segunda-feira, 9 de maio de 2011

aquilo da Leya era a brincar, já agora

dei-lhes uns belos euros hoje:
Jorge Luís Borges, obras completas 1952-1972, Teorema (Leya)
Vladimir Nabokov, contos completos, volume 1, Teorema (tenho a impressão que já tinha comprado este)
John Fante, A confraria do vinho, Teorema (este tem uma capa absolutamente horrível e que tenho a certeza que não assenta ao John Fante por amor de Deus, quero acreditar, ou então o livro é mau)
Thomas Mann, os Buddenbrook*, Dom Quixote (Leya)

 admito que enchi alguns livros de nódoas de farturinhas mas foi porque fui às farturinhas mesmo ao pé da Leya e fui todo à ganância ver os livros.

Depois, noutros sítios
Rudyard Kipling, o Livro da Selva, tinta da china, uma edição belíssima!

amanhã entre as 22 e as 23 vou rapinar mais, especialmente na Assírio e na Presença, os três volumes do Guerra e Paz, todos do Dostoievski que ainda não tenho (o adolescente, por exemplo) - é o dia Filipe e Nina Guerra, cerca de 33% do meu orçamento feira do livro é investido em traduções do russo para o português e vocês deviam fazer o mesmo em ver de lerem coisas que não são essas.

*o lamentável erro deveu-se a esta capa (má) que estava aqui em cima da mesa, Buddenbrook aparece separado.

não julgues um livro pela capa, o tanas

"Vai tudo correr bem", dizem-me, quando manifesto as graves crises de angústia. Chego ao ponto de queimar o draft do meu romance em frente às pessoas e elas entram em pânico ahaha (é evidente que tenho aquilo em 4 backups digitais e só queimo prints de versões antigas). No outro dia a minha mãe até veio a correr da cozinha com as pegas do forno, as dos sapinhos, para tirar o draft da lareira. Gosto de brincar ao artista angustiado, prestes a ser rejeitado pelo mundo. Para onde quer que olhe, só vejo problemas. A rejeição é o menor deles.

O meu maior pesadelo é outro. É ter o meu nome num livro com uma capa de mau gosto. O meu nome sobreposto a uma foto de uma rosa no deserto ou uma merda assim.
Isto para mim não justifica sequer a ambição de ser escritor.

Se eu queria ganhar dinheiro com livros, então o livro teria forçosamente de agradar a uma grande editora. Mas tenho medo que me impinjam uma capa kitsch, com balõezinhos ou flores ou praias, fotografias, capas que gritam às donas de casa "sou fácil de ler, sou divertido, compra-me!"

Só as editoras falidas ou à beira da falência sabem fazer capas com bom gosto, é um facto. Estou disposto a preferir uma editora dessas, das obscuras, onde se tem de comprar os livros por mail e dão-nos o NIB do editor (que é o único gajo que trabalha lá - em part-time) e que disponibilizam o livro num armazém de uma rua esconça num arrabalde de Lisboa.

Eu sou da opinião que os livros se julgam pela capa, tal com as pessoas.

Não?  Então tentem não julgar este...


... ou este...

I rest my case.

Há bons designers. Por exemplo, o anónimo que fez o banner deste blogue é claramente alguém com talento e sensibilidade. Ele podia fazer a capa a troco de cerveja e tremoços. A propósito de designers e de capas lindas de morrer, deixo aqui algumas capas do pai do design português, Sebastão Rodrigues (1929- 1997).









Mas para mim, aquela que arruma tudo, é esta. Adoro-a.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

hava di nice weekendo bambinas!

Tolan mentaliza-se e problema complexo envolvendo o Bibi

O Tolan tem uma forma muito peculiar de lidar com a rejeição e que passa por rejeitar quem o rejeita. Não é um processo imediato e ocorre sempre algum choque inicial, embora este tenha vindo a reduzir-se a breves segundos. Começou a desenvolvê-lo à porta do Lux.
—Desculpe, mas só com convite ou cartão da casa.
— O quê? Eu… oh… eu… mas toda a gente entrou, menos eu… eu… Eu não queria entrar na vossa estúpida discoteca de qualquer maneira!!!
— Eu sei, já me disse isso na semana passada e eu fixei a sua cara.

