sexta-feira, 22 de abril de 2011

o síndrome de Dorian Gray

Na tabacaria do Colombo, senhora de 50 e poucos atende-me.

- Era um maço de português suave, por favor.

- Hmm... que idade tens?

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novel clarity

Quase um ano depois, o meu Criador está a meio da revisão final do seu romance. De vez em quando, por mero masoquismo e porque não o mostrou a ninguém, procura um ponto de vista objectivo e editorial, digamos assim. Vai ao quarto, veste o seu melhor fato e instala-se numa secretária, com muitos papéis. Finge um ar supreendido quando vai ler as impressões do romance que ele próprio escreveu, chega a exclamar "oh, o que é isto? quem é este? Vamos lá ver isto, deve ser uma bela porcaria" e depois começa a revisão, tentando distanciar-se o mais possível dele próprio e de mim.

Para se munir de argumentos técnicos, lê uns artigos, umas 10 tips lists, que existem aos milhares na Internet.


Agora está fortemente deprimido porque respondeu 'não' a todas as regras de Novel Clarity:

Novel Clarity
Revision is a tool for conveying story information more clearly. Writers must detach themselves from their work and read it objectively, critically, putting themselves in the place of the audience. Will readers understand the goals of the characters? Will they know what characters want and what they will do to get it? Is what motivates characters into action easily understood? Do readers know the reason characters want what they want? Does conflict escalate in a believable manner, built carefully from scene to scene in a logical way? Conflict should make it hard for a character to reach their goal, testing their resolve to reach it. Is there a satisfactory resolution? Although a story may end badly, main characters must attain their goals or fall short of their goals in a convincing way, loose ends must be tied up, and both the main plot and subplots worked out.

Tips for Revising a Novel

Tentei explicar-lhe que o Knut Hamsum ou o Kafka ou o Salinger cuspiriam naquela lista e que o Bukowski limparia o cú com ela. Mesmo assim não o convenci porque ele acha que não é tão bom como o Knut Hamsun, o Kafka ou o Salinger e eu por acaso concordo, e o editor ficcional dele também, nisto estamos de acordo os três. Eu acho que ele não devia alterar muito mais o que fez e que se fodessem todos, incluindo ele próprio, o editor acha que ele devia rever uma série de coisas e eliminar passagens inteiras, algumas com 20 páginas, e ele está neste momento a ir buscar cervejas ao frigorífico e andar de um lado para o outro, de um lado para o outro.

dizem-nos, aos três, que enventualmente um dia ele vai ter de mostrar aquilo a alguém, o que nos parece um bocadinho desnecessário, uma vez que o meu Criador também tem o seu Leitor, para além do seu Editor. É o seu Leitor que me diz a mim, Tolan, para apagar os posts maus ou reescrever, depois de serem postados, o Editor não entra aqui. Às vezes ele gosta mesmo de uma coisa e ri-se muito ou comove-se muito com algo que o meu Criador ou eu escrevemos. O Editor nunca se ri nem se comove com nada, está sempre a fazer contas e cheio de pressa.

sim, sim apaguei-o

eu só preciso de escrever certas coisas, é como se falasse sozinho. Depois já não me faz diferença se o lêem ou não, há o google reader e tal, que se lixe. O que não quero ver é certos textos aqui neste blogue, fisicamente digamos assim, textos de opinião em que parece que sei o que estou a dizer. São esgotantes a vários níveis, geram discussões e não posso perder tempo e energia nisso, tenho um romance a acabar e de ir ao Colombo comprar o Killzone 3.

devíamos ter uma selecção capaz de ser campeã do mundo

Neste artigo da BCC e em quase toda a imprensa desportiva internacional, os grandes responsáveis pela vitória do Real sobre o Barça na Copa del Rey são portugueses: Cristiano Ronaldo e Mourinho, à cabeça, evidentemente, mas depois Pepe (que Mourinho pôs a médio defensivo anulando Messi) e Ricardo Carvalho, uma parede. Em inglaterra, Raúl Meireles foi eleito PFA's Fans Players of the Year e, pelo menos em Fevereiro, foi eleito o melhor jogador da liga inglesa pela Association of Professional English Football. A propósito de Nani, os fãs do Manchester United dizem que é o Ronaldo II, exageram um pouco, no entanto, é a par de Rooney, a grande figura da equipa e também ganou o PFA Young Player of the Year award. Fábio Coentrão fez parte do 11 ideal do último Mundial etc.

