terça-feira, 3 de janeiro de 2012

flannery o'connor

Através da Cavalo de Ferro descobri este blogue brasileiro sobre a Flannery O´Connor. Gosto muito da Flannery O'Connor, é um dos meus escritores preferidos de sempre.


“Por favor agradeça ao senhor W. P. Southard por gostar das minhas histórias. Eu fico sempre muito feliz de saber que tenho um leitor de qualidade porque eu tenho tantos que não são. Eu recebo cartas de pessoas que eu mesma deveria ter criado... (como) uma de um jovem rapaz da Califórnia que está começando uma revista chamada Carro-Fúnebre – “um veículo a transportar histórias e poemas para o grande cemitério do intelecto Americano”. Depois eu recebi uma mensagem de dois estudantes de teologia da Alexandria que disseram ter lido Sangue Sábio e que eu sou a garota pin-up deles – a mais ameaçadora distinção até o presente momento. Eu recebi uma carta realmente assustadora de uma garota de Boston sobre o conto Um Templo do Espírito Santo. Ela disse que era Católica e que por isso não conseguia compreender como é que alguém era capaz até mesmo de TER aquele tipo de pensamento. Eu escrevi para ela uma carta que poderia ter sido assinada pelo bispo e agora ela é firmemente minha amiga e me escreveu dizendo que o marido dela está fazendo de tudo para ser Procurador Geral mas ainda não conseguiu. Eu queria que alguém realmente inteligente me escrevesse de vez em quando, mas parece que atraio principalmente lunáticos.”


Flannery O´Connor
em carta para Robie Macauley – 18 de maio de 1955.

já me fizeram esta pergunta algumas vezes

gerações à rasca

Do total de desempregados em Portugal, entre 8 a 10% são licenciados. 1/10 do total de desempregados. É um número que pode surpreender por ser pequeno, uma vez que nos media e com movimentos como o "geração à rasca" há uma percepção generalizada de que este problema se sobrepõe a outros. É preciso não confundir "jovem" com "licenciado" em primeiro lugar. 55% dos jovens portugueses com idades entre 20 e 24 anos não tem sequer o ensino secundário concluído e continuamos a ser os campeões do abandono escolar: 28,7% de abandono, ou seja, 1/3 dos nossos jovens desistem da escola.

Depois, é preciso perceber se falamos de aumentos relativos de desemprego. É certo que foi o grupo dos jovens licenciados que teve o maior aumento de desemprego no conjunto da OCDE. Contudo, o relatório "A procura de emprego dos diplomados com educação superior" de junho de 2010 do GPEARI revela que houve um aumento de 25% no desemprego dos licenciados de 35 a 54 anos. Nos jovens licenciados com idades inferiores a 24 anos o aumento foi de 13%, quase metade.

Também é preciso ter em conta que Portugal foi um dos países da OCDE onde o número de licenciados mais aumentou nos últimos anos, quase ao dobro da média da OCDE (o que é normal, visto que partimos de uma das posições piores). Para além do problema conjuntural de crise e que tem feito disparar dramaticamente o desemprego em todas as faixas etárias e níveis de qualificação, é preciso ter em conta ponto de partida conjuntural. Podemos ter jovens qualificados demais para um mercado que, estruturalmente, não tem ofertas de emprego qualificado.

Deviam divulgar os índices de empregabilidade dos cursos de cada universidade. O curso em si não significa nada, a universidade em que ele é obtido tem extrema importância. Estes dados deviam ser consultados pelos jovens antes de escolher cursos e já existem, não estando contudo sistematizada a sua divulgação. Por exemplo, o curso Serviço Social da Universidade de Trás os Montes tem 40 desempregados por cada 68 alunos licenciados. Por outro lado, Engenharia Civil no técnico tem 1 desempregado por cada 252 licenciados. Mas não penses que é só "ser engenheiro" que te safa. Se tirares engenharia biotecnológica na Escola Superior Agrária do Politécnico de Bragança, podes ser um dos 51 desempregados por cada 97 licenciados. Também se devia divulgar o salário médio auferido por licenciados dos cursos de cada universidade, nos primeiros anos de emprego.

