connor. Gosto muito da Flannery O'Connor, é um dos meus escritores preferidos de sempre.


“Por favor agradeça ao senhor W. P. Southard por gostar das minhas histórias. Eu fico sempre muito feliz de saber que tenho um leitor de qualidade porque eu tenho tantos que não são. Eu recebo cartas de pessoas que eu mesma deveria ter criado... (como) uma de um jovem rapaz da Califórnia que está começando uma revista chamada Carro-Fúnebre – “um veículo a transportar histórias e poemas para o grande cemitério do intelecto Americano”. Depois eu recebi uma mensagem de dois estudantes de teologia da Alexandria que disseram ter lido Sangue Sábio e que eu sou a garota pin-up deles – a mais ameaçadora distinção até o presente momento. Eu recebi uma carta realmente assustadora de uma garota de Boston sobre o conto Um Templo do Espírito Santo. Ela disse que era Católica e que por isso não conseguia compreender como é que alguém era capaz até mesmo de TER aquele tipo de pensamento. Eu escrevi para ela uma carta que poderia ter sido assinada pelo bispo e agora ela é firmemente minha amiga e me escreveu dizendo que o marido dela está fazendo de tudo para ser Procurador Geral mas ainda não conseguiu. Eu queria que alguém realmente inteligente me escrevesse de vez em quando, mas parece que atraio principalmente lunáticos.”


Flannery O´Connor
em carta para Robie Macauley – 18 de maio de 1955.

já me fizeram esta pergunta algumas vezes

gerações à rasca

Do total de desempregados em Portugal, entre 8 a 10% são licenciados. 1/10 do total de desempregados. É um número que pode surpreender por ser pequeno, uma vez que nos media e com movimentos como o "geração à rasca" há uma percepção generalizada de que este problema se sobrepõe a outros. É preciso não confundir "jovem" com "licenciado" em primeiro lugar. 55% dos jovens portugueses com idades entre 20 e 24 anos não tem sequer o ensino secundário concluído e continuamos a ser os campeões do abandono escolar: 28,7% de abandono, ou seja, 1/3 dos nossos jovens desistem da escola.

Depois, é preciso perceber se falamos de aumentos relativos de desemprego. É certo que foi o grupo dos jovens licenciados que teve o maior aumento de desemprego no conjunto da OCDE. Contudo, o relatório "A procura de emprego dos diplomados com educação superior" de junho de 2010 do GPEARI revela que houve um aumento de 25% no desemprego dos licenciados de 35 a 54 anos. Nos jovens licenciados com idades inferiores a 24 anos o aumento foi de 13%, quase metade.

Também é preciso ter em conta que Portugal foi um dos países da OCDE onde o número de licenciados mais aumentou nos últimos anos, quase ao dobro da média da OCDE (o que é normal, visto que partimos de uma das posições piores). Para além do problema conjuntural de crise e que tem feito disparar dramaticamente o desemprego em todas as faixas etárias e níveis de qualificação, é preciso ter em conta ponto de partida conjuntural. Podemos ter jovens qualificados demais para um mercado que, estruturalmente, não tem ofertas de emprego qualificado.

Deviam divulgar os índices de empregabilidade dos cursos de cada universidade. O curso em si não significa nada, a universidade em que ele é obtido tem extrema importância. Estes dados deviam ser consultados pelos jovens antes de escolher cursos e já existem, não estando contudo sistematizada a sua divulgação. Por exemplo, o curso Serviço Social da Universidade de Trás os Montes tem 40 desempregados por cada 68 alunos licenciados. Por outro lado, Engenharia Civil no técnico tem 1 desempregado por cada 252 licenciados. Mas não penses que é só "ser engenheiro" que te safa. Se tirares engenharia biotecnológica na Escola Superior Agrária do Politécnico de Bragança, podes ser um dos 51 desempregados por cada 97 licenciados. Também se devia divulgar o salário médio auferido por licenciados dos cursos de cada universidade, nos primeiros anos de emprego.

O futuro de muitos destes jovens qualificados em Portugal deve passar pelo empreendedorismo, como profissionais liberais ou empresários. Seria interessante que vários cursos incluíssem qualquer coisa deste tipo nos seus programas. Por vezes o caminho é sinuoso e não se trabalha directamente na área de licenciatura. Isto é particularmente importante em áreas que sabemos estar saturadas, como Direito ou Economia ou Gestão, mas que formam jovens com alguma flexibilidade laboral, especialmente os que vêm das universidades de referência nesta área.

É essencial que os jovens entendam que o emprego não é um direito. Por mais que possa ter sido vendido assim, o "direito ao emprego" não existe. Existe o direito a ter uma vida digna, a protecção social, a justiça, a democracia, a liberdade, a livre iniciativa, a saúde, a educação... Mas ninguém tem o direito pré-definido de ter alguém que lhe pague um salário para desempenhar uma função que ninguém precisa, porque isso significaria obrigar outros a pagar esse emprego do seu bolso.

Deve entender que tem de fazer concessões e adaptar-se, investigar todas as possibilidades, estudar coisas para as quais se calhar não sente a mesma vocação ou são mais puxadas, ir para fora, trabalhar noutras áreas, aprender outras coisas. Podem estar à rasca, mas não se está tão à rasca como as pessoas mais crescidas, cheias de dívidas, contas a pagar e filhos ou baixas qualificações.

domingo, 1 de janeiro de 2012

design automóvel

Quando vi a imagem deste carro espalhada por outdoors em Lisboa pensei "wow, a BMW passou-se, que carro tão fixe, vou pedir muitos subsídios para ser escritor, quero um assim como este!!1!"


Hoje ao passar a pé por um desses outdoors vi que dizia "bem vindo a 1981" e depois vi outros com um modelo mais antigo e percebi a cena deles, está gira a ideia, tipo, estão sempre a inovar e na vanguarda e tal. Reconheci o M1, tinha-o numa caderneta de cromos. Mas fiquei deprimido. É que achei mesmo este carro muito fixe. Foi desenvolvido com a Lamborghini (!). Foram feitos menos de 500.

É claro que fui levado ao engano pelo grafismo da imagem e o plano frontal. Uma fotografia real do M1 mostra um carro típico dos ano 80 mas mesmo assim com linhas extremamente elegantes e sóbrias, aveludadas com o toque italiano da Lamborghini, capaz de molhar ratinhas só de acelerar nos semáforos.


E para agravar a minha perda de fé no bom gosto do design automóvel em geral e no da BMW em particular, cheguei a estas fotos do protótipo feito para homenagear o M1 (que deve estar às voltas na tumba).



Não quero viver mais neste mundo. Quem desenha estas coisas? O director de efeitos especiais dos Transformers? Uma oficina de tuning da margem sul? A sério, what the fuck!? É quase tão feio como um Bugatti Veyron.