A Beat Generation! Não percebo porque os artistas que eram incluídos na beat generation, como o Allen Ginsberg, William S. Burroughs ou o Jack Kerouac, haviam de rejeitar um rótulo tão fixe. Suponho que tem a ver com aquela coisa da "perda da individualidade" etc. Prima-donas...
Estes tipos tinham mesmo muito em comum. Preocupavam-se com aquilo que eu chamaria de intenção criativa a priori, ou arte-tao-espartilhada-por-manifestos-que-acaba-por-ser-pífia e iam ao cú uns aos outros. Também experimentavam drogas e rejeitavam o materialismo, abraçavam a cultura oriental. O Kerouac era o mais genuíno, o mais próximo de uma pessoa boa e normal.
Onde eu queria chegar é que em Portugal, a geração 70/início de 80, tem algo de beat. Assim como eles eram o pós guerra e cresceram na aurora da época da abundância, nós acompanhámos o início do desenvolvimento português do final dos 80s e dos 90s. Nós, os que víamos o Tom Sawyer na tv, fomos os primeiros a crescer com televisão e publicidade a sério. Quase quatro décadas depois, tivemos finalmente carros, como os putos americanos nos 50s.
Talvez seja por isso que muitos sintam angústias existenciais semelhantes às dos beat americanos dos 50s: a rejeição do materialismo, o sentimento de uma vida que não é preenchida pela profissão (qualquer profissão), a busca de espiritualidade e verdade em que o budismo ou o zen surge frequentemente como resposta, o hedonismo nas drogas, bebida e no sexo. Pode ser isto, mas também pode dar-se o caso de isto ser uma coisa perfeitamente cíclica e que todas as épocas tenham os seus beat. Camões, por exemplo, é um bocado beat. Pessoa e Sá Carneiro, são beat a valer. Se calhar, devia apagar este texto inconclusivo. Estou confuso. Estava muito entusiasmado com ele.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O Pedro Passos Coelho vai receber hoje os presidentes dos bancos
O Pedro Passos Coelho vai receber hoje os presidentes dos bancos e o encontro realiza-se "a pedido dos banqueiros". Vão lá estar Ricardo Salgado (Banco Espírito Santo), Faria de Oliveira (Caixa Geral de Depósitos), Carlos Santos Ferreira (Millennium bcp) e Fernando Ulrich (Banco Português de Investimento). Estou a ver a cena com toda a nitidez e vocês também...
*efeito fade out em ondinhas*
- Pedro, não estás com boa cara, tens comido bem?
- Está tudo bem, obrigado, comi hoje um croquete de camarão que se calhar...
- Como está a Laurinha? E a tua esposa não é? Laura?
- Sim.
- Manda-lhe cumprimentos. Vê se descansas, pareces cansado. Tens feito um bom trabalho Pedro, gostámos muito e já quando eras candidato à liderança do PSD eu disse "este homem tem potencial para chegar longe". Não disse, Fernando? Não disse que ele tinha potencial para chegar longe?
- Disseste Ricardo.
- Estás ver Pedro? Tens potencial para chegar longe.
- Obrigado. Eu tenho uma visão muito clara do que Portugal precisa.
- Compreendo, pois, uma visão, isso, a política é um jogo complicado e... tens lume Pedro?
- Sim, aqui tem.
- Obrigado. A política é um jogo complicado, é preciso mostrar firmeza. E tu és um político firme. Não disse que ele era um político firme Carlos?
- Disseste, e nós concordámos.
- Disse pois. Sabes Pedro, eu gosto de ler provérbios na internet. Tu lês provérbios na Internet?
- O meu staff dos blogs costuma e depois imprime páginas. Eu por acaso não sou muito de ir ao internet mas às vezes vou ao Sapo para ver o tempo.
- Devias. Há umas páginas muito completas, como o brainy quotes. Hoje de manhã por acaso li este, a propósito de firmeza.. está em inglês, não há problema pois não?
- No sir!
- Muito bem: A wise unselfishness is not a surrender of yourself to the wishes of anyone, but only to the best discoverable course of action. É de David Seabury.
- É bonito.
- Mas percebeste o provérbio?
- Sim.
- Sabes o que tens a fazer?
- Acho que sim.
- Podes fazê-lo de maneira airosa, para ficares bem. Disso percebes tu. Nós não somos propriamente políticos. Esperas uns dias se calhar.