O futuro de muitos destes jovens qualificados em Portugal deve passar pelo empreendedorismo, como profissionais liberais ou empresários. Seria interessante que vários cursos incluíssem qualquer coisa deste tipo nos seus programas. Por vezes o caminho é sinuoso e não se trabalha directamente na área de licenciatura. Isto é particularmente importante em áreas que sabemos estar saturadas, como Direito ou Economia ou Gestão, mas que formam jovens com alguma flexibilidade laboral, especialmente os que vêm das universidades de referência nesta área.

É essencial que os jovens entendam que o emprego não é um direito. Por mais que possa ter sido vendido assim, o "direito ao emprego" não existe. Existe o direito a ter uma vida digna, a protecção social, a justiça, a democracia, a liberdade, a livre iniciativa, a saúde, a educação... Mas ninguém tem o direito pré-definido de ter alguém que lhe pague um salário para desempenhar uma função que ninguém precisa, porque isso significaria obrigar outros a pagar esse emprego do seu bolso.

Deve entender que tem de fazer concessões e adaptar-se, investigar todas as possibilidades, estudar coisas para as quais se calhar não sente a mesma vocação ou são mais puxadas, ir para fora, trabalhar noutras áreas, aprender outras coisas. Podem estar à rasca, mas não se está tão à rasca como as pessoas mais crescidas, cheias de dívidas, contas a pagar e filhos ou baixas qualificações.

domingo, 1 de janeiro de 2012

design automóvel

Quando vi a imagem deste carro espalhada por outdoors em Lisboa pensei "wow, a BMW passou-se, que carro tão fixe, vou pedir muitos subsídios para ser escritor, quero um assim como este!!1!"


Hoje ao passar a pé por um desses outdoors vi que dizia "bem vindo a 1981" e depois vi outros com um modelo mais antigo e percebi a cena deles, está gira a ideia, tipo, estão sempre a inovar e na vanguarda e tal. Reconheci o M1, tinha-o numa caderneta de cromos. Mas fiquei deprimido. É que achei mesmo este carro muito fixe. Foi desenvolvido com a Lamborghini (!). Foram feitos menos de 500.

É claro que fui levado ao engano pelo grafismo da imagem e o plano frontal. Uma fotografia real do M1 mostra um carro típico dos ano 80 mas mesmo assim com linhas extremamente elegantes e sóbrias, aveludadas com o toque italiano da Lamborghini, capaz de molhar ratinhas só de acelerar nos semáforos.


E para agravar a minha perda de fé no bom gosto do design automóvel em geral e no da BMW em particular, cheguei a estas fotos do protótipo feito para homenagear o M1 (que deve estar às voltas na tumba).



Não quero viver mais neste mundo. Quem desenha estas coisas? O director de efeitos especiais dos Transformers? Uma oficina de tuning da margem sul? A sério, what the fuck!? É quase tão feio como um Bugatti Veyron.

guião para todos os telejornais do dia 1 de Janeiro, de 1983 a 2340 (altura em que seremos invadidos por aliens)

Imagens de fogo de artifício em várias cidades estrangeiras que aplicam o calendário gregoriano, nomeadamente Sidney, Nova Iorque (times square), Paris (arco do triunfo ao fundo) e Moscovo (praça vermelha). Pessoas na rua, cheias de frio, a beber champanhe de copos de plástico, animadas. Fogo de artifício na Madeira. Passagem de ano na Serra da Estrela, entrevistas a pessoas meio alcoolizadas e com o mesmo perfil socio-demográfico das que vão à inauguração de um centro comercial ou de um túnel rodoviário. Imagens de festa em Lisboa que este ano se resumiu a uns foguetes no parque das nações. Planos de pessoas com aspecto de fazerem corridas na Vasco da Gama em carros roubados, extremamente agitadas e eufóricas.

