sexta-feira, 29 de abril de 2011

fukushimaram a Sony

O Japão anda mesmo com mau karma. Há uma semana que a Playstation Network está em baixo devido a um ataque de hackers com contornos ainda não muito claros. 77 milhões de utilizadores ficaram sem acesso e a ressacar (é impossível jogar online). Os piores rumores confirmaram-se. No início acusavam o colectivo Anonymous de ter perpetrado o ataque em retaliação por um processo da Sony a um hacker que crackou a playstation. Mas não foram eles (negaram) e a extensão dos aparentes estragos (o máximo que a PSN fica em baixo são umas horas) deixava adivinhar o pior.

Hoje, 77 milhões de utilizadores receberam um e-mail assim (excertos):

«Estimado Cliente PlayStation Network / Qriocity:
Descobrimos que entre 17 de abril e 19 de abril de 2011, algumas informações da conta de utilizador dos serviços PlayStation Network e Qriocity foram comprometidas em conexão com uma intrusão ilegal e não autorizada ao nosso sistema (...) Enquanto investigamos os detalhes deste incidente, nós acreditamos que que uma pessoa não autorizada obteve as seguintes informações que você nos forneceu: nome, endereço (cidade, distrito, código postal), país, email, endereço, data de nascimento, o email usado na PlayStation Network / Qriocity, palavra-chave, respostas de segurança, PSN ID. É também possível que os dados de perfil possam ter sido acedidos, incluindo histórico de compras e o endereço de facturamento (cidade, distrito, código postal). Se autorizou uma sub-conta, o mesmos dados podem ter sido acedidos. Se forneceu dados do cartão de crédito através da PlayStation Network ou Qriocity, é possível que o seu número de cartão de crédito (excluindo o código de segurança) e data de validade também tenha sido acedida. Para sua segurança, encorajamos a estar especialmente atento a fraudes no seu e-mail, telefone e correio postal, em que pedem dados pessoais ou confidenciais. (...) Para se proteger contra possíveis roubos de identidade ou perda financeira,por favor mantenha-se vigilante e reveja extractos bancários da sua conta, crédito e outros tipos semelhantes de relatórios (...)

Atenciosamente,
Sony Network Entertainment Europe Limited »

cenas do casamento real



(daqui a 10 anos)


- Vai, vai, v... porra Kate, sai-me da frente da tv!
- Oh não, outra vez o Polo? Não sabes ver mais nada!?
- Burberrys contra o Poolshark! Não é apenas "Polo", Kate! São as semifinais da Abercromby Westminster Royal Pims Cup.
- Não percebo a piada de ver 8 homens a cavalo a bater numa bola com tacos...
- E eu não percebo a piada do Hells Kitchen. Abalone, abalone, abalone, que merda é um abalone foda-se? É abalones todos os dias!
- A piada do programa não é essa... oh, esquece.
- SAI DA FRENTE KATE! Estás a fazer de propósito?
- Viste as chaves do Roiroi?
- Não estão ao pé do cesto do pão na cozinha? Mas leva antes o Jaguinhas, não faças mais amolgadelas no Roiroi da avó.
- Não fui eu! Bateram-me no parque de estacionamento do LIDL, eu disse-te!
- Pois... o poste veio direito a ti desgovernado.
- Eu só fui à porcaria do LIDL por causa da tua cerveja com desconto!
- Temos de poupar Kate, temos de poupar, estamos em crise, não ouviste?
- Seu imbecil, careca, gordo... Libertaram o Willy para isto!
- E tu, já te viste ao espelho Kate? Pareces um boneco michelin obeso.
- Experimenta ser mãe 2 vezes!
- A minha mãe foi mãe 2 vezes e era elegante. O anel da mãe já nem te serve.
- SEMPRE A MERDA DA HISTÓRIA DA TUA MÃE! SEMPRE A COMPARAÇÃO! Eu não uso o anel, não gosto de o usar, o professor de Reiki diz que transmite energias negativas.
- Esse professor de Reiki foi brasileiro que te mandou o sms às 2 da manhã? Devias ter-me mostrado o sms em vez de o apagar logo!
- É um amigo William! Porra, não posso ter amigos? Também podia estranhar os teus chás no country club com aquela cara de cavalo, a Rhonda!
- Com a Rhonda? É só uma amiga! Achas que eu acho a Rhonda atraente!?!
- Ui, eu sei que isto de vacas feias te está nos genes Willizinho... E eu levo o Roiroi, a cadeirinha está no Roiroi e o carrinho está lá, vou ao pediatra com o Barnaby, está outra vez com febre.
- Está nada com febre, estás sempre a imaginar doenças no puto. Estás com febre Barnaby?
- Podias ao menos levantar-te do sofá e ver por ti próprio!
- Parece-me bem daqui. Não estás bem dumbinho?
- Não lhe chames 'dumbo', a culpa dele ter as orelhas assim é do teu lado da família!
- Em compensação tem a tua inteligência, ainda ontem o apanhei a comer sabão de máquina na dispensa da cozinha! Estava a espumar da boca!
- Tenho de ir. Tomas conta da Didi? Está a dormir agora mas não te esqueças, daqui a meia hora tens de lhe dar a papa.
- Se ela está a dormir deixa-a a dormir, já te disse que...
- NÃO! ELA COME A HORAS CERTAS PORRA WILLY!
- Boa, está a chorar, boa Kate, boa, acordaste-a!
- Vai lá tu! Eu vou andando! E não te esqueças de ir ver o correio, estou à espera do catálogo do IKEA e da La Redoute há séculos, toda gente já tem!
- Já fui hoje de manhã quando fui passear o Churchil.
- E então?
- Nada, o costume, contas, cartas do banco, ameaças da Al Qaeda, publicidade... Olha, este panfleto do LIDL diz que há cerveja a 30% de desconto, achas que dá para passares por lá quando vieres do pediatra? Hmm, fofinha?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