O Tolan não precisa assim tanto dessa capacidade de encaixar rejeição no dia a dia. Vou parar de escrever isto na 3ª pessoa. Não preciso. Tenho aquela máxima de que só eu me posso rejeitar, só eu sou o meu verdadeiro crítico. O problema que quando me rejeito a mim, por exemplo, por achar que fiz uma coisa péssima, tendo a rejeitar-me de volta, para não sofrer com a rejeição e assim sucessivamente. O que vale é que [ATENÇÃO: PIADA GEEK] no processo há alguma entropia a cada iteração e o todo tende para um tempo finito pelo teorema de Cauchy caso contrário era exponencial e eu explodia [FIM DE PIADA GEEK]

Também gosto muito de criticar os outros, especialmente as pessoas de quem gosto. Faz-me muita impressão ver coisas de amigos meus, especialmente artistas, fico mais nervoso do que eles, detesto vê-los fazer figuras de parvo em público.

Agora um problema muito engraçado, para eventual discussão (se não me aparecer aqui um cromo que já saiba a resposta).

Imaginem que o Carlos Cruz tem um novo concurso 1, 2, 3.

Há 3 portas, a porta 1, a porta 2 e a porta 3. Uma das portas tem um escuteirinho de 9 aninhos e as outras duas têm um Ferrari. O Bibi tem de escolher a porta certa para ter o escuteirinho e não lhe sair a porcaria de um Ferrari. O Bibi escolhe a porta 1! O Carlos Cruz, para ajudar o Bibi, abre a porta 2 e mostra um Ferrari. Dá-lhe a alternativa de ficar na porta 1 ou mudar para a 3.

Qual deve ser a opção de Bibi?

teenager



às vezes, quando estou mesmo com a neura de inspiração, recuo aos anos 90, os da minha adolescência. Foram anos de videos de cores e roupas saturados, fluorescentes, Parker Lewis, tartarugas ninja, Nivana, televisões privadas e meia dúzia de paixões platónicas nos corredores da escola.

A infância e a adolescência são os períodos mais interessantes na vida de qualquer pessoa porque têm o absoluto que a vida jovem ou adulta não têm. Dois bons adultos que se entendem têm tendência a, de certa forma, partilharem conhecimento, eu sei que tu sabes, tu sabes que eu sei. Um gajo quando tem 14 anos não sabe absolutamente nada, não tem nada a ensinar a ninguém e as outras pessoas têm tendência a agravar a confusão, dos pais aos amigos, das paixões platónicas aos professores, é tudo intenso e confuso.

A primeira bebedeira que tive foi de tequilla, no interior norte de Portugal, num acampamento numa reserva natural, não me lembro onde.

Sei que bebi vinho quente de malgas e depois tequilla, perante o olhar desconfiado de locais. Entornei um shot na mesa e sorvi a mesa, para gáudio de todos. Lembro-me que a M. e  L. e A. estavam lá e eu estava a apaixonado pelas três mas que numa velha ponte romana, entusiasmado pelos vapores etílicos, imitei um touro e os meus amigos, bons amigos diga-se, tourearam-me com agrado, o que eliminou hipóteses com a L. e a A.

Desviei-me do caminho e desci uma vereda cheia de árvores e silvas e deixei-me cair exausto debaixo de um céu estrelado e puro e cristalino, o céu da serra do interior norte, um céu granítico, diamantes em veludo negro. Estava eufórico da bebedeira, aquelas primeiras em que uma pessoa se sente bem e tal. Quando dei por isso, tinha a M. ao pé de mim, ficou preocupada, havia uma escarpa grande para um rio, cá em baixo e achou que devia tomar conta de mim, os outros que fossem andando e foram. Acho que ela queria  - viria a saber anos mais tarde - curtir comigo. Eu não sabia isso, porque raio é que... não sabia isso. O vento às vezes soprava muito forte nos pinheiros e ouvia uma coruja ao longe. Se não fosse ela a arrastar-me pelo braço de volta ao acampamento, tinha ficado ali a dormir.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

gosto muito de vocês todos

Acabei o meu romance, revi-o, reescrevi-o, algumas partes uma boa dúzia vezes, quase um ano de tempos livres, após uma dezena de tentativas frustradas, são 270 páginas A4, o que dá cerca de 400 numa paginação de romance.
Imprimi-o hoje pela primeira vez e gosto de mexer nas folhas e ver aquilo tudo, são muitas letras juntas, a formar frases inéditas. Um romancista de grande experiência e craveira, aconselhou-me a esperar e relê-lo depois, outra vez, com distanciação. Tinha vontade de o despachar já a torto e a direito para algumas editoras, acompanhado de uma carta em que explicava como a editora em questão podia ajustar o seu catálogo (eliminando alguns autores que edita, incluindo outros essenciais etc.) para poder incluir o meu romance e a minha pessoa na sua oferta, podia ajudar uma editora, mas como tenho vontade de fazer isso, acho que vou esperar uns tempos e fazer o que ele diz, entretendo-me com um ou dois contos. Agora estou enjoado, tanto que a sua conclusão, pelos vistos provisória, me suscitou uma alegria fugaz, como um orgasmo seguido de suspiro melancólico e sono, e não uma euforia prolongada como seria de esperar. A maior euforia prolongada que tive nos últimos tempos foi com o campeonato que o Benfica ganhou o ano passado e é essa que me serve de comparação. Durante semanas, enquanto tomava banho e esfregava bem ali atrás das orelhas, lembrava-me do Benfica campeão e nem ficava deprimido com o facto de ter de trabalhar dali por meia hora.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ultimate Dog Tease