- Se calhar é melhor.
- Mas não esperes muitos. Sabes quanto é que nos custa cada ponto de juros da dívida portuguesa? Ou cada nível de rating na moodys?
- Não faço ideia, mas deve ser uma pipa.
- É Pedro. "É uma pipa". Ele diz que é "uma pipa"! Ahahah não é engraçado rapazes?
- Ahahaha!
- ahah Uma pipa... Boa Pedro. Boa... Não esperes muito.
- Está bem.
- Muito bem. Eu não disse que ele era esperto?
*efeito fade out em ondinhas*
- Pedro, não estás com boa cara, tens comido bem?
- Está tudo bem, obrigado, comi hoje um croquete de camarão que se calhar...
- Como está a Laurinha? E a tua esposa não é? Laura?
- Sim.
- Manda-lhe cumprimentos. Vê se descansas, pareces cansado. Tens feito um bom trabalho Pedro, gostámos muito e já quando eras candidato à liderança do PSD eu disse "este homem tem potencial para chegar longe". Não disse, Fernando? Não disse que ele tinha potencial para chegar longe?
- Disseste Ricardo.
- Estás ver Pedro? Tens potencial para chegar longe.
- Obrigado. Eu tenho uma visão muito clara do que Portugal precisa.
- Compreendo, pois, uma visão, isso, a política é um jogo complicado e... tens lume Pedro?
- Sim, aqui tem.
- Obrigado. A política é um jogo complicado, é preciso mostrar firmeza. E tu és um político firme. Não disse que ele era um político firme Carlos?
- Disseste, e nós concordámos.
- Disse pois. Sabes Pedro, eu gosto de ler provérbios na internet. Tu lês provérbios na Internet?
- O meu staff dos blogs costuma e depois imprime páginas. Eu por acaso não sou muito de ir ao internet mas às vezes vou ao Sapo para ver o tempo.
- Devias. Há umas páginas muito completas, como o brainy quotes. Hoje de manhã por acaso li este, a propósito de firmeza.. está em inglês, não há problema pois não?
- No sir!
- Muito bem: A wise unselfishness is not a surrender of yourself to the wishes of anyone, but only to the best discoverable course of action. É de David Seabury.
- É bonito.
- Mas percebeste o provérbio?
- Sim.
- Sabes o que tens a fazer?
- Acho que sim.
- Podes fazê-lo de maneira airosa, para ficares bem. Disso percebes tu. Nós não somos propriamente políticos. Esperas uns dias se calhar.
- Se calhar é melhor.
- Mas não esperes muitos. Sabes quanto é que nos custa cada ponto de juros da dívida portuguesa? Ou cada nível de rating na moodys?
- Não faço ideia, mas deve ser uma pipa.
- É Pedro. "É uma pipa". Ele diz que é "uma pipa"! Ahahah não é engraçado rapazes?
- Ahahaha!
- ahah Uma pipa... Boa Pedro. Boa... Não esperes muito.
- Está bem.
- Muito bem. Eu não disse que ele era esperto?
terça-feira, 12 de outubro de 2010
a doce música da vitória
Andava atrás desta rapariga estilista há quase um mês. Ela tinha um talento miserável como estilista mas vestia-se bem, era muito social e tinha umas maminhas jeitosas. De vez em quando mostrava-me esboços que estava a fazer e tinham todos o aspecto de bonecas Sailormoon passadas a papel vegetal, como as que uma sobrinha de um amigo meu faz. Mas eu dizia-lhe “wow, foste tu que fizeste?” e ela ficava toda corada e contente.
Finalmente consigo um jantar com ela e, menos de uma hora antes da hora marcada, quando ainda estava no escritório, ela manda-me um sms a dizer que vinha com três amigos, todos gays, colegas do curso de estilismo, se eu não me importava. Respondi-lhe que não havia problema. Desliguei. Continuei a trabalhar, mas depois os suores frios, princípios de ataques de pânico e hiperventilação obrigaram-me a ir à casa de banho e fiquei lá até serem horas de sair.
Não estava suficientemente bem vestido para enfrentar um esquadrão G, o meu cabelo precisava de um corte há mais de um mês e estava com a pele muito pouco hidratada. Pensei em cancelar o jantar mas tinha mesmo de vencer a minha fobia. Além disso, pensei que se passasse este teste com distinção, ela não me poderia resistir. Se eu caísse nas graças dos três amigos gays era bem mais significativo que o aval do pai, da mãe, dos avós, das primas.