a verdadeira entrevista póstuma a Buster Keaton

O Homem Que Sabia Demasiado não engana. Sabe demasiado. Lembra-me um pachorrento escriturário de uma repartição pública, a explicar, com paciência e método, que o formulário #11 e o #42 devem ser preenchidos em duplicado e ter anexos uma declaração de actividade validada por notário certificado. Livre de rasuras. Contudo, é necessário que nos ensinem as coisas, porque às vezes temos de tratar de declarações de residência ou de cinema. Eu vou lá ao blogue dele para registar detalhes interessantes que depois me ajudam a explicar a outras pessoas porque gosto de determinado filme.

Por exemplo, sobre o filme The Sunset Limited, podemos dizer a uma miúda gira que é 'um filme que explora magistralmente as contradições da natureza humana, as suas aspirações e desilusões, de uma forma absolutamente exemplar'.

Mas aqui, num assomo de arrojo criativo, o Homem que Sabia Demasiado tentou fazer uma entrevista póstuma ao Buster Keaton. Envolve criatividade, uma vez que o Buster Keaton morreu e já não pode dar entrevistas.

Confesso que me doeu ver o Buster Keaton falar como um Sephen Hawkings ligado à IMDB e sedado. A imagem que me veio à cabeça foi o Homem Que Sabia Demasiado a falar sozinho, ora deslocando-se para a esquerda, ora para a direita 'Olá Buster Keaton', 'Olá Homem Que sabia Demasiado', 'Queria fazer-te perguntas, posso', 'Força'.

Só queria pedir ao Homem que Sabia Demasiado que não volte a fazer isso porque me faz impressão. Gostaria de reescrever a entrevista póstuma a Buster Keaton, só para que o karma fique equilibrado. Obrigado.


Homem Que Sabia Demasiado - É célebre a sua expressão "Tragedy is a close-up; comedy, a long shot". O que queria dizer com isto?


Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - Nos seus filmes sempre houve essa espécie de "sentimento trágico da vida", apesar de toda a enorme carga de humor que era evidente.

Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - Cultivou um semblante sempre impassível, incapaz de expressar emoções, de feições neutras. Porquê?

Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - O seu humor era muito físico e consta-se que nunca recorreu a duplos nas cenas mais arriscadas.

Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - O seu período de ouro foi durante a década de 20, em que realizou e interpretou várias obras-primas do cinema. A partir de 1930, com o contrato que fez com o estúdio Metro, entrou claramente em decadência.

Buster Keaton - (:-|

O Homem Que Sabia Demasiado - Em 1952 entrou no filme "Luzes da Ribalta" de Chaplin. Como foi esse encontro?

Buster Keaton - :-\...















... (:-|

vem aí a Feira do Livro!