Kitty is a very BAD Mystic

Sócrates self-motivational tape

...atuo da melhor forma possível em todas as situações. Mereço o amor que sinto por mim. Reconheço e uso meu próprio poder. Não importa o que os outros digam ou façam. O que importa é como escolho reagir e o que escolho acreditar a meu respeito. Sou amado e aceite exatamente como sou, aqui e agora. Tudo está bem no meu mundo. Minha auto-estima é alta porque respeito a pessoa que sou. Liberto-me de qualquer necessidade de luta ou sofrimento. Mereço tudo o que é bom. Sou um ser radiante, que aproveita...

- Mr Prime Minister? Mr Prime Minister, hello?
- Hmm? Hein? Hã? What?
- Mr. Prime Minister, I asked you a question, about the national debt estimates....
- Oh, yes, of corse, Mr. Jurgen Kroger, estimates are correct, more thing less thing. Would you like another litle bit of coffee?
- Thank you. And we will have to implement larger cuts on government spending as well...
- Spending, yes, spending is bad. People needs to spending less times on vacations outside.
- Mr. Prime Minister, are the translation headphones working?
- They are working very nice. Ó Teixeira vai buscar aí mais café para os senhores da Troika e vê lá o que é que eles querem, vê lá se é preciso mais águas, eu vou aqui... meter os fones da tradução outra vez...

... tenho a auto-estima e a confiança necessárias para avançar pela vida com facilidade. o melhor presente que posso me dar é o amor incondicional. Eu me amo exatamente como sou e não exijo nada de mim para me amar. Eu...

terça-feira, 3 de maio de 2011

as melhores raparigas têm problemas graves



Esta anda com uma pistola na mala, mas tem licença. Uma pistola a sério, carregada. Ainda não sei o que faz da vida mas dá dinheiro. Mostrou-me a pistola a meio de um jantar e, na mesa do lado, o casal de betinhos até se engasgou e não falou mais o resto da noite. Nem pediram sobremesa. 'A minha melhor amiga', comentou e riu. Depois mostra-me o telemóvel novo e o kit de maquilhagem mas eu ainda estou com a 'melhor amiga' na retina e com o garfo suspenso, petrificado.

É completamente paranóica com a cena dos homens. Odeia homens do fundo das tripas e percebe-se porquê, tem a maldição de ter um corpo moldado num estúdio de Anime 3D, entra num restaurante e faz-se um minuto de silêncio que se desmorona em recriminações de mulheres aos seus respectivos pares. Diz que a maior fantasia é 'dar um tiro nos tomates de um gajo quando ele levantar a mão ou a voz a uma mulher'. E eu também, uma vez que odeio pessoas em geral, homens inclusive. Ela gosta de mim, eu percebo isso pela forma como ainda não me deu um tiro. Sinto-me seguro ao pé dela, se ela estiver bem disposta. O truque é falar baixinho e não levantar a mão para chamar um táxi, pode confundi-la.

Não posso comentar a música que ouve no carro, mesmo que às vezes me venham as lágrimas aos olhos de estar a ouvir Celine Dion durante trinta minutos com ela aos berros a cantar por cima, a capota do carro para baixo, a 170km na A5. Tenho medo, a porra da 'melhor amiga' a dormir na sua mala, com um olho aberto a espiar-me. Às vezes passa-lhe uma sombra pelos olhos e fica como que meio alucinada, sem motivo aparente. Eu pergunto-lhe assustado 'o que foi? o que foi?' e ela em silêncio, à escuta, à porta de casa, a mão dentro da mala entre-aberta. Passos aproximam-se, finalmente oiço-os também. É só uma velhinha a pôr o lixo na rua. Alívio. A tensão dissolve-se num sorriso. Faz-me uma festa na cara e diz-me 'dorme bem cachorrinho' e eu vou para casa, com as mãos nos bolsos, a dar pontapés nas pedras. Das três uma, ou é da PJ ou traficante de droga ou ambos, mas simpatizo com ela.

mais uma achega

Levei a minha mãe a almoçar ao excelente Trás d'orelha de Torres Vedras e ela, depois de se alambuzar com espargos salteados em manteiga e uma costeleta de vitela brava com migas, confessou-me que leu a Aparição por indicação de alunos e achou aquilo chato, mau e novelesco. Eu comi pernil de porco estaladiço com batatas e cebola caramelizada e grelos salteados, senti-me como o Anthony Bourdain. Isto para dizer que o excelente Trás d'orelha é o melhor restaurante da zona oeste e fica a uns míseros 35 minutos de Lisboa pela A8.

