O Ípsilon traz hoje uma interessante reportagem sobre a sobrevivência dos artistas e projectos culturais num cenário se crise. Recomendo a sua leitura. Tenho empatia pelo problema. Até porque afecta todos os sectores da economia, incluindo o meu que tem sofrido despedimentos em catadupa. Mas o sector da cultura é particularmente sensível, uma vez que tudo o que foge ao mainstream vive em crise ou na corda bamba desde sempre, devido à ausência de uma base de público interessado suficientemente ampla. O próprio jornal O Público, o melhor generalista e o seu suplemento Ípsilon, podem desaparecer e isto enquanto o JN ou o Correio da Manhã têm 3 ou 4 vezes mais tiragem. É o retrato do país que temos.
Por outros artistas, confesso, não tenho qualquer empatia. Há uma caixa de um Alfredo Martins, actor e encenador, umjovem, que tem pérolas como “é impossível pensar numa prática artística que ignore o social. A arte que o faça produz um discurso vazio e sem sentido”. José Sócrates levo-o passear à Finlândia com o seu INOV-Arte. Depois tudo entrou em depressão por “responsabilidade de um sistema político que não soube cuidar do sistema cultural do país” e pela “ausência de políticas culturais que não são concertadas de maneira a criar aos artistas os melhores espaços de criação”. Também diz que “há um sector experimental que precisa de apoios do estado e vai deixar de chegar ao público”. No mundo dos Alfredos Martins, existe um público extremamente preocupado com a ausência de sector experimental a chegar-lhe, mas não o suficente para pagá-lo sob a forma de bilhetes. Contudo, a peça não se foca neste tipo de funcionários culturais que fazem broches a secretários de estado da cultura e ministros, enquanto se armam em arautos do social.
A peça não fala de escritores, embora tenha uma caixa com o director da Porto Editora e entende-se porquê. O escritor é pobre por definição e são ridiculamente raros os casos de escritores portugueses que vivem disso. O escritor pode ser responsável pelo produto todo, só precisa de um computador e de tempo. Ao contrário do cinema ou do teatro, a materialização da obra de arte não precisa de investimento de produção, embora já tenha ouvido falar de casos (que quero acreditar serem um mito) de escritores que são financiados por subsídios. Um músico também precisa de salas para tocar, um elo para com o público, se for uma banda precisa de outros músicos, precisa de coordenar coisas. Um escritor não, pode ser uma criatura que faz a sua coisa sossegado, só precisa de criar espaço e tempo para isso. Se o Luiz Pacheco vivia como vivia, que direito tem um escritor burguês do século XXI em Portugal de se queixar?
Admito que parte do meu problema em não conseguir, por enquanto, levar a escrita a sério, se prende com uma ausência total de prémio, combinado com a existência de alternativas mais plausíveis e melhor remuneradas e que ocupam grande parte do meu tempo. Toda a minha vida fui habituado a uma recompensa material mínima pelo meu esforço. No caso da escrita essa recompensa é difusa e imprecisa, especialmente no curto médio prazo. Então só escrevo quando preciso e quero. Se por um lado isso parece ser uma coisa muito independente e genuína, por outro, faz-me não escrever quando não preciso e não quero, o que inclui 90% do tempo quando tenho projectos importantes a nível profissional e 100% do tempo subsequente ao lançamento de um novo Battlefield para a playstation. Não tenho qualquer pretensão de ter algo de importante a fazer nesse campo e que precise de ser feito. O dinheiro, para mim, é a tradução da utilidade que a sociedade, tal como existe (e que eu não faço intenções de mudar) me confere. Não significa que seja essa a minha utilidade real, mas é aquela que vêem em mim. E o dinheiro também atrai talento.
Uma pessoa pode decidir ser escritora, poeta, músico, actor ou, horror dos horrores, realizador de cinema, só porque sim. Estou a generalizar, obviamente que há excepções, mas tudo segue a mesma regra da oferta e da procura. Se temos bons jogadores e treinadores de futebol é porque gostamos de futebol, há procura de futebol e então há muita gente a tentar o mesmo e existe uma forte concorrência e filtragem de mediocridade. Na arte, pode muito bem nunca existir um filtro. O Estado só pode agravar este estado de coisas porque avalia estas pessoas e estes projectos, com os seus critérios e filtros altamente científicos e objectivos que envolvem lamberem-lhes o cu. Um artista tem o direito (até o dever) de se queixar de viver num país de imbecis (um facto) que não lhe reconhecem valor ou até do azar, mas não se deve queixar nunca do Estado.
Eu percebo essa coisa de querer ser artista. Ser artista é ser especial e as miúdas gostam. Dá status. Não há ricaço ou político que dispense a companhia de artistas, as coisas são como no século XVI com os patronos e as cortes, nada mudou. Um artista é uma joía, um excêntrico, um ser especial e talentoso. Desde puto que queria ser artista, primeiro actor, depois comediante, depois realizador, depois músico, depois argumentista, finalmente escritor (pelos motivos apontados acima). Mas grande parte desse sentimento vinha de um desejo de ser relevante de alguma forma ou compensar problemas afectivos, carências, um ego desmedido etc. e que me faziam ver-me ao espelho como aquela imagem do gatinho que vê reflectido um leão. Quando comecei a escrever era muito megalómano. Lembro-me de um projecto de romance meu que versava sobre um reality show por ocasião dos 500 anos da viagem para índia em que portugueses, todos castiços, com os nossos defeitos, conseguiam fazer a viagem à custa de muito desenrascanço. A acrescentar a isto, queria fazer tudo inspirado nos Lusíadas, como o Ulisses de James Joyce e ainda ser um Eça moderno. Ena. Mais um pouco e tínhamos um Gonçalo Tavares II.