Eu vou estar na Feira do Livro para as ricas farturinhas, todos os anos vou lá comer as minhas farturinhas e depois vou com os dedos cheios de gordura e açúcar manusear os livros do Grupo Leya que estiverem à mão ih ih ^_^

separados à nascença



















quarta-feira, 27 de abril de 2011

Feng Shui

Agora ando a testar conceitos de Feng Shui para aplicar na minha casa. A coisa aconteceu por acidente, fui sair com uma miúda e ela perguntou-me se eu gostava de Feng Shui e disse logo que sim, pensei que fosse um género de sushi ou uma cena que agora não digo aqui, mas pelos vistos não era. Ela explicou-me tudo com muitos detalhes e pelos vistos resultava com ela porque era uma pessoa feliz, tinha os olhos muito abertos e fixos e um sorriso fixo, mesmo quando me falou no acidente de automóvel em que lhe morreu o pai, a mãe e a irmã gémea e que só ela sobreviveu e, o mais incrível, mesmo quando viu a conta que foi ela que pagou porque eu esqueci-me da carteira. Mas aquilo do Feng Shui bateu-me. Disposto que estou a experimentar tudo, meti-me a estudar Feng Shui.

Antes de comprar a sua casa, peça uma avaliação Feng Shui a um profissional credenciado.
Na Wikipedia diz:

«O primeiro objetivo do Feng Shui é guardar e preservar as boas influências disponíveis no lugar de modo a permitir que permaneçam e se distribuam suavemente pela edificação.»

Ora bem, mandei encadernar as boas influências disponíveis para as preservar, nomeadamente, os livros de Gogol, Tchekov, do tio Dosto, do Bukowski, Salinger, Knut Hamsun, Kafka, Becket, Cervantes, Boris Vian, Camus, Houellebecq etc. e depois agora ando a colar folhas A3 com frases destes autores, para distribuir as boas influências suavemente pela minha edificação e fazer-me sentir melhor.

Por exemplo, ao lado de uma das janelas de casa que dá para a rua onde há pessoas, tenho uma frase do Bukowski: 'Malditas pessoas entediantes. Por toda a terra. Propagando mais malditas pessoas entediantes. Que espectáculo horroso.' e noutra janela tenho uma do Kafka: 'entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer.' Esta do Kafka até um pouco literal, porque o que se passa é que eu não consigo abrir as janelas porque é preciso um jeitinho especial no trinco das mesmas e por acaso tive uma namorada que as conseguia abrir.

No tecto do quarto, para ver quando estou deitado na cama à noite, ko das boas influências da cerveja e do vinho, tenho outra do Bukowski: 'Há coisas piores do que estar sozinho'.

A indivídua da foto aplicou Feng Shui em sua casa. Ele é o senhor da EDP que veio ver o contador e não teve hipótese depois de sentir o poder do Feng Shui.


E quando estou a tomar duche tenho uma do Camus, 'toda a infelicidade dos homens provém da esperança'. Num armário da cozinha colei uma frase do tio Dostoievski: 'A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz' e noutro armário tenho uma do Monstro das Bolachas 'NHAM! Bolachinha!' mas que já lá estava e até nem fui eu que pus lá.

E depois no espelho do roupeiro está colada outra do tio Dosto 'acontece que a mágoa verdadeira e indiscutível é às vezes capaz de tornar grave e resistente até um homem fenomenalmente fútil.' Gosto muito de ver esta frase enquanto me arranjo todo para ficar supimpa e chique a valer.

Esta foto de Feng Shui contém uma subtil metáfora pela presença da chave. Reparem na chave, está ali em cima das pedras. É uma metáfora.

Estou muito contente com isto do feng shui, devo dizer. Agora, em casa, para onde quer que olhe, uma boa influência!

Por cima do ecrã do laptop que uso para ler os vossos comentários e blogues e facebooks, tenho um postit com a seguinte frase do Schopenauer: 'Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima!'

segunda-feira, 25 de abril de 2011

as pessoas aqui não gostam de mim que chegue e por isso às vezes penso ir-me embora mas depois afinal não porque eu sou o vosso pequeno dinossauro e não me podia mesmo ir embora



Well, I'm a little dinosaur
I'm a little dinosaur
I'm a little dinosaur
But I'm planning to go away.