Aparição - Vergílio Ferreira, notas terminais

Frio, aborrecido, paternalista, condescendente, pretencioso pretensioso* e sem uma centelha humana, a não ser o episódio, provavelmente real, do enforcamento de um cão doente na infância do narrador. Não me passava pela cabeça que as personagens e a atmosfera de Évora, bem esgalhadas, fossem apenas uma armadilha. O primeiro quarto do livro é bom porque ainda estamos na apresentação humana das personagens e o enredo é simples, a atmosfera apelativa. Mas quando a aparição começa a infectar os pobres dos fantoches, instala-se um teatro pedagógico para turma de liceu. É o equivalente a um filme que me mostraram em puto, para me alertar contra os perigos da droga. Há um fantoche para cada estereótipo, embora, curiosamente, falem todos praticamente da mesma forma, com a mesma voz melodramática, empolada e críptica, assim que são acometidos de aparição. Distante e condescendente, o narrador disseca o que acontece aos outros e finge um desespero existencial que tem tanto de credível como o Cristiano Ronaldo ser heterossexual.

Penso que num jovem o livro possa ter algum efeito e ser, mesmo, agradável e marcante e isso tem o seu valor também.

Desisto de o ler a duas dezenas de páginas do fim, foi difícil e masoquista chegar tão longe. É muito bem escrito, tecnicamente, apesar das inusportáveis repetições de palavras demasiado fortes, como "aparição", "estalar de" ou "ressoar". Se fizessem uma telenovela mexicana filosófica existencialista, seria assim. O próprio enredo é novelesco.

A quem se interesse por estas coisas mas em bom, é favor ler Dostoiévski, por exemplo, o Demónios.

Outra coisa, lembrei-me que desisti de outro livro do Vergílio em tempos, o Escrever. Foi-me ofertado por um grande amigo, que por acaso lê este blogue e, portanto, não vou explicar por que motivo não o cheguei a terminar. As minhas desculpas e eu sei que gostas de mim na mesma.
Lembra-te que eu te tentei convencer que o album Devil Without A Cause do Kid Rock era genial, por isso, estamos quites. Mesmo assim, fica aqui o video, pensa nisso melhor.



*quanto ao "pretencioso", que de facto é pretensioso, gostaria apenas de dizer três coisas:
- a busca "pretencioso ou pretensioso" dá mais de 4 mil resultados no google
- existem muitos repositórios de gramática supostamente oficiais como este que têm pretensioso mal escrito (pretencioso) e replicam o erro
- o comentador Luiz Pacheco teve piada :]

segunda-feira, 2 de maio de 2011

a última entrada de Bin Laden no seu diário secreto



Abbottabad, Paquistão, 1 de Maio de 2011

Querido diário,

Estou muito cansado por isso não vou escrever muito, não te zangues querido diário.
Portei-me bem hoje, bebi o chá de folha de laranjeira por causa do fígado e acordei cedo. Lanchei pão com queijo, bebi leite de cabra, executei um missionário católico e arrumei o quarto. Preparei o meu primeiro pão de ló sozinho, o Hassan, o Khamed e o missionário católico disseram que estava delicioso. Já passaram quase dez anos desde o onze de Setembro e hoje não resisti a reler a minha entrada desse dia. Só diz "Yessss!" mas é uma entrada que me diz muito. Espero festejar os dez anos em breve. Falta pouco. Apesar de estar feliz com o 11 de Setembro, também estou um pouco frustrado. Tenho tentado inventar uma coisa nova, só me conhecem por esse atentado e é uma coisa que me aborrece um pouco, querido diário, agora sei o que sentiram os Los Del Rio com a Macarena. Ando em tournee pelo Afeganistão, por Matosinhos e pelo Paquistão há quase uma década. Tenho feito muitas coisas giras e em minha opinião melhores, embora mais subtis e menos espectaculares. Sinto que o meu valor não é reconhecido, pois fica ofuscado pelo 11 de Setembro. Serei eu um one hit wonder? Tenho de inventar coisas novas mas tem-me faltado inspiração, admito, querido diário. Hoje no brainstorm criativo sugeri atirar um TGV contra uma central nuclear mas o Rahman Ismad começou com uma história qualquer de que não podíamos dirigir um TGV para fora dos carris e executei-o. Já ontem, como sabes, tinha sugerido espetar um space shutle no IKEA de Alfragide num Sábado mas blah blah não ouvi o resto, executei-o. Achas que sou um tipo de líder que não aceita críticas, querido diário? Mas chega de trabalho!