Contabilidade de mortos na operação Natal - Ano Novo, "balanço positivo, menos acidentes este ano" ou "mais acidentes e mais mortos" ou "menos feridos graves mas mais acidentes" etc. Directos para a Ponte 25 de Abril deserta e uma jornalista enregelada a repetir várias vezes a expressão "tudo calmo por aqui". Plano para a direita, onde aparece um agente da autoridade que estava ali sossegadito à espera, com as mãos atrás das costas. Agente diz que tomaram conhecimento das ocorrências e agiram em conformidade.

Recorde do guiness. Este ano parece que foi na Figueira da Foz, o recorde do mundo de maior número de mini-foguetes. Parabéns à Figueira pelo recorde.

Banhos em rios gelados, algures na Rússia ou na Suécia. Primeiro banho do ano em Portugal, homens de bigode a correr para a água ligeiramente aquecida pelos esgotos de Carcavelos numa demonstração de virilidade e fé no sistema imunitário.

Primeiro bebé do ano, mãe encadeada pelas luzes das câmaras, monstrengo enrugado na incubadora.

INEM, hospitais, noite agitada, jovens em coma alcoólico entrevista a agente de autoridade ou médicos a dizer que tomaram conhecimento das ocorrências e agiram em conformidade.

Consoante a estação de televisão, repetição das imagens da conclusão dos respectivos reality shows na véspera.

as minhas resoluções de ano novo

1 - Ser mais simpático para as pessoas. Torna-se mais fácil obter delas o que preciso.

2 - Deixar de fumar. Com o dinheiro que poupar em tabaco posso comprar o dobro do vinho.

3 - Jogar menos battlefield pela noite fora. Tenho de comprar o skyrim V, foi eleito o jogo do ano e estou enjoado do battlefield.

4 - Dedicar-me mais à minha família. Há heranças em jogo e dois estão bastante doentes.

5 - Fazer voluntariado. Dizem que faz uma pessoa sentir-se melhor e impressiona as raparigas.

6 - Fazer exercício físico. Ir de escadas em vez do elevador... etc.

7 - Preocupar-me com os pobres. Quando estão mesmo à rasca podem tornar-se violentos.

8 - Fazer dieta. Em vez de comer no McDonalds, posso simplesmente não comer (não comer tem zero calorias).

9 - Ser mais humilde. Se for mais humilde, sou mais admirado.

10 - Conviver mais com os amigos. Tenho de arranjar a nova aplicação do facebook para o blackberry e usar mais o whatsapp.

E pronto. E as vossas?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

arte & dinheiro

O Ípsilon traz hoje uma interessante reportagem sobre a sobrevivência dos artistas e projectos culturais num cenário se crise. Recomendo a sua leitura. Tenho empatia pelo problema. Até porque afecta todos os sectores da economia, incluindo o meu que tem sofrido despedimentos em catadupa. Mas o sector da cultura é particularmente sensível, uma vez que tudo o que foge ao mainstream vive em crise ou na corda bamba desde sempre, devido à ausência de uma base de público interessado suficientemente ampla. O próprio jornal O Público, o melhor generalista e o seu suplemento Ípsilon, podem desaparecer e isto enquanto o JN ou o Correio da Manhã têm 3 ou 4 vezes mais tiragem. É o retrato do país que temos.
Por outros artistas, confesso, não tenho qualquer empatia. Há uma caixa de um Alfredo Martins, actor e encenador, umjovem, que tem pérolas como “é impossível pensar numa prática artística que ignore o social. A arte que o faça produz um discurso vazio e sem sentido”. José Sócrates levo-o passear à Finlândia com o seu INOV-Arte. Depois tudo entrou em depressão por “responsabilidade de um sistema político que não soube cuidar do sistema cultural do país” e pela “ausência de políticas culturais que não são concertadas de maneira a criar aos artistas os melhores espaços de criação”. Também diz que “há um sector experimental que precisa de apoios do estado e vai deixar de chegar ao público”. No mundo dos Alfredos Martins, existe um público extremamente preocupado com a ausência de sector experimental a chegar-lhe, mas não o suficente para pagá-lo sob a forma de bilhetes. Contudo, a peça não se foca neste tipo de funcionários culturais que fazem broches a secretários de estado da cultura e ministros, enquanto se armam em arautos do social.