Enquanto conduzia para o Sheraton, fui ensaiando personalidades e falando sozinho. É evidente que tinha que adoptar uma personalidade especial para a ocasião, algo de que eles gostassem. De quem gostam eles? Do Cristiano Ronaldo, do Pedro Granger, do José Sócrates, de forcados, do vocalista dos The National, de homens de uniforme… a lista era infindável. Fiquei-me pela personalidade cowboy marlboro. Era um valor seguro. Eles gostam dessas coisas, lembro-me do video do George Michael, com os cobóis aos beijos e do brokeback mountain… Na altura pareceu-me boa ideia.
Semicerrei os olhos, os maxilares tensos, gestos lentos e decididos, Clint Eastwood, pensa no Clint Eastwood… Chego ao restaurante e lá está ela acompanhada de três bichas que pareciam teletubies excitados. Quase que tive um ataque epilético com o choque de cores e perfumes. Um deles bateu palminhas e chocalharam pulseiras. Indeciso e sem saber como cumprimentar gays acenei com a cabeça. Só rezei para que ninguém conhecido me visse ali.
Pedi um whisky, logo para começar.
- Então Tolan, o que gostas de fazer? – perguntou-me um.
- Gosto de caçar.
- De caçar?
- Yep.
- Caçar... animais?
- Sim. E esfolo-os eu próprio, tenho uma colecção de...
- O C. é da liga dos direitos dos animais e eles são todos vegetarianos. - interrompeu a miúda, tentando aligeirar as coisas. Instalou-se um silêncio desconfortável.
- Estou a brincar. - disse.
- Ahh! - exclamaram.
- Adoro animais fofinhos! E o David Bowie. E os Abba. Hey, uma dúvida! Estou a pensar cortar o cabelo, como é que acham que me ficava bem? Esperem, antes de responderem, vamos pedir margueritas para todos?
Ouvi palminhas e o chocalhar de pulseiras, a doce música da vitória. O problema, evidentemente, é que ela perdeu todo o interesse por mim e da última vez que ouvi falar nela, namorava com um forcado.
Finalmente consigo um jantar com ela e, menos de uma hora antes da hora marcada, quando ainda estava no escritório, ela manda-me um sms a dizer que vinha com três amigos, todos gays, colegas do curso de estilismo, se eu não me importava. Respondi-lhe que não havia problema. Desliguei. Continuei a trabalhar, mas depois os suores frios, princípios de ataques de pânico e hiperventilação obrigaram-me a ir à casa de banho e fiquei lá até serem horas de sair.
Não estava suficientemente bem vestido para enfrentar um esquadrão G, o meu cabelo precisava de um corte há mais de um mês e estava com a pele muito pouco hidratada. Pensei em cancelar o jantar mas tinha mesmo de vencer a minha fobia. Além disso, pensei que se passasse este teste com distinção, ela não me poderia resistir. Se eu caísse nas graças dos três amigos gays era bem mais significativo que o aval do pai, da mãe, dos avós, das primas.
Enquanto conduzia para o Sheraton, fui ensaiando personalidades e falando sozinho. É evidente que tinha que adoptar uma personalidade especial para a ocasião, algo de que eles gostassem. De quem gostam eles? Do Cristiano Ronaldo, do Pedro Granger, do José Sócrates, de forcados, do vocalista dos The National, de homens de uniforme… a lista era infindável. Fiquei-me pela personalidade cowboy marlboro. Era um valor seguro. Eles gostam dessas coisas, lembro-me do video do George Michael, com os cobóis aos beijos e do brokeback mountain… Na altura pareceu-me boa ideia.
Semicerrei os olhos, os maxilares tensos, gestos lentos e decididos, Clint Eastwood, pensa no Clint Eastwood… Chego ao restaurante e lá está ela acompanhada de três bichas que pareciam teletubies excitados. Quase que tive um ataque epilético com o choque de cores e perfumes. Um deles bateu palminhas e chocalharam pulseiras. Indeciso e sem saber como cumprimentar gays acenei com a cabeça. Só rezei para que ninguém conhecido me visse ali.
Pedi um whisky, logo para começar.
- Então Tolan, o que gostas de fazer? – perguntou-me um.