Com a idade, esse sentimento megalómano foi desaparecendo e sendo substituído por uma resignação pacífica. Os temas tornaram-se mais claustrofóbicos e minimalistas. E escrever um romance bem feito dá um trabalho desmedido e faz mal à saúde e à vida social. Também há a questão sempre relevante do medo do fracasso. Não propriamente o fracasso visto pelos outros, mas de descobrirmos que afinal não somos assim tão bons como pensávamos que éramos ou queríamos ser. Os Alfredos Martins têm sempre o escape das "políticas culturais". Um verdadeiro artista é perfeccionista e angustiado e está muito mais preocupado com a sua obra ideal do que com as condições sociais e "subsidiais" que a permitem materializar-se.
Acredito que em 2012 vou concluir dois projectos importantes, só mesmo porque seria humilhante não os concluir. Em pleno ano de crise. E depois hei de ser editado por uma editora amadora alternativa que irá à falência poucos meses depois e criticado negativamente em jornais falidos obscuros e fecha-se o ciclo, mas já terei a medalhinha dos paraolímpicos da arte no peito e poderei trabalhar para a casa à beira mar, os filhos, o cão e o veleiro.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
hoje estou extremamente profícuo* e a irritar os followers no reader porque lhes spamo aquilo
Fui cortar o cabelo curtinho, puseram-me espuma e também passei a usar perfume. Estarei a tornar-me metrossexual? Todos os anos é a mesma coisa, na véspera da passagem de ano tomo as resoluções todas e implemento-as por um ou dois dias. Assim, quando começa o ano seguinte, posso desistir delas e os meus comportamentos decadentes passam a ser resoluções assumidas. Coisas como "vou chegar atrasado todos os dias", "vou continuar a beber cerveja", "vou ao Mac 3 vezes por semana", "não vou escrever com disciplina" etc. tornam-se decisões minhas e tenho a ilusão de ter controlo sobre a minha vida, enquanto as outras pessoas acabam por ficar deprimidas porque escolheram fazer coisas que, sinceramente, não querem fazer. Isto de usar perfume não foi bem uma resolução. Ofereceram-me um perfume este natal e sinto-me coagido a usá-lo. É verdade. A minha noção de perfume é o stick roll'on do Minipreço. Sou fortemente homofóbico, mas no sentido de ter medo de ser gay e não propriamente medo dos gays (já fiz um post sobre isso). E incluo o "usar perfumes caros" no rol de sintomas preocupantes. Outros incluem apertar a mão a um homem sem ser com força suficiente para causar dor ou outro qualquer contacto de pele com pele, por exemplo, quando pegamos os dois no mesmo copo de cerveja sem querer. Quando estou a dançar ao som de Scissor Sisters no Tramps penso "como é que o Hemingway dançaria isto?" Também entro sempre na rodinha dos comentários homofóbicos, muito frequentes em ambientes de trabalho saudáveis e sofisticados, em que homens, para reforçar os laços de guerreiros viris do mundo dos negócios, exorcizam o mesmo medo que o meu, comentando coisas homossexuais e reforçando que não são. Quanto ao corte de cabelo, é uma necessidade profissional, vivemos num mundo de aparências e um consultor "que parece o Jorge Jesus" (comentário real) é uma coisa má, quando para mim, no meu mundo, seria uma coisa positiva e de se incentivar, até porque não nada homossexual. Acho que o aspecto de uma pessoa deve ser a expressão da sua individualidade, daí que considere que deixar as coisas seguirem o seu rumo natural é o mais adequado. Um dos momentos mais traumáticos de hoje foi quando o cabeleireiro, um daqueles gays brasileiros que anda como um bambi a saltar de nenúfar em nenúfar e canta músicas da Mariah Carrey com voz de falsete, me fez uma massagem ao couro cabeludo com um creme hidratante. Dei por mim quase a gostar da massagem e tive de me concentrar no desconforto da posição com o pescoço todo torcido para trás. Mas fiquei muito giro :)
*profícuo: proficiente **
** proficiente: Hábil, capaz. (oh foda-se não era isto que eu queria dizer)
*profícuo: proficiente **
** proficiente: Hábil, capaz. (oh foda-se não era isto que eu queria dizer)
ser especial
À conversa com um distinto senhor que tem o hobbit da numismática, aprendi que as moedas e selos e outras coisas do género ganham um valor explosivo quando têm um defeito. Foi o caso das últimas edições das moedas de 100 escudos em 1999 que tinham República Portugusa escrito. Claro que ele fez um rico negócio porque andou a coleccionar estas moedas de 100$ e elas chegaram a valer 100 vezes o valor facial. Segundo o link que ali coloquei, hoje devem valer 5€.