A peça não fala de escritores, embora tenha uma caixa com o director da Porto Editora e entende-se porquê. O escritor é pobre por definição e são ridiculamente raros os casos de escritores portugueses que vivem disso. O escritor pode ser responsável pelo produto todo, só precisa de um computador e de tempo. Ao contrário do cinema ou do teatro, a materialização da obra de arte não precisa de investimento de produção, embora já tenha ouvido falar de casos (que quero acreditar serem um mito) de escritores que são financiados por subsídios. Um músico também precisa de salas para tocar, um elo para com o público, se for uma banda precisa de outros músicos, precisa de coordenar coisas. Um escritor não, pode ser uma criatura que faz a sua coisa sossegado, só precisa de criar espaço e tempo para isso. Se o Luiz Pacheco vivia como vivia, que direito tem um escritor burguês do século XXI em Portugal de se queixar?

Admito que parte do meu problema em não conseguir, por enquanto, levar a escrita a sério, se prende com uma ausência total de prémio, combinado com a existência de alternativas mais plausíveis e melhor remuneradas e que ocupam grande parte do meu tempo. Toda a minha vida fui habituado a uma recompensa material mínima pelo meu esforço. No caso da escrita essa recompensa é difusa e imprecisa, especialmente no curto médio prazo. Então só escrevo quando preciso e quero. Se por um lado isso parece ser uma coisa muito independente e genuína, por outro, faz-me não escrever quando não preciso e não quero, o que inclui 90% do tempo quando tenho projectos importantes a nível profissional e 100% do tempo subsequente ao lançamento de um novo Battlefield para a playstation. Não tenho qualquer pretensão de ter algo de importante a fazer nesse campo e que precise de ser feito. O dinheiro, para mim, é a tradução da utilidade que a sociedade, tal como existe (e que eu não faço intenções de mudar) me confere. Não significa que seja essa a minha utilidade real, mas é aquela que vêem em mim. E o dinheiro também atrai talento.

Uma pessoa pode decidir ser escritora, poeta, músico, actor ou, horror dos horrores, realizador de cinema, só porque sim. Estou a generalizar, obviamente que há excepções, mas tudo segue a mesma regra da oferta e da procura. Se temos bons jogadores e treinadores de futebol é porque gostamos de futebol, há procura de futebol e então há muita gente a tentar o mesmo e existe uma forte concorrência e filtragem de mediocridade. Na arte, pode muito bem nunca existir um filtro. O Estado só pode agravar este estado de coisas porque avalia estas pessoas e estes projectos, com os seus critérios e filtros altamente científicos e objectivos que envolvem lamberem-lhes o cu. Um artista tem o direito (até o dever) de se queixar de viver num país de imbecis (um facto) que não lhe reconhecem valor ou até do azar, mas não se deve queixar nunca do Estado.

Eu percebo essa coisa de querer ser artista. Ser artista é ser especial e as miúdas gostam. Dá status. Não há ricaço ou político que dispense a companhia de artistas, as coisas são como no século XVI com os patronos e as cortes, nada mudou. Um artista é uma joía, um excêntrico, um ser especial e talentoso. Desde puto que queria ser artista, primeiro actor, depois comediante, depois realizador, depois músico, depois argumentista, finalmente escritor (pelos motivos apontados acima). Mas grande parte desse sentimento vinha de um desejo de ser relevante de alguma forma ou compensar problemas afectivos, carências, um ego desmedido etc. e que me faziam ver-me ao espelho como aquela imagem do gatinho que vê reflectido um leão. Quando comecei a escrever era muito megalómano. Lembro-me de um projecto de romance meu que versava sobre um reality show por ocasião dos 500 anos da viagem para índia em que portugueses, todos castiços, com os nossos defeitos, conseguiam fazer a viagem à custa de muito desenrascanço. A acrescentar a isto, queria fazer tudo inspirado nos Lusíadas, como o Ulisses de James Joyce e ainda ser um Eça moderno. Ena. Mais um pouco e tínhamos um Gonçalo Tavares II.

