Messenger: www.nasa.com
NASA_sexygeek42: Tirar foto a Rays of Debussy no quadrante 12.
Messenger:
NASA_sexygeek42: Acorda.
NASA_sexygeek42: Iniciar startup. Usar wide angle lens.
Messenger:
NASA_sexygeek42: Sim, são 4 da manhã em Mercúrio.
NASA_sexygeek42: Agora acorda.
Messenger: ASL
NASA_sexygeek42: O quê?
Messenger: duh... age sex location
NASA_sexygeek42: 42, masculino, canaveral flórida... mas?
Messenger: BRB
NASA_sexygeek42: ? Volta! Messenger?
Messenger:
NASA_sexygeek42: Boa, óculos escuros.
NASA_sexygeek42: Pois, estás no hemisfério exposto ao sol.
Messenger: Xiiiiiiim…. X)
NASA_sexygeek42: Muito gira. Agora por favor, volta ao quadrante 12.
Messenger: Pffff ;P
NASA_sexygeek42: VOLTA AO QUADRANTE 12 PORRA!
Messenger:
NASA_sexygeek42: Nave parva!
NASA_sexygeek42: 446 milhões de dólares!
NASA_sexygeek42: 12 anos de desenvolvimento! para nada!
Messenger:
NASA_sexygeek42: Desculpa...
NASA_sexygeek42: Mas tens de seguir ordens!
Messenger:
NASA_sexygeek42: Não te armes em esperta.
Messenger: lol :P
NASA_sexygeek42: Tens de ir para o quadrante 12.
NASA_sexygeek42: O lado da sombra. Precisamos de fotos e uma análise espectral do solo.
Messenger: :S friiooo?
NASA_sexygeek42: Nem por isso. Veste um casaquinho. Vai lá.
Messenger: friooo? aki tá solinho :)
NASA_sexygeek42: Sim, 430cº... estás muito bronzeadinha.
NASA_sexygeek42: Agora vai lá para o lado sombra.
Messenger: há muito friooo?
NASA_sexygeek42: nah, -183ºC...
Messenger:
*Messenger is OFFLINE*
NASA_sexygeek42: oh porra...
quinta-feira, 31 de março de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
Maus empregos
- Então Tokeshi, o que dizem as últimas leituras?
- Mas eu coloquei aqui as moedas e a sandes de atum não saiu!
- Meteste moedas de 1 yen? A máquina encrava! Estagiários...
- Vá lá pessoal, foto de grupo!- Lá está o chato do Konishi San e as fotos...
- Sim, desde que descobriu o facebook...
- Ignorem-no...
- Já experimentaste fazer ctrl+alt+del ao reactor nº2?
- 'Vai buscar as cápsulas nespresso à arrecadação do reactor 3' dizem eles, 'é perfeitamente seguro' dizem eles. É sempre o estagiário a ir... Hei, porque é que a minha sandes de atum está a brilhar no escuro?
- Dizem que estamos mortos.
- くそっ!どうして私が!- Mas eu coloquei aqui as moedas e a sandes de atum não saiu!
- Meteste moedas de 1 yen? A máquina encrava! Estagiários...
- Vá lá pessoal, foto de grupo!
- Sim, desde que descobriu o facebook...
- Ignorem-no...
- Já experimentaste fazer ctrl+alt+del ao reactor nº2?
- Errr... não, chefe...
- Desliga e liga. Às vezes dá.
- 'Vai buscar as cápsulas nespresso à arrecadação do reactor 3' dizem eles, 'é perfeitamente seguro' dizem eles. É sempre o estagiário a ir... Hei, porque é que a minha sandes de atum está a brilhar no escuro?
Tolan corrector
O Tolan anda hiper picuínhas com a sua escrita e revisão das coisas que escreve (no romance, no romance, aqui no blogue preocupar-me com isso era o mesmo que me preocupar com o tempero da ração dos porcos) e então agora vê erros em todo lado. Não me refiro a erros de português óbvios, apenas formas mais ou menos elegantes de escrever a mesma coisa.
Prosa de JPP, que normalmente escreve muito bem mas às vezes manda com algumas que parecem ditadas pelo Jorge Jesus. Aqui a bold e sublinhado as minhas introduções e a riscado o que eliminaria e sem mexer demasiado na pontuação, parece-me que faltam vírgulas:
Se o mundo fosse o ideal,o que não é, um bom motivo para um inquérito parlamentar seria a violência associada ao desporto. Em particular para saber até que ponto as autoridades responsáveis pela ordem pública, protecção de pessoas e bens, neste caso o Ministério da Administração Interna, não são há muito têm sido *complacentes com formas de institucionalização dessa violência. Ouvindo comentar o Ministro sobre uma agressão à pedrada contra um autocarro do Benfica fica-se com a sensação que parecia de **estarmos perante um fenómeno novo, a justificar mais uma bravata tão incumprida como as anteriores: tolerância zero.
* O que JPP quer dizer é que as autoridades são, há muito, complacentes com a violência. Até o podia ter dito assim, simples. Ali ele liga um "saber até que ponto" a um "não são há muito", cheio de tralha pelo meio, o que é bastante pesadão. Mas mesmo sem a tralha, não é elegante "Um inquérito para saber até que ponto não são há muito complacentes" dá-me a sensação de coisas a cair por umas escadas abaixo.