Now, I am real old, don't you know
Born ten billion years ago.
But they don't love me here enough and so
I'm planning to go away

Now the children upon their lawns
Will wake up and wonder where I've gone.
And the flies that buzz around where I now be
They're all gonna have to get along without me.

They'll say,
Where's the little dinosaur?
Where's the little dinosaur?
Where's that little dinosaur?
He must have gone away.

Oh no, please don't go
Oh no, please don't go
Don't go, little dinosaur,
Please don't go away.

Oh no, please don't go
Oh no, please don't go
Don't go, little dinosaur,
Please don't go away.

Okay, I'll come back
You know I'm back to stay
'Cause I'm just your little dinosaur
And I could never really go
Never really go
Never really go away.

Vivam os dias

25 de Abril, sempre!, dizem os murais e cartazes, sugerindo que o 25 de Abril é uma espécie de Dia da Marmota dos comunistas.
As pessoas gostam do 25 de Abril quando não calha num fim de semana. Antes do 25 de Abril de 1974 não se podia festejar o 25 de Abril porque não deixavam e agora já deixam. Por isso lhe passaram a chamar Dia da Liberdade também. Toda gente gosta de o festejar menos um taxista que eu apanhei no outro dia e o Cavaco Silva porque há cravos por todo lado. Ele é alérgico a pólen e, nas cerimónias protocolares, fica com as trombas descaídas e anestesiadas dos antiestamínicos . O dia preferido de Cavaco Silva é um dia que é o Dia da Raça, o 10 de Junho. Depois do 25 de Abril de 1974, 'Dia da Raça' caiu em desuso para as pessoas com a mania que aderem à modas novas e aos iPods e isso e passou a chamar-se 'Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas'.
Estão sempre a inventar dias novos e como começa a faltar espaço no calendário, têm de fazer estes concentrados. Não se admirem que apareça o 'Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas, do Pão de Ló e do Relógio Digital'. Às vezes a culpa do calendário sobrecarregado não é nossa, portugueses, mas sim dos estrangeiros que estão sempre a criar dias mundiais e depois temos de os festejar, mesmo que sejam coisas más, como o Dia Mundial da Sida (1 Dezembro) ou o Dia Mundial da Televisão (21 de Novembro).
O Dia Mundial da Sida calha no mesmo dia que o Dia da Restauração da Independência em Portugal, o que é bastante embaraçoso e causa frequentes encontros entre marchas militares e paradas de sidosos a festejar (sabe-se lá o quê) na baixa de Lisboa.
Os nossos representantes ainda protestaram com o estrangeiro homossexual que achou por bem marcar o Dia da Sida para esta data porque lhe dava jeito um feriado naquele ano para ir para Mikonos com o Freddy Mercury, 'Oh Doutor, veja lá isso, não pode ser antes a 2 ou 3 de Dezembro?' Mas não podiam, porque 2 de Dezembro é o Dia Internacional de Abolição da Escravatura e o 3 é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Tinha piada que metessem o Dia Internacional da Abolição da Escravatura a 10 de Junho, no Dia Da Raça, só para confundir o Cavaco.
Eu não ligo muito ao 25 de Abril, mas amanhã é o meu dia preferido do ano, é o Dia Mundial da Propriedade Intelectual. Gosto muito do conceito de Propriedade Intelectual, uma pessoa pode ser pobre e o banco não lhe emprestar dinheiro nem nada, mas pode ir à Remax comprar Propriedades Intelectuais, muito baratinhas. Pode ser latifundiária intelectual. Os comunistas são contra a propriedade intelectual também e não gostam nada desse dia.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

ser alguém

The Jam - To be someone (Didn't we have a nice time)


I realize I should have stuck to my guns
instead shit out to be one of the bastard sons
and lose myself - I know it was wrong - but it's cost me a lot

And there's no more drinking when the club shuts down,
I'm out on my arse with the rest of the clowns
It's really frightening without a bodyguard
so I stay confined to my lonely room


(vai ser uma noite longa...)

o síndrome de Dorian Gray

Na tabacaria do Colombo, senhora de 50 e poucos atende-me.

- Era um maço de português suave, por favor.

- Hmm... que idade tens?

