terça-feira, 14 de junho de 2011

dedicado ao comentador anónimo que uma vez disse "que maravilha" a uma cena electro que postei e aos que me mostraram as músicas com os cães :*

(os outros podem ignorar, obrigado)
DATA - Blood Theme

muito gosto eu destas merdas

pronto, 7 dias ou mais, em anos cão, são 28 dias, é muito tempo (nota: em anos cão, os primeiros 2 anos de vida multiplicam-se por uma factor de 10.5, depois disso é por 4, agora ficam a saber que tenho mais de 2 anos)

Nota prévia: após ter lido mais uns capítulos, nomeadamente, o da Batalha de Austerlitz, a minha opinião sobre isto tudo, mudou, mesmo assim fica aqui o texto:

Estou a ler o Guerra e Paz de Lev Tolstoi, tradução do duo dinâmico Nina e Filipe Guerra, é uma obra esmagadora. Não no sentido dos 4 volumes que, com optimismo ingénuo levei comigo para férias, caso me faltasse leitura. O Tolstoi é efectivamente um nome que se pode pôr ao lado dos deuses do Olimpo da literatura, pelo menos, a julgar pelo 1º volume que terminei hoje. Seria de esperar que uma obra da dimensão do Guerra e Paz tivesse a chamada "palha". Pois não tem. Comparando outros grandes autores com o Tolstói ao nível de palha, é como comparar uma sala de operações de um hospital com um curral de vacas. Percebo pois que alguns (não cito nomes nem faço links mas eles sabem que são eles) digam que Tolstoi é muito superior a Dostoiévski. Pois eu compreendo que o digam, mas é estéril pensar assim. Considerando que Tolstoi e Dostoiévski são contemporâneos, este último consegue um salto para a "modernidade" na literatura pela introdução de uma componente mais visceral e, talvez, psicanalítica, que em Tosltoi, apesar de existir e ser bem evidente, não deixa de parecer "homérica", naquele sentido clássico do termo. O meu primeiro impulso genuíno - fundamentado na minha ignorância - foi o de acreditar que o Guerra e Paz era umas boas décadas anterior a um livro como o Crime e Castigo, mas não, são contemporâneos. As personagens de Tolstoi, em combate, não têm propriamente medo de morrer (no sentido existencial) mas sentem antes uma euforia ou uma honra que por vezes é confrontada com o caos e o ridículo de um ferimento ou de uma cobardia. O drama da batalha (os mortos, feridos, estropiados) desenrola-se como num pano de fundo infernal mas algo neutro.

É uma obra disruptiva face ao espírito da época (e ao próprio género 'romance') no retratar de uma sociedade em que a guerra, apesar da recente introdução da moderna estratégia (em que Bonaparte é um mestre), é para os russos uma oportunidade de ascensão e de honrarias, desenvolvida como um teatro abstracto pela alta sociedade enquanto que no terreno de batalha vive-se um caos e uma espécie de anti-climax, tão bem representado por soldados com lama até aos joelhos ou no oficial corajoso que é ferido em combate e que pensa "isto não me pode estar a acontecer".  Mas mesmo assim, é claro que na época de Tolstói a guerra era diferente ou, pelo menos, o espírito dos homens (e das sociedades) que partiam para a guerra. O Imperador Alexandre, passando revista às tropas, provoca num oficial o desejo de morrer por ele, que nada o faria mais feliz. As batalhas tinham algo de 'simbólico' e cavalheiresco, a começar pelo curioso facto de altas patentes do exército poderem ser mortas em batalha por participarem nas investidas da linha da frente e usarem sabres e de haver alguma improvisação. Temos também a sensação que Napoleão 'é forte' porque vem 'do povo'e ascendeu pelo seu próprio punho e determinação implacável. É, aliás, admirado pelos russos que, nesta altura na alta sociedade, falavam francês com muita frequência e a sua figura intensos debates, talvez um prenúncio de coisas que se iriam passar no próximo século.

Apesar da I Guerra Mundial ter sido o fim de uma inocência, vemos que mesmo na II Guerra Mundial não havia consciência do drama individual. Pegue-se no exemplo do desembarque na Normandia. Homens com passado e identidade são atirados para uma situação em que é certo que boa parte deles irá morrer anonimamente assim que sair do barco. Uns anos depois o homem ganha outro tipo de consciência (quase neurótica) quanto à própria mortalidade e liberdade.