- Gosto de caçar.
- De caçar?
- Yep.
- Caçar... animais?
- Sim. E esfolo-os eu próprio, tenho uma colecção de...
- O C. é da liga dos direitos dos animais e eles são todos vegetarianos. - interrompeu a miúda, tentando aligeirar as coisas. Instalou-se um silêncio desconfortável.
- Estou a brincar. - disse.
- Ahh! - exclamaram.
- Adoro animais fofinhos! E o David Bowie. E os Abba. Hey, uma dúvida! Estou a pensar cortar o cabelo, como é que acham que me ficava bem? Esperem, antes de responderem, vamos pedir margueritas para todos?
Ouvi palminhas e o chocalhar de pulseiras, a doce música da vitória. O problema, evidentemente, é que ela perdeu todo o interesse por mim e da última vez que ouvi falar nela, namorava com um forcado.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Escrever para jovens
O Jack Kerouac tem pelo menos duas virtudes. Faz-nos acreditar que a coisa correcta a fazer é largar tudo, viajar e viver intensamente. E, indirectamente, que todos podemos escrever um romance. Não me sinto muito confortável com estes efeitos. Primeiro, não posso fazer isso à minha mãe, isso de sair por aí a tomar drogas e abandonar tudo. E não me sinto muito à vontade com o estilo do On The Road porque consegue ser aborrecido por vezes, o que é um feito num livro tão pequeno. Diz que tiraram mais de 120 páginas do original, o que dá que pensar. O Kerouac tinha uma abordagem confessional à ficção, abordagem que eu próprio já percebi que partilho ao chamar-lhe, pomposamente, “verdade”.
Seja como for, o gajo era bom. O que ele fazia tinha, pelo menos, vitalidade e originalidade e sem dúvida que teve um impacto grande a vários níveis. Gosto da ideia do impacto na juventude. Talvez as melhores obras sejam as que conseguem mexer a sério com adolescentes, com jovens. Naquela idade, as fronteiras entre a arte (cinema, música, literatura, poesia) e experiências reais, estão muito esbatidas. Assim, é frequente um puto achar que aquilo é a melhor coisa que já viu e ficar durante dias a fio abalado por um livro ou um filme, sentir-se inspirado por ele, sentir um sentimento de perda e solidão porque aquilo acabou e já não há mais.
Seja como for, o gajo era bom. O que ele fazia tinha, pelo menos, vitalidade e originalidade e sem dúvida que teve um impacto grande a vários níveis. Gosto da ideia do impacto na juventude. Talvez as melhores obras sejam as que conseguem mexer a sério com adolescentes, com jovens. Naquela idade, as fronteiras entre a arte (cinema, música, literatura, poesia) e experiências reais, estão muito esbatidas. Assim, é frequente um puto achar que aquilo é a melhor coisa que já viu e ficar durante dias a fio abalado por um livro ou um filme, sentir-se inspirado por ele, sentir um sentimento de perda e solidão porque aquilo acabou e já não há mais.
mas... porque é que alguém havia de querer dizer isso?
«Salvo as devidas distâncias, dizer que o 1º de Dezembro-Braga se aproximou de um confronto desigual entre o poderoso exército de Israel e um grupo desorganizado de guerrilheiros palestinianos é tudo menos correcto. - » http://www.ojogo.pt/
homens que sabem impressionar uma mulher
Uma vez que me retirei do activo, não me importo de partilhar com outros homens os meus segredos e técnicas aperfeiçoadas ao longo de décadas. Depois do que me aconteceu, o meu sentimento competitivo implacável e selvagem, foi substituído por ternura e amizade pelos meus irmãos homens. Por isso, desejo-lhes as maiores felicidades.
As dicas que se seguem são mais ou menos universais, podem ser aplicadas a qualquer tipo de mulher. Bom proveito.
Os homens que sabem impressionar uma mulher:
1- Não dão guinchos de medo quando aparece o Voldemort no Harry Potter
2- Sabem abrir qualquer espécie de frasco ou embalagem
3- Conseguem lembrar-se pelo menos de partes daquilo que elas lhes acabaram de dizer (eu uso mnemónicas para as expressões faciais delas)
4- Não entram na sala com a bisnaga de Canesten na mão a perguntar "isto é para quê querida?" (googlem)
5- Não tentam impressionar o pai dela com relatos de conquistas
6- Não acham a Isabel Figueiras interessante e atraente
7- Levam-na a restaurantes bons e caros e fingem ser habitues e conhecer os empregados, tratando-os por nomes fictícios
8- Têm datas como o aniversário dela no outlook, sincronizado com o blackberry e com alarme
9- Gostam de crianças e acham que ter um filho mudaria a vossa perspectiva de vida etc etc.