o bolo não era mentira

Hoje, inspirado pela notícia do lançamento do Portal 2 e por saudosismo e essas coisas, decidi aproveitar a tolerância de ponto e acabei o Portal (jogo de 2007) de uma assentada, foram 4 ou 5 horas intensas. Os últimos níveis são absolutamente impossíveis. Ou quase. Encontro-me esgotado e feliz perante o desafio intelectual superado. O Portal é também o jogo com um sentido de humor excelente.

Deixo aqui o final do jogo, ma linda canção I'm Stil Alive, cantada pela AI que nos fez a vida negra e que destruímos no fim do jogo, e que pelos vistos se tornou um fenómeno do youtube, uma vez que se pode aplicar a qualquer geek de coração partido e há muito disso, especialmente na Internet.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cenas de família

Quando chegou o meio-dia,as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde. E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
— Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?
—Oh por favor… drama queen…
— Pai? És tu Pai? Tira-me daqui, Meu Deus.
— Vá, tens de passar por isso como um homenzinho.
— Então devolve-me os super-poderes ao menos!
—Querias, malandro, para fazeres vinho e embedares-te outra vez e andares por aí na rambóia com o teu ganguezito de maltrapilhos a fazer tags ‘os apóstolos’ por toda a Judeia…
— Não me podes dar ao menos umas aspirinas?
—Faz mal ao estômago.
— Seu egoísta!
—Tu não sabes o que dizes! Mal agradecido! Olha que no teu lugar podia estar o Fernando Nobre, ele ajudou muitos pobres e muitas crianças em aflição e é independente e ateu…
—O Fernando Nobre é católico Pai.
—Ai é? Ele disse-me que já não era!
—Não sei, eu acho que li que ele era católico.
— Pois ele agora é ateu. Se eu tivesse um ateu na santíssima trindade até os íamos converter ao PCP!
— Convida-o! E tira-me daqui agora, está a começar o Hells Kitchen.
—  Eu acho que é capaz de ser um bocado polémico, até para os meus padrões.
—Oh porra… Tira-me daqui!
— Tu és mimado e mal agradecido. A culpa nem é minha, eu sempre fui a favor de uma educação rígida. Forma carácter. Mas logo desde pequenino vêm reis trazer-te prendas de todo lado!
— Prendas? Chamas aquilo prendas? Trouxeram-me ouro, incenso e mirra Pai! O que faria eu com ouro incenso e mirra! Eu queria um Spectrum 48K e o Traga-Bolas, o dos hipótamos comilões!
—O ouro é valioso, seu mal agradecido.
— Era um fio piroso, só os emigrantes nas obras das pirâmides do Egipto é que usam daquilo.
— E não te esqueças da conta poupança no BES que os teus avós abriram, com sacrifício. E do enxoval que a tia Salomé te preparou e que tu…
—Vai servir-me de muito! Vai servir-me de muito a conta poupança pai! Ao menos espero que a mãe fique com o dinheiro…
—Descansa que a tua mãe não vai ver um tostão disso, vai todo para caridade. A tua mãe esbanjava tudo em tapetes e socas e palha da melhor, quando a palha do LIDL servia perfeitamente. A culpa de seres assim estouvado é dela!
—Dela? Onde estavas Tu quando eu cresci!? Só me aparecias para me dar ordens, “Jesus sacrifica o cordeiro”, “Jesus vai para o deserto”, “Jesus cura o leproso”, “Jesus arruma o quarto”…
— Eu estava a trabalhar! Tu sabes o trabalho que dá ser Deus? É um trabalho de grande responsabilidade e stress. Admitir-te finalmente no Conselho de Administração é uma grande honra para ti, um cargo que muitos ambicionavam! E vais ter de me cortar esse cabelo e fazer a barba, pareces um hippie.
—Não era esta a carreira que eu queria Pai, não era esta a minha vocação.
— Se achas que estás mal, pensa que podias ter tirado Relações Internacionais em Coimbra por exemplo!Ainda vais a tempo, queres?
—Epá isso não, Pai...
— Queres que o momento mais alto da tua vida seja seres o criador do movimento “geração à rasca”? É isso que tu queres?
— Já disse que não, deixa-me sossegado agora... dá-me só o iPod, não consigo mexer as mãos.
 — Onde está o iPod?
— Está ali, na trouxa ao pé do João e do Paulo. É só para me entreter um bocadinho. Obrigado. Põe-me só os fones nas orelhas.
 — Pronto. Que grande gadelha, tens mesmo de cortar isto, deves estar cheio de pulgas. O que é que eu ponho?
— Pode ser Morrissey. Obrigado. Mais alto.. um bocadinho mais... está bom.