-

-  

novel clarity

Quase um ano depois, o meu Criador está a meio da revisão final do seu romance. De vez em quando, por mero masoquismo e porque não o mostrou a ninguém, procura um ponto de vista objectivo e editorial, digamos assim. Vai ao quarto, veste o seu melhor fato e instala-se numa secretária, com muitos papéis. Finge um ar supreendido quando vai ler as impressões do romance que ele próprio escreveu, chega a exclamar "oh, o que é isto? quem é este? Vamos lá ver isto, deve ser uma bela porcaria" e depois começa a revisão, tentando distanciar-se o mais possível dele próprio e de mim.

Para se munir de argumentos técnicos, lê uns artigos, umas 10 tips lists, que existem aos milhares na Internet.


Agora está fortemente deprimido porque respondeu 'não' a todas as regras de Novel Clarity:

Novel Clarity
Revision is a tool for conveying story information more clearly. Writers must detach themselves from their work and read it objectively, critically, putting themselves in the place of the audience. Will readers understand the goals of the characters? Will they know what characters want and what they will do to get it? Is what motivates characters into action easily understood? Do readers know the reason characters want what they want? Does conflict escalate in a believable manner, built carefully from scene to scene in a logical way? Conflict should make it hard for a character to reach their goal, testing their resolve to reach it. Is there a satisfactory resolution? Although a story may end badly, main characters must attain their goals or fall short of their goals in a convincing way, loose ends must be tied up, and both the main plot and subplots worked out.

Tips for Revising a Novel

Tentei explicar-lhe que o Knut Hamsum ou o Kafka ou o Salinger cuspiriam naquela lista e que o Bukowski limparia o cú com ela. Mesmo assim não o convenci porque ele acha que não é tão bom como o Knut Hamsun, o Kafka ou o Salinger e eu por acaso concordo, e o editor ficcional dele também, nisto estamos de acordo os três. Eu acho que ele não devia alterar muito mais o que fez e que se fodessem todos, incluindo ele próprio, o editor acha que ele devia rever uma série de coisas e eliminar passagens inteiras, algumas com 20 páginas, e ele está neste momento a ir buscar cervejas ao frigorífico e andar de um lado para o outro, de um lado para o outro.

dizem-nos, aos três, que enventualmente um dia ele vai ter de mostrar aquilo a alguém, o que nos parece um bocadinho desnecessário, uma vez que o meu Criador também tem o seu Leitor, para além do seu Editor. É o seu Leitor que me diz a mim, Tolan, para apagar os posts maus ou reescrever, depois de serem postados, o Editor não entra aqui. Às vezes ele gosta mesmo de uma coisa e ri-se muito ou comove-se muito com algo que o meu Criador ou eu escrevemos. O Editor nunca se ri nem se comove com nada, está sempre a fazer contas e cheio de pressa.

sim, sim apaguei-o

eu só preciso de escrever certas coisas, é como se falasse sozinho. Depois já não me faz diferença se o lêem ou não, há o google reader e tal, que se lixe. O que não quero ver é certos textos aqui neste blogue, fisicamente digamos assim, textos de opinião em que parece que sei o que estou a dizer. São esgotantes a vários níveis, geram discussões e não posso perder tempo e energia nisso, tenho um romance a acabar e de ir ao Colombo comprar o Killzone 3.

devíamos ter uma selecção capaz de ser campeã do mundo

Neste artigo da BCC e em quase toda a imprensa desportiva internacional, os grandes responsáveis pela vitória do Real sobre o Barça na Copa del Rey são portugueses: Cristiano Ronaldo e Mourinho, à cabeça, evidentemente, mas depois Pepe (que Mourinho pôs a médio defensivo anulando Messi) e Ricardo Carvalho, uma parede. Em inglaterra, Raúl Meireles foi eleito PFA's Fans Players of the Year e, pelo menos em Fevereiro, foi eleito o melhor jogador da liga inglesa pela Association of Professional English Football. A propósito de Nani, os fãs do Manchester United dizem que é o Ronaldo II, exageram um pouco, no entanto, é a par de Rooney, a grande figura da equipa e também ganou o PFA Young Player of the Year award. Fábio Coentrão fez parte do 11 ideal do último Mundial etc.

o bolo não era mentira

Hoje, inspirado pela notícia do lançamento do Portal 2 e por saudosismo e essas coisas, decidi aproveitar a tolerância de ponto e acabei o Portal (jogo de 2007) de uma assentada, foram 4 ou 5 horas intensas. Os últimos níveis são absolutamente impossíveis. Ou quase. Encontro-me esgotado e feliz perante o desafio intelectual superado. O Portal é também o jogo com um sentido de humor excelente.