Isto é uma bela metáfora, às vezes são os defeitos que nos tornam especiais e raros. Gostava que pensassem nisto antes de ralhar comigo por ter deixado peças de roupa espalhadas pela casa. Eu não tenho culpa. Para mim deixar meias dentro do lavatório ou uma toalha molhada em cima da televisão ou umas calças na máquina de lavar loiça é instintivo. É como se estivesse a fazer um ninho com cotão ou algo do género, a tornar o lar mais confortável e acolhedor. Também considero mais fácil perceber onde estão as coisas quando elas estão à vista e não escondidas em gavetas, daí que retire as coisas das gavetas quando as procuro e as deixe em exposição. Quando é um gato a fazer esse tipo de coisas, é fofinho, quando sou eu, é uma desordem e não ajudo nada e chora-se etc. Admito que é um defeito, mas é um defeito que me torna especial e único. Gostava que isso fosse encarado assim.
Isto é uma bela metáfora, às vezes são os defeitos que nos tornam especiais e raros. Gostava que pensassem nisto antes de ralhar comigo por ter deixado peças de roupa espalhadas pela casa. Eu não tenho culpa. Para mim deixar meias dentro do lavatório ou uma toalha molhada em cima da televisão ou umas calças na máquina de lavar loiça é instintivo. É como se estivesse a fazer um ninho com cotão ou algo do género, a tornar o lar mais confortável e acolhedor. Também considero mais fácil perceber onde estão as coisas quando elas estão à vista e não escondidas em gavetas, daí que retire as coisas das gavetas quando as procuro e as deixe em exposição. Quando é um gato a fazer esse tipo de coisas, é fofinho, quando sou eu, é uma desordem e não ajudo nada e chora-se etc. Admito que é um defeito, mas é um defeito que me torna especial e único. Gostava que isso fosse encarado assim.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
já agora, para corroborar a minha visão sexista que são as massas do sexo feminino a determinar os tops
Top de vendas de livros da fnac:
1º O Último Segredo
2º Dei-te o Melhor de Mim
3º Minha Querida Inês
4º 1Q84
5º Claraboia
6º Marquesa de Alorna
7º Contos Completos
8º O Filho de Mil Homens
9º A Guerra dos Tronos
10º O Caso Rembrandt
Tudo livros para gajas...
Top 20 de discos em Portugal:
1 1
Ai Se Te Pego
Michel Telo
2
Someone Like You
Adele
3
Paradise
Coldplay
4
Perdoname
Pablo Alboran
5
Moves Like Jagger
Maroon 5 & Christina Aguilera
6
Set Fire To The Rain
Adele
7
We Found Love
Rihanna & Calvin Harris
8
Without You
David Guetta & Usher
9
Esta Noite
David Carreira & Jmi Sissoko
10
All I Want For Christmas Is You
Mariah Carey
11
Rolling In The Deep
Adele
12
Beautiful Lie
Keemo, Tim Royko & Cosmo Klein
13
Tu
David Carreira
14
Santa Claus Is Coming To Town
Michael Buble
15
Keep On Dancing
X-Wife
16
Give Me Everything
Pitbull
17
Ai Se Eu Te Pego
Hallux & Marcus
18
Chuva
Mariza
19
Benfica Sempre
Miguel Gameiro
20
The Girl From Ipanema
Amy Winehouse
Tudo discos para gajas. Excepto ali o David Guetta para suburbanos e o Benfica Sempre, o único disco de jeito na lista.
1º O Último Segredo
2º Dei-te o Melhor de Mim
3º Minha Querida Inês
4º 1Q84
5º Claraboia
6º Marquesa de Alorna
7º Contos Completos
8º O Filho de Mil Homens
9º A Guerra dos Tronos
10º O Caso Rembrandt
Tudo livros para gajas...
Top 20 de discos em Portugal:
1 1
Ai Se Te Pego
Michel Telo
2
Someone Like You
Adele
3
Paradise
Coldplay
4
Perdoname
Pablo Alboran
5
Moves Like Jagger
Maroon 5 & Christina Aguilera
6
Set Fire To The Rain
Adele
7
We Found Love
Rihanna & Calvin Harris
8
Without You
David Guetta & Usher
9
Esta Noite
David Carreira & Jmi Sissoko
10
All I Want For Christmas Is You
Mariah Carey
11
Rolling In The Deep
Adele
12
Beautiful Lie
Keemo, Tim Royko & Cosmo Klein
13
Tu
David Carreira
14
Santa Claus Is Coming To Town
Michael Buble
15
Keep On Dancing
X-Wife
16
Give Me Everything
Pitbull
17
Ai Se Eu Te Pego
Hallux & Marcus
18
Chuva
Mariza
19
Benfica Sempre
Miguel Gameiro
20
The Girl From Ipanema
Amy Winehouse
Tudo discos para gajas. Excepto ali o David Guetta para suburbanos e o Benfica Sempre, o único disco de jeito na lista.
mais um desabafo sobre música e por aí fora
Às vezes sinto-me fortemente inclinado a concluir que ainda não veio um período de música tão boa como desde o início da década de 90 (antes sim, houve até muito melhores, muito muito melhores). É um período que não inclui só o rock grunge ou indie ou alternativo dos sobejamente conhecidos Nirvana ainda sobrepostos a ecos de heavy metal e rock progressivo (Guns, Metallica) que depois definhariam.