Contudo, em Dostoiévski, essas sementes já lá estão mais visíveis, em dramas individuais, em personagens que têm dilemas existenciais profundos e que são 'modernos', aliás, aqueles temas viriam a impor-se. Em Tólstoi isto parece existir mas de uma forma implícita, o que lhe acrescenta uma dimensão clássica e porventura superior. Dostoiévski que desce à visceralidade da psique humana dos seres mais simples e oprimidos, no fundo, o povo e também a temas espirituais, éticos digamos assim. Pode ser pois o "repórter social" para o Nabokov (não linko o blogue do Nabokov, ele que arranje visitas sozinho) mas consegue criar personagens que estabelecem, ainda hoje no século XXI, uma empatia total com o leitor (ele reconhece-se nelas) enquanto que as de Tolstoi não deixam de causar algum estranhamento e até alguma inveja, como se fosse uma época para sempre perdida.

É curioso, o caminho destas coisas. A Ilíada de Homero tem batalhas mas aí só existem num plano de homens candidatos a deuses ou deuses, o resto são números abstracos. Em Tolstói, vamos até ao nível do responsável por um pequeno pelotão de artilharia, mas ainda não vi "o soldado raso" tratado com profundidade psicológica, continua a ser um número (50 mil efectivos russos contra 150 mil franceses etc.). Os Nús e os Mortos do Norman Mailer, já versa sobre o tal soldado raso na II Guerra Mundial (no Pacífico), o pequeno pelotão de meia dúzia de homens comuns.

E hoje em dia, chegámos ao ponto de psicanalizar os estrunfes, considerando-os racistas e marxistas.

não falo com ninguém (excepto com a senhora do supermercado) há 7 dias por isso sejam compreensivos

terça-feira, 7 de junho de 2011

até breve

Vou fazer uma pausa no blogue por diversos e variados motivos.

-->(aqui havia texto)<--
até ao meu regresso, deixo-vos com um bonito poema do meu anti-profeta preferido.

"there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?"

— Charles Bukowski

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Deixem a anti-matéria em paz :(

Cientistas do CERN conseguiram finalmente aprisionar anti-matéria durante alguns minutos. O ano passado tinham aprisionado 38 anti-átomos de hidrogénio, agora foram 300 e por mais tempo. Para conseguirem fazê-lo têm de aproximar a temperatura do zero absoluto. É muito frio. Para terem uma ideia o mais científica possível, é ainda mais do frio (muito mais) do que o congelador do frigorífico quando se carrega no botão de congelação rápida. E têm de o fazer num contentor magnético especial. O que me assusta um bocadinho é que a matéria reage com a anti-matéria e ambas se aniquilam, libertando muita energia, mais do que a que um aquecedor eléctrico consome num inverno inteiro.

Isto aqui é a armadilha. Não sei como os átomos de anti-hidrogénio são totós ao ponto de entrar naquilo, vê-se logo ao que vão. A cadeirinha é para a dona Aurora, a auxiliar do CERN, vigiar os anti-atominhos para a ver se não anti-fogem e se não andam à anti-bulha.


Estão a tentar explicar um dos grandes mistérios da cosmologia e o Big Bang. Supostamente deveria haver tanta matéria como anti-matéria e isto ser tudo um grande 'nada' de energia mas o universo desviou-se para o lado da 'matéria'. Os cientistas não percebem porquê e acham que há muito mais matéria do que anti-matéria no universo, mas eu duvido muito disto. Por exemplo, quando fazia os testes na universidade, devia ter muita anti-matéria na cabeça porque quando chegava ao exame, a matéria tinha desaparecido.

Sou contra experiências em animais e anti-matéria. Estão os átomozinhos de anti-hidrogénio anti-sossegados na sua anti-vida e pimbas, ficam aprisionados na ratoeira magnética gelada. Não deve ser nada agradável, esperemos que não se aborreçam.

O meu receio é que os cientistas só consigam descobrir uma explicação para o Big Bang provocando o Big Bang II - A Vingança Fatal. Talvez as últimas palavras Professor Hangst do projecto Alpha, um dos responsáveis por estas experiências, venham a ser 'Ah! Então foi assim que tud...'