cão, o rei deles, na versão business man



Disponível também na versão bum e na versão explorer

quarta-feira, 20 de abril de 2011

la la la la lalalalaaaaaa

pensamentos avulsos e confusos

comunhão
Se dois existencialistas, por exemplo, o Vergílio e o Sartre, se encontrarem num café, é possível que um diga ‘epá, sou existencialista, só existo eu’ e o outro diz ‘eu sinto exactemente o mesmo! Só eu existo e sou a verdade! E escrevo livros e milhares de pessoas lêem-nos!’, ‘eu também, eu também!’ diz o outro e depois bebem uns copos e tornam-se grandes amigos. E no dia seguinte acordam confusos, com um certo mal estar, porque perderam um bocadinho do existencialismo. Só com grande esforço de hipocrisia podem pois continuar a pensar da mesma forma.
A comunhão, no sentido não religioso do termo (mas também) é a única fé plausível, a única religião credível. A partilha de algo, um momento, uma comunicação, uma sintonia. Ter um culto como ser católico ou ser do Benfica ou mesmo ser ateu ou ‘existencialista’, insere-nos imediatamente num grupo de gente que partilha connosco qualquer coisa e reduz-nos a um membro de um grupo, o que é bom, deve ser bom e deve ser cultivado.
Quando estamos com um velho amigo, zonzos do bagaço da típica, a fumar um cigarro e a ver os telhados de Alfama à noite e um cargueiro iluminado no Tejo, num miradouro de uma Igreja, isso é um momento de comunhão religiosa, nem pior nem melhor, que uma missa do 7º dia na Praça S.Marcos S.Pedro no Vaticano.

a matilha

A melancolia que pode por vezes atacar-nos num momento de felicidade, por vezes na exacta proporção da felicidade, ao ponto de nos poder fazer chorar. E a felicidade que nos pode acometer num momento de infelicidade, como num funeral, num dia bonito, um pardal num fio de electricidade, uma rapariga bonita que não víamos desde a infância e que brincava connosco a em pinhais selvagens. Isto devia levar-nos a concluir que a felicidade e a infelicidade são, evidentemente, ilusões, como Deus. Porque se fossem reais, manifestar-se-iam com causas e efeitos determinados e lógicos. No extremo, os sentimentos fundem-se um com o outro e positivo e negativo não existem. Somos macacos, um pouco mais espertos, uma pequena diferença genética, nada mais, um defeito que nos faz perguntar 'porquê?'. Só quem não viveu com animais de estimação como cães e gatos pode afirmar que eles não têm alma. E não é certo que não perguntem 'porquê?', a julgar pelo ar confuso de um cão quando, depois de lhe darmos 2 rodelas de chouriço, recusamos dar mais rodelas de chouriço, originando uma pequena poça de baba na alcatifa e grunhidos indignados e que me soam claramente a 'porquê? porquê? porquê?'
A matilha é pois a felicidade.

sorrir ao nada
A liberdade e a ausência de paz começam na solidão. A solidão de não ter um destino comum com ninguém, de ser incompreendido, de não encaixar em lado nenhum. É também um acto egoísta pois ao recusarmos a influência dos outros, estamos também a fechar-nos a eles e a não comunhar das suas tristezas. Se não somos humanos, que efeito causarão em nós as notícias de mortes e tragédias no mundo ou o sofrimento de um amigo com um desgosto de amor? No entanto, a solidão é a única forma real de dor, cujo o único paleativo é a loucura. Definir loucura é difícil, talvez aquele momento em que perdemos o elo com os outros. Ninguém consegue comungar connosco e nós não conseguimos comunhar com ninguém. Nada nos pode fazer ficar tristes ou contentes, a não ser nós próprios e por isso podemos sorrir ao nada, com os olhos abertos, numa ala psiquiátrica do Júlio de Matos, como o meu tio, quando o vi lá pela primeira vez, aos oito anos. Ele sorria, mas eu fiquei triste, porque não era louco.