Temos também a electrónica com o revolucionário Blue Lines dos Massive Atack, os Primal Scream, a formação de uma techno alternativa, o hip hop em força com a Tribe Called Quest, Dr. Dre, Bestie Boys e outros, o melhor dos Red Hot Chilli Peppers, o Dangerous do Michael Jackson (talvez o último álbum relevante do rei da pop) etc. a lista não acaba.
Dizem que o mainstream antes do grunge estava também dominado por "má música". É uma generalização errada, mas é certo que foram os Nirvana que escancararam as portas do "alternativo" para o mainstream e produziram uma pequena revolta cultural que não queria absolutamente nada de especial, não glorificava drogas ou o amor, era apenas um sentimento focado no "eu" enquanto inadaptado e o meu grupo de amigos inadaptados e queremos que a sociedade e as roupas sem buracos e com o tamanho certo se lixem. Era, portanto, maravilhoso e intemporal e que naturalmente o mainstream tratou de filtrar e processar.
O perigo de dizer isto é o de cair naquele cliché do velho cretino que acha sempre que antes é que era bom e hoje é muito mau. E não gosto de cair em clichés. Um dos sinais que corrobora o meu feeling foi a morte da MTV enquanto estação de televisão dedicada à música (hoje é algo para mentecaptos ao nível de participantes da casa dos segredos) e o fim do lugar de destaque que a música pop rock de qualidade tinha nas televisões nacionais.
Não digo que a culpa seja das televisões ou da MTV, não senhor, elas são apenas um reflexo e mesmo nessa época obedeciam a critérios comerciais e de procura e oferta.
O meu feeling é que os € e os $ do mercado da música estão num segmento de pré-adolescentes do sexo feminino e em massas fortemente incultas e insensíveis que tiveram poder compra (também maioritariamente do sexo feminino). Notem que isto não é uma afirmação sexista, é apenas uma constatação da realidade, passa-se o mesmo nos livros, os homens das massas, o povão masculino, compram outras coisas mas pelo menos não compram discos ou livros, não tendo grande influência nos tops de vendas. Também se criaram outros mercados como o infantil. Acho que pais que oferecem aqueles discos do ursinho gummy e do fantasminha brincalhão, deviam ver-lhes retirada a custódia dos filhos. Mas isto sou eu. Um top de tabelas de vendas em portugal dá-me vómitos.
Notem que esta decadência não se reflecte só ao nível do que é divulgado, mas também no próprio "fabrico" das coisas. Um exemplo desta máquina está num livro que li há tempos, um manual de masterização do engenheiro de som Bob Katz, uma daquelas velhas raposas de estúdio, de ouvido apurado. Ele refere vários problemas nos ouvintes actuais, são cada vez mais intolerantes e desabituados a som pouco comprimido e sem afinação automática. As próprias rádios ainda somam mais compressão (as rádios mainstream, como a Cidade, RFM, Comercial etc.) porque sabem que para captar a atenção do ouvinte, ele precisa de ouvir coisas com power.
Do lado da oferta de música, da qualidade geral dos artista, não sei... Há uma fragmentação enorme. Oiço 4 discos novos por semana em média e mesmo assim não sei o que se passa, não entendo nada. Acho que no mainstream não há nada de jeito de forma consistente. A arte é fruto dos seus tempos, mas não é uma coisa democrática, a arte pertence às elites, no caso do rock e da pop, às elites jovens. Depende do contexto destas em cada época e, claro do destino, da divina providência de existir aquela e aquela pessoa na mesma época e tudo aquilo se conjugar e depois em retrospectiva se falar em "movimentos" e a crítica colar rótulos. Uma coisa eu sei quando ouvia rock no início dos anos 90, achava as épocas anteriores extremamente ingénuas (e eu tinha 14 ou 15 anos) e que as pessoas dos 90 eram bem mais lúcidas e evoluídas. E hoje olho para trás e lembro-me de vibrar muito com o Ninja Turtles do Vanilla Ice... Não obstante, mantenho o que aqui escrevi, por enquanto.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
vida social
diálogo com puto austríaco de 13 anos e gago (e o melhor jogador de Battlefield que já vi)
- He... he... hello... h...h... h... ow are you?
- Fine thanks! Woooow! You just stabed 3 guys in a row!!!
- Ah y... yess... e was g... going to k k k k k kill us.
- Wow, you are a great player. Just Kill them and I'll support you.
- I do not... und... und understand english verry well.
- Nevermind.
(pausa, explosões, mortes, tiros, ele continua a chacinar a equipa adversária enquanto mantém um diálogo comigo, é complicado entendê-lo porque gagueja mesmo.
- Wh... wh... where arre you fff ff f ff frrom? --- destrói um tanque
- Lisbon, Portugal... wow! you planted c4 on that tank, nice!
- Ah. I am frr.. fr. from Austrria. H... how old arrr... you? -- elimina 3 tipos com uma caçadeira
- 34.
- D... do you... h h h h h haaave ki?
- Sorry?