Com a idade, esse sentimento megalómano foi desaparecendo e sendo substituído por uma resignação pacífica. Os temas tornaram-se mais claustrofóbicos e minimalistas. E escrever um romance bem feito dá um trabalho desmedido e faz mal à saúde e à vida social. Também há a questão sempre relevante do medo do fracasso. Não propriamente o fracasso visto pelos outros, mas de descobrirmos que afinal não somos assim tão bons como pensávamos que éramos ou queríamos ser. Os Alfredos Martins têm sempre o escape das "políticas culturais". Um verdadeiro artista é perfeccionista e angustiado e está muito mais preocupado com a sua obra ideal do que com as condições sociais e "subsidiais" que a permitem materializar-se.

Acredito que em 2012 vou concluir dois projectos importantes, só mesmo porque seria humilhante não os concluir. Em pleno ano de crise. E depois hei de ser editado por uma editora amadora alternativa que irá à falência poucos meses depois e criticado negativamente em jornais falidos obscuros e fecha-se o ciclo, mas já terei a medalhinha dos paraolímpicos da arte no peito e poderei trabalhar para a casa à beira mar, os filhos, o cão e o veleiro.

eu tinha paixão platónica pela gaja dos slowdive, a Rachel Goswell




40 anos, cheia de pinta ainda, sim senhor.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

hoje estou extremamente profícuo* e a irritar os followers no reader porque lhes spamo aquilo

Fui cortar o cabelo curtinho, puseram-me espuma e também passei a usar perfume. Estarei a tornar-me metrossexual? Todos os anos é a mesma coisa, na véspera da passagem de ano tomo as resoluções todas e implemento-as por um ou dois dias. Assim, quando começa o ano seguinte, posso desistir delas e os meus comportamentos decadentes passam a ser resoluções assumidas. Coisas como "vou chegar atrasado todos os dias", "vou continuar a beber cerveja", "vou ao Mac 3 vezes por semana", "não vou escrever com disciplina" etc. tornam-se decisões minhas e tenho a ilusão de ter controlo sobre a minha vida, enquanto as outras pessoas acabam por ficar deprimidas porque escolheram fazer coisas que, sinceramente, não querem fazer. Isto de usar perfume não foi bem uma resolução. Ofereceram-me um perfume este natal e sinto-me coagido a usá-lo. É verdade. A minha noção de perfume é o stick roll'on do Minipreço. Sou fortemente homofóbico, mas no sentido de ter medo de ser gay e não propriamente medo dos gays (já fiz um post sobre isso). E incluo o "usar perfumes caros" no rol de sintomas preocupantes. Outros incluem apertar a mão a um homem sem ser com força suficiente para causar dor ou outro qualquer contacto de pele com pele, por exemplo, quando pegamos os dois no mesmo copo de cerveja sem querer. Quando estou a dançar ao som de Scissor Sisters no Tramps penso "como é que o Hemingway dançaria isto?" Também entro sempre na rodinha dos comentários homofóbicos, muito frequentes em ambientes de trabalho saudáveis e sofisticados, em que homens, para reforçar os laços de guerreiros viris do mundo dos negócios, exorcizam o mesmo medo que o meu, comentando coisas homossexuais e reforçando que não são. Quanto ao corte de cabelo, é uma necessidade profissional, vivemos num mundo de aparências e um consultor "que parece o Jorge Jesus" (comentário real) é uma coisa má, quando para mim, no meu mundo, seria uma coisa positiva e de se incentivar, até porque não nada homossexual. Acho que o aspecto de uma pessoa deve ser a expressão da sua individualidade, daí que considere que deixar as coisas seguirem o seu rumo natural é o mais adequado. Um dos momentos mais traumáticos de hoje foi quando o cabeleireiro, um daqueles gays brasileiros que anda como um bambi a saltar de nenúfar em nenúfar e canta músicas da Mariah Carrey com voz de falsete, me fez uma massagem ao couro cabeludo com um creme hidratante. Dei por mim quase a gostar da massagem e tive de me concentrar no desconforto da posição com o pescoço todo torcido para trás. Mas fiquei muito giro :)

*profícuo: proficiente **

** proficiente: Hábil, capaz. (oh foda-se não era isto que eu queria dizer)

bolas, estou a andar para trás e para a frente há 2 horas, onde é que ele anda?