Deixo aqui o final do jogo, ma linda canção I'm Stil Alive, cantada pela AI que nos fez a vida negra e que destruímos no fim do jogo, e que pelos vistos se tornou um fenómeno do youtube, uma vez que se pode aplicar a qualquer geek de coração partido e há muito disso, especialmente na Internet.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cenas de família

Quando chegou o meio-dia,as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde. E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
— Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?
—Oh por favor… drama queen…
— Pai? És tu Pai? Tira-me daqui, Meu Deus.
— Vá, tens de passar por isso como um homenzinho.
— Então devolve-me os super-poderes ao menos!
—Querias, malandro, para fazeres vinho e embedares-te outra vez e andares por aí na rambóia com o teu ganguezito de maltrapilhos a fazer tags ‘os apóstolos’ por toda a Judeia…
— Não me podes dar ao menos umas aspirinas?
—Faz mal ao estômago.
— Seu egoísta!
—Tu não sabes o que dizes! Mal agradecido! Olha que no teu lugar podia estar o Fernando Nobre, ele ajudou muitos pobres e muitas crianças em aflição e é independente e ateu…
—O Fernando Nobre é católico Pai.
—Ai é? Ele disse-me que já não era!
—Não sei, eu acho que li que ele era católico.
— Pois ele agora é ateu. Se eu tivesse um ateu na santíssima trindade até os íamos converter ao PCP!
— Convida-o! E tira-me daqui agora, está a começar o Hells Kitchen.
—  Eu acho que é capaz de ser um bocado polémico, até para os meus padrões.
—Oh porra… Tira-me daqui!
— Tu és mimado e mal agradecido. A culpa nem é minha, eu sempre fui a favor de uma educação rígida. Forma carácter. Mas logo desde pequenino vêm reis trazer-te prendas de todo lado!
— Prendas? Chamas aquilo prendas? Trouxeram-me ouro, incenso e mirra Pai! O que faria eu com ouro incenso e mirra! Eu queria um Spectrum 48K e o Traga-Bolas, o dos hipótamos comilões!
—O ouro é valioso, seu mal agradecido.
— Era um fio piroso, só os emigrantes nas obras das pirâmides do Egipto é que usam daquilo.
— E não te esqueças da conta poupança no BES que os teus avós abriram, com sacrifício. E do enxoval que a tia Salomé te preparou e que tu…
—Vai servir-me de muito! Vai servir-me de muito a conta poupança pai! Ao menos espero que a mãe fique com o dinheiro…
—Descansa que a tua mãe não vai ver um tostão disso, vai todo para caridade. A tua mãe esbanjava tudo em tapetes e socas e palha da melhor, quando a palha do LIDL servia perfeitamente. A culpa de seres assim estouvado é dela!
—Dela? Onde estavas Tu quando eu cresci!? Só me aparecias para me dar ordens, “Jesus sacrifica o cordeiro”, “Jesus vai para o deserto”, “Jesus cura o leproso”, “Jesus arruma o quarto”…
— Eu estava a trabalhar! Tu sabes o trabalho que dá ser Deus? É um trabalho de grande responsabilidade e stress. Admitir-te finalmente no Conselho de Administração é uma grande honra para ti, um cargo que muitos ambicionavam! E vais ter de me cortar esse cabelo e fazer a barba, pareces um hippie.
—Não era esta a carreira que eu queria Pai, não era esta a minha vocação.
— Se achas que estás mal, pensa que podias ter tirado Relações Internacionais em Coimbra por exemplo!Ainda vais a tempo, queres?
—Epá isso não, Pai...
— Queres que o momento mais alto da tua vida seja seres o criador do movimento “geração à rasca”? É isso que tu queres?
— Já disse que não, deixa-me sossegado agora... dá-me só o iPod, não consigo mexer as mãos.
 — Onde está o iPod?
— Está ali, na trouxa ao pé do João e do Paulo. É só para me entreter um bocadinho. Obrigado. Põe-me só os fones nas orelhas.
 — Pronto. Que grande gadelha, tens mesmo de cortar isto, deves estar cheio de pulgas. O que é que eu ponho?
— Pode ser Morrissey. Obrigado. Mais alto.. um bocadinho mais... está bom.