- Do... doo. ... you.. haave the ki?
- I dont understand (é um bocado difícil de understand quando chovem morteiradas à nossa volta)
- Ch... children, do you have ch... children?
- Ah, kids. No I dont.
- Oh.
Continuámos a conversar e a chacinar e no fim ele adicionou-me como amigo e perguntou por mensagem: tomorrow you play? Aceitei, claro, por pena. Não deve ter muitos amigos, coitado.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
gosto de ler as embalagens e depois deixo a imaginação fazer o resto :)
"Nesta deliciosa receita de Lasanha Bolonhesa, Marco Bellini seleccionou a melhor carne de vaca e a massa mais saborosa. Refogou a cebola e o alho, adicionou a carne picada, juntou o tomate e temperou com especiarias. Depois de bem apurado colocou alternadamente uma camada de massa e molho de carne. Regou com molho bechamel e natas, polvinhado com queijo ralado, conferindo-lhe um gratinado muito apetitoso depois de ir ao forno. Itália é famosa pelos seus pratos de massa, onde os ingredientes e a mestria na preparação são factores chave para criar pratos únicos."
- embalagem de lasanha congelada iglo, que consiste num bloco de cenas às camadas brancas e vermelhas
- embalagem de lasanha congelada iglo, que consiste num bloco de cenas às camadas brancas e vermelhas
diário de mim no futuro (muito optimista)
Nota prévia: isto começou por ser a introdução de uma coisa que depois parou. O Autor aproveitou parte da coisa e trabalhou nela para um conto do Autor na Sul de Nenhum Norte que sai em janeiro e este é um bocado que antecede tudo e não encaixava em lado nenhum e iria para o caixote não fosse eu ter aqui no blogue uma comunidade de guaxinins sedentos de lixo fresco.
Podia dizer que me considero um tipo normal mas a verdade é que não sou e isso seria mentira. Detesto que as pessoas não me dêem a devida atenção e quando isso acontece amuo e não digo mais nada. Só por aqui se vê bem a inclinação que tenho para ser uma pessoa especial.
Tinha um emprego num Instituto e fui promovido e deram-me um gabinete só para mim, com vista para um parque de estacionamento e para a fachada de um hotel Ibis de quatro estrelas. O parque de estacionamento não era bem um parque de estacionamento. Tratava-se de um terreno baldio que teria um jardim que nunca veio a ter porque a empreiteira faliu. O espaço era aproveitado para estacionar carros com a ajuda de dois arrumadores que se estavam sempre a pegar à pancada. Depois um dos arrumadores morreu, provavelmente de Sida porque andava mesmo com aquelas manchas na cara e muito magro e já só tinha direito a um pequeno lote do parque. O outro que ainda estava saudável ficou com pelo menos noventa por cento dos lugares mas também não enriqueceu porque gastava tudo em porcaria.
No inverno, com a chuva, o terreno baldio ficava lamacento. Alguns carros, especialmente os citadinos de baixa potência, atolavam-se e os donos enterravam-se na lama até aos tornozelos ao sair do carro.
Eu não precisava de passar por isso porque tinha lugar de garagem. Para além disto, muito normal em si, eu era casado, tinha dois filhos e um gato que detestava, mas que a minha mulher quis. Tentei livrar-me dele de várias maneiras, tentando fazer parecer que foi um acidente, mas ela acabava por salvá-lo no último instante ou então eu arrependia-me e não ia até ao fim, como da vez em que o atraí para dentro da máquina de lavar roupa com um rasto de pedaços de atum e depois não a consegui ligar, nem sequer no programa de tecidos delicados.
Eu gosto de animais, especialmente cães e alguns gatos, mas o Jeremias em particular irritava-me bastante pois não tinha qualquer respeito por mim ou pelas minhas coisas, nem pelas pessoas em geral. A Sara, como todas as mulheres, ainda gostava mais dele por isso mesmo. É curioso que para elogiar os gatos face aos cães a Sara dizia que 'os gatos não são lambe-botas como os cães, são independentes' e depois a mim exigia-me um comportamento servil. Bastava-me ter um rasgo de vontade própria que ela desatava aos gritos ou a chorar, como fazem as mulheres quando querem qualquer coisa e não sabem bem o que é.
Os meus filhos eram o Manuel, que hoje deve ter uns quinze ou dezasseis anos e a Inês, que terá uns doze ou treze. Dava-me bem com o Manuel mas a Inês intimidava-me um pouco e não sabia bem como falar com ela. Parecia estar sempre a censurar-me ou a considerar-me patético. Li que é normal as meninas quererem casar com o pai mas a Inês não parecia seguir este padrão. Quando entrava na sala onde eu e o Manuel jogávamos playstation, suspirava, abanava a cabeça e voltava para o seu quarto para desenhar.
Gastámos uma fortuna em lápis de cor e de cera e folhas de papel cavalinho. Desistimos dos guaches porque ela sujava-se demais, tinha dificuldade em compreender que a tela era a folha branca e não as paredes do quarto ou a própria roupa. A Sara achava isso muito criativo e dizia que quando era pequena também era assim, mas já bastava o Jeremias para espalhar o caos e a destruição em casa. Uma vez a Inês pintou o Jeremias com os guaches e ele apareceu-nos todo cor de rosa e com as orelhas azuis. Fez uma grande porcaria e deixou marcas das patas cor de rosa por cima dos meus móveis vintage.