terça-feira, 19 de abril de 2011

então eu sou geek

Em 1996 chego da província com uma mochila cheia de tupperwares cheios de comida preparados pela a minha mãe (que os preparou por pressão de grupo porque as mães dos meus amigos da província o faziam) e chego à universidade para um magnífico curso de matemática. Era como se tivesse chegado ao paraíso. Na província eu era o geek. Ali era... era uma pessoa! Havia colegas com depressões e tudo. Era genial. A minha família, que julgava disfuncional, era afinal a da Casa Na Pradaria comparada com as dos meus colegas que eram, vejam bem, divorciados.

Nas praxes, intensas ainda naquela época (1996) uma veterana sexy elegeu-me rei dos caloiros, num jogo de xadrez humano em que atirávamos ovos (fui o único sobrevivente). Lembro-me da raiva que suscitou no seu colega veterano que exclamou na minha cara "escolheste este monte de esterco para rei dos caloiros!?", largando perdigotos. Contemplei-o, impassível. A verdade é que tinha aterrado no paraíso, o curso era composto por geeks hardcore, bastava usarmos a camisa fora das calças para sermos considerados tipos cool. Não me refiro a gente que tinha hobbits como filatelia ou astronomia (o meu caso) mas sim gente que discutia acaloradamente se a Texas Instruments era melhor que a HP, nos intervalos, e testavam algoritmos recursivos para ver qual das máquinas tinha um maior erro numérico de arredondamento devido à truncagem dos bits do processaor. O meu curso estava no top 3 nacional de dificuldade, um ranking subjectivo, que o colocava a par de Engenharia Aeroespacial no Técnico e outro qualquer. Lembro de ler aquilo na revista pensar "chalenge accepted".

Pessoas de outros cursos discutiam se jogador A era melhor que jogador B, ou mamas e rabos, nós discutíamos a teimosia da HP em ter um sistema de computação nas máquinas que era pouco intuitivo e só poderoso em situações complexas. Os rascas usavam Casio, como eu, embora a minha fosse programável e gráfica e tivesse cores e permitisse desenhar seios com equações condicionais. Sim, eu era, sou e serei geek até morrer.

Deixo-vos com a música geeks are sexy que fiz, em tempos, em homenagem às minhas origens e que traduz, com fidelidade, o conflito em que qualquer geek vive. Dedico-a a todos os que estudaram ou estudam qualquer curso com uma forte componente de matemática. Os outros... os outros são José Luís Peixotos :P

10 (dez) conselhos para escrever

1- Prefiram sempre sumos naturais nos vossos cockails, sumos feitos no momento. Laranjas oxidam ao fim de 5 minutos e limões pouco mais aguentam. Sumos de pacote, pasteurizados, só de frutas que fiquem bem cozidas, ou seja, nada de citrinos. Maçã, pêra, morangos, tomate, excelentes, muitas vezes melhores que os naturais.
2- O LM Azul é igual ao Português Suave e uns cêntimos mais barato, já fiz a experiência e amigos meus fizeram e confirmam.
3 – Vivam experiências limite que vos expandam os horizontes, como arriscar a ir ao IKEA ao Sábado.
4- A água é importantíssima para a produção de whiskys, vodkas e cervejas. O gelo no copo também! O ideal é gelo com 2 horas no máximo e não o misturem com comida no frigorífico, o gelo absorve os odores todos.
5- Com o frango assado, em vez de pedir batatas fritas, peçam pão. O pão não faz mal e podem arrancar bocados do frango e comer no pão que aquilo enche.
6- Escolham salgados e snacks que não engordurem os dedos e o teclado todo e que já venham descascadinhos.
7- Não metam nutela no microondas. Já aqui o tinha dito, mas os frascos de Nutela por vezes têm cenas prateadas e aquilo faz mesmo ruídos estranhos. Este aqui não se aplica só a pessoas que queiram escrever.
8- Não abram a caixa do correio, em caso algum. Se for algo grave, mandam sms ou a polícia.
9- Às vezes vale a pena ir ao supermercado comprar aqueles packs grandes ao fim de semana, em vez de ir a correr à tasca do Senhor Antunes pagar 1€ por cada garrafinha.