** este aqui é tenebroso. fica-se com a sensação que parecia estarmos. "sensação de parecer estar".
Prosa de JPP, que normalmente escreve muito bem mas às vezes manda com algumas que parecem ditadas pelo Jorge Jesus. Aqui a bold e sublinhado as minhas introduções e a riscado o que eliminaria e sem mexer demasiado na pontuação, parece-me que faltam vírgulas:
Se o mundo fosse o ideal,
* O que JPP quer dizer é que as autoridades são, há muito, complacentes com a violência. Até o podia ter dito assim, simples. Ali ele liga um "saber até que ponto" a um "não são há muito", cheio de tralha pelo meio, o que é bastante pesadão. Mas mesmo sem a tralha, não é elegante "Um inquérito para saber até que ponto não são há muito complacentes" dá-me a sensação de coisas a cair por umas escadas abaixo.
** este aqui é tenebroso. fica-se com a sensação que parecia estarmos. "sensação de parecer estar".
segunda-feira, 28 de março de 2011
boa companhia
"I wasn't a misanthrope and I wasn't a misogynist but I liked being alone. It felt good to sit alone in a small space and smoke and drink. I had always been good company for myself."
— Charles Bukowski
— Charles Bukowski
vestir música
Os Strokes lançaram um disco fraco depois de um disco menos bom. Isso é mau. Tenho a t-shirt dos Strokes. Era o meu adereço mais importante para sair à noite nos sítios hipsters - isso e uns ténis que tenho que dá para colar autocolantes com marcas diferentes consoante a moda, adidas, vans, sanjo, all stars, nike, lacoste, é só tirar e colar outro conforme se quiser - e de cada vez que a vestia sentia-me imbuído do espírito nova iorque fixe pop cool indie yeah.
Agora imbui-me do espírito subúrbio fatela folk uncool mainstream bleurk. Usei-a pela última vez na última passagem de ano, no Porto, depois de um ano de hibernação, porque a noite merecia, afinal tratava-se do Porto e o Porto, como toda gente sabe, tem uma enorme concentração de sítios fixes que desafiam a lógica comercial e pessoas fixes que desafiam a lógica comercial e livrarias fixes que desafiam a lógica comercial (no fundo, aquilo precisa de um FMI em cima o mais depressa possível)
Agora a minha t-shirt dos Stroeks será usada para dormir e para sessões de PS3, exposta aos elementos climatéricos indoor (cerveja, cinza incandescente e cheetos gordurentos). A dos Radiohead já não lhe toco, o último álbum, o The King of Limbs é tenebroso. Mentira, a verdade é que me está a ficar pequena, encolheu.
Uma vez fui a um concerto de Alice Cooper, não me perguntem porquê, e foi uma experiência deveras impressionante, ver pais de família com as suas t-shirts de 1983 baças da humidade e da naftalina, enchouriçados em blusões de cabedal dois números abaixo. Pensei "será que um dia em 2035 vou aparecer num reunion gig dos Strokes no pavilhão atlântico com a minha t-shirt gasta? espero morrer antes, Meu Deus".
Estou a ficar velho? Ficar velho é isto? Ver que artistas da nossa idade envelhecem em vez de ficarem permanentemente jovens e criativos, deprimindo-nos com a sensação de que a nós nos acontece o mesmo e nem nos apercebemos, estamos condenados a ser apagados por novos putos com mais ideias novas e energia.
Estou a ficar sem opções, para além da t shirt de Sonic Youth que não é boa porque não se percebe logo que é de Sonic Youth e nem é muito gira, e não me apetecia ter de recorrer a t-shirts de bandas novas, como os Vaccines ou os Go Team! ou os MGMT. Aliás, relativamente aos MGMT e aos Go Team já tentei comprar uma, mas são demasiado apalhaçadas, demasiado jovens.
Os Arcade Fire fizeram um bom disco e dou a mão à palmatória, uma vez que lhes vaticinei o fim que agora vejo nos Strokes. Não que sejam bestiais, mas aquilo é bem feito. Só que nunca vestiria uma t-shirt dos Arcade Fire, são demasiado fofinhos e queridos e bloquistas. Não posso vestir uma t-shirt de uma banda que canta coisas como:
feel like I've been living in
A city with no children in it
A garden left for ruin by a millionaire inside of a private prison
You never trust a millionaire quoting the sermon on the mount
Seriously, wtf? Parece o Carlos Cruz a queixar-se no seu diário, na cela de prisão.
O novo álbum dos Strokes Angles é globalmente fraquinho. Esta música é a melhor, vão por mim que verão que é. E é muito boa.
Agora imbui-me do espírito subúrbio fatela folk uncool mainstream bleurk. Usei-a pela última vez na última passagem de ano, no Porto, depois de um ano de hibernação, porque a noite merecia, afinal tratava-se do Porto e o Porto, como toda gente sabe, tem uma enorme concentração de sítios fixes que desafiam a lógica comercial e pessoas fixes que desafiam a lógica comercial e livrarias fixes que desafiam a lógica comercial (no fundo, aquilo precisa de um FMI em cima o mais depressa possível)
Agora a minha t-shirt dos Stroeks será usada para dormir e para sessões de PS3, exposta aos elementos climatéricos indoor (cerveja, cinza incandescente e cheetos gordurentos). A dos Radiohead já não lhe toco, o último álbum, o The King of Limbs é tenebroso. Mentira, a verdade é que me está a ficar pequena, encolheu.