Não estou em Abbottabad há muito tempo e há duas miúdas que não me saem do turbante. Vi-as de relance no dia da chegada e pareceram-me jeitosas, pelo menos, a julgar pelos olhos a espreitar da burka. A Ameena é a que tem os olhos maiores, é boa como tudo. A Samina não tem olhos tão bons, são pequeninos mas bem feitos e firmes. São casadas mas já dei ordens para que os seus maridos sejam forrados com C4 do bom e tenham o privilégio de uma viagem de trabalho ao Afeganistão para trocarem as esposas por quarenta virgens. Sou muito generoso querido diário e... que barulheira é esta? Pareceu-me ouvir um helicóptero. Ando muito nervoso querido diário, o psicólogo disse-me que o stress me fazia mal e que era tudo minha imaginação. Ele tem razão, com um preto na Casa Branca o máximo que me pode acontecer é roubarem-me a carteira se não tiver cuidado... Olá... agora tiros. Deve ser Hassan e o Khamed, estiveram nos copos e estão outra vez a disparar ao acaso nos criados judeus. É melhor ir ver o que se passa, venho já.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

fukushimaram a Sony

O Japão anda mesmo com mau karma. Há uma semana que a Playstation Network está em baixo devido a um ataque de hackers com contornos ainda não muito claros. 77 milhões de utilizadores ficaram sem acesso e a ressacar (é impossível jogar online). Os piores rumores confirmaram-se. No início acusavam o colectivo Anonymous de ter perpetrado o ataque em retaliação por um processo da Sony a um hacker que crackou a playstation. Mas não foram eles (negaram) e a extensão dos aparentes estragos (o máximo que a PSN fica em baixo são umas horas) deixava adivinhar o pior.

Hoje, 77 milhões de utilizadores receberam um e-mail assim (excertos):

«Estimado Cliente PlayStation Network / Qriocity:
Descobrimos que entre 17 de abril e 19 de abril de 2011, algumas informações da conta de utilizador dos serviços PlayStation Network e Qriocity foram comprometidas em conexão com uma intrusão ilegal e não autorizada ao nosso sistema (...) Enquanto investigamos os detalhes deste incidente, nós acreditamos que que uma pessoa não autorizada obteve as seguintes informações que você nos forneceu: nome, endereço (cidade, distrito, código postal), país, email, endereço, data de nascimento, o email usado na PlayStation Network / Qriocity, palavra-chave, respostas de segurança, PSN ID. É também possível que os dados de perfil possam ter sido acedidos, incluindo histórico de compras e o endereço de facturamento (cidade, distrito, código postal). Se autorizou uma sub-conta, o mesmos dados podem ter sido acedidos. Se forneceu dados do cartão de crédito através da PlayStation Network ou Qriocity, é possível que o seu número de cartão de crédito (excluindo o código de segurança) e data de validade também tenha sido acedida. Para sua segurança, encorajamos a estar especialmente atento a fraudes no seu e-mail, telefone e correio postal, em que pedem dados pessoais ou confidenciais. (...) Para se proteger contra possíveis roubos de identidade ou perda financeira,por favor mantenha-se vigilante e reveja extractos bancários da sua conta, crédito e outros tipos semelhantes de relatórios (...)

Atenciosamente,
Sony Network Entertainment Europe Limited »

cenas do casamento real



(daqui a 10 anos)