E recomeça tudo outra vez, num loop infinito. Não me apetecia ter de fazer os exames de Análise Matemática IV outra vez.

sou uma pessoa de cães

sábado, 4 de junho de 2011

alguns excertos de um bom professor

The object of fiction isn’t grammatical correctness but to make the reader welcome and then tell a story . . . to make him/her forget, whenever possible, that he/she is reading a story at all. The single-sentence paragraph more closely resembles talk than writing, and that’s good. Writing is seduction. Good talk is part of seduction. If not so, why do so many couples who start the evening at dinner wind up in bed?

(...)

A novel like The Grapes of Wrath may fill a new writer with feelings of
despair and good old-fashioned jealousy—“I’ll never be able to write anything that good, not if I live to be a thousand”— but such feelings can also serve as a spur, goading the writer to work harder and aim higher. Being swept away by a combination of great story and great writing—of being flattened,in fact—is part of every writer’s necessary formation. You cannot
hope to sweep someone else away by the force of your writing until it has been done to you.

(...)

One of my favorite stories on the subject—probably more myth than truth—concerns James Joyce. According to the story, a friend came to visit him one day and found the great man sprawled across his writing desk in a posture of utter despair.
“James, what’s wrong?” the friend asked. “Is it the work?”
Joyce indicated assent without even raising his head to look at the friend. Of course it was the work; isn’t it always?
“How many words did you get today?” the friend pursued.
Joyce (still in despair, still sprawled facedown on his desk):
“Seven.”
“Seven? But James . . . that’s good, at least for you!”
“Yes,” Joyce said, finally looking up. “I suppose it is . . . but I don’t know what order they go in!”

On Writing - Stephen King.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

sempre que oiço falar em 'E-Coli' é mais ou menos isto que imagino



(Na cozinha de uma casa moderna e acolhedora, o e-Collie está provavelmente a tentar criar uma caption para um loldog no icanhashotdog.com pois parece bem humorado e prestes a rir, com o olhar perdido num dos cantos da sala em contemplação sonhadora. O gato à janela, o da esquerda, aparenta fazer um comentário cínico como 'mnhec' ou 'meew', talvez implicitamente sugerindo que o icanhascheezburger.com é bem melhor ou que o laptop não é um MacBook mas sim um HP. O gato da direita, esse, olha directamente para o espectador, como que o interrogando, não sem alguma ironia. A caneca pousada na mesa, decorada com o que aparenta ser uma reprodução do empire state building enquadrado por duas ovelhas num plano mais próximo, deixa outro mistério: sem polegares oponíveis, como pode o Collie beber da mesma? Poderá estar aqui uma sátira à modernidade? Nunca o saberemos, o sorriso do gato encerra o mistério. Notem também a referência aos girassóis de Van Gogh, no canto superior esquerdo, o que confere substracto e consistência clássica à composição. Podem comprar este bonito Collie With Computer da artista Susan Alison aqui)

foi com a força da mente

Estou a pensar incluir um anexo no romance com os melhores bloopers narrativos, cortados da versão original. Este causou muita risada ao revisor:

'Meti as mãos nos bolsos e acendi um cigarro.'

quinta-feira, 2 de junho de 2011

é ficção

Várias pessoas (uma) alertaram-me para a possibilidade da ironia do post sobre a revisão do meu romance ser incompreendida, sugerindo que o tal revisor, o meu amigo, está desiludido.

Queria aqui abrir um parentises de seriedade para dizer que ele teve um ataque de pânico a meio da noite uns dias depois de começar a ler porque é uma das pessoas em que me inspirei e teve de meter baixa médica. É assim tão bom, o livro :)

Há a hipótese de não ter sido por causa disso, mas sim por café a mais nesse dia e stress, mas vamos acreditar que sim, que foi. Sempre disse que admirava obras que fossem directas ao sistema límbico mas nem nas minhas maiores ambições pensei chegar a este nível.

Vou jantar com ele daqui a pouco e pagar-lhe uns copos e fazer olhos de cachorrinho.