é sempre o melhor

é uma poderosa metáfora

é completamente diferente

pensei numa pessoa

ok, eu faço isto

é um padrão

isto aconteceu à minha frente

é vê-los na Fnac a fingir...


(vou-me divertir a fazer mais destes nos próximos dias)

já disse que não gosto do Natal?

ser especial

À conversa com um distinto senhor que tem o hobbit da numismática, aprendi que as moedas e selos e outras coisas do género ganham um valor explosivo quando têm um defeito. Foi o caso das últimas edições das moedas de 100 escudos em 1999 que tinham República Portugusa escrito. Claro que ele fez um rico negócio porque andou a coleccionar estas moedas de 100$ e elas chegaram a valer 100 vezes o valor facial. Segundo o link que ali coloquei, hoje devem valer 5€.

Isto é uma bela metáfora, às vezes são os defeitos que nos tornam especiais e raros. Gostava que pensassem nisto antes de ralhar comigo por ter deixado peças de roupa espalhadas pela casa. Eu não tenho culpa. Para mim deixar meias dentro do lavatório ou uma toalha molhada em cima da televisão ou umas calças na máquina de lavar loiça é instintivo. É como se estivesse a fazer um ninho com cotão ou algo do género, a tornar o lar mais confortável e acolhedor. Também considero mais fácil perceber onde estão as coisas quando elas estão à vista e não escondidas em gavetas, daí que retire as coisas das gavetas quando as procuro e as deixe em exposição. Quando é um gato a fazer esse tipo de coisas, é fofinho, quando sou eu, é uma desordem e não ajudo nada e chora-se etc. Admito que é um defeito, mas é um defeito que me torna especial e único. Gostava que isso fosse encarado assim.

a direcção geral de impostos é a minha teenage babe

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

já agora, para corroborar a minha visão sexista que são as massas do sexo feminino a determinar os tops

Top de vendas de livros da fnac:

1º O Último Segredo
2º Dei-te o Melhor de Mim
3º Minha Querida Inês
4º 1Q84
5º Claraboia
6º Marquesa de Alorna
7º Contos Completos
8º O Filho de Mil Homens
9º A Guerra dos Tronos
10º O Caso Rembrandt

Tudo livros para gajas...


Top 20 de discos em Portugal:
1 1
Ai Se Te Pego
Michel Telo

2
Someone Like You
Adele

3
Paradise
Coldplay

4
Perdoname
Pablo Alboran

5
Moves Like Jagger
Maroon 5 & Christina Aguilera


6
Set Fire To The Rain
Adele


7
We Found Love
Rihanna & Calvin Harris

8
Without You
David Guetta & Usher

9
Esta Noite
David Carreira & Jmi Sissoko

10
All I Want For Christmas Is You
Mariah Carey

11
Rolling In The Deep
Adele

12
Beautiful Lie
Keemo, Tim Royko & Cosmo Klein

13
Tu
David Carreira

14
Santa Claus Is Coming To Town
Michael Buble


15
Keep On Dancing
X-Wife

16
Give Me Everything
Pitbull

17
Ai Se Eu Te Pego
Hallux & Marcus

18
Chuva
Mariza

19
Benfica Sempre
Miguel Gameiro

20
The Girl From Ipanema
Amy Winehouse


Tudo discos para gajas. Excepto ali o David Guetta para suburbanos e o Benfica Sempre, o único disco de jeito na lista.

mais um desabafo sobre música e por aí fora



Às vezes sinto-me fortemente inclinado a concluir que ainda não veio um período de música tão boa como desde o início da década de 90 (antes sim, houve até muito melhores, muito muito melhores). É um período que não inclui só o rock grunge ou indie ou alternativo dos sobejamente conhecidos Nirvana ainda sobrepostos a ecos de heavy metal e rock progressivo (Guns, Metallica) que depois definhariam.