- Vai, vai, v... porra Kate, sai-me da frente da tv!
- Oh não, outra vez o Polo? Não sabes ver mais nada!?
- Burberrys contra o Poolshark! Não é apenas "Polo", Kate! São as semifinais da Abercromby Westminster Royal Pims Cup.
- Não percebo a piada de ver 8 homens a cavalo a bater numa bola com tacos...
- E eu não percebo a piada do Hells Kitchen. Abalone, abalone, abalone, que merda é um abalone foda-se? É abalones todos os dias!
- A piada do programa não é essa... oh, esquece.
- SAI DA FRENTE KATE! Estás a fazer de propósito?
- Viste as chaves do Roiroi?
- Não estão ao pé do cesto do pão na cozinha? Mas leva antes o Jaguinhas, não faças mais amolgadelas no Roiroi da avó.
- Não fui eu! Bateram-me no parque de estacionamento do LIDL, eu disse-te!
- Pois... o poste veio direito a ti desgovernado.
- Eu só fui à porcaria do LIDL por causa da tua cerveja com desconto!
- Temos de poupar Kate, temos de poupar, estamos em crise, não ouviste?
- Seu imbecil, careca, gordo... Libertaram o Willy para isto!
- E tu, já te viste ao espelho Kate? Pareces um boneco michelin obeso.
- Experimenta ser mãe 2 vezes!
- A minha mãe foi mãe 2 vezes e era elegante. O anel da mãe já nem te serve.
- SEMPRE A MERDA DA HISTÓRIA DA TUA MÃE! SEMPRE A COMPARAÇÃO! Eu não uso o anel, não gosto de o usar, o professor de Reiki diz que transmite energias negativas.
- Esse professor de Reiki foi brasileiro que te mandou o sms às 2 da manhã? Devias ter-me mostrado o sms em vez de o apagar logo!
- É um amigo William! Porra, não posso ter amigos? Também podia estranhar os teus chás no country club com aquela cara de cavalo, a Rhonda!
- Com a Rhonda? É só uma amiga! Achas que eu acho a Rhonda atraente!?!
- Ui, eu sei que isto de vacas feias te está nos genes Willizinho... E eu levo o Roiroi, a cadeirinha está no Roiroi e o carrinho está lá, vou ao pediatra com o Barnaby, está outra vez com febre.
- Está nada com febre, estás sempre a imaginar doenças no puto. Estás com febre Barnaby?
- Podias ao menos levantar-te do sofá e ver por ti próprio!
- Parece-me bem daqui. Não estás bem dumbinho?
- Não lhe chames 'dumbo', a culpa dele ter as orelhas assim é do teu lado da família!
- Em compensação tem a tua inteligência, ainda ontem o apanhei a comer sabão de máquina na dispensa da cozinha! Estava a espumar da boca!
- Tenho de ir. Tomas conta da Didi? Está a dormir agora mas não te esqueças, daqui a meia hora tens de lhe dar a papa.
- Se ela está a dormir deixa-a a dormir, já te disse que...
- NÃO! ELA COME A HORAS CERTAS PORRA WILLY!
- Boa, está a chorar, boa Kate, boa, acordaste-a!
- Vai lá tu! Eu vou andando! E não te esqueças de ir ver o correio, estou à espera do catálogo do IKEA e da La Redoute há séculos, toda gente já tem!
- Já fui hoje de manhã quando fui passear o Churchil.
- E então?
- Nada, o costume, contas, cartas do banco, ameaças da Al Qaeda, publicidade... Olha, este panfleto do LIDL diz que há cerveja a 30% de desconto, achas que dá para passares por lá quando vieres do pediatra? Hmm, fofinha?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

a verdadeira entrevista póstuma a Buster Keaton

O Homem Que Sabia Demasiado não engana. Sabe demasiado. Lembra-me um pachorrento escriturário de uma repartição pública, a explicar, com paciência e método, que o formulário #11 e o #42 devem ser preenchidos em duplicado e ter anexos uma declaração de actividade validada por notário certificado. Livre de rasuras. Contudo, é necessário que nos ensinem as coisas, porque às vezes temos de tratar de declarações de residência ou de cinema. Eu vou lá ao blogue dele para registar detalhes interessantes que depois me ajudam a explicar a outras pessoas porque gosto de determinado filme.

Por exemplo, sobre o filme The Sunset Limited, podemos dizer a uma miúda gira que é 'um filme que explora magistralmente as contradições da natureza humana, as suas aspirações e desilusões, de uma forma absolutamente exemplar'.

Mas aqui, num assomo de arrojo criativo, o Homem que Sabia Demasiado tentou fazer uma entrevista póstuma ao Buster Keaton. Envolve criatividade, uma vez que o Buster Keaton morreu e já não pode dar entrevistas.

Confesso que me doeu ver o Buster Keaton falar como um Sephen Hawkings ligado à IMDB e sedado. A imagem que me veio à cabeça foi o Homem Que Sabia Demasiado a falar sozinho, ora deslocando-se para a esquerda, ora para a direita 'Olá Buster Keaton', 'Olá Homem Que sabia Demasiado', 'Queria fazer-te perguntas, posso', 'Força'.

Só queria pedir ao Homem que Sabia Demasiado que não volte a fazer isso porque me faz impressão. Gostaria de reescrever a entrevista póstuma a Buster Keaton, só para que o karma fique equilibrado. Obrigado.