Espero que a minha mãe tenha os calmantes por perto quando o ler.








mãe, é tudo ficção ok? :]

a revolução é mais daqui bocadinho

Há muitas músicas que falam de revolução e que instigam a pequenada à mesma. Tanto pode ser Beatles como Rage Against The Machine, Bob Dylan como Chemical Brothers. O rock é óptimo para exorcisar durante breves minutos o desejo de revolução e depois uma pessoa acalma. Cada um tem a sua música mais adequada.
A minha música de revolução é a Revolution dos Spacemen 3.


É uma música que me dá vontade ir para a rua, para o Rossio, manifestar que estou contrariado com as coisas e que acho as cenas mal em geral (salvo honrosas excepções). Com óculos escuros e a mover-me preguiçosamente avenida abaixo, encontraria outros como eu. Todos com cara de aborrecimento a fumar cigarros, ficavamos por ali, a ouvir Spacemen 3, Velvet Underground, Jesus And Mary Chain, Sonic Youth, My Bloody Valentine…
E enviariam a polícia de choque. Perfilada de azul escuro, as sombras negras projectadas na calçada, ficaria muito bem filmada a super 8, para depois se pôr no youtube.

Não vai acontecer.

comunicação não-verbal, she has it

quarta-feira, 1 de junho de 2011

os verdadeiros sinais da decadência dos valores

Depois da Jaguar e da Porsche terem morrido para mim (começou com o Boxter, definhou com o Cayenne, bateu a bota definitivamente com o 'utilitário' Panamera), a Ferrari faz um gigantesco FF de quatro lugares e tracção às 4.

Não, não é um BMW série 1 em esteróides

Já tinham feito outro de quatro lugares, o 612 Scaglietti, e este é um dos mais potentes alguma vez feitos pela Ferrari - quase tão potente como o Enzo. No entanto, como argumento de venda, no próprio site da Ferrari, está este preocupante parágrafo: «The FF: the Ferrari Four. Four as in four-wheel drive. Four as in the four comfortable seats that cocoon driver and occupants alike.»

Isto é preocupante. A minha querida Lamborghini também lançou ou vai lançar o aberrante Estoque de 4 portas, 4 lugares, desenhado para o segmento familiar.

O que acho piada nisto é que eles metem sempre motores brutais nestas coisas, como se tivessem um peso de consciência 'sim, é verdade, tem 4 portas e é confortável, mas tem 650 cavalos por isso é um Lamborghini' ou, no caso da Porsche 'isto não é um VW, reparem, tem aqui o símbolo da Porsche'.

Preferia muito que a Lamborghini e a Ferrari continuassem fieis e a fazer carros com pouca fiabilidade e que eu nunca poderei comprar e mesmo que tivesse dinheiro, não comprava. Ou comprava? A piada é essa, é um objecto que nos desafia imediatamente no acto de compra por não ter base racional - e por nos meter medo em vez de nos atrair com facilidades e mordomias e conforto.

O Aventator, LP700-4


- Querida? errm... lembras-te da Mercedes Vito que eu tinha dito que ia comprar para podermos levar os miúdos para o Algarve? Afinal comprei um prático Aventator LP700-4 e levo um de cada vez, em numa manhã está toda gente lá! Quem quer ir no Aventatorinho? *ovação eehhhh!!!! \o/*
- Estás doido!?!?
- Calma querida, com o que sobrou das nossas poupanças e venda de todo o nosso património, comprei-te uma Ford Transit de 1992, tem imenso espaço.

terça-feira, 31 de maio de 2011

preparativos do calvário

Enquanto o 1º romance vai desiludindo um amigo que o está a rever e se prepara para ser trucidado por outro amigo, antes de ser rejeitado por editoras sérias, vou alinhando os preparativos para o 2º romance.

É a melhor fase de se escrever um romance, a fase imediatamente antes de começar a escrevê-lo. Em breve ficarei desesperado com a autodeterminação e livre arbítrio que a minha escrita demonstra quando se estende por mais de dois parágrafos, como uma criança com ADHD à solta na Disneylândia. Aliás, uma das críticas já recebida do amigo prende-se com “inconsistências de dinâmica”. Nota-se que as partes que me aborrecem são passadas a correr e com enfado e desleixo enquanto que noutras é evidente o meu gozo e aplicação. Este “Olhos de Caçador” do António Brito, por exemplo, tem quase 400 páginas sólidas e fica-se com a sensação que ele é uma pessoa estável. Isso é valorizado, isso é valorizado.