Tudo isto parece 'normal', digamos assim, não acho que seja muito diferente daquilo que é a vida da maior parte das pessoas de classe média alta e que vivem em Lisboa num apartamento.
Não posso deixar de referir uma particularidade que se calhar já deu para perceber pelo facto de não saber bem a idade dos meus filhos: tenho uma memória muito limitada para certo tipo de coisas. É normal esquecermo-nos do sítio onde estacionámos o carro, mas eu já nessa altura por vezes esquecia-me de como era o meu carro, o que dificultava bastante o acto de o encontrar e de ir para o trabalho. Sabia que era cinzento e grande e então tinha de experimentar a chave em vários carros cinzentos e grandes, o que provocava situações embaraçosas quando aparecia o respectivo dono à janela do prédio. Também me esquecia de nomes de pessoas, números, confundia os dias da semana e aconteceu-me umas vezes ir trabalhar a um sábado, deixando o porteiro do Instituto muito surpreendido de me ver chegar bem disposto de não haver trânsito naquele dia.
Esquecia-me de quase tudo o que me diziam e das coisas que tinha para fazer. A Sara sofria bastante com esta minha amnésia mas eu descobri com o tempo que me podia esquecer do que não me interessava só me lembrar do que me interessava. No trabalho utilizava muito a agenda do outlook. Assim que me diziam algo eu apontava logo a tarefa, com o prazo e quem me pediu e porquê e explicava a mim mesmo porque motivo aquilo era importante e tinha de ser feito. Mesmo assim não ajudava muito porque quando o alarme da tarefa soava e ela aparecia no meu ecrã, normalmente era na véspera de concluir a tarefa e não tinha tempo para a acabar como deve ser. Felizmente, no Instituto, as coisas não eram muito exigentes e uma pessoa, desde que fosse discreta, podia ir vivendo.
Em casa era a Sara que tentava organizar as coisas. Ela tinha, e deve ter ainda, uma excelente memória prática, ao contrário de mim. Mas ao contrário de mim, era muito irracional a tomar decisões, quase uma criança. Isso não deve ter mudado. Juntos tentávamos manter a ordem em casa e fazer as coisas andar e impedir que os nossos filhos morressem à fome ou vivessem na rua. Ela, com a sua excelente memória, enumerava os factos todos, as coisas que era preciso fazer e que tinham de ser resolvidas e eu depois decidia no momento qual a melhor opção. Eu era excelente a decidir e a improvisar embora no Instituto onde trabalhava me exigissem muito pouca capacidade de improviso e decisão. As coisas que tinha normalmente para fazer estavam já definidas e não valia a pena tentar inventar muito porque senão o meu director ia corrigir tudo e mandar aquilo para trás três ou quatro vezes até eu desistir.
Quando eu e a Sara estávamos a decidir coisas e a fazer contas da prestação da casa e do carro, e a discutir alternativas, o Manuel e a Inês observavam-nos um pouco preocupados porque pressentiam que não sabíamos bem o que fazíamos, mais ainda quando se tratava de assuntos que lhes diziam directamente respeito, como as vacinas ou a inscrição na escola. Às vezes intrometiam-se e davam uma sugestão e eu e a Sara fingíamos que os ignorávamos mas depois às tantas percebíamos que se calhar a sugestão não era má e, subtilmente, concordávamos com ela sem que as crianças percebessem isso, pois iria pôr em causa as nossas capacidades enquanto pais.
Para além de não me lembrar de coisas e de me enervar muito quando não me prestam atenção, tenho outros problemas. Não sei bem por onde começar para falar nos problemas. Acho que os tenho desde pequenino mas não me lembro bem. Talvez nessa altura não fossem propriamente problemas, só começaram a ser mais tarde. Apesar de eu não ter mudado muito ao longo da vida, pelos vistos a minha vida mudou muito e rejeitou-me a certa altura, como se eu não tivesse evoluído da maneira que ela queria que eu evoluísse. No entanto, nunca me explicou de forma clara e precisa, para eu anotar nas minhas tasks no outlook, exactamente o que pretendia de mim e com prazos e tudo.
Podia dizer que me considero um tipo normal mas a verdade é que não sou e isso seria mentira. Detesto que as pessoas não me dêem a devida atenção e quando isso acontece amuo e não digo mais nada. Só por aqui se vê bem a inclinação que tenho para ser uma pessoa especial.
Tinha um emprego num Instituto e fui promovido e deram-me um gabinete só para mim, com vista para um parque de estacionamento e para a fachada de um hotel Ibis de quatro estrelas. O parque de estacionamento não era bem um parque de estacionamento. Tratava-se de um terreno baldio que teria um jardim que nunca veio a ter porque a empreiteira faliu. O espaço era aproveitado para estacionar carros com a ajuda de dois arrumadores que se estavam sempre a pegar à pancada. Depois um dos arrumadores morreu, provavelmente de Sida porque andava mesmo com aquelas manchas na cara e muito magro e já só tinha direito a um pequeno lote do parque. O outro que ainda estava saudável ficou com pelo menos noventa por cento dos lugares mas também não enriqueceu porque gastava tudo em porcaria.