Uma vez fui a um concerto de Alice Cooper, não me perguntem porquê, e foi uma experiência deveras impressionante, ver pais de família com as suas t-shirts de 1983 baças da humidade e da naftalina, enchouriçados em blusões de cabedal dois números abaixo. Pensei "será que um dia em 2035 vou aparecer num reunion gig dos Strokes no pavilhão atlântico com a minha t-shirt gasta? espero morrer antes, Meu Deus".
Estou a ficar velho? Ficar velho é isto? Ver que artistas da nossa idade envelhecem em vez de ficarem permanentemente jovens e criativos, deprimindo-nos com a sensação de que a nós nos acontece o mesmo e nem nos apercebemos, estamos condenados a ser apagados por novos putos com mais ideias novas e energia.
Estou a ficar sem opções, para além da t shirt de Sonic Youth que não é boa porque não se percebe logo que é de Sonic Youth e nem é muito gira, e não me apetecia ter de recorrer a t-shirts de bandas novas, como os Vaccines ou os Go Team! ou os MGMT. Aliás, relativamente aos MGMT e aos Go Team já tentei comprar uma, mas são demasiado apalhaçadas, demasiado jovens.
Os Arcade Fire fizeram um bom disco e dou a mão à palmatória, uma vez que lhes vaticinei o fim que agora vejo nos Strokes. Não que sejam bestiais, mas aquilo é bem feito. Só que nunca vestiria uma t-shirt dos Arcade Fire, são demasiado fofinhos e queridos e bloquistas. Não posso vestir uma t-shirt de uma banda que canta coisas como:
feel like I've been living in
A city with no children in it
A garden left for ruin by a millionaire inside of a private prison
You never trust a millionaire quoting the sermon on the mount
Seriously, wtf? Parece o Carlos Cruz a queixar-se no seu diário, na cela de prisão.
O novo álbum dos Strokes Angles é globalmente fraquinho. Esta música é a melhor, vão por mim que verão que é. E é muito boa.
domingo, 27 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
é difícil explicar como é que a bola está ali e ele joga com os braços
o que é certo é que não foi com os braços que marcou na final da taça Benfica Sporting 92/93. O Sporting da época foi o mais forte de que me lembro, com jogadores como Figo, Paulo Torres, Peixe, Balakov, Iordanov e o Cadete, treinados por Robson. Mas o Benfica? Ui Jasus. Neno (ok...), Veloso, Helder, Schwarz, Paulo Sousa, Paneira, Pacheco, João Pinto, Rui Costa e Futre. Até dói.
open letter to investors who are scared of Portugal
Dear mister Investors
My name is Tolan and I’m very important people in my country.
Peoples in Portugal come from everywhere to ask me for my opinion on several subjects because I am very wise and they bring me oferends, like goats, cheese and cork to say many thanks.
Peoples came to me and they say “Tolan, please say something to those investors! They have to win wiseness! They are cuting financing and augmenting the rates of swear!”
I know that lately you seem to think that Portugal is broke and you think that we will not pay you the monies or use monopoly bills or cork or cheese. That is very offensive to us. I ask you to stop being racists and acting like greedy jews.
Portugal is nice. Has nice beach, nice sea, nice football and nice wine, wich is nice.
We have the biggest bridge in europe and biggest shopping mall in europe. We also have the biggest christmas tree and we have a lot of other items wich are the biggest (biggest port wine glass, biggest king cake, biggest human flag and so on). Jose Mourinho and Cristiano Ronaldo are portuguese and they have the monies and they are the biggests.
he did not steal the flag. he made biggest jump and he also has biggest thing
Still you doubt our hability to pay you monies. It is ridiculous. All you think about is money money money, you are like Uncle Little Paws, swiming in your strong boxes filled with gold.
I want to propose a deal. Do you want the Island of Madeira? You can have it for 75 thousand million euros, our short therm debt. We know you enjoy Madeira, it is great for pedophiles. It also comes with Casino, a Carnival, special fiscal beneficts, biggest fireworks every year and a funny local politician who smokes cigars and dances and acts like a funny pig.
We can also throw in a bottle of Port Wine and the sanctuary of Fatima as a show of good faith. Its great for good luck and protection from islamics, comunists, homossexuality and AIDS, wich we know are problems of great concern in your countries. It also cures people with deficiencies and terminal ilnesses, it is like a giant Power Balance bracelet.
this lady will pray for you 24 on 24 hours
This is our deal. Accept it. We are beginning to loose our pacience. We are brave! When Timor was in problems because of indonesia we helped them by putting white flags at our windows and holding hands on the streets and we scared the indonesians away! They ran like litle scared girls! We could do that again, don’t push us to that limit!
My name is Tolan and I’m very important people in my country.
Peoples in Portugal come from everywhere to ask me for my opinion on several subjects because I am very wise and they bring me oferends, like goats, cheese and cork to say many thanks.
Peoples came to me and they say “Tolan, please say something to those investors! They have to win wiseness! They are cuting financing and augmenting the rates of swear!”