Homem Que Sabia Demasiado - É célebre a sua expressão "Tragedy is a close-up; comedy, a long shot". O que queria dizer com isto?


Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - Nos seus filmes sempre houve essa espécie de "sentimento trágico da vida", apesar de toda a enorme carga de humor que era evidente.

Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - Cultivou um semblante sempre impassível, incapaz de expressar emoções, de feições neutras. Porquê?

Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - O seu humor era muito físico e consta-se que nunca recorreu a duplos nas cenas mais arriscadas.

Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - O seu período de ouro foi durante a década de 20, em que realizou e interpretou várias obras-primas do cinema. A partir de 1930, com o contrato que fez com o estúdio Metro, entrou claramente em decadência.

Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - Em 1952 entrou no filme "Luzes da Ribalta" de Chaplin. Como foi esse encontro?

Buster Keaton - :-\...















... (:-|

vem aí a Feira do Livro!

Eu vou estar na Feira do Livro para as ricas farturinhas, todos os anos vou lá comer as minhas farturinhas e depois vou com os dedos cheios de gordura e açúcar manusear os livros do Grupo Leya que estiverem à mão ih ih ^_^

separados à nascença



















quarta-feira, 27 de abril de 2011

Feng Shui

Agora ando a testar conceitos de Feng Shui para aplicar na minha casa. A coisa aconteceu por acidente, fui sair com uma miúda e ela perguntou-me se eu gostava de Feng Shui e disse logo que sim, pensei que fosse um género de sushi ou uma cena que agora não digo aqui, mas pelos vistos não era. Ela explicou-me tudo com muitos detalhes e pelos vistos resultava com ela porque era uma pessoa feliz, tinha os olhos muito abertos e fixos e um sorriso fixo, mesmo quando me falou no acidente de automóvel em que lhe morreu o pai, a mãe e a irmã gémea e que só ela sobreviveu e, o mais incrível, mesmo quando viu a conta que foi ela que pagou porque eu esqueci-me da carteira. Mas aquilo do Feng Shui bateu-me. Disposto que estou a experimentar tudo, meti-me a estudar Feng Shui.

Antes de comprar a sua casa, peça uma avaliação Feng Shui a um profissional credenciado.
Na Wikipedia diz:

«O primeiro objetivo do Feng Shui é guardar e preservar as boas influências disponíveis no lugar de modo a permitir que permaneçam e se distribuam suavemente pela edificação.»

Ora bem, mandei encadernar as boas influências disponíveis para as preservar, nomeadamente, os livros de Gogol, Tchekov, do tio Dosto, do Bukowski, Salinger, Knut Hamsun, Kafka, Becket, Cervantes, Boris Vian, Camus, Houellebecq etc. e depois agora ando a colar folhas A3 com frases destes autores, para distribuir as boas influências suavemente pela minha edificação e fazer-me sentir melhor.

Por exemplo, ao lado de uma das janelas de casa que dá para a rua onde há pessoas, tenho uma frase do Bukowski: 'Malditas pessoas entediantes. Por toda a terra. Propagando mais malditas pessoas entediantes. Que espectáculo horroso.' e noutra janela tenho uma do Kafka: 'entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer.' Esta do Kafka até um pouco literal, porque o que se passa é que eu não consigo abrir as janelas porque é preciso um jeitinho especial no trinco das mesmas e por acaso tive uma namorada que as conseguia abrir.

No tecto do quarto, para ver quando estou deitado na cama à noite, ko das boas influências da cerveja e do vinho, tenho outra do Bukowski: 'Há coisas piores do que estar sozinho'.

A indivídua da foto aplicou Feng Shui em sua casa. Ele é o senhor da EDP que veio ver o contador e não teve hipótese depois de sentir o poder do Feng Shui.


E quando estou a tomar duche tenho uma do Camus, 'toda a infelicidade dos homens provém da esperança'. Num armário da cozinha colei uma frase do tio Dostoievski: 'A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz' e noutro armário tenho uma do Monstro das Bolachas 'NHAM! Bolachinha!' mas que já lá estava e até nem fui eu que pus lá.

E depois no espelho do roupeiro está colada outra do tio Dosto 'acontece que a mágoa verdadeira e indiscutível é às vezes capaz de tornar grave e resistente até um homem fenomenalmente fútil.' Gosto muito de ver esta frase enquanto me arranjo todo para ficar supimpa e chique a valer.

Esta foto de Feng Shui contém uma subtil metáfora pela presença da chave. Reparem na chave, está ali em cima das pedras. É uma metáfora.