No inverno, com a chuva, o terreno baldio ficava lamacento. Alguns carros, especialmente os citadinos de baixa potência, atolavam-se e os donos enterravam-se na lama até aos tornozelos ao sair do carro.
Eu não precisava de passar por isso porque tinha lugar de garagem. Para além disto, muito normal em si, eu era casado, tinha dois filhos e um gato que detestava, mas que a minha mulher quis. Tentei livrar-me dele de várias maneiras, tentando fazer parecer que foi um acidente, mas ela acabava por salvá-lo no último instante ou então eu arrependia-me e não ia até ao fim, como da vez em que o atraí para dentro da máquina de lavar roupa com um rasto de pedaços de atum e depois não a consegui ligar, nem sequer no programa de tecidos delicados.
Eu gosto de animais, especialmente cães e alguns gatos, mas o Jeremias em particular irritava-me bastante pois não tinha qualquer respeito por mim ou pelas minhas coisas, nem pelas pessoas em geral. A Sara, como todas as mulheres, ainda gostava mais dele por isso mesmo. É curioso que para elogiar os gatos face aos cães a Sara dizia que 'os gatos não são lambe-botas como os cães, são independentes' e depois a mim exigia-me um comportamento servil. Bastava-me ter um rasgo de vontade própria que ela desatava aos gritos ou a chorar, como fazem as mulheres quando querem qualquer coisa e não sabem bem o que é.
Os meus filhos eram o Manuel, que hoje deve ter uns quinze ou dezasseis anos e a Inês, que terá uns doze ou treze. Dava-me bem com o Manuel mas a Inês intimidava-me um pouco e não sabia bem como falar com ela. Parecia estar sempre a censurar-me ou a considerar-me patético. Li que é normal as meninas quererem casar com o pai mas a Inês não parecia seguir este padrão. Quando entrava na sala onde eu e o Manuel jogávamos playstation, suspirava, abanava a cabeça e voltava para o seu quarto para desenhar.
Gastámos uma fortuna em lápis de cor e de cera e folhas de papel cavalinho. Desistimos dos guaches porque ela sujava-se demais, tinha dificuldade em compreender que a tela era a folha branca e não as paredes do quarto ou a própria roupa. A Sara achava isso muito criativo e dizia que quando era pequena também era assim, mas já bastava o Jeremias para espalhar o caos e a destruição em casa. Uma vez a Inês pintou o Jeremias com os guaches e ele apareceu-nos todo cor de rosa e com as orelhas azuis. Fez uma grande porcaria e deixou marcas das patas cor de rosa por cima dos meus móveis vintage.
Tudo isto parece 'normal', digamos assim, não acho que seja muito diferente daquilo que é a vida da maior parte das pessoas de classe média alta e que vivem em Lisboa num apartamento.
Não posso deixar de referir uma particularidade que se calhar já deu para perceber pelo facto de não saber bem a idade dos meus filhos: tenho uma memória muito limitada para certo tipo de coisas. É normal esquecermo-nos do sítio onde estacionámos o carro, mas eu já nessa altura por vezes esquecia-me de como era o meu carro, o que dificultava bastante o acto de o encontrar e de ir para o trabalho. Sabia que era cinzento e grande e então tinha de experimentar a chave em vários carros cinzentos e grandes, o que provocava situações embaraçosas quando aparecia o respectivo dono à janela do prédio. Também me esquecia de nomes de pessoas, números, confundia os dias da semana e aconteceu-me umas vezes ir trabalhar a um sábado, deixando o porteiro do Instituto muito surpreendido de me ver chegar bem disposto de não haver trânsito naquele dia.
Esquecia-me de quase tudo o que me diziam e das coisas que tinha para fazer. A Sara sofria bastante com esta minha amnésia mas eu descobri com o tempo que me podia esquecer do que não me interessava só me lembrar do que me interessava. No trabalho utilizava muito a agenda do outlook. Assim que me diziam algo eu apontava logo a tarefa, com o prazo e quem me pediu e porquê e explicava a mim mesmo porque motivo aquilo era importante e tinha de ser feito. Mesmo assim não ajudava muito porque quando o alarme da tarefa soava e ela aparecia no meu ecrã, normalmente era na véspera de concluir a tarefa e não tinha tempo para a acabar como deve ser. Felizmente, no Instituto, as coisas não eram muito exigentes e uma pessoa, desde que fosse discreta, podia ir vivendo.
Em casa era a Sara que tentava organizar as coisas. Ela tinha, e deve ter ainda, uma excelente memória prática, ao contrário de mim. Mas ao contrário de mim, era muito irracional a tomar decisões, quase uma criança. Isso não deve ter mudado. Juntos tentávamos manter a ordem em casa e fazer as coisas andar e impedir que os nossos filhos morressem à fome ou vivessem na rua. Ela, com a sua excelente memória, enumerava os factos todos, as coisas que era preciso fazer e que tinham de ser resolvidas e eu depois decidia no momento qual a melhor opção. Eu era excelente a decidir e a improvisar embora no Instituto onde trabalhava me exigissem muito pouca capacidade de improviso e decisão. As coisas que tinha normalmente para fazer estavam já definidas e não valia a pena tentar inventar muito porque senão o meu director ia corrigir tudo e mandar aquilo para trás três ou quatro vezes até eu desistir.