I know that lately you seem to think that Portugal is broke and you think that we will not pay you the monies or use monopoly bills or cork or cheese. That is very offensive to us. I ask you to stop being racists and acting like greedy jews.
Portugal is nice. Has nice beach, nice sea, nice football and nice wine, wich is nice.
We have the biggest bridge in europe and biggest shopping mall in europe. We also have the biggest christmas tree and we have a lot of other items wich are the biggest (biggest port wine glass, biggest king cake, biggest human flag and so on). Jose Mourinho and Cristiano Ronaldo are portuguese and they have the monies and they are the biggests.
he did not steal the flag. he made biggest jump and he also has biggest thing
Still you doubt our hability to pay you monies. It is ridiculous. All you think about is money money money, you are like Uncle Little Paws, swiming in your strong boxes filled with gold.
I want to propose a deal. Do you want the Island of Madeira? You can have it for 75 thousand million euros, our short therm debt. We know you enjoy Madeira, it is great for pedophiles. It also comes with Casino, a Carnival, special fiscal beneficts, biggest fireworks every year and a funny local politician who smokes cigars and dances and acts like a funny pig.
We can also throw in a bottle of Port Wine and the sanctuary of Fatima as a show of good faith. Its great for good luck and protection from islamics, comunists, homossexuality and AIDS, wich we know are problems of great concern in your countries. It also cures people with deficiencies and terminal ilnesses, it is like a giant Power Balance bracelet.
this lady will pray for you 24 on 24 hours
This is our deal. Accept it. We are beginning to loose our pacience. We are brave! When Timor was in problems because of indonesia we helped them by putting white flags at our windows and holding hands on the streets and we scared the indonesians away! They ran like litle scared girls! We could do that again, don’t push us to that limit!
quinta-feira, 24 de março de 2011
e os decididos a indecidi-lo!
«No penúltimo debate que reuniu os cinco candidatos à presidência do Sporting, ficou clara uma ideia deixada por Dias Ferreira: "Serão os indecisos a decidir o acto eleitoral!"»
quarta-feira, 23 de março de 2011
o que sabemos de vender livros a gajas
Não costumo aceitar sugestões de leitura de mulheres, normalmente. O meu inconsciente tratou de perder durante meses o "O que sabemos do Amor" de um tal de Raymond Carver que me tinha sido emprestado pela bluesy, que é uma mulher, ficam a saber. Também tenho sempre relutância em ler traduções de livros que posso ler em inglês ou francês. Já tentei ler os Irmãos Karamazov em russo mas só conseguia contar o número de ocorrências da palavra Карамазовы (102). E esta é do João Tordo, um autor que a nível estilístico tem tantos recursos como o John Galliano na prisão. Mas não está má, o gajo é sóbrio e trata com respeito e contenção a obra. Exceptuando o título tenebroso.
Acontece que após múltiplas ameaças de morte da referida Bluesy, encontrei o livro, aparentemente por acaso enquanto procurava outra coisa. O Que Sabemos do Amor é um título tão mau que eu preferia morrer às mãos da Bluesy do que passar mais vezes pela humilhação de pedir à miúda gira da Fnac se têm o "O que sabemos do Amor".
Numa maratona, já li três contos e concluo que o Raymond Carver é muito bom e que é um escritor para gajos e algumas mulheres com problemas graves (não quero de modo nenhum deixar implícito que é o caso da Bluesy).
De maneiras que não compreendo o título que bem que podia ser de um livro do Pedro Paixão, esse magnífico escritor para senhoras, que conta na sua fértil bibliografia com títulos tão bonitos e subtis como "Muito, meu amor", "Nos teus braços morreríamos", "Os corações também se gastam", "Cala a minha boca com a tua" ou "O mundo é tudo o que acontece". Bitches love that shit não é? Deve sair tanto como as apple pies do Mac a 1 euro cada duas. Parece que as estou a ver, os maridos refastelados no sofá a ver o Benfas ou a ressonar ao lado na cama e elas a sonhar com muitos meus amores que nos braços delas morreriam de coração gasto e bocas caladas, que é coisa que acontece muito, e que faz o mundo e, depois de apagarem a luz, tocam-se sem o marido se aperceber, imaginando-se possuídas pela voz do Pedro Paixão, encarnada num George Clooney (porque o Pedro Paixão é bastante feio) ou num José Rodrigues dos Santos, a debitar poesia fogosa durante o acto.
Percebo que o título original do Carver, para o conto homónimo, era Beginners, aliás, vem em subtítulo na capa da edição da Quetzal, o que foi uma boa opção. Beginners é bonito e ajustado ao tom dos contos. Principiantes? Ficaria muito mal? Aprendizes? Não sei. Talvez colocar Beginners em grande e em subtítulo "O que sabemos do amor", invertendo o aspecto da capa. O 1º editor, para além de esquartejar a obra original do Carver (aqui reposta na sua versão original num esforço de louvar) criou o título "De que falamos quando falamos de amor", o gajo percebia de marketing como o Pedro Paixão e o Mac. Mas mesmo esse, apesar de trapalhão e idiota, era menos Pedro Paixão que "O que sabemos do amor". O que sabemos do amor parece uma daquelas prendas de piada, depois o livro não tem nada, é só páginas em branco e oferecemos aquilo às pessoas e toda gente se ri menos quem recebeu a prenda.