Estou muito contente com isto do feng shui, devo dizer. Agora, em casa, para onde quer que olhe, uma boa influência!

Por cima do ecrã do laptop que uso para ler os vossos comentários e blogues e facebooks, tenho um postit com a seguinte frase do Schopenauer: 'Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima!'

segunda-feira, 25 de abril de 2011

as pessoas aqui não gostam de mim que chegue e por isso às vezes penso ir-me embora mas depois afinal não porque eu sou o vosso pequeno dinossauro e não me podia mesmo ir embora



Well, I'm a little dinosaur
I'm a little dinosaur
I'm a little dinosaur
But I'm planning to go away.

Now, I am real old, don't you know
Born ten billion years ago.
But they don't love me here enough and so
I'm planning to go away

Now the children upon their lawns
Will wake up and wonder where I've gone.
And the flies that buzz around where I now be
They're all gonna have to get along without me.

They'll say,
Where's the little dinosaur?
Where's the little dinosaur?
Where's that little dinosaur?
He must have gone away.

Oh no, please don't go
Oh no, please don't go
Don't go, little dinosaur,
Please don't go away.

Oh no, please don't go
Oh no, please don't go
Don't go, little dinosaur,
Please don't go away.

Okay, I'll come back
You know I'm back to stay
'Cause I'm just your little dinosaur
And I could never really go
Never really go
Never really go away.

Vivam os dias

25 de Abril, sempre!, dizem os murais e cartazes, sugerindo que o 25 de Abril é uma espécie de Dia da Marmota dos comunistas.
As pessoas gostam do 25 de Abril quando não calha num fim de semana. Antes do 25 de Abril de 1974 não se podia festejar o 25 de Abril porque não deixavam e agora já deixam. Por isso lhe passaram a chamar Dia da Liberdade também. Toda gente gosta de o festejar menos um taxista que eu apanhei no outro dia e o Cavaco Silva porque há cravos por todo lado. Ele é alérgico a pólen e, nas cerimónias protocolares, fica com as trombas descaídas e anestesiadas dos antiestamínicos . O dia preferido de Cavaco Silva é um dia que é o Dia da Raça, o 10 de Junho. Depois do 25 de Abril de 1974, 'Dia da Raça' caiu em desuso para as pessoas com a mania que aderem à modas novas e aos iPods e isso e passou a chamar-se 'Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas'.
Estão sempre a inventar dias novos e como começa a faltar espaço no calendário, têm de fazer estes concentrados. Não se admirem que apareça o 'Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas, do Pão de Ló e do Relógio Digital'. Às vezes a culpa do calendário sobrecarregado não é nossa, portugueses, mas sim dos estrangeiros que estão sempre a criar dias mundiais e depois temos de os festejar, mesmo que sejam coisas más, como o Dia Mundial da Sida (1 Dezembro) ou o Dia Mundial da Televisão (21 de Novembro).
O Dia Mundial da Sida calha no mesmo dia que o Dia da Restauração da Independência em Portugal, o que é bastante embaraçoso e causa frequentes encontros entre marchas militares e paradas de sidosos a festejar (sabe-se lá o quê) na baixa de Lisboa.
Os nossos representantes ainda protestaram com o estrangeiro homossexual que achou por bem marcar o Dia da Sida para esta data porque lhe dava jeito um feriado naquele ano para ir para Mikonos com o Freddy Mercury, 'Oh Doutor, veja lá isso, não pode ser antes a 2 ou 3 de Dezembro?' Mas não podiam, porque 2 de Dezembro é o Dia Internacional de Abolição da Escravatura e o 3 é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Tinha piada que metessem o Dia Internacional da Abolição da Escravatura a 10 de Junho, no Dia Da Raça, só para confundir o Cavaco.
Eu não ligo muito ao 25 de Abril, mas amanhã é o meu dia preferido do ano, é o Dia Mundial da Propriedade Intelectual. Gosto muito do conceito de Propriedade Intelectual, uma pessoa pode ser pobre e o banco não lhe emprestar dinheiro nem nada, mas pode ir à Remax comprar Propriedades Intelectuais, muito baratinhas. Pode ser latifundiária intelectual. Os comunistas são contra a propriedade intelectual também e não gostam nada desse dia.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

ser alguém

The Jam - To be someone (Didn't we have a nice time)


I realize I should have stuck to my guns
instead shit out to be one of the bastard sons
and lose myself - I know it was wrong - but it's cost me a lot

And there's no more drinking when the club shuts down,
I'm out on my arse with the rest of the clowns
It's really frightening without a bodyguard
so I stay confined to my lonely room


(vai ser uma noite longa...)