10- Nunca respondem "no golo do Carlos Martins" à questão "estás a pensar em quê?"
As dicas que se seguem são mais ou menos universais, podem ser aplicadas a qualquer tipo de mulher. Bom proveito.
Os homens que sabem impressionar uma mulher:
1- Não dão guinchos de medo quando aparece o Voldemort no Harry Potter
2- Sabem abrir qualquer espécie de frasco ou embalagem
3- Conseguem lembrar-se pelo menos de partes daquilo que elas lhes acabaram de dizer (eu uso mnemónicas para as expressões faciais delas)
4- Não entram na sala com a bisnaga de Canesten na mão a perguntar "isto é para quê querida?" (googlem)
5- Não tentam impressionar o pai dela com relatos de conquistas
6- Não acham a Isabel Figueiras interessante e atraente
7- Levam-na a restaurantes bons e caros e fingem ser habitues e conhecer os empregados, tratando-os por nomes fictícios
8- Têm datas como o aniversário dela no outlook, sincronizado com o blackberry e com alarme
9- Gostam de crianças e acham que ter um filho mudaria a vossa perspectiva de vida etc etc.
10- Nunca respondem "no golo do Carlos Martins" à questão "estás a pensar em quê?"
domingo, 10 de outubro de 2010
estatística
Vejo no telejornal que um em cada cinco portugueses sofre de perturbações mentais. Será que esta estatística tem em conta o meu caso de personalidade múltipla? Comigo são cinco em cada um a sofrer de perturbações mentais.
agora já sei porque me pareceu tão má
-Reescreve muito?
-Depende. Reescrevi trinta e nove vezes o final de O Adeus às Armas, a última página, antes de ficar satisfeito
Hemingway à Paris Review
-Depende. Reescrevi trinta e nove vezes o final de O Adeus às Armas, a última página, antes de ficar satisfeito
Hemingway à Paris Review
sábado, 9 de outubro de 2010
subir na vida
Moro numa zona tão boa de Lisboa que os grafitis nas paredes têm inscrições como "I love you", "Carla, adoro-te", "Miguel e Susana amo-vos", "friends forever", por entre smileys e corações.
Na minha anterior zona em Benfica alguém tinha escrito "merda" a tinta preta em pelo menos 8 paredes diferentes no quarteirão. E havia um grafiti elaborado que dizia "quinta do bill".
Na zona antes dessa, em Sta Apolónia, nem grafitis havia, era mesmo merda nas paredes. Também havia vinho roxo vomitado nos cantos da estação e um rasto de sangue seco no passeio.
Na minha anterior zona em Benfica alguém tinha escrito "merda" a tinta preta em pelo menos 8 paredes diferentes no quarteirão. E havia um grafiti elaborado que dizia "quinta do bill".
Na zona antes dessa, em Sta Apolónia, nem grafitis havia, era mesmo merda nas paredes. Também havia vinho roxo vomitado nos cantos da estação e um rasto de sangue seco no passeio.
a eventual lamechice ou bom senso neste blog aparece porque
a) estou com os copos
b) acabei de ver mais um video do Elmo
b) acabei de ver mais um video do Elmo
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
já agora...
... a minha melhor amiga, a Rita, em mais uma demonstração cósmica do bonito que é a improbabilidade de duas pessoas geografica e cronologicamente próximas terem tanto em comum.
quem me mostrou este poema, pela primeira vez, ironicamente, foi quem mais tarde me explicou o que ele significava
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti - O'Neill, Adeus Português
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti - O'Neill, Adeus Português
infelicidade :( felicidade :)
Disseram-me que o meu cão tinha sido abatido pelo meu pai por ter mordido uma pessoa gravemente. Tinha acabado de chegar da escola, num dia parecido com este, de chuva. Devia ter 6 ou 7 anos e chapinhava nas poças de água com as botas com olhinhos de sapinho, a moda outono inverno de 83 ou 84. Vi a forma canina nos braços do meu pai, enrolada no seu velho cobertor roído, a ser pousada na cova lamacenta entre as duas laranjeiras, no fundo do escuro quintal. O meu pai abatera-o, com uma injecção de pentotal. Era ele ou a gnr e abate num canil municipal. Depois tive mais cães, ao longo da vida. E sempre que seguro num cachorro bebé e vejo os seus olhos azulados, o focinho húmido, as patas desproporcionais, penso, “ este idiota vai lixar-me um dia”.