10- Tenham sempre à mão um bloco de notas ou algo onde anotar, como um smartphone, se forem como eu, só se lembram das coisas de que precisam no supermercado ocasionalmente e mais vale anotar logo para ter uma lista a sério quando lá vão.

boa escrita e força nisso.

YMCA

o Portal 2 vem aí e está para os gamers de bom gosto como a ressurreição para os cristãos



Fuck school. I'm going to tell my mom I'm "sick"
hellveteran45 10 horas atrás 16 thumbs up

(comentário no youtube)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

eu tenho hobbits, ok?

their finest art, Bukowski e a minha worstest* art

Do tempo em que fazia música electrónica por hobbit, de forma mais regular:



Em 2 anos teve menos views que um dia de Tolan no blogue e é a minha preferida, das que fiz. Apesar dos views não serem uma medida da qualidade de uma coisa - especialmente na Internet em que a componente "humor" ou "curiosidade mórbida" ajuda muito - a experiência foi educativa em vários sentidos. Todos temos talentos e podemos explorá-los de forma autodidacta e livre, mas há sempre um ponto de viragem em que o talento tem de dar trabalho, ser chato, doloroso, exigir sacrifícios de vária espécie. Não é o impulso de criar que é duro, esse nunca é, mas sim o aperfeiçoamento, a conclusão do impulso de criar em qualquer coisa finalizada, que faça jus à intenção original.

Desistir da ideia de levar um hobbit a sério, é bom, porque vai ficando, no fim, uma destilação do que somos, mais focada.




*isto é Lol speak

A Aparição (1959), de Vergílio Ferreira, notinhas prévias e livros obrigatórios na escola

Não sei como, sobrevivi até hoje sem nunca ter lido A Aparição.
Foi livro de leitura obrigatória na escola. Não sei porque não o li, mas estou a resolver isso, e com prazer, um prazer que duvido que tivesse aos 15 ou 16 anos.

Na Internet vejo que os miúdos lêem o Memorial do Convento do Saramago e saúdo a escolha, penso que é mais adequada, sendo o Memorial um excelente livro. E não sei se é boa ideia espetar com o existencialismo desesperante da Aparição a jovens adolescentes já de si existencialistas desesperados. Eles não precisam de ajuda para isso. De qualquer forma, quer um quer o outro, dão porrada que chegue na Igreja e nos costumes, o que parece ser um requisito essencial na selecção dos livros escolares pós-25 de Abril. Tudo bem.

Penso que a Aparição é um livro que vem mesmo mesmo a calhar depois de termos tido a experiência da morte. Guardem o livro para quando vos morrer alguém próximo, assim como uma aquela garrafinha de vinho para quando um filho nascer. É ela que nos confronta com os problemas existenciais mais profundos - a morte, não a garrafinha de vinho (e daí...). O pai da personagem adquire a sua crise existencial pela morte do pai, o que também é uma coincidência. Há mais ao longo do livro e por vezes fico com a sensação que isto de espoletar intensas crises existenciais é uma coisa de receita e que tanto eu como o senhor Vergílio somos apenas animais a responder a estímulos de diversa índole e que seriam capazes de transformar o Luisão do Benfica num existencialista angustiado e estudioso de Schopenauer.