No essencial, o Raymond Carver, é muito bom e é isso que importa não é? É. Obrigado Bluesy e as melhoras.
Acontece que após múltiplas ameaças de morte da referida Bluesy, encontrei o livro, aparentemente por acaso enquanto procurava outra coisa. O Que Sabemos do Amor é um título tão mau que eu preferia morrer às mãos da Bluesy do que passar mais vezes pela humilhação de pedir à miúda gira da Fnac se têm o "O que sabemos do Amor".
Numa maratona, já li três contos e concluo que o Raymond Carver é muito bom e que é um escritor para gajos e algumas mulheres com problemas graves (não quero de modo nenhum deixar implícito que é o caso da Bluesy).
De maneiras que não compreendo o título que bem que podia ser de um livro do Pedro Paixão, esse magnífico escritor para senhoras, que conta na sua fértil bibliografia com títulos tão bonitos e subtis como "Muito, meu amor", "Nos teus braços morreríamos", "Os corações também se gastam", "Cala a minha boca com a tua" ou "O mundo é tudo o que acontece". Bitches love that shit não é? Deve sair tanto como as apple pies do Mac a 1 euro cada duas. Parece que as estou a ver, os maridos refastelados no sofá a ver o Benfas ou a ressonar ao lado na cama e elas a sonhar com muitos meus amores que nos braços delas morreriam de coração gasto e bocas caladas, que é coisa que acontece muito, e que faz o mundo e, depois de apagarem a luz, tocam-se sem o marido se aperceber, imaginando-se possuídas pela voz do Pedro Paixão, encarnada num George Clooney (porque o Pedro Paixão é bastante feio) ou num José Rodrigues dos Santos, a debitar poesia fogosa durante o acto.
Percebo que o título original do Carver, para o conto homónimo, era Beginners, aliás, vem em subtítulo na capa da edição da Quetzal, o que foi uma boa opção. Beginners é bonito e ajustado ao tom dos contos. Principiantes? Ficaria muito mal? Aprendizes? Não sei. Talvez colocar Beginners em grande e em subtítulo "O que sabemos do amor", invertendo o aspecto da capa. O 1º editor, para além de esquartejar a obra original do Carver (aqui reposta na sua versão original num esforço de louvar) criou o título "De que falamos quando falamos de amor", o gajo percebia de marketing como o Pedro Paixão e o Mac. Mas mesmo esse, apesar de trapalhão e idiota, era menos Pedro Paixão que "O que sabemos do amor". O que sabemos do amor parece uma daquelas prendas de piada, depois o livro não tem nada, é só páginas em branco e oferecemos aquilo às pessoas e toda gente se ri menos quem recebeu a prenda.
No essencial, o Raymond Carver, é muito bom e é isso que importa não é? É. Obrigado Bluesy e as melhoras.
o investidor russo
Só queria dizer duas coisas. Uma é que hoje acordei a meio da noite com o coração aos pulos e com suores e ofegante. Parecia que o coração me ia saltar do peito TUMP TUMP TUMP. O mistério é que não me lembro de nenhum pesadelo ou sonho erótico. Levantei-me, fui beber água e falei para o meu corpo 'olha lá pá, o que é que foi? Não posso dormir sossegado? A sério, basta-me o stress durante o dia, só quero dormir sossegado.' Só consigo dormir sossegado depois de desligar o snooze depois dele ter tocado 2 vezes.
A outra coisa é que, exceptuando a maat que tem um blog chamado Não Gosto e que por isso é regra, e da Luna que o usava já em 2006 e do extinto Pipoco que popularizou ainda mais o estilo e o estilo com ele deve ser enterrado e a campa alisada com uma pá tap tap tap tap, mais ninguém deve, a partir de hoje, fazer títulos de posts como 'da fome' ou 'do trabalho' ou 'do amor' ou 'da solidão'. Obrigado.
A outra coisa é que, exceptuando a maat que tem um blog chamado Não Gosto e que por isso é regra, e da Luna que o usava já em 2006 e do extinto Pipoco que popularizou ainda mais o estilo e o estilo com ele deve ser enterrado e a campa alisada com uma pá tap tap tap tap, mais ninguém deve, a partir de hoje, fazer títulos de posts como 'da fome' ou 'do trabalho' ou 'do amor' ou 'da solidão'. Obrigado.
segunda-feira, 21 de março de 2011
arrebenta com isso
the vaccines, acabado de descobrir há 2 minutos, só peço desculpa pelo vídeo ter mais clichés hipsters que uma plateia da cinemateca num ciclo do Hal Hartley.
(sim, ia fazer uma pausa no blogue mas músicas giras não contam e além disso são 20:30 estou cheio de fome, sonho com um double cheese e ainda tenho 10919223 mil slides powerpoint para fazer, sim, que eu não sou como essa geração de licenciados mimados que em vez de se queixarem que não arranjam emprego como Relacionadores Internacionais e Comunicadores Sociais, deviam era preparar-me uns double cheeses, over and out)
(sim, ia fazer uma pausa no blogue mas músicas giras não contam e além disso são 20:30 estou cheio de fome, sonho com um double cheese e ainda tenho 10919223 mil slides powerpoint para fazer, sim, que eu não sou como essa geração de licenciados mimados que em vez de se queixarem que não arranjam emprego como Relacionadores Internacionais e Comunicadores Sociais, deviam era preparar-me uns double cheeses, over and out)
domingo, 20 de março de 2011
o meu computador
"what?" they say, "you got a
computer?"
it's like I have sold out to
the enemy.