Mas quem percebe mesmo disto é o Elmo.
Mas quem percebe mesmo disto é o Elmo.
Mário Vargas Llosa, Garcia Marquez...
... venha o diabo nóbel e escolha. Escolheu os dois, por acaso. Sabíamos que era uma questão de tempo até se desfazer a idiota polémica Llosa vs Marquez que ocorreu quando este último ganhou o nóbel. Evidentemente que o Llosa é melhor que o Marquez mas isso é o mesmo que dizer que o Daniel Carriço é melhor que o Tonel. Garcia Marquez é-me intragável. Uma questão pessoal creio eu. Não vou muito à bola com literatura sul americana. Nem sei se lhes falta alguma coisa, mas são capazes de ter em excesso duas, exuberância estilística e uma lamechice melancólica. Os brasileiros, apesar de sentir sempre que estou a ler uma tradução da europa américa, gostei de alguns, só que eles deram ao mundo o Paulo Coelho e penso que pelo menos 100 bons escritores devem pagar pelo Paulo Coelho. O chileno Pablo Neruda é um work in progress, não sei ainda, é poesia, e poesia, é como levar no cú, há quem goste, há quem aprenda a gostar. Desses lados, do que li, safa-se o argentino Bioy de Casares (com os mesmos defeitos sul-americanos, infelizmente) e com grande margem o mexicano Juan Rulfo.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O Ricky Gervais em 1984 era mais paneleiro e mais bonito que o David Bowie
não tem piada
Se o David Bowie trabalhasse como empregado de mesa, de cada vez que fosse dar o troco a alguém cantaria
here's your Ch-ch-ch-ch-Change
here's your Ch-ch-ch-ch-Change
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
uma coisa feia
O protagonista do For Whom the Bell tolls do Hemingway, o Robert Jordan, luta contra os fascistas na guerra civil de Espanha. Não se sente comunista ou republicano, mas tem a certeza de que o fascismo é mau. Em termos práticos, ele acaba por ser tão ou mais eficaz contra os fascistas que os seus camaradas.
Entre os camaradas, são poucos os que têm efectivamente uma consciência política. Numa guerra confusa como a que é descrita no livro, feita de células de resistências mais ou menos autónomas, cada homem tem os seus motivos para combater e para não combater.
Numa das melhores passagens da literatura que já me foi dada a ler, executam-se fascistas, um a um, numa aldeia tomada pelos guerrilheiros. São executados à paulada e atirados de um penhasco. O facto de se executarem um a um, leva a que o juízo colectivo do povo oscile entre o ódio (há fascistas mais filhos da puta) até um sentimento de mal estar (tipos inofensivos que mesmo assim devem ser mortos).
No fim, a psicologia de massas leva a melhor e, por causa das palavras ofensivas e desafiadoras de um dos fascistas, os restantes são executados sem qualquer hesitação, de forma selvagem, por uma populaça embriagada e feroz.
Tudo isto deixa um travo amargo na consciência da camarada Pilar, espanhola que simboliza precisamente o "ideal da república". Foi uma coisa feia, como ela resume, um dos dois dias mais tenebrosos da sua vida. «Qual foi o outro?» pergunta o Robert Jordan e ela responde «O dia em que os fascistas retomaram a aldeia.»
Entre os camaradas, são poucos os que têm efectivamente uma consciência política. Numa guerra confusa como a que é descrita no livro, feita de células de resistências mais ou menos autónomas, cada homem tem os seus motivos para combater e para não combater.
Numa das melhores passagens da literatura que já me foi dada a ler, executam-se fascistas, um a um, numa aldeia tomada pelos guerrilheiros. São executados à paulada e atirados de um penhasco. O facto de se executarem um a um, leva a que o juízo colectivo do povo oscile entre o ódio (há fascistas mais filhos da puta) até um sentimento de mal estar (tipos inofensivos que mesmo assim devem ser mortos).