Estou a gostar muito deste livro e a escrita é magnífica, embora deva dizer que este autor se insere no grupo dos que esmagam e não dos que entusiasmam, porque escreve demasiado a puxar para a poesia, escreve demasiado bem, se é que isso é possível. Também penso que as personagens e as situações são estereotipadas demais, encaixam num determinado perfil e num simbolismo demasiado evidente, pelo menos, para os gostos de hoje. É um livro que me parece um pouquinho datado. Já o tinha dito em tempos a propósito das obras de Sartre que versam sobre os mesmos temas. O problema destes livros é que têm personagens eruditas e foram escritos por eruditos que viviam num determinado contexto político e social e que entretanto mudou. Temos personagens que têm consciência erudita e, no caso da Aparição, até têm como objectivo a escrita de um ensaio sobre o tema. Penso que isto é uma abordagem um pouco directa demais, como se a melhor forma de abordar um tema na literatura, fosse abordá-lo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

to do list antes de morrer - updates

(...)
Apaixonar-me
Experimentar drogas psicadélicas
Ir a Las Vegas
Perder a virgindade
fazer um coast to coast num ford mustang
desapaixonar-me
Ter um filho Ter um filho (ufff falso alarme)
Dar sangue Dar sangue (ok ok ter sangrado do nariz para dentro do prato da R. na cantina da escola não conta)
Escrever livros e ganhar dinheiro com isso
Ver três equipas portuguesas nas meias finais da Liga Europa
ser o meu próprio BILF
Ir a Tóquio
ver os Pixies ao vivo
Ter um veleiro e dar a volta ao mundo
Espancar o Gonçalo da Camara Pereira
(...)

erro

Mais de uma década de utilização intensiva de office em ambiente windows - particularmente powerpoint - providenciou-me uma interessante colecção de x files no que a bugs diz respeito.

O Windows consegue ser um verdadeiro artista na arte do erro e do bug. Não se limita apenas a não conseguir fazer algo, como, por exemplo, um candeeiro do quarto não acender quando carregamos no interruptor ou o nosso carro não pegar quando rodamos a chave. O Windows é coisa para acender um candeeiro do quarto quando rodamos a chave do carro. E ainda disparar o sistema de rega.

Há momentos deparei-me com este erro, quando abri um excel em branco. Sim, é verdade, tenho excel muito bonito para fazer, mas não resisti a uma pequena pausa para analisar isto em conjunto com vocês.

Fiz um prático print screen do erro:


Portanto, temos uma janela de erro que diz "Microsof Visual Basic", uma cruz branca em cima de um smartie vermelho e depois um botão que diz "ok" e outro que diz "ajuda". E mais nada. Supomos que é um erro, aquele smartie e aquela cruz branca normalmente singificam coisas más.

O Visual Basic é uma linguagem de programação. É possível programar uma caixinha de erro para aparecer no Excel com uma frequência aleatória e talvez seja essa a explicação, alguém na Microsoft tem tempo livre a mais. Ou então aconteceu mesmo um erro mas só diz respeito ao Visual Basic. Ele teve um erro lá na vidinha dele e queixou-se, sente-se sozinho e quis partilhar. Neste contexto, o "Ok" é como dizermos "hm hmm que chatice" a alguém que se queixa de alguma coisa que não nos interessa para nada. Pelo menos, a pessoa sente que foi ouvida e na melhor das hipóteses, é o suficiente para se sentir melhor.

Claro que aqui desconfiamos que o "ok" é uma armadilha. Até porque já vem seleccionado. Ou aceitamos o Ok sugerido ou pedimos ajuda. Notem que pedir ajuda não altera o facto, apenas nos ajuda a encarar a inevitabilidade do Ok, uma vez que não há um "Cancelar". É um pouco como terapia, depois de um divórcio.
Devo dizer que aquele "ajuda" me soa um bocadinho a cinismo. É como uma ex namorada que tive e que me partia coisas em casa - sem querer - e depois, quando eu estava a tentar juntar as peças e os fios das coisas, ela aproximava-se em bicos de pés e a espreitar de lado e perguntava-me se eu precisava de ajuda para as arranjar.

O que é fantástico no Windows é que há sempre opções escondidas e uma forma de fugir aos dilemas. Por exemplo, ali temos a cruz branca no rectângulo vermelho, no topo direito. Podemos simplesmente fechar a janela do erro e continuar com a nossa vida. Era tão bom que isto fosse assim no dia a dia.

Foi o que fiz e pareceu-me ouvir a motherboard do portátil a resmungar "damit john, não o apanhámos desta vez, eu disse-te que era melhor o pedaço de queijo na drive de CDs".