I had no idea so many
people were prejudiced
against
computers.
even two editors have
written me letters about
the computer.
one disparaged the
computer in a mild and
superior way.
the other seemed
genuinely
pissed.
I am aware that a
computer can't create
a poem.
but neither can a
typewriter.
yet, still, once or
twice a week
I hear:
"what?
you have a
computer?
you?"
yes, I do
and I sit up here
almost every
night,
sometimes with
beer or
wine,
sometimes
without
and I work the
computer.
the damn thing
even corrects
my spelling.
and the poems
come flying
out,
better than
ever.
I have no
idea what causes
all this
computer
prejudice.
me?
I want to go
the next step
beyond the
computer.
I'm sure it's
there.
and when I get
it,
they'll say,
"hey, you hear,
Chinaski got a
space-biter!"
"what?"
"yes, it's true!"
"I can't believe
it!"
and I'll also have
some beer or
some wine
or maybe nothing
at all
and I'll be
85 years old
driving it home
to
you and me
and to the little girl
who lost her
sheep.
or her
computer.
Charles Bukowski
(pequena pausa até acabar uma coisa)
sábado, 19 de março de 2011
senhoras Nações Unidas...
.. não podiam esperar até à crise do Japão estar resolvida para atacar na Líbia?
Lançaram o caos nas homepages da bbc, sky news, NY Times e cnn e os telejornais portugueses em vez de dedicarem 2 minutos dos 50 minutos a notícias internacionais, estão a dedicar 3 minutos e meio, um abuso, quase que não sobra espaço para abrir o telejornal com o desmoronamento de um prédio devoluto na baixa portuense.
E já agora, porque escrevem Gaddafi nos sites estrangeiros? Gaddafi é fofinho e redondo. Na home page do senhor vem Gathafi, ainda mais fofinho. Se eu tivesse um gato chamava-lhe Gathafi. Os media portugueses optam por Kadafi, bem mais adequado, mas o 'k' nem vem no nosso alfabeto. Existe a alternativa Qaddafi por exemplo, podiam reduzi-la a Qadafi. Aguardo os próximos desenvolvimentos. Entretanto no Japão estão quase a ligar a central à corrente. Espero que não lhes aconteça o mesmo que no natal de 2002, quando a iluminação da minha árvore, kitada pelo meu primo Tozé Electricista, causou um pequeno apagão na localidade ao ser ligada à rede.
Lançaram o caos nas homepages da bbc, sky news, NY Times e cnn e os telejornais portugueses em vez de dedicarem 2 minutos dos 50 minutos a notícias internacionais, estão a dedicar 3 minutos e meio, um abuso, quase que não sobra espaço para abrir o telejornal com o desmoronamento de um prédio devoluto na baixa portuense.
E já agora, porque escrevem Gaddafi nos sites estrangeiros? Gaddafi é fofinho e redondo. Na home page do senhor vem Gathafi, ainda mais fofinho. Se eu tivesse um gato chamava-lhe Gathafi. Os media portugueses optam por Kadafi, bem mais adequado, mas o 'k' nem vem no nosso alfabeto. Existe a alternativa Qaddafi por exemplo, podiam reduzi-la a Qadafi. Aguardo os próximos desenvolvimentos. Entretanto no Japão estão quase a ligar a central à corrente. Espero que não lhes aconteça o mesmo que no natal de 2002, quando a iluminação da minha árvore, kitada pelo meu primo Tozé Electricista, causou um pequeno apagão na localidade ao ser ligada à rede.
algumas dicas a mulheres que tentam jogar videojogos a sério
Num jogo RPG evitem passar 95% a configurar a aparência da personagem e 5% do tempo a jogar efectivamente. Infelizmente, torna-se possível ir ao ponto de escolher o sexo, alterar a estrutura óssea facial, a cor do olhos, cabelo, penteado, nariz, roupas... é suposto ser um preâmbulo do jogo, não a porra do jogo!
Não lhes chamem "os bichinhos zangados", eles são Reapers, Helgasts, Ghouls, Super Mutants, Krogans etc.
Não digam "estou farta de jogar" passado uma hora e quando ainda nem é meia-noite, só porque morreram pela 40ª vez consecutiva contra o boss.
Não estejam sempre a sugerir buzz ou singstar ou "algo que dê para jogar os dois" ou a falar na wii que é muito divertida porque dá para jogar bowling e rebentar balões coloridos.
Não se riam quando as coisas estão a correr mal. Não é especialmente engraçado quando os Helgasts estão a cercar os vossos companheiros e a lançar bombas de fragmentação que os atiram pelo ar. E não é especialmente engraçado ele dizer-vos que isso não é especialmente engraçado.
Não há assim tantas teclas num sixaxis da PS3. R1, R2, L1, L2, triângulo, círculo, quadrado, xis, R3, L3, controlo esquerdo, controlo direito, mais combinações, como L1 para apontar e R1 para disparar com R3 para se agacharem e quadrado para recarregar a seguir. É mais complicado manejar um estojo de maquilhagem.