No fim, a psicologia de massas leva a melhor e, por causa das palavras ofensivas e desafiadoras de um dos fascistas, os restantes são executados sem qualquer hesitação, de forma selvagem, por uma populaça embriagada e feroz.
Tudo isto deixa um travo amargo na consciência da camarada Pilar, espanhola que simboliza precisamente o "ideal da república". Foi uma coisa feia, como ela resume, um dos dois dias mais tenebrosos da sua vida. «Qual foi o outro?» pergunta o Robert Jordan e ela responde «O dia em que os fascistas retomaram a aldeia.»
domingo, 3 de outubro de 2010
areia gigante
A Maria postou uma música dos Giant Sand. Chamou-me a atenção. Youtubei, allmmusiquei, confirmei. O sentimento de euforia quando descobrimos uma banda clássica alternativa que desconhecíamos completamente. Eles existem desde 1980 e tal. Parece que um deles depois fundou os Calexico, uma banda de que eu gostava muito e agora não consigo ouvir. Isto é de 1989.
E esta, de 1994, ideal para aquele passeio de carro na marginal, com os copos, às 5 da manhã, com um cigarro ao canto na boca, quando começam a cair as primeiras chuvas que anunciam um inverno frio... eish...
E isto é de 2008. Isto é que uma voz foda-se.
E esta, de 1994, ideal para aquele passeio de carro na marginal, com os copos, às 5 da manhã, com um cigarro ao canto na boca, quando começam a cair as primeiras chuvas que anunciam um inverno frio... eish...
E isto é de 2008. Isto é que uma voz foda-se.
sábado, 2 de outubro de 2010
Os filmes de terror são como as mulheres
Debaixo de uma mantinha, com cheetos e cervejas, eu e a minha constipação severa acabámos de ver o Saw, o primeiro. Não resisti ao trailer e ao facto de ter o Michael Emerson, o gajo que faz de Linus no Lost e que é simplesmente o gajo mais fodido à face da terra. Metam o Michael Emerson contra o Chuck Norris num ringue, eu pagava para ver. Aposto que o Michael Emerson conseguia puxar os cordelhinhos ao Chuck Norris ao ponto deste se suicidar: «nunca chegaste aos calcanhares do bruce lee... e só um filme do silvester stalone teve mais impacto que toda a tua filmografia de "acção"... e o Walker, o Ranger do Texas? Que merda era aquela Chuck? Tinhas um colega preto Chuck. Um preto? Que andava de fato e gravata? E que mandava em ti?
Estou consideravelmente abalado. A minha constipação também. Os micróbios deram tréguas, por instantes, para verem o filme, com as patinhas de micróbio em frente aos olhinhos de micróbio, muito assustados. O meu sistema imunitário também deve ter parado para ver o filme. Foi tipo aqueles cessares fogo entre Israel e a Palestina. Mal o filme acabou, comecei a espirrar e tossir, voltou tudo ao normal, como quando os observadores internacionais bazam da faixa de gaza. Eu é que fiquei abalado e agora estou em casa sozinho, são 23:30. Oiço um lobo a uivar ao longe. Não, é uma sirene de ambulância. Será mais uma vítima do Jigsaw? :|
Não sei poque motivo me ponho a ver filmes de terror quando estou sozinho. É a procura de emoções fortes, talvez. Um prazer masoquista. Digo a mim mesmo "vê o happy feet foda-se, ou o chovem almôndegas..." e lá estou eu a percorrer a lista dos filmes de terror. O título deste post era só para enganar, nem tudo o que eu escrevo tem a ver com mulheres porra.
Estou consideravelmente abalado. A minha constipação também. Os micróbios deram tréguas, por instantes, para verem o filme, com as patinhas de micróbio em frente aos olhinhos de micróbio, muito assustados. O meu sistema imunitário também deve ter parado para ver o filme. Foi tipo aqueles cessares fogo entre Israel e a Palestina. Mal o filme acabou, comecei a espirrar e tossir, voltou tudo ao normal, como quando os observadores internacionais bazam da faixa de gaza. Eu é que fiquei abalado e agora estou em casa sozinho, são 23:30. Oiço um lobo a uivar ao longe. Não, é uma sirene de ambulância. Será mais uma vítima do Jigsaw? :|
Não sei poque motivo me ponho a ver filmes de terror quando estou sozinho. É a procura de emoções fortes, talvez. Um prazer masoquista. Digo a mim mesmo "vê o happy feet foda-se, ou o chovem almôndegas..." e lá estou eu a percorrer a lista dos filmes de terror. O título deste post era só para enganar, nem tudo o que eu escrevo tem a ver com mulheres porra.