Às vezes penso que não é mau que uma obra não transmita a ilusão de unidade e perfeição e reflicta em si a própria vida cronológica e emocional do autor que a elaborou, como um diário implícito ou uma narrativa paralela, um esboço de estudo para sempre inacabado. Penso que é nos contrastes entre o bom e o mau que o bom ascende a diamante numa mina de carvão.

Por enquanto mantenho várias ilusões que me vão dando algum conforto. O parágrafo anterior é só um exemplo (acreditaram naquilo da obra não ser perfeita?! ahahaha) mas também há a de que vale a pena escrevê-lo e a de que se trata de uma obra ambiciosa.

está explicado,o homem não quer ganhar

Passos Coelho diz que Santana "talvez volte" (há momentos, no DN)


Transtorno da Personalidade Passivo-Agressiva
(definição retirada do Psicnet)

A característica essencial é um padrão invasivo de atitudes negativistas e resistência passiva a exigências de desempenho adequado em situações sociais e ocupacionais, que começa no início da idade adulta e ocorre em uma variedade de contextos.
Esses indivíduos habitualmente ressentem, opõem-se e resistem a exigências de que funcionem em um nível esperado pelos outros. Esta oposição ocorre mais freqüentemente em situações ocupacionais, mas também pode se manifestar no funcionamento social.

A resistência é expressada por procrastinação, esquecimento, teimosia e ineficiência intencional, especialmente em resposta a tarefas designadas por figuras de autoridade.  Esses indivíduos são, com freqüência, manifestamente ambivalentes, oscilando indecisamente de um curso de ação para seu oposto. Eles podem seguir um trajeto errático que causa intermináveis desavenças com os outros e desapontamentos para eles próprios.

Um intenso conflito entre a dependência e o desejo de auto-afirmação é característico desses indivíduos. Sua autoconfiança é freqüentemente fraca, apesar de uma bravata superficial.
Eles prevêem o pior resultado possível para a maioria das situações, mesmo aquelas que estão indo bem. Esta perspectiva derrotista pode evocar respostas hostis e negativas de outros que estão sujeitos às queixas desses indivíduos. Este padrão de comportamento freqüentemente ocorre em indivíduos com os Transtornos da Personalidade Borderline, Histriônica, Paranóide, Dependente, Anti-Social e Esquiva.


os anos laranja brilhante

Cornfield, dos Volcano Suns, álbum The Bright Orange Years de 1985 (alusão subliminar à maioria absoluta do PSD)

a única coisa boa que pode vir das eleições

Ver Sócrates derrotado e desaparecer é a única coisa que tenho a certeza que pode ser positiva nas próximas eleições. Acho que isso justifica tudo. Pensemos nas coisas desta forma: Sócrates pode perder contra Passos Coelho e Fernando Nobre - mais humilhante que isto é impossível. É como perder no braço de ferro contra o Marques Mendes ou no xadrez contra o Cristiano Ronaldo. Ainda há muitos indecisos porque eu sei que custa às pessoas de bem, têm integridade e normalmente quando votam é porque pensam que aquele candidato em que votam é o melhor ou menos mau. Neste caso a sensação será semelhante à de apanhar um cocó de cão na rua, com o saquinho, e pô-lo no lixo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

o Bryan Ferry é a modos que um canastrão mas alguém tinha de fazer estas músicas para uma pessoa conduzir na cidade à noite

Pessoas que perderam o emprego e agora tiveram de arranjar outro: a psicóloga juvenil que agora trabalha na reabilitação educativa de criminosos violentos

- Ele está lá dentro Doutora. Pelo sim pelo não, mantemo-lo algemado à cadeira. Lembre-se de que ele é perigoso: a semana passada, depois da Doutora sair, quase estrangulou um guarda.
- Não gosto de o ver algemado assim, impede-o de comunicar com o outro e de sentir acarinhado e compreendido. Todas as reacções dele e todo o sistema da sua vida interior dependem das suas características que foram formadas no processo de obtenção de experiência social, as suas necessidades e motivos, interesses e objectivos, sistema de atitudes perante a realidade e…
- Doutora, está a falar do Carniceiro de Chelas. Bem, já sabe como é, se precisar de nós, estamos aqui fora. Mas veja lá o que faz com ele porque parece que sempre que a Doutora se vai embora ele fica mesmo violento.