- Estás ver Inês, é simples matar o boss, primeiro armas o missile launcher e escondes-te atrás dos contentores, apontas num arco, 5º a 10º acima daquele muro, se for alto demais os misseis não apanham o sinal mas se for baixo de mais chocam com o muro, depois seleccionas as munições anti-armour combinadas com o disruptor amo por causa dos escudos bióticos e a seguir...
Um espaço 3D num jogo é semelhante a um espaço 3D no mundo real. Aprendam a usar os dois controlos: movimento e direcção. Na vida real vocês não "andam de lado", não ficam voltadas de costas quando alguém fala convosco, não ficam entaladas entre uma cadeira e uma mesa, não vão contra paredes em vez de acertar na porta.
Não tenham como primeira reacção exclamar "e agora!? o que é que eu faço!? ai aai!" sempre que um "bichinho zangado" vos quiser matar. Faz parte do jogo. É só um jogo, não é nada de pessoal (para amateur gamers como vocês, isto é.)
Os jogos online não podem ser pausados. Get over it. Não podem esperar que 16 jogadores online esperem todos sossegados a meio de uma batalha deixem de disparar e correr só porque vocês precisam de atender uma chamada importante. Faziam isso na guerra colonial quando dava o Benfica, mas a vossa chamada não é um jogo do benfica.
- Quero fazer chichi! Páaaaarem!
Não sou de preconceitos contra mulheres ao volante mas porra... guiar um Yaris no GT5 com um logitech com force feedback é assim tão difícil que explique a tendência para querer atropelar o público a cada curva e conduzir ao s's em rectas com a largura de quatro faixas de auto-estrada?
- Arrghhh a estrada! Não pára quieta porra!
Avancem no jogo. O jogo é para acabar. Não é para ficar preso num loop perfeitamente irrelevante como "subir aqui a esta plataforma e depois mandar bidons para a piscina e dar-lhes tiros, eles explodem". O objectivo é salvar a Galáxia da ameaça dos Reapers. Isso dos bidons era para destruir uma estrutura que albergava a alavanca que abria as comportas de uma barragem para inundar uma camâra para poder subir a um nível inacessível. E não rolem os olhos para trás quando vos explicam as coisas, já não são crianças.
Não lhes chamem "os bichinhos zangados", eles são Reapers, Helgasts, Ghouls, Super Mutants, Krogans etc.
Não digam "estou farta de jogar" passado uma hora e quando ainda nem é meia-noite, só porque morreram pela 40ª vez consecutiva contra o boss.
- Quero ir dormir, estou farta.
- Cala-te, o Rachet tem de salvar Veldin.Não estejam sempre a sugerir buzz ou singstar ou "algo que dê para jogar os dois" ou a falar na wii que é muito divertida porque dá para jogar bowling e rebentar balões coloridos.
Não se riam quando as coisas estão a correr mal. Não é especialmente engraçado quando os Helgasts estão a cercar os vossos companheiros e a lançar bombas de fragmentação que os atiram pelo ar. E não é especialmente engraçado ele dizer-vos que isso não é especialmente engraçado.
Não há assim tantas teclas num sixaxis da PS3. R1, R2, L1, L2, triângulo, círculo, quadrado, xis, R3, L3, controlo esquerdo, controlo direito, mais combinações, como L1 para apontar e R1 para disparar com R3 para se agacharem e quadrado para recarregar a seguir. É mais complicado manejar um estojo de maquilhagem.
- Estás ver Inês, é simples matar o boss, primeiro armas o missile launcher e escondes-te atrás dos contentores, apontas num arco, 5º a 10º acima daquele muro, se for alto demais os misseis não apanham o sinal mas se for baixo de mais chocam com o muro, depois seleccionas as munições anti-armour combinadas com o disruptor amo por causa dos escudos bióticos e a seguir...
Um espaço 3D num jogo é semelhante a um espaço 3D no mundo real. Aprendam a usar os dois controlos: movimento e direcção. Na vida real vocês não "andam de lado", não ficam voltadas de costas quando alguém fala convosco, não ficam entaladas entre uma cadeira e uma mesa, não vão contra paredes em vez de acertar na porta.
Não tenham como primeira reacção exclamar "e agora!? o que é que eu faço!? ai aai!" sempre que um "bichinho zangado" vos quiser matar. Faz parte do jogo. É só um jogo, não é nada de pessoal (para amateur gamers como vocês, isto é.)
Os jogos online não podem ser pausados. Get over it. Não podem esperar que 16 jogadores online esperem todos sossegados a meio de uma batalha deixem de disparar e correr só porque vocês precisam de atender uma chamada importante. Faziam isso na guerra colonial quando dava o Benfica, mas a vossa chamada não é um jogo do benfica.
- Quero fazer chichi! Páaaaarem!
Não sou de preconceitos contra mulheres ao volante mas porra... guiar um Yaris no GT5 com um logitech com force feedback é assim tão difícil que explique a tendência para querer atropelar o público a cada curva e conduzir ao s's em rectas com a largura de quatro faixas de auto-estrada?
- Arrghhh a estrada! Não pára quieta porra!