Tema político nº6: A selecção nacional
Os maus resultados da selecção nacional são maus e deviam ser melhores. Ter maus resultados é normal, mas tantos também não. Espanha tem excelentes resultados. Portugal teve resultados satisfatórios nos últimos anos, mas os de Espanha foram melhores. Uma prioridade do Governo deveria de ser melhorar os resultados da selecção nacional. O principal problema da selecção nacional portuguesa é que os jogadores têm de ser portugueses. Isto constitui uma forte desvantagem face a Espanha. Espanha pode escolher jogadores espanhóis. A Alemanha tem ao seu dispôr jogadores alemães e o Brasil conta com jogadores brasileiros. Felizmente já se fez qualquer coisa quanto aos brasileiros, com as naturalizações dos craques Pepe, Deco e Liedson, jogadores que sozinhos levaram a selecção nacional ao colo no último mundial na África do Sul. Mas os espanhóis e os alemães deviam ser os nossos alvos prioritários de naturalizações. Uma dificuldade é que os jogadores por vezes preferem não se naturalizar por Portugal para poderem jogar na selecção da Espanha ou da Alemanha. É pois necessário agir rápido, criar uma SWAT team do SEF, apoiada por batedores olheiros do FCP. Identificam-se os alemães e espanhóis promissores e manda-se a SWAT team do SEF por helicóptero, armada de papeis e carimbos, naturalizá-los, eventualmente com a autorização dos pais, a troco de pontos (um cartão de pontos para descontos em restaurantes ou gasolina por exemplo). Mesmo com o cartão de pontos, é possível que a medida não fosse bem aceite. Outra alternativa seria comprar a nacionalidade desses jogadores no mercado internacional. Comprar o Xavi a Espanha pode sair barato. O Real Madrid pagou 94 milhões de euros pelo Cristiano Ronaldo. Para se ter uma ideia, os dois submarinos que Portugal comprou à Alemanha custaram 832 milhões de euros. Dava para lhes comprarmos o Podolski, o Muller, o Schweinsteiger, o Klose, o Ozil, o Kedhira e ainda sobrava dinheiro para umas lanchas para a marinha.
os dinossauros
A primeira vez que escrevi ficção foi na 2ª ou 3ª classe, quando escrevi uma composição sobre um passeio. Toda a turma tinha de escrever uma composição sobre um passeio que tinham feito no fim de semana. Eu escrevi a minha, calmamente. Depois todos lemos as composições. Eram as merdas do costume. "Fui com o meu pai e a minha mãe a Santa Cruz. Comi um gelado de morango." Esse tipo de coisas formais, a medo, como as pessoas fazem quando não têm talento. Como eu estava a passar a minha fase "livros de dinossauros" e na altura não me parecia que tivesse algo de especial a contar, o meu passeio envolvia uma viagem no tempo com o meu cão e partilharmos o nosso lanche (o meu e o do meu cão) com um gigantesco e simpático Diplodocus, a contemplar a selva mesozoica, até sermos interrompidos pelo malvado Tiranossauro Rex. A professora pediu para falar com os meus pais porque achou que eu tinha tido ajuda deles. Foi o primeiro elogio sincero ao meu talento. Os da Inês e a Cristina não valiam, elas gostavam de mim e uma vez chegaram mesmo a pegar-se nos ensaios da festa de natal. Em boa verdade, fui influenciado vagamente pelo trabalho da minha mãe, as cartas que escrevia à irmã gémea em francês e que normalmente tinham elementos como lontras, cães e ursos. A especialidade da minha tia eram gatos e gorilas. Trocavam histórias infantis uma com a outra, em vez de contar a rotina do dia a dia. Essa ficava-se por um parágrafo e chegava. A minha tia, de vez em quando, enviava um animal de peluche de qualidade, em Portugal, na altura, não havia. Refiro-me a animais de peluche realistas e fofinhos. Em Portugal nos anos 80 eram todos coloridos, berrantes, artificiais e sintéticos, ainda são um bocado.
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