Quando eu e a Sara estávamos a decidir coisas e a fazer contas da prestação da casa e do carro, e a discutir alternativas, o Manuel e a Inês observavam-nos um pouco preocupados porque pressentiam que não sabíamos bem o que fazíamos, mais ainda quando se tratava de assuntos que lhes diziam directamente respeito, como as vacinas ou a inscrição na escola. Às vezes intrometiam-se e davam uma sugestão e eu e a Sara fingíamos que os ignorávamos mas depois às tantas percebíamos que se calhar a sugestão não era má e, subtilmente, concordávamos com ela sem que as crianças percebessem isso, pois iria pôr em causa as nossas capacidades enquanto pais.
Para além de não me lembrar de coisas e de me enervar muito quando não me prestam atenção, tenho outros problemas. Não sei bem por onde começar para falar nos problemas. Acho que os tenho desde pequenino mas não me lembro bem. Talvez nessa altura não fossem propriamente problemas, só começaram a ser mais tarde. Apesar de eu não ter mudado muito ao longo da vida, pelos vistos a minha vida mudou muito e rejeitou-me a certa altura, como se eu não tivesse evoluído da maneira que ela queria que eu evoluísse. No entanto, nunca me explicou de forma clara e precisa, para eu anotar nas minhas tasks no outlook, exactamente o que pretendia de mim e com prazos e tudo.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
portugueses a andar na baixa
Sempre que algum telejornal português faz uma reportagem sobre qualquer coisa a propósito de estatísticas sobre portugueses, lá vem a merda das imagens de pessoas a andar de um lado para o outro na baixa, o plano da mulher apressada cheia de sacos, do homem pobre a fumar, dos velhos a arrastar-se, mais mulheres apressadas cheias de sacos, estudantes a rir...
Recessão de 3,5%? «Mete as imagens de arquivo das pessoas a andar de um lado para o outro na baixa!»
Portugueses poupam mais em 2011? «Mete as imagens de arquivo das pessoas a andar de um lado para o outro na baixa!»
Fumadores aumentam 10%? «Mete as imagens de arquivo das pessoas a andar de um lado para o outro na baixa e escolhe-me os planos das pessoas a fumar!»
Podemos sair do Euro? «Mete as imagens de arquivo das pessoas a andar de um lado para o outro na baixa!»
Impotência afecta 30% dos homens com mais de 40 anos? «Mete as imagens de arquivo das pessoas a andar de um lado para o outro na baixa, mas escolhe-me só planos de gajos velhos, pode ser aquele, aquele tem ar de impotente... e aquele....»
Compras de Natal caem 20% face a 2010? «Mete as imagens de arquivo das pessoas a andar de um lado para o outro na baixa!»
Obesidade aumenta 11%? «Mete as imagens de arquivo das pessoas a andar de um lado para o outro na baixa! Mas escolhe só os planos dos gordos... olha aquela vaca, sim mete essa... e aquele gordo ali, mete aquele plano do gajo a comer a bola de berlim ahah vai ser famoso logo à noite e nem sabe!»
não tenho lido nada
O arrumador que ia fazer a cura de desintoxicação de consumo de cerveja voltou ao beco do costume, onde arrumo o carro. Curioso por novidades, cumprimentei-o com um "então pá?" Não me reconheceu, o sacana, mas sorriu educadamente e aceitou a moeda. Não insisti, pressenti que da parte dele havia algum embaraço e timidez e eu estava bastante atrasado (e ressacado). É estranho, o tipo pelos vistos estava permanentemente bêbado (não parecia) mas lembrava-se de mim dia após dia. Ficou sóbrio e puff, adeus Tolan.
Pelos vistos correu-lhe bem a cura de desintoxicação. Sinto-me mais sozinho. E sinto-me melancólico por meses e meses de agradável convívio matinal terem sido remetidos para uma amnésia total, quando antes eu existia num universo etílico. Agora dou dinheiro a um tipo sóbrio que encara aquilo como um emprego e em vez de investir o dinheiro em cerveja vai começar a cobiçar lcds na worten.
Pelos vistos correu-lhe bem a cura de desintoxicação. Sinto-me mais sozinho. E sinto-me melancólico por meses e meses de agradável convívio matinal terem sido remetidos para uma amnésia total, quando antes eu existia num universo etílico. Agora dou dinheiro a um tipo sóbrio que encara aquilo como um emprego e em vez de investir o dinheiro em cerveja vai começar a cobiçar lcds na worten.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
a minha namoradinha do liceu
PJ Harvey faz-me companhia há quase 2 décadas, com momentos bons e momentos maus e é a minha namoradinha de liceu. Às vezes não nos entendemos bem, e estivemos separados algum tempo. Passámos por muitas coisas más e muitas coisas boas. Mas depois voltamos a estar juntos como dantes.
(os videos de Seamus Murphy, um para cada música do Let England Shake, são todos fabulosos)
(os videos de Seamus Murphy, um para cada música do Let England Shake, são todos fabulosos)
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