cão, o rei deles, na versão business man



Disponível também na versão bum e na versão explorer

quarta-feira, 20 de abril de 2011

la la la la lalalalaaaaaa

pensamentos avulsos e confusos

comunhão
Se dois existencialistas, por exemplo, o Vergílio e o Sartre, se encontrarem num café, é possível que um diga ‘epá, sou existencialista, só existo eu’ e o outro diz ‘eu sinto exactemente o mesmo! Só eu existo e sou a verdade! E escrevo livros e milhares de pessoas lêem-nos!’, ‘eu também, eu também!’ diz o outro e depois bebem uns copos e tornam-se grandes amigos. E no dia seguinte acordam confusos, com um certo mal estar, porque perderam um bocadinho do existencialismo. Só com grande esforço de hipocrisia podem pois continuar a pensar da mesma forma.
A comunhão, no sentido não religioso do termo (mas também) é a única fé plausível, a única religião credível. A partilha de algo, um momento, uma comunicação, uma sintonia. Ter um culto como ser católico ou ser do Benfica ou mesmo ser ateu ou ‘existencialista’, insere-nos imediatamente num grupo de gente que partilha connosco qualquer coisa e reduz-nos a um membro de um grupo, o que é bom, deve ser bom e deve ser cultivado.
Quando estamos com um velho amigo, zonzos do bagaço da típica, a fumar um cigarro e a ver os telhados de Alfama à noite e um cargueiro iluminado no Tejo, num miradouro de uma Igreja, isso é um momento de comunhão religiosa, nem pior nem melhor, que uma missa do 7º dia na Praça S.Marcos S.Pedro no Vaticano.

a matilha

A melancolia que pode por vezes atacar-nos num momento de felicidade, por vezes na exacta proporção da felicidade, ao ponto de nos poder fazer chorar. E a felicidade que nos pode acometer num momento de infelicidade, como num funeral, num dia bonito, um pardal num fio de electricidade, uma rapariga bonita que não víamos desde a infância e que brincava connosco a em pinhais selvagens. Isto devia levar-nos a concluir que a felicidade e a infelicidade são, evidentemente, ilusões, como Deus. Porque se fossem reais, manifestar-se-iam com causas e efeitos determinados e lógicos. No extremo, os sentimentos fundem-se um com o outro e positivo e negativo não existem. Somos macacos, um pouco mais espertos, uma pequena diferença genética, nada mais, um defeito que nos faz perguntar 'porquê?'. Só quem não viveu com animais de estimação como cães e gatos pode afirmar que eles não têm alma. E não é certo que não perguntem 'porquê?', a julgar pelo ar confuso de um cão quando, depois de lhe darmos 2 rodelas de chouriço, recusamos dar mais rodelas de chouriço, originando uma pequena poça de baba na alcatifa e grunhidos indignados e que me soam claramente a 'porquê? porquê? porquê?'
A matilha é pois a felicidade.

sorrir ao nada
A liberdade e a ausência de paz começam na solidão. A solidão de não ter um destino comum com ninguém, de ser incompreendido, de não encaixar em lado nenhum. É também um acto egoísta pois ao recusarmos a influência dos outros, estamos também a fechar-nos a eles e a não comunhar das suas tristezas. Se não somos humanos, que efeito causarão em nós as notícias de mortes e tragédias no mundo ou o sofrimento de um amigo com um desgosto de amor? No entanto, a solidão é a única forma real de dor, cujo o único paleativo é a loucura. Definir loucura é difícil, talvez aquele momento em que perdemos o elo com os outros. Ninguém consegue comungar connosco e nós não conseguimos comunhar com ninguém. Nada nos pode fazer ficar tristes ou contentes, a não ser nós próprios e por isso podemos sorrir ao nada, com os olhos abertos, numa ala psiquiátrica do Júlio de Matos, como o meu tio, quando o vi lá pela primeira vez, aos oito anos. Ele sorria, mas eu fiquei triste, porque não era louco.

terça-feira, 19 de abril de 2011

então eu sou geek

Em 1996 chego da província com uma mochila cheia de tupperwares cheios de comida preparados pela a minha mãe (que os preparou por pressão de grupo porque as mães dos meus amigos da província o faziam) e chego à universidade para um magnífico curso de matemática. Era como se tivesse chegado ao paraíso. Na província eu era o geek. Ali era... era uma pessoa! Havia colegas com depressões e tudo. Era genial. A minha família, que julgava disfuncional, era afinal a da Casa Na Pradaria comparada com as dos meus colegas que eram, vejam bem, divorciados.