Até agora, tudo bem.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

poesia, um dos meus hobbits

sardinhas

as músicas românticas
lembravam-me miúda tal e tal
agora lembram-me de ti
Portugal
não é fácil
esquecer-te
é como ser abandonado
por uma rapariga bonita
com quem tínhamos
intimidade
e que um dia aparece
numa campanha
da intimissimi
em outdoors
por toda a cidade
estamos presos
os dois
num mau casamento
amo-te mas
não gosto de ti
gosto das tuas
sardinhas enlatadas
mas dormimos
em camas separadas
os moínhos de vento
a girar
moíam o trigo em farinha
e o Rui Moleiro
vendia a farinha
ao Chico Padeiro
que fazia o pão
que vendia na aldeia
e à noite
gastava todo o dinheiro
em vinho e macieira
no café do Jorge do Café
tanto trabalho
para nada
só para o Jorge do Café
correr o Chico Padeiro
à paulada
é preciso é saúde
vai-se andando
até amanhã
se Deus quiser

Yuck - Shook Down

preciso de ter isto @_@

A roupa ideal para ir almoçar ressacado ao MacDonalds!


Sabem se há uma regra secreta da parentalidade que implica arrebanhar dúzias de crianças ao fim de semana e soltá-las no MacDonalds? Um tipo sai da cama ao meio dia e arrasta a dor de cabeça e os olhos semi-cerrados ao Mac para um pequeno almoço nutritivo composto por 500ml de Coca-Cola e um bacon cheezburger, uma sopinha e café no copo de plástico e apanha com uma dose de Happy fucking screaming capaz de abater um cavalo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

pretinhos e música

A comentadora Carla pergunta-me "porque disseste que o Smokey Robinson era pretinho?" Ora, porque é batota e injusto comparar negros com brancos em certos géneros de música, como a soul ou o hip-hop.

Os pretinhos são pobres, em geral, o que funciona como incentivo para se virarem para a dança e a cantoria, por vezes ambos, como o Michael Jackson. É concorrência desleal.

O melhor de um branco na soul é uma espécie de mediano de um pretinho. porque eles já nascem assim. A chorar aos 6 meses já o fazem numa escala pentatónica blues e em vez de chuchas dão-lhes harmónicas. Depois aperfeiçoam aquilo nas igrejas ou quando estão na apanha do algodão a ensaiar todos contentes.

Toda gente sabe que o Ben E. King compôs o "stand by me" para o Ray Charles, para ele cantar quando trabalhava na apanha do algodão. Cantava o "stand by me" aos outros pretinhos e estes ficavam ao pé dele, para o ajudarem a orientar-se e não ficar debaixo do tractor conduzido pelo patrão Billy Bob que não estava cá para brincadeiras. O James Brown por exemplo, compôs "Like a Sex Machine" numa entrevista de emprego numa quinta, em resposta à questão "how fast do you pick cotton?". É difícil concorrer com isto. Pensemos que os problemas que um branco tem ao longo da vida, dão origem, no máximo, ao Michael Buble.

Penso que nisto de certas categorias de música devia haver uma separação racial, tal como no desporto. Felizmente, em certas categorias dos jogos olímpicos ela já existe. Na final dos 100 metros em Pequim, não havia um único branco, por proibição do comité olímpico. Já era tempo de terminar com as humilhações constantes a que eram submetidos os espécimes arianos. Na música passa-se o mesmo. Pensemos todos no Vanilla Ice.

Digamos que na música, os pretinhos têm de vencer as mesmas dificuldades que as mulheres no mundo dos negócios e a selecção natural, séculos e séculos disso, acaba por resultar na máxima só os mais fortes sobrevivem. As mulheres só começaram a trabalhar em empresas há umas míseras décadas por isso os seus genes não reflectem adaptação, apenas inadaptação. É normal que neste momento ainda sejam inferiores e manifestem idiossincrasias femininas ineficientes, como empranhar ou ir chorar para a casa de banho quando estão com o TPM. Não estão a ver o Belmiro de Azevedo a cambalear grávido na Assembleia de Accionistas e a abanicar-se todo com o relatório e contas Sonae 2010 porque teve um acesso de calores, pois não?