Avancem no jogo. O jogo é para acabar. Não é para ficar preso num loop perfeitamente irrelevante como "subir aqui a esta plataforma e depois mandar bidons para a piscina e dar-lhes tiros, eles explodem". O objectivo é salvar a Galáxia da ameaça dos Reapers. Isso dos bidons era para destruir uma estrutura que albergava a alavanca que abria as comportas de uma barragem para inundar uma camâra para poder subir a um nível inacessível. E não rolem os olhos para trás quando vos explicam as coisas, já não são crianças.
sexta-feira, 18 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
comovente
As catástrofes à distância têm um grau de drama tão abstracto que não conseguimos comover-nos. Somos bombardeados por catástrofes nos media, sejam guerras ou catástrofes naturais e, por defesa, é natural que nos tornemos um pouco mais frios. Essa frieza também varia em função da identificação com as vítimas. Assim, é natural que o 11 de Setembro nos comova mais que os números abstractos de civis mortos no Afeganistão.
Depois, temos a matemática fria. Sabemos racionalmente que 10 mil mortos é pior que mil mortos mas menos mau que 20 mil mortos, mas os números causam reacções emocionais que não são proporcionais. É um caso em que o todo é inferior à soma das partes. É só quando descemos ao nível do drama individual e particular, que algo muda. Pelas zonas afectadas no Japão, haverá neste momento milhares de histórias assim, comoventes: Japan earthquake: Father's search for missing wife
Depois, temos a matemática fria. Sabemos racionalmente que 10 mil mortos é pior que mil mortos mas menos mau que 20 mil mortos, mas os números causam reacções emocionais que não são proporcionais. É um caso em que o todo é inferior à soma das partes. É só quando descemos ao nível do drama individual e particular, que algo muda. Pelas zonas afectadas no Japão, haverá neste momento milhares de histórias assim, comoventes: Japan earthquake: Father's search for missing wife
quarta-feira, 16 de março de 2011
Japão
Estou triste e angustiado. Sou pessoa de poucas viagens mas aquela que mais me marcou foram as semanas passadas em Tóquio e Quioto, em casa de um grande amigo que me mostrou o que pode. Teria dificuldades em pensar numa cultura e num povo que me fosse ao mesmo tempo tão estranho e tão familiar. Sentia-me bem e em lado nenhum havia nada que fosse feito para me sentir bem, uma vez que o Japão não é orientado para turismo externo. Lembro-me de andar por horas em Tóquio e não ver um único ocidental ou ver uma palavra ocidental familiar. E da extrema cordialidade, timidez e simplicidade, talvez a característica humana que eu mais aprecie em desconhecidos. Isso e a extrema geekness e uma paisagem high tech intercalada por cultura milenar. Em Quioto, nos templos simples, encastrados na natureza verdejante, e nos jardins minimalistas, senti mais espiritualidade que nas maiores catedrais da europa. Turistas ocidentais, bem intencionados, sentavam-se nos alpendres em tentativas de meditação, à procura de qualquer coisa perdida no ruído das nossas cidades.
Ver este pesadelo abater-se sobre aquele povo faz-me ter saudades terríveis e uma melancolia atroz, uma vontade de ir para lá apagar reactores nucleares com baldes de água. É um dos motivos pelos quais eu sou uma pessoa de poucas viagens, viajar é magnífico mas quando gostamos dos sítios, é inevitável ir acumulando saudades e a pena, enorme, de ter tão pouco tempo de vida para realidades alternativas em que viveríamos em todos os sítios de que gostámos.
Espero que as coisas corram o menos mal possível.
RTP faz concorrência desleal ao Inimigo Público
Depois de ontem terem mostrado imagens do VW Golf para ilustrar a reportagem "Governo quer baixar o IVA do golfe para 6%", hoje o jornal da tarde trocou a caption da notícia sobre os portugueses que abandonam o Japão com as imagens de José Sócrates a propósito da crise política. Não deixou de assentar bem ver "Portugueses em fuga" a letras gordas com o José Sócrates em primeiro plano. Não sei se já foi parar ao youtube, mas no restaurante a risada foi geral.
Exemplo de texto que eu poderia escrever para um jornal: exemplo crónica à Vasco Pulido Valente
Entre 30 mil a 200 mil portugueses, conforme as fontes, saíram à rua para uma manifestação pífia, num esforço inútil e utópico de resolver os problemas com um passeio pela baixa. Se por um lado exigem a demissão da decadente classe política portuguesa, por outro, exigem que seja esta a resolver os seus problemas, perpetuando o ciclo de dependência do estado. A classe política indigente, por sua vez, manifesta-se em total consonância com os problemas dos jovens, incluindo um primeiro ministro que maneja habilmente as artes dramáticas em função das ocasiões. Tudo está bem, devemos supôr. Entretanto, as taxas de juro da dívida pública vão afundando Portugal. Prepara-se um terramoto de grau 9, previsto há décadas para o nosso país, com particular incidência em Lisboa. Tratará de varrer o lixo com um tsunami de trinta metros e, se tudo correr bem, nunca mais se ouve falar de nós. Já agora, pensem também no cancro ou no AVC que vai acabar com a vossa vida. Ou da vida de alguém de que gostem.
pimba, €€€€ na conta!
pimba, €€€€ na conta!
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