Temos também a electrónica com o revolucionário Blue Lines dos Massive Atack,  os Primal Scream, a formação de uma techno alternativa, o hip hop em força com a Tribe Called Quest, Dr. Dre, Bestie Boys e outros, o melhor dos Red Hot Chilli Peppers, o Dangerous do Michael Jackson (talvez o último álbum relevante do rei da pop) etc. a lista não acaba.

Dizem que o mainstream antes do grunge estava também dominado por "má música". É uma generalização errada, mas é certo que foram os Nirvana que escancararam as portas do "alternativo" para o mainstream e produziram uma pequena revolta cultural que não queria absolutamente nada de especial, não glorificava drogas ou o amor, era apenas um sentimento focado no "eu" enquanto inadaptado e o meu grupo de amigos inadaptados e queremos que a sociedade e as roupas sem buracos e com o tamanho certo se lixem. Era, portanto, maravilhoso e intemporal e que naturalmente o mainstream tratou de filtrar e processar.

O perigo de dizer isto é o de cair naquele cliché do velho cretino que acha sempre que antes é que era bom e hoje é muito mau. E não gosto de cair em clichés. Um dos sinais que corrobora o meu feeling foi a morte da MTV enquanto estação de televisão dedicada à música (hoje é algo para mentecaptos ao nível de participantes da casa dos segredos) e o fim do lugar de destaque que a música pop rock de qualidade tinha nas televisões nacionais.

Não digo que a culpa seja das televisões ou da MTV, não senhor, elas são apenas um reflexo e mesmo nessa época obedeciam a critérios comerciais e de procura e oferta.

O meu feeling é que os € e os $ do mercado da música estão num segmento de pré-adolescentes do sexo feminino e em massas fortemente incultas e insensíveis que tiveram poder compra (também maioritariamente do sexo feminino). Notem que isto não é uma afirmação sexista, é apenas uma constatação da realidade, passa-se o mesmo nos livros, os homens das massas, o povão masculino, compram outras coisas mas pelo menos não compram discos ou livros, não tendo grande influência nos tops de vendas. Também se criaram outros mercados como o infantil. Acho que pais que oferecem aqueles discos do ursinho gummy e do fantasminha brincalhão, deviam ver-lhes retirada a custódia dos filhos. Mas isto sou eu. Um top de tabelas de vendas em portugal dá-me vómitos.

Notem que esta decadência não se reflecte só ao nível do que é divulgado, mas também no próprio "fabrico" das coisas. Um exemplo desta máquina está num livro que li há tempos, um manual de masterização do engenheiro de som Bob Katz, uma daquelas velhas raposas de estúdio, de ouvido apurado. Ele refere vários problemas nos ouvintes actuais, são cada vez mais intolerantes e desabituados a som pouco comprimido e sem afinação automática. As próprias rádios ainda somam mais compressão (as rádios mainstream, como a Cidade, RFM, Comercial etc.) porque sabem que para captar a atenção do ouvinte, ele precisa de ouvir coisas com power.

Do lado da oferta de música, da qualidade geral dos artista, não sei... Há uma fragmentação enorme. Oiço 4 discos novos por semana em média e mesmo assim não sei o que se passa, não entendo nada. Acho que no mainstream não há nada de jeito de forma consistente. A arte é fruto dos seus tempos, mas não é uma coisa democrática, a arte pertence às elites, no caso do rock e da pop, às elites jovens. Depende do contexto destas em cada época e, claro do destino, da divina providência de existir aquela e aquela pessoa na mesma época e tudo aquilo se conjugar e depois em retrospectiva se falar em "movimentos" e a crítica colar rótulos. Uma coisa eu sei quando ouvia rock no início dos anos 90, achava as épocas anteriores extremamente ingénuas (e eu tinha 14 ou 15 anos) e que as pessoas dos 90 eram bem mais lúcidas e evoluídas. E hoje olho para trás e lembro-me de vibrar muito com o Ninja Turtles do Vanilla Ice... Não obstante, mantenho o que aqui escrevi, por enquanto.

o marketing da Apple é mesmo muito bom