Nas praxes, intensas ainda naquela época (1996) uma veterana sexy elegeu-me rei dos caloiros, num jogo de xadrez humano em que atirávamos ovos (fui o único sobrevivente). Lembro-me da raiva que suscitou no seu colega veterano que exclamou na minha cara "escolheste este monte de esterco para rei dos caloiros!?", largando perdigotos. Contemplei-o, impassível. A verdade é que tinha aterrado no paraíso, o curso era composto por geeks hardcore, bastava usarmos a camisa fora das calças para sermos considerados tipos cool. Não me refiro a gente que tinha hobbits como filatelia ou astronomia (o meu caso) mas sim gente que discutia acaloradamente se a Texas Instruments era melhor que a HP, nos intervalos, e testavam algoritmos recursivos para ver qual das máquinas tinha um maior erro numérico de arredondamento devido à truncagem dos bits do processaor. O meu curso estava no top 3 nacional de dificuldade, um ranking subjectivo, que o colocava a par de Engenharia Aeroespacial no Técnico e outro qualquer. Lembro de ler aquilo na revista pensar "chalenge accepted".

Pessoas de outros cursos discutiam se jogador A era melhor que jogador B, ou mamas e rabos, nós discutíamos a teimosia da HP em ter um sistema de computação nas máquinas que era pouco intuitivo e só poderoso em situações complexas. Os rascas usavam Casio, como eu, embora a minha fosse programável e gráfica e tivesse cores e permitisse desenhar seios com equações condicionais. Sim, eu era, sou e serei geek até morrer.

Deixo-vos com a música geeks are sexy que fiz, em tempos, em homenagem às minhas origens e que traduz, com fidelidade, o conflito em que qualquer geek vive. Dedico-a a todos os que estudaram ou estudam qualquer curso com uma forte componente de matemática. Os outros... os outros são José Luís Peixotos :P

10 (dez) conselhos para escrever

1- Prefiram sempre sumos naturais nos vossos cockails, sumos feitos no momento. Laranjas oxidam ao fim de 5 minutos e limões pouco mais aguentam. Sumos de pacote, pasteurizados, só de frutas que fiquem bem cozidas, ou seja, nada de citrinos. Maçã, pêra, morangos, tomate, excelentes, muitas vezes melhores que os naturais.
2- O LM Azul é igual ao Português Suave e uns cêntimos mais barato, já fiz a experiência e amigos meus fizeram e confirmam.
3 – Vivam experiências limite que vos expandam os horizontes, como arriscar a ir ao IKEA ao Sábado.
4- A água é importantíssima para a produção de whiskys, vodkas e cervejas. O gelo no copo também! O ideal é gelo com 2 horas no máximo e não o misturem com comida no frigorífico, o gelo absorve os odores todos.
5- Com o frango assado, em vez de pedir batatas fritas, peçam pão. O pão não faz mal e podem arrancar bocados do frango e comer no pão que aquilo enche.
6- Escolham salgados e snacks que não engordurem os dedos e o teclado todo e que já venham descascadinhos.
7- Não metam nutela no microondas. Já aqui o tinha dito, mas os frascos de Nutela por vezes têm cenas prateadas e aquilo faz mesmo ruídos estranhos. Este aqui não se aplica só a pessoas que queiram escrever.
8- Não abram a caixa do correio, em caso algum. Se for algo grave, mandam sms ou a polícia.
9- Às vezes vale a pena ir ao supermercado comprar aqueles packs grandes ao fim de semana, em vez de ir a correr à tasca do Senhor Antunes pagar 1€ por cada garrafinha.

10- Tenham sempre à mão um bloco de notas ou algo onde anotar, como um smartphone, se forem como eu, só se lembram das coisas de que precisam no supermercado ocasionalmente e mais vale anotar logo para ter uma lista a sério quando lá vão.

boa escrita e força nisso.

YMCA

o Portal 2 vem aí e está para os gamers de bom gosto como a ressurreição para os cristãos



Fuck school. I'm going to tell my mom I'm "sick"
hellveteran45 10 horas atrás 16 thumbs up

(comentário no youtube)