- Bolas Sam Cooke, devia ir estudar Relações Internacionais. Este saco pesa uma tonelada.
- Hey, tive uma ideia James, para uma letra sobre as vantagens de estudar.
- Aquilo das Relações Internacionais era uma piada, à rasca já eu estou.
- Não pá, miúdas pá... Se calhar, se estudares, sacas mais gajas!
- Canta lá isso Sam...
- Don't know much about history... don't know much biology...

terça-feira, 12 de abril de 2011

oversinging da Amy Winehouse e o grande Steve Marriott

Nunca fui à bola com a maneira de cantar da Amy Winehouse. É uma grande cantora, uma grande voz, seria idiota não o reconhecer, até para mim, mas não gosto da forma de cantar, para mim é o oversinging, como no cinema ou no teatro existe o overacting. Exagera e torna-se cansativo, para o meu gosto simples. É como se cada música fosse o pretexto para a técnica Amy Winehouse. Lá vai ela whinehousemizar mais uma música penso eu, sempre a que a oiço. É certo que na música popular, o playground vocal de excelência é a soul, por onde anda Amy Winehouse. A soul partilha com o blues ou o jazz as raízes negras, o sentimento genuíno mas tem uma componente pop que os dois primeiros géneros não têm: é de massas e destina-se a fazer o ouvinte, uma pessoa simples e chateada com a vida, sentir-se espiritualmente emocionada, comovida ou levitada.

Uma voz estrondosa que descobri recentemente foi a de Steve Marriott, vocalista dos Small Faces na interpretação (muito boa) do clássico You Really Got A Hold on Me do pretinho Smokey Robison.


Aqui num programa na tv alemã a interpretar o What You Gona Do About It e o Sha la La La Lee em 1966. Que power O_o !! e gravado ao vivo.
Olhem só para os filhotes dos nazis a dançar o rock todos contentes :)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ela ouviu um rumor! Era apenas um rumor. O que é que ele fez a ela?



(tenho assim uma fantasia de passar música numa festa DJ Tolan mas em que o dress code fosse gótico: uma espécie de anti-festa de branco, sendo que teria alguns intervalos de luz, como para dar a elmo's song)

e ainda dizem que tenho pouca vida social (#3)


locomosquito_77: ai ai ai caramba! eheheheh cabrooon!
aguia77: muy bien! ay morrido rapidito aquele paneleiron.

BLAM BUM RATATATATA PAM PAM PAM KABUUUM

locomosquito_77: eh eh eh griingooo! When Loco Mosquito uses the knife you beter ruuun pendejo! Ruuun! Muahahaahah! I'll stab you and cut you like a pig! ahahahaha
aguia77: ahahahaha bien bien ele tentou matar-me, yo, con el espingardita pero tu lhe deste com el facalhon!
locomosquito_77: eh eh eh but they canot kill me gringo, ahahah I am Loco Mosquito bzzz bzzz and i is drunk *hic* cheers my friend!
aguia77: cheers! *arroto*

E ainda dizem que eu tenho pouca vida social... (#2)


degaulle82_FRA:AHH MERRRRDE! PUTAIN FILS DE PUTE! PUTAIN DE MERDE IL M'A TUE CE FILS TE PUTE je l'ai fiché plein the coups de balle dans la geule!!
fromagebleu82: ehh, calme toi Jean
degaulle82_FRA: CE FILS DE PUTE! PEDÉ DE MERDE VA TE FAIR ENCULER!
aguia77: ih ih ih

KABUUM BAM BAM BAM RATATATATATA PSSCHHHH KABUUUM

degaulle82_FRA: AAHHH NOOOON! FILS DE PUTE! PUTAIN DE MERDE! FILS DE PUTE VA TE FAIRE ENCULER FILS DE PUTE PEDÉ! C'EST PA POSSIBLE ÇÁ! UNE GRENADE EN PLEIN DANS LA GEULE ET IL N'EST PA MORT!! NOOOON!
*som de comando ps3 a bater vigorosamente numa superfície sólida*
fromagebleu82: enfin Jean, ehh... calme toi un peu dis donc...c'est seulement un jeu....
aguia77: ih ih ih