- Ora muito bom dia.
- grrr…
- Ai que mal dispostos que estamos hoje. Sorria! Uma atitude positiva é o primeiro passo para um caminho cheio de sucessos.
- Vá-se f*** p***
- Então? Estamos com traços de misoginia hoje? Hmm? Ainda não falámos da sua relação com a sua mãe. Temos de estabelecer uma base dialéctica de compreensão mútua. Confie em mim.
- Sabe o que eu fazia a mulheres como você?
- Já sei, matou não sei quantas mulheres peka peka peka esquartejamento dos corpos peka peka…
- Comi-lhes os rins e o fígado e o coração!
- Muito bem, uma dieta equilibrada é fundamental para a saúde, mas devia comer verduras e fruta também, não pode ser só carnes vermelhas.
- ARGGGHH! SOLTE-ME!
- Então? Fizemos o TPC?
- Sim.
- Deixe cá ver.. ‘exercício 1 – utilize os lápis de cor e desenhe uma coisa de que se lembre da sua infância’… Olha, desenhou um Pai Natal a dar prendas às crianças… muito bem!
- Não é um Pai Natal!
- Não? Mas está vestido de vermelho e tem uma barba branca.
- Está coberto de sangue e a espumar da boca!
- Hmm… a mim parece-me um Pai Natal.
- Não é, é o meu padrasto e isso foi quando ele matou os meus irmãos todos! Foi aí que ganhei esta cicatriz na cara e perdi a vista do olho esquerdo!
- Andava para lhe perguntar como tinha sido isso, eu tenho seis gatinhos e às vezes quando lhes tentamos dar banho eles…
- NÃO FOI UM GATO! FOI O MEU PADRASTO!
- Pronto, calma calma…
- Está tudo bem aí dentro Doutora?
- Sim! Deixem-nos trabalhar, estamos a fazer progressos aqui! Onde é que eu ia… ah. ‘Exercício 2- Os processos psíquicos são acções e operações conscientes que uma pessoa adquire e dirige para a resolução de problemas que encontra na sua vida. Dê um exemplo de solução que tenha encontrado na sua vida.’ Vamos ver o que escreveu: ‘Corta-se o fígado em fatias finas e põem-se a marinar com o vinho branco, o vinagre, os alhos cortados às rodelas, o louro, o sal e pimenta. Deixa-se ficar de um dia para o outro ou, na impossibilidade…’ Mas, isto é uma receita de iscas?

sábado, 28 de maio de 2011

o mar à noite

Ontem à noite estacionei o carro na areia e ao ver as ondas fluorescentes, iluminadas pelos faróis, lembrei-me de mim, puto, à noite, com a minha mãe e os dois cães, a passear ao lado de outras ondas, ondas que já não existem, como o meu pai e aqueles dois cães. Eu também sou outro e aquele puto já não existe. As ondas do mar à noite têm um som fantasmagórico, o clamor de uma multidão de mortos. É o ponto onde acaba a terra e começa o profundo negro do oceano misterioso. Recebi um sms. Pela primeira vez, alguém, um grande amigo, está a ler o meu draft de romance e a dar-me feedback por sms, à medida que lê mais umas páginas. Fumei um cigarro, chorei um bocadinho (tinha bebido um bocadão), fui abraçado e fomos embora. Tenho imensas saudades dele. Vivo com uma ferida estranha que não cicatriza mas não sou diferente da maioria das pessoas. A névoa nocturna diluía o halo das luzes da estrada no caminho para casa e sentia-se o salitre nos ossos.

olhos de caçador

Estou a ler este Olhos de Caçador do António Brito. Sincero e real, gosto dele. Estou enjoado de intelectualisses. No fim poderei fazer uma apreciação, mas para já, ingénuo e sincero, gosto dele.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

gostava mesmo que me levassem a sério

então já decidiram o voto?

Votam no que rebentou com isto tudo, no do Fernando Nobre, num dos dois que querem tirar Portugal do euro e atirar-nos para o 4º mundo ou no que sempre esteve contra a legalização do aborto e não foi só agora esta semana para ganhar votos? Tanta escolha!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

as músicas afectam a produtividade de forma negativa e positiva

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*suspiro*



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